16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientista descobre nova espécie de inseto acidentalmente pela internet

‘Semachrysa jade’ foi batizado em homenagem à filha de pesquisador.
Animal se diferencia por mancha nas asas, que têm aparência de renda.

Uma nova espécie de inseto foi descoberta acidentalmente por um cientista australiano enquanto ele navegava pela internet.

O pesquisador Shaun Winterton, PhD em insetos pela Universidade de Queensland, na Austrália, e hoje funcionário do Departamento de Alimentos e Agricultura da Califórnia, nos Estados Unidos, trafegava pela rede quando se deparou com uma imagem do animal no Flickr, famoso site de compartilhamento de fotos.

A nova espécie, batizada de Semachrysa jade em homenagem à filha do pesquisador, foi registrada na última edição da revista internacional “ZooKeys”, lançada no dia 7 de agosto.

O autor das imagens, Guek Hock Ping, foi contatado por e-mail pelo cientista australiano. Em um primeiro momento, Ping não foi capaz de encontrar novamente o animal no lugar onde ele fez as fotos, uma área de floresta no estado de Sabah, o segundo maior da Malásia.

Foi só depois de um ano que o fotógrafo voltou a fazer contato com Winterton, com mais informações e imagens da espécie. O estudo da “ZooKeys” é assinado em conjunto pelos dois e por um pesquisador do Museu de História Nacional de Londres, Stephen Brooks, que confirmou que bicho descoberto era inédito.

O grupo a que pertence o inseto, conhecido como Chrysoperla, tem aparência delicada e grandes asas que parecem feitas de renda. Apenas insetos fêmeas foram achados pelos pesquisadores na floresta da Malásia.

O estudo afirma que o animal possui pelo menos 1,2 mil espécies “parentes”, em 80 gêneros registrados.O padrão de mancha escura nas asas do bicho, oscilando entre o preto e o azul, é o que chamou a atenção dos pesquisadores. Outro fator que distingue a nova espécie são duas marcas na base das suas antenas.

No Brasil, animais semelhantes são chamados de crisopídeos ou “bichos-lixeiros” e são encontrados em vários ecossistemas, incluindo a Mata Atlântica. Espécies deste grupo costumam se alimentar de plantas, mas podem devorar também outros insetos, principalmente na fase de larva.

Novo inseto natural da Malásia foi encontrado por cientista 'de bobeira' na internet (Foto: Reprodução/ZooKeys)

Inseto natural da Malásia foi identificado por cientista 'de bobeira' na internet (Foto: Reprodução/"ZooKeys")

Fonte: Globo Natureza


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Grilo usa ‘cri-cri’ como marketing pessoal para atrair fêmea, diz estudo

Inseto menor ‘se esforça’ para emitir som igual ao de grilos maiores.
Estudo foi publicado na edição desta semana da revista ‘PNAS.

Cientistas do Reino Unido e da Índia investigaram o “cri-cri” emitido pelos grilos e verificaram que o potente barulho – proveniente de um inseto pequeno – não é apenas um chamado à reprodução, mas funcionaria como uma propaganda do macho para a fêmea.

Por possuírem asas exclusivas  — que emitem som quando esfregadas — os grilos machos “cantarolam” para atrair a atenção das fêmeas. Analisando esse som, os cientistas detectaram uma diferença no tom musical.

Os pesquisadores captaram frequências entre 2,3 e 3,7 kHz. Em princípio, achava-se que as frequências maiores seriam emitidas apenas por exemplares grandes. Mas simulações feitas em computador apontaram que grilos menores também alcançam sons altos se esfregarem as asas com maior intensidade.

De acordo com Rex Cocroft, um dos autores do estudo, isto pode modificar a dinâmica de escolha do parceiro. Para os cientistas, quanto mais rápido for o canto, ou seja, quanto maior for a frequência, mais chances de sucesso tem o grilo na conquista da fêmea. Agora, os pesquisadores querem descobrir o significado dos cantos.

O estudo foi publicado nesta semana na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”.

grilo polinizador (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)

Asas exclusivas permitem ao grilo emitir sons para atrair fêmeas. (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Borrachudos podem ajudar no tratamento de inflamações

Cientistas descobrem uma proteína presente na saliva do inseto que, além de anticoagulante, ajuda a regular o processo de inflamação no organismo

Cientistas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, encontraram uma utilidade para os borrachudos, conhecidos pela picada dolorida. Os pesquisadores descobriram que os insetos podem ajudar no combate ao processo de inflamação. O trabalho foi publicado no periódico PLoS One.

