20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

EUA vão restringir uso de chimpanzés em pesquisas científicas

Projetos com esses macacos perderão bolsas de estudos temporariamente.
Exceções são estudos que não podem ser feitos eticamente com humanos.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) anunciaram nesta quinta-feira (15) que limitarão o uso de chimpanzés em pesquisas biomédicas, revisarão os atuais projetos e cancelarão temporariamente as bolsas de estudos de estudos que incluam primatas.

O diretor do NIH, Francis Collins, destacou os benefícios científicos da pesquisa médica com animais e ressaltou que o uso de chimpanzés já estava restrito, mas assinalou que os novos métodos permitem alternativas.

O NIH encomendou em 2010 um estudo do Instituto de Medicina sobre a necessidade de utilizar chimpanzés para a pesquisa biomédica e como trabalhar com eles, que concluiu que “embora o chimpanzé seja um modelo animal útil em pesquisas anteriores, seu uso para a pesquisa biomédica é desnecessário”.

O Instituto considerou que só se deve recorrer a esses animais caso os conhecimentos que resultem da investigação sejam necessários para melhorar a saúde dos cidadãos e não haja nenhum outro método para adquirir esses conhecimentos.

Outra condição é que a pesquisa não possa ser desenvolvida de forma ética em humanos. Além disso, os animais utilizados deverão ser mantidos em ambientes adequados.

O comitê também concluiu que poderiam continuar as pesquisas com chimpanzés relacionadas com tratamentos de anticorpos monoclonais, genômica comparativa e estudos não-invasivos de fatores sociais e de comportamento que afetam o desenvolvimento, a prevenção e o tratamento de doenças.

No entanto, não pôde chegar a um consenso sobre a necessidade dos chimpanzés para o desenvolvimento da vacina contra o vírus da hepatite C profilática.

Collins frisou que o NIH aceitará as recomendações do comitê, suspenderá temporariamente as bolsas de estudos às pesquisas que envolvam o uso de chimpanzés e encarregará um grupo de trabalho da análise dos projetos atuais.

“Os chimpanzés são nossos parentes mais próximos no reino animal e proporcionam informação excepcional na biologia humana, por isso é necessário uma especial consideração e respeito”, comentou.

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Fonte: Da EFE


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

limitless psp

Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo






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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


16 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

EUA vão restringir uso de chimpanzés em pesquisas científicas

Projetos com esses macacos perderão bolsas de estudos temporariamente.
Exceções são estudos que não podem ser feitos eticamente com humanos.

Os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) anunciaram nesta quinta-feira (15) que limitarão o uso de chimpanzés em pesquisas biomédicas, revisarão os atuais projetos e cancelarão temporariamente as bolsas de estudos de estudos que incluam primatas.

O diretor do NIH, Francis Collins, destacou os benefícios científicos da pesquisa médica com animais e ressaltou que o uso de chimpanzés já estava restrito, mas assinalou que os novos métodos permitem alternativas.

O NIH encomendou em 2010 um estudo do Instituto de Medicina sobre a necessidade de utilizar chimpanzés para a pesquisa biomédica e como trabalhar com eles, que concluiu que “embora o chimpanzé seja um modelo animal útil em pesquisas anteriores, seu uso para a pesquisa biomédica é desnecessário”.

O Instituto considerou que só se deve recorrer a esses animais caso os conhecimentos que resultem da investigação sejam necessários para melhorar a saúde dos cidadãos e não haja nenhum outro método para adquirir esses conhecimentos.

Outra condição é que a pesquisa não possa ser desenvolvida de forma ética em humanos. Além disso, os animais utilizados deverão ser mantidos em ambientes adequados.

O comitê também concluiu que poderiam continuar as pesquisas com chimpanzés relacionadas com tratamentos de anticorpos monoclonais, genômica comparativa e estudos não-invasivos de fatores sociais e de comportamento que afetam o desenvolvimento, a prevenção e o tratamento de doenças.

No entanto, não pôde chegar a um consenso sobre a necessidade dos chimpanzés para o desenvolvimento da vacina contra o vírus da hepatite C profilática.

Collins frisou que o NIH aceitará as recomendações do comitê, suspenderá temporariamente as bolsas de estudos às pesquisas que envolvam o uso de chimpanzés e encarregará um grupo de trabalho da análise dos projetos atuais.

“Os chimpanzés são nossos parentes mais próximos no reino animal e proporcionam informação excepcional na biologia humana, por isso é necessário uma especial consideração e respeito”, comentou.

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Foto de arquivo de chimpanzé utilizado em pesquisas científicas nos EUA (Foto: AP Photo/Terry Gilliam)

Fonte: Da EFE


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

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Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo