21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


16 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Nos EUA, mercado de animais exóticos ganha maiores restrições

Diante da plateia que o observava, o homem levantou uma pequena bola de pelos com olhos pretos arregalados.

“Um filhote de puma! Alimentado com mamadeira!” anunciou um leiloeiro do Mercado Pecuário Lolli Brothers em uma manhã no início de dezembro. Mas ninguém deu um lance.

O preço inicial caiu para US$ 200. O dono do puma, que estava dentro do ringue, balançou a cabeça. Esse valor era muito baixo. Mesmo assim, ele saiu de lá sem fechar a venda.

As pessoas que criam e vendem animais exóticos tem vivido um momento incerto devido a um episódio que aconteceu em outubro do ano passado, quando a polícia de Zanesville, Ohio, matou 49 animais exóticos, incluindo lobos, leões, ursos e 18 tigres de Bengala. Seu proprietário, Terry Thompson, um homem endividado, supostamente abriu suas gaiolas momentos antes de se matar.

O episódio gerou inquietação no público, que inicialmente direcionou suas preocupações contra: os policiais que mataram os animais, o governador de Ohio, John R. Kasich, por ter deixado expirar as restrições da propriedade de animais de estimação exóticos por pessoas com um histórico de crueldade com os animais, e com Thompson, cuja ação levou à morte de seus animais de estimação.

Agora o público está mais concentrado nos compradores e vendedores de animais exóticos, que disponibilizam seus “produtos” online e em lugares como o mercado Lolli Brothers, um dos muitos que realizam leilões especializados na venda de animais exóticos nos Estados Unidos.

De acordo com a Sociedade Protetora dos Animais dos Estados Unidos, Ohio é um dos sete Estados que não têm nenhuma lei que regulamenta a venda ou a posse deste tipo de animal.

Alguns dias após o episódio, Kasich assinou uma ordem executiva para aumentar os poderes dos agentes humanitários, fechou leilões não autorizados e colocou maiores restrições aos já existentes. Novas leis estão sendo elaboradas que proíbem aqueles que não são manipuladores profissionais de venderem este tipo de animal.

O potencial impacto destas novas restrições preocupam a comunidade de criadores e vendedores de animais exóticos.

“Eles fazem as regras e as leis porque alguém fez uma coisa errada uma vez”, disse Arden Johnson, um médico aposentado que chegou a ter um leão e um filhote de urso em seu rancho comercial. “E agora todo mundo sofre as consequências.”

Jack Hanna, que dirige o Zoológico e o Aquário de Columbus, está na comissão responsável pela elaboração das novas leis de Ohio.

Hanna disse que os possíveis riscos de se ter animais exóticos superam outros fatores em questão.

“Nós não estamos tentando acabar com o negócio de ninguém”, disse Hanna. “Mas uma pessoa comum não deve ter um animal exótico como um animal de estimação.”

Fonte: Portal iG


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é vanguardista em florestas plantadas, diz Elizabeth Carvalhaes

Durante painel da RISI, executiva da Bracelpa demonstra que acredita no setor do País.

A presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Elizabeth Carvalhaes, participou do segundo painel da 6ª edição do RISI Anual Latin American Pulp and Paper Conference, que está sendo realizado nesta terça-feira (30), em São Paulo, e destacou dois pontos principais para o setor na sua ótica: a luta por parte das empresas pela diminuição de impostos e a necessidade de fomento das florestas no Brasil. Ela anunciou no evento que o País será um expertise no setor florestal de forma multiuso.

No entanto, a CEO mostrou que grande parte das empresas do setor que exporta no Brasil está sendo vítima de fraudes fiscais. “O setor papeleiro jamais defenderia uma retração. Somos o primeiro a alavancar a exportação, mas não podemos aceitar uma fraude nas questões fiscais”, destacou. O cenário de incertezas econômicas ainda faz com que os mercados trabalhem cada vez mais com subsídios indesejáveis do mercado. “A competição de mercado está desequilibrada”, apontou.

Já Marcos Assumpção, CFO do Banco Itaú, fez um comparativo com celulose e papel e sinalizou que infelizmente no Brasil quanto mais agregado o produto for (imposto, taxas de juros, custo de capital etc), o papel acaba sendo um produto menos aceitável do que a celulose no Brasil. “Um novo projeto de papel no Brasil será em prazo de dois anos”. O que acontece ao contrário na China, que recebeu em 2007, cerca de 33 bilhões de dólares em subsídios para a indústria papeleira. “Praticamente impossível competir com um mercado deste”, avaliou Carvalhaes. A executiva disse ainda que com a depreciação do dólar, o País passou a ter competividade e a ser um produtor e exportador proeminente.

Florestas
Para Elizabeth Carvalhaes há um forte potencial do Brasil no setor de florestas plantadas. “O Brasil pretende ser reconhecido pela extrema capacidade florestal. E esse universo vai aumentar”. Setores como a nanotecnologia e a biotecnologia serão fundamentais neste processo, segundo ela. “O Brasil vai ocupar espaço no mundo”.

Quanto à certificação das florestas, a executiva mostrou que essa ainda é a garantia de reputação. “Todas as florestas no Brasil serão certificadas”, comenta. Como todo o crescimento mundial, o que ficou claro para os participantes da conferência é que até 2022 o mundo vai demandar 22 milhões de toneladas de celulose, para cobrir um crescimento de consumo de papel, principalmente no que se refere a papel cartão.

Fonte: Celulose Online


19 de julho de 2011 | nenhum comentário »

China inicia mercado de emissões de CO2 em caráter experimental

A China, o maior emissor de dióxido de carbono do mundo, lançará um programa experimental para estabelecer um mercado de emissões de CO2 e reduzir os gases poluentes em sua luta contra a mudança climática, destacou a agência oficial Xinhua.

O plano, apresentado pelo vice-ministro da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China, Xie Zhenhua, inclui um aumento da diferença de tarifas entre as indústrias de alto consumo energético e o resto, assim como vantagens fiscais a projetos de conservação energética.

Além disso, haverá incentivos às companhias financeiras chinesas para que invistam em novas energias, em um país que já lidera mundialmente o investimento em renováveis.

O governo chinês fixou a meta entre 8% e 10% de suas emissões de poluentes na meia década 2011-2015, segundo assinalou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em sua apresentação do 12º Plano Quinquenal para esse período, no mês passado de março.

Ao mesmo tempo, a segunda maior economia mundial fixa como meta aumentar para 11,4% o uso de combustíveis não fósseis como fontes de energia (embora carvão e petróleo continuem predominando) e reduzir em 17% a intensidade de carbono (emissões de CO2 divididas pelo PIB).

O país asiático descuidou a proteção ambiental durante décadas em benefício do crescimento econômico, por isso que o país apresenta uma severa degradação de seu ecossistema.

No entanto, a conscientização perante estes problemas também aumentou no seio do regime, à medida que sua população mostrou seu descontentamento com catástrofes ambientais, problemas de segurança alimentar derivados e outros conflitos relacionados. (Fonte: Folha.com)


23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Transações florestais

Joao Augusti, gerente de meio ambiente florestal da Fibria: "O objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC e às pressões ambientalistas"

Joao Augusti, gerente de meio ambiente florestal da Fibria: "O objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC e às pressões ambientalistas"

As ofertas estão na internet: “Vendo terreno com 50 alqueires de Mata Atlântica totalmente preservada para compensação ambiental, reserva legal ou crédito de carbono. A área está localizada em Conselheiro Lafaiete (MG), no Triângulo do Aço, onde há atividades de empresas como Gerdau, Aço Minas, Vale, CSN e Sumitomo Valourec“. No município de Embu-Guaçú (SP), na bacia hidrográfica da Represa de Guarapiranga, estão à venda 150 mil metros quadrados de floresta virgem. “Se você recebeu multa ambiental, um caminho para aliviar esse custo e reduzir taxas de ajuste de conduta é oferecer área preservada como compensação do dano”, diz o anúncio.. Valor do negócio: R$ 292 mil (R$ 1,95 o metro quadrado).

