7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Inseminação artificial gera o primeiro bebê elefante em zoológico francês

Fêmea de 18 dias se chama Rungwe e dá passos iniciais ao lado da mãe.
Animais vivem na comuna de Saint-Aignan-sur-Cher, região central do país.

Bebê elefante (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Primeiro bebê elefante gerado por inseminação artificial é apresentado no Zoológico e Aquário de Beauval, na comuna francesa de Saint-Aignan-sur-Cher, região central do país. Em 2009, foram coletadas amostras de sêmen de dez machos na África do Sul e distribuídas a zoos europeus (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Bebê elefante (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Filhote da espécie africana é uma fêmea chamada Rungwe (em homenagem a um vulcão da Tanzânia), e nasceu no dia 20 de julho. A gestação da mãe, N'Dala, durou 23 meses. A população de elefantes na Europa está em declínio pelo envelhecimento e consequente redução da fertilidade (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Bebê elefante 3 (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Aos 18 dias de vida, elefante come com a mãe e se diverte no feno. Na 1ª medição, Rungwe tinha 150 kg e 1 metro de altura. Ela deve tomar de 10 a 12 litros de leite por dia durante 2 anos, mas já aos 6 meses serão incluídos aos poucos alguns vegetais na dieta. A espécie africana está ameaçada pela caça, comércio ilegal de marfim, agricultura e urbanização. Há 15 anos, havia só 40 mil indivíduos (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Fonte: Globo Natureza


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Equipe faz inseminação artificial inédita em jaguatiricas no Brasil

Seis fêmeas receberam sêmen congelado durante procedimento no Paraná.
Técnica aumenta chances de evitar desaparecimento de espécies.

Pesquisadores brasileiros realizaram pela primeira vez no país um processo de inseminação artificial com sêmen congelado em seis fêmeas de jaguatirica (Leopardus pardalis), felino da Mata Atlântica que está na lista nacional dos animais ameaçados de extinção.

A experiência é parte de um estudo que tem o objetivo de melhorar o processo de reprodução de espécies em extinção em laboratório, o que aumentaria as chances de evitar o desaparecimento de exemplares.

Médicos veterinários, biólogos e outros profissionais ligados à Itaipu Binacional, empresa que administra a maior usina hidrelétrica do país, além de universidades do Paraná, participaram na última terça-feira (22) de procedimento de inseminação com sêmen congelado, chamado de “criopreservação de gametas”.

Três fêmeas foram levadas ao Hospital Veterinário mantido por Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Outros três espécimes já haviam passado pelo mesmo processo em outubro. Os seis animais receberam um tratamento denominado “sincronização de cio”, que induz a ovulação.

As jaguatiricas receberam material genético colhido de machos que vivem no mesmo ambiente. A técnica consiste em aplicar o sêmen congelado e verificar se houve a fecundação.

“A inseminação com jaguatiricas já foi feita em laboratórios dos Estados Unidos e do Japão, mas até hoje temos relatos de que apenas quatro processos deram certo. Só ocorreram quatro nascimentos”, disse Wanderlei de Moraes, médico veterinário da Itaipu Binacional.

Moraes afirma que o grande desafio do procedimento é manter características vitais para a reprodução no esperma congelado. O resfriamento provoca a perda de estruturas como o acrossoma, enzima presente no espermatozóide que é responsável por auxiliá-lo no rompimento da parede do óvulo.

“Quando congela (o espermatozóide) você perde essa característica. Estamos estudando meios de melhorar o processo de congelamento do sêmen e evitar esta perda”, afirma o especialista.

Ultrassom
Na segunda quinzena de dezembro, três jaguatiricas já inseminadas passarão por exame de ultrassom, que vai verificar o processo de gravidez. “Não sabemos quais são as chances da inseminação dar certo nas jaguatiricas, já que é algo novo. Mas a técnica já é difundida em bovinos e em 70% dos casos dá certo”, afirma.

