18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Geleiras em cordilheira asiática ganham volume e confundem cientistas

Algumas geleiras que cobrem montanhas na Ásia estão desafiando uma tendência global de derretimento e ficando mais espessas, dizem cientistas.

Especialistas franceses usaram informações colhidas por satélite para demonstrar que geleiras em partes da cadeia Karakoram, a oeste da região do Himalaia, estão ganhando massa.

Não se sabe ao certo por que isso estaria acontecendo, já que geleiras em regiões do Himalaia estão perdendo massa.

As geleiras nessa região são pouco estudadas, embora sejam fonte vital de água potável para mais de um bilhão de pessoas.

A resposta das geleiras do Himalaia ao aquecimento global tem sido um tema polêmico desde 2007, quando um relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), incluiu uma afirmação errônea de que o gelo que cobre a maior parte da região poderia desaparecer até 2035.

Embora sejam com frequência vistas como pertencentes à cordilheira do Himalaia, tecnicamente, as montanhas Karakoram são uma cadeia separada que inclui K2, o segundo pico mais alto do mundo.

A maior parte da região é inacessível, e há um reconhecimento geral de que mais investigações são necessárias para esclarecer o que estaria acontecendo.

MODELOS DE ELEVAÇÕES

Os cientistas franceses, do Centre National de la Recherche Scientifique e Université de Grenoble, compararam dois modelos de elevações sobre a superfície da terra obtidos a partir de observações por satélites, um datando de 1999, o outro, de 2008.

Suas conclusões foram publicadas na revista científica Nature Geoscience.

O método que a equipe usou para medir e comparar o volume de gelo sobre a cordilheira Karakoram já foi usado antes em outras cadeias de montanhas, mas ele é complexo.

“[O método] não é usado com mais frequência porque esses modelos de elevações são bem difíceis de conseguir –você precisa de condições de céu límpido e camadas reduzidas de neve”, disse a líder do estudo, Julie Gardelle.

Outros fatores que podem mudar a altura da superfície de gelo, além de mudanças no próprio gelo, também precisam ser levados em consideração.

Feitos os cálculos, a equipe concluiu que, entre 1999 e 2008, a massa das geleiras na região do Karakoram, com 5.615 quilômetros quadrados, aumentou por uma pequena margem, embora haja variações amplas entre geleiras individuais.

QUADRO NEBULOSO

As razões para esse fenômeno não são conhecidas, embora estudos em outras partes do mundo tenham revelado que a mudança climática pode levar a um aumento em precipitações em regiões frias. No caso de regiões suficientemente frias, essas precipitações acabam sendo acrescentadas à camada de gelo já existente no local

“Não sabemos a razão”, disse Gardelle à BBC.

“Nesse momento, acreditamos que isso talvez se deva a um clima regional muito específico [que existe] sobre [as montanhas] Karakoram, porque medições meteorológicas vêm mostrando um aumento em precipitações no inverno”, disse. “Mas isso, nesse estágio, é pura especulação”.

Qualquer que seja a explicação, está claro que essa tendência contrasta com o que vem ocorrendo em outras áreas da região do Himalaia e do Hindu Kush, onde vivem cerca de 210 milhões de pessoas e onde geleiras funcionam como reservatórios de água para cerca de 1,3 bilhão de pessoas que vivem nas bacias dos rios abaixo delas.

No final do ano passado, o International Centre for Integrated Mountain Development (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, Icimod, na sigla em inglês), com sede em Katmandu, divulgou informações mostrando que, em dez geleiras estudadas com regularidade, o índice de perda de gelo tinha dobrado desde a década de 1980.

No entanto, o centro também deixou claro que as informações sobre a região são esparsas, e que essas dez intensamente estudadas geleiras integram um conjunto de 54 mil geleiras.

Medições feitas pelo satélite GRACE, que detecta variações minúsculas na força gravitacional da Terra, também identificaram uma perda de massa na região como um todo.

Em comentário publicado na revista Nature Geoscience, Graham Cogley, cientista da Trent University, em Ontário, no Canada, primeiro a questionar publicamente a previsão do IPCC em relação ao ano de 2035, comentou que interpretar os diferentes dados sobre perda de massa de gelo obtidos por métodos diversos “vai manter os glaciologistas ocupados por algum tempo”.

Fonte: BBC Brasil


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas

Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão.
Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.

Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.

Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.

Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e “poderiam desaparecer até 2035, ou antes”.

O IPCC afirmou que foi “um lamentável erro” provocado por “procedimentos que não foram devidamente acompanhados”.

Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.

Imagem de dezembro de 2009 mostra montanhas e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento das geleiras do Himalaia, de acordo com cientistas, (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Redução significativa
De acordo com os resultados de um outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. “Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo”, comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.

As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles – Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo – suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas.

