4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Investimentos em energia limpa cresceram 30% no mundo em 2010

Agência aponta necessidade de políticas mais agressivas.

Dois relatórios recém-lançados mostram que a energia limpa ganhou mais espaço no mundo na última década, com destaque para as modalidades solar e eólica, mas o esforço para reduzir a predominância dos combustíveis fósseis precisará de políticas mais “agressivas”, que incluem a redução dos subsídios aos derivados de petróleo e o aumento aos incentivos governamentais para a produção de formas de energia menos poluentes. A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts, que apresentou no dia 29 de março a edição 2010 do relatório “Who’s Winning the Clean Energy Race?” (Quem está vencendo a corrida da energia limpa?), revela que houve um crescimento mundial dos investimentos do setor de energia limpa de 30% entre 2009 e 2010, atingindo a marca de US$ 243 bilhões.

Total aplicado no setor chegou a US$ 243 bi ano passado. O documento “Clean Energy Progress Report” (Relatório sobre o progresso da energia limpa), divulgado em 6 de abril pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), destaca a importância conquistada na última década por algumas tecnologias de energia renovável, ao ponto de se tornarem mais competitivas que algumas das tecnologias convencionais. Entretanto, a IEA pondera que os custos da maioria das inovações tecnológicas ainda superam aqueles relacionados aos combustíveis fósseis, que receberam US$ 312 bilhões em subsídios em 2009, contra apenas US$ 57 bilhões para energias renováveis.

Para a Agência, uma “revolução da energia limpa” pode ser alcançada com uma ampla política de estímulo. “Ao longo das últimas duas décadas, vários países conseguiram promover alterações dramáticas em seus mercados energéticos. A chave para o sucesso tem sido a criação de uma abordagem estratégica e compreensiva que informe o público sobre segurança energética, crescimento econômico e benefícios ambientais dos investimentos em energia limpa”, informa o texto.

Vice-liderança brasileira entre os emergentes – O Brasil tem conquistado destaque nesse cenário, registrando US$ 7,6 bilhões em investimentos em energia limpa em 2010. Com isso, o País ficou na sexta posição entre os países do G-20 e em segundo lugar entre os emergentes, atrás apenas da China, de acordo com o relatório da Pew Charitable Trusts. Dos recursos destinados para a energia limpa no Brasil, 40% foram para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes renováveis.

Combustíveis fósseis receberam US$ 312 bi em subsídios em 2009, contra US$ 57 bi para renováveis O estudo mostra que o País também está na sexta colocação entre os membros do G-20 que tiveram maior crescimento nos investimentos nos últimos cinco anos, com 81%. No entanto, os aportes no Brasil sofreram uma redução de 1,3% entre 2010 e o ano anterior, quando somaram US$ 7,7 bilhões; em 2009, o País ocupava a sétima posição no ranking. O indicador que mede a intensidade de investimentos, relacionando o total aportado com o Produto Interno Bruto (PIB), coloca o Brasil na sétima colocação, com uma proporção de 0,35%. Na Alemanha, o país que mais investe em energia limpa em relação ao PIB, essa proporção foi de 1,4% no ano passado.

Entre os países com maior capacidade instalada de energia limpa, o Brasil, no entanto, figura apenas na nona colocação, somando 13,84 GW, atrás de países como China (1º lugar, com 103,36 GW), Estados Unidos (2º lugar, 57,99 GW) e Alemanha (3º lugar, 48,86 GW). No período de 2005 a 2010, o Brasil foi o oitavo país que mais cresceu em capacidade instalada, com alta de 42%, de acordo com o documento “Who’s Winning the Clean Energy Race?”.

Nova indústria mundial – Para a Pew Trusts, o setor de energia limpa deixou de se restringir a aplicações em nichos específicos para se transformar em uma indústria mundial na primeira década do século 21, chegando a adicionar anualmente mais de 60 GW na produção global de energia. “O rápido crescimento e o tamanho considerável dessa ainda jovem indústria captaram igualmente a atenção dos investidores, inventores e tomadores de decisão”, destaca o relatório. Os 20 países mais ricos do mundo concentraram 90% dos recursos aportados nesse setor no ano passado.

Brasil é o último em percentual de recursos aplicados em energia limpa: gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009 Com o aumento do interesse sobre as fontes de energia limpas, aumentaram também as iniciativas governamentais de criação de estímulos ao setor, originando novas fontes de financiamento. Além disso, os países têm criado políticas para aumentar a produção e conquistar vantagens competitivas em determinados setores. “Especialmente, está claro que o centro de gravidade para os investimentos em energia limpa está mudando do Ocidente (Europa e Estados Unidos) para o Oriente (China, Índia e outras nações asiáticas).”

Dados levantados pela Pew Trusts mostram que a pesquisa e o desenvolvimento no setor de energia limpa, financiados com recursos públicos e privados, cresceu 24% no mundo em 2010, atingindo o patamar de US$ 35 bilhões. Considerando apenas os países do G-20, houve um crescimento de 27% no financiamento para a área a partir do capital de risco, incluindo venture capital e private equity, no total de US$ 8,1 bilhões.

Liderança europeia nos aportes

Na lista das regiões que mais recebem investimentos nesse setor, a primeira posição é ocupada pela Europa (US$ 94,4 bilhões), seguida pela Ásia (US$ 82,8 bilhões). O continente americano aparece em terceiro lugar, com aumento de 35% no período, para US$ 65,8 bilhões. No ranking dos países, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos aportes na América, com US$ 34 bilhões em 2010, mas, apesar de os investimentos norte-americanos terem crescido 51% em relação a 2009, o país perdeu a segunda posição no G-20 para a Alemanha (US$ 41,2 bilhões), que teve 100% de crescimento, e ainda está atrás da China (US$ 54,4 bilhões), que cresceu 39%.

Entre as principais fontes de energia limpa, a solar se destacou no G-20 com crescimento dos investimentos do setor privado de 53%, alcançando a marca recorde de US$ 79 bilhões, estimulada principalmente por projetos de pequena escala e residenciais. Apesar da elevação mais modesta de 34% no G-20, a energia eólica continua sendo a que mais recursos recebe entre as fontes limpas, com US$ 95 bilhões – o que representa 48% do total de investimentos.

Recuo dos biocombustíveis – Em âmbito mundial, os biocombustíveis tiveram uma queda em relação a 2009, totalizando investimentos de apenas US$ 4,7 bilhões em 2010 – o nível menor desde 2005. Segundo o relatório da Pew Trusts, isso “reflete o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excedeu a demanda em uma série de mercados importantes e que a segunda geração de combustíveis não está suficientemente avançada para distribuição comercial em larga escala”.