O procedimento pode ser adaptado em outros felinos. “É uma ferramenta que nos auxilia a trabalhar contra a extinção dos animais por meio da utilização dos bancos genéticos. Mas para conseguirmos usá-los, é preciso conhecer procedimentos que dão certo. Se não estudarmos como eliminar os problemas em cada etapa, os genes de animais ficarão somente armazenados”.

Jaguatirica passa por processo de inseminação artificial com sêmen congelado, feito inédito no Brasil com esta espécie (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Jaguatirica passa por processo de inseminação artificial com sêmen congelado, feito inédito no Brasil com esta espécie (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Seis fêmeas receberam sêmen congelado de outros três espécimes machos. Em todo mundo, apenas quatro procedimentos geraram nascimentos (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Seis fêmeas receberam sêmen congelado de outros três espécimes machos. Em todo mundo, apenas quatro procedimentos geraram nascimentos (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas ajudam zoológicos a inseminar rinocerontes raros

Inseminação artificial é uma das soluções para salvar populações ameaçadas de extinção.

Um grupo de especialistas alemães vem visitando zoológicos em todo o mundo para ensinar profissionais locais a inseminar artificialmente rinocerontes raros.

Pesquisas recentes têm tentado usar células-tronco e até clonagem para salvar espécies — como o rinoceronte branco, por exemplo — seriamente ameaçadas de extinção.

Mas, enquanto os cientistas se esforçam para desenvolver essas técnicas, o serviço pioneiro de inseminação oferecido pela equipe do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research (IZW), na Alemanha, é tido cada vez mais como parte essencial das estratégias de conservação.

Em visita ao Whipsnade Zoo, em Bedfordshire, na Inglaterra, a equipe se prepara para examinar dois rinocerontes brancos do sul.

Uma variedade de equipamentos, como aparelhos de ultrassom e outros instrumentos, estão à disposição da equipe.

Os especialistas Thomas Hildebrandt, Robert Hermes e Joseph Saragusty querem ajudar o casal de rinocerontes a se reproduzir. O procedimento envolve coletar o sêmen do macho e inseri-lo na fêmea.

Tim Bouts, o veterinário do zoológico, explica que conceber naturalmente não é uma opção para a rinoceronte fêmea. Ela foi ferida no pé e, se um macho tentar se acasalar com ela, a fêmea pode se machucar seriamente.Bouts explica que o zoológico quer ajudar a aumentar o número de indivíduos da espécie.

Em seu habitat natural, populações de rinocerontes brancos do sul vêm sendo devastadas graças a um aumento na caça ilegal.

Rinocerontes brancos em zoológico inglês (Foto: BBC)

Rinocerontes brancos em zoológico inglês (Foto: BBC)

Na África do Sul, onde havia grandes concentrações dessa espécie, centenas de rinocerontes foram mortos recentemente por quadrilhas de criminosos.

Os chifres dos animais são vendidos no Oriente Médio e na Ásia para a fabricação de remédios e ornamentos.

Bouts diz que é essencial tentar garantir a sobrevivência de uma população saudável no cativeiro.

“Não há muitos rinocerontes brancos do sul nos nossos zoológicos e, até o momento, a população ainda não é autossustentável, então cada bebê rinoceronte é muito importante”, ele explica.

O uso de técnicas de reprodução assistida em rinocerontes é bastante recente. O procedimento, criado pela equipe do Leibniz Institute, foi praticado pela primeira vez na Hungria, em 2006, mas está se tornando cada vez mais comum.

Falando à BBC, Hermes, um dos integrantes da equipe alemã, explica que o acesso limitado aos animais fez com que o processo de pesquisa fosse demorado.

“Hoje sabemos quando ocorre a ovulação, sabemos como obter o sêmen e, acima de tudo, conhecemos a anatomia e os instrumentos necessários para fazer uma inseminação, o que é muito específico no caso dos rinocerontes”.

‘Eletro-ejaculador’
O procedimento no Whipsnade Zoo demora algumas horas.

Primeiro, o macho é anestesiado e, após várias checagens, a equipe insere um “eletro-ejaculador” no ânus do rinoceronte. O aparelho produz um choque elétrico que leva o animal a produzir sêmen. O líquido é coletado pelos especialistas.

