27 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova sacolinha biodegradável reduz impacto do plástico, diz Greenpeace

A partir de 25 de janeiro, com a entrada em vigor da substituição das sacolas plásticas na cidade de São Paulo, os consumidores vão precisar se acostumar com novas opções para carregar as compras do mercado. Uma delas são os próprios sacos de plástico, mas feitos com material renovável, como milho, e que degradam mais rápido que a sacola regular, feita com derivados de petróleo. Eles serão vendidos nas cadeias de supermercado que optaram por substituir o saco comum.

Enquanto o tempo de decomposição de uma sacola regular é de mais de 100 anos, as biodegradáveis duram apenas dois anos, segundo fabricantes. Caso sejam tratadas em usinas de compostagem, elas podem degradar em 180 dias, afirmam os produtores.

Em uma pesquisa do IPT, quatro tipos de sacola são expostas a chuva, luz e vento para testar seu tempo de degradação (Foto: Divulgação/IPT)

Em uma pesquisa do IPT, quatro tipos de sacola são expostas a chuva, luz e vento para testar seu tempo de degradação (Foto: Divulgação/IPT)

 

“São duas possibilidades infinitamente melhores que a sacola convencional, que leva centenas de anos para se decompor. Além disso, a produção dessas sacolas vai usar menos combustível fóssil, ou seja, vai ser menos poluente”, avalia Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil.

A diferença pode gerar um impacto considerável, avalia Leitão, já que as sacolas plásticas são responsáveis pela morte de um milhão de aves marinhas e de 100 mil tartarugas por ano, que confundem o material com alimento. Os dados são do Greenpeace. Além disso, elas geram impermeabilização do solo dos lixões, dificultando o processo de decomposição do lixo, de acordo com dados da campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Atualmente, são distribuídas 1,5 milhão de sacolas plásticas por hora no Brasil, ou cerca de 13 bilhões por ano, segundo a campanha do MMA.

Estudo
A diferença no tempo de degradação das sacolas está sendo estudada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado à Universidade de São Paulo. Desde outubro de 2011, estão sendo avaliados quatro tipos diferentes de embalagem: polietileno comum (a sacola tradicional de plástico), polietileno com aditivo para degradação, papel e TNT (um tipo de saco retornável).

Elas ficarão expostas a sol, chuva e vento durante um ano, simulando condições de abandono das sacolas no meio urbano. “Embora existam muitos artigos sobre isso, não há muitas pesquisas nas condições brasileiras. Nós vimos a necessidade de fazer esse estudo para tentar ajudar a esclarecer um pouco esse assunto”, diz Mara Dantas, pesquisadora do laboratório de Embalagens do IPT.

Os resultados da pesquisa serão divulgados após o período de exposição dos materiais, que termina em outubro de 2012. Uma das questões que o estudo pretende responder é sobre a eficácia de aditivos para tornar o plástico degradável, já que não há consenso científico sobre o tema.

Polêmica
Já a Plastivida, Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, entidade que representa fabricantes do setor, defende que a sacola que será abolida dos supermercados paulistas é a opção mais sustentável.

Para o instituto, o problema está na destinação final inadequada do material. “Com a coleta da sacola para a reciclagem, seria bom que [o processo de decomposição] demorasse 100 anos. Assim, ela viraria outro produto e não seria preciso extrair mais matéria prima [para produzi-lo]”, diz o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense.

Outro problema, segundo a Plastivida, é o abuso do uso da embalagem. Em 2007, foi iniciada uma campanha para reduzir o desperdício de sacolinhas. O consumo atual, de cerca 13 bilhões por ano, representa uma queda de 30% em relação aos números do começo da campanha, de em torno de 18 milhões.

Além disso, uma pesquisa realizada no Reino Unido e divulgada pela Plastivida aponta que as chamadas ecobags precisam ser reutilizadas por mais de 100 vezes para provocarem menos danos ambientais que o plástico, devido à maior quantidade de matéria-prima empregue na sua confecção.

