10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Recuperação de áreas de preservação permanente divide opiniões

As APPs são locais frágeis à beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegetação original protegida porque são fundamentais para a produção de água e controle da erosão do solo.

Onde hoje se vê mata fechada, só havia cana-de-açúcar dez anos atrás. Em uma fazenda foram plantadas quase um milhão de mudas de árvores para recuperar as áreas de preservação permanente.

APPs são locais frágeis à beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegetação original protegida porque são fundamentais para a produção de água e controle da erosão do solo.

Uma usina perdeu área de plantio de cana, mas conquistou o certificado de produção sustentável, valorizando a empresa no mercado internacional. “Ganhamos na exportação de álcool e de açúcar. O pessoal lá de fora quer saber se está fazendo preservação”, afirma Ricardo Ometto.

Em Iracemápolis, no interior de São Paulo, o desrespeito à APP deixou a represa que abastece o município desprotegida. Resultado: em 1985, a cidade ficou sem água. A área precisou ser recuperada em regime de urgência.

O plantio da cana-de-açúcar que ia até a beira da represa teve que recuar 100 metros. No local, foram plantadas árvores nativas. Nunca mais Iracemápolis teve problema de abastecimento de água.

Iracemápolis e a usina de cana são dois exemplos dos benefícios e da necessidade de se cuidar bem das APPs. O projeto do novo Código Florestal saiu da Câmara sem garantias de recuperação das APPs desmatadas antes de julho de 2008.

No Senado, a proposta evoluiu para assegurar que deve ser de 15 metros a faixa mínima de vegetação a ser recuperada às margens dos rios com até dez metros de largura. E os conselhos estaduais de meio ambiente ganham poder para ampliar a faixa de recuperação da mata ciliar, de acordo com as necessidades de cada área. No caso dos rios mais largos, pode chegar a 100 metros de extensão.

“Cabe à União Federal o estabelecimento de regras gerais para o país inteiro, mas o nosso país é um continente. Precisamos chamar os estados à responsabilidade de nos ajudar a fazer essa harmonia entre produção e conservação do meio ambiente”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), relator.

Uma das principais preocupações dos ambientalistas e da comunidade científica é garantir no Código Florestal a preservação das nascentes e córregos intermitentes que fornecem água apenas durante uma parte do ano, mas que são fundamentais para o equilíbrio do meio ambiente.

O texto em debate no Senado ainda não garante a preservação das nascentes. Os ambientalistas vão apresentar uma emenda para resolver o problema. “A ideia é que se tenha um mínimo de 30 metros para as nascentes, os olhos d’água e demais rios. Isso é importante porque, como está previsto na regra que veio da Câmara, nascentes e os olhos d’água não teriam qualquer tipo de recuperação. O seria um absurdo porque é dali que nascem os rios”, explica Tasso Azevedo, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) resiste à mudança, porque diz que ela atingiria pequenos e médios produtores. “Acho que seria interessante, por exemplo, excluirmos o plantio extensivo de milho, de algodão, de soja e abrir mão apenas para os pequenos e médios agricultores que têm uma pequena roça, uma pequena horta e uma pequena pastagem, uma campineira para seu gado de leite”, diz a senadora Kátia Abreu, presidente do CNA.

Os ruralistas também não aceitam a retirada do gado das encostas dos morros, um ponto defendido pelos ambientalistas. “Gado e APP são duas coisas que se pudessem ser evitadas seria extremamente importante. O casco do gado gera um peso muito grande. Em geral, gera erosão, além de contaminar a água”, alerta Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama.

A pecuária é o principal uso da terra no Brasil. São 200 milhões de hectares de pastagem. A agricultura ocupa 65 milhões de hectares. A longo prazo, a solução é aumentar a produtividade da pecuária, inferior a uma cabeça de gado por hectare. Nas APPs à beira de rios, muitas áreas hoje ocupadas pelo gado poderiam ser restauradas sem grandes investimentos.

Há quatro anos, toda a área de uma propriedade era ocupada pelo pasto. Bastou tirar o gado para ver que as árvores cresceram naturalmente. A técnica pode ser aplicada com sucesso em 80% do país.

“Isso acontece na Amazônia, no Brasil central com os cerrados e em várias situações. Só 20% delas que foram muito degradadas historicamente é que, efetivamente, vão precisar de um investimento maior com o plantio de mudas”, explica Ricardo Rodrigues, professor – Esalq – USP.

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/11/recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente-divide-opinioes.html

Fonte: G1, Jornal Nacional


24 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio em mata experimental prejudica 15 pesquisas da USP

Uma área de 27 hectares do maior banco genético de floresta mesófila semidecidual do país, a mata atlântica do interior, foi destruída por um incêndio na semana passada. Ao menos 15 pesquisas da USP foram prejudicadas.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores.

Suspeita-se que algumas das atingidas eram os últimos exemplares de sua espécie, já que elas são raras na região.

“Era uma coleção de espécies nativas coletadas em mais de 400 remanescentes de mata”, diz Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

“A perda é inestimável”, avalia Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. Segundo ele, as espécies foram recolhidas em áreas que hoje não têm mais mata, devido ao avanço da agricultura.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Ao longo de 13 anos, foram coletadas 45 espécies de árvores, entre elas ipês, jequitibás, jacarandás, jenipapos e jatobás, cada uma delas com 75 exemplares.

Ao contrário de outros bancos de floresta, as espécies plantadas na USP seguiam um modelo matemático para que as árvores de uma mesma espécie ficassem a 30 metros de distância uma da outra, para evitar a polinização cruzada e manter a variabilidade genética.

As sementes e mudas produzidas ali eram enviadas a áreas de reflorestamento.

“Quando a gente entende a evolução do ecossistema recém plantado podemos agir para acelerar outros processos de restauração florestal”, diz José Ricardo Barosela, doutorando da USP.

A pesquisa de Barosela e outras 14 que estavam em andamento terão de ser refeitas ou concluídas sem os dados vindos do banco genético.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. “Só depois vamos contabilizar os danos causados.”

As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

Além da perda no banco genético, mais 6 hectares reflorestados foram atingidos.

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


18 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Incêndio destrói área de mata preservada na USP em Ribeirão Preto

Fogo consumiu banco genético usado por pesquisadores da universidade.
Também houve perda de animais que não conseguiram escapar.

Um incêndio destruiu um banco genético usado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na tarde desta terça-feira (16). Segundo levantamento dos pesquisadores, cerca de 40 hectares da mata preservada há 23 anos foram consumidos pelas chamas.

Segundo a bióloga Ana Carla Aquino, a perda foi irreparável, já que o material era considerado uma “biblioteca biológica”. “Tínhamos amostras da flora de 400 fragmentos da bacia dos rios Pardo e Mogi. As pesquisas serviam como uma forma de recuperar a biodiversidade de outros locais que porventura perdessem as espécies de planta”, afirmou.

Ainda segundo a especialista, houve também uma perda considerável da fauna local. “Os animais que conseguem voar se salvaram. Porém, o problema são aqueles que não conseguem se livrar do fogo. Como, por exemplo, roedores, rastejantes, filhotes de aves e ouriços”, lamentou.

A tarefa de fazer uma reposição será árdua na universidade. “Os bichos não tem mais onde se alimentar e local para se esconder. O trabalho botânico e a fauna terão que vir gradativamente”, disse a pesquisadora.

Destruição
O incêndio começou por volta das 14h10 de terça e foi controlado apenas às 18h20. Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate contou com a ajuda da guarda universitária, um caminhão-pipa de uma empresa privada, carros do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), além do helicóptero Águia da Polícia Militar.

Uma área de preservação permanente e propriedade rurais vizinhas foram atingidas pelas chamas. Apesar do risco de fogo em depósitos de materiais radioativos do Hospital das Clínicas, a área não foi atingida.

De acordo com a guarda universitária, esse foi o maior incêndio registrado na história da USP.

Fonte: Do G1, SP


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Governo quer estimular recuperação de mata por produtor rural

O governo diz que vai se empenhar no Plano Agrícola e Pecuário 2011-2012, que será lançado na sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Ribeirão Preto (a
313 km de SP), para estimular os produtores rurais a recuperar cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas.

A meta é que nos próximos dez anos sejam recuperados 15 milhões de hectares para produção.

A intenção é elevar a produção agropecuária evitando mais avanço sobre áreas de florestas. Atualmente, o país tem cerca de 47 milhões de hectares ocupados com a agricultura e 170 milhões de hectares usados para a pecuária.

