1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Biólogos identificam duas novas espécies de lêmures

Animais endêmicos de Madagascar estão entre os menores primatas do mundo e os mais ameaçados de extinção

lêmur

O Microcebus marohita foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção antes mesmo de ser formalmente descrito pelos pesquisadores (Bellarmin Ramahefasoa)

Biólogos alemães identificaram nas florestas de Madagascar duas novas espécies de lêmures do gênero Microcebus, que reúne as menores espécies de primatas do mundo —  e também as mais ameaçadas de extinção. Os animais foram descritos, após análises genéticas e morfológicas, em uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista International Journal of Primatology.

Os lêmures foram descobertos durante visitas de campo realizadas por pesquisadores do Centro de Primatas da Alemanha à ilha de Madagascar entre 2003 e 2007. Segundo os biólogos, os animais são minúsculos, pesando menos de cem gramas. A espécieMicrocebus tanosi tem a cabeça vermelha e pelos marrons e negros pelo corpo. Na barriga, seus pelos são castanhos e cinzas. Já o Microcebus marohita possui uma cauda longa e espessa e grandes patas traseiras.

Ameaça - Por causa do isolamento geográfico de Madagascar, todos os seus primatas, 90% de suas plantas e 80% de seus anfíbios e répteis são espécies endêmicas – ou seja, só são encontradas na ilha. Os lêmures, por exemplo, não existem fora dali. Na última década, com as pesquisas realizadas na região,  o número de espécies identificadas de lêmures mais que triplicou.

A floresta onde as duas novas espécies foram encontradas sofreu grande degradação na última década, fazendo com que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) colocasse uma das novas espécies na lista das ameaçadas de extinção antes mesmo que ela tivesse sido formalmente descrita pelos pesquisadores. A situação de degradação na ilha é tão devastadora que um relatório publicado no ano passado pela entidade destacou que o lêmure mais raro do mundo, o lêmure-esportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), não contava com mais de dezenove espécimes vivos.

Fonte: Veja Ciência


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Intervenção humana ameaça biodiversidade em Madagascar

Cerca de 85% das espécies que vivem na quarta maior ilha do mundo existem apenas lá. Mas as mudanças climáticas e a atividade humana ameaçam esse ambiente singular.

Madagascar fica localizada a leste do continente africano, no Oceano Índico. Lá, flora e fauna desenvolveram-se em completo isolamento, porque ao longo da formação do planeta a ilha se desprendeu do continente africano. O resultado é uma riqueza biológica muito especial.

De acordo com a organização ambientalista WWF, 85% das espécies existentes na ilha são endêmicas, isto é, existem apenas lá. Entre elas estão os lêmures – das cerca de 100 espécies diferentes existentes na ilha, cerca de 30 estão na lista de espécies amea­çadas. Seu significado religioso para a população nativa é expressivo. Grande parte da população acredita que as pessoas se tornam lêmures depois da morte. Não é por acaso que eles são também chamados de “espírito da floresta”.

Além disso, quase todas as espécies de cobras, sapos, camaleões e lagartixas são consideradas endêmicas. O tesouro biológico abriga cerca de 250 espécies de pássaros e 3 mil de borboletas. A variedade da flora também é única: 80% das 12 mil espécies conhecidas de plantas com flores existem apenas em Madagascar, assim como cinco das seis espécies de baobá, também conhecido como árvore pão-de-macaco. Cientistas suspeitam que nas poucas áreas com floresta virgem que ainda existem, haja muitas espécies animais e vegetais que ainda nem foram catalogados.

Mais pessoas – menos floresta

Cerca de 20 milhões de pessoas vivem em Madagascar, e o número de habitantes aumenta em cerca de meio milhão por ano. Como a população vive principalmente da agricultura, mais e mais terras são preparadas para o cultivo e a pecuária, na maioria dos casos por meio da queimada de florestas. Além disso, muitas árvores são cortadas para a produção de lenha e combustível.

Isso tem efeitos dramáticos sobre a paisagem. A floresta, que já chegou a cobrir 90% da superfície de Madagascar, hoje ocupa apenas 10% do território, segundo dados da WWF. E a cada ano são derrubados 120 mil hectares de árvores. Se continuar nesse ritmo, em 40 anos Madagascar não terá mais árvores, projeta a organização ambientalista.