Um ponto de consenso em diferentes pesquisas é que o impacto das diferentes sacolas não é fixo, mas depende do tipo de consumo que é feito delas — por exemplo, o tempo de uso — e das condições de destinação final da embalagem — como o encaminhamento para reciclagem.

Assim, vale seguir a recomendação de Mara, do IPT: “O consumidor tem que reutilizar o que tiver em casa e procurar fazer a destinação correta do material. Mas não pode deixar que a embalagem fique exposta na natureza”, provocando danos ambientais.

Fonte: G1 -Natureza


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Novaenergia transformará plástico em óleo

Se tudo der certo, o lixo plástico, que leva dezenas de anos para se decompor quando jogado em aterros, está perto de ter um fim, ou melhor, um recomeço.

A Wastech, empresa baiana especializada em tratamento de resíduos, está criando uma nova companhia, chamada Novaenergia, que atuará na transformação de lixo plástico em petróleo. A RJCP Equity, empresa de investimento em capital de risco, será sócia minoritária no projeto.

 

A Novaenergia está em fase de captação de recursos e pretende ter a primeira unidade funcionando até o fim de 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões. No total, o plano da companhia é ter 20 fábricas no país no prazo de cinco anos, o que exigirá investimento total de R$ 540 milhões. Desse montante, R$ 54 milhões serão na forma de capital, R$ 105 milhões em dívida (incluindo linhas de Finame do BNDES e crédito do fornecedor) e R$ 381 milhões em geração de caixa.

 

Ao fim dos cinco anos, a previsão é de que as 20 unidades tenham uma capacidade anual de produção 224 mil m3 de petróleo leve (com mais de 44 graus API), equivalente a 1,4 milhão de barris. O petróleo produzido será refinado e vendido em forma de nafta, óleo combustível e diesel.

 

A primeira fábrica ficará em Salvador e será capaz de processar 450 toneladas de lixo por dia, o que equivale a um sexto do total de resíduos gerados hoje diariamente na cidade. Desse montante de lixo, a empresa vai usar somente 36 toneladas de plástico considerados difíceis de reciclar, como sacolas e filmes. Materiais como PET, PVC e sucata metálica serão vendidos e o lixo orgânico aterrado.

 

Para cada 36 toneladas diárias de lixo plástico que entrarem de um lado da máquina, sairão 30 mil litros de óleo leve do outro. A tecnologia de transformação de plástico em petróleo foi desenvolvida por uma empresa americana chamada Agilyx, que já faz o processo comercialmente há um ano. Recentemente, a empresa dos EUA recebeu aporte de US$ 22 milhões do fundo Kleiner Perkins Caufield & Byers, que investiu em empresas como Amazon e Google; da Waste Management, uma das maiores empresas americanas de tratamento de resíduos; e também da divisão de capital de risco da petroleira francesa Total.

 

De acordo com Luciano Coimbra, presidente e controlador da Wastech e da Novaenergia, os projetos ambientais, via de regra, dão retorno financeiro muito baixo. “Não é o nosso caso. O projeto tem alto impacto ambiental e terá altíssima rentabilidade.” A Wastech, que trabalha há 27 anos com tratamento de resíduos industriais perigosos, começou há cerca de quatro anos a desenvolver o projeto da Novaenergia. Depois de pesquisar diversas tecnologias, Coimbra conheceu a Agilyx, com quem firmou, no início de 2010, um contrato de exclusividade para exploração da tecnologia no Brasil.

 

Engenheiro químico, Coimbra diz que o processo de transformação do plástico em petróleo é algo que está nos livros, mas que para tornar isso comercial é preciso saber alguns macetes. Em vez de pagar royalties sobre a produção, a Novaenergia vai remunerar a companhia americana a cada fábrica construída.