Em um microscópio, a equipe analisa o sêmen para ter certeza de que ele é saudável.

Nesse ponto, a fêmea, que foi tratada com hormônios para ovular naquele exato período, também é sedada.

Usando um aparelho ultrassom em 3D, a equipe examina os órgãos reprodutores da fêmea. No momento certo, o sêmen é injetado com o uso de uma sonda.

Além de aperfeiçoar esse método, a equipe alemã levou a reprodução assistida de rinocerontes ainda mais longe: os especialistas usaram sêmen congelado na inseminação.

No zoológico de Western Plains, na Austrália, a equipe criou um embrião de rinoceronte usando fertilização in vitro, embora o embrião não tenha sido implantado em uma fêmea.

Em outros países, cientistas tentam criar outros métodos para tentar salvar espécies de rinocerontes da extinção.

Um artigo publicado recentemente na revista científica Nature Methods relatou que cientistas estão cultivando células-tronco de rinocerontes brancos do norte — a espécie mais ameaçada de rinocerontes do mundo, com apenas sete indivíduos ainda vivos.

Os pesquisadores dizem que um dia essas células podem ser transformadas em células de espermatozoides e de óvulos para salvar a espécie da extinção.

Clonagem
Outros projetos, como o Ibream, investigam a possibilidade de clonar rinocerontes, um recurso extremo à medida que as populações da espécie diminuem dramaticamente.

Mas ainda levará muito tempo para que essas pesquisas produzam resultados concretos.

Por isso, a inseminação artificial é vista hoje como um recurso importante na luta para preservar as espécies.

No zoológico em Bedford, o procedimento de inseminação foi concluído. O efeito da anestesia vai passando, e os rinocerontes estão acordando aos poucos.

Resta à equipe aguardar, cheia de expectativa, os resultados.

Nas próximas semanas, os hormônios da fêmea serão monitorados para que os especialistas descubram se ela de fato engravidou.

Se o resultado for positivo, dentro de 16 meses os pesquisadores vão saber se conseguiram adicionar mais um rinoceronte branco à pequena população que habita o planeta.

 

Fonte: Da BBC


13 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Embrapa é a responsável por banco de material genético de animais selvagens da América Latina

O primeiro banco de material genético (germoplasma) de animais selvagens da América Latina está aos cuidados, a partir de quarta-feira (12), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Fundação Jardim Zoológico de Brasília era a depositária da unidade de conservação do material, mas um acordo possibilitou a cooperação técnica e a transferência dos germoplasmas.

A ação conjunta é um avanço no trabalho de conservação e pesquisa com animais silvestres e exóticos, em prática desde 2010. No acordo assinado, fica assegurado ao zoológico de Brasília, o acesso, em primeira mão, a qualquer material genético com vistas à conservação e pesquisa.

Com a tecnologia, poderá ser feita reprodução assistida de animais, que engloba a inseminação artificial, fertilização in vitro e transferência de embrião. O armazenamento das células-tronco possibilita, por exemplo, tratamento de animais, pesquisa e, caso necessário, a clonagem de animais. O material genético fica guardado em botijões de nitrogênio a 196 graus Celsius abaixo de zero.

A Embrapa já mantém um banco de germoplasma com maioria de espécies doméstica. Alexandre Floriani Ramos, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, disse que o foco é a conservação dos recursos genéticos, principalmente, de espécies ameaçadas. “O material estará resguardado para uso futuro em pesquisas ou na reintrodução dessas espécies, eventualmente extintas, na natureza”, completa.

O diretor-presidente do zoológico de Brasília, José Belarmino da Gama, comemora a parceria. “Tínhamos um custo muito elevado. Agora com o convênio com a Embrapa, que já fazem isso em animais de produção, poderemos ampliar esse trabalho sem custo para o zoológico”, afirma Belarmino.

Em quase um ano de projeto no zoológico, já foram coletados materiais genéticos de 21 animais, como lobo-guará, raposa, macaco-prego e tamanduá.

