26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Entre os lêmures, cheiro da mãe pode indicar qual é o sexo do feto

Pesquisa descobriu que as lêmures à espera de machos exalam cheiro mais suave do que aquelas prenhas de fêmeas

Enquanto os humanos são reféns da ultrassonografia para saber o sexo do bebê ainda no útero, as lêmures prenhas possuem um método mais simples. Cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, descobriram que lêmures à espera de um macho têm um odor diferente das que estão prenhas de uma fêmea. A descoberta foi publicada na terça-feira no periódicoBiology Letter.

Esta é a primeira evidência, entre todas as espécies, de que as fêmeas exalam um cheiro diferente dependendo do sexo da prole. Para o estudo, os cientistas coletaram secreções genitais de doze lêmures prenhas antes da gestação e durante ela. Os animais eram da espécie ringtailed, que produz um odor específico para transmitir informações sobre gênero e fertilidade, por exemplo.

Ao analisarem as substâncias responsáveis pelos odores das secreções recolhidas, os estudiosos descobriram que centenas de ingredientes fazem o cheiro da fêmea mudar quando está prenha. O número de componentes do odor diminuiu quando as fêmeas estavam prenhas, e a redução foi mais pronunciada naquelas que esperavam machos, de forma que o cheiro se tornava mais suave.

“Os níveis hormonais mudam dramaticamente durante a gestação. Filhotes machos e fêmeas afetam os hormônios das lêmures de formas diferentes”, diz Christine Drea, professora na Universidade Duke.

lêmure

Esta é a primeira evidência, entre todas as espécies, de que fêmeas exalam um cheiro diferente dependendo do sexo da prole (Bellarmin Ramahefasoa/VEJA).

Fonte: Veja Ciência


26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os mamíferos primitivos também eram”, afirma pesquisador

Cientistas descobriram fósseis do que podem ser os primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos. Eles habitavam a região onde hoje fica a China e são uma evidência de que, no período de maior êxito dos dinossauros sobre a Terra, os mamíferos se adaptaram ao ambiente. Segundo os autores do estudo, os cientistas não imaginavam que os mamíferos fossem tão desenvolvidos naquela época.

Os animais identificados são o Agilodocodon scansorius, arborícola mais antigo descoberto até agora, e o Docofossor brachydactylus, o mamífero subterrâneo mais antigo que se conhece. Realizada por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Museu de História Natural de Pequim, a pesquisa foi publicada na quinta-feira na revista Science.

As duas novas espécies, que provêm de grupos extintos dos primeiros mamíferos, tinham características desenvolvidas milhões de anos antes do que era estimado pelos cientistas. Os animais descobertos nesta pesquisa são do Período Jurássico e viveram entre 170 e 145 milhões de anos atrás.

Características — Agilodocodon scansorius tinha cerca de 13 centímetros da cabeça até a cauda e pesava por volta de 27 gramas, como um pequeno roedor dos dias de hoje. Ele tinha aparência de um esquilo com focinho longo. Já o Docofossor brachydactylus se parecia com a toupeira dourada da África. Estima-se que ele media 7 centímetros, pesava 16 gramas e tinha dedos próprios para cavar. Ao contrário da maioria dos mamíferos, possuía apenas duas falanges (segmentos ósseos) nos dedos.

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os primitivos também eram”, explicou o líder da pesquisa, Zhe-Xi Luo, professor da Universidade de Chicago. Os novos fósseis “ajudam a demonstrar que os primeiros mamíferos também tiveram uma ampla diversidade ecológica”, completa.

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita)

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita) (April I. Neander, the University of Chicago/VEJA.com)

Fonte: Veja Ciência


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Estudo diz que mesmo gene define manchas de gatos e guepardos

Pesquisa foi publicada na ‘Science’ e inclui cientista brasileiro da PUC-RS.
Dados podem ajudar a estudar listras em outros mamíferos, diz cientista.

Um estudo inédito, publicado na revista “Science” desta semana, aponta que os genes que produzem as listras e pintas no corpo de gatos e guepardos são os mesmos e sofrem mutações com efeitos bem parecidos.

Segundo o cientista brasileiro Eduardo Eizirik, professor de biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e um dos autores da pesquisa, o achado abre caminho para estudar o padrão de listras e manchas em outros mamíferos (como zebras) e pode ajudar, no futuro, até a entender como operam certas doenças de pele que seguem padrões parecidos com os estudados.

O mapeamento parcial do genoma dos animais apontou que o tipo listrado de pelo de gato é obtido por um gene chamado “TaqPep”, que sintetiza uma proteína conhecida como tabulina. Quando ocorre uma mutação neste gene, a proteína é produzida de maneira alterada, o que faz com que o gato nasça com manchas em vez de listras na pelagem.

A mesma proteína tabulina é responsável pela variação nas manchas na pelagem dos guepardos. Estes animais normalmente possuem centenas de pintas redondas no corpo. Caso o gene que sintetiza a proteína sofra uma mutação, o animal vai nascer com manchas grandes pelo corpo que se agrupam de forma assimétrica.

A aparência que o animal adquire é a de um guepardo-rei. Por muito tempo, pensou-se que os guepardos-rei fossem uma espécie em separado dos guepardos, mas na verdade são geneticamente parecidos – os guepardos-rei possuem apenas uma variação no gene que determina os pelos.

