8 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Meta de limitar o aquecimento global a 2ºC é irreal, mostra relatório da PwC

Para manter o estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, os países teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual

Em 2009, a 15ª Conferência do Clima (COP-15) da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima dos níveis pré-industriais) ao longo deste século. Publicado nesta segunda-feira, o relatório Low carbon economy index, desde 2009 lançado anualmente pela consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra no entanto que o objetivo está cada vez mais distante de ser atingido. Para que o planeta esquente dentro dessa margem, as economias globais precisariam reduzir drasticamente um índice chamado intensidade em carbono (que mede a relação das emissões de dióxido de carbono de acordo com a produção econômica de cada país).

Esse índice é dado em toneladas de CO2 por milhão de dólares do PIB (Produto Interno Bruto) de um determinado país. No ano passado, por exemplo, o Brasil jogou na atmosfera 197 toneladas de carbono para cada milhão de dólares de seu PIB. Um outro exemplo, a China, emitiu no mesmo período 754 toneladas de CO2 por milhão de dólares. Nos cálculos da PwC, o mundo precisaria reduzir sua intensidade em carbono a um ritmo anual de 5,1% até 2050 para aquecer ao longo deste século só 2ºC, uma taxa que não foi observada em um único ano desde o final da 2ª Guerra Mundial.

O cálculo de intensidade é feito com base na mistura de combustíveis que cada país adota, sua eficiência energética e a composição da atividade econômica. Seria uma maneira de, segundo Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade da PwC Brasil, entender em que medida as economias globais podem produzir mais bens e, com investimentos em eficiência, emitir menos carbono.

Os cientistas calculam que haveria 50% de chances de o aumento da temperatura global limitar-se ao número acordado na COP-15 caso o carbono na atmosfera se estabilize em 450 partes por milhão (ppm) – hoje tal concentração é de 390 ppm. A temperatura média do globo já subiu pouco menos de 1ºC dos níveis pré-industriais.

De acordo com os cálculos da PwC, estabilizar a concentração em 450 ppm seria possível se as economias globais reduzissem sua intensidade em CO2 numa ordem de 5.1% anualmente. Só que a média anual da última década (2000-2011) para a redução desse índice foi de apenas 0.8%. Ou seja, o desafio é sextuplicar o atual ritmo de descarbonização. Diante desse cenário, o relatório afirma que “as ambições dos governos de limitar o aquecimento a 2ºC parecem altamente irrealistas.”

Novos desafios – Se a meta de reduzir a relação carbono-PIB em 5,1% ao ano soa distante do atual patamar, os níveis de redução da intensidade de carbono para atingir o acordado na COP-15 tendem a ficar cada vez maiores, ano após ano. Isso porque, conforme alerta do documento da PwC, é pouco crível que qualquer descarbonização significativa das economias ocorra em um curto espaço de tempo. Levando isso em conta, a consultoria acredita que “a redução necessária dos próximos anos precisa ser muito maior.” Revisões para cima têm sido a regra desde que o Low carbon economy index passou a ser editado, em 2009. À época, os especialistas da PwC diziam que a diminuição da dependência do carbono em relação ao PIB, para manter o planeta na fronteira dos 2 ºC, teria de ser de 3,7% ao ano.

Devagar, quase parando – A lenta marcha de redução da intensidade de carbono da economia mundial mostra que o cenário de 2ºC de aquecimento tornou-se uma previsão otimista, diz a consultoria. Ela lembra que seria necessário no mínimo quadruplicar as taxas de descarbonização de hoje para que a temperatura média global aqueça 4ºC acima dos níveis pré-industriais até o final deste século, o dobro do assumido pelos governos em Copenhague. A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) já considera a possibilidade de o planeta esquentar, em média, 6ºC no decorrer dos próximos 100 anos.

Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, em inglês), afirma que a escalada da temperatura do globo pode trazer consigo uma maior frequência de eventos climáticos extremos, como secas, furacões e inundações. “Isso também causa um impacto sócio-econômico muito grande”, complementa.

A PwC, por sua vez, diz no documento que qualquer ação para evitar os cenários mais pessimistas passa por mudanças radicais no atual funcionamento da economia global. Seria preciso “a rápida absorção de energias renováveis, aguda queda no uso de combustíveis fósseis e interrupção da derrubada de florestas.” O documento vai além: “De qualquer forma, obusiness-as-usual não pode continuar”, conclui.

carbono emissao

Consultoria PwC diz que meta de limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até o final do século, no atual ritmo de descarbonização, ficará cada vez mais difícil de ser alcançada (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas pedem que pelo menos 10% do mar seja protegido

O Brasil está longe de atingir as metas internacionais de proteção ao mar na sua área de exploração costeira.

De acordo com cientistas reunidos nesta quarta-feira no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, uma espécie de Rio+20 paralela da ciência, menos de 1% da zona de exploração costeira do Brasil está protegida.

A taxa está distante das metas internacionais estabelecidas há dois anos pelo Protocolo de Nagoya.

O documento define que até 2020 pelo menos 10% da zona de exploração do mar de cada país deve estar protegida.

“O problema é não temos avanços. Recentemente adiamos a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos [entre a Bahia e o Espírito Santo]“, disse o biólogo da USP Carlos Alfredo

Joly, coordenador de um programa de pesquisa sobre a biodiversidade paulista financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A expectativa dos cientistas era que o governo sancionasse um projeto que estabelece um mosaico de áreas protegidas marinhas em Abrolhos durante a Rio+20.

Mas o processo obrigatório de consultas públicas com a população nas redondezas de Abrolhos sobre a área de proteção foi esticado e depois suspenso em meados de maio.

MAIS BRANCOS

A principal preocupação dos cientistas são os recifes de corais. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul e boa parte deles está em Abrolhos.

A acidez causada pelo aquecimento das águas e da atividade humana na região prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis (o que é visível, pois eles ficam esbranquiçados).

“Não temos problemas apenas em Abrolhos. Há regiões do sul e do nordeste do país que também precisam de atenção”, disse a engenheira de pesca Ana Paula Prates, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com ela, a proteção às florestas costuma ganhar mais atenção e ser mais debatida que a proteção ao mar.

Somando unidades de conservação, parques nacionais e reservas biológicas, 13% do território terrestre do país é intocável (as metas de Nagoya são de 17%).

GESTÃO DE OCEANOS

Prates destacou também a falta de regulamentação sobre a atividade econômica relacionada ao mar.

Hoje, os cientistas estimam que 80% da pesca brasileira seja de espécies super exploradas e estejam em algum risco.

A governança dos oceanos será discutida na cúpula da Rio+20, que reunirá chefes de Estado de 20 a 22 de junho. Mas os cientistas estão pouco otimistas.

“Na Rio-92 havia uma proposta de convenção de oceanos que não avançou”, disse Joly.