Embora os dados em relação a áreas degradadas variem de acordo com os critérios usados para mensurá-las, técnicos do Ministério da Agricultura afirmam que elas somam pelo menos 30 milhões de hectares no país, o equivalente a mais de 60% das terras cultivadas com grãos.

Os maiores potenciais de recuperação estão nos estados da Região Centro-Oeste, no Tocantins e no Pará.

CRÉDITOS DO GOVERNO

Para incentivar os produtores, o governo disponibilizará R$ 3,15 bilhões em créditos dentro do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), criado na safra passada, mas ainda sem muita adesão.

Além da recuperação de áreas degradadas, o chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, explica que o programa pretende financiar o plantio de 300 mil hectares de florestas. Em mais 550 mil hectares será financiado o plantio com fixação biológica de nitrogênio; em 800 mil hectares, o plantio direto na palha, e em 400 mil hectares, será feita a integração lavoura-pecuária-floresta.

Para aumentar a popularidade e a procura pelo programa, Dossa destacou que o ministério investirá em várias frentes: divulgação na imprensa da importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa, treinamento de 5.000 técnicos nesse modelo de agricultura, distribuição de material a todo o corpo técnico treinado, com acesso aos produtores, estudo dos estados com problemas e motivação de lideranças locais.

“Um dos maiores problemas é falta de profissionais especializados em fazer projeto nesse tipo de produção para ter os recursos liberados”, explicou Dossa, ressaltando a importância do treinamento de técnicos do ministério e superintendências regionais.

As linhas de crédito do programa são diferenciadas, com as menores taxas da agricultura empresarial, 5,5% ao ano, e prazo de até 15 anos para pagar. O limite de financiamento para produtores é R$ 1 milhão.

Fonte: DA AGÊNCIA BRASIL






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Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1


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Recuperação de áreas de preservação permanente divide opiniões

As APPs são locais frágeis à beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegetação original protegida porque são fundamentais para a produção de água e controle da erosão do solo.

Onde hoje se vê mata fechada, só havia cana-de-açúcar dez anos atrás. Em uma fazenda foram plantadas quase um milhão de mudas de árvores para recuperar as áreas de preservação permanente.

APPs são locais frágeis à beira de rios, topos de morros e encostas, que devem ter a vegetação original protegida porque são fundamentais para a produção de água e controle da erosão do solo.

Uma usina perdeu área de plantio de cana, mas conquistou o certificado de produção sustentável, valorizando a empresa no mercado internacional. “Ganhamos na exportação de álcool e de açúcar. O pessoal lá de fora quer saber se está fazendo preservação”, afirma Ricardo Ometto.

Em Iracemápolis, no interior de São Paulo, o desrespeito à APP deixou a represa que abastece o município desprotegida. Resultado: em 1985, a cidade ficou sem água. A área precisou ser recuperada em regime de urgência.

O plantio da cana-de-açúcar que ia até a beira da represa teve que recuar 100 metros. No local, foram plantadas árvores nativas. Nunca mais Iracemápolis teve problema de abastecimento de água.

Iracemápolis e a usina de cana são dois exemplos dos benefícios e da necessidade de se cuidar bem das APPs. O projeto do novo Código Florestal saiu da Câmara sem garantias de recuperação das APPs desmatadas antes de julho de 2008.

No Senado, a proposta evoluiu para assegurar que deve ser de 15 metros a faixa mínima de vegetação a ser recuperada às margens dos rios com até dez metros de largura. E os conselhos estaduais de meio ambiente ganham poder para ampliar a faixa de recuperação da mata ciliar, de acordo com as necessidades de cada área. No caso dos rios mais largos, pode chegar a 100 metros de extensão.

“Cabe à União Federal o estabelecimento de regras gerais para o país inteiro, mas o nosso país é um continente. Precisamos chamar os estados à responsabilidade de nos ajudar a fazer essa harmonia entre produção e conservação do meio ambiente”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), relator.

Uma das principais preocupações dos ambientalistas e da comunidade científica é garantir no Código Florestal a preservação das nascentes e córregos intermitentes que fornecem água apenas durante uma parte do ano, mas que são fundamentais para o equilíbrio do meio ambiente.

O texto em debate no Senado ainda não garante a preservação das nascentes. Os ambientalistas vão apresentar uma emenda para resolver o problema. “A ideia é que se tenha um mínimo de 30 metros para as nascentes, os olhos d’água e demais rios. Isso é importante porque, como está previsto na regra que veio da Câmara, nascentes e os olhos d’água não teriam qualquer tipo de recuperação. O seria um absurdo porque é dali que nascem os rios”, explica Tasso Azevedo, ex-diretor do Serviço Florestal Brasileiro.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) resiste à mudança, porque diz que ela atingiria pequenos e médios produtores. “Acho que seria interessante, por exemplo, excluirmos o plantio extensivo de milho, de algodão, de soja e abrir mão apenas para os pequenos e médios agricultores que têm uma pequena roça, uma pequena horta e uma pequena pastagem, uma campineira para seu gado de leite”, diz a senadora Kátia Abreu, presidente do CNA.

Os ruralistas também não aceitam a retirada do gado das encostas dos morros, um ponto defendido pelos ambientalistas. “Gado e APP são duas coisas que se pudessem ser evitadas seria extremamente importante. O casco do gado gera um peso muito grande. Em geral, gera erosão, além de contaminar a água”, alerta Eduardo Martins, ex-presidente do Ibama.

A pecuária é o principal uso da terra no Brasil. São 200 milhões de hectares de pastagem. A agricultura ocupa 65 milhões de hectares. A longo prazo, a solução é aumentar a produtividade da pecuária, inferior a uma cabeça de gado por hectare. Nas APPs à beira de rios, muitas áreas hoje ocupadas pelo gado poderiam ser restauradas sem grandes investimentos.

Há quatro anos, toda a área de uma propriedade era ocupada pelo pasto. Bastou tirar o gado para ver que as árvores cresceram naturalmente. A técnica pode ser aplicada com sucesso em 80% do país.

“Isso acontece na Amazônia, no Brasil central com os cerrados e em várias situações. Só 20% delas que foram muito degradadas historicamente é que, efetivamente, vão precisar de um investimento maior com o plantio de mudas”, explica Ricardo Rodrigues, professor – Esalq – USP.

Click e veja o vídeo: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/11/recuperacao-de-areas-de-preservacao-permanente-divide-opinioes.html

Fonte: G1, Jornal Nacional


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Incêndio em mata experimental prejudica 15 pesquisas da USP

Uma área de 27 hectares do maior banco genético de floresta mesófila semidecidual do país, a mata atlântica do interior, foi destruída por um incêndio na semana passada. Ao menos 15 pesquisas da USP foram prejudicadas.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores.

Suspeita-se que algumas das atingidas eram os últimos exemplares de sua espécie, já que elas são raras na região.

“Era uma coleção de espécies nativas coletadas em mais de 400 remanescentes de mata”, diz Elenice Mouro Varanda, coordenadora do Ceeflor (Centro de Estudos e Extensão Florestal) da USP em Ribeirão Preto.

“A perda é inestimável”, avalia Paulo Kageyama, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq/USP. Segundo ele, as espécies foram recolhidas em áreas que hoje não têm mais mata, devido ao avanço da agricultura.

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores

O incêndio, ocorrido em Ribeirão Preto, acabou com 60% do banco genético, que tem um total de 3.375 árvores. Foto: Silva Junior/Folhapress

Ao longo de 13 anos, foram coletadas 45 espécies de árvores, entre elas ipês, jequitibás, jacarandás, jenipapos e jatobás, cada uma delas com 75 exemplares.

Ao contrário de outros bancos de floresta, as espécies plantadas na USP seguiam um modelo matemático para que as árvores de uma mesma espécie ficassem a 30 metros de distância uma da outra, para evitar a polinização cruzada e manter a variabilidade genética.

As sementes e mudas produzidas ali eram enviadas a áreas de reflorestamento.

“Quando a gente entende a evolução do ecossistema recém plantado podemos agir para acelerar outros processos de restauração florestal”, diz José Ricardo Barosela, doutorando da USP.

A pesquisa de Barosela e outras 14 que estavam em andamento terão de ser refeitas ou concluídas sem os dados vindos do banco genético.

Segundo Varanda, será preciso esperar as chuvas e a recuperação natural das árvores para saber quais foram totalmente queimadas pelo fogo e quais vão rebrotar. “Só depois vamos contabilizar os danos causados.”

As espécies replantadas levarão ao menos dez anos para atingir a maturidade.

Além da perda no banco genético, mais 6 hectares reflorestados foram atingidos.

Fonte: Elida Oliveira, Ribeirão Preto, Folha.com


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Incêndio destrói área de mata preservada na USP em Ribeirão Preto

Fogo consumiu banco genético usado por pesquisadores da universidade.
Também houve perda de animais que não conseguiram escapar.

Um incêndio destruiu um banco genético usado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na tarde desta terça-feira (16). Segundo levantamento dos pesquisadores, cerca de 40 hectares da mata preservada há 23 anos foram consumidos pelas chamas.

Segundo a bióloga Ana Carla Aquino, a perda foi irreparável, já que o material era considerado uma “biblioteca biológica”. “Tínhamos amostras da flora de 400 fragmentos da bacia dos rios Pardo e Mogi. As pesquisas serviam como uma forma de recuperar a biodiversidade de outros locais que porventura perdessem as espécies de planta”, afirmou.

Ainda segundo a especialista, houve também uma perda considerável da fauna local. “Os animais que conseguem voar se salvaram. Porém, o problema são aqueles que não conseguem se livrar do fogo. Como, por exemplo, roedores, rastejantes, filhotes de aves e ouriços”, lamentou.

A tarefa de fazer uma reposição será árdua na universidade. “Os bichos não tem mais onde se alimentar e local para se esconder. O trabalho botânico e a fauna terão que vir gradativamente”, disse a pesquisadora.

Destruição
O incêndio começou por volta das 14h10 de terça e foi controlado apenas às 18h20. Segundo o Corpo de Bombeiros, o combate contou com a ajuda da guarda universitária, um caminhão-pipa de uma empresa privada, carros do Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), além do helicóptero Águia da Polícia Militar.

Uma área de preservação permanente e propriedade rurais vizinhas foram atingidas pelas chamas. Apesar do risco de fogo em depósitos de materiais radioativos do Hospital das Clínicas, a área não foi atingida.

De acordo com a guarda universitária, esse foi o maior incêndio registrado na história da USP.

Fonte: Do G1, SP


17 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Governo quer estimular recuperação de mata por produtor rural

O governo diz que vai se empenhar no Plano Agrícola e Pecuário 2011-2012, que será lançado na sexta-feira pela presidente Dilma Rousseff em Ribeirão Preto (a
313 km de SP), para estimular os produtores rurais a recuperar cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas degradadas.

A meta é que nos próximos dez anos sejam recuperados 15 milhões de hectares para produção.

A intenção é elevar a produção agropecuária evitando mais avanço sobre áreas de florestas. Atualmente, o país tem cerca de 47 milhões de hectares ocupados com a agricultura e 170 milhões de hectares usados para a pecuária.

Embora os dados em relação a áreas degradadas variem de acordo com os critérios usados para mensurá-las, técnicos do Ministério da Agricultura afirmam que elas somam pelo menos 30 milhões de hectares no país, o equivalente a mais de 60% das terras cultivadas com grãos.

Os maiores potenciais de recuperação estão nos estados da Região Centro-Oeste, no Tocantins e no Pará.

CRÉDITOS DO GOVERNO

Para incentivar os produtores, o governo disponibilizará R$ 3,15 bilhões em créditos dentro do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), criado na safra passada, mas ainda sem muita adesão.

Além da recuperação de áreas degradadas, o chefe da Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa, Derli Dossa, explica que o programa pretende financiar o plantio de 300 mil hectares de florestas. Em mais 550 mil hectares será financiado o plantio com fixação biológica de nitrogênio; em 800 mil hectares, o plantio direto na palha, e em 400 mil hectares, será feita a integração lavoura-pecuária-floresta.

Para aumentar a popularidade e a procura pelo programa, Dossa destacou que o ministério investirá em várias frentes: divulgação na imprensa da importância de se reduzir as emissões de gases de efeito estufa, treinamento de 5.000 técnicos nesse modelo de agricultura, distribuição de material a todo o corpo técnico treinado, com acesso aos produtores, estudo dos estados com problemas e motivação de lideranças locais.

“Um dos maiores problemas é falta de profissionais especializados em fazer projeto nesse tipo de produção para ter os recursos liberados”, explicou Dossa, ressaltando a importância do treinamento de técnicos do ministério e superintendências regionais.

As linhas de crédito do programa são diferenciadas, com as menores taxas da agricultura empresarial, 5,5% ao ano, e prazo de até 15 anos para pagar. O limite de financiamento para produtores é R$ 1 milhão.

Fonte: DA AGÊNCIA BRASIL