5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

UFSC coordena Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha

Até dezembro, será lançado o Portal Nacional da Biodiversidade Marinha, que vai divulgar os resultados de 25 projetos da rede.

O Brasil é um dos países que menos conhece e protege sua biodiversidade marinha. Isso não decorre da falta de pesquisadores qualificados na área, mas principalmente da desarticulação entre eles. Integrar mais de 25 projetos de pesquisa e extensão mediante a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha é uma das metas de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

A rede consolida esforços regionais iniciados há mais de uma década, permitindo que grupos de pesquisa atuem de forma harmônica e padronizada. Ela é constituída por três núcleos principais – no Sul, Sudeste e Nordeste – e abarcará oito universidades, sejam federais ou estaduais. Todos os núcleos têm laboratórios, embarcações, equipamentos de mergulho e coleta, muitos deles comprados com recursos do edital Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (SISBIOTA), lançado pela Fundação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Ao longo de três anos, devem ser aplicados os quase R$ 3 milhões a serem repassados pelo SISBIOTA a quatro projetos coordenados por instituições catarinenses, entre eles a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, cuja principal executora é a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Até dezembro, será lançado o Portal Nacional da Biodiversidade Marinha, que vai divulgar os resultados de 25 projetos da rede. “O portal está sendo desenvolvido e contará com informações sobre o projeto e o seu andamento, assim como muitas fotografias das expedições ao longo da costa brasileira e ilhas oceânicas”, diz o coordenador da rede, Sergio R. Floeter, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC.

Remédios que vêm do mar – Outros objetivos da rede incluem conhecer o potencial farmacológico dos biomas marinhos do litoral sul e dar suporte científico a estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional. O Mar Territorial Brasileiro e a Zona Econômica Exclusiva do Brasil somam quase 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a mais da metade da superfície do País. O litoral concentra 70% da população e dá sustento a muitas famílias, porém a pesca excessiva e as mudanças climáticas ameaçam extinguir algumas espécies.

Ironicamente, o Brasil foi o primeiro a assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica e formulou o Plano Nacional de Áreas Protegidas, para reduzir a taxa de perda de biodiversidade em áreas marinhas até 2012. A constituição da Rede Nacional em 2011 e os recursos do SISBIOTA assegurados pelo CNPq e pela Fapesc até 2013 tornam esta missão mais possível.

A primeira parcela, de R$50 mil, viabilizou a primeira reunião de trabalho da rede, em maio, durante o III Congresso Brasileiro de Biologia Marinha, em Natal (RN). “Foi um sucesso. Teve mais de 25 participantes, entre professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação”, afirma o Prof. Floeter. Em agosto, a Fapesc deve liberar recursos para garantir a continuidade do projeto.

Fonte: Ascom da UFSC


9 de março de 2011 | nenhum comentário »

20 a 22/05/2011 Curso de Biologia Marinha Aplicada – em Pipa, RN

Local: Pipa (Tibau do Sul, RN)

Data: 20 a 22/05/2011 (6ª a domingo – logo após o CBBM)

Carga horária: 30h

Conteúdo: aspectos gerais de Biologia Marinha e Oceanografia; ecossistemas de piscinas naturais; avistagem e taxonomia de seres marinhos; parâmetros físico-químicos da água do mar; observação de falésias; aulas teóricas sobre tartarugas-marinhas, mamíferos marinhos, técnicas de coleta abióticas e Química Ambiental.

Programação:
20/05 – 6ª – 18h – apresentação dos alunos e aula teórica
21/05 – Sáb. – Manhã: saída de barco; tarde: piscinas naturais

22/05 – Dom. – Manhã: ida à Praia do Amor (falésias, hidrodinamismo e rochas vulcânicas); tarde: Baía dos Golfinhos. Encerramento: 17h
Professores:
Cesar Bernardo: mestrando em Ensino das Ciências (Química), pós-graduado em Biologia Marinha e Oceanografia, biólogo, professor de Biologia e Química, Coordenador do Curso Técnico, Médio do Instituto Martin Luther King

Suzana Ramineli: mestranda em Ciência Ambiental, pós-graduada em Biologia Marinha e Oceanografia, pós-graduanda em Planejamento e Gestão Ambiental, bacharel em Comunicação Social e Coordenadora de Projetos Ambientais da Escola de Mergulho Brazil Divers

Público: estudantes de biologia, ecologia, gestão ambiental, veterinária, educação ambiental, geografia, turismo, oceanografia e áreas afins; mergulhadores; ambientalistas; interessados em aprender sobre o tema.

Investimento: R$ 400,00
Ex-alunos têm R$ 30,00 de desconto!

Inclui:

2 diárias de hospedagem
Carteira de associado para albergues da juventude (válida por 1 ano)
2 cafés da manhã
1 saída de barco
Aulas
Certificado
CD-Rom com material didático
Brinde Mimos Marinhos
Inscrições:
- à vista: depósito de R$ 400,00 – ATÉ 05/04/2011.
OU
parceladas: 3 depósitos de R$ 134,00. O 1º até 11/03, o 2º até 11/04 e o 3º até 11/05/2011.
OU
parceladas: 2 depósitos de R$ 200,00. O 1º até 25/03 e o 2º até 25/04.
Dados para depósito:  Banco Santander – Banco 033 – Agência 3453 – C/C 010021401 – Favorecida: Suzana Muniz Ramineli

Em qualquer dos casos, enviar comprovante de depósito por e-mail (naturaulas@gmail.com) com os seguintes dados pessoais: nome, telefone, idade, profissão, instituição e como soube do curso.
Esse envio é fundamental para a confirmação da inscrição.

Observações:
1 – Não é permitido o porte de arpão e nem coleta de nenhum tipo.
2 – O kit básico de mergulho (máscara, snorkel; as nadadeiras são opcionais) é fundamental para as aulas. Caso você não o possua, fale conosco para alugá-lo.
3 – Vagas limitadas.

Informações: naturaulas@gmail.com

www.naturaulas.blogspot.com


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)






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5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

UFSC coordena Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha

Até dezembro, será lançado o Portal Nacional da Biodiversidade Marinha, que vai divulgar os resultados de 25 projetos da rede.

O Brasil é um dos países que menos conhece e protege sua biodiversidade marinha. Isso não decorre da falta de pesquisadores qualificados na área, mas principalmente da desarticulação entre eles. Integrar mais de 25 projetos de pesquisa e extensão mediante a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha é uma das metas de um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc).

A rede consolida esforços regionais iniciados há mais de uma década, permitindo que grupos de pesquisa atuem de forma harmônica e padronizada. Ela é constituída por três núcleos principais – no Sul, Sudeste e Nordeste – e abarcará oito universidades, sejam federais ou estaduais. Todos os núcleos têm laboratórios, embarcações, equipamentos de mergulho e coleta, muitos deles comprados com recursos do edital Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (SISBIOTA), lançado pela Fundação em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Ao longo de três anos, devem ser aplicados os quase R$ 3 milhões a serem repassados pelo SISBIOTA a quatro projetos coordenados por instituições catarinenses, entre eles a Rede Nacional de Pesquisa em Biodiversidade Marinha, cuja principal executora é a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Até dezembro, será lançado o Portal Nacional da Biodiversidade Marinha, que vai divulgar os resultados de 25 projetos da rede. “O portal está sendo desenvolvido e contará com informações sobre o projeto e o seu andamento, assim como muitas fotografias das expedições ao longo da costa brasileira e ilhas oceânicas”, diz o coordenador da rede, Sergio R. Floeter, do Departamento de Ecologia e Zoologia da UFSC.

Remédios que vêm do mar – Outros objetivos da rede incluem conhecer o potencial farmacológico dos biomas marinhos do litoral sul e dar suporte científico a estratégias de conservação da biodiversidade marinha nacional. O Mar Territorial Brasileiro e a Zona Econômica Exclusiva do Brasil somam quase 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o equivalente a mais da metade da superfície do País. O litoral concentra 70% da população e dá sustento a muitas famílias, porém a pesca excessiva e as mudanças climáticas ameaçam extinguir algumas espécies.

Ironicamente, o Brasil foi o primeiro a assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica e formulou o Plano Nacional de Áreas Protegidas, para reduzir a taxa de perda de biodiversidade em áreas marinhas até 2012. A constituição da Rede Nacional em 2011 e os recursos do SISBIOTA assegurados pelo CNPq e pela Fapesc até 2013 tornam esta missão mais possível.

A primeira parcela, de R$50 mil, viabilizou a primeira reunião de trabalho da rede, em maio, durante o III Congresso Brasileiro de Biologia Marinha, em Natal (RN). “Foi um sucesso. Teve mais de 25 participantes, entre professores, pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação”, afirma o Prof. Floeter. Em agosto, a Fapesc deve liberar recursos para garantir a continuidade do projeto.

Fonte: Ascom da UFSC


9 de março de 2011 | nenhum comentário »

20 a 22/05/2011 Curso de Biologia Marinha Aplicada – em Pipa, RN

Local: Pipa (Tibau do Sul, RN)

Data: 20 a 22/05/2011 (6ª a domingo – logo após o CBBM)

Carga horária: 30h

Conteúdo: aspectos gerais de Biologia Marinha e Oceanografia; ecossistemas de piscinas naturais; avistagem e taxonomia de seres marinhos; parâmetros físico-químicos da água do mar; observação de falésias; aulas teóricas sobre tartarugas-marinhas, mamíferos marinhos, técnicas de coleta abióticas e Química Ambiental.

Programação:
20/05 – 6ª – 18h – apresentação dos alunos e aula teórica
21/05 – Sáb. – Manhã: saída de barco; tarde: piscinas naturais

22/05 – Dom. – Manhã: ida à Praia do Amor (falésias, hidrodinamismo e rochas vulcânicas); tarde: Baía dos Golfinhos. Encerramento: 17h
Professores:
Cesar Bernardo: mestrando em Ensino das Ciências (Química), pós-graduado em Biologia Marinha e Oceanografia, biólogo, professor de Biologia e Química, Coordenador do Curso Técnico, Médio do Instituto Martin Luther King

Suzana Ramineli: mestranda em Ciência Ambiental, pós-graduada em Biologia Marinha e Oceanografia, pós-graduanda em Planejamento e Gestão Ambiental, bacharel em Comunicação Social e Coordenadora de Projetos Ambientais da Escola de Mergulho Brazil Divers

Público: estudantes de biologia, ecologia, gestão ambiental, veterinária, educação ambiental, geografia, turismo, oceanografia e áreas afins; mergulhadores; ambientalistas; interessados em aprender sobre o tema.

Investimento: R$ 400,00
Ex-alunos têm R$ 30,00 de desconto!

Inclui:

2 diárias de hospedagem
Carteira de associado para albergues da juventude (válida por 1 ano)
2 cafés da manhã
1 saída de barco
Aulas
Certificado
CD-Rom com material didático
Brinde Mimos Marinhos
Inscrições:
- à vista: depósito de R$ 400,00 – ATÉ 05/04/2011.
OU
parceladas: 3 depósitos de R$ 134,00. O 1º até 11/03, o 2º até 11/04 e o 3º até 11/05/2011.
OU
parceladas: 2 depósitos de R$ 200,00. O 1º até 25/03 e o 2º até 25/04.
Dados para depósito:  Banco Santander – Banco 033 – Agência 3453 – C/C 010021401 – Favorecida: Suzana Muniz Ramineli

Em qualquer dos casos, enviar comprovante de depósito por e-mail (naturaulas@gmail.com) com os seguintes dados pessoais: nome, telefone, idade, profissão, instituição e como soube do curso.
Esse envio é fundamental para a confirmação da inscrição.

Observações:
1 – Não é permitido o porte de arpão e nem coleta de nenhum tipo.
2 – O kit básico de mergulho (máscara, snorkel; as nadadeiras são opcionais) é fundamental para as aulas. Caso você não o possua, fale conosco para alugá-lo.
3 – Vagas limitadas.

Informações: naturaulas@gmail.com

www.naturaulas.blogspot.com


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Biodiversidade desconhecida, editorial de “O Estado de SP”

“É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger”

Leia o editorial:

 

País com mais de 10 mil quilômetros de costa e uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do mundo, o Brasil apresentará na próxima reunião de avaliação das metas da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) um relatório pobre, que é quase uma confissão: colocou sob proteção legal apenas 1,5% desses ecossistemas, bem menos do que a meta de 10% que havia fixado, e conhece muito pouco de suas espécies marinhas.

 

A décima Conferência das Partes (COP 10) signatárias da CDB – documento aprovado na Conferência Rio-92 – será realizada no fim deste mês na cidade japonesa de Nagoya, com a presença de representantes de mais de 190 países. Eles avaliarão quanto se avançou no cumprimento das metas de preservação da fauna e da flora assumidas nas reuniões anteriores e definirão objetivos para os próximos dez anos.

 

Uma das metas mais relevantes anunciadas pelo Brasil era colocar 30% da Amazônia sob alguma forma de proteção legal. Esta foi alcançada, até com alguma folga, pois mais de 40% da área florestal está protegida, segundo o relatório a ser apresentado em Nagoya pelo governo brasileiro. A área protegida inclui terras indígenas e unidades de conservação estaduais e federais, como mostrou o repórter Herton Escobar, na edição de 3 de outubro do Estado.

 

Mas uma área de grande importância ambiental e econômica, os 4,2 milhões de quilômetros quadrados de território brasileiro cobertos pelo mar, continuou esquecida. Da pequena fatia de ecossistemas que o país conseguiu colocar sob proteção, a maior parte está em ambientes terrestres ligados ao mar, como restingas, praias e manguezais.

 

Não há nenhuma área de conservação inteiramente coberta pelo mar. O Ministério do Meio Ambiente reconhece que o bioma marinho constituiu “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc).

 

A biodiversidade marinha brasileira já conhecida é considerada relativamente pobre, quando comparada à de outros países. Mesmo assim, estima-se que estão no Brasil cerca de 6% das espécies existentes no mundo de invertebrados “não insetos”, a maioria dos quais vive no mar.

 

Pobreza muito maior do que a de espécies marinhas é a de pesquisas e de pesquisadores, diz o biólogo Antonio Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Considero isso uma vergonha”, confessa. Além de escasso, o conhecimento é muito concentrado geograficamente. As pesquisas se limitam ao litoral de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste, ainda sabemos muito pouco. E, sobre o Norte, quase nada.”

 

É quase total a falta de conhecimento do país sobre sua diversidade marinha – e sem conhecer é impossível proteger.

 

É difícil, porém, dizer que o desconhecimento seja o pior dos aspectos da ação do governo brasileiro na preservação da biodiversidade marinha. Nos poucos casos de conhecimento relativamente extenso de espécies marinhas, que geralmente são as de maior valor comercial, pouco ou nada se faz para protegê-las.

 

Entre 1995 e 2006, o governo executou o Programa de Avaliação do Potencial dos Recursos Vivos da Zona Econômica Exclusiva, que era mais um balanço do estoque pesqueiro do que uma tentativa de conhecimento da biodiversidade marinha. O programa constatou que cerca de 80% das espécies pescadas comercialmente eram sobre-exploradas ou plenamente exploradas.

 

Desde a conclusão do estudo, nada foi feito ou anunciado pelo governo para assegurar a recuperação desses estoques. “A gestão pesqueira no Brasil está um caos”, diz o pesquisador José Angel Alvarez Perez, da Universidade do Vale do Itajaí, de Santa Catarina. O caos é o resultado prático da ação de um governo que não tem uma política definida para a área.

 

De um lado, o Ministério do Meio Ambiente busca assegurar a manutenção dos estoques das espécies de maior valor comercial; de outro, o Ministério da Pesca estimula a pesca, sem levar em conta a ameaça à sobrevivência das espécies.

 

Esse conflito mostra que falta ao governo um rumo na questão da biodiversidade marinha.

(O Estado de SP, 12/10)