Fonte: Folha.com


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seguro de crédito de carbono chega ao Brasil

Em parceria com a Munich Re, maior resseguradora do mundo, a Fator Seguradora está lançando um seguro para projetos de crédito de carbono e instrumentos de redução de gases de efeito estufa.

A apólice cobre a perda de receita caso o projeto não gere os créditos de carbono previstos e comercializados.

 

O Brasil é o terceiro país com o maior número de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto que traz a possibilidade de utilização de mecanismos de mercado para que os países desenvolvidos possam cumprir seus compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa. Nele, países emergentes podem, voluntariamente, desenvolver projetos de redução de emissão (conhecidos como “crédito de carbono”) para posterior venda dessas reduções para países desenvolvidos.

 

“São projetos caros que geralmente precisam de financiamento. Um seguro que garante a receita desse projeto vai melhorar a aceitação do financiamento”, afirma André Gregori, presidente da Fator Seguradora. Ele lembra que, no ano passado, foi aprovada no Brasil a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que deve impulsionar a realização desses projetos. Na política, o país assume meta para reduzir entre 36,1% a 38,9% suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, com ações no âmbito federal, estadual e municipal por entidades públicas e privadas.

 

“Além disso, a maioria dos bancos mundiais exigem projetos de captura de CO2 para conceder financiamento para obras de infraestrutura”, ressalta Gregori.

 

A apólice indeniza a perda de receita de projetos de redução de gases numa eventual ineficiência ou dano físico do projeto, insolvência do fornecedor ou do comprador dos créditos, além de problemas provenientes de variação climática. Gregori explica, porém, que o risco de eventos naturais é uma cobertura extra, que pode ser incluída na apólice. Ele explica que o preço do seguro varia de acordo com o projeto de redução e com as coberturas contratadas, mas varia, em média, entre 2% a 5% do valor do projeto.

 

“Este não é um produto de prateleira, ele é montado de acordo com a particularidade de cada operação”, explica Tânia Amaral, superintendente de riscos financeiros da Munich Re. A resseguradora já comercializa o produto em outros países e tinha o interesse de trazer a cobertura para cá por conta do Brasil ser um dos países que podem desenvolver instrumentos de redução de gases.

 

O Brasil possui 499 projetos do tipo, equivalente a 6% dos 7.742 projetos espalhados pelo mundo, segundo dados de junho deste ano do Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso coloca o país no terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo. A China é a líder do ranking, com 3.056 projetos (39%) e, em segundo lugar, a Índia com 2.098 projetos (27%).

 

O lançamento do produto faz parte da estratégia de diversificação do portfólio da seguradora, que trabalha basicamente com seguros ligados a obras de infraestrutura. Há três anos, quando foi criada, a companhia atuava apenas com seguro garantia. Nesta ano, passou a atuar com seguro de engenharia, responsabilidade civil, riscos diversos de equipamentos, eventos e aeronáutico.

Fonte: Valor Econômico


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil tenta estabelecer medidas para preservar a biodiversidade

O País corre contra o tempo para cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Nagoya, determinadas no ano passado, para preservar os ecossistemas e as espécies vivas.

O tema é de interesse das empresas que exploram de forma sustentável os recursos naturais e de quem quer coibir a “biopirataria”. Apesar de o País ser considerado pioneiro na regulamentação do acesso e na repartição dos benefícios do uso de produtos nativos, a Medida Provisória 2.186-16, de 2001, nunca foi votada pelo Congresso.

 

A MP determina que o acesso ao patrimônio genético do país só é possível com autorização da União e que é ilegal utilizar comercialmente o conhecimento tradicional sem a autorização de quem o detém – muitas vezes comunidades indígenas e populações locais. O uso comercial deve passar pelo crivo do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). “A aprovação chega a demorar três anos e isso inviabiliza a pesquisa e a criação de novos produtos”, afirma Helena Pavese, gerente de política ambiental da organização não-governamental Conservação Internacional. Desde 2002, foram firmados apenas 25 contratos de repartição de benefícios, de um total de mais de 200 projetos solicitantes.

 

O principal desafio do governo nos próximos anos será integrar os programas ambientais aos planos de desenvolvimento econômico e social, como é o caso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Há uma desconexão entre as ações. Estão previstos projetos de infraestrutura em áreas de Unidades de Conservação (UCs), que certamente serão afetadas”, diz. A ambientalista admite, no entanto, existir um esforço do MMA em procurar parcerias com outros ministérios, como os da Fazenda e do Planejamento. Uma solução apontada pela Conservação Internacional para reduzir os efeitos da devastação dos ecossistemas é implantar novas UCs em áreas de desmatamento. “Tem sido uma estratégia eficiente na Amazônia”.

 

A pressa do governo em definir uma estratégia ampla com relação às 20 metas traçadas em Nagoya está relacionada também à Convenção das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de junho de 2012. No evento, o País pretende apresentar o Plano Estratégico Brasileiro para a Biodiversidade, uma adequação das metas de Nagoya à realidade nacional.

 

Estudo elaborado pelas organizações WWF-Brasil, Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em parceria com o MMA, fez um diagnóstico do quadro atual da preservação da biodiversidade com relação às metas de Nagoya.

 

O estudo cita iniciativas de sucesso como, por exemplo, o Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB). Para aumentar a capacidade de auto-sustentação de comunidades tradicionais, o governo criou uma política de subvenção para 11 produtos – açaí, babaçu, borracha extrativa, carnaúba, baru, cera de carnaúba, mangaba, umbu, castanha-do-brasil, pequi e piaçava. Para estes produtos, o governo garante sempre o pagamento do preço mínimo ao produtor.

 

Cita ainda os programas de Compras Públicas Sustentáveis dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais com o objetivo de aumentar a economia de água e energia elétrica, a durabilidade, biodegradabilidade e a reciclagem, e a primeira “loja verde” do Pão de Açúcar, em Indaiatuba (SP), com móveis de madeira certificada e veículos de entrega que usam biocombustível.

 

Com relação aos biomas, o estudo destaca o crescimento das UCs para as 302 unidades, e o implemento de corredores ecológicos, principalmente na Mata Atlântica – com 21 milhões de hectares, sendo 8 milhões em área marinha. No trecho terrestre, a criação de novos corredores ecológicos na Mata Atlântica é considerada uma medida fundamental para a preservação dos grandes mamíferos. No local, apenas ações integradas entre UCs e corredores podem trazer resultados positivos para a preservação de espécies ameaçadas. Na Amazônia, existem hoje 52 milhões de hectares de corredores.

Fonte: Valor Econômico


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Gases-estufa secundários são negligenciados no aquecimento global

Os poluentes tidos como coadjuvantes no aquecimento global não têm papel tão irrelevante quanto se pensava. O corte de emissão de gases como metano e óxido nitroso faria diferença no combate à mudança climática, dizem cientistas americanos.

