14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo mostra risco de incêndio na Amazônia com antecipação

Um novo método promete prever com até cinco meses de antecedência os surtos de incêndios florestais que ocorrem na Amazônia cada vez que uma seca inesperada atinge parte da floresta.

A nova técnica foi apresentada ontem por cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine e do Centro Goddard da Nasa. Os pesquisadores elaboraram o método com base em medições feitas entre 2001 e 2009, analisando a influência do clima dos oceanos sobre a floresta.

O modelo de computador que os cientistas criaram conseguiu prever como oscilações no superaquecimento do Pacífico (o El Niño) estão relacionadas a secas no leste da Amazônia. Anomalias de temperatura no Atlântico, por outro lado, favorecem mais o espalhamento de incêndios no sul e sudoeste.

Fazer esse tipo de previsão é complicado porque, além de estimar quando e onde a floresta vai estar seca, é preciso saber onde agricultores vão iniciar os incêndios nas lavouras.

Quando o fogo para limpar o campo de plantio sai do controle é que a floresta começa a queimar.

SALTO DE FÉ

Segundo Yang Chien, autor principal do trabalho, a criação do novo modelo precisou de uma espécie de salto de fé dos cientistas.

“Estudos anteriores em geral separavam esse problema em dois, primeiro observando como a temperatura da superfície do mar afeta as chuvas e, segundo, como o nível de chuvas afeta a ocorrência de fogo”, diz. “No nosso estudo, decidimos combinar isso diretamente para inferir como a temperatura do mar afeta os incêndios.”

O que os pesquisadores também fizeram foi procurar correlações de longo prazo entre o clima oceânico e o florestal. O mecanismo com que essa influência se dá ainda é pouco compreendido.

“Nós sugerimos que as temperaturas oceânicas durante a estação úmida e no começo da estação seca são muito importantes para recarregar o nível de umidade do solo”, diz Chien. “Elas afetam a umidade que alimenta a chuva na estação seca.”

O trabalho dos pesquisadores, publicado nesta sexta-feira na revista “Science”, segue os passos de um estudo publicado em julho, liderado pela brasileira Kátia Fernandes, que já tinha conseguido previsões até mais precisas que as de Chien, mas apenas para o oeste da Amazônia.

Segundo Fernandes, as duas técnicas podem ajudar a aumentar a robustez dos sistemas de monitoramento do clima da região, que hoje só conseguem identificar secas violentas com três semanas de antecedência.

“No ano passado, que teve uma seca forte, o governo do Acre suspendeu as permissões de queima para os agricultores, porque o tempo já estava seco e a previsão era que continuasse assim”, conta. Com uma previsão de três meses, diz Fernandes, os governos podem antecipar o planejamento desse tipo de medida complicada.

Outros climatólogos, porém, ainda são céticos quanto à confiabilidade do método para períodos tão longos.
“Faltou os autores desse estudo trabalharem com as previsões reais, e não só com os dados coletados”, diz Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Chien, porém, afirma que o modelo conseguiu uma previsão adequada para meados de 2011. “Só não incluímos no estudo porque a estação seca ainda não tinha acabado.”

Editoria de Arte / folhapress

Fonte: Rafael Garcia, Folha.com


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Combate a focos de incêndio na reserva do Caraça/MG continua nesta segunda-feira

O combate aos focos de incêndio que castigam a reserva do Parque Nacional do Caraça, na região Central do Estado, continua nesta segunda-feira (12). De acordo com o Corpo de Bombeiros, atuam no local 36 militares de Belo Horizonte e Itabira, 44 brigadistas voluntários da região, além de um helicóptero dos bombeiros e dois aviões da Força Tarefa.

Até o momento não há informações da área atingida mas, segundo informações do Santuário do Caraça, mais de 100 hectares de área preservada já foram queimados. Conforme o Corpo de Bombeiros, a baixa umidade relativa do ar e a dificuldade de acesso aos focos de incêndio contribuem para a propagação do fogo.

Na quarta-feira (7), um dos focos atingiu uma área conhecida como Morro da Água Quente, que fica no município de Catas Altas. Já o segundo foco de incêndio destrói, há vários dias, a área do Pico do Sol, em Conceição do Rio Acima. Já na sexta-feira (9), os militares voltaram ao local e trabalham com o auxílio de aproximadamente 30 brigadistas da região, além de um helicóptero.

As visitas ao Santuário do Caraça, na região Central de Minas, foram suspensas por medida de segurança devido aos incêndios que atingem o local nos últimos dias.

Fonte: O Tempo Online/MG


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em floresta da USP foi criminoso, diz Ibama

O fogo que destruiu grande parte do maior banco genético de mata atlântica de interior da USP em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) foi criminoso, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

A conclusão é de uma análise feita por Celso Luiz Ambrósio, técnico do instituto em Ribeirão, depois de 15 dias de estudos no local. O relatório detalhado sobre as causas da queima será apresentado na quinta-feira (8).

O incêndio na floresta da USP em Ribeirão Preto aconteceu em 16 de agosto e consumiu 82 hectares de área verde. No local, haviam sido plantadas 44 mil mudas de árvores a partir de sementes de 3.375 árvores matrizes.

