24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa vai verificar impacto da mudança do clima nas aves do Brasil

Aumento do nível do mar afetaria reprodução de pássaros estuarinos.
Estudo será realizado na baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.

Caso a previsão de aumento do nível do mar em decorrência da mudança climática se confirmar, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a população de aves que vivem nas regiões úmidas da costa do Brasil, principalmente as áreas de estuário, pode ser afetada, ocasionando, inclusive, a extinção de espécies.

Um estudo realizado por pesquisadores do Paraná vai tentar identificar qual será o impacto desta transformação global no cotidiano de pássaros como o bate-bico (Phleocryptes melanopis) e a saracura (Pardirallus nigricans), que vivem em vegetações herbáceas de regiões estuarinas, ambiente de transição da água doce para a água salgada.

A análise será feita na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, no município de mesmo nome, e no entorno da Lagoa do Parado. Segundo Bianca Reinec, doutora em Biologia e integrante do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática”, que recebeu financiamento da Fundação Boticário, essas e outras aves que vivem nesses locais úmidos costumam fazer ninhos na vegetação.

“Um pequeno aumento que seja do nível da água pode afetar a reprodução desses animais. Outro exemplo também previsto para a mudança do clima é o aumento da incidência de vendavais e tempestades que deverão atingir esses ambientes, destruindo ninhos e ovos”, disse a pesquisadora.

Evitar a extinção de espécies
Bianca afirma que o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ave endêmica do litoral do Paraná e de Santa Catarina, já foi afetado pelas alterações das marés, segundo especialistas. “A espécie foi descrita em 1995 e desde então houve diversas modificações no seu habitat devido às transformações do ambiente”, explica a bióloga.

Um dos principais objetivos do estudo, que vai começar neste fim de semana, será um censo para identificar quantas espécies de pássaros vivem nestes locais, além de conhecer também quais e quantas são as aves migratórias que dependem deste ambiente para alimentação e reprodução.

“A partir destes dados, vamos planejar formas de realizar futuramente o manejo de animais para outras localidades, etapa considerada a adaptação da mudança do clima. Não podemos evitar essas transformações, mas podemos trabalhar para criar ambientes artificiais para que as espécies continuem existindo”, disse Bianca.

 

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Garrafas PET x garrafas de vidro

Por Jean Marc Sasson* - Quando pensamos em embalagem de refrigerantes, o que seria ambientalmente mais correto: a garrafa PET ou a garrafa de vidro. Dúvidas não faltam. É uma questão relativa que merece uma análise mais detalhada e crítica.

Até o início da década de 1990, as garrafas de vidro eram facilmente encontradas nos principais supermercados brasileiros. Contudo, com o advento da garrafa PET, as garrafas de vidro desapareceram do mercado, retornando, agora, com força total. Para se ter uma ideia, em 2000, a Coca-Cola, uma das maiores empresas deste setor, disponibilizava apenas um modelo de vidro no Brasil. Hoje já são mais de sete modelos e investimentos cada vez maiores neste tipo de embalagem.

Essa não é uma discussão inútil sob a ótica de sermos o país no topo do ranking dos maiores consumidores de refrigerantes per capita anuais com 487 copos, superando os Estados Unidos com 436 copos. Deste total, segundo dados de dezembro de 2006, da Associação das Indústrias de Refrigerantes (Abir), em todo o mercado brasileiro de refrigerantes, o vidro participa com 12,3%, as embalagens PET dominam com 79,8%, enquanto as latas ficam com apenas 7,9%.

Em paralelo, foi traçado o perfil de consumo brasileiro. Os consumidores da classe A e B preferem a conveniência ao optarem pelas latas e garrafas PET. Já as classes C e D optam pelo baixo custo do produto, sendo a embalagem de vidro retornável a preferida.

Assim, diante de números tão expressivos, é importante identificar qual seria a melhor garrafa na perspectiva ambiental e econômica. Para isso, utilizarei uma ferramenta fundamental, a análise do ciclo de vida do produto. Analisa-se desde a extração de recursos naturais até o consumo final, passando, claro, pela logística do processo. Não podemos nos ater apenas ao aspecto ambiental de qualquer produto. Para que um produto seja comercializado, ele tem de ser primeiramente economicamente viável. Tanto uma como a outra embalagem são viáveis. Portanto, vou me ater somente aos aspectos ambientais.

No primeiro momento do ciclo de vida, devemos analisar a utilização de recursos naturais na obtenção da matéria-prima. O vidro é composto basicamente por areia, calcário, barrilha, alumina, corantes e descorantes. Em sua maioria são elementos facilmente encontrados na natureza e, em parte, renováveis. Já a garrafa PET é feita basicamente de plástico, derivado do petróleo, fonte não renovável e emitente de gases de efeito estufa. Neste aspecto, pode-se dizer que a garrafa de vidro é melhor opção que a de plástico.

Na segunda fase, na fabricação das garrafas, independente da composição de que são feitas, a emissão de gases de efeito estufa e a utilização de energia e de recursos naturais, a longo prazo, serão menores na produção da garrafa de vidro, tendo em vista a possibilidade de serem produzidas apenas uma única vez e reutilizadas até 40 vezes, em média.

Em termos logísticos, acredito que as garrafas PET são as menos impactantes por dois motivos. Primeiro, porque as embalagens descartáveis são mais leves, possuindo a melhor relação peso/conteúdo do mercado. A garrafa PET de dois litros tem em média apenas 47g, enquanto uma garrafa de vidro de um litro para refrigerante pesa 950g. Segundo, elas podem ser comprimidas para estocagem, cabendo no mesmo espaço mais garrafas do que as de vidro. Além disso, as garrafas de vidro, por serem mais pesadas, farão o caminhão emitir mais CO2 para transportá-las, somando-se, ainda, a emissão de CO2 no seu retorno à fábrica.

Contudo, se consideradas distâncias de distribuição de até 400 quilômetros, levando em consideração a matéria-prima, a energia e o combustível consumidos na fabricação, transporte das embalagens e coleta para disposição final, as garrafas de vidro são mais vantajosas no que se refere à emissão de CO2 e aoconsumo de energia.  Esse dado é fundamental se pensarmos que o Brasil é um país continental. Para os centros urbanos cujas distâncias são menores, as garrafas de vidro deveriam ser prioridade. Já para destinos remotos, as de PET teriam sua vez por gastar menos combustível.

Outro ponto a ser analisado no ciclo de vida é a pegada hídrica. Não podemos esquecer um bem tão preciso à humanidade. Para produzir um litro de bebidas em PET, apenas dois litros de água são usados, nos quais incluem a água utilizada para a produção do refrigerante. Já nas garrafas de vidro, utilizam-se até seis litros de água para cada litro produzido em razão da água necessária para a lavagem das garrafas para serem reutilizadas e dos engradados que as transportam.

Por fim, o consumo. Muitos sentem a diferença de sabor, mas não sabem o motivo. Ele é muito superior nas garrafas de vidro. Esta qualidade do refrigerante se dá em razão da quantidade de gás encontrado na garrafa. Como as garrafas PET possuem paredes porosas e permeáveis, parte do gás se perde junto com o sabor e a consistência do refrigerante.

Outro ponto crucial nesta fase é o descarte da embalagem. Em termos de reciclagem, ambos são vantajosos. Tanto o vidro quanto o plástico são materiais 100% recicláveis. Se considerarmos somente o índice de reciclagem, segundo dados de 2008 do relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o campeão absoluto da reciclagem no Brasil é o alumínio com 91,5%. Em seguida, vêm as embalagens PET com 54,8%, enquanto as de vidro vêm se mantendo estável nos últimos anos, com 47% do total em 2008.  Apesar da taxa ser aparentemente baixa, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países recicladores da garrafa PET, com índice de 51%, perdendo apenas para o Japão com 55,5%, segundo dados divulgados pelo Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem).

Conclui-se, assim, que 49% das garrafas PET produzidas no país causam impacto ambiental, isto é, cerca de 200 toneladas de PET´s anualmente são lançadas ao mar, rios, lagos, córregos permanecendo ali por no mínimo 400 anos até ser decomposta, quando não são ingeridas por animais. Apesar de o vidro demorar 10 vezes mais para se decompor, eles não causam tanto impacto ambiental por terem outro destino.

O impacto da garrafa de vidro é menor em razão da logística reversa praticada pelas fabricantes de refrigerantes. Elas concedem desconto ao consumidor no ato da compra de um novo produto quando ele retorna com a garrafa em determinados pontos de coleta. Na prática o consumidor paga originalmente não só pelo conteúdo, mas também pela embalagem. Ao retornar com a garrafa vazia e comprando um novo produto pagará somente pelo seu conteúdo.  Este tipo de relação é bom para todos. O fabricante, o consumidor e o meio ambiente saem ganhando.

Sem dúvidas, a retomada das garrafas de vidro pela indústria de refrigerantes é benéfica ao meio ambiente. Contudo, vislumbro outra alternativa. Indicaria como solução a garrafa PET retornável, pois agregaria os melhores valores de cada um dos materiais. Ela seria retornável, evitando novas produções em série de novas garrafas, seria leve contribuindo para menos emissões de gases efeito estufa no seu transporte e alto índice de reciclagem para aquelas que não retornassem.

*Jean Marc Sasson é advogado com especialização em gestão ambiental pela COPPE/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele também é editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com)

 

Fonte: Ambiente Energia


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parque eólico brasileiros usa tecnologia para evitar morte de aves

A instalação de equipamentos mais lentos evita colisões das aves.
Tecnologias mais modernas ajudam a reduzir os impactos ambientais.

O Brasil ocupa apenas a 21ª posição no ranking mundial de energia eólica, mas já toma cuidados para evitar um dos mais sensíveis impactos ambientais produzidos pelas hélices gigantes dos aerogeradores: a morte de pássaros.

A instalação desses equipamentos no País exige estudo de avifauna e, mesmo com o vento favorável, as hélices não são colocadas em rotas migratórias de aves. Os Estados Unidos, o segundo no ranking atrás apenas da China, não tomaram o mesmo cuidado e agora veem as pás como ameaça a um de seus principais símbolos, a imponente águia dourada americana.

De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Energia Renovável (ABEER), engenheiro José Tadeu Matheus, como a entrada do Brasil no mercado mundial eólico é relativamente recente, o País incorporou as tecnologias mais modernas para evitar impactos ambientais.

“As pás das nossas centrais têm grandes dimensões, mas o giro é lento e elas são percebidas pelos animais voadores. Os pássaros batem naquilo que não conseguem ver”, diz José Tadeu Matheus da Abeer. Além disso, as empresas brasileiras adotam torres de sustentação compactas de aço ou concreto, sem pontos de apoio para a construção de ninhos.

Livre de impactos

O parque eólico brasileiro é composto por 56 centrais com potência total de 1,08 gigawatts – menos de 10% da geração de usina de Itaipu. São cerca de 500 torres, sendo que as maiores têm 108 metros de altura e o giro das pás cobre um diâmetro de 82 metros.

As usinas se concentram no litoral do Nordeste e, em quantidade menor, nos três Estados da região Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “Visitei a maioria das centrais brasileiras e não constatei um caso sequer de acidente com aves”, diz Mathteus.

O presidente da Abeer, lembra que o tema já suscitou discussões no governo brasileiro. Na preparação de um dos leilões de energia eólica, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, levantou a necessidade de cuidados para evitar a morte de pássaros.

“Na ocasião, eu apresentei ao ministro um estudo publicado pelo professor João Tavares Pinho, da Universidade Federal do Pará, mostrando que esse impacto é baixíssimo.”, conclui o ministro.

 

Fonte: Do Globo Natureza, com informações da Agência do Estado


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Al Gore lança campanha 24 horas on-line contra mudança climática

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore lançou nesta quinta-feira uma campanha na internet com duração de 24 horas destinada a conscientizar a opinião pública sobre a mudança climática.

O projeto, denominado “24 Horas de Realidade”, consiste em uma apresentação multimídia que pode ser vista on-line e que mostra como os eventos climáticos extremos –como inundações, incêndios e tempestades– estão relacionados com a mudança climática.

Estas apresentações, que podem ser vistas na internet (clik e acesse o site http://climaterealityproject.org/), são difundidas de vários lugares do mundo, entre eles Nova York, Pequim, Nova Délhi, Jacarta, Londres, Dubai, Istambul, Seul e Rio de Janeiro.

A campanha, em 13 idiomas, começou no México às 00H00 GMT desta quinta-feira e terminará às 23h em Nova York (às 20h no horário de Brasília), com uma apresentação de Gore, prêmio Nobel da Paz em 2007 por seus esforços contra a mudança climática.

Pouco antes das 11h de Brasília, o site já havia recebido mais de 3 milhões de visitas, segundo os organizadores.

 

Fonte: Da France Presse


23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Nova regra ambiental sai em setembro

O governo federal anunciará em setembro medidas para aperfeiçoar os processos de licenciamento ambiental de projetos de infraestrutura no País.

Conduzidas pelo Ministério do Planejamento e do Meio Ambiente, as mudanças não implicam a revisão do atual princípio de análise dos impactos ambientais e de mitigação de riscos de empreendimentos como uma hidrelétrica ou uma rodovia, mas visam tornar as exigências mais claras e objetivas para facilitar a formulação dos estudos de viabilidade e acelerar aprovações.

Em alusão à área de energia elétrica, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reiterou ontem que as regras atuais para “o jogo dos leilões” do setor não serão alteradas e que as medidas serão detalhadas em portarias, que começam a ser publicadas a partir do mês que vem. “Estamos trabalhando no foco ambiental para deixar mais claro quais são os termos de referência de cada tipo de empreendimento e, assim, deixar claro para o empreendedor aquilo que ele precisa cumprir e ao mesmo tempo dar maior objetividade, reduzir discricionariedades [no licenciamento] para que o processo corra da maneira mais tranquila, objetiva e adequada ambientalmente”, explicou Miriam, em seminário sobre o setor elétrico promovido pela revista “Carta Capital”.

Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), há diversos casos de exigências ambientais para empreendimentos do setor elétrico que não estão relacionadas com a finalidade do projeto, o que gera dificuldade na formulação dos estudos de viabilidade e, logo, demora na emissão da licença pelo Ibama.

“Foram muitos atrasos nas licenças das linhas de transmissão do Madeira. Por exemplo: botaram [como critério para o licenciamento ambiental] o levantamento de dados de biodiversidades, o PPBio. Mas é uma coisa que tem que fazer quatro vezes por ano, na cheia, na seca, na vazante, não tem nada a ver com o impacto ambiental da linha de transmissão, embora seja um estudo relevante. Estamos falando de um banco de dados que levou um ano para ser feito e receber a licença, porque foi preciso medir aquela informação. Ora, se for para o setor elétrico fazer, apesar de não ter nada a ver com ele, bota como obrigação para depois que a linha estiver pronta, não precisa botar com pré-requisito para dar licença”, ilustrou Tolmasquim.

Walter Cardeal, diretor de geração da Eletrobras, criticou a demora na liberação de licenças ambientais para as linhas de transmissão e grandes barragens. “Esperamos mais racionalidade [com as novas medidas].” Para o especialista em energia Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “o lado burocrático” do licenciamento pode ser agilizado. “Mas no lado técnico tem que ser feito com muito critério. Não há como relegar os impactos ambientais e os interesses daqueles que são atingidos e devem ser compensados.”

Fonte: Valor Econômico


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Novos peixes em Campos

Projeto encontra na região quatro espécies desconhecidas.

A região de maior produção de petróleo e gás natural do Brasil também está gerando conhecimento científico. Quatro espécies de peixes foram descobertas na Bacia de Campos por pesquisadores do Projeto Habitats. Como nunca foram descritos por cientistas, os peixes ainda não estão catalogados e, portanto, não têm nome. O estudo observou também 22 espécies cuja presença na região não era conhecida. Cinco delas representam novas ocorrências para o Brasil, como a Acanthocaenus luetkenii e a Rhinochimaera atlantica (Quimera de focinho longo).

O Habitats faz parte do Projeto de Caracterização Ambiental Regional da Bacia de Campos, cujo relatório foi entregue ao Ibama na semana passada. As pesquisas começaram em 2007 e são patrocinadas pela Petrobras, que investiu R$40 milhões para os estudos em uma área de cem quilômetros quadrados. As informações levantadas permitirão conhecer melhor e monitorar os impactos ambientais na região. O coordenador geral de Petróleo e Gás do Ibama, Cristiano Vilardo, explica que o investimento faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), como parte do processo de licenciamento da empresa estatal.

- O estudo é absolutamente inovador e produziu uma grande fotografia da Bacia de Campos. Além das quatro novas espécies de peixes, deve haver ainda mais de microorganismos. Ter informações confiáveis é fundamental para saber os impactos da atividade petrolífera. Entendendo melhor o ambiente conseguiremos traçar estratégias diferenciadas, inclusive a criação de unidades de conservação – disse.

O Ibama deverá publicar todo o estudo, que é georreferenciado. Para pesquisadores, mais importante do que descobrir peixes novos é saber o comportamento das comunidades do local, que são interdependentes e fazem parte de cadeias alimentares.

- No caso dos peixes, a Bacia de Campos é ocupada por diferentes comunidades. Pelo menos cinco são bastante distintas. Então, deveremos representar as cinco comunidades para preservar a biodiversidade local. Não apenas visando ao agrupamento de espécies, mas também preservando toda a cadeia alimentar. Ou seja, a relação entre predador e presa – comentou Paulo Costa, especialista em peixes de oceano profundo, professor da UniRio e coordenador do levantamento de peixes do Projeto Habitats.

São tantas as informações que deverá ser preciso mais um ano para analisá-las. O segundo passo será integrar todos os dados e, por fim, gerar planos de monitoramento ambiental, cuja implantação ainda está sendo negociada entre o Ibama e a Petrobras.

- Fizemos a caracterização ambiental de uma região. Assim, teremos como escolher indicadores ambientais para avaliar se houve impacto ambiental ou não – disse Anna Maria Scofano, oceanógrafa da Petrobras.