Para que os insetos se alimentem do sangue humano, eles precisam superar uma série de mecanismos de defesa do organismo presentes no sangue. Por exemplo, a saliva desses insetos possui anticoagulantes para aumentar a velocidade do fluxo de sangue no local da picada.

A equipe do entomologista Don Champagne descobriu que uma proteína presente na saliva do inseto e que inibe a formação de coágulo no sangue também controla o processo de inflamação por meio de duas enzimas, a elastase e a catepsina G.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode abrir caminho para a criação de medicamentos para tratar, por exemplo, pacientes que se recuperam de doenças do coração. “A inflamação é uma das principais causas de lesão nos tecidos em doenças vasculares”, disse Champagne. “A ideia de um único fator capaz de inibir o coágulo e a inflamação ao mesmo tempo é muito interessante e inovadora.”

Saiba mais

BORRACHUDOS
Os borrachudos são pequenos insetos voadores da família Simuliidae. Gostam de locais úmidos, de preferência próximos a riachos e cachoeiras. Impressionam pela quantidade e pela picada, que pode causar alergia. O borrachudo transmite a oncocercose, uma doença parasitária que causa lesões na pele e secreção nos olhos.

ELASTASE
A elastase é uma enzima responsável pela degradação das fibras elásticas. Ela ajuda a determinar as propriedades do tecido conjuntivo, que dá sustentação e preenchimento ao corpo humano.

CATEPSINA
As catepsinas são proteínas que quebram outras proteínas e são encontradas em todos os animais.

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem inseto cego que vive quase 2.000 metros abaixo da superfície

Nenhum outro animal terrestre, segundo os pesquisadores, vive a uma profundidade tão grande. Outras três novas espécies também foram catalogadas durante expedição

Pesquisadores espanhóis identificaram um inseto que vive na maior profundidade já registrada entre os animais terrestres: 1.980 metros abaixo da superfície. O artrópode, de nome científicoPlutomurus ortobalaganensis, não tem asas nem olhos e vive em total escuridão.

O animal foi descoberto durante uma expedição realizada em 2010 pelos pesquisadores Sofia Reboleira, da Universidade de Aveiro, em Portugal, e Alberto Sendra, do Museu de Ciências Naturais de Valência, na Espanha, pela caverna Krubera. Localizada na região de Abecásia, próxima ao Mar Negro, ela é a única caverna do mundo com mais de dois quilômetros de profundidade.

Os pesquisadores encontraram ainda outras três novas espécies de insetos: Anurida stereoodorataDeuteraphorura kruberaensis e Schaefferia profundissima. Os zoólogos Rafael Jordana e Enrique Baquero, da Universidade de Navarra, na Espanha, são os responsáveis por identificar e descrever as espécies. A descoberta foi descrita em artigo publicado na revistaTerrestrial Arthropod Reviews.

Os quatros animais descobertos desenvolveram características específicas para sobreviver em condições extremas, como ausência total de luz e baixa disponibilidade de recursos alimentares. “Em resposta a estas condições, nenhum dos animais possuem olhos ou pigmento”, diz Enrique Baquero. “Eles se alimentam de fungos que crescem sobre a matéria orgânica das cavernas.”

Plutomurus ortobalaganensis

Espécie descoberta na caverna Krubera, próxima ao Mar Negro, catalogada cientificamente como Plutomurus ortobalaganensis (Universidade de Navarra)

Fonte: Veja Ciência


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de inseto em miniatura é encontrada na América Central

Parente do gafanhoto, “Ripipteryx” mede apenas 5 mm e tem pernas longas.
Pouco é conhecido sobre o inseto e não existem muitas espécies catalogadas.

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede apenas 5 mm de comprimento (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede só 5 mm (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Uma espécie de inseto em miniatura foi encontrada no Belize, na América Central. Nomeado de Ripipteryx mopana, ele é parente do gafanhoto e mede apenas 5 mm de comprimento. Tem pernas longas, que usa para pular e escapar de predadores, e cores preto, branco e laranja.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e publicada no jornal científico “Zookeys”.

“Considerando a quantidade de habitats de alta qualidade na região, não é uma surpresa que existam novas espécies para serem descobertas, especialmente nas áreas menos exploradas”, disse Sam Heads, coordenador da pesquisa que encontrou o inseto, em material de divulgação.