 

Coimbra diz que já tem acordo com a concessionária responsável pelo aterro de Salvador. Nesse tipo de modelo, previsto para cidades grandes, a concessionária poderá ser sócia da fábrica de transformação de plástico em petróleo – com intervalo de 30% a 70% do capital – e terá que investir no projeto. Para a prefeitura, será destinado de 2% a 3% do óleo produzido.

 

Outra possibilidade, pensada para cidades médias, é atuar também como concessionária e processar todos os resíduos. Um terceiro modelo estaria ligado ao plástico recolhido pelas fabricantes de produtos industrializados que precisarem montar estruturas de logística reversa, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Fonte: Valor Econômico


19 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 é oportunidade para economia sustentável, diz primeiro-ministro da Suécia

O primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, afirmou nesta quarta-feira (18) que a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) Rio+20 será uma oportunidade para o crescimento da economia sustentável no mundo. A Rio+20 está marcada para junho de 2012, no Rio de Janeiro, e deve reunir líderes mundiais para debater o desenvolvimento sustentável.

“A Rio+20 será uma oportunidade para discutirmos a economia verde e a redução da pobreza”, afirmou Reinfeldt, em visita à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A passagem do primeiro-ministro pela Fiesp faz parte de sua primeira viagem oficial ao Brasil e à América Latina. Reinfeldt chegou na terça-feira (17) ao Brasil.

Durante seu discurso a empresários brasileiros e suecos, Reinfeldt reiterou o comprometimento de seu governo com a “economia verde”. Disse que o desenvolvimento sustentável é a única forma de garantir qualidade de vida para a população mundial no futuro.

Reinfeldt disse também que as mudanças necessárias para que a produção mundial seja mais sustentável não precisam reduzir o crescimento mundial. Pelo contrário, elas podem colaborar com a criação de mais empregos e para uma melhor distribuição de renda.

“A redução do impacto ambiental não significa a redução do crescimento”, afirmou o primeiro-ministro. “Isso pode gerar oportunidades de crescimento.”

A Suécia, segundo Reinfeldt, é um exemplo disso. Desde 1999, a economia do país cresceu 50%. Ao mesmo tempo, as emissões de carbono caíram 17% em seu território.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ratificou o exemplo sueco para o desenvolvimento sustentável e disse que o Brasil pode aprender muito com o país. Segundo ele, os dois países são parceiros de negócios a mais de cem anos. Podem ainda ampliar essa relação, principalmente, para trocar informações sobre a implementação da economia verde.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


18 de março de 2011 | nenhum comentário »

Licença ambiental cresce 570% com aumento de obras no país

A demanda por licenciamentos ambientais cresceu 570% no Brasil na última década.

Os dados são do Ibama, que aponta a necessidade de dobrar o quadro de funcionários do setor –de 300 para 600 pessoas– para enfrentar a explosão nas obras.

Em 2000, o órgão ambiental tinha 251 processos de licenciamento para avaliar. Em 2010, eram 1.675. Desse total, 463 licenças foram concedidas. Neste ano, só no primeiro bimestre, foram 103.

O aumento do número de pedidos acompanha o crescimento econômico do país. Entre 2005 e 2006, primeiro ano do PAC, ele foi de 22%; entre 2003 e 2004, de 25%.

Os números foram apresentados no TCU (Tribunal de Contas da União) pela diretora de Licenciamento do Ibama, Gisela Damm, como resposta à queixa frequente do governo de que o licenciamento é moroso, especialmente o das obras do PAC.

É tanta a preocupação com o andamento das obras no Planalto que a presidente Dilma Rousseff exigiu a criação de um sistema on-line para que ela possa acompanhar pessoalmente o andamento das licenças do programa federal de obras.

O PAC, na realidade, responde por um número pequeno dos processos: apenas 20% dos pedidos de licenciamento feitos ao Ibama em 2010 são obras do programa.

Segundo Damm, o órgão alterou projetos de forma a diminuir o impacto ambiental de algumas obras -o que deveria ser considerado, diz ela, uma medida de eficácia.