O relatório da IEA indica, no entanto, que o consumo de biocombustíveis continua crescente no mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil, mas ele representa apenas 2,7% do consumo global nos transportes rodoviários. A Agência prevê que seria necessário um crescimento sustentável da produção mundial de dez vezes para se alcançar as metas ambientais sobre mudanças climáticas até 2050, quando se espera que os biocombustíveis respondam por 27% dos transportes rodoviários. Entre 2000 e 2010, a produção mundial de biocombustíveis passou de 16 bilhões de litros para mais de 100 bilhões de litros. “Será particularmente importante que os biocombustíveis avançados alcancem a escala comercial nos próximos dez anos, com um aumento de 30 vezes na capacidade até 2030″, conclui a IEA.

unstoppable full movie

Consolidação chinesa – Chamada no relatório de superpotência global de energia limpa, a China mostra números surpreendentes nos últimos anos. Se em 2005 ela recebeu menos de US$ 3 bilhões em investimentos privados, em 2009 – ano em que tomou a dianteira em escala mundial – foram US$ 39,1 bilhões. Em 2010, os investimentos computados na China foram iguais aos aportes feitos em 2004 em todo o mundo, compara a Pew Charitable Trusts. “Com metas agressivas em energia limpa e clara ambição de dominar a fabricação e geração em energia limpa, a China está rapidamente avançando para a dianteira em relação ao resto do mundo”, explica o relatório.

Em 2010, o país foi responsável pela produção de quase 50% dos módulos solares e turbinas eólicas. No entanto, a China tem uma capacidade instalada de energia solar de apenas 1 GW, o que demonstra que sua produção de painéis e módulos tem visado o mercado externo. Em contrapartida, a energia eólica tem crescido muito dentro do país; com uma meta de atingir 150 GW instalados até 2020, a China instalou, apenas em 2010, 17 GW, ao valor de US$ 45 bilhões, o que representou 47% do aporte global em energia eólica.

Programas de estímulo – Levantamento da Pew Trusts, com base em informações da Bloomberg New Energy Finance, mostra que 12 membros do G-20 adotaram programas para estimular o estratégico setor da energia limpa e para combater os efeitos da crise financeira mundial de 2008/2009. Esses programas de energia limpa totalizaram US$ 194,3 bilhões nos anos de 2009 e 2010, de acordo com o documento. Desse total, 49% ou US$ 94,8 bilhões já foram gastos até o final de 2010. Desde o começo de 2009, a maior parte desses fundos foi empregada nas seguintes áreas: 37% para programas de eficiência energética, 21% para projetos de energia renováveis, 19% para pesquisa e desenvolvimento, e 17% para iniciativas de redes elétricas inteligentes (smart grid).

Diferentemente de países como a França – que já aplicou 100% dos recursos programados – e do Japão – que já gastou mais de 85% -, o Brasil apenas gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009. O País é o último da lista de percentual de recursos aplicados em energia limpa, perdendo apenas para o Canadá, que também só investiu 17% dos US$ 800 milhões divulgados.

Fonte: Guilherme Gorgulho – Inovação Tecnológica


16 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sucesso em energia limpa requer mais investimentos, diz Ipea

O Brasil tem ‘potencial’ para alcançar um modelo energético menos poluente e economicamente viável se houver mais pesquisas e investimentos do Estado, diz estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça.

O estudo, chamado ‘Energia e Meio Ambiente no Brasil’, conclui que, para ser bem-sucedido nesse modelo, o Brasil precisa investir em pesquisa, distribuir melhor seus recursos e promover incentivos à produção de energia renovável.

O texto afirma que ‘muito mais do que um sacrifício para a economia nacional, a sustentabilidade ambiental deve ser vista como uma oportunidade para o desenvolvimento sócio-econômico. Esse raciocínio segue a tendência mundial, talvez irreversível, de uso de energias alternativas com responsabilidade social e ambiental’.

O desafio em relação aos biocombustíveis, para os autores da pesquisa, é se tornarem competitivos frente aos derivados de petróleo. O estudo pede mecanismos ‘capazes de remunerar o esforço da produção sustentável em toda a cadeia (produtiva)’, incluindo subsídios e renúncia fiscal por parte do governo.

No caso do etanol, o consumo, que foi de 25 bilhões de litros em 2009, deve chegar a 60 bilhões em 2017, segundo projeções.

A produção de energia eólica também tende a crescer – o setor ganhou mais 41 usinas nos últimos anos -, e o mercado de resíduos sólidos também oferece oportunidades para a geração de energia, mas ‘ainda carece de políticas de incentivo no Brasil’, segundo o Ipea.

Para o instituto, esses setores necessitam da interferência do Estado para crescerem em importância. ‘É necessário debater alternativas de compensação financeira – para municípios ou para a agricultura – para atividades de produção de energia renovável, (de forma) semelhante aos royalties do petróleo.’

Petróleo – Apesar disso, as atuais projeções apontem para uma maior dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, o consumo anual de petróleo no Brasil é estimado em 1,34 tonelada equivalente (tep) por habitante, média inferior à mundial (1,78 tep por habitante). Mas a tendência é que o consumo aumente significativamente no Brasil até 2030, segundo dados do Ministério de Minas e Energia citados pelo Ipea. Essa tendência de crescimento já era observada antes mesmo das descobertas do pré-sal.

Fonte: G1


2 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Energia eólica no mundo cresce de vento em popa

Para Dom Quixote, os moinhos de vento eram criaturas ameaçadoras, cheias de braços e nas quais não de podia confiar. Do século 17 para cá, a imagem dos cata-ventos melhorou muito, e hoje, mais do que moer farinha, eles fornecem quantidades generosas de energia limpa. Segundo dados do Relatório Mundial de Energia Eólica, o vento gerou cerca de 340 terawatts-hora de energia no mundo em 2009, o suficiente para abastecer a Itália durante um ano.

A maioria das turbinas eólicas sempre se concentrou na Europa, onde desde cedo houve tecnologia e vontade política para investir em tecnologias limpas. Mas o potencial está se esvaindo. Atualmente, apenas 27% dos novos cata-ventos foram instalados na Europa, deixando o continente em terceiro lugar no ranking de energia eólica.

O crescimento mais acelerado é verificado na Ásia. O continente assumiu a dianteira na produção eólica mundial e em 2009 foi responsável por 40% de todos os novos cata-ventos instalados. A maioria deles está na China, onde o número de turbinas duplicou pelo quarto ano consecutivo. “O governo reconheceu que a energia eólica é barata, renovável e limpa”, explica Stefan Gsänger, secretário-geral da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA). Além disso, a tecnologia pode ser facilmente exportada. Hoje a China está entre os cinco maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo.

