8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Organismo unicelular com mais de 10 cm vive no Pacífico

Pesquisadores que voltaram de uma expedição a Fossas das Marianas, no oeste do Pacífico, afirmam que o local abriga organismos unicelulares de mais de 10 cm de comprimento.

Cientistas do Instituto de Oceanografia Scripps, da Universidade da Califórnia, em San Diego, mergulharam câmeras subaquáticas de alta definição, colocadas em bolhas feitas de vidro grosso para suportar a pressão extrema, a fim de captar vídeos dessas criaturas a uma profundidade de 10 mil metros.

Os organismos unicelulares, conhecidos como xenofióforos, são as maiores células individuais que conhecemos no mar profundo, segundo a oceanógrafa do Scripps, Lisa Levin, que flagrou as criaturas no vídeo.

Os xenofióforos muitas vezes atuam como “habitat de estrelas do mar, crustáceos, minhocas e amêijoas [moluscos]“, disse ela. “Eles agem como pequenos edifícios residenciais.”

Isso significa que, com mais pesquisas, os cientistas poderão ser capazes de identificar mais organismos que vivem nas profundezas do leito oceânico, de acordo com ela.

Esse conhecimento também pode ajudar os cientistas a compreender outras partes do Sistema Solar.

“A Nasa [agência espacial americana] acredita que pode haver uma analogia entre o que encontramos no fundo dos oceanos e o que, potencialmente, poderia ser encontrado na lua de Júpiter chamada Europa”, afirmou Kevin Hardy, engenheiro cientista do Scripps que participou da expedição.

O grupo foi parcialmente financiado pela Nasa, e a pesquisa ainda não foi publicada em um periódico científico.

Fonte: Do New York Times


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Águas-vivas estão substituindo peixes no mar, diz estudo

Elas são lerdas, gelatinosas, desengonçadas e usam um sistema de caça considerado primitivo. Ainda assim, as águas-vivas estão conseguindo substituir sardinhas, anchovas e outros peixes no domínio dos mares.

A mudança acontece principalmente nas regiões onde a pesca predatória dizimou as espécies dominantes.

Muitos cientistas apostavam que a supremacia desses gigantes gelatinosos seria apenas temporária.

Afinal, criaturas lentas, normalmente cegas e com uma estratégia de caça que exige contato direto com a presa não conseguiriam competir com peixes rápidos e de boa visão, certo?

Um grupo de pesquisadores acaba de mostrar que não é bem assim. Surpreendentemente, os invertebrados são excelentes predadores.

Em uma compilação de vários trabalhos, os cientistas -liderados por José Luiz Acuña, da Universidade de Oviedo, na Espanha- compararam dados como velocidade, padrão de deslocamento e potencial de caça das águas-vivas e de certos peixes comedores de plâncton (organismos minúsculos, como algas e larvas de animais, que boiam no mar).

Eles perceberam que, descontando as diferenças da composição química entre os bichos, águas-vivas e peixes como sardinhas têm taxas de crescimento e reprodução que são muito semelhantes.

“A habilidade competitiva de um predador depende não apenas da captura de presas e das taxas de ingestão mas também de quão eficiente a energia obtida se traduz no crescimento do corpo e aumento da população”, diz o estudo publicado na revista especializada “Science”.

Embora o corpão da água-viva desfavoreça seu deslocamento, ele aumenta as chances de contato com as presas, garantindo mais comida.

A estratégia de flutuar, em vez de perseguir vigorosamente a caça, também não é má ideia. Desse jeito, elas economizam muita energia. E vão, lentamente, transformando os oceanos.

Editora arte/folhapress

 

Fonte: Giuliana Miranda, São Paulo, Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pela 1ª vez, estudo acha plástico em mar do polo Norte

A grua do navio levanta e despeja no convés uma rede em formato de cone. A oceanógrafa inglesa Clare Miller, porém, sabe o que procura ali –e não são peixes. Ela logo esvazia a ponta da rede dentro de um balde, revelando algas, plâncton e… plástico.