Fonte: Agência Brasil






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Inseminação artificial gera o primeiro bebê elefante em zoológico francês

Fêmea de 18 dias se chama Rungwe e dá passos iniciais ao lado da mãe.
Animais vivem na comuna de Saint-Aignan-sur-Cher, região central do país.

Bebê elefante (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Primeiro bebê elefante gerado por inseminação artificial é apresentado no Zoológico e Aquário de Beauval, na comuna francesa de Saint-Aignan-sur-Cher, região central do país. Em 2009, foram coletadas amostras de sêmen de dez machos na África do Sul e distribuídas a zoos europeus (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Bebê elefante (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Filhote da espécie africana é uma fêmea chamada Rungwe (em homenagem a um vulcão da Tanzânia), e nasceu no dia 20 de julho. A gestação da mãe, N'Dala, durou 23 meses. A população de elefantes na Europa está em declínio pelo envelhecimento e consequente redução da fertilidade (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Bebê elefante 3 (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Aos 18 dias de vida, elefante come com a mãe e se diverte no feno. Na 1ª medição, Rungwe tinha 150 kg e 1 metro de altura. Ela deve tomar de 10 a 12 litros de leite por dia durante 2 anos, mas já aos 6 meses serão incluídos aos poucos alguns vegetais na dieta. A espécie africana está ameaçada pela caça, comércio ilegal de marfim, agricultura e urbanização. Há 15 anos, havia só 40 mil indivíduos (Foto: Jean-François Monier/AFP)

Fonte: Globo Natureza


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Equipe faz inseminação artificial inédita em jaguatiricas no Brasil

Seis fêmeas receberam sêmen congelado durante procedimento no Paraná.
Técnica aumenta chances de evitar desaparecimento de espécies.

Pesquisadores brasileiros realizaram pela primeira vez no país um processo de inseminação artificial com sêmen congelado em seis fêmeas de jaguatirica (Leopardus pardalis), felino da Mata Atlântica que está na lista nacional dos animais ameaçados de extinção.

A experiência é parte de um estudo que tem o objetivo de melhorar o processo de reprodução de espécies em extinção em laboratório, o que aumentaria as chances de evitar o desaparecimento de exemplares.

Médicos veterinários, biólogos e outros profissionais ligados à Itaipu Binacional, empresa que administra a maior usina hidrelétrica do país, além de universidades do Paraná, participaram na última terça-feira (22) de procedimento de inseminação com sêmen congelado, chamado de “criopreservação de gametas”.

Três fêmeas foram levadas ao Hospital Veterinário mantido por Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Outros três espécimes já haviam passado pelo mesmo processo em outubro. Os seis animais receberam um tratamento denominado “sincronização de cio”, que induz a ovulação.

As jaguatiricas receberam material genético colhido de machos que vivem no mesmo ambiente. A técnica consiste em aplicar o sêmen congelado e verificar se houve a fecundação.

“A inseminação com jaguatiricas já foi feita em laboratórios dos Estados Unidos e do Japão, mas até hoje temos relatos de que apenas quatro processos deram certo. Só ocorreram quatro nascimentos”, disse Wanderlei de Moraes, médico veterinário da Itaipu Binacional.

Moraes afirma que o grande desafio do procedimento é manter características vitais para a reprodução no esperma congelado. O resfriamento provoca a perda de estruturas como o acrossoma, enzima presente no espermatozóide que é responsável por auxiliá-lo no rompimento da parede do óvulo.

“Quando congela (o espermatozóide) você perde essa característica. Estamos estudando meios de melhorar o processo de congelamento do sêmen e evitar esta perda”, afirma o especialista.

Ultrassom
Na segunda quinzena de dezembro, três jaguatiricas já inseminadas passarão por exame de ultrassom, que vai verificar o processo de gravidez. “Não sabemos quais são as chances da inseminação dar certo nas jaguatiricas, já que é algo novo. Mas a técnica já é difundida em bovinos e em 70% dos casos dá certo”, afirma.

O procedimento pode ser adaptado em outros felinos. “É uma ferramenta que nos auxilia a trabalhar contra a extinção dos animais por meio da utilização dos bancos genéticos. Mas para conseguirmos usá-los, é preciso conhecer procedimentos que dão certo. Se não estudarmos como eliminar os problemas em cada etapa, os genes de animais ficarão somente armazenados”.