Fonte: O Globo


23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisadora é perseguida por denunciar impactos ambientais de empreendimento

Os participantes do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belém-PA entre os dias 6 e 10 de dezembro, aprovaram uma moção de solidariedade à pesquisadora Débora Fernandes Calheiros, da Embrapa Pantanal (MS). De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Débora é vítima de uma campanha difamatória na mídia local por denunciar, ainda em 2006, junto com outros pesquisadores de outras organizações, os impactos ambientais provenientes da construção do pólo siderúrgico de Corumbá. Além dos ataques externos, a pesquisadora não teria recebido nenhum apoio da Embrapa e ainda estaria sofrendo assédio moral dentro da empresa, dizem os dirigentes do Sinpaf.

O simpósio reuniu pesquisadores de todo o país e foi promovido pelo Grupo Temático de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), com apoio do Ministério da Saúde e do Instituto Evandro Chagas (IEC). O presidente do Sinpaf, Vicente Almeida, participou do evento a convite da Fiocruz. Veja, abaixo, a moção de apoio a Débora Calheiros.

Nós, participantes do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belém (PA), entre 06 e 10 de dezembro de 2010, nos solidarizamos com a pesquisadora da Embrapa Dra. Débora Fernandes Calheiros, que atua há mais de 20 anos na área de saúde ambiental (ecologia e ecotoxicologia de ecossistemas aquáticos) por sua dedicação ao trabalho de pesquisa no Pantanal, comprometida com o uso sustentável dos recursos naturais em bases científicas e com o respeito à legislação ambiental, visando a garantia do direito à qualidade de vida e à saúde humanas.

Dada a natureza complexa e multidimensional das inter-relações entre o meio ambiente e a saúde, mediadas pelos padrões de produção e consumo, frutos de relações socioeconômicas e culturais experimentadas pelo atual modelo de desenvolvimento, torna-se cada vez mais necessário desenvolver e aprofundar teorias e técnicas que auxiliem o entendimento das influências do meio ambiente na saúde, forneçam subsídios para a formulação de respostas apropriadas do ponto de vista da Saúde Pública e, dessa forma, possibilitem intervenções consistentes e efetivas através de abordagens integradoras e globalizantes.

A pesquisadora Débora Calheiros contribui incansavelmente para que teoria e prática se integrem e resultem em efetiva adoção de ações e políticas públicas que beneficiem a saúde ambiental e humana. Por isso mesmo, como nos mostra a história das conquistas sociais, a pesquisadora tem enfrentado interesses que buscam se sobrepor ao interesse público, mimetizados na simbologia do sofisma do desenvolvimento, utilizando estratégias há muito repudiadas pela sociedade brasileira.

Por fim, requeremos dos órgãos e instituições públicas o tratamento ético do caso, primando pelo respeito à pluralidade de perspectivas na realização de trabalhos científicos na Embrapa e seu diálogo, direto e imparcial, com a sociedade e suas representações.

 

Fonte: Sinpaf/EcoAgência


23 de outubro de 2009 | nenhum comentário »

EIA-Rima minimiza efeitos de usina, diz estudo

Documento feito por 40 especialistas contesta relatório ambiental feito para Belo Monte

Depois de investidores privados considerarem subestimados os custos das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte indicados pelo governo, de R$ 16 bilhões, acadêmicos afirmam que os impactos socioambientais também estão subdimensionados no EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental).

 

A consideração de impactos e custos menores pode ocultar uma possível inviabilidade econômica de uma usina que gerará apenas 40% do seu potencial energético.

 

Segundo o documento “Painel de especialistas: análise crítica do estudo de impacto ambiental do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte”, formulado por um grupo de 40 especialistas envolvidos em estudos na região – entre eles antropólogos, sociólogos, biólogos e engenheiros -, o relatório de impactos ambientais apresentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) peca pela falta de dados, o que impede uma análise mais precisa dos danos e benefícios proporcionados pelo empreendimento.

 

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O EIA-Rima considera um custo socioambiental de US$ 270 milhões, mas o grupo de acadêmicos acredita que o custo deve ser bem maior se for buscado o menor impacto e a melhor mitigação, ou seja, compensação dos danos. Se esse custo ficar acima de US$ 500 milhões, eles afirmam que o investimento se torna economicamente inviável.

 

“Acreditamos que o valor apontado pelo EIA-Rima é muito baixo, mas ao mesmo tempo eles não detalham o suficiente para permitir um cálculo mais preciso dos custos de mitigação”, diz Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental, cooperador da pesquisa.

 

Uma das distorções presentes no relatório seria em relação à estimativa de pessoas diretamente afetadas. Para os estudiosos, o EIA-Rima erra ao utilizar uma média de 3,14 pessoas por família para avaliação da população diretamente afetada.

 

Segundo as autoras Sônia Magalhães, Rosa Acevedo Marin e Edna Castro, que avaliaram os dados sociais, econômicos e culturais do relatório, a bibliografia sobre a região aponta que as famílias são formadas em média por 5,5 a 7 pessoas, o que poderia dobrar a estimativa do EIA-Rima. “Somente um novo levantamento pode confirmar”, diz o texto.

 

Além dessa possível falha, os especialistas defendem que o cálculo de pessoas afetadas deve incluir, além da população residente nas áreas alagadas, moradores da região onde haverá redução da vazão do rio, ou seja, as terras indígenas Juruna do Paquicamba e Arara da Volta Grande, localizadas na região de Volta Grande.

 

O argumento das pesquisadoras é de que a redução de vazão deve inviabilizar a permanência da população nessas áreas, por conta da dependência que há do rio para alimentação, pesca, transporte, entre outros usos.

 

Dessa forma, o número apontado pelo EIA-Rima de 2,8 mil pessoas diretamente atingidas na região rural seria muito inferior à realidade, e, apesar da usina não alagar terras indígenas, haverá significativas alterações em áreas ocupadas por esses povos. Caso uma revisão dessa conceituação seja aceita pelo Ibama, o custo de redução dos impactos seria bem mais alto que o calculado. Caso não seja, o risco é do projeto não prever planos de mitigação de danos ao total de pessoas atingidas.

 

Segundo o parecer das especialistas, os planos de mitigação de impactos deveriam ser detalhados no EIA-Rima, mas as referências são feitas por meio de lista de temas a serem contemplados, sem que sejam especificadas as ações e seus custos. Por conta disso, as autoras concluem que “não se pode avaliar se estes são ou não adequados”, conforme citação no texto.

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“Eles falam que esses planos podem ser detalhados após a licença prévia, mas o período depois de iniciada a licitação é curto, e é preciso verificar quais medidas de prevenção tem que ser realizadas”, diz Salazar.

 

Outra questão que segundo os especialistas não está bem contemplada no EIA-Rima é a do impacto da migração sobre a região. Segundo o relatório, a obra deve atrair aproximadamente 96 mil pessoas entre trabalhadores diretos, familiares, pessoas envolvidas em outras atividades ligadas à usina. Depois da construção, porém, devem sobrar apenas cerca de 700 pessoas empregadas na operação. “Após o pico de contratações, vai haver um contingente de desempregados. O que observa é que tem impacto, e isso não foi estudado ainda”, diz Salazar.

 

Os especialistas alertam também para a falta de estudos sobre o desmatamento que a obra pode gerar em seu entorno e quais as formas de reduzir os riscos. “É considerado apenas o desmatamento local, a área que deve ser alagada, mas o empreendimento vai potencializar o desmatamento na região, e não foram feitas simulações sobre isso”, diz Salazar.

 

O estudo sobre o EIA-Rima também traz um alerta sobre a falta de uma garantia de que após a construção da usina não haverá investimentos em novas barragens para aumentar a geração firme de energia. Isso porque o levantamento considera que a geração de 4,5 mil MW médios diante de uma capacidade instalada de 11 mil MW pode levar a tentativas de maior aproveitamento no futuro. Um dos riscos citado pelo estudo é de que a barragem de Altamira, acima de Belo Monte, seja construída posteriormente.

 

“O que garante que não vão ser construídas realmente outras barragens com tamanho subaproveitamento da usina?”, questiona Salazar. A única garantia dada hoje é uma resolução do Conselho de Política Energética, que afirma que Belo Monte deve ser a única usina no rio Xingu, mas o estudo sugere que seja criada uma “ferramenta jurídica para que compromissos deste tipo sejam feitos de forma realmente irrevogável”.

 

O parecer dos especialistas foi entregue ao Ibama no dia 1º de outubro como contribuição para o período de consulta pública. Na segunda, dia 26 de outubro, os especialistas realizarão um seminário em Altamira (PA) para apresentação dos estudos ao público. São esperadas cerca de 300 pessoas, segundo organizadores.

 

Ontem, o presidente do Ibama, Roberto Messias, disse que a licença prévia para Belo Monte “certamente” será concedida na próxima semana. O cronograma do PAC prevê a emissão da licença até segunda-feira. “Estamos trabalhando dia e noite na análise dos documentos”, disse.

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(Valor Econômico, 22/10)


6 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Brasil e Alemanha unem-se em busca da química verde

Grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Friedrich-Schiller em Jena (Alemanha) uniram-se em uma parceria internacional com o objetivo de fazer avançar o conhecimento em uma área de fronteira do conhecimento: a chamada “química verde”, um conjunto de diretrizes voltado à redução do impacto ambiental dos processos químicos que promete revolucionar a indústria e a economia.

Segundo o professor Omar El Seoud, do Instituto de Química (IQ) da USP, os estudos realizados no âmbito da parceria envolvem dois aspectos principais: o uso de solventes “verdes” e de celuloses de diversas procedências, inclusive de bagaço de cana-de-açúcar.

“Os ésteres e éteres de celulose são usados como fibras, filmes, membranas de hemodiálise, aditivos para medicamentos e alimentos, entre outras aplicações,” explica ele.

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Os solventes “verdes” utilizados nas pesquisas são líquidos iônicos, uma alternativa de baixo impacto ambiental aos solventes convencionais utilizados em processos químicos industriais.

Líquidos iônicos – “Os líquidos iônicos têm maior estabilidade química e térmica. São extremamente seguros, pois não são inflamáveis e praticamente não têm pressão de vapor, e podem ser reciclados novamente no processo. Ou seja, são isentos dos perigos usuais dos solventes orgânicos clássicos, como o etanol ou o tolueno, que representam riscos de fogo, explosão e decomposição”, explicou.

O que distingue o novo processo, de acordo com o cientista, é sua realização sob condições homogêneas, ao contrário do processo industrial atual. “Esse aspecto permite melhor controle das propriedades e, por consequência, das aplicações dos produtos obtidos”, disse.

Produtos de alto valor agregado – El Seoud conta que o objetivo do uso desses processos não é produzir commodities, como fibras, mas produtos de especialidades, com valor agregado, como membranas de hemodiálise, cuja eficiência de filtração e compatibilidade com o sangue são cruciais. Para isso, é necessário entender e aperfeiçoar cada etapa da reação.

“Embora o Brasil seja um produtor mundial de pasta de celulose para papel, o país não se destaca como produtor de derivados de celulose com valor agregado, em particular aqueles usados nas indústrias de fiação e farmacêutica”, disse.

A indústria farmacêutica, por exemplo, utiliza a celulose microcristalina para produzir pílulas, que, além de uma pequena parte de matéria ativa, são compostas de amido e celulose.

Via de mão-dupla – Segundo o professor, enquanto os brasileiros assimilarão conhecimentos dos parceiros alemães no desenvolvimento de produtos desse tipo – tendo em vista o aproveitamento da grande quantidade de celulose disponível no país -, os alemães se beneficiarão da experiência brasileira com filmes derivados de celulose.

“Ganhamos muito com esse trabalho em conjunto. Eles se interessam principalmente pelos nossos trabalhos com celuloses não-tradicionais, visando à substituição da madeira, como o sisal e o bagaço de cana-de-açúcar”, disse.

O projeto de colaboração é coordenado por El Seoud, no lado brasileiro, e por Thomas Heinze, do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Polissacarídeos da Universidade de Jena.

Recursos humanos em química verde – “Uma das principais metas da parceria é a qualificação de recursos humanos, que ainda são muito incipientes nessa área tão importante. E o principal diferencial do projeto é que ele não se limita à prática tradicional de enviar estudantes brasileiros para o exterior, mas também traz alunos estrangeiros para os nossos laboratórios. Isso vai ao encontro da necessidade de internacionalização das nossas universidades”, disse El Seoud.

As primeiras participantes do intercâmbio são Constance Issbrückner, da universidade alemã – que acaba de encerrar um período de três meses de pesquisas na USP -, e Ludmila Fidale, que partiu nesta terça-feira (4/8) para um período de três meses nos laboratórios de Jena.

“Embora existam ainda muitas barreiras a serem vencidas, nossas universidades oferecem boas condições para receber alunos estrangeiros. A vivência com esses estudantes, formados em escolas de pensamentos diferentes, é uma renovação importante para o nosso grupo”, afirmou El Seoud.

Síntese de éteres de celulose – Ludmila conta que o trabalho a ser desenvolvido na Alemanha é parte de sua pesquisa de doutorado. “Vou fazer síntese de éteres de celulose nos laboratórios de Jena. Aqui, trabalhamos muito com os ésteres de celulose, mas não temos experiência com éteres. Lá, vou poder trabalhar, nessa linha, com os líquidos iônicos que eles costumam utilizar. Será uma experiência importante, inclusive porque no IQ-USP somos três pessoas trabalhando diretamente com celulose, enquanto em Jena o grupo especializado nessa área é bem maior, com cerca de 25 pessoas”, disse.

Ludmila explica que a colega alemã, com quem trabalhou no laboratório do IQ, aproveitou os equipamentos e a experiência dos professores brasileiros. “Ela veio fazer um trabalho de reflectância e, para isso, utilizou sondas que só temos no Brasil. Ela fez todas as medidas aqui e aproveitou bastante o conhecimento do professor El Seoud sobre essas sondas”, destacou. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)


8 de maio de 2009 | nenhum comentário »

ONU alerta para ameaça de redes 'fantasmas' à vida marinha

Um relatório da ONU divulgado nesta semana afirma que redes e equipamentos de pesca abandonados ou perdidos estão ameaçando a população de peixes e outros animais marinhos.

O relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que o equipamento abandonado ou perdido constitui cerca de 10% (640 mil toneladas) dos resíduos marinhos.

O transporte comercial marítimo é o principal responsável pelo abandono, perda ou descarte destes materiais em mar aberto. Nas áreas costeiras, os principais responsáveis estão localizados em terra.

O estudo feito pelas duas organizações da ONU afirma que o problema está piorando devido ao aumento na escala de operações de pesca no mundo e devido à introdução de equipamentos que alta durabilidade, fabricados com materiais sintéticos.

O relatório afirma que entre os maiores impactos deste problema estão a captura contínua de peixes, conhecida como “pesca fantasma”, e outros animais como tartarugas, aves e mamíferos marinhos, que ficam presos e morrem nas redes.

Além disso, estes equipamentos também podem causar alterações do ambiente e do solo marinho e o aumento dos riscos para navegação, com acidentes ou danos a embarcações.

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“A quantidade de equipamento de pesca que vai para o ambiente marinho vai continuar se acumulando e os impactos nos ecossistemas marinhos vão piorar se a comunidade internacional não tomar medidas eficazes para resolver o problema (…). As estratégias para enfrentar o problema devem abordar várias frentes, incluindo prevenção, diminuição e medidas curativas”, afirmou Ichiro Nomura, subdiretor geral de Pesca e Agricultura da FAO.

Proibição – As redes de arrastão mal operadas eram as principais responsáveis pelos danos da pesca fantasma, segundo as organizações da ONU, mas uma proibição do seu uso em 1992 reduziu seu impacto negativo.

Atualmente as redes mais problemáticas são as que ficam ancoradas no solo marinho e presas a flutuadores que ficam na superfície. Elas formam uma parede vertical que pode medir entre 600 e 10 mil metros de largura.

Se este tipo de rede é perdido ou abandonado, poderá continuar pescando sem supervisão durante meses, às vezes anos, matando indiscriminadamente peixes e outras espécies de animais.

As armadilhas também são responsáveis por parte da pesca fantasma, pois muitas se perdem devido a furacões.

Estima-se que, em um total de 500 mil armadilhas para caranguejos instaladas na baía de Chesapeake, Estados Unidos, 150 mil são perdidas por ano, por exemplo.

“Existem muitos ‘fantasmas no mecanismo do ambiente marinho’ desde sobrepesca e acidificação (…) ao aumento de ‘zonas mortas’, sem oxigênio (…). O equipamento de pesca abandonado e perdido é parte deste conjunto de problemas que devem ser enfrentados com urgência e em conjunto se quisermos manter a produtividade de nossos oceanos e mares para este e para as futuras gerações”, afirmou Achim Steiner, subsecretário da ONU e diretor executivo da Pnuma.

Soluções – O relatório da FAO/Pnuma também faz uma série de recomendações para enfrentar o problema dos equipamentos perdidos ou descartados, como incentivos financeiros para estimular pescadores a relatar perda de equipamentos ou trazer equipamentos velhos ou danificados de volta à terra.

As organizações também propõem o uso de rótulos de identificação nos equipamentos e o uso de novas tecnologias para pesca como uso de imagens do fundo do mar para ajudar na pesca, ao invés do uso de redes verticais.

Também é possível melhorar os sistemas de coleta, descarte e reciclagem dos equipamentos de pesca e melhorar o sistema de notificação de equipamentos perdidos nos oceanos.

Segundo o estudo das organizações da ONU o total de resíduos lançados nos oceanos, por ano, foi estimado em cerca de 6,4 milhões de toneladas – desse montante, 5,6 milhões (ou 88%) vêm de barcos mercantes.

Estima-se também que cerca de 8 milhões de itens de lixo são jogados nos oceanos e mares todos os dias, dos quais 5 milhões (63%) são resíduos sólidos jogados ou perdidos por barcos.

Atualmente as estimativas afirmam que mais de 13 mil objetos de lixo plástico estão flutuando em cada quilômetros quadrado de oceano. (Fonte: Estadão Online)






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24 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa vai verificar impacto da mudança do clima nas aves do Brasil

Aumento do nível do mar afetaria reprodução de pássaros estuarinos.
Estudo será realizado na baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.

Caso a previsão de aumento do nível do mar em decorrência da mudança climática se confirmar, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a população de aves que vivem nas regiões úmidas da costa do Brasil, principalmente as áreas de estuário, pode ser afetada, ocasionando, inclusive, a extinção de espécies.