Biodiversidade ameaçada

Com a perda das florestas, perde-se cada vez mais o habitat de plantas e animais. “Se elas [as florestas] não forem salvas, perderemos inúmeras espécies que sequer conhecemos“, diz a especialista em Madagascar da WWF, Dorothea August. A espécie de lêmure mirza, descoberta recentemente, é um exemplo dos segredos que as florestas de Madagascar ainda abrigam.

“Se a destruição não for impedida, os dias de muitas espécies de animais e plantas estarão contados“, diz August. O crescente desflorestamento em Madagascar leva a uma gigantesca erosão. As consequências são deslizamento de terras, inundações, por um lado, e escassez de água devido ao ressecamento do solo. Essas transformações são favorecidas pelas mudanças climáticas globais.

Apesar de tudo, algumas espécies de plantas podem se adaptar. O baobá, por exemplo, pode armazenar até 500 litros de água em seu tronco e com isso sobreviver aos períodos de seca, que são cada vez mais frequentes.

Proteção ambiental apenas em nível local

O governo de Madagascar reconhece o princípio da conservação da natureza. E por isso trabalha, por exemplo, com a WWF em um projeto para o manejo sustentável da água. Até o momento, cerca de 35 mil pessoas de 13 municípios do Platô Mahafaly já se beneficiaram com o projeto. Mas em outros processos a situação está estagnada. “O país passa de crise política em crise política, não há confiabilidade”, diz Daniela Freyer, bióloga da organização Pro Wildlife.

O sistema de fiscalização estaria totalmente desmantelado, o que, junto com a corrupção, permite o avanço na extinção de espécies de animais e plantas. “A exportação de madeira protegida para a Alemanha e para a China é aprovada pelas autoridades”, diz Freyer. Isso acontece muitas vezes pela concessão de “isenções”. Para completar, há ainda o comércio ilegal – e também legal – de animais de Madagascar, como as lagartixas e sapos.

Dorothea August, do WWF, critica também a falta de ação política e a impunidade. A instabilidade política no país “não ajuda na implementação de projetos ambientais”, reclama a especialista do WWF.

Para Daniela Freyer, é importante que organizações ambientalistas locais estejam engajadas, para substituir a caótica estrutura organizacional e de controle do país. “Para assim garantir um mínimo de proteção.”

Lêmures são o "espírito da floresta"

Baobá consegue acumular até 500 litros de água e, com isso, sobrevive melhor ao clima árido

 Fonte:  DW / Autor: Po Keung Cheung (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer

21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais alcançaram Madagascar em ‘barcos improvisados’, diz estudo

Troncos e vegetação flutuante ajudaram na dispersão de espécies na ilha.
Cientistas analisaram dados geológicos e oceânicos da região africana.

Animais “pegam carona” em embarcação e vão parar em uma ilha exótica na costa da África. A história da animação cinematográfica “Madagascar”, de 2005, pode não ser totalmente ficção, segundo cientistas.

Pesquisadores divulgaram na edição desta semana da “PNAS”, revista da Academia Nacional de Ciências norte-americana, estudo afirmando que o transporte transoceânico – seja pelo ar ou pela água – pode ter contribuído com o povoamento de vertebrados na quarta maior ilha da Terra.

No caso do filme, um navio-cargueiro deixou cair contêineres transportando um leão, uma girafa, uma zebra e um exemplar de hipópotamo.

Na vida real, após a separação dos continentes, os ancentrais de espécies vertebradas que hoje vivem na ilha teriam se deslocado do continente africano para a ilha há 65 milhões de anos com a ajuda de galhos de árvores, que teriam seguido a corrente oceânica pelo Canal de Moçambique — faixa de mar no Oceano Índico que divide Madagascar do resto da África.

As espécies teriam sido transportadas também por meio de grandes tapetes de vegetação que flutuaram pelo mar.

Entretanto, com a inversão das correntes oceânicas, que teria ocorrido há 23 milhões de anos, fez com que outra parte dos ancestrais de espécies alcançassem a ilha voando.

Biodiversidade
Liderado por Karen E. Samonds, da Universidade Queensland, da Austrália, o grupo de pesquisadores utilizou informações geográficas e oceânicas para explicar o motivo da diversidade animal na ilha.

A região é lar de diversas espécies endêmicas como o lêmur-de-cauda-anelada (Lemur catta) e do lêmure-rato-de-Berthe (Microcebus berthae).

