16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Matar filhotes pode ser uma boa ideia, dizem cientistas

Vários estudos mostram que infanticídio é um bom mecanismo de sobrevivência, melhorando as vantagens reprodutivas dos animais.

O infanticídio pode ser um instrumento eficiente para a sobrevivência de determinadas espécies de animais, indicam um crescente número de estudos.

A ideia é chocante do ponto de vista humano, mas a realidade é que para muitos filhotes de animais, a maior ameaça à sua sobrevivência vem de sua própria espécie.
“Não é como um ato de predação, que é silencioso”, disse o especialista em leões Craig Packer, da University of Minnesota, em Falcon Heights, Estados Unidos.

“Durante o infanticídio há rugidos, é violento e muito perturbador”, ele diz, descrevendo como leões adultos matam filhotes.

“Eles mordem (os filhotes) atrás da cabeça e na nuca, esmagando seus abdomens.”

O infanticídio tende a ser pouco estudado enquanto recurso para garantir a sobrevivência dos mais fortes em uma determinada espécie. Entretanto, há registros de que ele acontece entre roedores e primatas, peixes, insetos e anfíbios.

Vantagens múltiplas
Segundo estudos, o infanticídio pode trazer benefícios às espécies animais que o cometem, como maiores oportunidades para que o infanticida se reproduza e mesmo alimentação (quando o infanticida come o filhote morto). Matar um filhote é também uma maneira de evitar que seus pais tenham que investir energia para cuidar da cria.

O infanticídio é com frequência cometido por machos adultos.

Normalmente, a proteção que um filhote recebe do pai cumpre um papel importante em assegurar a sobrevivência do bebê. Mas quando novos machos entram em cena, tudo pode mudar.

Os machos recém-chegados tendem a derrubar os machos pais de suas posições no topo da hierarquia do grupo. Se eles conseguem ferir, expulsar ou até matar um macho que ocupava uma posição dominante no grupo, tomando o seu lugar, os filhotes do antigo líder passam a correr grande risco.

Isso acontece porque machos recém-chegados com frequência têm apenas um objetivo: ter seus próprios filhotes com a mãe.

Em sociedades de leões, por exemplo, matar filhotes faz com que suas mães voltem a ficar férteis mais rápido, aumentando a chance de que os novos machos se reproduzam.

E se não matam filhotes alheios, correm o risco de que os filhotes do antigo líder cresçam e deem o seu próprio golpe.

Estratégia feminina
Mas o infanticídio não é cometido apenas por animais machos. Fêmeas também o praticam, disse o zoólogo Tim Clutton-Brock, da University of Cambridge, na Inglaterra.

“Fêmeas matam os filhotes umas das outras com a mesma prontidão”, ele disse.

Ratas matam as crias de outras fêmeas para se alimentar e se apoderam dos ninhos para criar seus próprios filhotes. Ratas também matam sua própria cria se os filhotes têm deformidades ou ferimentos. Isso permite que elas concentrem seus recursos em outros filhotes.

O infanticídio também pode aumentar o sucesso reprodutivo de um animal, reduzindo a competição para os filhotes do infanticida. Besouros fêmeas matam as larvas de suas rivais para assegurar que suas próprias larvas sobrevivam.

Esse comportamento foi observado também em mais de 40 espécies de primatas, mas em muitas dessas espécies as fêmeas usam estratégias para reduzir os riscos de que ele ocorra – segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Theoretical Biology.

A saída utilizada por essas fêmeas é o acasalamento com parceiros múltiplos para gerar o que os especialistas chamaram de “confusão de paternidade”. Ou seja, os machos não sabem quem é o o pai do filhote.

Isso dá aos filhotes maiores chances de sobreviver quando novos machos tentam se integrar no grupo.
“Em um grupo com múltiplos machos, em primatas como os babuínos, se dois machos se acasalam com a mesma fêmea e nenhum sabe quem é o pai do filhote, isso reduz o risco de infanticídio”, disse Clutton-Brock.