Fonte: Da France Presse


27 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas alertam para risco de que geleiras no Himalaia desapareçam

Japoneses analisaram três focos de ‘neves eternas’ na cordilheira.
Com mudanças climáticas, dois deles estão sumindo, concluíram.

Três geleiras do Himalaia vêm encolhendo nos últimos 40 anos devido ao aquecimento global e duas deles, localizados em regiões úmidas e em altitudes mais baixas no centro e no leste do Nepal, podem desaparecer, afirma pesquisadores do Japão em estudo publicado nesta terça-feira (1º).

Usando GPS e modelos de simulação, eles descobriram que o encolhimento de duas das geleiras – Yala, no centro, e AX010 no leste do Nepal – acelerou nos últimos dez anos em comparação com os anos 70 e 80.

O volume de Yala encolheu 0,80 metro e o de AX010, 0,81 metro, respectivamente, por ano, na década de 2000, acima dos 0,68 metro e 0,72 metro por ano entre 1970 e 1990, disse Koji Fujita, da Escola de Estudos Ambientais da Universidade de Nagoya, no Japão.

“Para Yala e AX, essas regiões apresentaram um aquecimento significativo. É por isso que a média de redução foi acelerada”, disse Fujita.

“Yala e AX irão desaparecer, mas não temos certeza quando. Para saber a época, temos que calcular usando outra simulação e ter em o fluxo glacial em conta”, explica Fujita. Sua equipe não tem os dados para fazê-lo no momento.

As conclusões do time de cientistas foram publicadas na revista “Proceedings”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

15.000 glaciares
O Himalaia é uma cadeia de montanhas enormes composta por cerca de 15.000 glaciares e alguns dos picos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest e o K2.

Além da mudança do clima e da umidade, a altitude também parece desempenhar um papel fundamental na vida das geleiras, que são grandes corpos persistentes de gelo.

A geleira Rikha Samba, situada em região mais seca, no oeste do Nepal, também tem ficado cada vez menor desde a década de 70, mas sua taxa de retração desacelerou para 0,48 metro por ano nos últimos dez anos em comparação com 0,57 metro por ano na década de 70 e 1980.

Isso aconteceu porque a geleira está a 5.700 metros, o que significa que sua diminuição poderia ser compensada, ao menos em parte, por novas quedas de neve, disse Fujita.

“No caso de Yala e AX, estão situadas em menores altitudes e, portanto, o encolhimento foi acelerado. Geleiras que não têm nenhuma chance de receber neve acabarão por desaparecer”, disse Fujita.

A geleira Yala está a cerca de 5.400 metros acima do nível do mar, enquanto a AX está a 5.200 metros.

Fonte: Da Reuters






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18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Geleiras em cordilheira asiática ganham volume e confundem cientistas

Algumas geleiras que cobrem montanhas na Ásia estão desafiando uma tendência global de derretimento e ficando mais espessas, dizem cientistas.

Especialistas franceses usaram informações colhidas por satélite para demonstrar que geleiras em partes da cadeia Karakoram, a oeste da região do Himalaia, estão ganhando massa.

Não se sabe ao certo por que isso estaria acontecendo, já que geleiras em regiões do Himalaia estão perdendo massa.

As geleiras nessa região são pouco estudadas, embora sejam fonte vital de água potável para mais de um bilhão de pessoas.

A resposta das geleiras do Himalaia ao aquecimento global tem sido um tema polêmico desde 2007, quando um relatório do Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), incluiu uma afirmação errônea de que o gelo que cobre a maior parte da região poderia desaparecer até 2035.

Embora sejam com frequência vistas como pertencentes à cordilheira do Himalaia, tecnicamente, as montanhas Karakoram são uma cadeia separada que inclui K2, o segundo pico mais alto do mundo.

A maior parte da região é inacessível, e há um reconhecimento geral de que mais investigações são necessárias para esclarecer o que estaria acontecendo.

MODELOS DE ELEVAÇÕES

Os cientistas franceses, do Centre National de la Recherche Scientifique e Université de Grenoble, compararam dois modelos de elevações sobre a superfície da terra obtidos a partir de observações por satélites, um datando de 1999, o outro, de 2008.

Suas conclusões foram publicadas na revista científica Nature Geoscience.

O método que a equipe usou para medir e comparar o volume de gelo sobre a cordilheira Karakoram já foi usado antes em outras cadeias de montanhas, mas ele é complexo.

“[O método] não é usado com mais frequência porque esses modelos de elevações são bem difíceis de conseguir –você precisa de condições de céu límpido e camadas reduzidas de neve”, disse a líder do estudo, Julie Gardelle.

Outros fatores que podem mudar a altura da superfície de gelo, além de mudanças no próprio gelo, também precisam ser levados em consideração.