Em apenas uma hora dentro d’água, a rede de Miller coletou pedaços minúsculos de plástico e nylon numa das regiões mais remotas do oceano: o mar de Barents, a noroeste do arquipélago de Svalbard, Noruega, a menos de 1.300 km do polo Norte.

A coleta, feita a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, comprova pela primeira vez algo de que já se desconfiava: o Ártico também está contaminado por lixo.

A descoberta é preliminar: foram apenas quatro amostras coletadas, que ainda serão analisadas num laboratório em Exeter, Reino Unido.

Mas a mera existência de plástico nas águas supostamente límpidas do Ártico é motivo de preocupação.

“Ninguém sabia o que encontraríamos. O local onde lançamos a rede é uma região selvagem, sem nenhum assentamento humano por perto”, disse Miller, mestranda em oceanografia na Universidade de Southampton.

O lixo é difícil de ver a olho nu. Ele é composto, em sua maior parte, de pedacinhos de plástico bastante degradados pelo Sol, que ficam em suspensão na água.

(Arte Folha)

Os restos são tão pequenos que precisam ser capturados com uma rede especial, feita para coletar plâncton (animais e algas microscópicas).

Segundo Miller, o tamanho dos pedaços de lixo e a ausência de outros indicadores de poluição, como bolas de piche, sugerem que o plástico é “importado”, chegando ao mar de Barents trazido por correntes marinhas como a do Golfo, que sai do Atlântico tropical e banha a Europa.

“Não me surpreenderia se encontrássemos no Ártico condições tão ruins quanto em outras partes, por causa das correntes”, afirma Frida Bergtsson, do Greenpeace.

LIXO GENERALIZADO

O lixo marinho invisível é um problema global. A ONG mantém uma base de dados de plástico coletado por seus navios em dez outras regiões do planeta. Todas revelam alguma contaminação.

De longe a pior situação é a do norte do Pacífico, que abriga a famosa “grande mancha de lixo”.

É uma zona que pode chegar a 15 milhões de km2 (quase o dobro do território do Brasil) na qual a água concentra uma grande quantidade de plástico trazido da Ásia e da América do Norte, mantida ali por correntes em giro.

No mar, o lixo é engolido por animais marinhos e entra na cadeia alimentar –quando não os mata.

RESTO DE REDES

A presença de restos de redes de pesca de nylon nas amostras coletadas por Miller também é típica da contaminação por plástico.

Segundo Bengtsson, o problema é tão disseminado que o governo norueguês freta periodicamente barcos de pesca para buscar equipamento descartado no mar.

Em 2008, um mapeamento publicado na revista “Science” por cientistas americanos mostrou que 100% dos oceanos sofrem algum tipo de impacto humano. Uma das zonas mais degradadas é justamente o mar do Norte, vizinho de baixo do Ártico.

Fonte: Claudio Angelo, enviado especial a Svalbard, Folha.com


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa alerta para poluição do mar

As aves migratórias sofrem cada vez mais com os níveis de óleo nas águas e com a poluição que aumenta em seus pontos de abrigo.

Há dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de maçaricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, já se constata uma redução de quase 60% nas populações dessa ave migratória, que todos os anos foge das baixas temperaturas do Ártico, voando até a Patagônia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. É um animal que, a ritmo acelerado, está caminhando para a extinção.

As tartarugas marinhas parecem não ter melhor sorte. A cada ano, sobe o número de quelônios que aparecem mortos ou em péssimas condições de saúde na costa fluminense. Nelas, os biólogos geralmente constatam a presença de plástico no estômago e um grande número de bactérias patogênicas. “Ambos os casos são emblemáticos da alteração drástica e da rápida redução dos ambientes que essas espécies habitam, resultado das mudanças promovidas pelo homem.” Para o biólogo Salvatore Siciliano, da Fundação Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da Faperj, “parece que retrocedemos 40 anos”. “As políticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chinês, têm significado inestimáveis prejuízos ambientais.”

Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe também tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da Faperj, no projeto “Suporte Analítico a Estudos Ambientais, de Saúde e Tecnológicos”. “Eles vêm me encaminhando amostras desses animais coletados para análise no laboratório. Os resultados têm mostrado a presença de contaminantes acima dos níveis naturais esperados, em grande parte das amostras”, fala o professor Reinaldo.

Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura – que contou com apoio de bolsa de mestrado da Faperj -, é um dos pesquisadores que vêm recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na região dos Lagos, e São Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. “Na comparação com exemplares recolhidos no Amapá, nossa expectativa era de que a bacia Amazônica e do Orinoco pudessem estar distribuindo níveis expressivos de mercúrio por aquela área. Mas os resultados mostraram exatamente o contrário: as amostras do Amapá apresentavam níveis bem mais baixos para mercúrio e condições bem melhores do que as fluminenses.”

Segundo Jailson, os níveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Paraíba do Sul, de resíduos de agrotóxicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na baía de Guanabara. “Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequência de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades ósseas. Só a continuidade dos estudos nos dirá se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais”, calcula Jailson.

Se para a fauna marinha os prejuízos da atividade humana são visíveis, eles também são perceptíveis para o homem. Um número crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doença que se acreditava quase extinta no país. “Descrita na década de 1930 nos índios da etnia kaiabi, da região central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e também golfinhos. É um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paraná e no Acre, onde houve dezenas de casos.”

Provocada por fungos saprofíticos, presentes tanto no solo quanto na água, a doença, da mesma forma do que nos humanos, também causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. “Não se sabe exatamente o que está levando a essa incidência elevada de casos. Uma das hipóteses é que a contaminação de rios e cursos d’água vem progressivamente criando oportunidades para a reermergência de patógenos. E como a globalização do mundo moderno também significa globalização de patógenos, a água de lastro levada pelos navios dissemina espécies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contaminação.”

Um levantamento bacteriológico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante sério de condições de saúde. “Como são espécies que vivem em águas costeiras – em geral, as que mais recebem todo o tipo de contaminação, seja despejo de esgotos, seja óleo resultante das atividades portuárias -, esses animais sofrem com a drástica transformação dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam”, explica o pesquisador.

Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstrução intestinal, provocado pela ingestão de plástico. “Em geral estão com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastrão (casco). Tudo isso cria condições para a proliferação de agentes patogênicos e todo o tipo de infecção. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo”, diz.

Essa combinação de causas vale também para aves migratórias e baleias, por exemplo. “Os maçaricos usam as áreas de manguezal para se alimentar, mas essas regiões estão desaparecendo com a ocupação humana. Com a redução das áreas de alimentação e o aumento da presença de óleo nas áreas de suas rotas migratórias, essas aves sofrem vários tipos de agressão ambiental. Nos últimos dias, em pleno inverno, grupos da espécie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que não estão conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condições adversas da migração.” O resultado, aponta Salvatore, é a repetição de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Faperj


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Tartarugas marinhas absorvem mais poluição ao migrar

Uma das muitas ameaças enfrentadas pela tartaruga-amarela, ou tartaruga-marinha-comum, é a poluição criada pelo homem, mas a dimensão do risco é uma incógnita. Para se obter uma resposta, cientistas mediram substâncias poluentes no sangue de um grupo de machos adultos e rastrearam a migração dos bichos ao longo da costa do Atlântico.

A equipe, chefiada pelo estudante de graduação Jared M. Ragland, do College of Charleston, na Carolina do Sul (EUA), capturou 19 tartarugas-comuns perto de Cabo Canaveral (Flórida) em 2006 e 2007.

Eles mediram e pesaram as espécies, retiraram amostras de sangue e examinaram seus sistemas reprodutivos com biópsias testiculares. Durante dois meses, dez dos animais viajaram na direção norte até Cape May, em New Jersey, enquanto nove ficaram próximos a Cabo Canaveral.

O estudo, publicado na revista “Environmental Toxicology and Chemistry”, descobriu que os animais tinham níveis mensuráveis de 67 produtos químicos usados em pesticidas e outros produtos industriais.

As tartarugas que migraram tinham níveis ainda mais altos do que as que permaneceram perto da Flórida, confirmando pesquisas anteriores que haviam encontrado mais poluentes em tartarugas em latitudes setentrionais.

É possível que os peixes e invertebrados consumidos pelas tartarugas nas águas do norte sejam mais poluídos, mas os cientistas apontam que as tartarugas migrantes comem mais e, por isso, consumiriam mais poluentes. Na média, as tartarugas migrantes eram maiores do que as residentes permanentes.

Os animais pareciam saudáveis, segundo os pesquisadores, mas não está claro o que constitui uma boa saúde na tartaruga-comum adulta.

“Estes eram animais reprodutivamente ativos”, afirma a coautora do estudo e bióloga do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, Jennifer M. Keller.

“Mas os machos possuem níveis mais altos de contaminantes no sangue do que as tartarugas jovens e isso fez crescer nossa preocupação”.

Machos de tartaruga-amarela foram rastreados; os que migraram tinham mais poluentes no sangue

Machos de tartaruga-amarela foram rastreados; os que migraram tinham mais poluentes no sangue.

 

Fonte: Do “New Yorl Times”


21 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento global pode elevar doenças transmitidas pela água

As mudanças climáticas podem aumentar a exposição das pessoas a doenças transmitidas pela água procedente de oceanos, lagos e ecossistemas costeiros, e o impacto já poderá ser sentido em alguns anos, alertaram cientistas americanos reunidos em Washington na AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência).

Vários estudos demonstraram que as mudanças no clima provocadas pelo aquecimento global tornam os ambientes marinhos e de água doce mais suscetíveis à proliferação de algas tóxicas, e permitem que micróbios e bactérias nocivas à saúde se multipliquem, informaram cientistas da Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).

Em uma pesquisa, pesquisadores da Noaa fizeram modelos de oceanos e do clima para prever o efeito nas florações de Alexandrium catenella, que produz a tóxica “maré vermelha” e pode se acumular em mariscos e causar sintomas como paralisia e inclusive ser mortal para os humanos que comerem os moluscos contaminados.

“Nossas projeções indicam que no fim do século 21, as florações podem começar até dois meses antes no ano e persistir um mês depois, em comparação com o período atual, de julho a outubro”, disse Stephanie Moore, um dos cientistas que trabalhou no estudo.

No entanto, o impacto poderá ser sentido muito antes do final do século, já em 2040, informou a especialista.

“As mudanças na temporada de floração das algas nocivas parecem iminentes. Esperamos um aumento significativo em Puget Sound (na costa do estado americano de Washington, onde foi feito o estudo) e ambientes similares em situação de risco dentro de 30 anos, possivelmente na próxima década”, disse Moore.

Em outro estudo, cientistas da Universidade da Geórgia descobriram que a areia do deserto, que contém ferro, ao se depositar nos oceanos, estimula o crescimento de Vibrios, grupo de bactérias que podem causar gastroenterites e doenças infecciosas em humanos.

A quantidade de areia com ferro depositada no mar aumentou nos últimos 30 anos e espera-se que continue aumentando, segundo registros de chuvas na África ocidental.

Fonte: Folha.com


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)






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8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Organismo unicelular com mais de 10 cm vive no Pacífico

Pesquisadores que voltaram de uma expedição a Fossas das Marianas, no oeste do Pacífico, afirmam que o local abriga organismos unicelulares de mais de 10 cm de comprimento.

Cientistas do Instituto de Oceanografia Scripps, da Universidade da Califórnia, em San Diego, mergulharam câmeras subaquáticas de alta definição, colocadas em bolhas feitas de vidro grosso para suportar a pressão extrema, a fim de captar vídeos dessas criaturas a uma profundidade de 10 mil metros.

Os organismos unicelulares, conhecidos como xenofióforos, são as maiores células individuais que conhecemos no mar profundo, segundo a oceanógrafa do Scripps, Lisa Levin, que flagrou as criaturas no vídeo.

Os xenofióforos muitas vezes atuam como “habitat de estrelas do mar, crustáceos, minhocas e amêijoas [moluscos]“, disse ela. “Eles agem como pequenos edifícios residenciais.”

Isso significa que, com mais pesquisas, os cientistas poderão ser capazes de identificar mais organismos que vivem nas profundezas do leito oceânico, de acordo com ela.

Esse conhecimento também pode ajudar os cientistas a compreender outras partes do Sistema Solar.

“A Nasa [agência espacial americana] acredita que pode haver uma analogia entre o que encontramos no fundo dos oceanos e o que, potencialmente, poderia ser encontrado na lua de Júpiter chamada Europa”, afirmou Kevin Hardy, engenheiro cientista do Scripps que participou da expedição.

O grupo foi parcialmente financiado pela Nasa, e a pesquisa ainda não foi publicada em um periódico científico.

Fonte: Do New York Times


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Águas-vivas estão substituindo peixes no mar, diz estudo

Elas são lerdas, gelatinosas, desengonçadas e usam um sistema de caça considerado primitivo. Ainda assim, as águas-vivas estão conseguindo substituir sardinhas, anchovas e outros peixes no domínio dos mares.

A mudança acontece principalmente nas regiões onde a pesca predatória dizimou as espécies dominantes.

Muitos cientistas apostavam que a supremacia desses gigantes gelatinosos seria apenas temporária.

Afinal, criaturas lentas, normalmente cegas e com uma estratégia de caça que exige contato direto com a presa não conseguiriam competir com peixes rápidos e de boa visão, certo?

Um grupo de pesquisadores acaba de mostrar que não é bem assim. Surpreendentemente, os invertebrados são excelentes predadores.

Em uma compilação de vários trabalhos, os cientistas -liderados por José Luiz Acuña, da Universidade de Oviedo, na Espanha- compararam dados como velocidade, padrão de deslocamento e potencial de caça das águas-vivas e de certos peixes comedores de plâncton (organismos minúsculos, como algas e larvas de animais, que boiam no mar).

Eles perceberam que, descontando as diferenças da composição química entre os bichos, águas-vivas e peixes como sardinhas têm taxas de crescimento e reprodução que são muito semelhantes.

“A habilidade competitiva de um predador depende não apenas da captura de presas e das taxas de ingestão mas também de quão eficiente a energia obtida se traduz no crescimento do corpo e aumento da população”, diz o estudo publicado na revista especializada “Science”.

Embora o corpão da água-viva desfavoreça seu deslocamento, ele aumenta as chances de contato com as presas, garantindo mais comida.

A estratégia de flutuar, em vez de perseguir vigorosamente a caça, também não é má ideia. Desse jeito, elas economizam muita energia. E vão, lentamente, transformando os oceanos.

Editora arte/folhapress

 

Fonte: Giuliana Miranda, São Paulo, Folha.com


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pela 1ª vez, estudo acha plástico em mar do polo Norte

A grua do navio levanta e despeja no convés uma rede em formato de cone. A oceanógrafa inglesa Clare Miller, porém, sabe o que procura ali –e não são peixes. Ela logo esvazia a ponta da rede dentro de um balde, revelando algas, plâncton e… plástico.

Em apenas uma hora dentro d’água, a rede de Miller coletou pedaços minúsculos de plástico e nylon numa das regiões mais remotas do oceano: o mar de Barents, a noroeste do arquipélago de Svalbard, Noruega, a menos de 1.300 km do polo Norte.

A coleta, feita a bordo do navio Arctic Sunrise, do Greenpeace, comprova pela primeira vez algo de que já se desconfiava: o Ártico também está contaminado por lixo.

A descoberta é preliminar: foram apenas quatro amostras coletadas, que ainda serão analisadas num laboratório em Exeter, Reino Unido.

Mas a mera existência de plástico nas águas supostamente límpidas do Ártico é motivo de preocupação.

“Ninguém sabia o que encontraríamos. O local onde lançamos a rede é uma região selvagem, sem nenhum assentamento humano por perto”, disse Miller, mestranda em oceanografia na Universidade de Southampton.

O lixo é difícil de ver a olho nu. Ele é composto, em sua maior parte, de pedacinhos de plástico bastante degradados pelo Sol, que ficam em suspensão na água.

(Arte Folha)

Os restos são tão pequenos que precisam ser capturados com uma rede especial, feita para coletar plâncton (animais e algas microscópicas).

Segundo Miller, o tamanho dos pedaços de lixo e a ausência de outros indicadores de poluição, como bolas de piche, sugerem que o plástico é “importado”, chegando ao mar de Barents trazido por correntes marinhas como a do Golfo, que sai do Atlântico tropical e banha a Europa.

“Não me surpreenderia se encontrássemos no Ártico condições tão ruins quanto em outras partes, por causa das correntes”, afirma Frida Bergtsson, do Greenpeace.

LIXO GENERALIZADO

O lixo marinho invisível é um problema global. A ONG mantém uma base de dados de plástico coletado por seus navios em dez outras regiões do planeta. Todas revelam alguma contaminação.

De longe a pior situação é a do norte do Pacífico, que abriga a famosa “grande mancha de lixo”.

É uma zona que pode chegar a 15 milhões de km2 (quase o dobro do território do Brasil) na qual a água concentra uma grande quantidade de plástico trazido da Ásia e da América do Norte, mantida ali por correntes em giro.

No mar, o lixo é engolido por animais marinhos e entra na cadeia alimentar –quando não os mata.

RESTO DE REDES

A presença de restos de redes de pesca de nylon nas amostras coletadas por Miller também é típica da contaminação por plástico.

Segundo Bengtsson, o problema é tão disseminado que o governo norueguês freta periodicamente barcos de pesca para buscar equipamento descartado no mar.

Em 2008, um mapeamento publicado na revista “Science” por cientistas americanos mostrou que 100% dos oceanos sofrem algum tipo de impacto humano. Uma das zonas mais degradadas é justamente o mar do Norte, vizinho de baixo do Ártico.

Fonte: Claudio Angelo, enviado especial a Svalbard, Folha.com


22 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa alerta para poluição do mar

As aves migratórias sofrem cada vez mais com os níveis de óleo nas águas e com a poluição que aumenta em seus pontos de abrigo.

Há dois meses, ao norte do Rio Grande do Sul, dezenas de maçaricos-de-papo-vermelho foram encontrados mortos nas praias do litoral. Segundo observam os pesquisadores, já se constata uma redução de quase 60% nas populações dessa ave migratória, que todos os anos foge das baixas temperaturas do Ártico, voando até a Patagônia argentina e passando por toda a costa brasileira, onde faz paradas para descansar e alimentar-se. É um animal que, a ritmo acelerado, está caminhando para a extinção.

As tartarugas marinhas parecem não ter melhor sorte. A cada ano, sobe o número de quelônios que aparecem mortos ou em péssimas condições de saúde na costa fluminense. Nelas, os biólogos geralmente constatam a presença de plástico no estômago e um grande número de bactérias patogênicas. “Ambos os casos são emblemáticos da alteração drástica e da rápida redução dos ambientes que essas espécies habitam, resultado das mudanças promovidas pelo homem.” Para o biólogo Salvatore Siciliano, da Fundação Oswaldo Cruz, e pesquisador visitante da Faperj, “parece que retrocedemos 40 anos”. “As políticas de desenvolvimento a qualquer custo, a exemplo do modelo chinês, têm significado inestimáveis prejuízos ambientais.”

Ao dar continuidade ao projeto, Salvatore e equipe também tem trabalhado em conjunto com Reinaldo Calixto de Campos, professor do Departamento de Química da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e Cientista do Nosso Estado, da Faperj, no projeto “Suporte Analítico a Estudos Ambientais, de Saúde e Tecnológicos”. “Eles vêm me encaminhando amostras desses animais coletados para análise no laboratório. Os resultados têm mostrado a presença de contaminantes acima dos níveis naturais esperados, em grande parte das amostras”, fala o professor Reinaldo.

Integrante da equipe de Salvatore na Fiocruz, o doutorando Jailson Fulgencio de Moura – que contou com apoio de bolsa de mestrado da Faperj -, é um dos pesquisadores que vêm recolhendo amostras de boto-cinza no litoral fluminense, entre Saquarema, na região dos Lagos, e São Francisco do Itabapoana, no norte fluminense. “Na comparação com exemplares recolhidos no Amapá, nossa expectativa era de que a bacia Amazônica e do Orinoco pudessem estar distribuindo níveis expressivos de mercúrio por aquela área. Mas os resultados mostraram exatamente o contrário: as amostras do Amapá apresentavam níveis bem mais baixos para mercúrio e condições bem melhores do que as fluminenses.”

Segundo Jailson, os níveis bem maiores de metais pesados nos botos recolhidos no Rio de Janeiro podem resultar da atividade de antigos garimpos ao longo do rio Paraíba do Sul, de resíduos de agrotóxicos usados no cultivo de cana, ou mesmo do aporte de efluentes de atividade industrial na baía de Guanabara. “Pelo que pudemos constatar, a grande maioria dos 20 botos coletados, mortos em consequência de captura acidental em rede de pesca, mostrava deformidades ósseas. Só a continuidade dos estudos nos dirá se essas deformidades teriam sido provocadas por contaminantes industriais”, calcula Jailson.

Se para a fauna marinha os prejuízos da atividade humana são visíveis, eles também são perceptíveis para o homem. Um número crescente de casos recentes de lobomicose, no Acre, apontam para o ressurgimento de uma doença que se acreditava quase extinta no país. “Descrita na década de 1930 nos índios da etnia kaiabi, da região central do Xingu, e considerada rara, a lobomicose acomete humanos e também golfinhos. É um tipo de micose severa, que causa verrugas na pele que precisam ser retiradas cirurgicamente. Foram observados doentes no norte do Rio Grande do Sul, no Paraná e no Acre, onde houve dezenas de casos.”

Provocada por fungos saprofíticos, presentes tanto no solo quanto na água, a doença, da mesma forma do que nos humanos, também causa anomalias sobre a pele lisa dos golfinhos. “Não se sabe exatamente o que está levando a essa incidência elevada de casos. Uma das hipóteses é que a contaminação de rios e cursos d’água vem progressivamente criando oportunidades para a reermergência de patógenos. E como a globalização do mundo moderno também significa globalização de patógenos, a água de lastro levada pelos navios dissemina espécies invasoras de um lado a outro do planeta, generalizando a contaminação.”

Um levantamento bacteriológico em tartarugas e aves marinhas encontradas encalhadas ou arribadas na costa fluminense mostra quase sempre um quadro bastante sério de condições de saúde. “Como são espécies que vivem em águas costeiras – em geral, as que mais recebem todo o tipo de contaminação, seja despejo de esgotos, seja óleo resultante das atividades portuárias -, esses animais sofrem com a drástica transformação dos ambientes em que vivem ou onde se alimentam”, explica o pesquisador.

Detalhando o quadro, ele fala que, no caso das tartarugas, muitas vezes elas apresentam obstrução intestinal, provocado pela ingestão de plástico. “Em geral estão com menos de metade de seu peso normal, o que lhes causa grande debilidade, a ponto de haver afundamento do plastrão (casco). Tudo isso cria condições para a proliferação de agentes patogênicos e todo o tipo de infecção. Com isso, o animal para de se alimentar, enfraquece ainda mais e termina morrendo”, diz.

Essa combinação de causas vale também para aves migratórias e baleias, por exemplo. “Os maçaricos usam as áreas de manguezal para se alimentar, mas essas regiões estão desaparecendo com a ocupação humana. Com a redução das áreas de alimentação e o aumento da presença de óleo nas áreas de suas rotas migratórias, essas aves sofrem vários tipos de agressão ambiental. Nos últimos dias, em pleno inverno, grupos da espécie foram avistados em praias do Rio Grande do Sul, o que significa que não estão conseguindo comida suficiente para seguir em frente e enfrentar as condições adversas da migração.” O resultado, aponta Salvatore, é a repetição de casos como o da mortandade recente de grupos dessas aves nas proximidades de Tramandaí, no litoral norte do Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Faperj


5 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Tartarugas marinhas absorvem mais poluição ao migrar

Uma das muitas ameaças enfrentadas pela tartaruga-amarela, ou tartaruga-marinha-comum, é a poluição criada pelo homem, mas a dimensão do risco é uma incógnita. Para se obter uma resposta, cientistas mediram substâncias poluentes no sangue de um grupo de machos adultos e rastrearam a migração dos bichos ao longo da costa do Atlântico.

A equipe, chefiada pelo estudante de graduação Jared M. Ragland, do College of Charleston, na Carolina do Sul (EUA), capturou 19 tartarugas-comuns perto de Cabo Canaveral (Flórida) em 2006 e 2007.

Eles mediram e pesaram as espécies, retiraram amostras de sangue e examinaram seus sistemas reprodutivos com biópsias testiculares. Durante dois meses, dez dos animais viajaram na direção norte até Cape May, em New Jersey, enquanto nove ficaram próximos a Cabo Canaveral.

O estudo, publicado na revista “Environmental Toxicology and Chemistry”, descobriu que os animais tinham níveis mensuráveis de 67 produtos químicos usados em pesticidas e outros produtos industriais.

As tartarugas que migraram tinham níveis ainda mais altos do que as que permaneceram perto da Flórida, confirmando pesquisas anteriores que haviam encontrado mais poluentes em tartarugas em latitudes setentrionais.

É possível que os peixes e invertebrados consumidos pelas tartarugas nas águas do norte sejam mais poluídos, mas os cientistas apontam que as tartarugas migrantes comem mais e, por isso, consumiriam mais poluentes. Na média, as tartarugas migrantes eram maiores do que as residentes permanentes.

Os animais pareciam saudáveis, segundo os pesquisadores, mas não está claro o que constitui uma boa saúde na tartaruga-comum adulta.

“Estes eram animais reprodutivamente ativos”, afirma a coautora do estudo e bióloga do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, Jennifer M. Keller.

“Mas os machos possuem níveis mais altos de contaminantes no sangue do que as tartarugas jovens e isso fez crescer nossa preocupação”.

Machos de tartaruga-amarela foram rastreados; os que migraram tinham mais poluentes no sangue

Machos de tartaruga-amarela foram rastreados; os que migraram tinham mais poluentes no sangue.

 

Fonte: Do “New Yorl Times”


21 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

Aquecimento global pode elevar doenças transmitidas pela água

As mudanças climáticas podem aumentar a exposição das pessoas a doenças transmitidas pela água procedente de oceanos, lagos e ecossistemas costeiros, e o impacto já poderá ser sentido em alguns anos, alertaram cientistas americanos reunidos em Washington na AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência).

Vários estudos demonstraram que as mudanças no clima provocadas pelo aquecimento global tornam os ambientes marinhos e de água doce mais suscetíveis à proliferação de algas tóxicas, e permitem que micróbios e bactérias nocivas à saúde se multipliquem, informaram cientistas da Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica).

Em uma pesquisa, pesquisadores da Noaa fizeram modelos de oceanos e do clima para prever o efeito nas florações de Alexandrium catenella, que produz a tóxica “maré vermelha” e pode se acumular em mariscos e causar sintomas como paralisia e inclusive ser mortal para os humanos que comerem os moluscos contaminados.

“Nossas projeções indicam que no fim do século 21, as florações podem começar até dois meses antes no ano e persistir um mês depois, em comparação com o período atual, de julho a outubro”, disse Stephanie Moore, um dos cientistas que trabalhou no estudo.

No entanto, o impacto poderá ser sentido muito antes do final do século, já em 2040, informou a especialista.

“As mudanças na temporada de floração das algas nocivas parecem iminentes. Esperamos um aumento significativo em Puget Sound (na costa do estado americano de Washington, onde foi feito o estudo) e ambientes similares em situação de risco dentro de 30 anos, possivelmente na próxima década”, disse Moore.

Em outro estudo, cientistas da Universidade da Geórgia descobriram que a areia do deserto, que contém ferro, ao se depositar nos oceanos, estimula o crescimento de Vibrios, grupo de bactérias que podem causar gastroenterites e doenças infecciosas em humanos.

A quantidade de areia com ferro depositada no mar aumentou nos últimos 30 anos e espera-se que continue aumentando, segundo registros de chuvas na África ocidental.

Fonte: Folha.com


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)