8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Mães influenciam na vida sexual de macacos machos, sugere estudo

Muriqui-do-norte é uma espécie nativa da Mata Atlântica.
Objetivo é evitar que animal cruze com parentes.

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

O muriqui-do-norte, um macaco nativo da Mata Atlântica e ameaçado de extinção, tem hábitos de vida bem diferente de outros grupos de primatas. Uma pesquisa publicada pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere mais peculiaridade: as mães podem ter influência sobre a vida sexual dos filhos.

A sociedade dos muriquis-do-norte pode ser considerada utópica se comparada à de outras espécies, como babuínos e gorilas. Não existe um “macho alfa”, um animal que se impõe sobre os demais. Não há hierarquia entre os machos e a violência entre eles é uma cena muito rara.

Esse comportamento que os cientistas já conheciam ganhou mais uma confirmação, com dados genéticos. Os pesquisadores fizeram testes de DNA entre os indivíduos de um grupo para descobrir a paternidade dos macacos – esses animais são polígamos – e descobriram que a grande maioria dos machos consegue ter filhos.

O macho que teve mais filhos é pai de 18% da prole, número considerado baixo, que confirma que essa sociedade é igualitária. Nas espécies em que existe hierarquia, essa taxa pode chegar a 85%. Os dados foram obtidos em macacos da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, no município de Caratinga, no leste de Minas Gerais, a 295 km de Belo Horizonte.

“O resultado que nós temos agora é uma confirmação inédita de que a nossa expectativa sobre o comportamento [do muriqui-do-norte] estava certa”, afirma Karen Strier, pesquisadora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, responsável pelo estudo.

A influência da mãe
São também esses dados que levam à hipótese de que as mães têm participação na vida sexual dos filhos. O muriqui-do-norte macho passa a vida inteira no grupo em que nasceu. Já a fêmea, geralmente migra ainda jovem e se junta a outro bando, onde passa a viver.

Ainda assim, haveria o risco de que macacos com parentesco próximo se acasalassem, o que comprometeria o número de filhos de um macho. Como, em geral, os machos obtêm sucesso e conseguem ter filhos, os pesquisadores acreditam que haja influência da mãe. Segundo sugere o estudo, é ela quem indica a fêmea com quem o filho deve se relacionar, eliminando da lista as que possam ter algum parentesco.

 

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, São Paulo


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Homem primitivo vivia em áreas de savana, diz estudo

Cientistas da Universidade de Utah acreditam que a savana, vegetação rasteira e de árvores baixas, foi a paisagem dominante na maior parte do leste africano durante 6 milhões de anos de evolução humana, refutando estudos anteriores de que as florestas teriam diminuído após o aparecimento do homem. Os estudiosos analisaram isótopos em solo primitivo para medir a cobertura vegetal pré-histórica.

“Nós conseguimos quantificar o quanto de sombra estava disponível”, diz o geoquímico Thure Cerling University of Utah scientists, autor do estudo, publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature. “E isso mostra que havia habitats abertos para todos nos últimos 6 milhões de anos nessa região, onde a parte mais significativa dos fósseis humanos foi encontrada.”

“No mesmo lugar onde encontramos ancestrais humanos, encontramos também evidências para hábitats abertos similares às savanas, e não às florestas”, acrescenta Cerling.

Cientistas discutem há décadas sobre a importância da vegetação na evolução humana, incluindo o desenvolvimento da postura ereta, o aumento do cérebro e o uso de ferramentas primitivas.

Para os hominídeos primitivos, a sombra das árvores pode ter influenciado na adaptação da regulação da temperatura corporal e hábitos de caça. Já a savana teria influenciado na adaptação em busca de novos tipos de alimento e no bipedalismo.

No novo estudo, Cerling afirma que a equipe desenvolveu um “novo modo de quantificar a abertura de paisagens tropicais”.

Os pesquisadores utilizaram isótopos de carbono de solos primitivos que, segundo Cerling, serve para determinar a cobertura vegetal existente em determinada região.

“Este é o primeiro método que realmente quantifica a cobertura florestal, que é a base para decidir se tratar de uma savana.”

Para o pesquisador, a par de as savanas terem se tornado mais extensas nos últimos 2 milhões de anos, o estudo indica que elas prevaleceram nos 6 milhões de anos com uma cobertura de árvores inferior a 40% em sua grande parte.

“Muitos cientistas acreditam que 2 milhões de anos atrás havia florestas [ao leste da África] e que a savana esteve presente apenas depois disso”, diz Cerling.

Fonte: G1


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas mapeiam regiões críticas para mamíferos aquáticos

Golfinhos, baleias e outras espécies de mamíferos aquáticos acabam de ganhar um mapa que pode ajudar a preservar este que é um dos grupos mais ameaçados pelas ações do homem.

Pesquisadores dos EUA e do México fizeram um extenso levantamento com os hábitos, dinâmicas e outras informações de 129 espécies de mamíferos aquáticos e selecionaram 20 locais-chave para sua conservação.

Embora esses animais estejam espalhados por mares, rios e lagoas de todo o mundo, os pesquisadores, liderados por Sandra Pompa, da Universidade Nacional Autônoma do México, listaram 11 pontos classificados como “insubstituíveis”.

Essas regiões foram selecionadas por sua importância para a preservação de espécies que não podem ser encontradas em outros lugares.

A foz do rio Amazonas, no Brasil, habitat de espécies como o boto-cinza, é um deles. “Esses locais podem servir para a adoção de estratégias para a proteção desses animais”, diz o trabalho, publicado na revista “PNAS”.

Os cientistas identificaram que o risco é mais elevado em áreas de maior latitude. A vulnerabilidade se intensifica nas ilhas Aleutas, um prolongamento da península do Alasca, e na península Kamchatka, na Sibéria.

Essas regiões já tiveram caça intensiva de focas e baleias.Além da pesca, esses animais são extremamente sensíveis às mudanças em seus ambientes.

Vítimas do aquecimento global, da poluição e até de obras de infraestrutura, 24% das espécies consideras na pesquisa estão ameaçadas de extinção.

O exemplo mais recente é o golfinho baiji (Lipotes vexillifer), da China, declarado extinto em 2008. Além de ter partes de seu corpo usadas na medicina chinesa, a construção de uma hidrelétrica acabou com seu habitat.

O óleo de baleia também é usado na medicina chinesa. A carne do animal é considerada uma iguaria em países como o Japão.

Editoria de arte/folhapress

Fonte: Giuliana Miranda, São Paulo, Folha.com


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Cai número de brasileiros preocupados com consumo consciente, mostra pesquisa

Apesar de ter mais informações sobre os problemas ambientais, o número de brasileiros que mantêm hábitos conscientes de consumo é cada vez menor, segundo pesquisa feita pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ). Para elaborar o levantamento, divulgado nesta segunda-feira (13), foram feitas entrevistas com mil consumidores de 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas. Entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Salvador.

De acordo com o levantamento, 57% dos entrevistados mantêm hábitos que levam em consideração a preservação do meio ambiente. Em 2007, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez, esse percentual era 65%. A queda desse grupo refletiu desde a escolha de produtos ecologicamente corretos nas gôndolas dos mercados, a preocupação em verificar se os produtos adquiridos eram geneticamente modificados ou transgênicos, até a reciclagem do lixo e a preocupação em fechar a torneira ao escovar os dentes.

A pesquisa também mostrou queda no número de brasileiros preocupados com o desperdício, revelando que, enquanto em 2007, 76% dos entrevistados verificavam os armários e a geladeira antes de fazer compras, este ano 72% disseram manter essa prática.

Para o economista Christian Travassos, da Fecomércio-RJ, em alguns casos, o custo mais alto de produtos ecologicamente corretos inibe a adesão de parte dos consumidores ao grupo do consumo consciente. “O órgão mais sensível do consumidor é o bolso e ele pondera, na hora do mercadinho, ‘o orgânico é muito legal e ético, mas não tenho condições de comprar’. Não é uma questão estática porque o governo tem condições de incentivar o ‘mais verde’ e ‘ecologicamente correto’ via dedução de impostos e deduções fiscais”, disse Travassos, lembrando que, “muitos hábitos não envolvem custos”, mas a boa vontade do consumidor, como a seleção de lixo dentro de casa e o reaproveitamento do óleo de cozinha.

A pesquisa mostrou ainda que os consumidores estão menos preocupados com a saúde. De acordo com o levantamento, 25% dos entrevistados deste ano afirmaram que não verificam a data de validade do produto comprado (em 2007, eram 22%) e 72% disseram que checavam se a embalagem do produto estava danificada. A preocupação com a embalagem foi revelada por 78% dos entrevistados há quatro anos.

O resultado das entrevistas mostrou que entre as mulheres, os idosos e a classe A e B estão o maior número de pessoas conscientes em relação aos hábitos de consumo. Os dados apontam, por exemplo, que 91% dos brasileiros de terceira idade fecham a torneira ao escovar os dentes (apenas 81% dos jovens cultivam este hábito). Em relação à prática de separar o lixo para reciclagem a relação é de 54% dos idosos contra 37% de jovens.

“Ao mesmo tempo, nossa leitura dos dados tem que considerar que cada vez mais jovens e crianças estão tendo contato com referenciais ecológicos e educação ambiental. Provavelmente, se hoje os idosos e as mulheres têm um cuidado maior com o ambiente, isso não significa que nós não tenhamos, no futuro breve, pessoas entre 24 e 30 anos com uma postura diferente. A grade curricular de muitas escolas aborda os temas e isso é uma tendência para os próximos anos ser confirmada”, avaliou Travassos.

A pesquisa sobre consumo saudável vem sendo realizada anualmente, desde 2007, em 70 cidades brasileiras, pela Fecomércio-RJ, e a empresa de pesquisa Ipsos.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Arraia comercializada há anos é finalmente descrita pela ciência

Espécie amazônica com desenho que lembra tigre é vendida para a Ásia.
‘Potamotrygon tigrina’ vive no Alto Amazonas, em território peruano.

Potamotrygon tigrina acaba de ser descrita na 'Zootaxa'. (Foto: A. Bullard e M. Sabaj/Divulgação)

Potamotrygon tigrina acaba de ser descrita na ‘Zootaxa’. (Foto: A. Bullard e M. Sabaj/Divulgação)

Uma espécie de arraia de água doce da Bacia Amazônica foi finalmente descrita pela ciência, após anos sendo comercializada para colecionadores na Ásia. A Potamotrygon tigrina ganhou esse nome por causa do desenho amarelo-alaranjado que tem sobre sua parte superior, que lembra o de um tigre. A variedade habita o alto Rio Amazonas, já em território peruano.

A parente mais próxima dessa espécie é a Potamotrygon schroederi, que vive no Rio Negro, no Brasil, e no Rio Orinoco, segundo informa Marcelo Carvalho, biólogo da Universidade de São Paulo e um dos autores do artigo que descreve a Potamotrygon tigrina na revista “Zootaxa”.

“Este bicho é importado na Ásia em números grandes. É comum aquaristas terem conhecimento de espécies antes dos pesquisadores”, explica Carvalho.

“Fazemos muito trabalho de campo, mas eles muitas vezes conhecem certos habitantes dos rios melhor do que a gente. Mas não sabiam que se tratava de uma espécie não descrita. Essas arraias demonstram que espécies comercialmente importantes, grandes e chamativas continuam sem respaldo científico”, comenta o pesquisador.

Como a Potamotrygon tigrina ainda é pouco estudada, não se sabe até que ponto a conservação da espécie está ameaçada.

Fonte: Dennis Barbosa Do Globo Natureza, em São Paulo






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Mães influenciam na vida sexual de macacos machos, sugere estudo

Muriqui-do-norte é uma espécie nativa da Mata Atlântica.
Objetivo é evitar que animal cruze com parentes.