Suricatos
Quando há mudanças na hierarquia de dominância, “o infanticídio ocorre apenas quando a chance de o assassino ser o pai do próximo filhote é alta”, disse o estudo.

Os suricatos (mamíferos pequenos e altamente sociáveis que habitam regiões inóspitas) se reproduzem de forma cooperativa, ou seja, se um macho alfa e uma fêmea alfa se reproduzem, outros integrantes do grupo em posições de subordinação ajudam a criar os filhotes do casal alfa.

Fêmeas dominantes matam filhotes de subordinados e os próprios subordinados, se tiverem cria própria, podem também matar o filhote de uma fêmea dominante.

Suricatos machos, no entanto, não sujam suas patas com o sangue de filhotes.

Clutton-Brock explicou: “Suricatos machos não apresentam (comportamento) infanticida porque assim que (as fêmeas) têm filhotes, ficam prontas para se acasalar novamente. Então, matar crianças não interessa aos machos”.

Uma situação que contrasta bastante com a dos leões, onde as fêmeas passam quase 18 meses amamentando após o nascimento dos filhotes.

Sabe-se que machos nômades, ou coalizões de machos competindo pelo controle de alcateias, matam filhotes com o objetivo de fazer com que a mãe volte a ficar fértil. Desta forma, podem se reproduzir com ela.

Fonte: Portal IG


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Aranha fêmea ‘interesseira’ é enganada pelos machos, diz estudo

Machos levam presentes inúteis em ritual de acasalamento.
Estudo foi publicado pela revista ‘BMC Evolutionary Biology’.

Aranha macho da espécie 'Pisaura mirabilis' (Foto: María J. Albo)

Aranha macho da espécie 'Pisaura mirabilis' (Foto: María J. Albo)

Os machos da Pisaura mirabilis, uma espécie de aranhas-de-jardim, têm o hábito de oferecer presentes para as fêmeas com quem pretendem cruzar. Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) pela revista científica “BMC Evolutionary Biology” mostra que as fêmeas levam a qualidade do presente em conta na hora de escolher o parceiro.

O presente é preparado com cuidado: vem embrulhado em seda. Na maioria das vezes, lá dentro está um inseto, oferecido como alimento. Porém, alguns machos enchem o pacote com sementes que não são comestíveis, ou então com a carcaça de uma mosca que eles mesmos comeram.

Para entender o que leva os animais a esse estranho comportamento, os cientistas conduziram uma experiência. Eles colocaram as aranhas para interagir em três situações diferentes. Nelas, o macho levaria uma mosca, um presente inútil ou nenhum presente.

Os que não levaram presente conseguiram cruzar com as fêmeas por um período muito curto. Os que entregaram presentes inúteis ficaram mais tempo, e quem mais conseguiu ficar a sós com a fêmea foi quem levou comida.

María Albo, que liderou o estudo, explica que os machos pensam na relação custo benefício. “Custa aos machos achar e embrulhar um presente, mas esses custos são reduzidos se o macho não tem que pegar o presente, ou se dá um que já foi comido. O benefício do presente é uma relação mais longa, que leva a maior transferência de esperma e, potencialmente, a mais descendentes. No entanto, as fêmeas se decepcionam e terminam a relação antes quando recebem presentes inúteis”, explica a pesquisadora da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

“Os resultados finais mostram que o número de ovos foi menor se a fêmea não recebeu um presente, mas a diferença foi pequena se o presente era comestível ou não. O sucesso da enganação provavelmente explica por que as duas estratégias evoluíram juntas e foram mantidas na população”, conclui a cientista.

 


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas americanos que observaram a vida sexual de uma espécie de lula que vive nas profundezas afirmam que os animais mantêm sexo tanto com machos como fêmeas e possuem hábitos sexuais promíscuos.

As conclusões dos especialistas foram feitas estudarem imagens submarinas das lulas de águas profundas, conhecidas como Octopoteuthis deletron, colhidas ao longo de 20 anos.