LISTA NEGRA

O Ibama também passou, em janeiro, a devolver estudos de impacto malfeitos e publicar as devoluções no Diário Oficial.

A medida é uma forma de constranger publicamente as consultorias que fazem os estudos para os empreendedores. O Ibama acaba levando fama de moroso quando o problema, às vezes, está na qualidade dos estudos.

Até agora, já foram devolvidos estudos de impacto ambiental da hidrelétrica Pai Querê, no Rio Grande do Sul, de dois ramais ferroviários (um em São Paulo e outro em Rondonópolis, Mato Grosso) da América Latina Logística e de uma obra de canalização em Araranguá (SC).

Fonte: Folha.com


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

film downloads

Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


5 de julho de 2009 | nenhum comentário »

O conhecimento biológico e sua aplicação no universo da gestão ambiental: aspectos conceituais e metodológicos, texto de Eleonora Trajano e Roberto Varjabedian

“A Convenção da Diversidade Biológica, da qual o Brasil é signatário, não tem sido devidamente considerada na prática em várias tomadas de decisões empreendidas pelos órgãos públicos nas diferentes esferas de competências”

Eleonora Trajano é professora do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP. Roberto Varjabedian é assistente técnico do Ministério Público de SP. Texto enviado pelos autores ao “JC e-mail”:

legend of the guardians: the owls of ga’hoole dvd rip

“Nos dias 18 e 19 de junho, realizou-se, no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, o encontro temático: “O conhecimento biológico e sua aplicação no universo da gestão ambiental: aspectos conceituais e metodológicos”, que contou também com o apoio da SBPC.

Participaram do encontro pesquisadores de diversas áreas da Biologia, os quais têm em comum a vivência na área de Conservação e a preocupação com os rumos atuais da política ambiental brasileira.

Na legislação ambiental brasileira existem vários elementos, termos e condicionantes a serem considerados que implicam na aplicação de conceitos, métodos e conhecimentos biológicos, repercutindo de forma determinante na tomada de decisões sobre o destino dos remanescentes de ecossistemas naturais.

Assim, a proposta do evento foi de promover discussões visando ao aprofundamento conceitual, bem como metodológico, com ênfase nos requisitos mínimos para definição e aplicação adequada de






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

julho 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

27 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova sacolinha biodegradável reduz impacto do plástico, diz Greenpeace

A partir de 25 de janeiro, com a entrada em vigor da substituição das sacolas plásticas na cidade de São Paulo, os consumidores vão precisar se acostumar com novas opções para carregar as compras do mercado. Uma delas são os próprios sacos de plástico, mas feitos com material renovável, como milho, e que degradam mais rápido que a sacola regular, feita com derivados de petróleo. Eles serão vendidos nas cadeias de supermercado que optaram por substituir o saco comum.

Enquanto o tempo de decomposição de uma sacola regular é de mais de 100 anos, as biodegradáveis duram apenas dois anos, segundo fabricantes. Caso sejam tratadas em usinas de compostagem, elas podem degradar em 180 dias, afirmam os produtores.

Em uma pesquisa do IPT, quatro tipos de sacola são expostas a chuva, luz e vento para testar seu tempo de degradação (Foto: Divulgação/IPT)

Em uma pesquisa do IPT, quatro tipos de sacola são expostas a chuva, luz e vento para testar seu tempo de degradação (Foto: Divulgação/IPT)

 

“São duas possibilidades infinitamente melhores que a sacola convencional, que leva centenas de anos para se decompor. Além disso, a produção dessas sacolas vai usar menos combustível fóssil, ou seja, vai ser menos poluente”, avalia Sérgio Leitão, diretor de campanhas do Greenpeace Brasil.

A diferença pode gerar um impacto considerável, avalia Leitão, já que as sacolas plásticas são responsáveis pela morte de um milhão de aves marinhas e de 100 mil tartarugas por ano, que confundem o material com alimento. Os dados são do Greenpeace. Além disso, elas geram impermeabilização do solo dos lixões, dificultando o processo de decomposição do lixo, de acordo com dados da campanha Saco é um Saco, do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

Atualmente, são distribuídas 1,5 milhão de sacolas plásticas por hora no Brasil, ou cerca de 13 bilhões por ano, segundo a campanha do MMA.