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

O muriqui-do-norte, um macaco nativo da Mata Atlântica e ameaçado de extinção, tem hábitos de vida bem diferente de outros grupos de primatas. Uma pesquisa publicada pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere mais peculiaridade: as mães podem ter influência sobre a vida sexual dos filhos.

A sociedade dos muriquis-do-norte pode ser considerada utópica se comparada à de outras espécies, como babuínos e gorilas. Não existe um “macho alfa”, um animal que se impõe sobre os demais. Não há hierarquia entre os machos e a violência entre eles é uma cena muito rara.

Esse comportamento que os cientistas já conheciam ganhou mais uma confirmação, com dados genéticos. Os pesquisadores fizeram testes de DNA entre os indivíduos de um grupo para descobrir a paternidade dos macacos – esses animais são polígamos – e descobriram que a grande maioria dos machos consegue ter filhos.

O macho que teve mais filhos é pai de 18% da prole, número considerado baixo, que confirma que essa sociedade é igualitária. Nas espécies em que existe hierarquia, essa taxa pode chegar a 85%. Os dados foram obtidos em macacos da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, no município de Caratinga, no leste de Minas Gerais, a 295 km de Belo Horizonte.

“O resultado que nós temos agora é uma confirmação inédita de que a nossa expectativa sobre o comportamento [do muriqui-do-norte] estava certa”, afirma Karen Strier, pesquisadora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, responsável pelo estudo.

A influência da mãe
São também esses dados que levam à hipótese de que as mães têm participação na vida sexual dos filhos. O muriqui-do-norte macho passa a vida inteira no grupo em que nasceu. Já a fêmea, geralmente migra ainda jovem e se junta a outro bando, onde passa a viver.

Ainda assim, haveria o risco de que macacos com parentesco próximo se acasalassem, o que comprometeria o número de filhos de um macho. Como, em geral, os machos obtêm sucesso e conseguem ter filhos, os pesquisadores acreditam que haja influência da mãe. Segundo sugere o estudo, é ela quem indica a fêmea com quem o filho deve se relacionar, eliminando da lista as que possam ter algum parentesco.

 

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, São Paulo


4 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Homem primitivo vivia em áreas de savana, diz estudo

Cientistas da Universidade de Utah acreditam que a savana, vegetação rasteira e de árvores baixas, foi a paisagem dominante na maior parte do leste africano durante 6 milhões de anos de evolução humana, refutando estudos anteriores de que as florestas teriam diminuído após o aparecimento do homem. Os estudiosos analisaram isótopos em solo primitivo para medir a cobertura vegetal pré-histórica.

“Nós conseguimos quantificar o quanto de sombra estava disponível”, diz o geoquímico Thure Cerling University of Utah scientists, autor do estudo, publicado nesta quarta-feira (4) na revista Nature. “E isso mostra que havia habitats abertos para todos nos últimos 6 milhões de anos nessa região, onde a parte mais significativa dos fósseis humanos foi encontrada.”

“No mesmo lugar onde encontramos ancestrais humanos, encontramos também evidências para hábitats abertos similares às savanas, e não às florestas”, acrescenta Cerling.

Cientistas discutem há décadas sobre a importância da vegetação na evolução humana, incluindo o desenvolvimento da postura ereta, o aumento do cérebro e o uso de ferramentas primitivas.

Para os hominídeos primitivos, a sombra das árvores pode ter influenciado na adaptação da regulação da temperatura corporal e hábitos de caça. Já a savana teria influenciado na adaptação em busca de novos tipos de alimento e no bipedalismo.

No novo estudo, Cerling afirma que a equipe desenvolveu um “novo modo de quantificar a abertura de paisagens tropicais”.

Os pesquisadores utilizaram isótopos de carbono de solos primitivos que, segundo Cerling, serve para determinar a cobertura vegetal existente em determinada região.