Além de grandes parques eólicos, na Ásia também são instalados microparques eólicos, especialmente em zonas rurais sem acesso à rede elétrica. Pequenos cata-ventos com geração de até 2KWh custam de 800 a mil euros e podem abastecer um vilarejo inteiro. Já existem cerca de 400 mil microssistemas como esse. E como na China muitos milhões de pessoas ainda vivem sem energia, esse número pode aumentar para mais de um milhão em um futuro próximo, estima a WWEA.

Concorrência “verde” – Na América do Sul, a utilização de energia eólica se desenvolve mais lentamente. “Isso acontece, entre outros motivos, porque a América Latina tem grande parte de sua matriz abastecida por energia hidroelétrica, e assim dispõe também de energia comparavelmente limpa”, explica Trudy Könemund, da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) no Chile. Apenas 2% das novas instalações eólicas são construídas na América Latina.

Para Ralf Heidenreich, porta-voz da desenvolvedora de projetos Juwi, os problemas estão principalmente na implantação. Embora haja potencial, “as condições para construir novas usinas ainda precisam melhorar um pouco”. A opinião é compartilhada por Stefan Gsänger. Muitos projetos no passado teriam sido adiados por causa de corrupção e porque o setor energético tradicional trabalharia contra os projetos de energia renovável. Mesmo assim, existem cada vez mais usinas eólicas na América Latina, 44 delas no Brasil. O México quintuplicou o número de turbinas em 2009. O Chile está em terceiro lugar, com seis usinas já construídas e outras 20 em planejamento.

Energia eólica para a África

how to train your dragon film download high quality

– No continente africano quase não há turbinas eólicas. A taxa de crescimento nos últimos anos é insignificante. O principal motivo é a falta de infra-estrutura, explica Ralf Heidenreich. “A energia precisa ser canalizada de alguma forma”. Esse problema pode abrir caminho para os pequenos cata-ventos, como os que existem na Ásia, espera Stefan Gsänger da WWEA. Além disso, o continente africano sofre com a falta de tecnologia e, principalmente, recursos.

Egito e Marrocos são os principais produtores de energia eólica no continente. No Egito já existem empresas que fabricam componentes para turbinas. “É importante desenvolver uma cadeia produtiva no próprio país”, explica Gsänger. “Assim as usinas eólicas podem ter uma vantagem em relação ao petróleo”.

De acordo com a WWEA, a potência gerada pelas usinas eólicas no mundo duplica a cada três anos. Um desenvolvimento que com certeza deixaria Dom Quixote de cabelo em pé. Mas no mundo real do século 21, esse é o caminho para um mundo sem combustíveis fósseis. (Fonte: Folha.com)


22 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Relatório aponta que investimento em manutenção das Unidades de Conservação no Brasil é pequeno e precisa ser otimizado

Conservar é barato, mas o investimento feito ainda é pequeno. Com o objetivo de otimizar a gestão dos recursos destinados para a implementação dos parques no Brasil e para colaborar no fortalecimento e aprimoramento institucional e administrativo da gestão financeira das Unidades de Conservação (UCs), a The Nature Conservancy (TNC) lançou nesta terça-feira, 22 de setembro, a publicação “Contribuição dos Estados Brasileiros para a Conservação da Biodiversidade: diagnóstico financeiro das Unidades de Conservação Estaduais”.

O lançamento acontece durante o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que se raliza em Curitiba (PR).

Organizado por Analuce Freitas, coordenadora de Áreas Protegidas da TNC, e por Ana Lucia Camphora, especialista em Economia da Conservação, o relatório apresenta os resultados alcançados ao longo do processo iniciado em 2008 da parceria com os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

full shutter island film high quality

“Conseguimos, pela primeira vez, dimensionar a necessidade de investimentos complementares para a efetiva implementação das unidades de conservação nestes estados e, a exemplo do Rio de Janeiro, a maior lacuna de investimento identificada é em contratação de pessoal. Tais investimentos poderiam gerar empregos e fortalecer as estratégias locais de desenvolvimento, além, é claro, de preservar fontes de serviços ambientais como água e outros”, comenta Analuce.

Ana Lucia Camphora explica que os instrumentos adotados para sistematizar informações financeiras, componentes legais, normativos e administrativos associados para a elaboração de um diagnóstico foram o Sistema de Projeção de Investimentos Mínimos para a Conservação (IMC) e a Ficha de Pontuação sobre Sustentabilidade Financeira, desenvolvidos pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUMA) – PNUD.

is unknown on dvd yet
heat fim

“Durante oito meses, coletamos e analisamos dados oficiais sobre os cenários financeiros dos estados; várias reuniões de trabalho, realizadas junto às equipes técnicas dos órgãos gestores estaduais, permitiram aprimorar e consolidar os levantamentos, dando maior sinergia e co-responsabilidade. Mais de 300 técnicos dos cinco estados participaram do processo”, conta Ana Lucia.

Para ela, “a execução dessa agenda demanda aprimoramento e fortalecimento das bases institucionais, administrativas e operacionais dos sistemas estaduais de UCs, que deverão garantir bases estáveis para um planejamento financeiro compatível com suas necessidades específicas”. O diagnóstico subsidiará a elaboração das estratégias de sustentabilidade financeira nos estados.

Os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul abrigam importantes remanescentes da Mata Atlântica. Suas unidades de conservação reunidas cobrem cerca de 3.094.161 hectares que, aproximadamente, abrigam 40% desses remanescentes. Em menor escala, UCs de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul também abrigam áreas representativas dos biomas Caatinga, Cerrado e Pampas.

Essas áreas protegidas contribuem para a qualidade de vida de uma importante parcela da população brasileira – cerca de 59 milhões de pessoas vivem nesses estados, de acordo com a estimativa do IBGE de 2007 – proporcionando benefícios, diretos e indiretos, associados à proteção e regulação dos mananciais hídricos, regulação climática, conservação, proteção do solo, lazer e beleza cênica.

Proporcionar condições para o acesso equitativo da população a esses serviços essenciais é uma das missões desempenhadas pelas UCs estaduais. “No entanto, do orçamento público dos cinco estados, menos de 40 milhões de reais por ano é destinado para a manutenção dessas áreas. Aproximadamente 1% do valor de um submarino nuclear”, exemplifica Analuce.

download movie waiting for forever hd
the mechanic divx

O lançamento desta publicação marca o início da Série Técnica “Sustentabilidade Financeira de Áreas Protegidas”. Ainda para este ano está previsto o lançamento de uma publicação sobre custo da gestão ambiental em áreas indígenas, em parceria com a Funai, e outra publicação sobre a Estratégia de Sustentabilidade para as Unidades do Estado do Rio de Janeiro.