De acordo com o cientista, muito pouco é conhecido sobre esse tipo de inseto e ainda há um longo caminho a percorrer. Apenas raramente ele seria coletado pelos cientistas. Na América Latina existem apenas 44 espécies catalogadas e este é o primeiro parente em miniatura do gafanhoto encontrado no Belize.

O nome “mopana” foi dado em homenagem ao povo maia “Mopan”, que vivia no sul do Belize, onde o inseto foi encontrado.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


19 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

SUBSTÂNCIA ELIMINA O PROTOZOÁRIO DA LEISHMANIOSE

A leishmaniose deixou de ser uma doença de ocorrência apenas em áreas consideradas remotas. Nos últimos 30 anos, a mazela avançou sobre os centros urbanos e hoje se encontra fora de controle no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia de sua gravidade e do seu avanço no país, a enfermidade é um dos maiores problemas de saúde pública do estado do Pará e já chegou ao Sul — região antes considerada de difícil adaptação dos insetos transmissores, por conta das baixas temperaturas. Além da transmissão descontrolada, outro problema, talvez ainda mais grave, aflige a sociedade: a falta de um tratamento adequado e eficaz contra a doença. A saída, porém, pode estar na própria natureza, mais especificamente, nas costas de anfíbios. Uma pesquisa brasileira indica que uma substância encontrada na secreção desses animais tem ação potente contra o protozoário que provoca o mal.

A descoberta foi feita por José Roberto Leite, coordenador da equipe do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia da Universidade Federal do Piauí (Biotec/UFPI), após testar a substância em células infectadas pela leishmania. “Entre dezenas de outras substâncias testadas, encontramos uma que pode dar origem a um fármaco muito mais eficaz que os existentes hoje”, afirma o pesquisador. A molécula se destacou contra a leishmaniose tegumentar, tipo da doença que se manifesta na pele.

A substância à qual Leite se refere é a dermaseptina 01, e foi extraída da secreção produzida pela Phyllomedusa nordestina, perereca de cerca de 5cm de comprimento muito comum no Delta do Parnaíba, no Piauí. Segundo o pesquisador, o líquido extraído do dorso do animal tem alto poder antimicrobiano, sendo capaz de protegê-lo de bactérias e fungos. O ambiente úmido e cheio de matéria orgânica em que os anfíbios estão imersos na quase totalidade de sua vida é ideal para a proliferação de bactérias comensais, que vivem na parte externa do corpo dos animais. Assim, o desenvolvimento de um sistema imunológico eficaz foi essencial para o sucesso evolutivo de espécies da ordem dos anuros — sapos, rãs e pererecas.

Sabendo disso, os cientistas focaram os estudos na identificação das substâncias presentes na secreção e na forma como elas atuam sobre micro-organismos patogênicos. “A ideia é conhecer essas substâncias antimicrobianas, sua estrutura molecular, e tentar mimetizar seus efeitos antibióticos contra bactérias patogênicas ao homem”, descreve Leite. Esse esforço de prospecção se iniciou em 2002, com anfíbios do Cerrado, quando o especialista integrava uma equipe de pesquisadores na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Pouco tóxica
Os anfíbios possuem em sua região dorsal uma série de glândulas granulares, especializadas na produção de veneno. Leite explica que essas estruturas produzem diversas classes de moléculas de interesse, principalmente peptídeos — biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos. No caso da Phyllomedusa nordestina, há mais de 20 substâncias no peptídeo que foram isoladas e estudadas uma a uma.

A identificação da ação da dermaseptina 01 foi feita depois de ser testada nas células infectadas pela leishmaniose. Em 24 horas, a substância conseguiu acabar com o protozoário da doença. “Essas moléculas têm se mostrado muito potentes contra a leishmaniose tegumentar, além de apresentar menos efeitos colaterais contra células humanas, ou seja, baixa toxicidade”, afirma o coordenador da Biotec.