Entre as explicações encontradas para o fenômeno estão a de que os acasalamentos nas águas profundas são raros e realizados em um ambiente pouco favorável e a de que as lulas não seriam capazes de distinguir o sexo de seus pares na escuridão das águas profundas.

A pesquisa, publicada na revista especializada Biology Letters, foi possibilitada graças às imagens registradas por submarinos operados remotamente no cânion de Monterey, na região costeira da Califórnia, a profundidades que variam entre 400 e 800 metros.

Até recentemente, pouco se sabia sobre a vida sexual da espécie, exceto pelo fato de que os machos usam um órgão comprido, semelhante a um pênis, para depositar na fêmea espermatóforos, uma cápsula contendo milhões espermatozoides, absorvidos pela fêmea em seu tecido.

O pesquisador que comandou o estudo, Hendrik Hoving, do Instituto Aquático da Baía de Monterey, explicou que sua equipe não chegou a obter imagens dos animais se acasalando, mas encontrou traços de cápsulas de espermatozoide tanto em fêmeas como em machos.

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas(Foto: MBARI/France Presse )

ACASALAMENTO BISSEXUAL

”Como a localização das cápsulas de espermatozoide são similares em ambos os sexos, nós concluímos que os machos acasalam tanto com machos como fêmeas”, afirmou Hoving.

Os pesquisadores descobriram o mesmo número de espermatóforos depositados em machos e fêmeas, o que indicaria que o acasalamento entre pares do mesmo sexo seria tão frequente quanto o realizado entre pares do sexo oposto.

E o número de cápsulas de espermatozoide depositadas também sugere que os animais seriam promíscuos, segundo os pesquisadores.

O comportamento incomum, afirmam eles, pode ser explicado pelo fato de que a lula está tentando ampliar as suas chances de passar adiante os seus gentes em meio ao ambiente desfavorável em que vive.

Na pesquisa, os especialistas afirmam que ”no habitat profundo e escuro onde o Octopoteuthis deletron vive, os machos são poucos e estão espalhados”.

”Nós sugerimos que o acasalamento bissexual do O. deletron faz parte de uma estratégia de reprodução que maximiza o sucesso ao induzir os machos a inseminar indiscriminadamente cada lula que encontram”.

 

Fonte: BBC Brasil






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16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Fêmeas de besouro são atraídas por feromônios sexuais e cheiro de cadáver

Ciclo de vida dos besouros é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta

Cadáveres em avançado estado de decomposição são o local ideal para os besouros da espécie Dermestes maculatus se reproduzirem e botarem seus ovos. Ali, suas larvas encontram os nutrientes necessários para se desenvolverem. Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Frontiers in Zoology mostrou que nem os feromônios sexuais liberados pelos machos nem o cheiro dos cadáveres são suficientes para atrair as fêmeas até o local. Elas só são atraídas quando os dois odores estão presentes em conjunto, mostrando como a evolução da espécie aumentou as chances de sua reprodução ter sucesso.

Os cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, pesquisaram quais odores eram capazes de atrair as fêmeas virgens e jovens, com duas a três semanas de vida, do besouro. Eles testaram diversos aromas: o cheiro de cadáver de porco coletado em diferentes estágios de decomposição, feromônios masculinos extraídos da glândula do inseto, feromônios sintéticos e um solvente.

As fêmeas ignoraram totalmente tanto os feromônios artificiais quanto o solvente. Na verdade, elas não foram atraídas por quase nenhum dos odores, a não ser pelo do cadáver nos últimos estágios de decomposição, desde que reforçado pelos feromônios masculinos. “Embora o cheiro do cadáver não seja capaz de atrair as fêmeas, ele é o suficiente para atrair os machos jovens”, explica Christian von Hoermann, coordenador do estudo.

Segundo o pesquisador, a liberação de feromônios por parte dos machos assinala que o cadáver é um ambiente apropriado para alimentação, acasalamento e depósito de ovos. A seleção natural teria feito com que as fêmeas só respondessem aos chamados dos machos se o odor do cadáver estivesse presente – e vice-versa – para otimizar as chances de sobrevivência de seus filhos.