Um estudo da Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) aponta que é possível reduzir o potencial de aquecimento dos gases de efeito estufa em 19% atacando essas substâncias.

Esse seria o benefício caso fossem incluídas junto com o dióxido de carbono (CO2), o vilão protagonista do aquecimento global, num acordo para redução de emissões.

Historicamente, o metano, o óxido nitroso e outros gases-estufa têm ficado de fora de acordos como o Protocolo de Kyoto, que combate o aquecimento global.

Razões para isso eram tanto o papel menor dessas substâncias frente ao CO2 quanto a complexidade política de incluí-las nas negociações.

REVISÃO

A Noaa, porém, após fazer extensa revisão de pesquisas sobre o tema, sugere que os gases-estufa secundários podem facilitar as negociações em vez de atravancá-las, porque permitiriam uma folga no cronograma da redução de emissões.

Segundo os cientistas, como a vida útil do metano e do óxido nitroso na atmosfera é menor que a do dióxido de carbono, a inclusão desses gases nos acordos de corte traria um efeito mais rápido de redução de temperatura.

Os cientistas explicam isso em termos de forçante radiativa, ou seja, a diferença entre a quantidade de energia que entra na atmosfera e a que sai dela.

O trabalho indica que a inclusão dos gases secundários numa política de corte de 80% para todos os gases-estufa reduziria a forçante radiativa dos gases-estufa emitidos em atividades humanas de 3,2 watt por metro quadrado para 2,6. Isso equivaleria a ter 0,5ºC a menos de aumento de temperatura no fim deste século, calcula-se.

Pode parecer pouco, mas é uma boa fatia de redução, quando se leva em conta que a ONU estabeleceu como 2ºC o limite do aumento de temperatura considerado perigoso para a Terra.

Como fazer isso, porém, é uma pergunta que ninguém sabe responder. Um alvo óbvio seria a agropecuária, que emite metano na produção de animais, arroz e outras commodities. O uso de fertilizantes também é responsável pela emissão de óxido nítrico.

Esse é um bom alvo, mas as reduções de emissão de metano do setor de combustíveis fósseis também são, disse à Folha Ed Dlugokencky, um dos autores do estudo. Reduzir vazamento durante a transmissão e distribuição de de gás natural, por exemplo, é algo que teria um custo-benefício muito bom.

Fonte: Rafael Garcia, De Washington, Folha.com


13 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Fim dos lixões em 2014: meta factível

Artigo de Tadayuki Yoshimura publicado no Correio Braziliense sexta-feira(10).

Após discussões que se prolongaram por mais de 20 anos, foi aprovada em agosto e regulamentada em dezembro do ano passado a Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A nova norma legal estabelece os princípios de responsabilidade compartilhada sobre a destinação dos produtos no fim de sua vida útil.

 

O objetivo da legislação é garantir uma eficiente gestão integrada dos resíduos sólidos, estabelecendo a responsabilidade compartilhada e fazendo com que toda a cadeia responsável pela produção de um bem ou produto de consumo se responsabilize pela destinação final do material, seja com o objetivo de reciclá-lo, reutilizá-lo ou rejeitá-lo, este último somente caso não haja mais como aproveitá-lo para uma finalidade produtiva. Assim, produtores, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os agentes de serviços e gestão da limpeza pública têm responsabilidade sobre o adequado encaminhamento dos produtos que tiveram seu período de utilização encerrado.

 

Foi e está sendo discutido o estabelecimento de metas para que o Brasil tenha uma política de destinação de resíduos sólidos ambientalmente responsável. Elas incluem prazos para reduzir o percentual de resíduos reutilizáveis e recicláveis enviados para os aterros sanitários, com o objetivo de diminuir o volume de material para ampliar a vida útil desses ambientes adequados de acomodação de resíduos e estimular o reaproveitamento de substâncias; para a adoção de sistemas de logística reversa, destinada a garantir o manejo e o destino de materiais de descarte delicado, como pilhas, lâmpadas e pneus; para a viabilização de sistemas eficazes de coleta seletiva; e para a adequação dos ambientes em que são depositados os rejeitos sólidos, isto é, os materiais que não têm mais como serem reutilizados ou reciclados.

 

Sobre o último item, decidiu-se como meta que, até agosto de 2014, todos os lixões (depósitos de lixo a céu aberto que não dispõem de sistemas de proteção ambiental) sejam erradicados do País e substituídos por aterros sanitários, instalações ambientalmente adequadas para o manejo e depósito de rejeitos.

 

Para contribuir na busca de soluções, a Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP) já apresentou aos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades um plano técnico de erradicação dos lixões no País. O prazo é de quatro anos. Está prevista a implantação de 256 aterros sanitários regionais e 192 de pequeno porte, com investimento total de R$ 2 bilhões de recursos federais para a aquisição de terrenos, projetos, licenciamentos e instalação de células para acondicionamento de resíduos e rejeitos por cinco anos. Todos os investimentos necessários para a operação, manutenção e ampliação dos aterros por um período de 20 anos partiriam da iniciativa privada. O plano prevê a formação de consórcios de municípios e o regime de contratação por PPPs (parcerias público-privadas) para a gestão dos aterros.

 

A entidade trabalha atualmente na formulação de uma proposta de abordagem jurídica para viabilizar o projeto sugerido. Essa proposta deve ser encaminhada como sugestão ao governo nos próximos dias, para dar base ao plano inicial. O certo é que, havendo vontade política e recursos federais no montante mencionado, o plano é plenamente viável e permitirá que o Brasil entre em nova fase na gestão responsável de resíduos e rejeitos.

 

A erradicação dos lixões é um tema que julgamos de extrema relevância para elevar o nível do Brasil no cenário internacional em relação à destinação final de resíduos de forma ambientalmente correta. Portanto, é com convicção que afirmamos que a questão da gestão e destinação adequadas dos resíduos sólidos gerados no Brasil será bem equacionada com a participação conjunta e solidária dos vários representantes da sociedade. Com educação, conscientização crescente e investimentos adequados e viáveis para a formação das infraestruturas necessárias, em poucos anos poderemos afirmar decididamente que o País terá condições de ser classificado como desenvolvido no trato dos resíduos sólidos.

 

Tadayuki Yoshimura Engenheiro e presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP).

Fonte: Jornal da Ciência.


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Sob pressão, países iniciam novas negociações para acordo do clima

Reunião pré-COP 17 começa na segunda-feira (6), na Alemanha.
Especialistas estimam que acordo substituto de Kyoto não sairá em 2011.

Sob pressão da ONU, países desenvolvidos e em desenvolvimento voltam a se reunir a partir da próxima segunda-feira (6) em Bonn, na Alemanha, para debater a criação de um novo acordo para o clima, que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012 e que tentará reduzir as emissões de carbono para frear o aquecimento global.