The Nature Conservancy (TNC), criada em 1951, é uma organização mundial voltada para a conservação dos recursos naturais ecologicamente importantes para a natureza e as pessoas. Atuante em mais de 34 países, tem como missão conservar plantas, animais e ecossistemas que formam a diversidade de vida na Terra, protegendo os recursos naturais que eles necessitam para sobreviver.

high quality get him to the greek movie

No Brasil desde 1988, desenvolve iniciativas nos principais biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga) com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a conservação dos ecossistemas naturais.

Saiba mais: www.nature.org/brasil

hd dvd megamind online

(Assessoria de Comunicação da TNC)


10 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Empresa tem mais R$ 2 bi para eólicas

Siif Énergies inaugura maior parque eólico do Brasil e anuncia novos investimentos

Convicta de que ventos favoráveis começam, finalmente, a soprar a favor da produção de energia eólica no Brasil, a Siif Énergies inaugura hoje sua terceira usina deste tipo no país, a terceira no Ceará, em evento que deve contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

the kid watch
download hd raging bull

 Até meados de 2010, a empresa que tem como acionistas o Citigroup, Liberty Mutual e Black River pretende cortar a fita de outros dois empreendimentos, um Ceará e outro no Rio de Janeiro. Juntas, as cinco usinas terão capacidade instalada de 342 megawatts (MW), a um investimento de R$ 1,7 bilhão. A companhia, no entanto, já tem engatilhados projetos para gerar mais 400 MW, que representarão R$ 2 bilhões em investimentos.

 Apesar do grande potencial dos ventos brasileiros, a geração eólica ainda é discretíssima no país, representando ínfimo 0,1% da oferta total de energia em 2008. Com a inauguração do parque de Praia Formosa, no município de Camocim (CE), a capacidade nacional de geração eólica passará a ser de 547,6 MW.

 Mesmo com o volume ainda baixo, os participantes do setor, caso da Siif, já enxergam um cenário melhor. O otimismo está baseado, principalmente, no primeiro leilão exclusivo de energia eólica do Brasil, que será realizado pelo governo federal no dia 25 de novembro. Foram credenciados para a disputa 441 projetos, que juntos somam uma capacidade de 13.341 MW, volume quase duas vezes superior ao que será gerado nas duas hidrelétricas do rio Madeira (RO).

 É nesse leilão que a Siif Énergies pretende vender os 400 MW que irá gerar com os 25 novos parques eólicos que serão construídos no Ceará (230 MW), no Piauí (150 MW) e no Rio (20 MW). O diretor-presidente da companhia, Marcelo Picchi, lembrou que são necessários, em média, investimentos de R$ 5 milhões para se gerar 1 MW de energia eólica, o que totaliza os R$ 2 bilhões que deverão ser desembolsados nos novos projetos.

divx mammoth

 Na avaliação do executivo, tirar grandes parques do papel pode ser um fator decisivo para encorajar a entrada de novos investidores no setor eólico. “É mais fácil entrar em um negócio que já tem grandes projetos em andamento”, disse Picchi. Depois da usina de Camocim, que custou R$ 500 milhões e tornou-se a maior do Brasil, a Siif planeja inaugurar em 2010 a unidade de Arraial do Cabo (RJ), que custará R$ 700 milhões para uma capacidade de 135 MW.

 O executivo explicou que todos os projetos da Siif no Nordeste contam com financiamentos do Banco do Nordeste e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que entram com 70% do valor total do projeto. Os 30% restantes ficam a cargo da própria empresa. 

Para o presidente da ABEEólica, entidade que reúne empresas do setor, Lauro Fiúza, todas as expectativas estão depositadas sobre o leilão de novembro. Segundo ele, a projeção de especialistas aponta para uma contratação efetiva de 2 mil MW a 3 mil MW, ou seja, entre 15% e 22% do total ofertado. Se isso ocorrer, o setor poderá atrair investimentos entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões. 

unknown dvd rip online

Contudo, Fiúza chamou a atenção para a importância de o governo deixar clara a intenção de continuar realizando os leilões eólicos, com vistas a dar segurança aos investidores.

(Colaborou Josette Goulart)

(Valor Econômico, 10/9)


19 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Recursos verdes vão para smart grids e armazenamento de energia

O setor de tecnologia verde, que sofreu uma forte queda nos investimentos no início do ano, agora vê uma retomada no interesse, com os recursos entrando novamente para startups promissoras e algumas companhias pensando em ressuscitar ofertas públicas que haviam sido deixadas de lado.

Os investimentos estão se deslocando das tecnologias de geração de energia, que dependem de muito capital, como energia solar ou eólica, para tecnologias ligadas a armazenamento, transporte e eficiência de energia.

the american on dvd

As apostas estão sobre as fabricantes de pilhas de íon de lítio e startups do setor de smart grid, ou redes inteligentes, que oferecem uma série de possibilidades, como ajudar as companhias elétricas a operar seus sistemas de forma mais eficiente e prover tecnologias que buscam tornar a atual rede elétrica mais eficiente e confiável.

“Há cerca de seis a nove meses, as pessoas estavam parando tudo”, disse Gary Vollen, diretor-administrativo do setor de investimentos em tecnologia verde da Robert W Baird & Co. “Não acho que estamos nessa situação hoje em dia.”

Especialistas do setor e executivos de empresas esperam que o apetite por investimentos em tecnologia verde veja uma retomada significativa, talvez até mesmo neste trimestre, melhorando continuamente ao longo de 2010.

Mas eles alertam que o nível de atividade provavelmente não chegará ao pico de 2,6 bilhões de dólares vistos no terceiro trimestre de 2008.

“Espero ver um aumento significativo nos investimentos em tecnologia verde ao longo dos próximos seis meses”, disse Tim carey, chefe do grupo de tecnologia verde da PriceWaterHouseCoopers.

“Se voltarão aos níveis que vimos em 2007, 2008? Não tenho muita certeza disso.” (Fonte: JB Online)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

setembro 2020
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


13 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Investimentos em energia limpa cresceram 30% no mundo em 2010

Agência aponta necessidade de políticas mais agressivas.