“As mutações nesse gene ocorrem de forma diferente para gatos e guepardos, mas os efeitos são bem parecidos”, avalia Eizirik. O estudo foi feito por uma equipe formada por pesquisadores da universidade de Stanford, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, do Instituto para a Biotecnologia HudsonAlpha e de instituições de quatro países diferentes, incluindo China, Namíbia, África do Sul e Brasil.

Eizirik ressalta que o gene identificado existe em quase todos os mamíferos, mas em vários casos, como em humanos e camundongos, ele não se expressa como pintas ou manchas. “O padrão é diferente entre as espécies”, diz ele. “Em mamíferos, não se tinha um gene conhecido envolvido na formação do padrão da pele.”

Genes idênticos definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as duas espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Genes iguais definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos (Foto: Reprodução/'Science')

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos; no canto inferior, à direita, é possível ver um 'guepardo-rei' (Foto: Reprodução/'Science')

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Quase humanos

Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal - Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral - O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

O que é consciência?

PARA A FILOSOFIA
Filosoficamente, é o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consciência, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo à sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consciência sobre si mesmo (o que, para a filosofia já basta para incluir alguns animais “não-linguísticos” entre os seres com consciência).Fonte: Enciclopédia de Filosofia de Stanford

PARA A CIÊNCIA
A ciência considera como consciência as percepções sobre o mundo e as sensações corporais, junto com os pensamentos, memórias, ações e emoções. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais automáticos e chega à nossa atenção. O conteúdo da consciência geralmente é estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais estímulos chegam à nossa atenção e quais não. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o cérebro é como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais são inconscientes, portanto acontecem “nos bastidores”, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao “palco”.

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia: percepção de sua própria existência e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit/EFE)

Fonte: Veja Ciência


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas podem ser mais rápidas que a capacidade de migração de alguns mamíferos

Estudo indica que pelo menos 9% dos mamíferos do continente americano não vão conseguir migrar a tempo para novos habitats

Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista PNAS conclui que muitos mamíferos não conseguirão migrar para outras regiões a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudanças climáticas sobre seus habitats.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, em Seattle, mostrou que, ao longo do continente americano, pelo menos 9% dos mamíferos não vão conseguir acompanhar a velocidade das mudanças climáticas. Em algumas regiões, esta taxa chega a 40%. A variação se deve ao fato de que certas paisagens são mais difíceis de vencer. Os animais que vivem nos trópicos, por exemplo, geralmente têm que percorrer distâncias maiores para chegar a um território com clima mais adequado do que aqueles que vivem em regiões de montanha.

A migração de animais já aconteceu em outros episódios em que a Terra sofreu alterações climáticas. Neste estudo, os autores buscam verificar se algumas espécies serão capazes de encontrar a tempo locais adequados para sobreviver, considerando a velocidade das mudanças climáticas e as alterações da paisagem provocadas pelo homem.

“Eu acho que é importante verificar que, quando o clima mudou no passado, entre períodos glaciares e interglaciares e o alcance das espécies expandiu e contraiu, a paisagem não estava coberta por campos de agricultura, estradas imensas e estacionamentos. Então as espécies podiam se locomover mais livremente pela paisagem”, diz Josh Lawler, coautor do estudo e professor da Universidade de Washington.

“Nós subestimamos a vulnerabilidade dos mamíferos às mudanças climáticas quando olhamos as projeções de áreas com climas adequados sem incluir também a capacidade dos mamíferos de se locomoverem”, explica Carrie Schloss, principal autora do estudo.

Grupos afetados — O estudo mostrou que primatas – micos, macacos-aranhas, saguis e bugios, alguns já ameaçados de extinção – terão mais dificuldades para migrar. Já o grupo dos vencedores da corrida contra a mudança climática será formado por coiotes, lobos, veados, renas, tatus e tamanduás.

“Os primatas do continente americano, por exemplo, levam anos para se tornarem sexualmente ativos. Isso contribui para sua baixa taxa de dispersão e uma razão para eles se tornarem vulneráveis”, diz Schloss. “Esses fatores indicam que quase todos os primatas desse continente terão uma redução de 75% de sua distribuição territorial”, explica Schloss.

Redução de hábitat  —  Cientistas calculam que 87% das espécies de mamíferos deverão sofrer reduções de seus territórios e que 20% dessas reduções serão provocadas pela limitação da capacidade de dispersão desses animais, já que o número de áreas com climas apropriados vai ser reduzido.

O estudo foi feito com análise de 493 espécies de mamíferos de diversos tamanhos ao longo do continente americano.  É o primeiro estudo a avaliar não só a existência de habitats adequados no futuro, mas a capacidade de espécies de mamíferos alcançá-los a tempo.

Cálculo das velocidades —  A velocidade de migração de cada espécie foi calculada considerando massa, tipo de dieta, intervalo entre gerações e as distâncias a serem percorridas. Nos mamíferos, a migração acontece geralmente uma vez a cada geração.

Os autores compararam esses dados com a velocidade das mudanças climáticas para as próximas décadas baseada em 10 modelos climáticos globais e com a emissão de gases causadores do efeito estufa apontados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O estudo considerou apenas mudanças climáticas como causadores da migração de animais – a competição entre espécies não foi levada em conta. A ocupação humana do território também foi levada em conta como um impeditivo para migração de algumas espécies.