Esta é uma das últimas reuniões entre negociadores internacionais antes da COP-17 (Conferência das Partes), que vai acontecer em Durban, na África do Sul, entre novembro e dezembro deste ano.

O clima tenso se deve à divulgação de recente estudo da Agência Internacional de Energia sobre o recorde de gases de efeito estufa liberados em 2010. O fato colocou em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aumento médio da temperatura do planeta em menos de 2ºC até 2100.

Apesar da cobrança no avanço nas negociações entre os países para a criação de um novo acordo, especialistas e representantes do governo ouvidos pelo Globo Natureza afirmam que é praticamente impossível se chegar a novas regras para reduzir as emissões em 2011. Para eles, o ‘gap’ (lacuna) entre o fim do Protocolo de Kyoto e um novo acordo para bloquear o avanço da temperatura será inevitável.

Reunião final da COP 16, realizada em Cancún, no México (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Reunião final da COP 16, realizada em Cancún, no México (Foto: Dennis Barbosa/G1)

 

Lentidão
De acordo com o secretário nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, a lentidão desse tipo de negociação é reflexo da falta de metas das nações desenvolvidas para reduzir as emissões de CO2.

“Deve ser levado em conta que os eventos extremos do clima começam se projetar em grandes dimensões e com mais frequência. Um exemplo é o excesso de chuvas em países tropicais, como tem acontecido no Brasil. Isto já estava previsto no relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de 2007. Nós queremos uma posição clara sobre quais medidas tomarão nações poluidoras como os Estados Unidos e China”, afirmou Assad.

As duas potências não estão inseridas no Protocolo de Kyoto, que determina a redução das emissões dos países participantes entre 25% e 40% até 2020, comparado aos níveis de 1990. A China não faz parte porque ainda é considerada um país emergente. Já os Estados Unidos não se comprometeram ao acordo vinculante por medo de reflexos em sua economia. Apesar disso, os dois países tentam ações próprias de mitigação.

Ainda segundo Assad, o Brasil tem tomado providências para finalizar os planos setoriais de corte de emissões, inseridos na lei de mudanças climáticas. Neles, constam como o Brasil vai reduzir as emissões de gases entre 36,1% a 38,9% até 2020 com ações de redução no desmate da Amazônia e do Cerrado, implementações de regras na agropecuária, no setor de energia e na indústria.

Mandato
Segundo Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e que foi vice-presidente do IPCC durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, a partir da reunião de Bonn, teria que começar um diálogo que se concretizasse na COP 17 sobre a emissão de um ‘mandato de transição’, ordem que dá início oficialmente para elaborar um novo acordo climático.

“Somente a partir deste ponto é que se conseguirá um protocolo que vai substituir Kyoto. Pelo que percebo das reuniões que antecederam esta da Alemanha, isto não deve acontecer. Fica claro que nada vai sair até 2012 e que um novo acordo não vai existir”, afirmou.

De acordo com Gylvan, o que poderá se discutir é a manutenção provisória de Kyoto, o que pode colocar em xeque a metodologia de negociação da ONU, já questionada nas cúpulas anteriores devido à falta de resultados. “É preciso fazer alguma coisa agora, para que as emissões diminuam em até 40 anos e a temperatura não aumente até 2100. As decisões de hoje refletem no futuro”, afirmou.

Cancún
Durante a COP 16, realizada em 2010, no México, países membros de Kyoto, como Japão, Rússia e Canadá, rejeitaram a continuidade do protocolo, exigindo que mais países aderissem às regras. No ‘Acordo de Cancún’, ficou estabelecido que esses países continuariam a discutir o tema em 2011.

Além disso, o documento previa a criação de um Fundo Verde (pacote de financiamento de US$ 100 bilhões anuais até 2020 para nações pobres) e mecanismos de Redd (redução de emissões por desmatamento e devastação florestal) pelos quais países desenvolvidos financiarão os em desenvolvimento para conservarem suas florestas, o que pode beneficiar o Brasil.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo.


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Emissões batem recorde em 2010 e ameaçam meta de combate a aquecimento

Segundo Agência Internacional de Energia, total de emissões se aproxima de limite para controlar mudanças climáticas.

As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.

A agência estimou ainda que 80% das emissões projetadas para 2020 no setor de energia já estão comprometidas, por virem de usinas elétricas atualmente instaladas ou em construção.

“O significativo aumento das emissões de CO2 e o comprometimento das emissões futuras por conta de investimentos de infraestrutura representam um grave revés para nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura para não mais de 2 graus Celsius”, afirmou Faith Birol, economista-chefe da AIE e responsável pelo relatório anual da entidade World Energy Outlook.

Limite
A meta de limitar o aumento global das temperaturas médias em 2 graus foi estabelecida durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada no ano passado em Cancún. O limite foi estabelecido de acordo com um relatório técnico que indicava que se a temperatura global aumentar mais que 2 graus as consequências podem ser irreversíveis e devastadoras.

Segundo os cálculos da AIE, a quantidade de CO2 emitida no mundo atingiu 30,6 gigatoneladas no ano passado, um aumento de 1,6 gigatoneladas em relação ao ano anterior. A AIE estimou que para limitar o aquecimento dentro dos limites aceitáveis, as emissões globais não devem ultrapassar as 32 gigatoneladas até 2020.

Se o crescimento das emissões neste ano igualar o do ano passado, esse limite já terá sido ultrapassado, nove anos antes do prazo.

“O mundo chegou incrivelmente perto do limite de emissões que não deveriam ser alcançadas até 2020 para a meta de 2 graus ser atingida. Dada a redução do espaço para manobras até 2020, ao menos que decisões fortes e decisivas sejam tomadas logo, será extremamente difícil conseguir alcançar a meta global acertada em Cancún”, diz Birol.

Segundo a AIE, os países considerados desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento global das emissões.

Países em desenvolvimento, principalmente China e Índia, registraram um aumento muito maior de suas emissões, acompanhando seu crescimento econômico acelerado.

Quando consideradas as emissões per capita, porém, os países desenvolvidos tiveram uma emissão média de 10 toneladas por pessoa, enquanto na China foram 5,8 toneladas per capita e, na Índia, 1,5 toneladas.

Fonte: da BBC.


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8 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Meta de limitar o aquecimento global a 2ºC é irreal, mostra relatório da PwC

Para manter o estabelecido na Conferência do Clima de Copenhague, os países teriam de descarbonizar suas economias a um ritmo pelo menos seis vezes maior do que o atual

Em 2009, a 15ª Conferência do Clima (COP-15) da Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu como meta limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius (acima dos níveis pré-industriais) ao longo deste século. Publicado nesta segunda-feira, o relatório Low carbon economy index, desde 2009 lançado anualmente pela consultoria internacional PricewaterhouseCoopers (PwC), mostra no entanto que o objetivo está cada vez mais distante de ser atingido. Para que o planeta esquente dentro dessa margem, as economias globais precisariam reduzir drasticamente um índice chamado intensidade em carbono (que mede a relação das emissões de dióxido de carbono de acordo com a produção econômica de cada país).