Estudo
A diferença no tempo de degradação das sacolas está sendo estudada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), ligado à Universidade de São Paulo. Desde outubro de 2011, estão sendo avaliados quatro tipos diferentes de embalagem: polietileno comum (a sacola tradicional de plástico), polietileno com aditivo para degradação, papel e TNT (um tipo de saco retornável).

Elas ficarão expostas a sol, chuva e vento durante um ano, simulando condições de abandono das sacolas no meio urbano. “Embora existam muitos artigos sobre isso, não há muitas pesquisas nas condições brasileiras. Nós vimos a necessidade de fazer esse estudo para tentar ajudar a esclarecer um pouco esse assunto”, diz Mara Dantas, pesquisadora do laboratório de Embalagens do IPT.

Os resultados da pesquisa serão divulgados após o período de exposição dos materiais, que termina em outubro de 2012. Uma das questões que o estudo pretende responder é sobre a eficácia de aditivos para tornar o plástico degradável, já que não há consenso científico sobre o tema.

Polêmica
Já a Plastivida, Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, entidade que representa fabricantes do setor, defende que a sacola que será abolida dos supermercados paulistas é a opção mais sustentável.

Para o instituto, o problema está na destinação final inadequada do material. “Com a coleta da sacola para a reciclagem, seria bom que [o processo de decomposição] demorasse 100 anos. Assim, ela viraria outro produto e não seria preciso extrair mais matéria prima [para produzi-lo]”, diz o presidente da Plastivida, Miguel Bahiense.

Outro problema, segundo a Plastivida, é o abuso do uso da embalagem. Em 2007, foi iniciada uma campanha para reduzir o desperdício de sacolinhas. O consumo atual, de cerca 13 bilhões por ano, representa uma queda de 30% em relação aos números do começo da campanha, de em torno de 18 milhões.

Além disso, uma pesquisa realizada no Reino Unido e divulgada pela Plastivida aponta que as chamadas ecobags precisam ser reutilizadas por mais de 100 vezes para provocarem menos danos ambientais que o plástico, devido à maior quantidade de matéria-prima empregue na sua confecção.

Um ponto de consenso em diferentes pesquisas é que o impacto das diferentes sacolas não é fixo, mas depende do tipo de consumo que é feito delas — por exemplo, o tempo de uso — e das condições de destinação final da embalagem — como o encaminhamento para reciclagem.

Assim, vale seguir a recomendação de Mara, do IPT: “O consumidor tem que reutilizar o que tiver em casa e procurar fazer a destinação correta do material. Mas não pode deixar que a embalagem fique exposta na natureza”, provocando danos ambientais.

Fonte: G1 -Natureza


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Derretimento do Ártico é o 2º maior da história, afirma centro de pesquisa

Degelo deste ano só perde para 2007, segundo medições feitas por satélite.
Cientistas afirmam que aquecimento global pode ser uma das causas.

A cobertura de gelo que flutua no Oceano Ártico podeainda não ter atingido seu menor índice em 2011, mas é o segundo mais baixo já registrado desde que satélites iniciaram a medição desta região, em 1979.

As informações são do Centro Nacional de Dados sobre Gelo e Neve (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado-Bolder, nos Estados Unidos, e foram divulgadas nesta quinta-feira (15).

A confirmação ocorre após cientistas apontarem a data de 8 de setembro como o dia em que a plataforma de gelo marinho atingiu seu recorde mínimo neste ano, 4,33 milhões de quilômetros quadrados. Apesar do índice ter ficado abaixo ao de 2007, quando a região ficou com 4,27 milhões de quilômetros quadrados de gelo, existe uma preocupação quanto à redução, que está abaixo da média entre 1979 e 2000.