Feitos os cálculos, a equipe concluiu que, entre 1999 e 2008, a massa das geleiras na região do Karakoram, com 5.615 quilômetros quadrados, aumentou por uma pequena margem, embora haja variações amplas entre geleiras individuais.

QUADRO NEBULOSO

As razões para esse fenômeno não são conhecidas, embora estudos em outras partes do mundo tenham revelado que a mudança climática pode levar a um aumento em precipitações em regiões frias. No caso de regiões suficientemente frias, essas precipitações acabam sendo acrescentadas à camada de gelo já existente no local

“Não sabemos a razão”, disse Gardelle à BBC.

“Nesse momento, acreditamos que isso talvez se deva a um clima regional muito específico [que existe] sobre [as montanhas] Karakoram, porque medições meteorológicas vêm mostrando um aumento em precipitações no inverno”, disse. “Mas isso, nesse estágio, é pura especulação”.

Qualquer que seja a explicação, está claro que essa tendência contrasta com o que vem ocorrendo em outras áreas da região do Himalaia e do Hindu Kush, onde vivem cerca de 210 milhões de pessoas e onde geleiras funcionam como reservatórios de água para cerca de 1,3 bilhão de pessoas que vivem nas bacias dos rios abaixo delas.

No final do ano passado, o International Centre for Integrated Mountain Development (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, Icimod, na sigla em inglês), com sede em Katmandu, divulgou informações mostrando que, em dez geleiras estudadas com regularidade, o índice de perda de gelo tinha dobrado desde a década de 1980.

No entanto, o centro também deixou claro que as informações sobre a região são esparsas, e que essas dez intensamente estudadas geleiras integram um conjunto de 54 mil geleiras.

Medições feitas pelo satélite GRACE, que detecta variações minúsculas na força gravitacional da Terra, também identificaram uma perda de massa na região como um todo.

Em comentário publicado na revista Nature Geoscience, Graham Cogley, cientista da Trent University, em Ontário, no Canada, primeiro a questionar publicamente a previsão do IPCC em relação ao ano de 2035, comentou que interpretar os diferentes dados sobre perda de massa de gelo obtidos por métodos diversos “vai manter os glaciologistas ocupados por algum tempo”.

Fonte: BBC Brasil


6 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas

Relatórios de instituto apontam que redução ocorreu no Nepal e no Butão.
Derretimento se acelerou entre 2002 e 2005 em dez geleiras avaliadas.

Novos estudos científicos sobre o derretimento das geleiras do Himalaia revelam o impacto das mudanças climáticas nesta região e a ameaça que pesa sobre 1,3 bilhão de habitantes.

Segundo os estudos publicados em três relatórios do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), com base em Katmandu, as geleiras diminuíram 21% no Nepal e 22% no Butão nos últimos 30 anos.

Estas descobertas seriam a primeira confirmação oficial sobre o derretimento das geleiras, após várias declarações empíricas. Elas corrigem também um anúncio errado do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) que afirmou em seu 4º relatório em 2007 que as geleiras do Himalaia derretiam mais rápido do que as outras do mundo e “poderiam desaparecer até 2035, ou antes”.

O IPCC afirmou que foi “um lamentável erro” provocado por “procedimentos que não foram devidamente acompanhados”.

Apoiados pelo projeto de pesquisa financiado pela Suécia e realizado pela ICIMOD durante três anos, os especialistas descobriram que as dez geleiras observadas estão em processo de derretimento em uma velocidade que acelerou entre 2002 e 2005.

Imagem de dezembro de 2009 mostra montanhas e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento das geleiras do Himalaia, de acordo com cientistas, (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Imagem de dezembro de 2009 mostra o Himalaia e uma geleira na região do monte Everest, a 140 km de distância de Kathmandu. Milhões de pessoas estão sob ameaça de derretimento da neve nesta região, de acordo com cientistas (Foto: Prakash Mathema/AFP)

Redução significativa
De acordo com os resultados de um outro estudo, o volume de neve que cobre a região diminuiu de maneira significativa nos últimos 10 anos. “Estes relatórios fornecem um novo ponto de comparação e informações sobre as zonas geográficas específicas para compreender a mudança climática em um dos ecossistemas mais vulneráveis do mundo”, comentou o presidente do IPCC, o indiano Rajendra Pachauri.

As 54.000 geleiras do Himalaia alimentam com água os oito maiores rios da Ásia, entre eles – Indus, Ganges, Brahmaputra, Yangtze e Rio Amarelo – suscetíveis de serem afetados pelo stress hídrico nas próximas décadas, com potenciais consequências para os 1,3 bilhão de pessoas.

Fonte: Da France Presse


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Estudo registra derretimento de geleiras no Himalaia chinês

Estações a mais de 4.000 m registraram 1,7º de aquecimento em 47 anos.
Lagos alimentados pelo gelo das montanhas aumentaram de tamanho.