“Nossas previsões são bastante conservadoras, ou até otimistas, visto o que pode acontecer. Nossas aproximações assumem que os animais vão na direção necessária para evitar ao máximo as mudanças climáticas”, conclui Lawer.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mordida eficiente ajuda a explicar por que ratos e camundongos se espalharam pelo planeta

Formato do crânio e distribuição de músculos na mandíbula confere às duas espécies mais habilidade que outras especializadas apenas em roer ou em mastigar

Entre roídas e mastigadas, camundongos e ratos possuem o melhor desempenho entre os roedores. São melhores que os esquilos, considerados especialistas em roer e que os porquinhos da índia, bons de mastigação. Isso ajudaria a explicar por que ratos e camundongos são uma das pestes mais comuns do mundo. A pesquisa feita na Universidade de Liverpool, na Inglaterra, foi publicada no periódico PLoS ONE.

Os ratos conseguem tanto roer quanto mastigar com eficiência. Outras espécies de roedores se especializaram em uma coisa ou outra. O esquilo, por exemplo, é especialista em roer, enquanto que o porquinho da índia se especializou em mastigar.

Para comparar os diferentes tipos de mordidas entre os roedores, os pesquisadores criaram uma simulação no computador. Nela, foi possível analisar como o formato do crânio e o arranjo dos músculos tem papel fundamental para o sucesso da mordida de ratos e camundongos.

Os pesquisadores descobriram que os músculos na cabeça do rato aumentam a eficiência da mordida, permitindo roer e mastigar com mais sucesso que espécies especializadas em um dos dois métodos. “Esperávamos que os ratos criados no computador fossem mais versáteis, mas menos efetivos que o esquilo e o porquinho da índia”, disse Philip Cox, coautor do estudo. “Não se espera que um nadador triatleta derrote, por exemplo, um nadador especialista em 1.500 metros.”

O estudo mostrou, no entanto, que a forma como os músculos dos ratos se adaptaram através do tempo aumentou a habilidade de mastigar. “Isso ajuda a explicar por que ratos e camundongos conseguiram se adaptar tão bem, com hábitos alimentares versáteis que os permitem comer eficientemente uma vasta gama de materiais”, disse Cox.

O estudo também envolveu pesquisadores das universidades de Hull e Bristol, ambas no Reino Unido, Universidade de Shinshu, Japão, e colaboradores do Museu Nacional de História Natural, em Paris.

Saiba mais

EVOLUÇÃO DOS ROEDORES
Há 56 milhões de anos, os roedores têm adaptado o crânio e os músculos da mandíbula em uma corrida evolucionária. O grupo de roedores que inclui o esquilo, chamado ciuromorfos, se especializou em adaptações relacionadas à atividade de roer. Outro grupo, chamado histricomorfos, que inclui o porquinho da índia, escolheu a mastigação. Os miomorfos, que incluem os ratos e camundongos, se adaptaram às duas atividades: roer e mastigar.

Ter a melhor mordida garantiu aos ratos e camundongos a adaptação necessária para se tornarem uma das pestes mais comuns do mundo

Ter a melhor mordida garantiu aos ratos e camundongos a adaptação necessária para se tornarem uma das pestes mais comuns do mundo (iStockphoto/ThinkStock)

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse

 


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


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26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Entre os lêmures, cheiro da mãe pode indicar qual é o sexo do feto

Pesquisa descobriu que as lêmures à espera de machos exalam cheiro mais suave do que aquelas prenhas de fêmeas

Enquanto os humanos são reféns da ultrassonografia para saber o sexo do bebê ainda no útero, as lêmures prenhas possuem um método mais simples. Cientistas da Universidade Duke, nos Estados Unidos, descobriram que lêmures à espera de um macho têm um odor diferente das que estão prenhas de uma fêmea. A descoberta foi publicada na terça-feira no periódicoBiology Letter.

Esta é a primeira evidência, entre todas as espécies, de que as fêmeas exalam um cheiro diferente dependendo do sexo da prole. Para o estudo, os cientistas coletaram secreções genitais de doze lêmures prenhas antes da gestação e durante ela. Os animais eram da espécie ringtailed, que produz um odor específico para transmitir informações sobre gênero e fertilidade, por exemplo.

Ao analisarem as substâncias responsáveis pelos odores das secreções recolhidas, os estudiosos descobriram que centenas de ingredientes fazem o cheiro da fêmea mudar quando está prenha. O número de componentes do odor diminuiu quando as fêmeas estavam prenhas, e a redução foi mais pronunciada naquelas que esperavam machos, de forma que o cheiro se tornava mais suave.

“Os níveis hormonais mudam dramaticamente durante a gestação. Filhotes machos e fêmeas afetam os hormônios das lêmures de formas diferentes”, diz Christine Drea, professora na Universidade Duke.

lêmure

Esta é a primeira evidência, entre todas as espécies, de que fêmeas exalam um cheiro diferente dependendo do sexo da prole (Bellarmin Ramahefasoa/VEJA).

Fonte: Veja Ciência


26 de fevereiro de 2015 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os mamíferos primitivos também eram”, afirma pesquisador

Cientistas descobriram fósseis do que podem ser os primeiros mamíferos a subir em árvores e cavar buracos. Eles habitavam a região onde hoje fica a China e são uma evidência de que, no período de maior êxito dos dinossauros sobre a Terra, os mamíferos se adaptaram ao ambiente. Segundo os autores do estudo, os cientistas não imaginavam que os mamíferos fossem tão desenvolvidos naquela época.