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje comparando com linhas cinzas, que mostram a média do derretimento do gelo entre 1979 (Foto: NSIDC)

Imagem divulgada mostra como está a plataforma glacial no Ártico hoje. As linhas cinzas fazem um comparativo entre a situação atual e as médias do derretimento do gelo registradas entre 1979 e 2000 (Foto: NSIDC)

Aquecimento global
A maioria dos cientistas acredita que o encolhimento do gelo do Ártico está ligado ao aquecimento global, causado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa produzidos pelo homem. “Se em um verão vemos a extensão do gelo diminuir em setembro, no ano seguinte essa situação pode ocorrer novamente”, disse Mark Serreze, diretor do NSIDC. “A cobertura do Ártico está tão fina em comparação com o derretimento de 30 anos atrás, que não se pode bater na placa”, complementa.

Serreze disse que em 2007, ano recorde do derretimento de gelo no polo Norte, houve condições meteorológicas que culminaram neste fenômeno. “É interessante que neste ano, não vimos tal padrão climático”, disse.

É possível que a quantidade de gelo nesta região diminua ainda mais em 2011, devido à mudança dos ventos no fim do verão. Essas informações só serão confirmadas em outubro, quando uma nova análise será emitida pelo centro de pesquisas, junto à comparação com o derretimento de anos anteriores.

Impacto ambiental x Interesse comercial
Períodos de insolação elevados durante o mês de julho já eram tidos pelos cientistas como prováveis causas para a redução do gelo no futuro. Há quem defenda que o gelo marítimo no Ártico possa desaparecer por completo daqui a 30 anos, com graves consequências para a Terra, apesar de abrir a oportunidade de exploração de petróleo na área desocupada pelo gelo.

A navegação foi possível pelas rotas Noroeste e Nordeste durante o ano de 2011 por conta da ausência de gelo – a última pode virar rota comercial já que permite a conexão entre os oceanos Pacífico e Atlântico. O degelo já havia deixado as passagens livres duas vezes desde 2008.

A temperatura no Ártico subiu duas vezes mais rápido que a média global nos últimos 50 anos. O ano de 2010 empatou com 2005 como o ano mais quente da história, desde que institutos começaram a fazer medições. Ainda que a agência norte-americana ainda reconheça o ano de 2005 como recordista, as Nações Unidas atestaram o empate.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Novaenergia transformará plástico em óleo

Se tudo der certo, o lixo plástico, que leva dezenas de anos para se decompor quando jogado em aterros, está perto de ter um fim, ou melhor, um recomeço.

A Wastech, empresa baiana especializada em tratamento de resíduos, está criando uma nova companhia, chamada Novaenergia, que atuará na transformação de lixo plástico em petróleo. A RJCP Equity, empresa de investimento em capital de risco, será sócia minoritária no projeto.

 

A Novaenergia está em fase de captação de recursos e pretende ter a primeira unidade funcionando até o fim de 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões. No total, o plano da companhia é ter 20 fábricas no país no prazo de cinco anos, o que exigirá investimento total de R$ 540 milhões. Desse montante, R$ 54 milhões serão na forma de capital, R$ 105 milhões em dívida (incluindo linhas de Finame do BNDES e crédito do fornecedor) e R$ 381 milhões em geração de caixa.

 

Ao fim dos cinco anos, a previsão é de que as 20 unidades tenham uma capacidade anual de produção 224 mil m3 de petróleo leve (com mais de 44 graus API), equivalente a 1,4 milhão de barris. O petróleo produzido será refinado e vendido em forma de nafta, óleo combustível e diesel.

 

A primeira fábrica ficará em Salvador e será capaz de processar 450 toneladas de lixo por dia, o que equivale a um sexto do total de resíduos gerados hoje diariamente na cidade. Desse montante de lixo, a empresa vai usar somente 36 toneladas de plástico considerados difíceis de reciclar, como sacolas e filmes. Materiais como PET, PVC e sucata metálica serão vendidos e o lixo orgânico aterrado.

 

Para cada 36 toneladas diárias de lixo plástico que entrarem de um lado da máquina, sairão 30 mil litros de óleo leve do outro. A tecnologia de transformação de plástico em petróleo foi desenvolvida por uma empresa americana chamada Agilyx, que já faz o processo comercialmente há um ano. Recentemente, a empresa dos EUA recebeu aporte de US$ 22 milhões do fundo Kleiner Perkins Caufield & Byers, que investiu em empresas como Amazon e Google; da Waste Management, uma das maiores empresas americanas de tratamento de resíduos; e também da divisão de capital de risco da petroleira francesa Total.

 

De acordo com Luciano Coimbra, presidente e controlador da Wastech e da Novaenergia, os projetos ambientais, via de regra, dão retorno financeiro muito baixo. “Não é o nosso caso. O projeto tem alto impacto ambiental e terá altíssima rentabilidade.” A Wastech, que trabalha há 27 anos com tratamento de resíduos industriais perigosos, começou há cerca de quatro anos a desenvolver o projeto da Novaenergia. Depois de pesquisar diversas tecnologias, Coimbra conheceu a Agilyx, com quem firmou, no início de 2010, um contrato de exclusividade para exploração da tecnologia no Brasil.

 

Engenheiro químico, Coimbra diz que o processo de transformação do plástico em petróleo é algo que está nos livros, mas que para tornar isso comercial é preciso saber alguns macetes. Em vez de pagar royalties sobre a produção, a Novaenergia vai remunerar a companhia americana a cada fábrica construída.

 

Coimbra diz que já tem acordo com a concessionária responsável pelo aterro de Salvador. Nesse tipo de modelo, previsto para cidades grandes, a concessionária poderá ser sócia da fábrica de transformação de plástico em petróleo – com intervalo de 30% a 70% do capital – e terá que investir no projeto. Para a prefeitura, será destinado de 2% a 3% do óleo produzido.

 

Outra possibilidade, pensada para cidades médias, é atuar também como concessionária e processar todos os resíduos. Um terceiro modelo estaria ligado ao plástico recolhido pelas fabricantes de produtos industrializados que precisarem montar estruturas de logística reversa, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Fonte: Valor Econômico


19 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 é oportunidade para economia sustentável, diz primeiro-ministro da Suécia

O primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, afirmou nesta quarta-feira (18) que a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) Rio+20 será uma oportunidade para o crescimento da economia sustentável no mundo. A Rio+20 está marcada para junho de 2012, no Rio de Janeiro, e deve reunir líderes mundiais para debater o desenvolvimento sustentável.

“A Rio+20 será uma oportunidade para discutirmos a economia verde e a redução da pobreza”, afirmou Reinfeldt, em visita à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A passagem do primeiro-ministro pela Fiesp faz parte de sua primeira viagem oficial ao Brasil e à América Latina. Reinfeldt chegou na terça-feira (17) ao Brasil.

Durante seu discurso a empresários brasileiros e suecos, Reinfeldt reiterou o comprometimento de seu governo com a “economia verde”. Disse que o desenvolvimento sustentável é a única forma de garantir qualidade de vida para a população mundial no futuro.

Reinfeldt disse também que as mudanças necessárias para que a produção mundial seja mais sustentável não precisam reduzir o crescimento mundial. Pelo contrário, elas podem colaborar com a criação de mais empregos e para uma melhor distribuição de renda.

“A redução do impacto ambiental não significa a redução do crescimento”, afirmou o primeiro-ministro. “Isso pode gerar oportunidades de crescimento.”