Além disso, é considerada pela ciência como um laboratório vivo para o estudo da evolução e do impacto da geografia no processo evolucionário.

Tem mais espécies únicas do que qualquer outro lugar do planeta, com exceção da Austrália, 13 vezes maior. Por exemplo, há 70 tipos diferentes de lêmure que só vivem ali. Cerca de 90% dos demais mamíferos, anfíbios e répteis são exclusividade de Madagascar.

Em junho passado, a organização ambiental WWF divulgou relatório onde afirmava que Madagascar é o local com maior concentração de novas espécies de animais, plantas e insetos.

De acordo com a entidade, cientistas fizeram 615 descobertas de novas espécies entre os anos de 1999 e 2010. Entretanto, muitas das criaturas já estão ameaçadas de extinção, afirma o documento.

Nos últimos 11 anos, foram encontradas 385 plantas, 42 invertebrados, 17 peixes, 69 anfíbios, 61 répteis e 41 mamíferos. Mas especialistas alertam que parte da biodiversidade recém-descoberta estaria desaparecendo em decorrência do desmatamento, que já afetou 90% da cobertura de florestas original.

Lêmure rato de Berthe, espécime descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, é considerada em extinção (Foto: WWF)

Lêmure-rato-de-Berthe, espécie descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, corre risco de extinção (Foto: WWF)

Fonte: Globo Natureza


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Camaleão com 29 milímetros é encontrado em Madagáscar

Um dos menores camaleões do mundo acaba de ser descoberto em uma ilhota de calcário em Madagáscar.

O minúsculo Brookesia micra tem o comprimento máximo de 29 milímetros.

Os cientistas alemães que participaram da expedição também encontraram três novas espécies ao norte da ilha. Eles temem que os animais corram risco de extinção, caso haja uma alteração no habitat deles.

BUSCA NOTURNA

A equipe do cientista Frank Glaw, do Zoologische Staatssammlung, de Munique, é especializada em camaleões pequenos e já achou espécies semelhantes no passado.

Os animais foram encontrados à noite, vasculhando-se o chão com a ajuda de lanternas, durante a estação das chuvas em Madagáscar.

“Eles vivem entre as folhas durante o dia, mas à noite saem, e você consegue achá-los”, diz Glaw.

Os pesquisadores acreditam que a menor das espécies pode ser um caso de nanismo insular. O fenômeno no qual espécies diminuem de tamanho com o tempo para se adaptar a um habitat menor.

“É possível que a grande ilha de Madagáscar tenha produzido uma espécie geral de camaleões minúsculos, e que uma ilhota pequena tenha produzido a espécie menor”, disse Glaw à BBC.

Uma análise genética comprovou que os camaleões são na verdade parte de quatro espécies distintas.

“Isso indica que eles se separaram há milhões de anos, antes mesmo do que várias outras espécies de camaleão”, disse Miguel Vences, da Universidade alemã de Braunschweig, que participou do trabalho.

Cada espécie nova está restrita a um território muito pequeno. O menor dos territórios tem apenas meio quilômetro quadrado.

“Em Madagáscar, muitas espécies estão restritas a pequenos habitats, e isso faz com que seja importante conservá-los”, diz Glaw.

Outra espécie minúscula, o B. tristis (significa “triste”), vivia em uma parte isolada de uma floresta, próximo a uma cidade.

A escolha do nome pelos cientistas se deve ao alerta para o perigo de extinção das espécies, que são muito frágeis.

O artigo sobre os pequenos camaleões pode ser lida na revista científica “PLoS ONE”.

Expedição alemã em ilha de Madagáscar levou à descoberta do "Brookesia micra", que mede até 29 milímetros

Expedição alemã em ilha de Madagáscar levou à descoberta do "Brookesia micra", que mede até 29 milímetros. Foto: Frank Glaw/PlosONE/Creative Commons

Os camaleões foram encontrados à noite, com a ajuda de lanternas, na estação das chuvas da ilha africana

Os camaleões foram encontrados à noite, com a ajuda de lanternas, na estação das chuvas da ilha africana. Foto: Frank Glaw/PlosONE/Creative Commons

Fonte: BBC Brasil


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Espécies recém-descobertas em Madagascar já correm risco, diz WWF

Em 11 anos, cientistas encontraram 615 novas espécies na ilha africana.
Desmatamento ameaça biodiversidade do país.