Esse índice é dado em toneladas de CO2 por milhão de dólares do PIB (Produto Interno Bruto) de um determinado país. No ano passado, por exemplo, o Brasil jogou na atmosfera 197 toneladas de carbono para cada milhão de dólares de seu PIB. Um outro exemplo, a China, emitiu no mesmo período 754 toneladas de CO2 por milhão de dólares. Nos cálculos da PwC, o mundo precisaria reduzir sua intensidade em carbono a um ritmo anual de 5,1% até 2050 para aquecer ao longo deste século só 2ºC, uma taxa que não foi observada em um único ano desde o final da 2ª Guerra Mundial.

O cálculo de intensidade é feito com base na mistura de combustíveis que cada país adota, sua eficiência energética e a composição da atividade econômica. Seria uma maneira de, segundo Carlos Rossin, diretor de Sustentabilidade da PwC Brasil, entender em que medida as economias globais podem produzir mais bens e, com investimentos em eficiência, emitir menos carbono.

Os cientistas calculam que haveria 50% de chances de o aumento da temperatura global limitar-se ao número acordado na COP-15 caso o carbono na atmosfera se estabilize em 450 partes por milhão (ppm) – hoje tal concentração é de 390 ppm. A temperatura média do globo já subiu pouco menos de 1ºC dos níveis pré-industriais.

De acordo com os cálculos da PwC, estabilizar a concentração em 450 ppm seria possível se as economias globais reduzissem sua intensidade em CO2 numa ordem de 5.1% anualmente. Só que a média anual da última década (2000-2011) para a redução desse índice foi de apenas 0.8%. Ou seja, o desafio é sextuplicar o atual ritmo de descarbonização. Diante desse cenário, o relatório afirma que “as ambições dos governos de limitar o aquecimento a 2ºC parecem altamente irrealistas.”

Novos desafios – Se a meta de reduzir a relação carbono-PIB em 5,1% ao ano soa distante do atual patamar, os níveis de redução da intensidade de carbono para atingir o acordado na COP-15 tendem a ficar cada vez maiores, ano após ano. Isso porque, conforme alerta do documento da PwC, é pouco crível que qualquer descarbonização significativa das economias ocorra em um curto espaço de tempo. Levando isso em conta, a consultoria acredita que “a redução necessária dos próximos anos precisa ser muito maior.” Revisões para cima têm sido a regra desde que o Low carbon economy index passou a ser editado, em 2009. À época, os especialistas da PwC diziam que a diminuição da dependência do carbono em relação ao PIB, para manter o planeta na fronteira dos 2 ºC, teria de ser de 3,7% ao ano.

Devagar, quase parando – A lenta marcha de redução da intensidade de carbono da economia mundial mostra que o cenário de 2ºC de aquecimento tornou-se uma previsão otimista, diz a consultoria. Ela lembra que seria necessário no mínimo quadruplicar as taxas de descarbonização de hoje para que a temperatura média global aqueça 4ºC acima dos níveis pré-industriais até o final deste século, o dobro do assumido pelos governos em Copenhague. A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) já considera a possibilidade de o planeta esquentar, em média, 6ºC no decorrer dos próximos 100 anos.

Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e membro do Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC, em inglês), afirma que a escalada da temperatura do globo pode trazer consigo uma maior frequência de eventos climáticos extremos, como secas, furacões e inundações. “Isso também causa um impacto sócio-econômico muito grande”, complementa.

A PwC, por sua vez, diz no documento que qualquer ação para evitar os cenários mais pessimistas passa por mudanças radicais no atual funcionamento da economia global. Seria preciso “a rápida absorção de energias renováveis, aguda queda no uso de combustíveis fósseis e interrupção da derrubada de florestas.” O documento vai além: “De qualquer forma, obusiness-as-usual não pode continuar”, conclui.

carbono emissao

Consultoria PwC diz que meta de limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até o final do século, no atual ritmo de descarbonização, ficará cada vez mais difícil de ser alcançada (iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas pedem que pelo menos 10% do mar seja protegido

O Brasil está longe de atingir as metas internacionais de proteção ao mar na sua área de exploração costeira.

De acordo com cientistas reunidos nesta quarta-feira no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, uma espécie de Rio+20 paralela da ciência, menos de 1% da zona de exploração costeira do Brasil está protegida.

A taxa está distante das metas internacionais estabelecidas há dois anos pelo Protocolo de Nagoya.

O documento define que até 2020 pelo menos 10% da zona de exploração do mar de cada país deve estar protegida.

“O problema é não temos avanços. Recentemente adiamos a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos [entre a Bahia e o Espírito Santo]“, disse o biólogo da USP Carlos Alfredo

Joly, coordenador de um programa de pesquisa sobre a biodiversidade paulista financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A expectativa dos cientistas era que o governo sancionasse um projeto que estabelece um mosaico de áreas protegidas marinhas em Abrolhos durante a Rio+20.

Mas o processo obrigatório de consultas públicas com a população nas redondezas de Abrolhos sobre a área de proteção foi esticado e depois suspenso em meados de maio.

MAIS BRANCOS

A principal preocupação dos cientistas são os recifes de corais. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul e boa parte deles está em Abrolhos.

A acidez causada pelo aquecimento das águas e da atividade humana na região prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis (o que é visível, pois eles ficam esbranquiçados).

“Não temos problemas apenas em Abrolhos. Há regiões do sul e do nordeste do país que também precisam de atenção”, disse a engenheira de pesca Ana Paula Prates, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com ela, a proteção às florestas costuma ganhar mais atenção e ser mais debatida que a proteção ao mar.

Somando unidades de conservação, parques nacionais e reservas biológicas, 13% do território terrestre do país é intocável (as metas de Nagoya são de 17%).

GESTÃO DE OCEANOS

Prates destacou também a falta de regulamentação sobre a atividade econômica relacionada ao mar.

Hoje, os cientistas estimam que 80% da pesca brasileira seja de espécies super exploradas e estejam em algum risco.

A governança dos oceanos será discutida na cúpula da Rio+20, que reunirá chefes de Estado de 20 a 22 de junho. Mas os cientistas estão pouco otimistas.

“Na Rio-92 havia uma proposta de convenção de oceanos que não avançou”, disse Joly.

Fonte: Folha.com


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seguro de crédito de carbono chega ao Brasil

Em parceria com a Munich Re, maior resseguradora do mundo, a Fator Seguradora está lançando um seguro para projetos de crédito de carbono e instrumentos de redução de gases de efeito estufa.