“Este é o primeiro método que realmente quantifica a cobertura florestal, que é a base para decidir se tratar de uma savana.”

Para o pesquisador, a par de as savanas terem se tornado mais extensas nos últimos 2 milhões de anos, o estudo indica que elas prevaleceram nos 6 milhões de anos com uma cobertura de árvores inferior a 40% em sua grande parte.

“Muitos cientistas acreditam que 2 milhões de anos atrás havia florestas [ao leste da África] e que a savana esteve presente apenas depois disso”, diz Cerling.

Fonte: G1


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas mapeiam regiões críticas para mamíferos aquáticos

Golfinhos, baleias e outras espécies de mamíferos aquáticos acabam de ganhar um mapa que pode ajudar a preservar este que é um dos grupos mais ameaçados pelas ações do homem.

Pesquisadores dos EUA e do México fizeram um extenso levantamento com os hábitos, dinâmicas e outras informações de 129 espécies de mamíferos aquáticos e selecionaram 20 locais-chave para sua conservação.

Embora esses animais estejam espalhados por mares, rios e lagoas de todo o mundo, os pesquisadores, liderados por Sandra Pompa, da Universidade Nacional Autônoma do México, listaram 11 pontos classificados como “insubstituíveis”.

Essas regiões foram selecionadas por sua importância para a preservação de espécies que não podem ser encontradas em outros lugares.

A foz do rio Amazonas, no Brasil, habitat de espécies como o boto-cinza, é um deles. “Esses locais podem servir para a adoção de estratégias para a proteção desses animais”, diz o trabalho, publicado na revista “PNAS”.

Os cientistas identificaram que o risco é mais elevado em áreas de maior latitude. A vulnerabilidade se intensifica nas ilhas Aleutas, um prolongamento da península do Alasca, e na península Kamchatka, na Sibéria.

Essas regiões já tiveram caça intensiva de focas e baleias.Além da pesca, esses animais são extremamente sensíveis às mudanças em seus ambientes.

Vítimas do aquecimento global, da poluição e até de obras de infraestrutura, 24% das espécies consideras na pesquisa estão ameaçadas de extinção.

O exemplo mais recente é o golfinho baiji (Lipotes vexillifer), da China, declarado extinto em 2008. Além de ter partes de seu corpo usadas na medicina chinesa, a construção de uma hidrelétrica acabou com seu habitat.

O óleo de baleia também é usado na medicina chinesa. A carne do animal é considerada uma iguaria em países como o Japão.

Editoria de arte/folhapress

Fonte: Giuliana Miranda, São Paulo, Folha.com


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Cai número de brasileiros preocupados com consumo consciente, mostra pesquisa

Apesar de ter mais informações sobre os problemas ambientais, o número de brasileiros que mantêm hábitos conscientes de consumo é cada vez menor, segundo pesquisa feita pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ). Para elaborar o levantamento, divulgado nesta segunda-feira (13), foram feitas entrevistas com mil consumidores de 70 cidades, incluindo nove regiões metropolitanas. Entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Salvador.

De acordo com o levantamento, 57% dos entrevistados mantêm hábitos que levam em consideração a preservação do meio ambiente. Em 2007, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez, esse percentual era 65%. A queda desse grupo refletiu desde a escolha de produtos ecologicamente corretos nas gôndolas dos mercados, a preocupação em verificar se os produtos adquiridos eram geneticamente modificados ou transgênicos, até a reciclagem do lixo e a preocupação em fechar a torneira ao escovar os dentes.

A pesquisa também mostrou queda no número de brasileiros preocupados com o desperdício, revelando que, enquanto em 2007, 76% dos entrevistados verificavam os armários e a geladeira antes de fazer compras, este ano 72% disseram manter essa prática.