O movimento de compra a venda de florestas, seja por imposição legal, seja pela perspectiva de lucros futuros com o uso sustentável ou até pela iniciativa voluntária de salvar espécies da extinção, retrata o começo de um novo “boom” imobiliário. “O valor de terras florestadas certamente subirá quando a polêmica sobre o código florestal chegar ao fim”, prevê Miguel Calmon, coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, aliança que reúne instituições e empresas para recuperar impactos no bioma.

Ele diz que proprietários rurais aguardam definições sobre o percentual obrigatório de área protegida nas fazendas para fazer investimentos – inclusive na conservação. “Só com regras claras e incentivos o mercado terá a escala necessária para transformar a floresta em bom negócio para produtores e investidores”, afirma Calmon.

Existem na Mata Atlântica 17,5 milhões de hectares, equivalente a quatro vezes a área do Estado do Rio de Janeiro, passíveis de restauração, sem a concorrência com a produção de alimentos. São áreas de baixa aptidão agrícola, passivos de reserva legal e beira de rios sem vegetação. A meta do Pacto é restaurar 15 milhões de hectares até 2050, aumentando a cobertura florestal do bioma dos atuais 8% para 30% em relação à original. O custo varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil por hectare, no caso de regeneração natural, e até R$ 15 mil, para a necessidade de plantio de mudas. A atividade envolve uma cadeia com 17 diferentes negócios, desde o geoprocessamento para mapear áreas até fornecedores de sementes, viveiros comunitários e particulares, vigilância florestal e empresas de plantio.

São oportunidades que estarão em evidência em 2011, declarado pela ONU como Ano Internacional das Florestas. “Valorizar árvores em pé é condição para conservá-las, ainda mais quando sabemos que 90% dos remanescentes fora da Amazônia estão na mão de particulares”, afirma Fernando Veiga, gerente de serviços ambientais da The Nature Conservancy.

Indicativa dessa tendência é a minuta da lei sobre pagamento por serviços ambientais, aprovada em dezembro na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. A previsão é o repasse de incentivos ao redor de R$ 500 milhões por ano, oriundos da receita com o petróleo, para recompensar ações que garantem provisão de água, polinização de plantas, solos em condições de produzir alimentos e equilíbrio climático.

Completam o cenário a consolidação do mercado de créditos de carbono e de instrumentos como o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento Evitado), além do fundo global de R$ 100 bilhões anunciado na última reunião sobre clima em Cancún, no México, para financiar países em desenvolvimento.

A restauração florestal é o fio condutor. Na Bahia, a empresa de papel e celulose Fibria planeja até o fim do ano restaurar 2,9 mil hectares de Mata Atlântica. Estão sendo plantadas 1,5 milhão de mudas, ao custo de R$ 8 milhões, para resolver antigos passivos ambientais herdados na fusão com a Aracruz Celulose.

Para 2011, a meta é reflorestar mais 3,5 mil hectares, com investimento aproximado de R$ 14 milhões. No total, 15 mil hectares na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais, além de outros 5 mil hectares no Vale do Paraíba em São Paulo, serão restaurados nos próximos anos mediante diferentes níveis de intervenção. “O principal objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC (Forest Stewardship Council) e às pressões ambientalistas”, explica João Augusti, gerente de meio ambiente florestal.

“A valorização da floresta nativa pode abrir frentes de negócio no setor”, prevê Renato Carneiro, diretor da indústria Veracel, dona de 104 mil hectares de árvores nativas na região de Porto Seguro (BA), mescladas com área praticamente igual de eucalipto. Para mitigar o problema da concentração fundiária, Paulo Dimas, pesquisador do Instituto Cidades, propõe a venda de florestas para fundos de pensão, permitindo capitalizar empresas de celulose para o fomento de uma economia florestal de uso múltiplo. A medida, segundo ele, refletiria no aumento de renda e na diversificação de negócios regionais..

A servidão florestal -uso de áreas de terceiros para compensar a falta de reserva legal – pode render R$ 300 por hectare ao ano, segundo analistas, o dobro da média de receita na agropecuária. “Ter floresta na fazenda, tempos atrás vista como barreira aos lucros, é hoje oportunidade de negócio”, enfatiza Márcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica.

Sérgio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo

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21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Empresas correm para aprovar projetos no mercado de carbono

Primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto vai até dezembro.
Burocracia pode atrapalhar andamento de iniciativas brasileiras.

A pouco mais de sete meses do final do primeiro período de vigência do Protocolo de Kyoto, empresas brasileiras dos setores de energia e resíduos sólidos correm para que o governo federal e a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovem a tempo projetos voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é captar recursos no mercado de créditos de carbono antes que as regras do protocolo mudem.

Entre as iniciativas que aguardam aprovação estão a instalação de equipamentos em aterros que evitam a emissão de gases do tratamento de lixo, a construção de pequenas centrais hidrelétricas ou torres eólicas para geração de energia e o reflorestamento de áreas para sequestro de CO2.

O Protocolo de Kyoto é um acordo global para reduzir a emissão de gases estufa, como o dióxido de carbono, para conter o avanço das mudanças climáticas. O mercado de créditos de carbono foi criado dentro de um instrumento do protocolo chamado “Mecanismo de Desenvolvimento Limpo” (MDL) e permite a países desenvolvidos (como os europeus) comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento (como o Brasil) graças à implantação de tecnologias limpas em diferentes áreas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada não-emitida.

Na prática, empresas brasileiras que investem em tecnologias limpas podem vender seus créditos de carbono para empresas de países desenvolvidos, gerando renda.

O protocolo expiraria inicialmente em dezembro de 2012, mas foi renovado para um novo período, de 2013 até 2017 ou 2020 – a data final ainda será definida. Porém, países da União Europeia já sinalizaram que vão adquirir apenas créditos de projetos aprovados até o fim de 2012 — já que, a partir de 2013, as regras do mercado podem mudar. Por isso, a correria das empresas brasileiras.

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima (Cimgc), que reúne 11 diferentes ministérios brasileiros, espera um aumento no envio de projetos até o fim do ano.

Segundo Carlos Nobre, secretário de políticas e programas de pesquisa e desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), havia uma expectativa maior quanto à procura.

“Todo mundo tem ideias de requerer a aprovação de um projeto. Esperávamos um número grande esse ano, mas, por enquanto, a procura tem sido menor”, disse Nobre.

Em análise
Dados fornecidos ao Globo Natureza pelo MCTI mostram que 54 projetos das áreas de resíduos sólidos, energia e florestas estão na comissão para aprovação ou revisão. Um trâmite que é obrigatório antes de sua aprovação final pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que coordena o Protocolo de Kyoto, com sede na Alemanha.

Uma das empresas que tentam acelerar a aprovação de projetos é a Estre, uma das maiores do setor de resíduos sólidos do Brasil. Desde 2006, a Estre tem cinco projetos implementados para reduzir as emissões de CO2 em aterros sanitários, que geraram 4,14 milhões de toneladas de carbono já negociados com a iniciativa privada da Europa.

Agora, a empresa tenta homologar outras cinco iniciativas nas comissões do Brasil e da ONU.

“Há uma corrida entre as empresas para conseguir aprovar os projetos até o final do ano, sendo que alguns são de aterros que nem foram inaugurados. Já há uma demanda de trabalho muito grande nesta área”, afirmou Bruno Caldas, especialista em biogás da Estre Ambiental.

Demora e risco
O Grupo Cemig, do setor de energia, que atua em Minas Gerais e em outros 18 estados brasileiros, também tenta aprovar na comissão interministerial projetos de instalação de parques eólicos para gerar 294 megawatts (MW) de potência.

Segundo Ezequiel Teodoro Elorde, responsável pelos projetos de MDL da Cemig, é preciso mais agilidade na aprovação de projetos por parte do governo para que as propostas sejam encaminhadas à ONU mais rapidamente, de preferência até o final do ano. “O prazo para obtenção do registro tem sido bastante moroso”, explicou.

Para Fernando Pinheiro Pedro, advogado e consultor do Banco Mundial sobre o mercado de crédito de carbono, a demora por parte do governo federal pode fazer com que muitas empresas “fiquem com o mico na mão”.