Um estudo realizado por pesquisadores do Paraná vai tentar identificar qual será o impacto desta transformação global no cotidiano de pássaros como o bate-bico (Phleocryptes melanopis) e a saracura (Pardirallus nigricans), que vivem em vegetações herbáceas de regiões estuarinas, ambiente de transição da água doce para a água salgada.

A análise será feita na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, no município de mesmo nome, e no entorno da Lagoa do Parado. Segundo Bianca Reinec, doutora em Biologia e integrante do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática”, que recebeu financiamento da Fundação Boticário, essas e outras aves que vivem nesses locais úmidos costumam fazer ninhos na vegetação.

“Um pequeno aumento que seja do nível da água pode afetar a reprodução desses animais. Outro exemplo também previsto para a mudança do clima é o aumento da incidência de vendavais e tempestades que deverão atingir esses ambientes, destruindo ninhos e ovos”, disse a pesquisadora.

Evitar a extinção de espécies
Bianca afirma que o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ave endêmica do litoral do Paraná e de Santa Catarina, já foi afetado pelas alterações das marés, segundo especialistas. “A espécie foi descrita em 1995 e desde então houve diversas modificações no seu habitat devido às transformações do ambiente”, explica a bióloga.

Um dos principais objetivos do estudo, que vai começar neste fim de semana, será um censo para identificar quantas espécies de pássaros vivem nestes locais, além de conhecer também quais e quantas são as aves migratórias que dependem deste ambiente para alimentação e reprodução.

“A partir destes dados, vamos planejar formas de realizar futuramente o manejo de animais para outras localidades, etapa considerada a adaptação da mudança do clima. Não podemos evitar essas transformações, mas podemos trabalhar para criar ambientes artificiais para que as espécies continuem existindo”, disse Bianca.

 

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Vista da baía de Guaratuba (à esquerda), local de estuário que será pesquisado. À direita fotos das aves bate-bico (acima) e saracura (abaixo), que podem ter a população afetada devido à mudança do clima (Foto: Divulgação/Ricardo Belmonte Lopes)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo.


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Garrafas PET x garrafas de vidro

Por Jean Marc Sasson* - Quando pensamos em embalagem de refrigerantes, o que seria ambientalmente mais correto: a garrafa PET ou a garrafa de vidro. Dúvidas não faltam. É uma questão relativa que merece uma análise mais detalhada e crítica.

Até o início da década de 1990, as garrafas de vidro eram facilmente encontradas nos principais supermercados brasileiros. Contudo, com o advento da garrafa PET, as garrafas de vidro desapareceram do mercado, retornando, agora, com força total. Para se ter uma ideia, em 2000, a Coca-Cola, uma das maiores empresas deste setor, disponibilizava apenas um modelo de vidro no Brasil. Hoje já são mais de sete modelos e investimentos cada vez maiores neste tipo de embalagem.

Essa não é uma discussão inútil sob a ótica de sermos o país no topo do ranking dos maiores consumidores de refrigerantes per capita anuais com 487 copos, superando os Estados Unidos com 436 copos. Deste total, segundo dados de dezembro de 2006, da Associação das Indústrias de Refrigerantes (Abir), em todo o mercado brasileiro de refrigerantes, o vidro participa com 12,3%, as embalagens PET dominam com 79,8%, enquanto as latas ficam com apenas 7,9%.

Em paralelo, foi traçado o perfil de consumo brasileiro. Os consumidores da classe A e B preferem a conveniência ao optarem pelas latas e garrafas PET. Já as classes C e D optam pelo baixo custo do produto, sendo a embalagem de vidro retornável a preferida.

Assim, diante de números tão expressivos, é importante identificar qual seria a melhor garrafa na perspectiva ambiental e econômica. Para isso, utilizarei uma ferramenta fundamental, a análise do ciclo de vida do produto. Analisa-se desde a extração de recursos naturais até o consumo final, passando, claro, pela logística do processo. Não podemos nos ater apenas ao aspecto ambiental de qualquer produto. Para que um produto seja comercializado, ele tem de ser primeiramente economicamente viável. Tanto uma como a outra embalagem são viáveis. Portanto, vou me ater somente aos aspectos ambientais.

No primeiro momento do ciclo de vida, devemos analisar a utilização de recursos naturais na obtenção da matéria-prima. O vidro é composto basicamente por areia, calcário, barrilha, alumina, corantes e descorantes. Em sua maioria são elementos facilmente encontrados na natureza e, em parte, renováveis. Já a garrafa PET é feita basicamente de plástico, derivado do petróleo, fonte não renovável e emitente de gases de efeito estufa. Neste aspecto, pode-se dizer que a garrafa de vidro é melhor opção que a de plástico.

Na segunda fase, na fabricação das garrafas, independente da composição de que são feitas, a emissão de gases de efeito estufa e a utilização de energia e de recursos naturais, a longo prazo, serão menores na produção da garrafa de vidro, tendo em vista a possibilidade de serem produzidas apenas uma única vez e reutilizadas até 40 vezes, em média.

Em termos logísticos, acredito que as garrafas PET são as menos impactantes por dois motivos. Primeiro, porque as embalagens descartáveis são mais leves, possuindo a melhor relação peso/conteúdo do mercado. A garrafa PET de dois litros tem em média apenas 47g, enquanto uma garrafa de vidro de um litro para refrigerante pesa 950g. Segundo, elas podem ser comprimidas para estocagem, cabendo no mesmo espaço mais garrafas do que as de vidro. Além disso, as garrafas de vidro, por serem mais pesadas, farão o caminhão emitir mais CO2 para transportá-las, somando-se, ainda, a emissão de CO2 no seu retorno à fábrica.

Contudo, se consideradas distâncias de distribuição de até 400 quilômetros, levando em consideração a matéria-prima, a energia e o combustível consumidos na fabricação, transporte das embalagens e coleta para disposição final, as garrafas de vidro são mais vantajosas no que se refere à emissão de CO2 e aoconsumo de energia.  Esse dado é fundamental se pensarmos que o Brasil é um país continental. Para os centros urbanos cujas distâncias são menores, as garrafas de vidro deveriam ser prioridade. Já para destinos remotos, as de PET teriam sua vez por gastar menos combustível.

Outro ponto a ser analisado no ciclo de vida é a pegada hídrica. Não podemos esquecer um bem tão preciso à humanidade. Para produzir um litro de bebidas em PET, apenas dois litros de água são usados, nos quais incluem a água utilizada para a produção do refrigerante. Já nas garrafas de vidro, utilizam-se até seis litros de água para cada litro produzido em razão da água necessária para a lavagem das garrafas para serem reutilizadas e dos engradados que as transportam.

Por fim, o consumo. Muitos sentem a diferença de sabor, mas não sabem o motivo. Ele é muito superior nas garrafas de vidro. Esta qualidade do refrigerante se dá em razão da quantidade de gás encontrado na garrafa. Como as garrafas PET possuem paredes porosas e permeáveis, parte do gás se perde junto com o sabor e a consistência do refrigerante.

Outro ponto crucial nesta fase é o descarte da embalagem. Em termos de reciclagem, ambos são vantajosos. Tanto o vidro quanto o plástico são materiais 100% recicláveis. Se considerarmos somente o índice de reciclagem, segundo dados de 2008 do relatório de Indicadores de Desenvolvimento Sustentável (IDS) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o campeão absoluto da reciclagem no Brasil é o alumínio com 91,5%. Em seguida, vêm as embalagens PET com 54,8%, enquanto as de vidro vêm se mantendo estável nos últimos anos, com 47% do total em 2008.  Apesar da taxa ser aparentemente baixa, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países recicladores da garrafa PET, com índice de 51%, perdendo apenas para o Japão com 55,5%, segundo dados divulgados pelo Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem).

Conclui-se, assim, que 49% das garrafas PET produzidas no país causam impacto ambiental, isto é, cerca de 200 toneladas de PET´s anualmente são lançadas ao mar, rios, lagos, córregos permanecendo ali por no mínimo 400 anos até ser decomposta, quando não são ingeridas por animais. Apesar de o vidro demorar 10 vezes mais para se decompor, eles não causam tanto impacto ambiental por terem outro destino.

O impacto da garrafa de vidro é menor em razão da logística reversa praticada pelas fabricantes de refrigerantes. Elas concedem desconto ao consumidor no ato da compra de um novo produto quando ele retorna com a garrafa em determinados pontos de coleta. Na prática o consumidor paga originalmente não só pelo conteúdo, mas também pela embalagem. Ao retornar com a garrafa vazia e comprando um novo produto pagará somente pelo seu conteúdo.  Este tipo de relação é bom para todos. O fabricante, o consumidor e o meio ambiente saem ganhando.

Sem dúvidas, a retomada das garrafas de vidro pela indústria de refrigerantes é benéfica ao meio ambiente. Contudo, vislumbro outra alternativa. Indicaria como solução a garrafa PET retornável, pois agregaria os melhores valores de cada um dos materiais. Ela seria retornável, evitando novas produções em série de novas garrafas, seria leve contribuindo para menos emissões de gases efeito estufa no seu transporte e alto índice de reciclagem para aquelas que não retornassem.