A Suécia, segundo Reinfeldt, é um exemplo disso. Desde 1999, a economia do país cresceu 50%. Ao mesmo tempo, as emissões de carbono caíram 17% em seu território.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ratificou o exemplo sueco para o desenvolvimento sustentável e disse que o Brasil pode aprender muito com o país. Segundo ele, os dois países são parceiros de negócios a mais de cem anos. Podem ainda ampliar essa relação, principalmente, para trocar informações sobre a implementação da economia verde.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


18 de março de 2011 | nenhum comentário »

Licença ambiental cresce 570% com aumento de obras no país

A demanda por licenciamentos ambientais cresceu 570% no Brasil na última década.

Os dados são do Ibama, que aponta a necessidade de dobrar o quadro de funcionários do setor –de 300 para 600 pessoas– para enfrentar a explosão nas obras.

Em 2000, o órgão ambiental tinha 251 processos de licenciamento para avaliar. Em 2010, eram 1.675. Desse total, 463 licenças foram concedidas. Neste ano, só no primeiro bimestre, foram 103.

O aumento do número de pedidos acompanha o crescimento econômico do país. Entre 2005 e 2006, primeiro ano do PAC, ele foi de 22%; entre 2003 e 2004, de 25%.

Os números foram apresentados no TCU (Tribunal de Contas da União) pela diretora de Licenciamento do Ibama, Gisela Damm, como resposta à queixa frequente do governo de que o licenciamento é moroso, especialmente o das obras do PAC.

É tanta a preocupação com o andamento das obras no Planalto que a presidente Dilma Rousseff exigiu a criação de um sistema on-line para que ela possa acompanhar pessoalmente o andamento das licenças do programa federal de obras.

O PAC, na realidade, responde por um número pequeno dos processos: apenas 20% dos pedidos de licenciamento feitos ao Ibama em 2010 são obras do programa.

Segundo Damm, o órgão alterou projetos de forma a diminuir o impacto ambiental de algumas obras -o que deveria ser considerado, diz ela, uma medida de eficácia.

LISTA NEGRA

O Ibama também passou, em janeiro, a devolver estudos de impacto malfeitos e publicar as devoluções no Diário Oficial.

A medida é uma forma de constranger publicamente as consultorias que fazem os estudos para os empreendedores. O Ibama acaba levando fama de moroso quando o problema, às vezes, está na qualidade dos estudos.

Até agora, já foram devolvidos estudos de impacto ambiental da hidrelétrica Pai Querê, no Rio Grande do Sul, de dois ramais ferroviários (um em São Paulo e outro em Rondonópolis, Mato Grosso) da América Latina Logística e de uma obra de canalização em Araranguá (SC).

Fonte: Folha.com


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

film downloads

Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


5 de julho de 2009 | nenhum comentário »

O conhecimento biológico e sua aplicação no universo da gestão ambiental: aspectos conceituais e metodológicos, texto de Eleonora Trajano e Roberto Varjabedian

“A Convenção da Diversidade Biológica, da qual o Brasil é signatário, não tem sido devidamente considerada na prática em várias tomadas de decisões empreendidas pelos órgãos públicos nas diferentes esferas de competências”

Eleonora Trajano é professora do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências da USP. Roberto Varjabedian é assistente técnico do Ministério Público de SP. Texto enviado pelos autores ao “JC e-mail”:

legend of the guardians: the owls of ga’hoole dvd rip

“Nos dias 18 e 19 de junho, realizou-se, no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, o encontro temático: “O conhecimento biológico e sua aplicação no universo da gestão ambiental: aspectos conceituais e metodológicos”, que contou também com o apoio da SBPC.

Participaram do encontro pesquisadores de diversas áreas da Biologia, os quais têm em comum a vivência na área de Conservação e a preocupação com os rumos atuais da política ambiental brasileira.

Na legislação ambiental brasileira existem vários elementos, termos e condicionantes a serem considerados que implicam na aplicação de conceitos, métodos e conhecimentos biológicos, repercutindo de forma determinante na tomada de decisões sobre o destino dos remanescentes de ecossistemas naturais.

Assim, a proposta do evento foi de promover discussões visando ao aprofundamento conceitual, bem como metodológico, com ênfase nos requisitos mínimos para definição e aplicação adequada de