Dois relatórios recém-lançados mostram que a energia limpa ganhou mais espaço no mundo na última década, com destaque para as modalidades solar e eólica, mas o esforço para reduzir a predominância dos combustíveis fósseis precisará de políticas mais “agressivas”, que incluem a redução dos subsídios aos derivados de petróleo e o aumento aos incentivos governamentais para a produção de formas de energia menos poluentes. A fundação norte-americana Pew Charitable Trusts, que apresentou no dia 29 de março a edição 2010 do relatório “Who’s Winning the Clean Energy Race?” (Quem está vencendo a corrida da energia limpa?), revela que houve um crescimento mundial dos investimentos do setor de energia limpa de 30% entre 2009 e 2010, atingindo a marca de US$ 243 bilhões.

Total aplicado no setor chegou a US$ 243 bi ano passado. O documento “Clean Energy Progress Report” (Relatório sobre o progresso da energia limpa), divulgado em 6 de abril pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), destaca a importância conquistada na última década por algumas tecnologias de energia renovável, ao ponto de se tornarem mais competitivas que algumas das tecnologias convencionais. Entretanto, a IEA pondera que os custos da maioria das inovações tecnológicas ainda superam aqueles relacionados aos combustíveis fósseis, que receberam US$ 312 bilhões em subsídios em 2009, contra apenas US$ 57 bilhões para energias renováveis.

Para a Agência, uma “revolução da energia limpa” pode ser alcançada com uma ampla política de estímulo. “Ao longo das últimas duas décadas, vários países conseguiram promover alterações dramáticas em seus mercados energéticos. A chave para o sucesso tem sido a criação de uma abordagem estratégica e compreensiva que informe o público sobre segurança energética, crescimento econômico e benefícios ambientais dos investimentos em energia limpa”, informa o texto.

Vice-liderança brasileira entre os emergentes – O Brasil tem conquistado destaque nesse cenário, registrando US$ 7,6 bilhões em investimentos em energia limpa em 2010. Com isso, o País ficou na sexta posição entre os países do G-20 e em segundo lugar entre os emergentes, atrás apenas da China, de acordo com o relatório da Pew Charitable Trusts. Dos recursos destinados para a energia limpa no Brasil, 40% foram para os biocombustíveis, 31% para energia eólica e 28% para outras fontes renováveis.

Combustíveis fósseis receberam US$ 312 bi em subsídios em 2009, contra US$ 57 bi para renováveis O estudo mostra que o País também está na sexta colocação entre os membros do G-20 que tiveram maior crescimento nos investimentos nos últimos cinco anos, com 81%. No entanto, os aportes no Brasil sofreram uma redução de 1,3% entre 2010 e o ano anterior, quando somaram US$ 7,7 bilhões; em 2009, o País ocupava a sétima posição no ranking. O indicador que mede a intensidade de investimentos, relacionando o total aportado com o Produto Interno Bruto (PIB), coloca o Brasil na sétima colocação, com uma proporção de 0,35%. Na Alemanha, o país que mais investe em energia limpa em relação ao PIB, essa proporção foi de 1,4% no ano passado.

Entre os países com maior capacidade instalada de energia limpa, o Brasil, no entanto, figura apenas na nona colocação, somando 13,84 GW, atrás de países como China (1º lugar, com 103,36 GW), Estados Unidos (2º lugar, 57,99 GW) e Alemanha (3º lugar, 48,86 GW). No período de 2005 a 2010, o Brasil foi o oitavo país que mais cresceu em capacidade instalada, com alta de 42%, de acordo com o documento “Who’s Winning the Clean Energy Race?”.

Nova indústria mundial – Para a Pew Trusts, o setor de energia limpa deixou de se restringir a aplicações em nichos específicos para se transformar em uma indústria mundial na primeira década do século 21, chegando a adicionar anualmente mais de 60 GW na produção global de energia. “O rápido crescimento e o tamanho considerável dessa ainda jovem indústria captaram igualmente a atenção dos investidores, inventores e tomadores de decisão”, destaca o relatório. Os 20 países mais ricos do mundo concentraram 90% dos recursos aportados nesse setor no ano passado.

Brasil é o último em percentual de recursos aplicados em energia limpa: gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009 Com o aumento do interesse sobre as fontes de energia limpas, aumentaram também as iniciativas governamentais de criação de estímulos ao setor, originando novas fontes de financiamento. Além disso, os países têm criado políticas para aumentar a produção e conquistar vantagens competitivas em determinados setores. “Especialmente, está claro que o centro de gravidade para os investimentos em energia limpa está mudando do Ocidente (Europa e Estados Unidos) para o Oriente (China, Índia e outras nações asiáticas).”

Dados levantados pela Pew Trusts mostram que a pesquisa e o desenvolvimento no setor de energia limpa, financiados com recursos públicos e privados, cresceu 24% no mundo em 2010, atingindo o patamar de US$ 35 bilhões. Considerando apenas os países do G-20, houve um crescimento de 27% no financiamento para a área a partir do capital de risco, incluindo venture capital e private equity, no total de US$ 8,1 bilhões.

Liderança europeia nos aportes

Na lista das regiões que mais recebem investimentos nesse setor, a primeira posição é ocupada pela Europa (US$ 94,4 bilhões), seguida pela Ásia (US$ 82,8 bilhões). O continente americano aparece em terceiro lugar, com aumento de 35% no período, para US$ 65,8 bilhões. No ranking dos países, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino dos aportes na América, com US$ 34 bilhões em 2010, mas, apesar de os investimentos norte-americanos terem crescido 51% em relação a 2009, o país perdeu a segunda posição no G-20 para a Alemanha (US$ 41,2 bilhões), que teve 100% de crescimento, e ainda está atrás da China (US$ 54,4 bilhões), que cresceu 39%.

Entre as principais fontes de energia limpa, a solar se destacou no G-20 com crescimento dos investimentos do setor privado de 53%, alcançando a marca recorde de US$ 79 bilhões, estimulada principalmente por projetos de pequena escala e residenciais. Apesar da elevação mais modesta de 34% no G-20, a energia eólica continua sendo a que mais recursos recebe entre as fontes limpas, com US$ 95 bilhões – o que representa 48% do total de investimentos.

Recuo dos biocombustíveis – Em âmbito mundial, os biocombustíveis tiveram uma queda em relação a 2009, totalizando investimentos de apenas US$ 4,7 bilhões em 2010 – o nível menor desde 2005. Segundo o relatório da Pew Trusts, isso “reflete o fato de que a capacidade de produção de biocombustíveis de primeira geração excedeu a demanda em uma série de mercados importantes e que a segunda geração de combustíveis não está suficientemente avançada para distribuição comercial em larga escala”.