A toxicidade é um dos gargalos no tratamento contra a leishmaniose no mundo. Os dois únicos remédios existentes contra a doença trazem efeitos colaterais extremamente prejudiciais ao homem. Para se ter uma ideia do nível tóxico de tais medicamentos, o índice de mortalidade de pacientes que fizeram uso do tratamento é entre 5% a 20%. “Por isso, a dermaseptina 01 tem nos dado a expectativa de que, a partir dela, possam surgir uma classe de medicamentos eficazes contra a doença”, acredita Leite.
Nanoestruturas

Para que essa substância se torne mais eficaz contra a doença, os pesquisadores criaram nanofilmes com espessuras semelhantes a uma membrana natural que, aplicada sobre a pele, libera aos poucos a dermaseptina 01. “Para atacar a célula, a dermaseptina 01 tem de atravessar a parede celular. Assim como nos nanofilmes artificiais, já podemos analisar como se dá o processo na membrana celular da leishmania”, explica Valtencir Zucolotto, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e coordenador da rede Nanobiomed, que estuda plataformas nanotecnológicas aplicadas à medicina.

No Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia, no Piauí, os cientistas desenvolveram um tipo de nanofilme feito da goma de cajueiro, na qual a substância pode ser inserida para chegar à célula e combater o protozoário. “Pretendemos utilizar esse material de caráter regional como uma membrana antiparasitária em feridas de pacientes com leishmaniose cutânea, aproveitando, além das propriedades do peptídeo, os efeitos da goma de cajueiro purificada que possui atividade antimicrobiana e antioxidante, já comprovadas por outros trabalhos de nosso grupo”, completa Leite.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e doutor em saúde pública pela Universidade de Harvard, Carlos Henrique Costa, mostra-se animado com os resultados da pesquisa e acredita que o estudo dos peptídeos possa originar novos medicamentos, sobretudo contra outras doenças tropicais. “Os anfíbios conseguiram sobreviver às grandes catástrofes, muito por conta dos peptídeos que eles produzem — inimigos naturais dos micro-organismos patogênicos.”

Costa ressalta a importância de pesquisas sobre a leishmaniose por causa da transmissão descontrolada, já que o inseto transmissor da doença se ada pta bem às condições urbanas. “Ele pode se transforma no novo Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue) muito mais rapidamente do que imaginamos”, alerta. “Toda pesquisa em busca de produtos farmacológicos traz esperança, pois não temos como combater a doença, que está se expandindo”, enfatiza o presidente da SBMT.

Tipos
A leishmaniose pode ser do tipo tegumentar e visceral. No primeiro caso, provoca lesões na pele e, em casos mais graves, ataca as mucosas do rosto, como nariz e lábios (leishmaniose mucosa). A manifestação visceral afeta os órgãos internos, causando febre, emagrecimento, anemia, aumento do fígado e do baço e imunodeficiência (diminuição da capacidade de defesa do organismo contra outros micróbios).

Fonte: Correio Braziliense
Edição: Assessoria de Comunicação CFMV



6 de maio de 2011 | nenhum comentário »

‘Soldadinho’ ajuda a desvendar evolução de asas dos insetos

Formato de estrutura na cabeça dos animais intriga cientistas.
Estrutura pode ser asa que não é usada para o voo.

Eles são mestres do disfarce. Conhecidos popularmente no Brasil como “soldadinhos”, os insetos da família Membracidae são parentes das cigarras e intrigam os cientistas há anos pelas variadas formas de seus “capacetes” – estruturas na parte de cima de seus tórax.

Agora, um estudo da revista “Nature” propõe que esse segmento de formato estranho pode ser, na verdade, um terceiro par de asas que não é usado para voar. Isso pode ajudar os pesquisadores a desvendar como ocorreu a evolução dos insetos.

As asas dos insetos geralmente surgem do segundo ou do terceiro segmentos do tórax desses animais. Os cientistas acreditavam que elas nunca vinham do primeiro. No entanto, a equipe do pesquisador francês Benjamim Prud’homme, do Instituto de Biologia de Marselhe, acredita que os “soldadinhos” sejam a exceção a essa regra.
Estrutura acima da cabeça pode ser espécie de 'asa'  (Foto: Nature)

Estrutura acima da cabeça pode ser espécie de ‘asa’ (Foto: Nature)

Estrutura ocorre em formatos, cores e tamanhos diferentes  (Foto: Nature)

Estrutura ocorre em formatos, cores e tamanhos diferentes (Foto: Nature)

Fonte: Do G1, em São Paulo.






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16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientista descobre nova espécie de inseto acidentalmente pela internet

‘Semachrysa jade’ foi batizado em homenagem à filha de pesquisador.
Animal se diferencia por mancha nas asas, que têm aparência de renda.