A apólice cobre a perda de receita caso o projeto não gere os créditos de carbono previstos e comercializados.

 

O Brasil é o terceiro país com o maior número de projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto que traz a possibilidade de utilização de mecanismos de mercado para que os países desenvolvidos possam cumprir seus compromissos de redução de emissão de gases de efeito estufa. Nele, países emergentes podem, voluntariamente, desenvolver projetos de redução de emissão (conhecidos como “crédito de carbono”) para posterior venda dessas reduções para países desenvolvidos.

 

“São projetos caros que geralmente precisam de financiamento. Um seguro que garante a receita desse projeto vai melhorar a aceitação do financiamento”, afirma André Gregori, presidente da Fator Seguradora. Ele lembra que, no ano passado, foi aprovada no Brasil a lei que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima, que deve impulsionar a realização desses projetos. Na política, o país assume meta para reduzir entre 36,1% a 38,9% suas emissões de gases de efeito estufa até 2020, com ações no âmbito federal, estadual e municipal por entidades públicas e privadas.

 

“Além disso, a maioria dos bancos mundiais exigem projetos de captura de CO2 para conceder financiamento para obras de infraestrutura”, ressalta Gregori.

 

A apólice indeniza a perda de receita de projetos de redução de gases numa eventual ineficiência ou dano físico do projeto, insolvência do fornecedor ou do comprador dos créditos, além de problemas provenientes de variação climática. Gregori explica, porém, que o risco de eventos naturais é uma cobertura extra, que pode ser incluída na apólice. Ele explica que o preço do seguro varia de acordo com o projeto de redução e com as coberturas contratadas, mas varia, em média, entre 2% a 5% do valor do projeto.

 

“Este não é um produto de prateleira, ele é montado de acordo com a particularidade de cada operação”, explica Tânia Amaral, superintendente de riscos financeiros da Munich Re. A resseguradora já comercializa o produto em outros países e tinha o interesse de trazer a cobertura para cá por conta do Brasil ser um dos países que podem desenvolver instrumentos de redução de gases.

 

O Brasil possui 499 projetos do tipo, equivalente a 6% dos 7.742 projetos espalhados pelo mundo, segundo dados de junho deste ano do Ministério da Ciência e Tecnologia. Isso coloca o país no terceiro lugar em número de projetos de MDL no mundo. A China é a líder do ranking, com 3.056 projetos (39%) e, em segundo lugar, a Índia com 2.098 projetos (27%).

 

O lançamento do produto faz parte da estratégia de diversificação do portfólio da seguradora, que trabalha basicamente com seguros ligados a obras de infraestrutura. Há três anos, quando foi criada, a companhia atuava apenas com seguro garantia. Nesta ano, passou a atuar com seguro de engenharia, responsabilidade civil, riscos diversos de equipamentos, eventos e aeronáutico.

Fonte: Valor Econômico


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil tenta estabelecer medidas para preservar a biodiversidade

O País corre contra o tempo para cumprir as metas estabelecidas no Protocolo de Nagoya, determinadas no ano passado, para preservar os ecossistemas e as espécies vivas.

O tema é de interesse das empresas que exploram de forma sustentável os recursos naturais e de quem quer coibir a “biopirataria”. Apesar de o País ser considerado pioneiro na regulamentação do acesso e na repartição dos benefícios do uso de produtos nativos, a Medida Provisória 2.186-16, de 2001, nunca foi votada pelo Congresso.

 

A MP determina que o acesso ao patrimônio genético do país só é possível com autorização da União e que é ilegal utilizar comercialmente o conhecimento tradicional sem a autorização de quem o detém – muitas vezes comunidades indígenas e populações locais. O uso comercial deve passar pelo crivo do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN). “A aprovação chega a demorar três anos e isso inviabiliza a pesquisa e a criação de novos produtos”, afirma Helena Pavese, gerente de política ambiental da organização não-governamental Conservação Internacional. Desde 2002, foram firmados apenas 25 contratos de repartição de benefícios, de um total de mais de 200 projetos solicitantes.

 

O principal desafio do governo nos próximos anos será integrar os programas ambientais aos planos de desenvolvimento econômico e social, como é o caso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Há uma desconexão entre as ações. Estão previstos projetos de infraestrutura em áreas de Unidades de Conservação (UCs), que certamente serão afetadas”, diz. A ambientalista admite, no entanto, existir um esforço do MMA em procurar parcerias com outros ministérios, como os da Fazenda e do Planejamento. Uma solução apontada pela Conservação Internacional para reduzir os efeitos da devastação dos ecossistemas é implantar novas UCs em áreas de desmatamento. “Tem sido uma estratégia eficiente na Amazônia”.

 

A pressa do governo em definir uma estratégia ampla com relação às 20 metas traçadas em Nagoya está relacionada também à Convenção das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 20), que acontecerá no Rio de Janeiro entre os dias 4 e 6 de junho de 2012. No evento, o País pretende apresentar o Plano Estratégico Brasileiro para a Biodiversidade, uma adequação das metas de Nagoya à realidade nacional.

 

Estudo elaborado pelas organizações WWF-Brasil, Instituto de Pesquisas Ecológicas (Ipê) e União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), em parceria com o MMA, fez um diagnóstico do quadro atual da preservação da biodiversidade com relação às metas de Nagoya.

 

O estudo cita iniciativas de sucesso como, por exemplo, o Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade (PNPSB). Para aumentar a capacidade de auto-sustentação de comunidades tradicionais, o governo criou uma política de subvenção para 11 produtos – açaí, babaçu, borracha extrativa, carnaúba, baru, cera de carnaúba, mangaba, umbu, castanha-do-brasil, pequi e piaçava. Para estes produtos, o governo garante sempre o pagamento do preço mínimo ao produtor.

 

Cita ainda os programas de Compras Públicas Sustentáveis dos governos estaduais de São Paulo e Minas Gerais com o objetivo de aumentar a economia de água e energia elétrica, a durabilidade, biodegradabilidade e a reciclagem, e a primeira “loja verde” do Pão de Açúcar, em Indaiatuba (SP), com móveis de madeira certificada e veículos de entrega que usam biocombustível.

 

Com relação aos biomas, o estudo destaca o crescimento das UCs para as 302 unidades, e o implemento de corredores ecológicos, principalmente na Mata Atlântica – com 21 milhões de hectares, sendo 8 milhões em área marinha. No trecho terrestre, a criação de novos corredores ecológicos na Mata Atlântica é considerada uma medida fundamental para a preservação dos grandes mamíferos. No local, apenas ações integradas entre UCs e corredores podem trazer resultados positivos para a preservação de espécies ameaçadas. Na Amazônia, existem hoje 52 milhões de hectares de corredores.

Fonte: Valor Econômico


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Gases-estufa secundários são negligenciados no aquecimento global

Os poluentes tidos como coadjuvantes no aquecimento global não têm papel tão irrelevante quanto se pensava. O corte de emissão de gases como metano e óxido nitroso faria diferença no combate à mudança climática, dizem cientistas americanos.

Um estudo da Noaa (Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA) aponta que é possível reduzir o potencial de aquecimento dos gases de efeito estufa em 19% atacando essas substâncias.

Esse seria o benefício caso fossem incluídas junto com o dióxido de carbono (CO2), o vilão protagonista do aquecimento global, num acordo para redução de emissões.

Historicamente, o metano, o óxido nitroso e outros gases-estufa têm ficado de fora de acordos como o Protocolo de Kyoto, que combate o aquecimento global.

Razões para isso eram tanto o papel menor dessas substâncias frente ao CO2 quanto a complexidade política de incluí-las nas negociações.

REVISÃO

A Noaa, porém, após fazer extensa revisão de pesquisas sobre o tema, sugere que os gases-estufa secundários podem facilitar as negociações em vez de atravancá-las, porque permitiriam uma folga no cronograma da redução de emissões.

Segundo os cientistas, como a vida útil do metano e do óxido nitroso na atmosfera é menor que a do dióxido de carbono, a inclusão desses gases nos acordos de corte traria um efeito mais rápido de redução de temperatura.

Os cientistas explicam isso em termos de forçante radiativa, ou seja, a diferença entre a quantidade de energia que entra na atmosfera e a que sai dela.

O trabalho indica que a inclusão dos gases secundários numa política de corte de 80% para todos os gases-estufa reduziria a forçante radiativa dos gases-estufa emitidos em atividades humanas de 3,2 watt por metro quadrado para 2,6. Isso equivaleria a ter 0,5ºC a menos de aumento de temperatura no fim deste século, calcula-se.

Pode parecer pouco, mas é uma boa fatia de redução, quando se leva em conta que a ONU estabeleceu como 2ºC o limite do aumento de temperatura considerado perigoso para a Terra.

Como fazer isso, porém, é uma pergunta que ninguém sabe responder. Um alvo óbvio seria a agropecuária, que emite metano na produção de animais, arroz e outras commodities. O uso de fertilizantes também é responsável pela emissão de óxido nítrico.

Esse é um bom alvo, mas as reduções de emissão de metano do setor de combustíveis fósseis também são, disse à Folha Ed Dlugokencky, um dos autores do estudo. Reduzir vazamento durante a transmissão e distribuição de de gás natural, por exemplo, é algo que teria um custo-benefício muito bom.

Fonte: Rafael Garcia, De Washington, Folha.com


13 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Fim dos lixões em 2014: meta factível

Artigo de Tadayuki Yoshimura publicado no Correio Braziliense sexta-feira(10).

Após discussões que se prolongaram por mais de 20 anos, foi aprovada em agosto e regulamentada em dezembro do ano passado a Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A nova norma legal estabelece os princípios de responsabilidade compartilhada sobre a destinação dos produtos no fim de sua vida útil.

 

O objetivo da legislação é garantir uma eficiente gestão integrada dos resíduos sólidos, estabelecendo a responsabilidade compartilhada e fazendo com que toda a cadeia responsável pela produção de um bem ou produto de consumo se responsabilize pela destinação final do material, seja com o objetivo de reciclá-lo, reutilizá-lo ou rejeitá-lo, este último somente caso não haja mais como aproveitá-lo para uma finalidade produtiva. Assim, produtores, fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os agentes de serviços e gestão da limpeza pública têm responsabilidade sobre o adequado encaminhamento dos produtos que tiveram seu período de utilização encerrado.

 

Foi e está sendo discutido o estabelecimento de metas para que o Brasil tenha uma política de destinação de resíduos sólidos ambientalmente responsável. Elas incluem prazos para reduzir o percentual de resíduos reutilizáveis e recicláveis enviados para os aterros sanitários, com o objetivo de diminuir o volume de material para ampliar a vida útil desses ambientes adequados de acomodação de resíduos e estimular o reaproveitamento de substâncias; para a adoção de sistemas de logística reversa, destinada a garantir o manejo e o destino de materiais de descarte delicado, como pilhas, lâmpadas e pneus; para a viabilização de sistemas eficazes de coleta seletiva; e para a adequação dos ambientes em que são depositados os rejeitos sólidos, isto é, os materiais que não têm mais como serem reutilizados ou reciclados.

 

Sobre o último item, decidiu-se como meta que, até agosto de 2014, todos os lixões (depósitos de lixo a céu aberto que não dispõem de sistemas de proteção ambiental) sejam erradicados do País e substituídos por aterros sanitários, instalações ambientalmente adequadas para o manejo e depósito de rejeitos.

 

Para contribuir na busca de soluções, a Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP) já apresentou aos ministérios do Meio Ambiente e das Cidades um plano técnico de erradicação dos lixões no País. O prazo é de quatro anos. Está prevista a implantação de 256 aterros sanitários regionais e 192 de pequeno porte, com investimento total de R$ 2 bilhões de recursos federais para a aquisição de terrenos, projetos, licenciamentos e instalação de células para acondicionamento de resíduos e rejeitos por cinco anos. Todos os investimentos necessários para a operação, manutenção e ampliação dos aterros por um período de 20 anos partiriam da iniciativa privada. O plano prevê a formação de consórcios de municípios e o regime de contratação por PPPs (parcerias público-privadas) para a gestão dos aterros.

 

A entidade trabalha atualmente na formulação de uma proposta de abordagem jurídica para viabilizar o projeto sugerido. Essa proposta deve ser encaminhada como sugestão ao governo nos próximos dias, para dar base ao plano inicial. O certo é que, havendo vontade política e recursos federais no montante mencionado, o plano é plenamente viável e permitirá que o Brasil entre em nova fase na gestão responsável de resíduos e rejeitos.

 

A erradicação dos lixões é um tema que julgamos de extrema relevância para elevar o nível do Brasil no cenário internacional em relação à destinação final de resíduos de forma ambientalmente correta. Portanto, é com convicção que afirmamos que a questão da gestão e destinação adequadas dos resíduos sólidos gerados no Brasil será bem equacionada com a participação conjunta e solidária dos vários representantes da sociedade. Com educação, conscientização crescente e investimentos adequados e viáveis para a formação das infraestruturas necessárias, em poucos anos poderemos afirmar decididamente que o País terá condições de ser classificado como desenvolvido no trato dos resíduos sólidos.

 

Tadayuki Yoshimura Engenheiro e presidente da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP).

Fonte: Jornal da Ciência.