Para o economista Christian Travassos, da Fecomércio-RJ, em alguns casos, o custo mais alto de produtos ecologicamente corretos inibe a adesão de parte dos consumidores ao grupo do consumo consciente. “O órgão mais sensível do consumidor é o bolso e ele pondera, na hora do mercadinho, ‘o orgânico é muito legal e ético, mas não tenho condições de comprar’. Não é uma questão estática porque o governo tem condições de incentivar o ‘mais verde’ e ‘ecologicamente correto’ via dedução de impostos e deduções fiscais”, disse Travassos, lembrando que, “muitos hábitos não envolvem custos”, mas a boa vontade do consumidor, como a seleção de lixo dentro de casa e o reaproveitamento do óleo de cozinha.

A pesquisa mostrou ainda que os consumidores estão menos preocupados com a saúde. De acordo com o levantamento, 25% dos entrevistados deste ano afirmaram que não verificam a data de validade do produto comprado (em 2007, eram 22%) e 72% disseram que checavam se a embalagem do produto estava danificada. A preocupação com a embalagem foi revelada por 78% dos entrevistados há quatro anos.

O resultado das entrevistas mostrou que entre as mulheres, os idosos e a classe A e B estão o maior número de pessoas conscientes em relação aos hábitos de consumo. Os dados apontam, por exemplo, que 91% dos brasileiros de terceira idade fecham a torneira ao escovar os dentes (apenas 81% dos jovens cultivam este hábito). Em relação à prática de separar o lixo para reciclagem a relação é de 54% dos idosos contra 37% de jovens.

“Ao mesmo tempo, nossa leitura dos dados tem que considerar que cada vez mais jovens e crianças estão tendo contato com referenciais ecológicos e educação ambiental. Provavelmente, se hoje os idosos e as mulheres têm um cuidado maior com o ambiente, isso não significa que nós não tenhamos, no futuro breve, pessoas entre 24 e 30 anos com uma postura diferente. A grade curricular de muitas escolas aborda os temas e isso é uma tendência para os próximos anos ser confirmada”, avaliou Travassos.

A pesquisa sobre consumo saudável vem sendo realizada anualmente, desde 2007, em 70 cidades brasileiras, pela Fecomércio-RJ, e a empresa de pesquisa Ipsos.

Fonte: Carolina Gonçalves/ Agência Brasil


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Arraia comercializada há anos é finalmente descrita pela ciência

Espécie amazônica com desenho que lembra tigre é vendida para a Ásia.
‘Potamotrygon tigrina’ vive no Alto Amazonas, em território peruano.

Potamotrygon tigrina acaba de ser descrita na 'Zootaxa'. (Foto: A. Bullard e M. Sabaj/Divulgação)

Potamotrygon tigrina acaba de ser descrita na ‘Zootaxa’. (Foto: A. Bullard e M. Sabaj/Divulgação)

Uma espécie de arraia de água doce da Bacia Amazônica foi finalmente descrita pela ciência, após anos sendo comercializada para colecionadores na Ásia. A Potamotrygon tigrina ganhou esse nome por causa do desenho amarelo-alaranjado que tem sobre sua parte superior, que lembra o de um tigre. A variedade habita o alto Rio Amazonas, já em território peruano.

A parente mais próxima dessa espécie é a Potamotrygon schroederi, que vive no Rio Negro, no Brasil, e no Rio Orinoco, segundo informa Marcelo Carvalho, biólogo da Universidade de São Paulo e um dos autores do artigo que descreve a Potamotrygon tigrina na revista “Zootaxa”.

“Este bicho é importado na Ásia em números grandes. É comum aquaristas terem conhecimento de espécies antes dos pesquisadores”, explica Carvalho.

“Fazemos muito trabalho de campo, mas eles muitas vezes conhecem certos habitantes dos rios melhor do que a gente. Mas não sabiam que se tratava de uma espécie não descrita. Essas arraias demonstram que espécies comercialmente importantes, grandes e chamativas continuam sem respaldo científico”, comenta o pesquisador.

Como a Potamotrygon tigrina ainda é pouco estudada, não se sabe até que ponto a conservação da espécie está ameaçada.

Fonte: Dennis Barbosa Do Globo Natureza, em São Paulo