Uma nova espécie de inseto foi descoberta acidentalmente por um cientista australiano enquanto ele navegava pela internet.

O pesquisador Shaun Winterton, PhD em insetos pela Universidade de Queensland, na Austrália, e hoje funcionário do Departamento de Alimentos e Agricultura da Califórnia, nos Estados Unidos, trafegava pela rede quando se deparou com uma imagem do animal no Flickr, famoso site de compartilhamento de fotos.

A nova espécie, batizada de Semachrysa jade em homenagem à filha do pesquisador, foi registrada na última edição da revista internacional “ZooKeys”, lançada no dia 7 de agosto.

O autor das imagens, Guek Hock Ping, foi contatado por e-mail pelo cientista australiano. Em um primeiro momento, Ping não foi capaz de encontrar novamente o animal no lugar onde ele fez as fotos, uma área de floresta no estado de Sabah, o segundo maior da Malásia.

Foi só depois de um ano que o fotógrafo voltou a fazer contato com Winterton, com mais informações e imagens da espécie. O estudo da “ZooKeys” é assinado em conjunto pelos dois e por um pesquisador do Museu de História Nacional de Londres, Stephen Brooks, que confirmou que bicho descoberto era inédito.

O grupo a que pertence o inseto, conhecido como Chrysoperla, tem aparência delicada e grandes asas que parecem feitas de renda. Apenas insetos fêmeas foram achados pelos pesquisadores na floresta da Malásia.

O estudo afirma que o animal possui pelo menos 1,2 mil espécies “parentes”, em 80 gêneros registrados.O padrão de mancha escura nas asas do bicho, oscilando entre o preto e o azul, é o que chamou a atenção dos pesquisadores. Outro fator que distingue a nova espécie são duas marcas na base das suas antenas.

No Brasil, animais semelhantes são chamados de crisopídeos ou “bichos-lixeiros” e são encontrados em vários ecossistemas, incluindo a Mata Atlântica. Espécies deste grupo costumam se alimentar de plantas, mas podem devorar também outros insetos, principalmente na fase de larva.

Novo inseto natural da Malásia foi encontrado por cientista 'de bobeira' na internet (Foto: Reprodução/ZooKeys)

Inseto natural da Malásia foi identificado por cientista 'de bobeira' na internet (Foto: Reprodução/"ZooKeys")

Fonte: Globo Natureza


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Grilo usa ‘cri-cri’ como marketing pessoal para atrair fêmea, diz estudo

Inseto menor ‘se esforça’ para emitir som igual ao de grilos maiores.
Estudo foi publicado na edição desta semana da revista ‘PNAS.

Cientistas do Reino Unido e da Índia investigaram o “cri-cri” emitido pelos grilos e verificaram que o potente barulho – proveniente de um inseto pequeno – não é apenas um chamado à reprodução, mas funcionaria como uma propaganda do macho para a fêmea.

Por possuírem asas exclusivas  — que emitem som quando esfregadas — os grilos machos “cantarolam” para atrair a atenção das fêmeas. Analisando esse som, os cientistas detectaram uma diferença no tom musical.

Os pesquisadores captaram frequências entre 2,3 e 3,7 kHz. Em princípio, achava-se que as frequências maiores seriam emitidas apenas por exemplares grandes. Mas simulações feitas em computador apontaram que grilos menores também alcançam sons altos se esfregarem as asas com maior intensidade.

De acordo com Rex Cocroft, um dos autores do estudo, isto pode modificar a dinâmica de escolha do parceiro. Para os cientistas, quanto mais rápido for o canto, ou seja, quanto maior for a frequência, mais chances de sucesso tem o grilo na conquista da fêmea. Agora, os pesquisadores querem descobrir o significado dos cantos.

O estudo foi publicado nesta semana na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”.

grilo polinizador (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)

Asas exclusivas permitem ao grilo emitir sons para atrair fêmeas. (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Borrachudos podem ajudar no tratamento de inflamações

Cientistas descobrem uma proteína presente na saliva do inseto que, além de anticoagulante, ajuda a regular o processo de inflamação no organismo

Cientistas da Universidade da Georgia, nos Estados Unidos, encontraram uma utilidade para os borrachudos, conhecidos pela picada dolorida. Os pesquisadores descobriram que os insetos podem ajudar no combate ao processo de inflamação. O trabalho foi publicado no periódico PLoS One.