O relatório da IEA indica, no entanto, que o consumo de biocombustíveis continua crescente no mundo, com destaque para os Estados Unidos e o Brasil, mas ele representa apenas 2,7% do consumo global nos transportes rodoviários. A Agência prevê que seria necessário um crescimento sustentável da produção mundial de dez vezes para se alcançar as metas ambientais sobre mudanças climáticas até 2050, quando se espera que os biocombustíveis respondam por 27% dos transportes rodoviários. Entre 2000 e 2010, a produção mundial de biocombustíveis passou de 16 bilhões de litros para mais de 100 bilhões de litros. “Será particularmente importante que os biocombustíveis avançados alcancem a escala comercial nos próximos dez anos, com um aumento de 30 vezes na capacidade até 2030″, conclui a IEA.

unstoppable full movie

Consolidação chinesa – Chamada no relatório de superpotência global de energia limpa, a China mostra números surpreendentes nos últimos anos. Se em 2005 ela recebeu menos de US$ 3 bilhões em investimentos privados, em 2009 – ano em que tomou a dianteira em escala mundial – foram US$ 39,1 bilhões. Em 2010, os investimentos computados na China foram iguais aos aportes feitos em 2004 em todo o mundo, compara a Pew Charitable Trusts. “Com metas agressivas em energia limpa e clara ambição de dominar a fabricação e geração em energia limpa, a China está rapidamente avançando para a dianteira em relação ao resto do mundo”, explica o relatório.

Em 2010, o país foi responsável pela produção de quase 50% dos módulos solares e turbinas eólicas. No entanto, a China tem uma capacidade instalada de energia solar de apenas 1 GW, o que demonstra que sua produção de painéis e módulos tem visado o mercado externo. Em contrapartida, a energia eólica tem crescido muito dentro do país; com uma meta de atingir 150 GW instalados até 2020, a China instalou, apenas em 2010, 17 GW, ao valor de US$ 45 bilhões, o que representou 47% do aporte global em energia eólica.

Programas de estímulo – Levantamento da Pew Trusts, com base em informações da Bloomberg New Energy Finance, mostra que 12 membros do G-20 adotaram programas para estimular o estratégico setor da energia limpa e para combater os efeitos da crise financeira mundial de 2008/2009. Esses programas de energia limpa totalizaram US$ 194,3 bilhões nos anos de 2009 e 2010, de acordo com o documento. Desse total, 49% ou US$ 94,8 bilhões já foram gastos até o final de 2010. Desde o começo de 2009, a maior parte desses fundos foi empregada nas seguintes áreas: 37% para programas de eficiência energética, 21% para projetos de energia renováveis, 19% para pesquisa e desenvolvimento, e 17% para iniciativas de redes elétricas inteligentes (smart grid).

Diferentemente de países como a França – que já aplicou 100% dos recursos programados – e do Japão – que já gastou mais de 85% -, o Brasil apenas gastou 7% dos US$ 2,5 bilhões anunciados pelo governo desde 2009. O País é o último da lista de percentual de recursos aplicados em energia limpa, perdendo apenas para o Canadá, que também só investiu 17% dos US$ 800 milhões divulgados.

Fonte: Guilherme Gorgulho – Inovação Tecnológica


16 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Sucesso em energia limpa requer mais investimentos, diz Ipea

O Brasil tem ‘potencial’ para alcançar um modelo energético menos poluente e economicamente viável se houver mais pesquisas e investimentos do Estado, diz estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) divulgado nesta terça.

O estudo, chamado ‘Energia e Meio Ambiente no Brasil’, conclui que, para ser bem-sucedido nesse modelo, o Brasil precisa investir em pesquisa, distribuir melhor seus recursos e promover incentivos à produção de energia renovável.

O texto afirma que ‘muito mais do que um sacrifício para a economia nacional, a sustentabilidade ambiental deve ser vista como uma oportunidade para o desenvolvimento sócio-econômico. Esse raciocínio segue a tendência mundial, talvez irreversível, de uso de energias alternativas com responsabilidade social e ambiental’.

O desafio em relação aos biocombustíveis, para os autores da pesquisa, é se tornarem competitivos frente aos derivados de petróleo. O estudo pede mecanismos ‘capazes de remunerar o esforço da produção sustentável em toda a cadeia (produtiva)’, incluindo subsídios e renúncia fiscal por parte do governo.

No caso do etanol, o consumo, que foi de 25 bilhões de litros em 2009, deve chegar a 60 bilhões em 2017, segundo projeções.

A produção de energia eólica também tende a crescer – o setor ganhou mais 41 usinas nos últimos anos -, e o mercado de resíduos sólidos também oferece oportunidades para a geração de energia, mas ‘ainda carece de políticas de incentivo no Brasil’, segundo o Ipea.

Para o instituto, esses setores necessitam da interferência do Estado para crescerem em importância. ‘É necessário debater alternativas de compensação financeira – para municípios ou para a agricultura – para atividades de produção de energia renovável, (de forma) semelhante aos royalties do petróleo.’

Petróleo – Apesar disso, as atuais projeções apontem para uma maior dependência de combustíveis fósseis.

Atualmente, o consumo anual de petróleo no Brasil é estimado em 1,34 tonelada equivalente (tep) por habitante, média inferior à mundial (1,78 tep por habitante). Mas a tendência é que o consumo aumente significativamente no Brasil até 2030, segundo dados do Ministério de Minas e Energia citados pelo Ipea. Essa tendência de crescimento já era observada antes mesmo das descobertas do pré-sal.

Fonte: G1


2 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Energia eólica no mundo cresce de vento em popa

Para Dom Quixote, os moinhos de vento eram criaturas ameaçadoras, cheias de braços e nas quais não de podia confiar. Do século 17 para cá, a imagem dos cata-ventos melhorou muito, e hoje, mais do que moer farinha, eles fornecem quantidades generosas de energia limpa. Segundo dados do Relatório Mundial de Energia Eólica, o vento gerou cerca de 340 terawatts-hora de energia no mundo em 2009, o suficiente para abastecer a Itália durante um ano.

A maioria das turbinas eólicas sempre se concentrou na Europa, onde desde cedo houve tecnologia e vontade política para investir em tecnologias limpas. Mas o potencial está se esvaindo. Atualmente, apenas 27% dos novos cata-ventos foram instalados na Europa, deixando o continente em terceiro lugar no ranking de energia eólica.