Ciclo - A decomposição de cadáveres costuma ser um prato atrativo para muitas espécies de insetos, que desenvolveram preferência por diferentes estágios do processo. As primeiras a chegar ao corpo costumam ser as moscas, cujas larvas se alimentam dos tecidos ainda úmidos. Depois, vêm os besouros das famílias Histeridae e Staphylinidae, que se alimentam dessas larvas. Os besouros Dermestes maculatus chegam no estágio seguinte e passam a se alimentar dos restos de pele e ligamentos.

No entanto, eles só começarão a se reproduzir quando a decomposição estiver mais avançada e o cadáver reduzido a ossos, cabelos e pele seca. A partir desse momento, só restarão as larvas do besouro. O ciclo de vida e a sequência de chegada desses animais é tão previsível que costuma ser usado por cientistas forenses para estimar há quanto tempo uma pessoa está morta.

besouro

O besouro Dermestes maculatus costuma se reproduzir e botar seus ovos em cadáveres em decomposição (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Borboletas preferem machos com asas mais vistosas

Pesquisadores de Yale estudaram o processo de evolução das asas da espécie ‘Bicyclus anynana’

Uma pergunta sempre intrigou os biólogos que estudam a seleção sexual (quando se trata não da disputa pela sobrevivência e sim pela chance de se reproduzir): se as borboletas fêmeas identificam os machos de sua espécie pelo padrão das manchas em suas asas, como novos padrões de asas se desenvolvem nos machos?

Para buscar a resposta, pesquisadores da Universidade de Yale fizeram um estudo com borboletas da espécie Bicyclus anynana e concluíram que as fêmeas são predispostas a gostar de um modelo específico, mas que ao longo da vida elas podem adquirir novas preferências, geralmente por machos com cores mais vistosas. O trabalho foi publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

As borboletas Bicyclus anynananaturalmente têm duas manchas em suas asas. Para descobrir como as fêmeas podem gostar de outros padrões de cores, os pesquisadores colocaram um grupo de fêmeas em contato com borboletas com quatro manchas. A partir de então, essas não deram mais preferência aos machos com duas manchas.

Em contrapartida, as fêmeas inicialmente expostas a machos com uma ou nenhuma mancha, com tons de cinza e marrom, não mudaram suas preferências originais.

“O que nos surpreendeu foi que as fêmeas adquiriam essa preferência depois de pouco tempo em contato com machos”, disse Erica L. Westerman, do Departamento de Biologia e Ecologia Evolucionista de Yale e principal autora do estudo.

“Existe um modelo de aprendizado, e elas aprenderam que ornamentação extra é melhor”, disse a escocesa Antónia Monteiro, pesquisadora de Yale e uma das autoras do estudo.

As descobertas de que o ambiente social pode mudar a preferência de borboletas fêmeas ajuda a explicar como novos modelos de asas evoluem, dizem os pesquisadores. Agora Westerman e sua equipe querem agora descobrir como as fêmeas aprendem a fazer as suas escolhas.

“Nós estamos agora investigando o que impede as fêmeas de se acasalarem com machos de outras espécies durante o período de aprendizagem,” diz Westerman.

borboleta

As borboletas Bicyclus anynana usam padrão de asa para identificar machos da mesma espécie (Cortesia - Universidade de Yale)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Matar filhotes pode ser uma boa ideia, dizem cientistas

Vários estudos mostram que infanticídio é um bom mecanismo de sobrevivência, melhorando as vantagens reprodutivas dos animais.

O infanticídio pode ser um instrumento eficiente para a sobrevivência de determinadas espécies de animais, indicam um crescente número de estudos.

A ideia é chocante do ponto de vista humano, mas a realidade é que para muitos filhotes de animais, a maior ameaça à sua sobrevivência vem de sua própria espécie.
“Não é como um ato de predação, que é silencioso”, disse o especialista em leões Craig Packer, da University of Minnesota, em Falcon Heights, Estados Unidos.