Para que os insetos se alimentem do sangue humano, eles precisam superar uma série de mecanismos de defesa do organismo presentes no sangue. Por exemplo, a saliva desses insetos possui anticoagulantes para aumentar a velocidade do fluxo de sangue no local da picada.

A equipe do entomologista Don Champagne descobriu que uma proteína presente na saliva do inseto e que inibe a formação de coágulo no sangue também controla o processo de inflamação por meio de duas enzimas, a elastase e a catepsina G.

Os cientistas acreditam que a descoberta pode abrir caminho para a criação de medicamentos para tratar, por exemplo, pacientes que se recuperam de doenças do coração. “A inflamação é uma das principais causas de lesão nos tecidos em doenças vasculares”, disse Champagne. “A ideia de um único fator capaz de inibir o coágulo e a inflamação ao mesmo tempo é muito interessante e inovadora.”

Saiba mais

BORRACHUDOS
Os borrachudos são pequenos insetos voadores da família Simuliidae. Gostam de locais úmidos, de preferência próximos a riachos e cachoeiras. Impressionam pela quantidade e pela picada, que pode causar alergia. O borrachudo transmite a oncocercose, uma doença parasitária que causa lesões na pele e secreção nos olhos.

ELASTASE
A elastase é uma enzima responsável pela degradação das fibras elásticas. Ela ajuda a determinar as propriedades do tecido conjuntivo, que dá sustentação e preenchimento ao corpo humano.

CATEPSINA
As catepsinas são proteínas que quebram outras proteínas e são encontradas em todos os animais.

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies

O borrachudo é o nome popular de um pequeno mosquito que vive em regiões úmidas. No Brasil, são 50 espécies (Thinkstock)

Fonte: Veja Ciência


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem inseto cego que vive quase 2.000 metros abaixo da superfície

Nenhum outro animal terrestre, segundo os pesquisadores, vive a uma profundidade tão grande. Outras três novas espécies também foram catalogadas durante expedição

Pesquisadores espanhóis identificaram um inseto que vive na maior profundidade já registrada entre os animais terrestres: 1.980 metros abaixo da superfície. O artrópode, de nome científicoPlutomurus ortobalaganensis, não tem asas nem olhos e vive em total escuridão.

O animal foi descoberto durante uma expedição realizada em 2010 pelos pesquisadores Sofia Reboleira, da Universidade de Aveiro, em Portugal, e Alberto Sendra, do Museu de Ciências Naturais de Valência, na Espanha, pela caverna Krubera. Localizada na região de Abecásia, próxima ao Mar Negro, ela é a única caverna do mundo com mais de dois quilômetros de profundidade.

Os pesquisadores encontraram ainda outras três novas espécies de insetos: Anurida stereoodorataDeuteraphorura kruberaensis e Schaefferia profundissima. Os zoólogos Rafael Jordana e Enrique Baquero, da Universidade de Navarra, na Espanha, são os responsáveis por identificar e descrever as espécies. A descoberta foi descrita em artigo publicado na revistaTerrestrial Arthropod Reviews.

Os quatros animais descobertos desenvolveram características específicas para sobreviver em condições extremas, como ausência total de luz e baixa disponibilidade de recursos alimentares. “Em resposta a estas condições, nenhum dos animais possuem olhos ou pigmento”, diz Enrique Baquero. “Eles se alimentam de fungos que crescem sobre a matéria orgânica das cavernas.”

Plutomurus ortobalaganensis

Espécie descoberta na caverna Krubera, próxima ao Mar Negro, catalogada cientificamente como Plutomurus ortobalaganensis (Universidade de Navarra)

Fonte: Veja Ciência


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nova espécie de inseto em miniatura é encontrada na América Central

Parente do gafanhoto, “Ripipteryx” mede apenas 5 mm e tem pernas longas.
Pouco é conhecido sobre o inseto e não existem muitas espécies catalogadas.

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede apenas 5 mm de comprimento (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Ripipteryx mopana, parente do gafanhoto, mede só 5 mm (Foto: Sam W. Heads, Steven J. Taylor)

Uma espécie de inseto em miniatura foi encontrada no Belize, na América Central. Nomeado de Ripipteryx mopana, ele é parente do gafanhoto e mede apenas 5 mm de comprimento. Tem pernas longas, que usa para pular e escapar de predadores, e cores preto, branco e laranja.

A descoberta foi feita por cientistas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, e publicada no jornal científico “Zookeys”.