Jaguatirica passa por processo de inseminação artificial com sêmen congelado, feito inédito no Brasil com esta espécie (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Jaguatirica passa por processo de inseminação artificial com sêmen congelado, feito inédito no Brasil com esta espécie (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Seis fêmeas receberam sêmen congelado de outros três espécimes machos. Em todo mundo, apenas quatro procedimentos geraram nascimentos (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Seis fêmeas receberam sêmen congelado de outros três espécimes machos. Em todo mundo, apenas quatro procedimentos geraram nascimentos (Foto: Divulgação/Caio Coronel/Itaipu Binacional)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


16 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Especialistas ajudam zoológicos a inseminar rinocerontes raros

Inseminação artificial é uma das soluções para salvar populações ameaçadas de extinção.

Um grupo de especialistas alemães vem visitando zoológicos em todo o mundo para ensinar profissionais locais a inseminar artificialmente rinocerontes raros.

Pesquisas recentes têm tentado usar células-tronco e até clonagem para salvar espécies — como o rinoceronte branco, por exemplo — seriamente ameaçadas de extinção.

Mas, enquanto os cientistas se esforçam para desenvolver essas técnicas, o serviço pioneiro de inseminação oferecido pela equipe do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research (IZW), na Alemanha, é tido cada vez mais como parte essencial das estratégias de conservação.

Em visita ao Whipsnade Zoo, em Bedfordshire, na Inglaterra, a equipe se prepara para examinar dois rinocerontes brancos do sul.

Uma variedade de equipamentos, como aparelhos de ultrassom e outros instrumentos, estão à disposição da equipe.

Os especialistas Thomas Hildebrandt, Robert Hermes e Joseph Saragusty querem ajudar o casal de rinocerontes a se reproduzir. O procedimento envolve coletar o sêmen do macho e inseri-lo na fêmea.

Tim Bouts, o veterinário do zoológico, explica que conceber naturalmente não é uma opção para a rinoceronte fêmea. Ela foi ferida no pé e, se um macho tentar se acasalar com ela, a fêmea pode se machucar seriamente.Bouts explica que o zoológico quer ajudar a aumentar o número de indivíduos da espécie.

Em seu habitat natural, populações de rinocerontes brancos do sul vêm sendo devastadas graças a um aumento na caça ilegal.

Rinocerontes brancos em zoológico inglês (Foto: BBC)

Rinocerontes brancos em zoológico inglês (Foto: BBC)

Na África do Sul, onde havia grandes concentrações dessa espécie, centenas de rinocerontes foram mortos recentemente por quadrilhas de criminosos.

Os chifres dos animais são vendidos no Oriente Médio e na Ásia para a fabricação de remédios e ornamentos.

Bouts diz que é essencial tentar garantir a sobrevivência de uma população saudável no cativeiro.

“Não há muitos rinocerontes brancos do sul nos nossos zoológicos e, até o momento, a população ainda não é autossustentável, então cada bebê rinoceronte é muito importante”, ele explica.

O uso de técnicas de reprodução assistida em rinocerontes é bastante recente. O procedimento, criado pela equipe do Leibniz Institute, foi praticado pela primeira vez na Hungria, em 2006, mas está se tornando cada vez mais comum.

Falando à BBC, Hermes, um dos integrantes da equipe alemã, explica que o acesso limitado aos animais fez com que o processo de pesquisa fosse demorado.

“Hoje sabemos quando ocorre a ovulação, sabemos como obter o sêmen e, acima de tudo, conhecemos a anatomia e os instrumentos necessários para fazer uma inseminação, o que é muito específico no caso dos rinocerontes”.

‘Eletro-ejaculador’
O procedimento no Whipsnade Zoo demora algumas horas.

Primeiro, o macho é anestesiado e, após várias checagens, a equipe insere um “eletro-ejaculador” no ânus do rinoceronte. O aparelho produz um choque elétrico que leva o animal a produzir sêmen. O líquido é coletado pelos especialistas.