A ilha africana de Madagascar, considerada a quarta maior do mundo, é o local que concentra o maior número de novas espécies de animais, plantas e insetos, segundo relatório publicado nesta segunda-feira (6) pela organização ambiental WWF.

De acordo com a entidade, cientistas fizeram 615 descobertas de novas espécies entre os anos de 1999 e 2010. Entretanto, muitas das criaturas já estão ameaçadas de extinção, afirma o documento.

Nos últimos 11 anos, foram encontradas 385 plantas, 42 invertebrados, 17 peixes, 69 anfíbios, 61 répteis e 41 mamíferos. Mas especialistas alertam que parte da biodiversidade recém-descoberta estaria desaparecendo em decorrência do desmatamento, que já afetou 90% da cobertura de florestas original.

O relatório cita o lêmure rato de Berthe (Microcebus berthae), descoberto em 2000 e que ficou conhecido ao ser retratado no filme Madagascar, como um dos primatas já classificados com risco de extinção.

O estudo aponta problemas políticos no país como responsáveis por acelerar a devastação da floresta. Atividades madeireiras irregulares teriam afetado áreas de parques nacionais como os de Marojejy, Masoala, Makira e Mananara.

Além disso, há registros de caça predatória de espécies em virtude da culinária do país. “Essas espécies espetaculares estão em jogo em Madagascar. Nós vamos colocar todo nosso esforço e dinheiro para proteção prioritária da terra, paisagens marinhas e espécies em risco”, afirmou Nanie Ratsifandrihamanana, diretora da WWF no país.

Exemplar de lêmure rato de Berthe, descoberto em 2000 na ilha de Madagascar, é considerado em extinção (Foto:WWF)

Exemplar de lêmure rato de Berthe, descoberto em 2000 na ilha de Madagascar, é considerado em extinção (Foto:WWF)

Confira imagens de outras espécies encontradas em Madagascar, acesse:
http://g1.globo.com/natureza/fotos/2011/06/confira-especies-descobertas-na-ilha-de-madagascar.html

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo






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1 de abril de 2013 | nenhum comentário »

Biólogos identificam duas novas espécies de lêmures

Animais endêmicos de Madagascar estão entre os menores primatas do mundo e os mais ameaçados de extinção

lêmur

O Microcebus marohita foi colocado na lista de espécies ameaçadas de extinção antes mesmo de ser formalmente descrito pelos pesquisadores (Bellarmin Ramahefasoa)

Biólogos alemães identificaram nas florestas de Madagascar duas novas espécies de lêmures do gênero Microcebus, que reúne as menores espécies de primatas do mundo —  e também as mais ameaçadas de extinção. Os animais foram descritos, após análises genéticas e morfológicas, em uma pesquisa publicada nesta terça-feira na revista International Journal of Primatology.

Os lêmures foram descobertos durante visitas de campo realizadas por pesquisadores do Centro de Primatas da Alemanha à ilha de Madagascar entre 2003 e 2007. Segundo os biólogos, os animais são minúsculos, pesando menos de cem gramas. A espécieMicrocebus tanosi tem a cabeça vermelha e pelos marrons e negros pelo corpo. Na barriga, seus pelos são castanhos e cinzas. Já o Microcebus marohita possui uma cauda longa e espessa e grandes patas traseiras.

Ameaça - Por causa do isolamento geográfico de Madagascar, todos os seus primatas, 90% de suas plantas e 80% de seus anfíbios e répteis são espécies endêmicas – ou seja, só são encontradas na ilha. Os lêmures, por exemplo, não existem fora dali. Na última década, com as pesquisas realizadas na região,  o número de espécies identificadas de lêmures mais que triplicou.

A floresta onde as duas novas espécies foram encontradas sofreu grande degradação na última década, fazendo com que a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) colocasse uma das novas espécies na lista das ameaçadas de extinção antes mesmo que ela tivesse sido formalmente descrita pelos pesquisadores. A situação de degradação na ilha é tão devastadora que um relatório publicado no ano passado pela entidade destacou que o lêmure mais raro do mundo, o lêmure-esportivo-do-norte (Lepilemur septentrionalis), não contava com mais de dezenove espécimes vivos.

Fonte: Veja Ciência


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Intervenção humana ameaça biodiversidade em Madagascar

Cerca de 85% das espécies que vivem na quarta maior ilha do mundo existem apenas lá. Mas as mudanças climáticas e a atividade humana ameaçam esse ambiente singular.