“Considerando a quantidade de habitats de alta qualidade na região, não é uma surpresa que existam novas espécies para serem descobertas, especialmente nas áreas menos exploradas”, disse Sam Heads, coordenador da pesquisa que encontrou o inseto, em material de divulgação.

De acordo com o cientista, muito pouco é conhecido sobre esse tipo de inseto e ainda há um longo caminho a percorrer. Apenas raramente ele seria coletado pelos cientistas. Na América Latina existem apenas 44 espécies catalogadas e este é o primeiro parente em miniatura do gafanhoto encontrado no Belize.

O nome “mopana” foi dado em homenagem ao povo maia “Mopan”, que vivia no sul do Belize, onde o inseto foi encontrado.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


19 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

SUBSTÂNCIA ELIMINA O PROTOZOÁRIO DA LEISHMANIOSE

A leishmaniose deixou de ser uma doença de ocorrência apenas em áreas consideradas remotas. Nos últimos 30 anos, a mazela avançou sobre os centros urbanos e hoje se encontra fora de controle no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia de sua gravidade e do seu avanço no país, a enfermidade é um dos maiores problemas de saúde pública do estado do Pará e já chegou ao Sul — região antes considerada de difícil adaptação dos insetos transmissores, por conta das baixas temperaturas. Além da transmissão descontrolada, outro problema, talvez ainda mais grave, aflige a sociedade: a falta de um tratamento adequado e eficaz contra a doença. A saída, porém, pode estar na própria natureza, mais especificamente, nas costas de anfíbios. Uma pesquisa brasileira indica que uma substância encontrada na secreção desses animais tem ação potente contra o protozoário que provoca o mal.

A descoberta foi feita por José Roberto Leite, coordenador da equipe do Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia da Universidade Federal do Piauí (Biotec/UFPI), após testar a substância em células infectadas pela leishmania. “Entre dezenas de outras substâncias testadas, encontramos uma que pode dar origem a um fármaco muito mais eficaz que os existentes hoje”, afirma o pesquisador. A molécula se destacou contra a leishmaniose tegumentar, tipo da doença que se manifesta na pele.

A substância à qual Leite se refere é a dermaseptina 01, e foi extraída da secreção produzida pela Phyllomedusa nordestina, perereca de cerca de 5cm de comprimento muito comum no Delta do Parnaíba, no Piauí. Segundo o pesquisador, o líquido extraído do dorso do animal tem alto poder antimicrobiano, sendo capaz de protegê-lo de bactérias e fungos. O ambiente úmido e cheio de matéria orgânica em que os anfíbios estão imersos na quase totalidade de sua vida é ideal para a proliferação de bactérias comensais, que vivem na parte externa do corpo dos animais. Assim, o desenvolvimento de um sistema imunológico eficaz foi essencial para o sucesso evolutivo de espécies da ordem dos anuros — sapos, rãs e pererecas.

Sabendo disso, os cientistas focaram os estudos na identificação das substâncias presentes na secreção e na forma como elas atuam sobre micro-organismos patogênicos. “A ideia é conhecer essas substâncias antimicrobianas, sua estrutura molecular, e tentar mimetizar seus efeitos antibióticos contra bactérias patogênicas ao homem”, descreve Leite. Esse esforço de prospecção se iniciou em 2002, com anfíbios do Cerrado, quando o especialista integrava uma equipe de pesquisadores na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Pouco tóxica
Os anfíbios possuem em sua região dorsal uma série de glândulas granulares, especializadas na produção de veneno. Leite explica que essas estruturas produzem diversas classes de moléculas de interesse, principalmente peptídeos — biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos. No caso da Phyllomedusa nordestina, há mais de 20 substâncias no peptídeo que foram isoladas e estudadas uma a uma.

A identificação da ação da dermaseptina 01 foi feita depois de ser testada nas células infectadas pela leishmaniose. Em 24 horas, a substância conseguiu acabar com o protozoário da doença. “Essas moléculas têm se mostrado muito potentes contra a leishmaniose tegumentar, além de apresentar menos efeitos colaterais contra células humanas, ou seja, baixa toxicidade”, afirma o coordenador da Biotec.