“Durante o infanticídio há rugidos, é violento e muito perturbador”, ele diz, descrevendo como leões adultos matam filhotes.

“Eles mordem (os filhotes) atrás da cabeça e na nuca, esmagando seus abdomens.”

O infanticídio tende a ser pouco estudado enquanto recurso para garantir a sobrevivência dos mais fortes em uma determinada espécie. Entretanto, há registros de que ele acontece entre roedores e primatas, peixes, insetos e anfíbios.

Vantagens múltiplas
Segundo estudos, o infanticídio pode trazer benefícios às espécies animais que o cometem, como maiores oportunidades para que o infanticida se reproduza e mesmo alimentação (quando o infanticida come o filhote morto). Matar um filhote é também uma maneira de evitar que seus pais tenham que investir energia para cuidar da cria.

O infanticídio é com frequência cometido por machos adultos.

Normalmente, a proteção que um filhote recebe do pai cumpre um papel importante em assegurar a sobrevivência do bebê. Mas quando novos machos entram em cena, tudo pode mudar.

Os machos recém-chegados tendem a derrubar os machos pais de suas posições no topo da hierarquia do grupo. Se eles conseguem ferir, expulsar ou até matar um macho que ocupava uma posição dominante no grupo, tomando o seu lugar, os filhotes do antigo líder passam a correr grande risco.

Isso acontece porque machos recém-chegados com frequência têm apenas um objetivo: ter seus próprios filhotes com a mãe.

Em sociedades de leões, por exemplo, matar filhotes faz com que suas mães voltem a ficar férteis mais rápido, aumentando a chance de que os novos machos se reproduzam.

E se não matam filhotes alheios, correm o risco de que os filhotes do antigo líder cresçam e deem o seu próprio golpe.

Estratégia feminina
Mas o infanticídio não é cometido apenas por animais machos. Fêmeas também o praticam, disse o zoólogo Tim Clutton-Brock, da University of Cambridge, na Inglaterra.

“Fêmeas matam os filhotes umas das outras com a mesma prontidão”, ele disse.

Ratas matam as crias de outras fêmeas para se alimentar e se apoderam dos ninhos para criar seus próprios filhotes. Ratas também matam sua própria cria se os filhotes têm deformidades ou ferimentos. Isso permite que elas concentrem seus recursos em outros filhotes.

O infanticídio também pode aumentar o sucesso reprodutivo de um animal, reduzindo a competição para os filhotes do infanticida. Besouros fêmeas matam as larvas de suas rivais para assegurar que suas próprias larvas sobrevivam.

Esse comportamento foi observado também em mais de 40 espécies de primatas, mas em muitas dessas espécies as fêmeas usam estratégias para reduzir os riscos de que ele ocorra – segundo um estudo publicado na revista científica Journal of Theoretical Biology.

A saída utilizada por essas fêmeas é o acasalamento com parceiros múltiplos para gerar o que os especialistas chamaram de “confusão de paternidade”. Ou seja, os machos não sabem quem é o o pai do filhote.

Isso dá aos filhotes maiores chances de sobreviver quando novos machos tentam se integrar no grupo.
“Em um grupo com múltiplos machos, em primatas como os babuínos, se dois machos se acasalam com a mesma fêmea e nenhum sabe quem é o pai do filhote, isso reduz o risco de infanticídio”, disse Clutton-Brock.

Suricatos
Quando há mudanças na hierarquia de dominância, “o infanticídio ocorre apenas quando a chance de o assassino ser o pai do próximo filhote é alta”, disse o estudo.

Os suricatos (mamíferos pequenos e altamente sociáveis que habitam regiões inóspitas) se reproduzem de forma cooperativa, ou seja, se um macho alfa e uma fêmea alfa se reproduzem, outros integrantes do grupo em posições de subordinação ajudam a criar os filhotes do casal alfa.

Fêmeas dominantes matam filhotes de subordinados e os próprios subordinados, se tiverem cria própria, podem também matar o filhote de uma fêmea dominante.