Madagascar fica localizada a leste do continente africano, no Oceano Índico. Lá, flora e fauna desenvolveram-se em completo isolamento, porque ao longo da formação do planeta a ilha se desprendeu do continente africano. O resultado é uma riqueza biológica muito especial.

De acordo com a organização ambientalista WWF, 85% das espécies existentes na ilha são endêmicas, isto é, existem apenas lá. Entre elas estão os lêmures – das cerca de 100 espécies diferentes existentes na ilha, cerca de 30 estão na lista de espécies amea­çadas. Seu significado religioso para a população nativa é expressivo. Grande parte da população acredita que as pessoas se tornam lêmures depois da morte. Não é por acaso que eles são também chamados de “espírito da floresta”.

Além disso, quase todas as espécies de cobras, sapos, camaleões e lagartixas são consideradas endêmicas. O tesouro biológico abriga cerca de 250 espécies de pássaros e 3 mil de borboletas. A variedade da flora também é única: 80% das 12 mil espécies conhecidas de plantas com flores existem apenas em Madagascar, assim como cinco das seis espécies de baobá, também conhecido como árvore pão-de-macaco. Cientistas suspeitam que nas poucas áreas com floresta virgem que ainda existem, haja muitas espécies animais e vegetais que ainda nem foram catalogados.

Mais pessoas – menos floresta

Cerca de 20 milhões de pessoas vivem em Madagascar, e o número de habitantes aumenta em cerca de meio milhão por ano. Como a população vive principalmente da agricultura, mais e mais terras são preparadas para o cultivo e a pecuária, na maioria dos casos por meio da queimada de florestas. Além disso, muitas árvores são cortadas para a produção de lenha e combustível.

Isso tem efeitos dramáticos sobre a paisagem. A floresta, que já chegou a cobrir 90% da superfície de Madagascar, hoje ocupa apenas 10% do território, segundo dados da WWF. E a cada ano são derrubados 120 mil hectares de árvores. Se continuar nesse ritmo, em 40 anos Madagascar não terá mais árvores, projeta a organização ambientalista.

Biodiversidade ameaçada

Com a perda das florestas, perde-se cada vez mais o habitat de plantas e animais. “Se elas [as florestas] não forem salvas, perderemos inúmeras espécies que sequer conhecemos“, diz a especialista em Madagascar da WWF, Dorothea August. A espécie de lêmure mirza, descoberta recentemente, é um exemplo dos segredos que as florestas de Madagascar ainda abrigam.

“Se a destruição não for impedida, os dias de muitas espécies de animais e plantas estarão contados“, diz August. O crescente desflorestamento em Madagascar leva a uma gigantesca erosão. As consequências são deslizamento de terras, inundações, por um lado, e escassez de água devido ao ressecamento do solo. Essas transformações são favorecidas pelas mudanças climáticas globais.

Apesar de tudo, algumas espécies de plantas podem se adaptar. O baobá, por exemplo, pode armazenar até 500 litros de água em seu tronco e com isso sobreviver aos períodos de seca, que são cada vez mais frequentes.

Proteção ambiental apenas em nível local

O governo de Madagascar reconhece o princípio da conservação da natureza. E por isso trabalha, por exemplo, com a WWF em um projeto para o manejo sustentável da água. Até o momento, cerca de 35 mil pessoas de 13 municípios do Platô Mahafaly já se beneficiaram com o projeto. Mas em outros processos a situação está estagnada. “O país passa de crise política em crise política, não há confiabilidade”, diz Daniela Freyer, bióloga da organização Pro Wildlife.

O sistema de fiscalização estaria totalmente desmantelado, o que, junto com a corrupção, permite o avanço na extinção de espécies de animais e plantas. “A exportação de madeira protegida para a Alemanha e para a China é aprovada pelas autoridades”, diz Freyer. Isso acontece muitas vezes pela concessão de “isenções”. Para completar, há ainda o comércio ilegal – e também legal – de animais de Madagascar, como as lagartixas e sapos.

Dorothea August, do WWF, critica também a falta de ação política e a impunidade. A instabilidade política no país “não ajuda na implementação de projetos ambientais”, reclama a especialista do WWF.