O crescimento mais acelerado é verificado na Ásia. O continente assumiu a dianteira na produção eólica mundial e em 2009 foi responsável por 40% de todos os novos cata-ventos instalados. A maioria deles está na China, onde o número de turbinas duplicou pelo quarto ano consecutivo. “O governo reconheceu que a energia eólica é barata, renovável e limpa”, explica Stefan Gsänger, secretário-geral da Associação Mundial de Energia Eólica (WWEA). Além disso, a tecnologia pode ser facilmente exportada. Hoje a China está entre os cinco maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo.

Além de grandes parques eólicos, na Ásia também são instalados microparques eólicos, especialmente em zonas rurais sem acesso à rede elétrica. Pequenos cata-ventos com geração de até 2KWh custam de 800 a mil euros e podem abastecer um vilarejo inteiro. Já existem cerca de 400 mil microssistemas como esse. E como na China muitos milhões de pessoas ainda vivem sem energia, esse número pode aumentar para mais de um milhão em um futuro próximo, estima a WWEA.

Concorrência “verde” – Na América do Sul, a utilização de energia eólica se desenvolve mais lentamente. “Isso acontece, entre outros motivos, porque a América Latina tem grande parte de sua matriz abastecida por energia hidroelétrica, e assim dispõe também de energia comparavelmente limpa”, explica Trudy Könemund, da Sociedade Alemã de Cooperação Técnica (GTZ) no Chile. Apenas 2% das novas instalações eólicas são construídas na América Latina.

Para Ralf Heidenreich, porta-voz da desenvolvedora de projetos Juwi, os problemas estão principalmente na implantação. Embora haja potencial, “as condições para construir novas usinas ainda precisam melhorar um pouco”. A opinião é compartilhada por Stefan Gsänger. Muitos projetos no passado teriam sido adiados por causa de corrupção e porque o setor energético tradicional trabalharia contra os projetos de energia renovável. Mesmo assim, existem cada vez mais usinas eólicas na América Latina, 44 delas no Brasil. O México quintuplicou o número de turbinas em 2009. O Chile está em terceiro lugar, com seis usinas já construídas e outras 20 em planejamento.

Energia eólica para a África

how to train your dragon film download high quality

– No continente africano quase não há turbinas eólicas. A taxa de crescimento nos últimos anos é insignificante. O principal motivo é a falta de infra-estrutura, explica Ralf Heidenreich. “A energia precisa ser canalizada de alguma forma”. Esse problema pode abrir caminho para os pequenos cata-ventos, como os que existem na Ásia, espera Stefan Gsänger da WWEA. Além disso, o continente africano sofre com a falta de tecnologia e, principalmente, recursos.

Egito e Marrocos são os principais produtores de energia eólica no continente. No Egito já existem empresas que fabricam componentes para turbinas. “É importante desenvolver uma cadeia produtiva no próprio país”, explica Gsänger. “Assim as usinas eólicas podem ter uma vantagem em relação ao petróleo”.

De acordo com a WWEA, a potência gerada pelas usinas eólicas no mundo duplica a cada três anos. Um desenvolvimento que com certeza deixaria Dom Quixote de cabelo em pé. Mas no mundo real do século 21, esse é o caminho para um mundo sem combustíveis fósseis. (Fonte: Folha.com)


22 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Relatório aponta que investimento em manutenção das Unidades de Conservação no Brasil é pequeno e precisa ser otimizado

Conservar é barato, mas o investimento feito ainda é pequeno. Com o objetivo de otimizar a gestão dos recursos destinados para a implementação dos parques no Brasil e para colaborar no fortalecimento e aprimoramento institucional e administrativo da gestão financeira das Unidades de Conservação (UCs), a The Nature Conservancy (TNC) lançou nesta terça-feira, 22 de setembro, a publicação “Contribuição dos Estados Brasileiros para a Conservação da Biodiversidade: diagnóstico financeiro das Unidades de Conservação Estaduais”.

O lançamento acontece durante o VI Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), que se raliza em Curitiba (PR).

Organizado por Analuce Freitas, coordenadora de Áreas Protegidas da TNC, e por Ana Lucia Camphora, especialista em Economia da Conservação, o relatório apresenta os resultados alcançados ao longo do processo iniciado em 2008 da parceria com os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.

full shutter island film high quality

“Conseguimos, pela primeira vez, dimensionar a necessidade de investimentos complementares para a efetiva implementação das unidades de conservação nestes estados e, a exemplo do Rio de Janeiro, a maior lacuna de investimento identificada é em contratação de pessoal. Tais investimentos poderiam gerar empregos e fortalecer as estratégias locais de desenvolvimento, além, é claro, de preservar fontes de serviços ambientais como água e outros”, comenta Analuce.

Ana Lucia Camphora explica que os instrumentos adotados para sistematizar informações financeiras, componentes legais, normativos e administrativos associados para a elaboração de um diagnóstico foram o Sistema de Projeção de Investimentos Mínimos para a Conservação (IMC) e a Ficha de Pontuação sobre Sustentabilidade Financeira, desenvolvidos pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUMA) – PNUD.

is unknown on dvd yet
heat fim

“Durante oito meses, coletamos e analisamos dados oficiais sobre os cenários financeiros dos estados; várias reuniões de trabalho, realizadas junto às equipes técnicas dos órgãos gestores estaduais, permitiram aprimorar e consolidar os levantamentos, dando maior sinergia e co-responsabilidade. Mais de 300 técnicos dos cinco estados participaram do processo”, conta Ana Lucia.

Para ela, “a execução dessa agenda demanda aprimoramento e fortalecimento das bases institucionais, administrativas e operacionais dos sistemas estaduais de UCs, que deverão garantir bases estáveis para um planejamento financeiro compatível com suas necessidades específicas”. O diagnóstico subsidiará a elaboração das estratégias de sustentabilidade financeira nos estados.

Os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul abrigam importantes remanescentes da Mata Atlântica. Suas unidades de conservação reunidas cobrem cerca de 3.094.161 hectares que, aproximadamente, abrigam 40% desses remanescentes. Em menor escala, UCs de Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul também abrigam áreas representativas dos biomas Caatinga, Cerrado e Pampas.

Essas áreas protegidas contribuem para a qualidade de vida de uma importante parcela da população brasileira – cerca de 59 milhões de pessoas vivem nesses estados, de acordo com a estimativa do IBGE de 2007 – proporcionando benefícios, diretos e indiretos, associados à proteção e regulação dos mananciais hídricos, regulação climática, conservação, proteção do solo, lazer e beleza cênica.

Proporcionar condições para o acesso equitativo da população a esses serviços essenciais é uma das missões desempenhadas pelas UCs estaduais. “No entanto, do orçamento público dos cinco estados, menos de 40 milhões de reais por ano é destinado para a manutenção dessas áreas. Aproximadamente 1% do valor de um submarino nuclear”, exemplifica Analuce.

download movie waiting for forever hd
the mechanic divx

O lançamento desta publicação marca o início da Série Técnica “Sustentabilidade Financeira de Áreas Protegidas”. Ainda para este ano está previsto o lançamento de uma publicação sobre custo da gestão ambiental em áreas indígenas, em parceria com a Funai, e outra publicação sobre a Estratégia de Sustentabilidade para as Unidades do Estado do Rio de Janeiro.

The Nature Conservancy (TNC), criada em 1951, é uma organização mundial voltada para a conservação dos recursos naturais ecologicamente importantes para a natureza e as pessoas. Atuante em mais de 34 países, tem como missão conservar plantas, animais e ecossistemas que formam a diversidade de vida na Terra, protegendo os recursos naturais que eles necessitam para sobreviver.

high quality get him to the greek movie

No Brasil desde 1988, desenvolve iniciativas nos principais biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga) com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a conservação dos ecossistemas naturais.

Saiba mais: www.nature.org/brasil

hd dvd megamind online

(Assessoria de Comunicação da TNC)


10 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Empresa tem mais R$ 2 bi para eólicas

Siif Énergies inaugura maior parque eólico do Brasil e anuncia novos investimentos

Convicta de que ventos favoráveis começam, finalmente, a soprar a favor da produção de energia eólica no Brasil, a Siif Énergies inaugura hoje sua terceira usina deste tipo no país, a terceira no Ceará, em evento que deve contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

the kid watch
download hd raging bull

 Até meados de 2010, a empresa que tem como acionistas o Citigroup, Liberty Mutual e Black River pretende cortar a fita de outros dois empreendimentos, um Ceará e outro no Rio de Janeiro. Juntas, as cinco usinas terão capacidade instalada de 342 megawatts (MW), a um investimento de R$ 1,7 bilhão. A companhia, no entanto, já tem engatilhados projetos para gerar mais 400 MW, que representarão R$ 2 bilhões em investimentos.

 Apesar do grande potencial dos ventos brasileiros, a geração eólica ainda é discretíssima no país, representando ínfimo 0,1% da oferta total de energia em 2008. Com a inauguração do parque de Praia Formosa, no município de Camocim (CE), a capacidade nacional de geração eólica passará a ser de 547,6 MW.

 Mesmo com o volume ainda baixo, os participantes do setor, caso da Siif, já enxergam um cenário melhor. O otimismo está baseado, principalmente, no primeiro leilão exclusivo de energia eólica do Brasil, que será realizado pelo governo federal no dia 25 de novembro. Foram credenciados para a disputa 441 projetos, que juntos somam uma capacidade de 13.341 MW, volume quase duas vezes superior ao que será gerado nas duas hidrelétricas do rio Madeira (RO).

 É nesse leilão que a Siif Énergies pretende vender os 400 MW que irá gerar com os 25 novos parques eólicos que serão construídos no Ceará (230 MW), no Piauí (150 MW) e no Rio (20 MW). O diretor-presidente da companhia, Marcelo Picchi, lembrou que são necessários, em média, investimentos de R$ 5 milhões para se gerar 1 MW de energia eólica, o que totaliza os R$ 2 bilhões que deverão ser desembolsados nos novos projetos.

divx mammoth

 Na avaliação do executivo, tirar grandes parques do papel pode ser um fator decisivo para encorajar a entrada de novos investidores no setor eólico. “É mais fácil entrar em um negócio que já tem grandes projetos em andamento”, disse Picchi. Depois da usina de Camocim, que custou R$ 500 milhões e tornou-se a maior do Brasil, a Siif planeja inaugurar em 2010 a unidade de Arraial do Cabo (RJ), que custará R$ 700 milhões para uma capacidade de 135 MW.

 O executivo explicou que todos os projetos da Siif no Nordeste contam com financiamentos do Banco do Nordeste e da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que entram com 70% do valor total do projeto. Os 30% restantes ficam a cargo da própria empresa. 

Para o presidente da ABEEólica, entidade que reúne empresas do setor, Lauro Fiúza, todas as expectativas estão depositadas sobre o leilão de novembro. Segundo ele, a projeção de especialistas aponta para uma contratação efetiva de 2 mil MW a 3 mil MW, ou seja, entre 15% e 22% do total ofertado. Se isso ocorrer, o setor poderá atrair investimentos entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões. 

unknown dvd rip online

Contudo, Fiúza chamou a atenção para a importância de o governo deixar clara a intenção de continuar realizando os leilões eólicos, com vistas a dar segurança aos investidores.

(Colaborou Josette Goulart)

(Valor Econômico, 10/9)


19 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Recursos verdes vão para smart grids e armazenamento de energia

O setor de tecnologia verde, que sofreu uma forte queda nos investimentos no início do ano, agora vê uma retomada no interesse, com os recursos entrando novamente para startups promissoras e algumas companhias pensando em ressuscitar ofertas públicas que haviam sido deixadas de lado.

Os investimentos estão se deslocando das tecnologias de geração de energia, que dependem de muito capital, como energia solar ou eólica, para tecnologias ligadas a armazenamento, transporte e eficiência de energia.

the american on dvd

As apostas estão sobre as fabricantes de pilhas de íon de lítio e startups do setor de smart grid, ou redes inteligentes, que oferecem uma série de possibilidades, como ajudar as companhias elétricas a operar seus sistemas de forma mais eficiente e prover tecnologias que buscam tornar a atual rede elétrica mais eficiente e confiável.

“Há cerca de seis a nove meses, as pessoas estavam parando tudo”, disse Gary Vollen, diretor-administrativo do setor de investimentos em tecnologia verde da Robert W Baird & Co. “Não acho que estamos nessa situação hoje em dia.”

Especialistas do setor e executivos de empresas esperam que o apetite por investimentos em tecnologia verde veja uma retomada significativa, talvez até mesmo neste trimestre, melhorando continuamente ao longo de 2010.

Mas eles alertam que o nível de atividade provavelmente não chegará ao pico de 2,6 bilhões de dólares vistos no terceiro trimestre de 2008.

“Espero ver um aumento significativo nos investimentos em tecnologia verde ao longo dos próximos seis meses”, disse Tim carey, chefe do grupo de tecnologia verde da PriceWaterHouseCoopers.

“Se voltarão aos níveis que vimos em 2007, 2008? Não tenho muita certeza disso.” (Fonte: JB Online)