Suricatos machos, no entanto, não sujam suas patas com o sangue de filhotes.

Clutton-Brock explicou: “Suricatos machos não apresentam (comportamento) infanticida porque assim que (as fêmeas) têm filhotes, ficam prontas para se acasalar novamente. Então, matar crianças não interessa aos machos”.

Uma situação que contrasta bastante com a dos leões, onde as fêmeas passam quase 18 meses amamentando após o nascimento dos filhotes.

Sabe-se que machos nômades, ou coalizões de machos competindo pelo controle de alcateias, matam filhotes com o objetivo de fazer com que a mãe volte a ficar fértil. Desta forma, podem se reproduzir com ela.

Fonte: Portal IG


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Moscas rejeitadas pelas fêmeas recorrem ao álcool, diz estudo

As moscas que buscam sexo e são rejeitadas pelas fêmeas estão muito mais propensas a consumir álcool que seus pares satisfeitos, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira pela revista Science. “Durante muito tempo as moscas drosófilas (conhecidas também como moscas-da-fruta) foram usadas como modelo para o estudo do alcoolismo”, explicou a neurobióloga chilena Ulrike Hebertein, da equipe da Universidade da Califórnia que realizou os experimentos.

O estudo liderado por Galit Shohat Ophir, do Departamento de Anatomia da Universidade da Califórnia, ajuda a entender melhor uma “área de recompensas” no cérebro que pode ter implicações na dependência. “Sabemos que quase 50% da propensão ao consumo de álcool está ligada aos genes, mas as experiências na vida também afetam o consumo humano de álcool”, acrescentou.

Para determinar o grau no qual as experiências estressantes podem levar a um elevado consumo de álcool, pelo menos nas moscas, os cientistas decidiram expor os machos à “rejeição sexual das fêmeas” durante uma hora três vezes por dia e durante quatro dias.

Para comparar os resultados, outro grupo de machos foi eleito para receber a companhia, cada um deles, de cinco moscas virgens e amplas oportunidades para acasalar. “Depois comparamos o consumo voluntário do álcool em ambos grupos. Constatamos que os machos rechaçados pelas fêmeas mostraram uma preferência notável pela comida com 15% de álcool, em detrimento da comida normal”, continuou Ulrike. “Essa diferença no consumo de álcool continuou por vários dias”, disse a pesquisadora.

A vida média das moscas drosófilas é de 26 dias para as fêmeas e 33 dias para os machos, de modo que uma propensão ao alcoolismo por “vários dias” pode representar uma porção significativa na vida desse inseto. Para uma comprovação adicional do impacto da rejeição sexual na propensão ao consumo de álcool, Ulrike e os outros pesquisadores separaram os machos frustrados em dois subgrupos, e a um deles foi permitida a companhia de moscas virgens durante duas horas e meia.

“A preferência pelo álcool foi notavelmente menor no subgrupo de machos primeiro rechaçados e depois colocados na companhia das fêmeas”, destacou o artigo.

Fonte: Portal Terra


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Aranha fêmea ‘interesseira’ é enganada pelos machos, diz estudo

Machos levam presentes inúteis em ritual de acasalamento.
Estudo foi publicado pela revista ‘BMC Evolutionary Biology’.

Aranha macho da espécie 'Pisaura mirabilis' (Foto: María J. Albo)

Aranha macho da espécie 'Pisaura mirabilis' (Foto: María J. Albo)

Os machos da Pisaura mirabilis, uma espécie de aranhas-de-jardim, têm o hábito de oferecer presentes para as fêmeas com quem pretendem cruzar. Um estudo publicado nesta segunda-feira (14) pela revista científica “BMC Evolutionary Biology” mostra que as fêmeas levam a qualidade do presente em conta na hora de escolher o parceiro.

O presente é preparado com cuidado: vem embrulhado em seda. Na maioria das vezes, lá dentro está um inseto, oferecido como alimento. Porém, alguns machos enchem o pacote com sementes que não são comestíveis, ou então com a carcaça de uma mosca que eles mesmos comeram.

