28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Extinção da megafauna foi causada por conjunto de fatores, diz estudo

Pesquisa afirma que Era do Gelo sozinha não explica evento.
Caça também não seria suficiente para explicar desaparecimento.

As extinções em massa dos animais gigantes que viviam na Terra durante a Era do Gelo não têm apenas uma causa, mas um grande e complexo conjunto de causas, afirma um estudo que envolveu mais de 40 instituições, publicado na edição desta quinta-feira (3) da revista Nature.

A razão do desaparecimento de grandes espécies como o mamute e o rinoceronte lanudo durante a Era do Gelo é um dos mistérios da paleontologia. Explicações diferentes foram propostas: desde as mudanças climáticas até o excesso de caça.

A pesquisa publicada agora, no entanto, afirma que nenhum desses fatores sozinhos é suficiente para explicar o tamanho da devastação, que matou um terço das espécies de mamíferos da Eurásia e dois terços da América do Norte.

Para estudar a extinção da chamada “megafauna”, os cientistas tiveram que se reunir em um “megaestudo”. O pesquisador Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, liderou um grupo de mais de 50 cientistas de 40 universidades no maior trabalho do tipo já realizado.

A equipe estudou os dados climáticos, o DNA das espécies e registros arqueológicos e descobriu que cada um desses dados explica uma extinção diferente.

Por exemplo, o bisão siberiano e o cavalo selvagem foram extintos provavelmente pela caça de seres humanos. No entanto, o desaparecimento do rinoceronte-lanudo e do boi-almiscarado na Eurásia não parecem ter tido a ver com a presença humana – o clima seria o único culpado ali.

E enquanto as renas não parecem ter sido afetadas nem por clima nem por ação humana, o fim dos mamutes segue um mistério a ser desvendado.

De acordo com Willerslev, o trabalho acaba com a ideia de que apenas uma coisa é responsável por cada uma das diversas extinções da megafauna.

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

 

Fonte: G1, São Paulo






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28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Extinção da megafauna foi causada por conjunto de fatores, diz estudo

Pesquisa afirma que Era do Gelo sozinha não explica evento.
Caça também não seria suficiente para explicar desaparecimento.

As extinções em massa dos animais gigantes que viviam na Terra durante a Era do Gelo não têm apenas uma causa, mas um grande e complexo conjunto de causas, afirma um estudo que envolveu mais de 40 instituições, publicado na edição desta quinta-feira (3) da revista Nature.

A razão do desaparecimento de grandes espécies como o mamute e o rinoceronte lanudo durante a Era do Gelo é um dos mistérios da paleontologia. Explicações diferentes foram propostas: desde as mudanças climáticas até o excesso de caça.

A pesquisa publicada agora, no entanto, afirma que nenhum desses fatores sozinhos é suficiente para explicar o tamanho da devastação, que matou um terço das espécies de mamíferos da Eurásia e dois terços da América do Norte.

Para estudar a extinção da chamada “megafauna”, os cientistas tiveram que se reunir em um “megaestudo”. O pesquisador Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, liderou um grupo de mais de 50 cientistas de 40 universidades no maior trabalho do tipo já realizado.

A equipe estudou os dados climáticos, o DNA das espécies e registros arqueológicos e descobriu que cada um desses dados explica uma extinção diferente.

Por exemplo, o bisão siberiano e o cavalo selvagem foram extintos provavelmente pela caça de seres humanos. No entanto, o desaparecimento do rinoceronte-lanudo e do boi-almiscarado na Eurásia não parecem ter tido a ver com a presença humana – o clima seria o único culpado ali.

E enquanto as renas não parecem ter sido afetadas nem por clima nem por ação humana, o fim dos mamutes segue um mistério a ser desvendado.

De acordo com Willerslev, o trabalho acaba com a ideia de que apenas uma coisa é responsável por cada uma das diversas extinções da megafauna.

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

Ilustração mostra como seria ambiente na Era do Gelo com mamute, cavalo selvagem, bisão e boi almiscarado (Foto: George Teichmann)

 

Fonte: G1, São Paulo