As coletas e plantio do banco genético aconteceram de 1998 a 2002, de acordo com Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em mata experimental prejudica 15 pesquisas da USP

Uma área de 27 hectares do maior banco genético de floresta mesófila semidecidual do país, a mata atlântica do interior, foi destruída por um incêndio na semana passada. Ao menos 15 pesquisas da USP foram prejudicadas.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores.

Suspeita-se que algumas das atingidas eram os últimos exemplares de sua espécie, já que elas são raras na região.

“Era uma coleção de espécies nativas coletadas em mais de 400 remanescentes de mata”, diz Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

“A perda é inestimável”, avalia Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. Segundo ele, as espécies foram recolhidas em áreas que hoje não têm mais mata, devido ao avanço da agricultura.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Ao longo de 13 anos, foram coletadas 45 espécies de árvores, entre elas ipês, jequitibás, jacarandás, jenipapos e jatobás, cada uma delas com 75 exemplares.

Ao contrário de outros bancos de floresta, as espécies plantadas na USP seguiam um modelo matemático para que as árvores de uma mesma espécie ficassem a 30 metros de distância uma da outra, para evitar a polinização cruzada e manter a variabilidade genética.

As sementes e mudas produzidas ali eram enviadas a áreas de reflorestamento.

“Quando a gente entende a evolução do ecossistema recém plantado podemos agir para acelerar outros processos de restauração florestal”, diz José Ricardo Barosela, doutorando da USP.

A pesquisa de Barosela e outras 14 que estavam em andamento terão de ser refeitas ou concluídas sem os dados vindos do banco genético.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. “Só depois vamos contabilizar os danos causados.”

As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

Além da perda no banco genético, mais 6 hectares reflorestados foram atingidos.

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com






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Estudo mostra risco de incêndio na Amazônia com antecipação

Um novo método promete prever com até cinco meses de antecedência os surtos de incêndios florestais que ocorrem na Amazônia cada vez que uma seca inesperada atinge parte da floresta.

A nova técnica foi apresentada ontem por cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine e do Centro Goddard da Nasa. Os pesquisadores elaboraram o método com base em medições feitas entre 2001 e 2009, analisando a influência do clima dos oceanos sobre a floresta.

O modelo de computador que os cientistas criaram conseguiu prever como oscilações no superaquecimento do Pacífico (o El Niño) estão relacionadas a secas no leste da Amazônia. Anomalias de temperatura no Atlântico, por outro lado, favorecem mais o espalhamento de incêndios no sul e sudoeste.

Fazer esse tipo de previsão é complicado porque, além de estimar quando e onde a floresta vai estar seca, é preciso saber onde agricultores vão iniciar os incêndios nas lavouras.

Quando o fogo para limpar o campo de plantio sai do controle é que a floresta começa a queimar.

SALTO DE FÉ

Segundo Yang Chien, autor principal do trabalho, a criação do novo modelo precisou de uma espécie de salto de fé dos cientistas.

“Estudos anteriores em geral separavam esse problema em dois, primeiro observando como a temperatura da superfície do mar afeta as chuvas e, segundo, como o nível de chuvas afeta a ocorrência de fogo”, diz. “No nosso estudo, decidimos combinar isso diretamente para inferir como a temperatura do mar afeta os incêndios.”

O que os pesquisadores também fizeram foi procurar correlações de longo prazo entre o clima oceânico e o florestal. O mecanismo com que essa influência se dá ainda é pouco compreendido.

“Nós sugerimos que as temperaturas oceânicas durante a estação úmida e no começo da estação seca são muito importantes para recarregar o nível de umidade do solo”, diz Chien. “Elas afetam a umidade que alimenta a chuva na estação seca.”

O trabalho dos pesquisadores, publicado nesta sexta-feira na revista “Science”, segue os passos de um estudo publicado em julho, liderado pela brasileira Kátia Fernandes, que já tinha conseguido previsões até mais precisas que as de Chien, mas apenas para o oeste da Amazônia.

Segundo Fernandes, as duas técnicas podem ajudar a aumentar a robustez dos sistemas de monitoramento do clima da região, que hoje só conseguem identificar secas violentas com três semanas de antecedência.

“No ano passado, que teve uma seca forte, o governo do Acre suspendeu as permissões de queima para os agricultores, porque o tempo já estava seco e a previsão era que continuasse assim”, conta. Com uma previsão de três meses, diz Fernandes, os governos podem antecipar o planejamento desse tipo de medida complicada.

Outros climatólogos, porém, ainda são céticos quanto à confiabilidade do método para períodos tão longos.
“Faltou os autores desse estudo trabalharem com as previsões reais, e não só com os dados coletados”, diz Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Chien, porém, afirma que o modelo conseguiu uma previsão adequada para meados de 2011. “Só não incluímos no estudo porque a estação seca ainda não tinha acabado.”