Os animais identificados são o Agilodocodon scansorius, arborícola mais antigo descoberto até agora, e o Docofossor brachydactylus, o mamífero subterrâneo mais antigo que se conhece. Realizada por pesquisadores da Universidade de Chicago e do Museu de História Natural de Pequim, a pesquisa foi publicada na quinta-feira na revista Science.

As duas novas espécies, que provêm de grupos extintos dos primeiros mamíferos, tinham características desenvolvidas milhões de anos antes do que era estimado pelos cientistas. Os animais descobertos nesta pesquisa são do Período Jurássico e viveram entre 170 e 145 milhões de anos atrás.

Características — Agilodocodon scansorius tinha cerca de 13 centímetros da cabeça até a cauda e pesava por volta de 27 gramas, como um pequeno roedor dos dias de hoje. Ele tinha aparência de um esquilo com focinho longo. Já o Docofossor brachydactylus se parecia com a toupeira dourada da África. Estima-se que ele media 7 centímetros, pesava 16 gramas e tinha dedos próprios para cavar. Ao contrário da maioria dos mamíferos, possuía apenas duas falanges (segmentos ósseos) nos dedos.

“Sabemos que os mamíferos modernos são espetacularmente diversos, mas não se sabia se os primitivos também eram”, explicou o líder da pesquisa, Zhe-Xi Luo, professor da Universidade de Chicago. Os novos fósseis “ajudam a demonstrar que os primeiros mamíferos também tiveram uma ampla diversidade ecológica”, completa.

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita)

Reconstituição do estilo de vida e habitat do ‘Agilodocodon’ (no topo à esquerda) e do ‘Docofossor’ (abaixo, à direita) (April I. Neander, the University of Chicago/VEJA.com)

Fonte: Veja Ciência


24 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Estudo diz que mesmo gene define manchas de gatos e guepardos

Pesquisa foi publicada na ‘Science’ e inclui cientista brasileiro da PUC-RS.
Dados podem ajudar a estudar listras em outros mamíferos, diz cientista.

Um estudo inédito, publicado na revista “Science” desta semana, aponta que os genes que produzem as listras e pintas no corpo de gatos e guepardos são os mesmos e sofrem mutações com efeitos bem parecidos.

Segundo o cientista brasileiro Eduardo Eizirik, professor de biociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e um dos autores da pesquisa, o achado abre caminho para estudar o padrão de listras e manchas em outros mamíferos (como zebras) e pode ajudar, no futuro, até a entender como operam certas doenças de pele que seguem padrões parecidos com os estudados.

O mapeamento parcial do genoma dos animais apontou que o tipo listrado de pelo de gato é obtido por um gene chamado “TaqPep”, que sintetiza uma proteína conhecida como tabulina. Quando ocorre uma mutação neste gene, a proteína é produzida de maneira alterada, o que faz com que o gato nasça com manchas em vez de listras na pelagem.

A mesma proteína tabulina é responsável pela variação nas manchas na pelagem dos guepardos. Estes animais normalmente possuem centenas de pintas redondas no corpo. Caso o gene que sintetiza a proteína sofra uma mutação, o animal vai nascer com manchas grandes pelo corpo que se agrupam de forma assimétrica.

A aparência que o animal adquire é a de um guepardo-rei. Por muito tempo, pensou-se que os guepardos-rei fossem uma espécie em separado dos guepardos, mas na verdade são geneticamente parecidos – os guepardos-rei possuem apenas uma variação no gene que determina os pelos.

“As mutações nesse gene ocorrem de forma diferente para gatos e guepardos, mas os efeitos são bem parecidos”, avalia Eizirik. O estudo foi feito por uma equipe formada por pesquisadores da universidade de Stanford, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, do Instituto para a Biotecnologia HudsonAlpha e de instituições de quatro países diferentes, incluindo China, Namíbia, África do Sul e Brasil.

Eizirik ressalta que o gene identificado existe em quase todos os mamíferos, mas em vários casos, como em humanos e camundongos, ele não se expressa como pintas ou manchas. “O padrão é diferente entre as espécies”, diz ele. “Em mamíferos, não se tinha um gene conhecido envolvido na formação do padrão da pele.”

Genes idênticos definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as duas espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Genes iguais definem manchas em pelos de gato e de guepardo; mutações podem atingir as espécies (Foto: Brigitte Merle/Tibor Bognar/Arquivo AFP)

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos (Foto: Reprodução/'Science')

Imagens mostram variação de pelo sem mutação genética (à esquerda) e com mutação (à direita) em gatos e guepardos; no canto inferior, à direita, é possível ver um 'guepardo-rei' (Foto: Reprodução/'Science')

Fonte: Globo Natureza


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cinco mamíferos são extintos da Mata Atlântica

Não é de hoje que biólogos da conservação sabem que pequenos fragmentos de floresta tropical, em meio a fazendas ou cidades, pouco contribuem para a sobrevivência de animais de médio e grande porte, que precisam de espaço para locomoção, alimentação e reprodução. Novo estudo de pesquisadores brasileiros mostra que, pelo menos para a Mata Atlântica, a realidade desafia essa teoria clássica.

Mesmo grandes remanescentes estão sendo incapazes de manter a biodiversidade. Sem proteção efetiva que impeça a entrada de pessoas, a pressão histórica e atual de caçadores diminui os benefícios de ter uma área remanescente grande com uma floresta relativamente intacta, explica o biólogo Carlos Peres, da Universidade East Anglia, que liderou a pesquisa publicada na revista PLoS ONE.