A toxicidade é um dos gargalos no tratamento contra a leishmaniose no mundo. Os dois únicos remédios existentes contra a doença trazem efeitos colaterais extremamente prejudiciais ao homem. Para se ter uma ideia do nível tóxico de tais medicamentos, o índice de mortalidade de pacientes que fizeram uso do tratamento é entre 5% a 20%. “Por isso, a dermaseptina 01 tem nos dado a expectativa de que, a partir dela, possam surgir uma classe de medicamentos eficazes contra a doença”, acredita Leite.
Nanoestruturas

Para que essa substância se torne mais eficaz contra a doença, os pesquisadores criaram nanofilmes com espessuras semelhantes a uma membrana natural que, aplicada sobre a pele, libera aos poucos a dermaseptina 01. “Para atacar a célula, a dermaseptina 01 tem de atravessar a parede celular. Assim como nos nanofilmes artificiais, já podemos analisar como se dá o processo na membrana celular da leishmania”, explica Valtencir Zucolotto, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) e coordenador da rede Nanobiomed, que estuda plataformas nanotecnológicas aplicadas à medicina.

No Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Biotecnologia, no Piauí, os cientistas desenvolveram um tipo de nanofilme feito da goma de cajueiro, na qual a substância pode ser inserida para chegar à célula e combater o protozoário. “Pretendemos utilizar esse material de caráter regional como uma membrana antiparasitária em feridas de pacientes com leishmaniose cutânea, aproveitando, além das propriedades do peptídeo, os efeitos da goma de cajueiro purificada que possui atividade antimicrobiana e antioxidante, já comprovadas por outros trabalhos de nosso grupo”, completa Leite.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT) e doutor em saúde pública pela Universidade de Harvard, Carlos Henrique Costa, mostra-se animado com os resultados da pesquisa e acredita que o estudo dos peptídeos possa originar novos medicamentos, sobretudo contra outras doenças tropicais. “Os anfíbios conseguiram sobreviver às grandes catástrofes, muito por conta dos peptídeos que eles produzem — inimigos naturais dos micro-organismos patogênicos.”

Costa ressalta a importância de pesquisas sobre a leishmaniose por causa da transmissão descontrolada, já que o inseto transmissor da doença se ada pta bem às condições urbanas. “Ele pode se transforma no novo Aedes aegypti (mosquito transmissor da dengue) muito mais rapidamente do que imaginamos”, alerta. “Toda pesquisa em busca de produtos farmacológicos traz esperança, pois não temos como combater a doença, que está se expandindo”, enfatiza o presidente da SBMT.

Tipos
A leishmaniose pode ser do tipo tegumentar e visceral. No primeiro caso, provoca lesões na pele e, em casos mais graves, ataca as mucosas do rosto, como nariz e lábios (leishmaniose mucosa). A manifestação visceral afeta os órgãos internos, causando febre, emagrecimento, anemia, aumento do fígado e do baço e imunodeficiência (diminuição da capacidade de defesa do organismo contra outros micróbios).

Fonte: Correio Braziliense
Edição: Assessoria de Comunicação CFMV



6 de maio de 2011 | nenhum comentário »

‘Soldadinho’ ajuda a desvendar evolução de asas dos insetos

Formato de estrutura na cabeça dos animais intriga cientistas.
Estrutura pode ser asa que não é usada para o voo.

Eles são mestres do disfarce. Conhecidos popularmente no Brasil como “soldadinhos”, os insetos da família Membracidae são parentes das cigarras e intrigam os cientistas há anos pelas variadas formas de seus “capacetes” – estruturas na parte de cima de seus tórax.

Agora, um estudo da revista “Nature” propõe que esse segmento de formato estranho pode ser, na verdade, um terceiro par de asas que não é usado para voar. Isso pode ajudar os pesquisadores a desvendar como ocorreu a evolução dos insetos.

As asas dos insetos geralmente surgem do segundo ou do terceiro segmentos do tórax desses animais. Os cientistas acreditavam que elas nunca vinham do primeiro. No entanto, a equipe do pesquisador francês Benjamim Prud’homme, do Instituto de Biologia de Marselhe, acredita que os “soldadinhos” sejam a exceção a essa regra.
Estrutura acima da cabeça pode ser espécie de 'asa'  (Foto: Nature)

Estrutura acima da cabeça pode ser espécie de ‘asa’ (Foto: Nature)

Estrutura ocorre em formatos, cores e tamanhos diferentes  (Foto: Nature)

Estrutura ocorre em formatos, cores e tamanhos diferentes (Foto: Nature)

Fonte: Do G1, em São Paulo.