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Sob pressão, países iniciam novas negociações para acordo do clima

Reunião pré-COP 17 começa na segunda-feira (6), na Alemanha.
Especialistas estimam que acordo substituto de Kyoto não sairá em 2011.

Sob pressão da ONU, países desenvolvidos e em desenvolvimento voltam a se reunir a partir da próxima segunda-feira (6) em Bonn, na Alemanha, para debater a criação de um novo acordo para o clima, que substituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012 e que tentará reduzir as emissões de carbono para frear o aquecimento global.

Esta é uma das últimas reuniões entre negociadores internacionais antes da COP-17 (Conferência das Partes), que vai acontecer em Durban, na África do Sul, entre novembro e dezembro deste ano.

O clima tenso se deve à divulgação de recente estudo da Agência Internacional de Energia sobre o recorde de gases de efeito estufa liberados em 2010. O fato colocou em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aumento médio da temperatura do planeta em menos de 2ºC até 2100.

Apesar da cobrança no avanço nas negociações entre os países para a criação de um novo acordo, especialistas e representantes do governo ouvidos pelo Globo Natureza afirmam que é praticamente impossível se chegar a novas regras para reduzir as emissões em 2011. Para eles, o ‘gap’ (lacuna) entre o fim do Protocolo de Kyoto e um novo acordo para bloquear o avanço da temperatura será inevitável.

Reunião final da COP 16, realizada em Cancún, no México (Foto: Dennis Barbosa/G1)

Reunião final da COP 16, realizada em Cancún, no México (Foto: Dennis Barbosa/G1)

 

Lentidão
De acordo com o secretário nacional de Mudanças Climáticas, Eduardo Assad, a lentidão desse tipo de negociação é reflexo da falta de metas das nações desenvolvidas para reduzir as emissões de CO2.

“Deve ser levado em conta que os eventos extremos do clima começam se projetar em grandes dimensões e com mais frequência. Um exemplo é o excesso de chuvas em países tropicais, como tem acontecido no Brasil. Isto já estava previsto no relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) de 2007. Nós queremos uma posição clara sobre quais medidas tomarão nações poluidoras como os Estados Unidos e China”, afirmou Assad.

As duas potências não estão inseridas no Protocolo de Kyoto, que determina a redução das emissões dos países participantes entre 25% e 40% até 2020, comparado aos níveis de 1990. A China não faz parte porque ainda é considerada um país emergente. Já os Estados Unidos não se comprometeram ao acordo vinculante por medo de reflexos em sua economia. Apesar disso, os dois países tentam ações próprias de mitigação.

Ainda segundo Assad, o Brasil tem tomado providências para finalizar os planos setoriais de corte de emissões, inseridos na lei de mudanças climáticas. Neles, constam como o Brasil vai reduzir as emissões de gases entre 36,1% a 38,9% até 2020 com ações de redução no desmate da Amazônia e do Cerrado, implementações de regras na agropecuária, no setor de energia e na indústria.

Mandato
Segundo Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo e que foi vice-presidente do IPCC durante a elaboração do Protocolo de Kyoto, a partir da reunião de Bonn, teria que começar um diálogo que se concretizasse na COP 17 sobre a emissão de um ‘mandato de transição’, ordem que dá início oficialmente para elaborar um novo acordo climático.

“Somente a partir deste ponto é que se conseguirá um protocolo que vai substituir Kyoto. Pelo que percebo das reuniões que antecederam esta da Alemanha, isto não deve acontecer. Fica claro que nada vai sair até 2012 e que um novo acordo não vai existir”, afirmou.

De acordo com Gylvan, o que poderá se discutir é a manutenção provisória de Kyoto, o que pode colocar em xeque a metodologia de negociação da ONU, já questionada nas cúpulas anteriores devido à falta de resultados. “É preciso fazer alguma coisa agora, para que as emissões diminuam em até 40 anos e a temperatura não aumente até 2100. As decisões de hoje refletem no futuro”, afirmou.

Cancún
Durante a COP 16, realizada em 2010, no México, países membros de Kyoto, como Japão, Rússia e Canadá, rejeitaram a continuidade do protocolo, exigindo que mais países aderissem às regras. No ‘Acordo de Cancún’, ficou estabelecido que esses países continuariam a discutir o tema em 2011.

Além disso, o documento previa a criação de um Fundo Verde (pacote de financiamento de US$ 100 bilhões anuais até 2020 para nações pobres) e mecanismos de Redd (redução de emissões por desmatamento e devastação florestal) pelos quais países desenvolvidos financiarão os em desenvolvimento para conservarem suas florestas, o que pode beneficiar o Brasil.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, em São Paulo.


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Emissões batem recorde em 2010 e ameaçam meta de combate a aquecimento

Segundo Agência Internacional de Energia, total de emissões se aproxima de limite para controlar mudanças climáticas.

As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.

A agência estimou ainda que 80% das emissões projetadas para 2020 no setor de energia já estão comprometidas, por virem de usinas elétricas atualmente instaladas ou em construção.

“O significativo aumento das emissões de CO2 e o comprometimento das emissões futuras por conta de investimentos de infraestrutura representam um grave revés para nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura para não mais de 2 graus Celsius”, afirmou Faith Birol, economista-chefe da AIE e responsável pelo relatório anual da entidade World Energy Outlook.

Limite
A meta de limitar o aumento global das temperaturas médias em 2 graus foi estabelecida durante a conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada no ano passado em Cancún. O limite foi estabelecido de acordo com um relatório técnico que indicava que se a temperatura global aumentar mais que 2 graus as consequências podem ser irreversíveis e devastadoras.

Segundo os cálculos da AIE, a quantidade de CO2 emitida no mundo atingiu 30,6 gigatoneladas no ano passado, um aumento de 1,6 gigatoneladas em relação ao ano anterior. A AIE estimou que para limitar o aquecimento dentro dos limites aceitáveis, as emissões globais não devem ultrapassar as 32 gigatoneladas até 2020.

Se o crescimento das emissões neste ano igualar o do ano passado, esse limite já terá sido ultrapassado, nove anos antes do prazo.

“O mundo chegou incrivelmente perto do limite de emissões que não deveriam ser alcançadas até 2020 para a meta de 2 graus ser atingida. Dada a redução do espaço para manobras até 2020, ao menos que decisões fortes e decisivas sejam tomadas logo, será extremamente difícil conseguir alcançar a meta global acertada em Cancún”, diz Birol.

Segundo a AIE, os países considerados desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento global das emissões.

Países em desenvolvimento, principalmente China e Índia, registraram um aumento muito maior de suas emissões, acompanhando seu crescimento econômico acelerado.

Quando consideradas as emissões per capita, porém, os países desenvolvidos tiveram uma emissão média de 10 toneladas por pessoa, enquanto na China foram 5,8 toneladas per capita e, na Índia, 1,5 toneladas.

Fonte: da BBC.


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