Para entender o que leva os animais a esse estranho comportamento, os cientistas conduziram uma experiência. Eles colocaram as aranhas para interagir em três situações diferentes. Nelas, o macho levaria uma mosca, um presente inútil ou nenhum presente.

Os que não levaram presente conseguiram cruzar com as fêmeas por um período muito curto. Os que entregaram presentes inúteis ficaram mais tempo, e quem mais conseguiu ficar a sós com a fêmea foi quem levou comida.

María Albo, que liderou o estudo, explica que os machos pensam na relação custo benefício. “Custa aos machos achar e embrulhar um presente, mas esses custos são reduzidos se o macho não tem que pegar o presente, ou se dá um que já foi comido. O benefício do presente é uma relação mais longa, que leva a maior transferência de esperma e, potencialmente, a mais descendentes. No entanto, as fêmeas se decepcionam e terminam a relação antes quando recebem presentes inúteis”, explica a pesquisadora da Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

“Os resultados finais mostram que o número de ovos foi menor se a fêmea não recebeu um presente, mas a diferença foi pequena se o presente era comestível ou não. O sucesso da enganação provavelmente explica por que as duas estratégias evoluíram juntas e foram mantidas na população”, conclui a cientista.

 


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas americanos que observaram a vida sexual de uma espécie de lula que vive nas profundezas afirmam que os animais mantêm sexo tanto com machos como fêmeas e possuem hábitos sexuais promíscuos.

As conclusões dos especialistas foram feitas estudarem imagens submarinas das lulas de águas profundas, conhecidas como Octopoteuthis deletron, colhidas ao longo de 20 anos.

Entre as explicações encontradas para o fenômeno estão a de que os acasalamentos nas águas profundas são raros e realizados em um ambiente pouco favorável e a de que as lulas não seriam capazes de distinguir o sexo de seus pares na escuridão das águas profundas.

A pesquisa, publicada na revista especializada Biology Letters, foi possibilitada graças às imagens registradas por submarinos operados remotamente no cânion de Monterey, na região costeira da Califórnia, a profundidades que variam entre 400 e 800 metros.

Até recentemente, pouco se sabia sobre a vida sexual da espécie, exceto pelo fato de que os machos usam um órgão comprido, semelhante a um pênis, para depositar na fêmea espermatóforos, uma cápsula contendo milhões espermatozoides, absorvidos pela fêmea em seu tecido.

O pesquisador que comandou o estudo, Hendrik Hoving, do Instituto Aquático da Baía de Monterey, explicou que sua equipe não chegou a obter imagens dos animais se acasalando, mas encontrou traços de cápsulas de espermatozoide tanto em fêmeas como em machos.

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas

Cientistas identificam comportamento promíscuo e bissexual em lulas(Foto: MBARI/France Presse )

ACASALAMENTO BISSEXUAL

”Como a localização das cápsulas de espermatozoide são similares em ambos os sexos, nós concluímos que os machos acasalam tanto com machos como fêmeas”, afirmou Hoving.

Os pesquisadores descobriram o mesmo número de espermatóforos depositados em machos e fêmeas, o que indicaria que o acasalamento entre pares do mesmo sexo seria tão frequente quanto o realizado entre pares do sexo oposto.

E o número de cápsulas de espermatozoide depositadas também sugere que os animais seriam promíscuos, segundo os pesquisadores.

O comportamento incomum, afirmam eles, pode ser explicado pelo fato de que a lula está tentando ampliar as suas chances de passar adiante os seus gentes em meio ao ambiente desfavorável em que vive.

Na pesquisa, os especialistas afirmam que ”no habitat profundo e escuro onde o Octopoteuthis deletron vive, os machos são poucos e estão espalhados”.

”Nós sugerimos que o acasalamento bissexual do O. deletron faz parte de uma estratégia de reprodução que maximiza o sucesso ao induzir os machos a inseminar indiscriminadamente cada lula que encontram”.

 

Fonte: BBC Brasil