Editoria de Arte / folhapress

Fonte: Rafael Garcia, Folha.com


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio devasta reserva ecológica próxima à Chapada Diamantina

Um incêndio de grandes proporções está devastando uma área de proteção ambiental na região da Chapada Diamantina, no sudoeste da Bahia.

A reserva particular de proteção natural fica na serra do Capa Bode, no município de Mucugê (a 438 km de Salvador).

Desde a noite desta segunda-feira (3), cerca de 200 hectares foram queimados – isso representa dois terços da reserva, que fica próxima ao Parque Nacional da Chapada Diamantina.

Para efeito de comparação, um campo de futebol equivale aproximadamente a um hectare.

O secretário de Meio Ambiente de Mucugê, Euvaldo Riveiro Júnior, disse que cerca de 15 homens estão combatendo o fogo desde o início da manhã desta terça-feira. O difícil acesso à reserva atrapalha o controle do fogo.

Com cerca de 11 mil habitantes, Mucugê não tem quartel do Corpo de Bombeiros, e a prefeitura pediu reforço para cidades vizinhas.

“É uma região de mata nativa sobre as rochas de chapada. Estamos fazendo o que podemos para evitar que a reserva seja toda destruída”, disse Ribeiro.

Nessa época do ano, disse o secretário, chove pouco na região da chapada, e incêndios são comuns. A causa do fogo ainda não foi determinada.

Fonte: Graciliano Rocha/ Folha.com


12 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Combate a focos de incêndio na reserva do Caraça/MG continua nesta segunda-feira

O combate aos focos de incêndio que castigam a reserva do Parque Nacional do Caraça, na região Central do Estado, continua nesta segunda-feira (12). De acordo com o Corpo de Bombeiros, atuam no local 36 militares de Belo Horizonte e Itabira, 44 brigadistas voluntários da região, além de um helicóptero dos bombeiros e dois aviões da Força Tarefa.

Até o momento não há informações da área atingida mas, segundo informações do Santuário do Caraça, mais de 100 hectares de área preservada já foram queimados. Conforme o Corpo de Bombeiros, a baixa umidade relativa do ar e a dificuldade de acesso aos focos de incêndio contribuem para a propagação do fogo.

Na quarta-feira (7), um dos focos atingiu uma área conhecida como Morro da Água Quente, que fica no município de Catas Altas. Já o segundo foco de incêndio destrói, há vários dias, a área do Pico do Sol, em Conceição do Rio Acima. Já na sexta-feira (9), os militares voltaram ao local e trabalham com o auxílio de aproximadamente 30 brigadistas da região, além de um helicóptero.

As visitas ao Santuário do Caraça, na região Central de Minas, foram suspensas por medida de segurança devido aos incêndios que atingem o local nos últimos dias.

Fonte: O Tempo Online/MG


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em floresta da USP foi criminoso, diz Ibama

O fogo que destruiu grande parte do maior banco genético de mata atlântica de interior da USP em Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) foi criminoso, de acordo com o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).

A conclusão é de uma análise feita por Celso Luiz Ambrósio, técnico do instituto em Ribeirão, depois de 15 dias de estudos no local. O relatório detalhado sobre as causas da queima será apresentado na quinta-feira (8).

O incêndio na floresta da USP em Ribeirão Preto aconteceu em 16 de agosto e consumiu 82 hectares de área verde. No local, haviam sido plantadas 44 mil mudas de árvores a partir de sementes de 3.375 árvores matrizes.

As coletas e plantio do banco genético aconteceram de 1998 a 2002, de acordo com Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em mata experimental prejudica 15 pesquisas da USP

Uma área de 27 hectares do maior banco genético de floresta mesófila semidecidual do país, a mata atlântica do interior, foi destruída por um incêndio na semana passada. Ao menos 15 pesquisas da USP foram prejudicadas.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores.

Suspeita-se que algumas das atingidas eram os últimos exemplares de sua espécie, já que elas são raras na região.

“Era uma coleção de espécies nativas coletadas em mais de 400 remanescentes de mata”, diz Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

“A perda é inestimável”, avalia Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. Segundo ele, as espécies foram recolhidas em áreas que hoje não têm mais mata, devido ao avanço da agricultura.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Ao longo de 13 anos, foram coletadas 45 espécies de árvores, entre elas ipês, jequitibás, jacarandás, jenipapos e jatobás, cada uma delas com 75 exemplares.

Ao contrário de outros bancos de floresta, as espécies plantadas na USP seguiam um modelo matemático para que as árvores de uma mesma espécie ficassem a 30 metros de distância uma da outra, para evitar a polinização cruzada e manter a variabilidade genética.

As sementes e mudas produzidas ali eram enviadas a áreas de reflorestamento.

“Quando a gente entende a evolução do ecossistema recém plantado podemos agir para acelerar outros processos de restauração florestal”, diz José Ricardo Barosela, doutorando da USP.

A pesquisa de Barosela e outras 14 que estavam em andamento terão de ser refeitas ou concluídas sem os dados vindos do banco genético.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. “Só depois vamos contabilizar os danos causados.”

As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

Além da perda no banco genético, mais 6 hectares reflorestados foram atingidos.

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com