Para Daniela Freyer, é importante que organizações ambientalistas locais estejam engajadas, para substituir a caótica estrutura organizacional e de controle do país. “Para assim garantir um mínimo de proteção.”

Lêmures são o "espírito da floresta"

Baobá consegue acumular até 500 litros de água e, com isso, sobrevive melhor ao clima árido

 Fonte:  DW / Autor: Po Keung Cheung (ff)
Revisão: Roselaine Wandscheer

21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais alcançaram Madagascar em ‘barcos improvisados’, diz estudo

Troncos e vegetação flutuante ajudaram na dispersão de espécies na ilha.
Cientistas analisaram dados geológicos e oceânicos da região africana.

Animais “pegam carona” em embarcação e vão parar em uma ilha exótica na costa da África. A história da animação cinematográfica “Madagascar”, de 2005, pode não ser totalmente ficção, segundo cientistas.

Pesquisadores divulgaram na edição desta semana da “PNAS”, revista da Academia Nacional de Ciências norte-americana, estudo afirmando que o transporte transoceânico – seja pelo ar ou pela água – pode ter contribuído com o povoamento de vertebrados na quarta maior ilha da Terra.

No caso do filme, um navio-cargueiro deixou cair contêineres transportando um leão, uma girafa, uma zebra e um exemplar de hipópotamo.

Na vida real, após a separação dos continentes, os ancentrais de espécies vertebradas que hoje vivem na ilha teriam se deslocado do continente africano para a ilha há 65 milhões de anos com a ajuda de galhos de árvores, que teriam seguido a corrente oceânica pelo Canal de Moçambique — faixa de mar no Oceano Índico que divide Madagascar do resto da África.

As espécies teriam sido transportadas também por meio de grandes tapetes de vegetação que flutuaram pelo mar.

Entretanto, com a inversão das correntes oceânicas, que teria ocorrido há 23 milhões de anos, fez com que outra parte dos ancestrais de espécies alcançassem a ilha voando.

Biodiversidade
Liderado por Karen E. Samonds, da Universidade Queensland, da Austrália, o grupo de pesquisadores utilizou informações geográficas e oceânicas para explicar o motivo da diversidade animal na ilha.

A região é lar de diversas espécies endêmicas como o lêmur-de-cauda-anelada (Lemur catta) e do lêmure-rato-de-Berthe (Microcebus berthae).

Além disso, é considerada pela ciência como um laboratório vivo para o estudo da evolução e do impacto da geografia no processo evolucionário.

Tem mais espécies únicas do que qualquer outro lugar do planeta, com exceção da Austrália, 13 vezes maior. Por exemplo, há 70 tipos diferentes de lêmure que só vivem ali. Cerca de 90% dos demais mamíferos, anfíbios e répteis são exclusividade de Madagascar.

Em junho passado, a organização ambiental WWF divulgou relatório onde afirmava que Madagascar é o local com maior concentração de novas espécies de animais, plantas e insetos.

De acordo com a entidade, cientistas fizeram 615 descobertas de novas espécies entre os anos de 1999 e 2010. Entretanto, muitas das criaturas já estão ameaçadas de extinção, afirma o documento.

Nos últimos 11 anos, foram encontradas 385 plantas, 42 invertebrados, 17 peixes, 69 anfíbios, 61 répteis e 41 mamíferos. Mas especialistas alertam que parte da biodiversidade recém-descoberta estaria desaparecendo em decorrência do desmatamento, que já afetou 90% da cobertura de florestas original.

Lêmure rato de Berthe, espécime descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, é considerada em extinção (Foto: WWF)

Lêmure-rato-de-Berthe, espécie descoberta em 2000 na ilha de Madagascar, corre risco de extinção (Foto: WWF)

Fonte: Globo Natureza


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Camaleão com 29 milímetros é encontrado em Madagáscar

Um dos menores camaleões do mundo acaba de ser descoberto em uma ilhota de calcário em Madagáscar.

O minúsculo Brookesia micra tem o comprimento máximo de 29 milímetros.

Os cientistas alemães que participaram da expedição também encontraram três novas espécies ao norte da ilha. Eles temem que os animais corram risco de extinção, caso haja uma alteração no habitat deles.

BUSCA NOTURNA

A equipe do cientista Frank Glaw, do Zoologische Staatssammlung, de Munique, é especializada em camaleões pequenos e já achou espécies semelhantes no passado.