*Jean Marc Sasson é advogado com especialização em gestão ambiental pela COPPE/UFRJ e colunista do Portal Ambiente Energia. Ele também é editor do blog Verdejando (www.verdejeando.blogspot.com)

 

Fonte: Ambiente Energia


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Parque eólico brasileiros usa tecnologia para evitar morte de aves

A instalação de equipamentos mais lentos evita colisões das aves.
Tecnologias mais modernas ajudam a reduzir os impactos ambientais.

O Brasil ocupa apenas a 21ª posição no ranking mundial de energia eólica, mas já toma cuidados para evitar um dos mais sensíveis impactos ambientais produzidos pelas hélices gigantes dos aerogeradores: a morte de pássaros.

A instalação desses equipamentos no País exige estudo de avifauna e, mesmo com o vento favorável, as hélices não são colocadas em rotas migratórias de aves. Os Estados Unidos, o segundo no ranking atrás apenas da China, não tomaram o mesmo cuidado e agora veem as pás como ameaça a um de seus principais símbolos, a imponente águia dourada americana.

De acordo com o vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Energia Renovável (ABEER), engenheiro José Tadeu Matheus, como a entrada do Brasil no mercado mundial eólico é relativamente recente, o País incorporou as tecnologias mais modernas para evitar impactos ambientais.

“As pás das nossas centrais têm grandes dimensões, mas o giro é lento e elas são percebidas pelos animais voadores. Os pássaros batem naquilo que não conseguem ver”, diz José Tadeu Matheus da Abeer. Além disso, as empresas brasileiras adotam torres de sustentação compactas de aço ou concreto, sem pontos de apoio para a construção de ninhos.

Livre de impactos

O parque eólico brasileiro é composto por 56 centrais com potência total de 1,08 gigawatts – menos de 10% da geração de usina de Itaipu. São cerca de 500 torres, sendo que as maiores têm 108 metros de altura e o giro das pás cobre um diâmetro de 82 metros.

As usinas se concentram no litoral do Nordeste e, em quantidade menor, nos três Estados da região Sul – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. “Visitei a maioria das centrais brasileiras e não constatei um caso sequer de acidente com aves”, diz Mathteus.

O presidente da Abeer, lembra que o tema já suscitou discussões no governo brasileiro. Na preparação de um dos leilões de energia eólica, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, levantou a necessidade de cuidados para evitar a morte de pássaros.

“Na ocasião, eu apresentei ao ministro um estudo publicado pelo professor João Tavares Pinho, da Universidade Federal do Pará, mostrando que esse impacto é baixíssimo.”, conclui o ministro.

 

Fonte: Do Globo Natureza, com informações da Agência do Estado


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Al Gore lança campanha 24 horas on-line contra mudança climática

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore lançou nesta quinta-feira uma campanha na internet com duração de 24 horas destinada a conscientizar a opinião pública sobre a mudança climática.

O projeto, denominado “24 Horas de Realidade”, consiste em uma apresentação multimídia que pode ser vista on-line e que mostra como os eventos climáticos extremos –como inundações, incêndios e tempestades– estão relacionados com a mudança climática.

Estas apresentações, que podem ser vistas na internet (clik e acesse o site http://climaterealityproject.org/), são difundidas de vários lugares do mundo, entre eles Nova York, Pequim, Nova Délhi, Jacarta, Londres, Dubai, Istambul, Seul e Rio de Janeiro.

A campanha, em 13 idiomas, começou no México às 00H00 GMT desta quinta-feira e terminará às 23h em Nova York (às 20h no horário de Brasília), com uma apresentação de Gore, prêmio Nobel da Paz em 2007 por seus esforços contra a mudança climática.

Pouco antes das 11h de Brasília, o site já havia recebido mais de 3 milhões de visitas, segundo os organizadores.

 

Fonte: Da France Presse


23 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Nova regra ambiental sai em setembro

O governo federal anunciará em setembro medidas para aperfeiçoar os processos de licenciamento ambiental de projetos de infraestrutura no País.

Conduzidas pelo Ministério do Planejamento e do Meio Ambiente, as mudanças não implicam a revisão do atual princípio de análise dos impactos ambientais e de mitigação de riscos de empreendimentos como uma hidrelétrica ou uma rodovia, mas visam tornar as exigências mais claras e objetivas para facilitar a formulação dos estudos de viabilidade e acelerar aprovações.

Em alusão à área de energia elétrica, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, reiterou ontem que as regras atuais para “o jogo dos leilões” do setor não serão alteradas e que as medidas serão detalhadas em portarias, que começam a ser publicadas a partir do mês que vem. “Estamos trabalhando no foco ambiental para deixar mais claro quais são os termos de referência de cada tipo de empreendimento e, assim, deixar claro para o empreendedor aquilo que ele precisa cumprir e ao mesmo tempo dar maior objetividade, reduzir discricionariedades [no licenciamento] para que o processo corra da maneira mais tranquila, objetiva e adequada ambientalmente”, explicou Miriam, em seminário sobre o setor elétrico promovido pela revista “Carta Capital”.

Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), há diversos casos de exigências ambientais para empreendimentos do setor elétrico que não estão relacionadas com a finalidade do projeto, o que gera dificuldade na formulação dos estudos de viabilidade e, logo, demora na emissão da licença pelo Ibama.

“Foram muitos atrasos nas licenças das linhas de transmissão do Madeira. Por exemplo: botaram [como critério para o licenciamento ambiental] o levantamento de dados de biodiversidades, o PPBio. Mas é uma coisa que tem que fazer quatro vezes por ano, na cheia, na seca, na vazante, não tem nada a ver com o impacto ambiental da linha de transmissão, embora seja um estudo relevante. Estamos falando de um banco de dados que levou um ano para ser feito e receber a licença, porque foi preciso medir aquela informação. Ora, se for para o setor elétrico fazer, apesar de não ter nada a ver com ele, bota como obrigação para depois que a linha estiver pronta, não precisa botar com pré-requisito para dar licença”, ilustrou Tolmasquim.

Walter Cardeal, diretor de geração da Eletrobras, criticou a demora na liberação de licenças ambientais para as linhas de transmissão e grandes barragens. “Esperamos mais racionalidade [com as novas medidas].” Para o especialista em energia Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “o lado burocrático” do licenciamento pode ser agilizado. “Mas no lado técnico tem que ser feito com muito critério. Não há como relegar os impactos ambientais e os interesses daqueles que são atingidos e devem ser compensados.”

Fonte: Valor Econômico


2 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Novos peixes em Campos

Projeto encontra na região quatro espécies desconhecidas.

A região de maior produção de petróleo e gás natural do Brasil também está gerando conhecimento científico. Quatro espécies de peixes foram descobertas na Bacia de Campos por pesquisadores do Projeto Habitats. Como nunca foram descritos por cientistas, os peixes ainda não estão catalogados e, portanto, não têm nome. O estudo observou também 22 espécies cuja presença na região não era conhecida. Cinco delas representam novas ocorrências para o Brasil, como a Acanthocaenus luetkenii e a Rhinochimaera atlantica (Quimera de focinho longo).

O Habitats faz parte do Projeto de Caracterização Ambiental Regional da Bacia de Campos, cujo relatório foi entregue ao Ibama na semana passada. As pesquisas começaram em 2007 e são patrocinadas pela Petrobras, que investiu R$40 milhões para os estudos em uma área de cem quilômetros quadrados. As informações levantadas permitirão conhecer melhor e monitorar os impactos ambientais na região. O coordenador geral de Petróleo e Gás do Ibama, Cristiano Vilardo, explica que o investimento faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), como parte do processo de licenciamento da empresa estatal.

- O estudo é absolutamente inovador e produziu uma grande fotografia da Bacia de Campos. Além das quatro novas espécies de peixes, deve haver ainda mais de microorganismos. Ter informações confiáveis é fundamental para saber os impactos da atividade petrolífera. Entendendo melhor o ambiente conseguiremos traçar estratégias diferenciadas, inclusive a criação de unidades de conservação – disse.

O Ibama deverá publicar todo o estudo, que é georreferenciado. Para pesquisadores, mais importante do que descobrir peixes novos é saber o comportamento das comunidades do local, que são interdependentes e fazem parte de cadeias alimentares.

- No caso dos peixes, a Bacia de Campos é ocupada por diferentes comunidades. Pelo menos cinco são bastante distintas. Então, deveremos representar as cinco comunidades para preservar a biodiversidade local. Não apenas visando ao agrupamento de espécies, mas também preservando toda a cadeia alimentar. Ou seja, a relação entre predador e presa – comentou Paulo Costa, especialista em peixes de oceano profundo, professor da UniRio e coordenador do levantamento de peixes do Projeto Habitats.

São tantas as informações que deverá ser preciso mais um ano para analisá-las. O segundo passo será integrar todos os dados e, por fim, gerar planos de monitoramento ambiental, cuja implantação ainda está sendo negociada entre o Ibama e a Petrobras.

- Fizemos a caracterização ambiental de uma região. Assim, teremos como escolher indicadores ambientais para avaliar se houve impacto ambiental ou não – disse Anna Maria Scofano, oceanógrafa da Petrobras.