A rápida elevação das temperaturas, causada pelas mudanças climáticas, está provocando o derretimento das geleiras chinesas na Cordilheira do Himalaia, um impacto que ameaça habitats, o turismo e o desenvolvimento econômico da região, alerta um estudo publicado nesta terça-feira (25).

Das 111 estações meteorológicas espalhadas pelo sudoeste da China, 77% demonstraram elevações significativas de temperaturas entre 1961 e 2008, segundo o estudo, publicado no periódico britânico “Environmental Research Letters”.

Nas 14 estações de monitoramento acima dos 4.000 metros, o salto neste período foi de 1,73 grau Celsius, aproximadamente duas vezes a elevação média global registrada ao longo do último século.

Cientistas liderados por Li Zhongxing, da Academia Chinesa de Ciências, identificaram três alterações em curso nas geleiras que poderiam ser causadas, pelo menos em parte, por esta tendência constante de aquecimento.

Segundo eles, a maior parte das geleiras examinadas demonstrou um “recuo drástico”, além de uma grande perda de massa.

O estudo também demonstrou que lagos glaciais, alimentados pelo gelo derretido de geleiras, aumentaram de tamanho.

“As implicações destas mudanças são muito mais sérias do que uma mera alteração da paisagem”, alertaram os cientistas.

“As geleiras integram milhares de ecossistemas e desempenham um papel crucial no sustento de populações humanas”, acrescentaram.

O sudoeste da China tem 23.488 geleiras, cobrindo uma área de 29.523 quilômetros quadrados, através do Himalaia e das montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduans.

Mudanças no padrão de chuvas e das nevascas foram menos marcantes, mas ainda consistentes com as previsões de modelos de mudanças climáticas, afirmaram.

“É imperativo que determinemos a relação entre as mudanças climáticas e variações nas geleiras, particularmente o papel das precipitações, uma vez que as consequências do recuo do gelo são muito abrangentes”, disse Li.

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Geleira no sul da China, quase na fronteira com o Nepal. (Foto: AFP)

Fonte: AFP


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas alertam para risco de que geleiras no Himalaia desapareçam

Japoneses analisaram três focos de ‘neves eternas’ na cordilheira.
Com mudanças climáticas, dois deles estão sumindo, concluíram.

Três geleiras do Himalaia vêm encolhendo nos últimos 40 anos devido ao aquecimento global e duas deles, localizados em regiões úmidas e em altitudes mais baixas no centro e no leste do Nepal, podem desaparecer, afirma pesquisadores do Japão em estudo publicado nesta terça-feira (1º).

Usando GPS e modelos de simulação, eles descobriram que o encolhimento de duas das geleiras – Yala, no centro, e AX010 no leste do Nepal – acelerou nos últimos dez anos em comparação com os anos 70 e 80.

O volume de Yala encolheu 0,80 metro e o de AX010, 0,81 metro, respectivamente, por ano, na década de 2000, acima dos 0,68 metro e 0,72 metro por ano entre 1970 e 1990, disse Koji Fujita, da Escola de Estudos Ambientais da Universidade de Nagoya, no Japão.

“Para Yala e AX, essas regiões apresentaram um aquecimento significativo. É por isso que a média de redução foi acelerada”, disse Fujita.

“Yala e AX irão desaparecer, mas não temos certeza quando. Para saber a época, temos que calcular usando outra simulação e ter em o fluxo glacial em conta”, explica Fujita. Sua equipe não tem os dados para fazê-lo no momento.

As conclusões do time de cientistas foram publicadas na revista “Proceedings”, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

15.000 glaciares
O Himalaia é uma cadeia de montanhas enormes composta por cerca de 15.000 glaciares e alguns dos picos mais altos do mundo, incluindo o Monte Everest e o K2.

Além da mudança do clima e da umidade, a altitude também parece desempenhar um papel fundamental na vida das geleiras, que são grandes corpos persistentes de gelo.

A geleira Rikha Samba, situada em região mais seca, no oeste do Nepal, também tem ficado cada vez menor desde a década de 70, mas sua taxa de retração desacelerou para 0,48 metro por ano nos últimos dez anos em comparação com 0,57 metro por ano na década de 70 e 1980.

Isso aconteceu porque a geleira está a 5.700 metros, o que significa que sua diminuição poderia ser compensada, ao menos em parte, por novas quedas de neve, disse Fujita.

“No caso de Yala e AX, estão situadas em menores altitudes e, portanto, o encolhimento foi acelerado. Geleiras que não têm nenhuma chance de receber neve acabarão por desaparecer”, disse Fujita.

A geleira Yala está a cerca de 5.400 metros acima do nível do mar, enquanto a AX está a 5.200 metros.

Fonte: Da Reuters