Em um microscópio, a equipe analisa o sêmen para ter certeza de que ele é saudável.

Nesse ponto, a fêmea, que foi tratada com hormônios para ovular naquele exato período, também é sedada.

Usando um aparelho ultrassom em 3D, a equipe examina os órgãos reprodutores da fêmea. No momento certo, o sêmen é injetado com o uso de uma sonda.

Além de aperfeiçoar esse método, a equipe alemã levou a reprodução assistida de rinocerontes ainda mais longe: os especialistas usaram sêmen congelado na inseminação.

No zoológico de Western Plains, na Austrália, a equipe criou um embrião de rinoceronte usando fertilização in vitro, embora o embrião não tenha sido implantado em uma fêmea.

Em outros países, cientistas tentam criar outros métodos para tentar salvar espécies de rinocerontes da extinção.

Um artigo publicado recentemente na revista científica Nature Methods relatou que cientistas estão cultivando células-tronco de rinocerontes brancos do norte — a espécie mais ameaçada de rinocerontes do mundo, com apenas sete indivíduos ainda vivos.

Os pesquisadores dizem que um dia essas células podem ser transformadas em células de espermatozoides e de óvulos para salvar a espécie da extinção.

Clonagem
Outros projetos, como o Ibream, investigam a possibilidade de clonar rinocerontes, um recurso extremo à medida que as populações da espécie diminuem dramaticamente.

Mas ainda levará muito tempo para que essas pesquisas produzam resultados concretos.

Por isso, a inseminação artificial é vista hoje como um recurso importante na luta para preservar as espécies.

No zoológico em Bedford, o procedimento de inseminação foi concluído. O efeito da anestesia vai passando, e os rinocerontes estão acordando aos poucos.

Resta à equipe aguardar, cheia de expectativa, os resultados.

Nas próximas semanas, os hormônios da fêmea serão monitorados para que os especialistas descubram se ela de fato engravidou.

Se o resultado for positivo, dentro de 16 meses os pesquisadores vão saber se conseguiram adicionar mais um rinoceronte branco à pequena população que habita o planeta.

 

Fonte: Da BBC


13 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Embrapa é a responsável por banco de material genético de animais selvagens da América Latina

O primeiro banco de material genético (germoplasma) de animais selvagens da América Latina está aos cuidados, a partir de quarta-feira (12), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Fundação Jardim Zoológico de Brasília era a depositária da unidade de conservação do material, mas um acordo possibilitou a cooperação técnica e a transferência dos germoplasmas.

A ação conjunta é um avanço no trabalho de conservação e pesquisa com animais silvestres e exóticos, em prática desde 2010. No acordo assinado, fica assegurado ao zoológico de Brasília, o acesso, em primeira mão, a qualquer material genético com vistas à conservação e pesquisa.

Com a tecnologia, poderá ser feita reprodução assistida de animais, que engloba a inseminação artificial, fertilização in vitro e transferência de embrião. O armazenamento das células-tronco possibilita, por exemplo, tratamento de animais, pesquisa e, caso necessário, a clonagem de animais. O material genético fica guardado em botijões de nitrogênio a 196 graus Celsius abaixo de zero.

A Embrapa já mantém um banco de germoplasma com maioria de espécies doméstica. Alexandre Floriani Ramos, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, disse que o foco é a conservação dos recursos genéticos, principalmente, de espécies ameaçadas. “O material estará resguardado para uso futuro em pesquisas ou na reintrodução dessas espécies, eventualmente extintas, na natureza”, completa.

O diretor-presidente do zoológico de Brasília, José Belarmino da Gama, comemora a parceria. “Tínhamos um custo muito elevado. Agora com o convênio com a Embrapa, que já fazem isso em animais de produção, poderemos ampliar esse trabalho sem custo para o zoológico”, afirma Belarmino.

Em quase um ano de projeto no zoológico, já foram coletados materiais genéticos de 21 animais, como lobo-guará, raposa, macaco-prego e tamanduá.

Fonte: Agência Brasil