 

O trabalho inventariou 18 espécies de mamíferos em 196 fragmentos ao longo da Mata Atlântica, o bioma mais ameaçado, que já perdeu cerca de 90 % da cobertura original. Mais de 205 mil km de estradas foram percorridos. Os pesquisadores descobriram que cinco delas tinham sido totalmente ou virtualmente extintas numa escala regional: queixada, onça-pintada, anta, muriqui e tamanduá-bandeira. E observaram que o fator que fez mais diferença para a manutenção da biodiversidade foi uma proteção efetiva da área. Isso ficou claro quando compararam fragmentos de tamanhos parecidos em que a diferença entre era o nível de proteção – os mais protegidos tinham mais animais.

 

E falar em proteção significa não apenas criar unidades de conservação. Em muitos casos elas existem, mas não estão implementadas nem têm segurança, sendo incapazes de impedir, por exemplo, a entrada de caçadores ou madeireiros. “Apenas cinco dos remanescentes investigados eram protegidos na prática e foram os que apresentaram as maiores taxas de retenção de espécies”, diz Peres.

 

A situação se mostrou mais crítica nos fragmentos da Mata Atlântica na porção oeste do Nordeste, onde há menos unidades de conservação. “A disponibilidade de proteína animal nessa região é baixa, por conta das altas taxa de densidade demográfica na zona rural. A economia de muitas casas de baixa renda é subsidiada por um padrão de caça que varia de recreativo à subsistência. Só a fauna relativamente tolerante a essa pressão persiste”, conta Peres.

 

Muitas espécies de mamíferos desapareceram até do folclore. “Ninguém nunca viu um muriqui ou um tamanduá-bandeira. Naquele caso, as reservas já chegariam atrasadas”, complementa Gustavo Canale, primeiro autor do artigo, que fez a pesquisa para seu doutorado na Universidade de Cambridge (Inglaterra). “Mesmo se existirem populações muito isoladas, elas estão tão reduzidas que já não são mais viáveis”, diz o biólogo, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso. “A gente vê aquela mata bonita, acha que tem bicho, mas a verdade é que são florestas vazias.”

 

Entre janeiro de 2004 e janeiro de 2006, ele, Peres e colegas entrevistaram 8.846 pessoas que viviam no entorno dos remanescentes florestais havia pelo menos 15 anos. Tinham intimidade com a mata. Em muitos casos eram caçadores ou madeireiros, apesar de ninguém se declarar como tal. “Todo mundo fala que come a carne daqueles bichos, mas ninguém admite que caça”, conta Canale.

 

A análise mostrou uma taxa impressionante de extinções locais na fauna de mamíferos. De 3.528 populações possíveis de existir nos 196 fragmentos, 767 foram contabilizadas. Os remanescentes retinham 3,9 das 18 espécies investigadas.

Fonte: O Estado de São Paulo


18 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Quase humanos

Neurocientistas publicam manifesto afirmando que mamíferos, aves e até polvos têm consciência e esquentam debate sobre direitos dos animais

Os seres humanos não são os únicos animais que têm consciência. A afirmação não é de ativistas radicais defensores dos direitos dos animais. Pelo contrário. Um grupo de neurocientistas — doutores de instituições de renome como Caltech, MIT e Instituto Max Planck — publicou um manifesto asseverando que o estudo da neurociência evoluiu de modo tal que não é mais possível excluir mamíferos, aves e até polvos do grupo de seres vivos que possuem consciência. O documento divulgado no último sábado (7), em Cambridge, esquenta uma discussão que divide cientistas, filósofos e legisladores há séculos sobre a natureza da consciência e sua implicação na vida dos humanos e de outros animais.

Apresentado à Nasa nesta quinta-feira, o manifesto não traz novas descobertas da neurociência — é uma compilação das pesquisas da área. Representa, no entanto, um posicionamento inédito sobre a capacidade de outros seres perceberem sua própria existência e o mundo ao seu redor. Em entrevista ao site de VEJA, Philip Low, criador do iBrain, o aparelho que recentemente permitiu a leitura das ondas cerebrais do físico Stephen Hawking, e um dos articuladores do movimento, explica que nos últimos 16 anos a neurociência descobriu que as áreas do cérebro que distinguem seres humanos de outros animais não são as que produzem a consciência. “As estruturas cerebrais responsáveis pelos processos que geram a consciência nos humanos e outros animais são equivalentes”, diz. “Concluímos então que esses animais também possuem consciência.”

Estudos recentes, como os da pesquisadora Diana Reiss (uma das cientistas que assinaram o manifesto), da Hunter College, nos Estados Unidos, mostram que golfinhos e elefantes também são capazes de se reconhecer no espelho. Essa capacidade é importante para definir se um ser está consciente. O mesmo vale para chimpanzés e pássaros. Outros tipos de comportamento foram analisados pelos neurocientistas. “Quando seu cachorro está sentindo dor ou feliz em vê-lo, há evidências de que no cérebro deles há estruturas semelhantes às que são ativadas quando exibimos medo e dor e prazer”, diz Low.

Personalidade animal - Dizer que os animais têm consciência pode trazer várias implicações para a sociedade e o modo como os animais são tratados. Steven Wise, advogado e especialista americano em direito dos animais, diz que o manifesto chega em boa hora. “O papel dos advogados e legisladores é transformar conclusões científicas como essa em legislação que ajudará a organizar a sociedade”, diz em entrevista ao site de VEJA. Wise é líder do Projeto dos Direitos de Animais não Humanos. O advogado coordena um grupo de 70 profissionais que organizam informações, casos e jurisprudência para entrar com o primeiro processo em favor de que alguns animais — como grandes primatas, papagaios africanos e golfinhos — tenham seu status equiparado ao dos humanos.

O manifesto de Cambridge dá mais munição ao grupo de Wise para vencer o caso. “Queremos que esses animais recebam direitos fundamentais, que a justiça as enxergue como pessoas, no sentido legal.” Isso, de acordo com o advogado, quer dizer que esses animais teriam direito à integridade física e à liberdade, por exemplo. “Temos que parar de pensar que esses animais existem para servir aos seres humanos”, defende Wise. “Eles têm um valor intrínseco, independente de como os avaliamos.”

Questão moral - O manifesto não decreta o fim dos zoológicos ou das churrascarias, muito menos das pesquisas médicas com animais. Contudo, já foi suficiente para provocar reflexão e mudança de comportamento em cientistas, como o próprio Low. “Estou considerando me tornar vegetariano”, diz. “Temos agora que apelar para nossa engenhosidade, para desenvolver tecnologias que nos permitam criar uma sociedade cada vez menos dependente dos animais.” Low se refere principalmente à pesquisa médica. Para estudar a vida, a ciência ainda precisa tirar muitas. De acordo com o neurocientista, o mundo gasta 20 bilhões por ano para matar 100 milhões de vertebrados. Das moléculas medicinais produzidas por esse amontoado de dinheiro e mortes, apenas 6% chega a ser testada em seres humanos. “É uma péssima contabilidade”, diz Low.

Contudo, a pesquisa com animais ainda é necessária. O endocrinologista americano Michael Conn, autor do livro The Animal Research War, sem edição no Brasil, argumenta que se trata de uma escolha priorizar a espécie humana. “Conceitos como os de consentimento e autonomia só fazem sentido dentro de um código moral que diz respeito aos homens, e não aos animais”, disse em entrevista ao site de VEJA. “Nossa obrigação com os animais é fazer com que eles sejam devidamente cuidados, não sofram nem sintam dor — e não tratá-los como se fossem humanos, o que seria uma ficção”, argumenta. “Se pudéssemos utilizar apenas um computador para fazer pesquisas médicas seria ótimo. Mas a verdade é que não é possível ainda.”

O que é consciência?

PARA A FILOSOFIA
Filosoficamente, é o entendimento que uma criatura tem sobre si e seu lugar na natureza. Alguns atributos definem a consciência, como ser senciente, ou seja, sentir o mundo à sua volta e reagir a ele; estar alerta ou acordado ou ter consciência sobre si mesmo (o que, para a filosofia já basta para incluir alguns animais “não-linguísticos” entre os seres com consciência).Fonte: Enciclopédia de Filosofia de Stanford

PARA A CIÊNCIA
A ciência considera como consciência as percepções sobre o mundo e as sensações corporais, junto com os pensamentos, memórias, ações e emoções. Ou seja, tudo o que escapa aos processos cerebrais automáticos e chega à nossa atenção. O conteúdo da consciência geralmente é estudado usando exames de imagens cerebrais para comparar quais estímulos chegam à nossa atenção e quais não. Como resumiu o neurocientista Bernard Baars, em 1987, o cérebro é como um teatro no qual a maioria dos eventos neurais são inconscientes, portanto acontecem “nos bastidores”, enquanto alguns poucos entram no processo consciente, ou seja, chegam ao “palco”.

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia

Chimpanzé alimenta um filhote de tigre dourado, em mini zoológico na cidade de Samutprakan, Tailândia: percepção de sua própria existência e do mundo ao seu redor (Rungroj Yongrit/EFE)

Fonte: Veja Ciência


5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa reforça tese de que dinossauros tinham sangue quente e metabolismo acelerado

Marcas de ossos que até então apareciam só em répteis indicando baixa na taxa do metabolismo foram encontradas em mamíferos

As evidências de que os dinossauros tinham metabolismo semelhante ao dos répteis, como sugerem algumas linhas de pesquisa, estão sendo derrubadas pouco a pouco e a teoria de que eles tinham sangue quente e metabolismo acelerado vem ganhando cada vez mais força.

Até então se acreditava que os dinossauros eram ectotérmicos, ou seja, não tinham o controle da temperatura do próprio corpo. Essa teoria era baseada nas evidências de fósseis de dinossauros, que apresentam marcas indicando que eles paravam de crescer quando havia condições adversas, como o frio ou a falta de comida.

Mas uma pesquisa divulgada pela revista Nature traz uma forte evidência que coloca em xeque a tese de ectotermia para os dinossauros — e a revelação veio por meio dos mamíferos.

A pesquisa, conduzida pela paleontologista Meike Köhler, do Instituto Catalão de Pesquisas e Estudos Avançados, mostrou que até mesmo os mamíferos, que são homeotérmicos (têm temperatura corporal constante), possuem as marcas de desenvolvimento sazonais nos ossos, chamadas de LAGs. A sigla vem da expressão em inglês ‘Lines of Arrested Growth’, que são sinais formados em períodos do ano quando o metabolismo desacelera, deixando os ossos mais densos. Foram analisados mamíferos de diversas partes do mundo, dos trópicos aos polos. Em todos esses habitats eles apresentam as marcas nos ossos. ”Isso significa que as LAGs não são mais argumento para dizer que os dinossauros são ectotérmicos”, disse Köler.
O anatomista John Hutchinson, do Colégio Real de Veterinária, de Londres, disse que o estudo derruba a tese de que mamíferos não podem ter as LAGs como parte natural do desenvolvimento.
Para Luiz Eduardo Anelli, especialista em dinossauros e autor do livro Dinos no Brasil,a pesquisa derruba um dos questionamentos que havia quanto ao metabolismo dos dinossauros. Segundo ele, além desta pesquisa, já havia outras evidências de que esses animais poderiam ter o sangue quente.
Fonte: Veja Ciência

17 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas podem ser mais rápidas que a capacidade de migração de alguns mamíferos

Estudo indica que pelo menos 9% dos mamíferos do continente americano não vão conseguir migrar a tempo para novos habitats

Um estudo publicado nesta segunda-feira na revista PNAS conclui que muitos mamíferos não conseguirão migrar para outras regiões a tempo de escapar dos efeitos trazidos pelas mudanças climáticas sobre seus habitats.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Washington, em Seattle, mostrou que, ao longo do continente americano, pelo menos 9% dos mamíferos não vão conseguir acompanhar a velocidade das mudanças climáticas. Em algumas regiões, esta taxa chega a 40%. A variação se deve ao fato de que certas paisagens são mais difíceis de vencer. Os animais que vivem nos trópicos, por exemplo, geralmente têm que percorrer distâncias maiores para chegar a um território com clima mais adequado do que aqueles que vivem em regiões de montanha.

A migração de animais já aconteceu em outros episódios em que a Terra sofreu alterações climáticas. Neste estudo, os autores buscam verificar se algumas espécies serão capazes de encontrar a tempo locais adequados para sobreviver, considerando a velocidade das mudanças climáticas e as alterações da paisagem provocadas pelo homem.

“Eu acho que é importante verificar que, quando o clima mudou no passado, entre períodos glaciares e interglaciares e o alcance das espécies expandiu e contraiu, a paisagem não estava coberta por campos de agricultura, estradas imensas e estacionamentos. Então as espécies podiam se locomover mais livremente pela paisagem”, diz Josh Lawler, coautor do estudo e professor da Universidade de Washington.

“Nós subestimamos a vulnerabilidade dos mamíferos às mudanças climáticas quando olhamos as projeções de áreas com climas adequados sem incluir também a capacidade dos mamíferos de se locomoverem”, explica Carrie Schloss, principal autora do estudo.

Grupos afetados — O estudo mostrou que primatas – micos, macacos-aranhas, saguis e bugios, alguns já ameaçados de extinção – terão mais dificuldades para migrar. Já o grupo dos vencedores da corrida contra a mudança climática será formado por coiotes, lobos, veados, renas, tatus e tamanduás.

“Os primatas do continente americano, por exemplo, levam anos para se tornarem sexualmente ativos. Isso contribui para sua baixa taxa de dispersão e uma razão para eles se tornarem vulneráveis”, diz Schloss. “Esses fatores indicam que quase todos os primatas desse continente terão uma redução de 75% de sua distribuição territorial”, explica Schloss.

Redução de hábitat  —  Cientistas calculam que 87% das espécies de mamíferos deverão sofrer reduções de seus territórios e que 20% dessas reduções serão provocadas pela limitação da capacidade de dispersão desses animais, já que o número de áreas com climas apropriados vai ser reduzido.

O estudo foi feito com análise de 493 espécies de mamíferos de diversos tamanhos ao longo do continente americano.  É o primeiro estudo a avaliar não só a existência de habitats adequados no futuro, mas a capacidade de espécies de mamíferos alcançá-los a tempo.

Cálculo das velocidades —  A velocidade de migração de cada espécie foi calculada considerando massa, tipo de dieta, intervalo entre gerações e as distâncias a serem percorridas. Nos mamíferos, a migração acontece geralmente uma vez a cada geração.

Os autores compararam esses dados com a velocidade das mudanças climáticas para as próximas décadas baseada em 10 modelos climáticos globais e com a emissão de gases causadores do efeito estufa apontados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

O estudo considerou apenas mudanças climáticas como causadores da migração de animais – a competição entre espécies não foi levada em conta. A ocupação humana do território também foi levada em conta como um impeditivo para migração de algumas espécies.

“Nossas previsões são bastante conservadoras, ou até otimistas, visto o que pode acontecer. Nossas aproximações assumem que os animais vão na direção necessária para evitar ao máximo as mudanças climáticas”, conclui Lawer.

Saiba mais

IPCC
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês, Intergovernmental Panel on Climate Change) foi criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a fim de produzir informações relevantes para a compreensão das mudanças climáticas. Por sua contribuição ao tema, o IPCC ganhou o Nobel da Paz em 2007. Entre os 831 especialistas do Painel que vão redigir seu quinto relatório de avaliação climática, a ser publicado em 2014, 25 são brasileiros.

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Mordida eficiente ajuda a explicar por que ratos e camundongos se espalharam pelo planeta

Formato do crânio e distribuição de músculos na mandíbula confere às duas espécies mais habilidade que outras especializadas apenas em roer ou em mastigar

Entre roídas e mastigadas, camundongos e ratos possuem o melhor desempenho entre os roedores. São melhores que os esquilos, considerados especialistas em roer e que os porquinhos da índia, bons de mastigação. Isso ajudaria a explicar por que ratos e camundongos são uma das pestes mais comuns do mundo. A pesquisa feita na Universidade de Liverpool, na Inglaterra, foi publicada no periódico PLoS ONE.

Os ratos conseguem tanto roer quanto mastigar com eficiência. Outras espécies de roedores se especializaram em uma coisa ou outra. O esquilo, por exemplo, é especialista em roer, enquanto que o porquinho da índia se especializou em mastigar.

Para comparar os diferentes tipos de mordidas entre os roedores, os pesquisadores criaram uma simulação no computador. Nela, foi possível analisar como o formato do crânio e o arranjo dos músculos tem papel fundamental para o sucesso da mordida de ratos e camundongos.

Os pesquisadores descobriram que os músculos na cabeça do rato aumentam a eficiência da mordida, permitindo roer e mastigar com mais sucesso que espécies especializadas em um dos dois métodos. “Esperávamos que os ratos criados no computador fossem mais versáteis, mas menos efetivos que o esquilo e o porquinho da índia”, disse Philip Cox, coautor do estudo. “Não se espera que um nadador triatleta derrote, por exemplo, um nadador especialista em 1.500 metros.”

O estudo mostrou, no entanto, que a forma como os músculos dos ratos se adaptaram através do tempo aumentou a habilidade de mastigar. “Isso ajuda a explicar por que ratos e camundongos conseguiram se adaptar tão bem, com hábitos alimentares versáteis que os permitem comer eficientemente uma vasta gama de materiais”, disse Cox.

O estudo também envolveu pesquisadores das universidades de Hull e Bristol, ambas no Reino Unido, Universidade de Shinshu, Japão, e colaboradores do Museu Nacional de História Natural, em Paris.

Saiba mais

EVOLUÇÃO DOS ROEDORES
Há 56 milhões de anos, os roedores têm adaptado o crânio e os músculos da mandíbula em uma corrida evolucionária. O grupo de roedores que inclui o esquilo, chamado ciuromorfos, se especializou em adaptações relacionadas à atividade de roer. Outro grupo, chamado histricomorfos, que inclui o porquinho da índia, escolheu a mastigação. Os miomorfos, que incluem os ratos e camundongos, se adaptaram às duas atividades: roer e mastigar.

Ter a melhor mordida garantiu aos ratos e camundongos a adaptação necessária para se tornarem uma das pestes mais comuns do mundo

Ter a melhor mordida garantiu aos ratos e camundongos a adaptação necessária para se tornarem uma das pestes mais comuns do mundo (iStockphoto/ThinkStock)

Fonte: Veja Ciência


15 de março de 2012 | nenhum comentário »

Roedores mamíferos podem ter convivido com dinossauros

Eles apareceram nos últimos 20 milhões de anos do reinado dos dinos.
Com dentição complexa, animais deveriam se alimentar de vegetais.

Multituberculado teria vivido durante período Mesozoico e convivido com dinossauros. (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Multituberculado teria vivido convivido com dinossauros (Foto: Divulgação / Jude Swales)

Os cientistas acreditavam que, durante a era Mesozoica, os mamíferos eram criaturas pequenas que viviam à sombra de outras. No entanto, agora, eles dizem que pelo menos um grupo de mamíferos conseguiu prosperar.

Criaturas semelhantes a roedores, chamados multituberculados, apareceram nos últimos 20 milhões de anos de reinado dos dinossauros e sobreviveram após a extinção destes, há 66 milhões de anos.

O novo estudo de um paleontólogo da Universidade de Washington indica que os chamados multituberculados conseguiram sobreviver tão bem porque desenvolveram diversos tubérculos (protuberâncias ou cúspides) nos dentes posteriores, o que permitiu que se alimentassem de angiospermas, plantas com flores que estavam se tornando um elemento comum na paisagem.

“Esses mamíferos eram capazes de proliferar em termos de número de espécies, tamanho do corpo e formato de seus dentes, características que influenciaram o que comiam”, disse Gregory P. Wilson, professor assistente de biologia da Universidade de Washington.

Ele é o principal autor da pesquisa, publicada nesta quarta-feira (14), em uma edição on-line da revista científica “Nature”.

Características
Cerca de 170 milhões de anos atrás, os multituberculados tinham o tamanho aproximado de um rato. As angiospermas começaram a aparecer há aproximadamente 140 milhões e, depois disso, o tamanho dos pequenos mamíferos aumentou, chegando ao de um castor.

Após a extinção dos dinossauros, os multituberculados continuaram a se destacar até que os outros mamíferos – em grande parte primatas, ungulados e roedores – ganharam uma vantagem competitiva. Isso acabou levando, enfim, ao desaparecimento dos multitubeculados, cerca de 34 milhões de anos atrás.

Os cientistas examinaram os dentes de 41 espécies de multituberculados preservados em fósseis coletados ao redor do mundo a fim de determinar para que direção as manchas presentes nas superfícies dentárias apontavam.

Carnívoros têm dentes relativamente simples, com talvez 110 manchas por arcada, pois seu alimento se despedaça facilmente, explicou Wilson. Mas animais que dependem mais de vegetais para a sobrevivência têm uma dentição um pouco mais afetada porque sua comida é dilacerada com os dentes.

Em alguns multituberculados, dentes em formato de lâmina situados na parte da frente da boca se tornaram menos proeminentes com o tempo e os dentes de trás se tornaram mais complexos, com 348 manchas por arcada, um indício de mastigação de alimento vegetal.

Fonte: France Presse

 


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


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