Ele explicou que muitas empresas que já implantaram tecnologias voltadas à redução de emissões podem não conseguir resgatar os créditos de carbono para investimentos ambientais. “Se esses projetos não forem aprovados no Brasil rapidamente, o risco de perda é alto”, alertou.

Nobre, do MCTI, diz que trabalha para reduzir o tempo de análise por parte da comissão interministerial. Segundo o secretário, o tempo de trâmite atualmente varia entre 100 e 110 dias (dados de 2009). Incluindo o prazo que as empresas têm para responder questionamentos da comissão, o trâmite pode chegar a 150 dias — cinco meses.

“Vamos reduzir o espaçamento entre as reuniões da comissão, que passarão a ser mensais, e a meta é acelerar nossas análises para aprovar projetos em, no máximo, 60 dias”, prometeu. Na ONU, o tempo médio de registro de um projeto pode levar até quatro meses.

O QUE É O MERCADO DE CRÉDITO DE CARBONO?
Criado dentro das normas do Protocolo de Kyoto, permite aos países desenvolvidos comprar toneladas de CO2 que não foram emitidas por países em desenvolvimento que implantaram tecnologias consideradas limpas. Um crédito de carbono equivale a uma tonelada de CO2 que deixou de ser enviada à atmosfera.

Crise do carbono
Na prática, o mercado de crédito de carbono é uma espécie de “permissão” para que os países ricos liberem gases de efeito estufa, se eles comprarem créditos dos países em desenvolvimento.

O documento prevê a redução de emissões de gases em 5,2% entre 2008 e 2012, em relação aos níveis de 1990. Mas o tratado não compreende os Estados Unidos, um dos principais poluidores, e não obriga ações imediatas de países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil. Mesmo assim, empresas nacionais e a BM&FBovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) criaram um mercado voluntário de créditos de carbono.

A crise que afeta a Europa prejudica a negociação do carbono enquanto commodity — como são chamadas as matérias-primas negociadas nas bolsas de mercadorias. De acordo com o escritório Pinheiro Pedro Advogados, a cotação atual da tonelada de carbono está entre US$ 5 e US$ 16.

Durante a realização da conferência da UNFCC em Durban, na África do Sul, o preço alcançou o menor patamar: US$ 3 – custo dez vezes menor aos US$ 30 alcançados em março de 2006, considerado seu ápice. Seu impacto já pode ser percebido, por exemplo, no terceiro leilão de créditos de carbono da Prefeitura de São Paulo, previsto para acontecer em 12 de junho.

Segundo a Secretaria de Finanças, o valor estimado de arrecadação é de R$ 5 milhões. A estimativa é bastante inferior ao que foi obtido nos dois leilões anteriores que arrecadaram, respectivamente, R$ 34 milhões (em 2007) e R$ 37 milhões (em 2008). Os recursos obtidos são, obrigatoriamente, investidos em projetos ambientais nas áreas próximas aos aterros.

Mercado interno de compensação
Para o advogado Fernando Pinheiro Pedro, é provável que o preço deste derivativo permaneça baixo por mais um ano, o que pode prejudicar as atividades brasileiras. “Principalmente os projetos mais custosos”, destacou.

Ele afirmou que uma solução é o próprio governo brasileiro criar um mercado regional de compensação de emissões, que estabeleça limites de emissões de gases e partículas que não estão contempladas no Protocolo de Kyoto.

“Isso vai obrigar as indústrias de estados mais ricos a limitar progressivamente seus níveis de poluição até chegar um momento em que vão necessitar comprar derivativos de outros estados para compensar. É um mercado de carbono interno e isso pode movimentar o setor”, disse.

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociu 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Aterro da Estre em Paulínia, no interior de São Paulo, que implantou tecnologias para reduzir as emissões de CO2 desde 2006 e já negociou 600 mil toneladas no mercado de crédito de carbono. (Foto: Divulgação/Estre)

Fonte: Globo Natureza


16 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Nos EUA, mercado de animais exóticos ganha maiores restrições

Diante da plateia que o observava, o homem levantou uma pequena bola de pelos com olhos pretos arregalados.

“Um filhote de puma! Alimentado com mamadeira!” anunciou um leiloeiro do Mercado Pecuário Lolli Brothers em uma manhã no início de dezembro. Mas ninguém deu um lance.

O preço inicial caiu para US$ 200. O dono do puma, que estava dentro do ringue, balançou a cabeça. Esse valor era muito baixo. Mesmo assim, ele saiu de lá sem fechar a venda.

As pessoas que criam e vendem animais exóticos tem vivido um momento incerto devido a um episódio que aconteceu em outubro do ano passado, quando a polícia de Zanesville, Ohio, matou 49 animais exóticos, incluindo lobos, leões, ursos e 18 tigres de Bengala. Seu proprietário, Terry Thompson, um homem endividado, supostamente abriu suas gaiolas momentos antes de se matar.

O episódio gerou inquietação no público, que inicialmente direcionou suas preocupações contra: os policiais que mataram os animais, o governador de Ohio, John R. Kasich, por ter deixado expirar as restrições da propriedade de animais de estimação exóticos por pessoas com um histórico de crueldade com os animais, e com Thompson, cuja ação levou à morte de seus animais de estimação.

Agora o público está mais concentrado nos compradores e vendedores de animais exóticos, que disponibilizam seus “produtos” online e em lugares como o mercado Lolli Brothers, um dos muitos que realizam leilões especializados na venda de animais exóticos nos Estados Unidos.

De acordo com a Sociedade Protetora dos Animais dos Estados Unidos, Ohio é um dos sete Estados que não têm nenhuma lei que regulamenta a venda ou a posse deste tipo de animal.

Alguns dias após o episódio, Kasich assinou uma ordem executiva para aumentar os poderes dos agentes humanitários, fechou leilões não autorizados e colocou maiores restrições aos já existentes. Novas leis estão sendo elaboradas que proíbem aqueles que não são manipuladores profissionais de venderem este tipo de animal.

O potencial impacto destas novas restrições preocupam a comunidade de criadores e vendedores de animais exóticos.

“Eles fazem as regras e as leis porque alguém fez uma coisa errada uma vez”, disse Arden Johnson, um médico aposentado que chegou a ter um leão e um filhote de urso em seu rancho comercial. “E agora todo mundo sofre as consequências.”

Jack Hanna, que dirige o Zoológico e o Aquário de Columbus, está na comissão responsável pela elaboração das novas leis de Ohio.

Hanna disse que os possíveis riscos de se ter animais exóticos superam outros fatores em questão.

“Nós não estamos tentando acabar com o negócio de ninguém”, disse Hanna. “Mas uma pessoa comum não deve ter um animal exótico como um animal de estimação.”

Fonte: Portal iG


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil é vanguardista em florestas plantadas, diz Elizabeth Carvalhaes

Durante painel da RISI, executiva da Bracelpa demonstra que acredita no setor do País.

A presidente da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), Elizabeth Carvalhaes, participou do segundo painel da 6ª edição do RISI Anual Latin American Pulp and Paper Conference, que está sendo realizado nesta terça-feira (30), em São Paulo, e destacou dois pontos principais para o setor na sua ótica: a luta por parte das empresas pela diminuição de impostos e a necessidade de fomento das florestas no Brasil. Ela anunciou no evento que o País será um expertise no setor florestal de forma multiuso.

No entanto, a CEO mostrou que grande parte das empresas do setor que exporta no Brasil está sendo vítima de fraudes fiscais. “O setor papeleiro jamais defenderia uma retração. Somos o primeiro a alavancar a exportação, mas não podemos aceitar uma fraude nas questões fiscais”, destacou. O cenário de incertezas econômicas ainda faz com que os mercados trabalhem cada vez mais com subsídios indesejáveis do mercado. “A competição de mercado está desequilibrada”, apontou.

Já Marcos Assumpção, CFO do Banco Itaú, fez um comparativo com celulose e papel e sinalizou que infelizmente no Brasil quanto mais agregado o produto for (imposto, taxas de juros, custo de capital etc), o papel acaba sendo um produto menos aceitável do que a celulose no Brasil. “Um novo projeto de papel no Brasil será em prazo de dois anos”. O que acontece ao contrário na China, que recebeu em 2007, cerca de 33 bilhões de dólares em subsídios para a indústria papeleira. “Praticamente impossível competir com um mercado deste”, avaliou Carvalhaes. A executiva disse ainda que com a depreciação do dólar, o País passou a ter competividade e a ser um produtor e exportador proeminente.

Florestas
Para Elizabeth Carvalhaes há um forte potencial do Brasil no setor de florestas plantadas. “O Brasil pretende ser reconhecido pela extrema capacidade florestal. E esse universo vai aumentar”. Setores como a nanotecnologia e a biotecnologia serão fundamentais neste processo, segundo ela. “O Brasil vai ocupar espaço no mundo”.

Quanto à certificação das florestas, a executiva mostrou que essa ainda é a garantia de reputação. “Todas as florestas no Brasil serão certificadas”, comenta. Como todo o crescimento mundial, o que ficou claro para os participantes da conferência é que até 2022 o mundo vai demandar 22 milhões de toneladas de celulose, para cobrir um crescimento de consumo de papel, principalmente no que se refere a papel cartão.

Fonte: Celulose Online


19 de julho de 2011 | nenhum comentário »

China inicia mercado de emissões de CO2 em caráter experimental

A China, o maior emissor de dióxido de carbono do mundo, lançará um programa experimental para estabelecer um mercado de emissões de CO2 e reduzir os gases poluentes em sua luta contra a mudança climática, destacou a agência oficial Xinhua.

O plano, apresentado pelo vice-ministro da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento da China, Xie Zhenhua, inclui um aumento da diferença de tarifas entre as indústrias de alto consumo energético e o resto, assim como vantagens fiscais a projetos de conservação energética.

Além disso, haverá incentivos às companhias financeiras chinesas para que invistam em novas energias, em um país que já lidera mundialmente o investimento em renováveis.

O governo chinês fixou a meta entre 8% e 10% de suas emissões de poluentes na meia década 2011-2015, segundo assinalou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em sua apresentação do 12º Plano Quinquenal para esse período, no mês passado de março.

Ao mesmo tempo, a segunda maior economia mundial fixa como meta aumentar para 11,4% o uso de combustíveis não fósseis como fontes de energia (embora carvão e petróleo continuem predominando) e reduzir em 17% a intensidade de carbono (emissões de CO2 divididas pelo PIB).

O país asiático descuidou a proteção ambiental durante décadas em benefício do crescimento econômico, por isso que o país apresenta uma severa degradação de seu ecossistema.

No entanto, a conscientização perante estes problemas também aumentou no seio do regime, à medida que sua população mostrou seu descontentamento com catástrofes ambientais, problemas de segurança alimentar derivados e outros conflitos relacionados. (Fonte: Folha.com)


23 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Transações florestais

Joao Augusti, gerente de meio ambiente florestal da Fibria: "O objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC e às pressões ambientalistas"

Joao Augusti, gerente de meio ambiente florestal da Fibria: "O objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC e às pressões ambientalistas"

As ofertas estão na internet: “Vendo terreno com 50 alqueires de Mata Atlântica totalmente preservada para compensação ambiental, reserva legal ou crédito de carbono. A área está localizada em Conselheiro Lafaiete (MG), no Triângulo do Aço, onde há atividades de empresas como Gerdau, Aço Minas, Vale, CSN e Sumitomo Valourec“. No município de Embu-Guaçú (SP), na bacia hidrográfica da Represa de Guarapiranga, estão à venda 150 mil metros quadrados de floresta virgem. “Se você recebeu multa ambiental, um caminho para aliviar esse custo e reduzir taxas de ajuste de conduta é oferecer área preservada como compensação do dano”, diz o anúncio.. Valor do negócio: R$ 292 mil (R$ 1,95 o metro quadrado).

O movimento de compra a venda de florestas, seja por imposição legal, seja pela perspectiva de lucros futuros com o uso sustentável ou até pela iniciativa voluntária de salvar espécies da extinção, retrata o começo de um novo “boom” imobiliário. “O valor de terras florestadas certamente subirá quando a polêmica sobre o código florestal chegar ao fim”, prevê Miguel Calmon, coordenador do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, aliança que reúne instituições e empresas para recuperar impactos no bioma.

Ele diz que proprietários rurais aguardam definições sobre o percentual obrigatório de área protegida nas fazendas para fazer investimentos – inclusive na conservação. “Só com regras claras e incentivos o mercado terá a escala necessária para transformar a floresta em bom negócio para produtores e investidores”, afirma Calmon.

Existem na Mata Atlântica 17,5 milhões de hectares, equivalente a quatro vezes a área do Estado do Rio de Janeiro, passíveis de restauração, sem a concorrência com a produção de alimentos. São áreas de baixa aptidão agrícola, passivos de reserva legal e beira de rios sem vegetação. A meta do Pacto é restaurar 15 milhões de hectares até 2050, aumentando a cobertura florestal do bioma dos atuais 8% para 30% em relação à original. O custo varia de R$ 1 mil a R$ 2 mil por hectare, no caso de regeneração natural, e até R$ 15 mil, para a necessidade de plantio de mudas. A atividade envolve uma cadeia com 17 diferentes negócios, desde o geoprocessamento para mapear áreas até fornecedores de sementes, viveiros comunitários e particulares, vigilância florestal e empresas de plantio.

São oportunidades que estarão em evidência em 2011, declarado pela ONU como Ano Internacional das Florestas. “Valorizar árvores em pé é condição para conservá-las, ainda mais quando sabemos que 90% dos remanescentes fora da Amazônia estão na mão de particulares”, afirma Fernando Veiga, gerente de serviços ambientais da The Nature Conservancy.

Indicativa dessa tendência é a minuta da lei sobre pagamento por serviços ambientais, aprovada em dezembro na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. A previsão é o repasse de incentivos ao redor de R$ 500 milhões por ano, oriundos da receita com o petróleo, para recompensar ações que garantem provisão de água, polinização de plantas, solos em condições de produzir alimentos e equilíbrio climático.

Completam o cenário a consolidação do mercado de créditos de carbono e de instrumentos como o REDD (Redução de Emissões por Desmatamento Evitado), além do fundo global de R$ 100 bilhões anunciado na última reunião sobre clima em Cancún, no México, para financiar países em desenvolvimento.

A restauração florestal é o fio condutor. Na Bahia, a empresa de papel e celulose Fibria planeja até o fim do ano restaurar 2,9 mil hectares de Mata Atlântica. Estão sendo plantadas 1,5 milhão de mudas, ao custo de R$ 8 milhões, para resolver antigos passivos ambientais herdados na fusão com a Aracruz Celulose.

Para 2011, a meta é reflorestar mais 3,5 mil hectares, com investimento aproximado de R$ 14 milhões. No total, 15 mil hectares na Bahia, Espírito Santo e Minas Gerais, além de outros 5 mil hectares no Vale do Paraíba em São Paulo, serão restaurados nos próximos anos mediante diferentes níveis de intervenção. “O principal objetivo é atender às exigências dos órgãos ambientais, à demanda da certificação socioambiental FSC (Forest Stewardship Council) e às pressões ambientalistas”, explica João Augusti, gerente de meio ambiente florestal.

“A valorização da floresta nativa pode abrir frentes de negócio no setor”, prevê Renato Carneiro, diretor da indústria Veracel, dona de 104 mil hectares de árvores nativas na região de Porto Seguro (BA), mescladas com área praticamente igual de eucalipto. Para mitigar o problema da concentração fundiária, Paulo Dimas, pesquisador do Instituto Cidades, propõe a venda de florestas para fundos de pensão, permitindo capitalizar empresas de celulose para o fomento de uma economia florestal de uso múltiplo. A medida, segundo ele, refletiria no aumento de renda e na diversificação de negócios regionais..

A servidão florestal -uso de áreas de terceiros para compensar a falta de reserva legal – pode render R$ 300 por hectare ao ano, segundo analistas, o dobro da média de receita na agropecuária. “Ter floresta na fazenda, tempos atrás vista como barreira aos lucros, é hoje oportunidade de negócio”, enfatiza Márcia Hirota, diretora da SOS Mata Atlântica.

Sérgio Adeodato | Para o Valor, de São Paulo

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