Fonte: O Globo


23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisadora é perseguida por denunciar impactos ambientais de empreendimento

Os participantes do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belém-PA entre os dias 6 e 10 de dezembro, aprovaram uma moção de solidariedade à pesquisadora Débora Fernandes Calheiros, da Embrapa Pantanal (MS). De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Débora é vítima de uma campanha difamatória na mídia local por denunciar, ainda em 2006, junto com outros pesquisadores de outras organizações, os impactos ambientais provenientes da construção do pólo siderúrgico de Corumbá. Além dos ataques externos, a pesquisadora não teria recebido nenhum apoio da Embrapa e ainda estaria sofrendo assédio moral dentro da empresa, dizem os dirigentes do Sinpaf.

O simpósio reuniu pesquisadores de todo o país e foi promovido pelo Grupo Temático de Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco), com apoio do Ministério da Saúde e do Instituto Evandro Chagas (IEC). O presidente do Sinpaf, Vicente Almeida, participou do evento a convite da Fiocruz. Veja, abaixo, a moção de apoio a Débora Calheiros.

Nós, participantes do I Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental, realizado em Belém (PA), entre 06 e 10 de dezembro de 2010, nos solidarizamos com a pesquisadora da Embrapa Dra. Débora Fernandes Calheiros, que atua há mais de 20 anos na área de saúde ambiental (ecologia e ecotoxicologia de ecossistemas aquáticos) por sua dedicação ao trabalho de pesquisa no Pantanal, comprometida com o uso sustentável dos recursos naturais em bases científicas e com o respeito à legislação ambiental, visando a garantia do direito à qualidade de vida e à saúde humanas.

Dada a natureza complexa e multidimensional das inter-relações entre o meio ambiente e a saúde, mediadas pelos padrões de produção e consumo, frutos de relações socioeconômicas e culturais experimentadas pelo atual modelo de desenvolvimento, torna-se cada vez mais necessário desenvolver e aprofundar teorias e técnicas que auxiliem o entendimento das influências do meio ambiente na saúde, forneçam subsídios para a formulação de respostas apropriadas do ponto de vista da Saúde Pública e, dessa forma, possibilitem intervenções consistentes e efetivas através de abordagens integradoras e globalizantes.

A pesquisadora Débora Calheiros contribui incansavelmente para que teoria e prática se integrem e resultem em efetiva adoção de ações e políticas públicas que beneficiem a saúde ambiental e humana. Por isso mesmo, como nos mostra a história das conquistas sociais, a pesquisadora tem enfrentado interesses que buscam se sobrepor ao interesse público, mimetizados na simbologia do sofisma do desenvolvimento, utilizando estratégias há muito repudiadas pela sociedade brasileira.

Por fim, requeremos dos órgãos e instituições públicas o tratamento ético do caso, primando pelo respeito à pluralidade de perspectivas na realização de trabalhos científicos na Embrapa e seu diálogo, direto e imparcial, com a sociedade e suas representações.

 

Fonte: Sinpaf/EcoAgência


23 de outubro de 2009 | nenhum comentário »

EIA-Rima minimiza efeitos de usina, diz estudo

Documento feito por 40 especialistas contesta relatório ambiental feito para Belo Monte

Depois de investidores privados considerarem subestimados os custos das obras da usina hidrelétrica de Belo Monte indicados pelo governo, de R$ 16 bilhões, acadêmicos afirmam que os impactos socioambientais também estão subdimensionados no EIA-Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental).

 

A consideração de impactos e custos menores pode ocultar uma possível inviabilidade econômica de uma usina que gerará apenas 40% do seu potencial energético.

 

Segundo o documento “Painel de especialistas: análise crítica do estudo de impacto ambiental do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte”, formulado por um grupo de 40 especialistas envolvidos em estudos na região – entre eles antropólogos, sociólogos, biólogos e engenheiros -, o relatório de impactos ambientais apresentado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) peca pela falta de dados, o que impede uma análise mais precisa dos danos e benefícios proporcionados pelo empreendimento.

 

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O EIA-Rima considera um custo socioambiental de US$ 270 milhões, mas o grupo de acadêmicos acredita que o custo deve ser bem maior se for buscado o menor impacto e a melhor mitigação, ou seja, compensação dos danos. Se esse custo ficar acima de US$ 500 milhões, eles afirmam que o investimento se torna economicamente inviável.

 

“Acreditamos que o valor apontado pelo EIA-Rima é muito baixo, mas ao mesmo tempo eles não detalham o suficiente para permitir um cálculo mais preciso dos custos de mitigação”, diz Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental, cooperador da pesquisa.

 

Uma das distorções presentes no relatório seria em relação à estimativa de pessoas diretamente afetadas. Para os estudiosos, o EIA-Rima erra ao utilizar uma média de 3,14 pessoas por família para avaliação da população diretamente afetada.

 

Segundo as autoras Sônia Magalhães, Rosa Acevedo Marin e Edna Castro, que avaliaram os dados sociais, econômicos e culturais do relatório, a bibliografia sobre a região aponta que as famílias são formadas em média por 5,5 a 7 pessoas, o que poderia dobrar a estimativa do EIA-Rima. “Somente um novo levantamento pode confirmar”, diz o texto.

 

Além dessa possível falha, os especialistas defendem que o cálculo de pessoas afetadas deve incluir, além da população residente nas áreas alagadas, moradores da região onde haverá redução da vazão do rio, ou seja, as terras indígenas Juruna do Paquicamba e Arara da Volta Grande, localizadas na região de Volta Grande.

 

O argumento das pesquisadoras é de que a redução de vazão deve inviabilizar a permanência da população nessas áreas, por conta da dependência que há do rio para alimentação, pesca, transporte, entre outros usos.

 

Dessa forma, o número apontado pelo EIA-Rima de 2,8 mil pessoas diretamente atingidas na região rural seria muito inferior à realidade, e, apesar da usina não alagar terras indígenas, haverá significativas alterações em áreas ocupadas por esses povos. Caso uma revisão dessa conceituação seja aceita pelo Ibama, o custo de redução dos impactos seria bem mais alto que o calculado. Caso não seja, o risco é do projeto não prever planos de mitigação de danos ao total de pessoas atingidas.

 

Segundo o parecer das especialistas, os planos de mitigação de impactos deveriam ser detalhados no EIA-Rima, mas as referências são feitas por meio de lista de temas a serem contemplados, sem que sejam especificadas as ações e seus custos. Por conta disso, as autoras concluem que “não se pode avaliar se estes são ou não adequados”, conforme citação no texto.

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“Eles falam que esses planos podem ser detalhados após a licença prévia, mas o período depois de iniciada a licitação é curto, e é preciso verificar quais medidas de prevenção tem que ser realizadas”, diz Salazar.

 

Outra questão que segundo os especialistas não está bem contemplada no EIA-Rima é a do impacto da migração sobre a região. Segundo o relatório, a obra deve atrair aproximadamente 96 mil pessoas entre trabalhadores diretos, familiares, pessoas envolvidas em outras atividades ligadas à usina. Depois da construção, porém, devem sobrar apenas cerca de 700 pessoas empregadas na operação. “Após o pico de contratações, vai haver um contingente de desempregados. O que observa é que tem impacto, e isso não foi estudado ainda”, diz Salazar.

 

Os especialistas alertam também para a falta de estudos sobre o desmatamento que a obra pode gerar em seu entorno e quais as formas de reduzir os riscos. “É considerado apenas o desmatamento local, a área que deve ser alagada, mas o empreendimento vai potencializar o desmatamento na região, e não foram feitas simulações sobre isso”, diz Salazar.

 

O estudo sobre o EIA-Rima também traz um alerta sobre a falta de uma garantia de que após a construção da usina não haverá investimentos em novas barragens para aumentar a geração firme de energia. Isso porque o levantamento considera que a geração de 4,5 mil MW médios diante de uma capacidade instalada de 11 mil MW pode levar a tentativas de maior aproveitamento no futuro. Um dos riscos citado pelo estudo é de que a barragem de Altamira, acima de Belo Monte, seja construída posteriormente.

 

“O que garante que não vão ser construídas realmente outras barragens com tamanho subaproveitamento da usina?”, questiona Salazar. A única garantia dada hoje é uma resolução do Conselho de Política Energética, que afirma que Belo Monte deve ser a única usina no rio Xingu, mas o estudo sugere que seja criada uma “ferramenta jurídica para que compromissos deste tipo sejam feitos de forma realmente irrevogável”.

 

O parecer dos especialistas foi entregue ao Ibama no dia 1º de outubro como contribuição para o período de consulta pública. Na segunda, dia 26 de outubro, os especialistas realizarão um seminário em Altamira (PA) para apresentação dos estudos ao público. São esperadas cerca de 300 pessoas, segundo organizadores.

 

Ontem, o presidente do Ibama, Roberto Messias, disse que a licença prévia para Belo Monte “certamente” será concedida na próxima semana. O cronograma do PAC prevê a emissão da licença até segunda-feira. “Estamos trabalhando dia e noite na análise dos documentos”, disse.

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(Valor Econômico, 22/10)


6 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Brasil e Alemanha unem-se em busca da química verde

Grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Friedrich-Schiller em Jena (Alemanha) uniram-se em uma parceria internacional com o objetivo de fazer avançar o conhecimento em uma área de fronteira do conhecimento: a chamada “química verde”, um conjunto de diretrizes voltado à redução do impacto ambiental dos processos químicos que promete revolucionar a indústria e a economia.

Segundo o professor Omar El Seoud, do Instituto de Química (IQ) da USP, os estudos realizados no âmbito da parceria envolvem dois aspectos principais: o uso de solventes “verdes” e de celuloses de diversas procedências, inclusive de bagaço de cana-de-açúcar.

“Os ésteres e éteres de celulose são usados como fibras, filmes, membranas de hemodiálise, aditivos para medicamentos e alimentos, entre outras aplicações,” explica ele.

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Os solventes “verdes” utilizados nas pesquisas são líquidos iônicos, uma alternativa de baixo impacto ambiental aos solventes convencionais utilizados em processos químicos industriais.

Líquidos iônicos – “Os líquidos iônicos têm maior estabilidade química e térmica. São extremamente seguros, pois não são inflamáveis e praticamente não têm pressão de vapor, e podem ser reciclados novamente no processo. Ou seja, são isentos dos perigos usuais dos solventes orgânicos clássicos, como o etanol ou o tolueno, que representam riscos de fogo, explosão e decomposição”, explicou.

O que distingue o novo processo, de acordo com o cientista, é sua realização sob condições homogêneas, ao contrário do processo industrial atual. “Esse aspecto permite melhor controle das propriedades e, por consequência, das aplicações dos produtos obtidos”, disse.

Produtos de alto valor agregado – El Seoud conta que o objetivo do uso desses processos não é produzir commodities, como fibras, mas produtos de especialidades, com valor agregado, como membranas de hemodiálise, cuja eficiência de filtração e compatibilidade com o sangue são cruciais. Para isso, é necessário entender e aperfeiçoar cada etapa da reação.

“Embora o Brasil seja um produtor mundial de pasta de celulose para papel, o país não se destaca como produtor de derivados de celulose com valor agregado, em particular aqueles usados nas indústrias de fiação e farmacêutica”, disse.

A indústria farmacêutica, por exemplo, utiliza a celulose microcristalina para produzir pílulas, que, além de uma pequena parte de matéria ativa, são compostas de amido e celulose.

Via de mão-dupla – Segundo o professor, enquanto os brasileiros assimilarão conhecimentos dos parceiros alemães no desenvolvimento de produtos desse tipo – tendo em vista o aproveitamento da grande quantidade de celulose disponível no país -, os alemães se beneficiarão da experiência brasileira com filmes derivados de celulose.

“Ganhamos muito com esse trabalho em conjunto. Eles se interessam principalmente pelos nossos trabalhos com celuloses não-tradicionais, visando à substituição da madeira, como o sisal e o bagaço de cana-de-açúcar”, disse.

O projeto de colaboração é coordenado por El Seoud, no lado brasileiro, e por Thomas Heinze, do Centro de Excelência em Pesquisa sobre Polissacarídeos da Universidade de Jena.

Recursos humanos em química verde – “Uma das principais metas da parceria é a qualificação de recursos humanos, que ainda são muito incipientes nessa área tão importante. E o principal diferencial do projeto é que ele não se limita à prática tradicional de enviar estudantes brasileiros para o exterior, mas também traz alunos estrangeiros para os nossos laboratórios. Isso vai ao encontro da necessidade de internacionalização das nossas universidades”, disse El Seoud.

As primeiras participantes do intercâmbio são Constance Issbrückner, da universidade alemã – que acaba de encerrar um período de três meses de pesquisas na USP -, e Ludmila Fidale, que partiu nesta terça-feira (4/8) para um período de três meses nos laboratórios de Jena.

“Embora existam ainda muitas barreiras a serem vencidas, nossas universidades oferecem boas condições para receber alunos estrangeiros. A vivência com esses estudantes, formados em escolas de pensamentos diferentes, é uma renovação importante para o nosso grupo”, afirmou El Seoud.

Síntese de éteres de celulose – Ludmila conta que o trabalho a ser desenvolvido na Alemanha é parte de sua pesquisa de doutorado. “Vou fazer síntese de éteres de celulose nos laboratórios de Jena. Aqui, trabalhamos muito com os ésteres de celulose, mas não temos experiência com éteres. Lá, vou poder trabalhar, nessa linha, com os líquidos iônicos que eles costumam utilizar. Será uma experiência importante, inclusive porque no IQ-USP somos três pessoas trabalhando diretamente com celulose, enquanto em Jena o grupo especializado nessa área é bem maior, com cerca de 25 pessoas”, disse.

Ludmila explica que a colega alemã, com quem trabalhou no laboratório do IQ, aproveitou os equipamentos e a experiência dos professores brasileiros. “Ela veio fazer um trabalho de reflectância e, para isso, utilizou sondas que só temos no Brasil. Ela fez todas as medidas aqui e aproveitou bastante o conhecimento do professor El Seoud sobre essas sondas”, destacou. (Fonte: Site Inovação Tecnológica)


8 de maio de 2009 | nenhum comentário »

ONU alerta para ameaça de redes 'fantasmas' à vida marinha

Um relatório da ONU divulgado nesta semana afirma que redes e equipamentos de pesca abandonados ou perdidos estão ameaçando a população de peixes e outros animais marinhos.

O relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) afirma que o equipamento abandonado ou perdido constitui cerca de 10% (640 mil toneladas) dos resíduos marinhos.

O transporte comercial marítimo é o principal responsável pelo abandono, perda ou descarte destes materiais em mar aberto. Nas áreas costeiras, os principais responsáveis estão localizados em terra.

O estudo feito pelas duas organizações da ONU afirma que o problema está piorando devido ao aumento na escala de operações de pesca no mundo e devido à introdução de equipamentos que alta durabilidade, fabricados com materiais sintéticos.

O relatório afirma que entre os maiores impactos deste problema estão a captura contínua de peixes, conhecida como “pesca fantasma”, e outros animais como tartarugas, aves e mamíferos marinhos, que ficam presos e morrem nas redes.

Além disso, estes equipamentos também podem causar alterações do ambiente e do solo marinho e o aumento dos riscos para navegação, com acidentes ou danos a embarcações.

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“A quantidade de equipamento de pesca que vai para o ambiente marinho vai continuar se acumulando e os impactos nos ecossistemas marinhos vão piorar se a comunidade internacional não tomar medidas eficazes para resolver o problema (…). As estratégias para enfrentar o problema devem abordar várias frentes, incluindo prevenção, diminuição e medidas curativas”, afirmou Ichiro Nomura, subdiretor geral de Pesca e Agricultura da FAO.

Proibição – As redes de arrastão mal operadas eram as principais responsáveis pelos danos da pesca fantasma, segundo as organizações da ONU, mas uma proibição do seu uso em 1992 reduziu seu impacto negativo.

Atualmente as redes mais problemáticas são as que ficam ancoradas no solo marinho e presas a flutuadores que ficam na superfície. Elas formam uma parede vertical que pode medir entre 600 e 10 mil metros de largura.

Se este tipo de rede é perdido ou abandonado, poderá continuar pescando sem supervisão durante meses, às vezes anos, matando indiscriminadamente peixes e outras espécies de animais.

As armadilhas também são responsáveis por parte da pesca fantasma, pois muitas se perdem devido a furacões.

Estima-se que, em um total de 500 mil armadilhas para caranguejos instaladas na baía de Chesapeake, Estados Unidos, 150 mil são perdidas por ano, por exemplo.

“Existem muitos ‘fantasmas no mecanismo do ambiente marinho’ desde sobrepesca e acidificação (…) ao aumento de ‘zonas mortas’, sem oxigênio (…). O equipamento de pesca abandonado e perdido é parte deste conjunto de problemas que devem ser enfrentados com urgência e em conjunto se quisermos manter a produtividade de nossos oceanos e mares para este e para as futuras gerações”, afirmou Achim Steiner, subsecretário da ONU e diretor executivo da Pnuma.

Soluções – O relatório da FAO/Pnuma também faz uma série de recomendações para enfrentar o problema dos equipamentos perdidos ou descartados, como incentivos financeiros para estimular pescadores a relatar perda de equipamentos ou trazer equipamentos velhos ou danificados de volta à terra.

As organizações também propõem o uso de rótulos de identificação nos equipamentos e o uso de novas tecnologias para pesca como uso de imagens do fundo do mar para ajudar na pesca, ao invés do uso de redes verticais.

Também é possível melhorar os sistemas de coleta, descarte e reciclagem dos equipamentos de pesca e melhorar o sistema de notificação de equipamentos perdidos nos oceanos.

Segundo o estudo das organizações da ONU o total de resíduos lançados nos oceanos, por ano, foi estimado em cerca de 6,4 milhões de toneladas – desse montante, 5,6 milhões (ou 88%) vêm de barcos mercantes.

Estima-se também que cerca de 8 milhões de itens de lixo são jogados nos oceanos e mares todos os dias, dos quais 5 milhões (63%) são resíduos sólidos jogados ou perdidos por barcos.

Atualmente as estimativas afirmam que mais de 13 mil objetos de lixo plástico estão flutuando em cada quilômetros quadrado de oceano. (Fonte: Estadão Online)