Os animais foram encontrados à noite, vasculhando-se o chão com a ajuda de lanternas, durante a estação das chuvas em Madagáscar.

“Eles vivem entre as folhas durante o dia, mas à noite saem, e você consegue achá-los”, diz Glaw.

Os pesquisadores acreditam que a menor das espécies pode ser um caso de nanismo insular. O fenômeno no qual espécies diminuem de tamanho com o tempo para se adaptar a um habitat menor.

“É possível que a grande ilha de Madagáscar tenha produzido uma espécie geral de camaleões minúsculos, e que uma ilhota pequena tenha produzido a espécie menor”, disse Glaw à BBC.

Uma análise genética comprovou que os camaleões são na verdade parte de quatro espécies distintas.

“Isso indica que eles se separaram há milhões de anos, antes mesmo do que várias outras espécies de camaleão”, disse Miguel Vences, da Universidade alemã de Braunschweig, que participou do trabalho.

Cada espécie nova está restrita a um território muito pequeno. O menor dos territórios tem apenas meio quilômetro quadrado.

“Em Madagáscar, muitas espécies estão restritas a pequenos habitats, e isso faz com que seja importante conservá-los”, diz Glaw.

Outra espécie minúscula, o B. tristis (significa “triste”), vivia em uma parte isolada de uma floresta, próximo a uma cidade.

A escolha do nome pelos cientistas se deve ao alerta para o perigo de extinção das espécies, que são muito frágeis.

O artigo sobre os pequenos camaleões pode ser lida na revista científica “PLoS ONE”.

Expedição alemã em ilha de Madagáscar levou à descoberta do "Brookesia micra", que mede até 29 milímetros

Expedição alemã em ilha de Madagáscar levou à descoberta do "Brookesia micra", que mede até 29 milímetros. Foto: Frank Glaw/PlosONE/Creative Commons

Os camaleões foram encontrados à noite, com a ajuda de lanternas, na estação das chuvas da ilha africana

Os camaleões foram encontrados à noite, com a ajuda de lanternas, na estação das chuvas da ilha africana. Foto: Frank Glaw/PlosONE/Creative Commons

Fonte: BBC Brasil


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Espécies recém-descobertas em Madagascar já correm risco, diz WWF

Em 11 anos, cientistas encontraram 615 novas espécies na ilha africana.
Desmatamento ameaça biodiversidade do país.

A ilha africana de Madagascar, considerada a quarta maior do mundo, é o local que concentra o maior número de novas espécies de animais, plantas e insetos, segundo relatório publicado nesta segunda-feira (6) pela organização ambiental WWF.

De acordo com a entidade, cientistas fizeram 615 descobertas de novas espécies entre os anos de 1999 e 2010. Entretanto, muitas das criaturas já estão ameaçadas de extinção, afirma o documento.

Nos últimos 11 anos, foram encontradas 385 plantas, 42 invertebrados, 17 peixes, 69 anfíbios, 61 répteis e 41 mamíferos. Mas especialistas alertam que parte da biodiversidade recém-descoberta estaria desaparecendo em decorrência do desmatamento, que já afetou 90% da cobertura de florestas original.

O relatório cita o lêmure rato de Berthe (Microcebus berthae), descoberto em 2000 e que ficou conhecido ao ser retratado no filme Madagascar, como um dos primatas já classificados com risco de extinção.

O estudo aponta problemas políticos no país como responsáveis por acelerar a devastação da floresta. Atividades madeireiras irregulares teriam afetado áreas de parques nacionais como os de Marojejy, Masoala, Makira e Mananara.

Além disso, há registros de caça predatória de espécies em virtude da culinária do país. “Essas espécies espetaculares estão em jogo em Madagascar. Nós vamos colocar todo nosso esforço e dinheiro para proteção prioritária da terra, paisagens marinhas e espécies em risco”, afirmou Nanie Ratsifandrihamanana, diretora da WWF no país.

Exemplar de lêmure rato de Berthe, descoberto em 2000 na ilha de Madagascar, é considerado em extinção (Foto:WWF)

Exemplar de lêmure rato de Berthe, descoberto em 2000 na ilha de Madagascar, é considerado em extinção (Foto:WWF)

Confira imagens de outras espécies encontradas em Madagascar, acesse:
http://g1.globo.com/natureza/fotos/2011/06/confira-especies-descobertas-na-ilha-de-madagascar.html

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo