21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Artista recria obra de Da Vinci no Ártico por alerta à mudança do clima

Obra encomendada por ONG chama atenção para aquecimento global.
Gelo no Ártico atingiu o recorde mínimo de espessura, segundo cientistas.

Imagem divulgada nesta quarta-feira (7) mostra reprodução da obra “O Homem Vitruviano”, de Leonardo Da Vinci, recriada pelo artista John Quigley no Oceano Ártico em 29 de agosto deste ano.

O trabalho foi encomendado pela organização ambiental Greenpeace, que quer destacar o derretimento do Ártico e a necessidade de uma decisão dos líderes mundiais sobre medidas urgentes contra as mudanças climáticas.

Informações divulgadas nesta semana apontam que a quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado.

O estudo, que será divulgado em breve, estima que a cobertura de gelo nesta região no ano passado, calculada com base na sua espessura e extensão, foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

da vinci (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

Ativistas do Greenpeace circundam reprodução da obra "O Homem Vitruviano", de Leonardo Da Vinci, que foi recriada no Oceano Ártico (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

da vinci (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

A intenção da organização ambiental foi alertar os líderes mundiais para o derretimento do gelo da região, causado pelo aquecimento global (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

Fonte: Globo Natureza, Sã Paulo


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática reduzirá água disponível para agricultura

A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) advertiu nesta quinta-feira que a mudança climática terá graves consequências na disponibilidade de água destinada à produção de alimentos e na produtividade dos cultivos durante as próximas décadas.

Estas são algumas das conclusões do estudo “Mudança climática, água e segurança alimentar”, elaborado pela FAO, segundo informou a agência em comunicado divulgado hoje em Roma.

O relatório indica que deve haver uma aceleração do ciclo hidrológico do planeta, já que a alta das temperaturas elevará a taxa de evaporação de água da terra e do mar.

A chuva, segundo o estudo, aumentará nos trópicos e em latitudes mais altas, mas diminuirá nas regiões que já são secas ou semi-áridas e no interior dos grandes continentes.

Assim, o aumento da frequência das secas poderia levar à necessidade de recorrer a um maior aproveitamento de água subterrânea para suprir a demanda da produção agrícola, enquanto a redução das geleiras afetará a quantidade de água de superfície disponível para a irrigação nas principais regiões produtoras.

Segundo a FAO, o aumento das temperaturas estenderá a temporada de crescimento dos cultivos nas regiões temperadas do norte mas, por outro lado, reduzirá sua duração na maioria dos outros lugares do planeta.

Isso, unido à maior taxa de evaporação, provocará uma queda do potencial de rendimento dos cultivos e da produtividade da água.

Com o objetivo de responder aos desafios apresentados pela mudança climática, a FAO também propõe algumas iniciativas como a “contabilidade da água”, uma medição meticulosa da provisão, as transposições e as transações comerciais de água.

“A contabilidade de água na maior parte dos países em desenvolvimento é muito limitada e os processos de armazenamento ou não existem, ou são pouco desenvolvidos, ou são diferentes para cada caso”, considera o relatório.

Por este motivo, o estudo acrescenta: “Uma prioridade será ajudar os países em desenvolvimento a adquirir boas práticas para contabilizar a água e desenvolver sistemas armazenamento que sejam robustos e flexíveis”.

Fonte: DA EFE


18 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 1/4 das espécies nativas da Europa está ameaçada

Mais de um quarto do total de espécies nativas do continente europeu está ameaçado de extinção, segundo um aleta emitido recentemente pela EU (União Europeia).

O grupo inclui mamíferos, anfíbios, répteis, pássaros, borboletas e plantas.

A crise é principalmente provocada por perda de habitat, poluição, introdução de espécies de fora que ameaçam as nativas, mudança climática e pesca ilegal.

O problema também refletirá na população humana, como decorrência da devastação econômica e social, alerta o comissário de Ambiente da UE, Janez Potocnik.

As soluções apresentadas pela EU para o problema, entretanto, carecem de verbas, criticam organizações ambientalistas.

Entre as propostas da EU, estão a redução da perda de animais até 2020, que seria feita a partir de planos de gerenciamento em todas as florestas, de forma que pelo menos 15% dos ecossistemas destruídos possam se recuperar.

Segundo Ana Nieto, da organização IUCN (sigla de União Internacional para a Conservação da Natureza), a perda da biodiversidade é maior na Europa do que em outras partes do mundo porque o nível de desenvolvimento residencial e industrial é maior.

Com uma média aproximada de 70 pessoas por quilômetro quadrado, a Europa é o continente com maior densidade populacional, ficando atrás apenas da Ásia.

Fonte: DA ASSOCIATED PRESS


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas detectam aumento de carrapatos em pinguins da Antártida

Cientistas chilenos detectaram uma grande quantidade de carrapatos em pinguins da Antártida, o que poderia desencadear um aumento das doenças e uma maior mortalidade dessa espécie no caso de uma mudança climática.

A descoberta foi realizada por cientistas da Universidade de Concepción em um local próximo ao Círculo Polar Antártico, no marco da expedição anual organizada pelo Instituto Antártico Chileno (Inach), informou nesta quinta-feira (3) a instituição.

Apesar de não ser a primeira vez que carrapatos e piolhos são encontrados na Antártida, os pesquisadores se surpreenderam com grande quantidade destes parasitas em colônias de pinguins papúa.

Os carrapatos evoluíram junto com os pinguins e sua relação com estas aves é por enquanto equilibrada, mas este equilíbrio poderia ser rompido com uma mudança climática.

Esse parasita se alimenta do sangue do animal que a hospeda e por isso que pode transmitir diferentes tipos de doenças virais, bacterianas e protozoárias.

“Nossa hipótese é que este tipo de carrapato, o Ixodes uriae, teria doenças que poderiam chegar a ser grandes no futuro das povoações destas aves”,explicou o pesquisador Daniel González, que lidera o projeto.

A pesquisa pretende comparar as doenças nos carrapatos e nos pinguins em distintas latitudes, e associá-las a cenários de mudança climática.

“Nos preocupa que o aumento de temperatura possa provocar estresse nos pinguins e um maior desenvolvimento de certas doenças”, acrescentou González.

No programa, que contempla outras duas expedições ao local nos próximos dois anos, participam também as universidades Upsala e Kalmar, da Suécia, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina e a Universidade Andrés Bello do Chile.

Fonte: Portal iG


8 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre Protocolo de Kyoto pode destravar reunião de Cancún

08/12/2010

A solução da disputa entre países ricos e pobres a respeito dos cortes de emissões de poluentes é crucial para destravar o processo de negociação climática na conferência da ONU em Cancún, disse uma autoridade na terça-feira (7).

Novos textos-base da conferência, que vai de 29 de novembro a 10 de dezembro, oferecem soluções bastante díspares para o impasse que opõe Japão, Canadá e Rússia a países em desenvolvimento, que os acusam de violar promessas sobre futuros cortes nas emissões previstos no Protocolo de Kyoto.

O controle das emissões é ‘a maior questão que precisa ser resolvida de alguma forma’, disse à Reuters John Ashe, presidente da seção da conferência que discute o futuro do Protocolo de Kyoto.

Essas questões, segundo ele, ‘não são independentes uma das outras’, e um acordo sobre o Protocolo de Kyoto pode levar à aprovação de um pacote mais amplo de medidas com caráter mais pontual.

Além de discutir o futuro do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, a conferência de Cancún se destina a aprovar a criação de um novo fundo que ajude os países em desenvolvimento a mitigarem e se adaptarem à mudança climática.

O Protocolo de Kyoto exige que cerca de 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, e poupa os países em desenvolvimento de medidas obrigatórias. Japão, Rússia e Canadá dizem que não aceitarão renovar seus compromissos após 2012 se os países emergentes, como China e Índia, não forem também obrigados a reduzirem suas emissões.

Já as nações em desenvolvimento alegam que os países ricos foram os que mais se beneficiaram economicamente com as emissões de gases do efeito estufa desde a Revolução Industrial.

Ashe disse que uma das opções, mencionada em negociações anteriores, seria simplesmente prorrogar Kyoto com as metas atuais de reduções. ‘O atual período de compromisso poderia ser prorrogado enquanto resolvemos a questão do nível de ambição’, disse ele.

Tal opção ainda não foi discutida na conferência do México, que entrou agora na sua fase decisiva, com a presença de ministros do Meio Ambiente.

Um dos textos em discussão propõe que as nações emergentes responsáveis por mais de 0,5 ou 1 por cento das emissões globais, como é o caso de China e Índia, precisem apresentar informes bienais sobre suas emissões. Atualmente, só os países ricos precisam apresentar tais informes, anualmente.

As divergências entre países ricos e pobres marcam a conferência de Cancún, a exemplo do que já aconteceu no ano passado no evento de Copenhague, que por causa disso terminou sem a aprovação de um novo tratado que seja de cumprimento obrigatório para todos.

Fonte: G1


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

the green hornet divx online

No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)






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21 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores do clima dizem ter resolvido mistério da elevação do mar

Extração de águas subterrâneas explicariam parte do aumento dos níveis.
Causas da elevação do nível do oceano ainda não são totalmente conhecidas.

A extração massiva de águas subterrâneas pode resolver um mistério relacionado à elevação dos níveis do mar nas últimas décadas, pesquisadores japoneses informaram neste domingo (20).

Especialistas estimam que os níveis globais do mar tenham aumentado, em média, 1,8 milímetros por ano de 1961 a 2003, mas a grande questão é o quanto disso pode ser atribuído ao aquecimento global.

Um relatório de 2007 divulgado no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da ONU, o IPCC, atribuía a elevação de 1,1 milímetros por ano à expansão térmica dos oceanos e ao degelo das geleiras, calotas polares e calotas da Groenlândia e da Antártida. Os outros 0,7 milímetros não têm origem atribuída e acabaram se tornando um mistério para vários cientistas, que se perguntavam se os dados estavam realmente corretos.

Em um estudo publicado no jornal “Nature Geoscience”, um time de pesquisadores liderado por Yadu Pokhrel, da Universidade de Tóquio, diz que a resposta está na água que é extraída dos aquíferos subterrâneos, rios e lagos, para o desenvolvimento humano, e nunca é reposta.

Eventualmente, essa água chega ao oceano por meio de rios e da evaporação, informa o estudo. A pesquisa afirma que a extração dessa água é um componente importante para resolver o mistério da elevação dos níveis do ar.

“O uso insustentável das águas subterrâneas, represas artificiais, armazenamento terrestre de água causado pelo clima e a perda de água de bacias fechadas contribuíram para o aumento dos mares de 0,77 milímetros por ano de 1961 a 2003, cerca de 42% do aumento observado”, diz a pesquisa.

O estudo pretende preencher uma das lacunas na complexa ciência das mudanças climáticas. Os pesquisadores admitem que existem muitas incógnitas sobre as maneiras com as quais os oceanos respondem ao aquecimento, e uma delas é relacionada ao aumento dos níveis do mar.

Mesmo que pequeno, um aumento repetido ano após ano pode, eventualmente, causar um impacto dramático nas localizações que são vulneráveis a tempestades ou ao influxo de água salgada nos aquíferos e campos costeiros.

O estudo divulgado em 2007 pelo IPCC revela que os oceanos se elevarão algo entre 18 e 59 centímetros até o final do século. Apesar disso, a estimativa não leva em consideração às águas derretidas das calotas da Groenlândia e da Antártida.

Uma pesquisa publicada no ano passado pelo Projeto de Monitoramento e Avaliação do Ártico afirma que os níveis do mar subirão, pelas tendências atuais de derretimento, de 90 centímetros a 1,6 metros até 2100.

Fonte: Globo Natureza


20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Animais gigantes da Austrália foram extintos por humanos

Teoria corrente creditava desaparecimento da megafauna australiana, por volta de 40 mil anos atrás, às mudanças climáticas

Pesquisa de seis universidades australianas mostrou que os primeiros habitantes da Austrália podem ter tido o costume de caçar animais gigantes, quando chegaram, há 40 mil anos, ao território onde hoje fica o país. Com isso, os cientistas acreditam ter posto fim ao longo debate sobre como esses vertebrados de grande porte – como cangurus, gansos e lagartos gigantes – desapareceram subitamente do ecossistema australiano.

Com a extinção desses animais herbívoros, o consumo de material vegetal caiu fortemente, o que teria causado uma rápida e dramática mudança na paisagem australiana. Antes, as terras mesclavam florestas com áreas abertas de pastagem. Mas as florestas depois passaram a se espalhar, e árvores de eucalipto roubaram a cena do lugar, segundo os pesquisadores.

Sabe-se que a maioria dos grandes animais terrestres foi extinta nos últimos 100 mil anos, mas as razões para este desaparecimento são tema de constantes discussões entre cientistas. Os últimos argumentos defendiam que a diminuição dessas espécies decorreu de uma grande mudança climática ou de um incêndio generalizado. Mas pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Sciencecontradisse essa teoria.

Para resolver o mistério, os cientistas rastrearam os herbívoros de grande porte ao longo dos anos por meio de um método que analisa os esporos (unidades de reprodução) de fungos específicos que viviam em seus excrementos. “Os esporos desses fungos podem ser preservados em sedimentos em pântanos e lagos. Como os sedimentos se acumulam ao longo do tempo, é possível saber em que período da história houve ou não abundância de grandes herbívoros no ambiente”, explica Chris Johnson, líder do estudo.

Segundo o pesquisador, partículas de pólen e de carvão vegetal também ficam presas nesses sedimentos, ou seja, é possível analisar a história e a abundância dos grandes animais em relação às mudanças na vegetação do ambiente e a um possível incêndio. A pesquisa se focou, em grande parte, em um pântano chamado Lynch’s Crater, no nordeste do estado australiano de Queensland.

Os cientistas descobriram que a quantidade de mamíferos gigantes era estável até pouco antes de 40 mil anos atrás, momento em que subitamente caiu. “Isto exclui as mudanças climáticas como causa da extinção, já que antes do desaparecimento houve vários períodos de seca que não causaram nenhum efeito sobre a quantidade dos animais. E no momento em que eles foram extintos, o clima era estável”, diz Johnson.

Ainda de acordo com os dados cronológicos levantados pela pesquisa, os cientistas perceberam que a extinção se seguiu logo após o momento em que pessoas chegaram à região – também há 40 mil anos –, por isso acreditam que os seres humanos foram os responsáveis por ela. “Nosso estudo não se concentrou em descobrir diretamente de que forma as pessoas causaram a extinção, mas o mecanismo mais provável é a caça”, conclui o pesquisador.

Sthenerus

Canguru gigante australiano pertencente ao extinto gênero Sthenurus. Ele chegava a medir até três metros de comprimento, sendo aproximadamente duas vezes maior que o canguru moderno (Divulgação/Wikipedia)

Fonte: Veja Ciência


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Artista recria obra de Da Vinci no Ártico por alerta à mudança do clima

Obra encomendada por ONG chama atenção para aquecimento global.
Gelo no Ártico atingiu o recorde mínimo de espessura, segundo cientistas.

Imagem divulgada nesta quarta-feira (7) mostra reprodução da obra “O Homem Vitruviano”, de Leonardo Da Vinci, recriada pelo artista John Quigley no Oceano Ártico em 29 de agosto deste ano.

O trabalho foi encomendado pela organização ambiental Greenpeace, que quer destacar o derretimento do Ártico e a necessidade de uma decisão dos líderes mundiais sobre medidas urgentes contra as mudanças climáticas.

Informações divulgadas nesta semana apontam que a quantidade de gelo que cobre o Ártico caiu no verão boreal de 2010 ao mínimo já registrado.

O estudo, que será divulgado em breve, estima que a cobertura de gelo nesta região no ano passado, calculada com base na sua espessura e extensão, foi inferior ao recorde negativo anterior, em 2007, refletindo a tendência global de aquecimento.

da vinci (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

Ativistas do Greenpeace circundam reprodução da obra "O Homem Vitruviano", de Leonardo Da Vinci, que foi recriada no Oceano Ártico (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

da vinci (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

A intenção da organização ambiental foi alertar os líderes mundiais para o derretimento do gelo da região, causado pelo aquecimento global (Foto: Nick Cobbing/Greenpeace/Reuters)

Fonte: Globo Natureza, Sã Paulo


14 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Mudança climática reduzirá água disponível para agricultura

A FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) advertiu nesta quinta-feira que a mudança climática terá graves consequências na disponibilidade de água destinada à produção de alimentos e na produtividade dos cultivos durante as próximas décadas.

Estas são algumas das conclusões do estudo “Mudança climática, água e segurança alimentar”, elaborado pela FAO, segundo informou a agência em comunicado divulgado hoje em Roma.

O relatório indica que deve haver uma aceleração do ciclo hidrológico do planeta, já que a alta das temperaturas elevará a taxa de evaporação de água da terra e do mar.

A chuva, segundo o estudo, aumentará nos trópicos e em latitudes mais altas, mas diminuirá nas regiões que já são secas ou semi-áridas e no interior dos grandes continentes.

Assim, o aumento da frequência das secas poderia levar à necessidade de recorrer a um maior aproveitamento de água subterrânea para suprir a demanda da produção agrícola, enquanto a redução das geleiras afetará a quantidade de água de superfície disponível para a irrigação nas principais regiões produtoras.

Segundo a FAO, o aumento das temperaturas estenderá a temporada de crescimento dos cultivos nas regiões temperadas do norte mas, por outro lado, reduzirá sua duração na maioria dos outros lugares do planeta.

Isso, unido à maior taxa de evaporação, provocará uma queda do potencial de rendimento dos cultivos e da produtividade da água.

Com o objetivo de responder aos desafios apresentados pela mudança climática, a FAO também propõe algumas iniciativas como a “contabilidade da água”, uma medição meticulosa da provisão, as transposições e as transações comerciais de água.

“A contabilidade de água na maior parte dos países em desenvolvimento é muito limitada e os processos de armazenamento ou não existem, ou são pouco desenvolvidos, ou são diferentes para cada caso”, considera o relatório.

Por este motivo, o estudo acrescenta: “Uma prioridade será ajudar os países em desenvolvimento a adquirir boas práticas para contabilizar a água e desenvolver sistemas armazenamento que sejam robustos e flexíveis”.

Fonte: DA EFE


18 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mais de 1/4 das espécies nativas da Europa está ameaçada

Mais de um quarto do total de espécies nativas do continente europeu está ameaçado de extinção, segundo um aleta emitido recentemente pela EU (União Europeia).

O grupo inclui mamíferos, anfíbios, répteis, pássaros, borboletas e plantas.

A crise é principalmente provocada por perda de habitat, poluição, introdução de espécies de fora que ameaçam as nativas, mudança climática e pesca ilegal.

O problema também refletirá na população humana, como decorrência da devastação econômica e social, alerta o comissário de Ambiente da UE, Janez Potocnik.

As soluções apresentadas pela EU para o problema, entretanto, carecem de verbas, criticam organizações ambientalistas.

Entre as propostas da EU, estão a redução da perda de animais até 2020, que seria feita a partir de planos de gerenciamento em todas as florestas, de forma que pelo menos 15% dos ecossistemas destruídos possam se recuperar.

Segundo Ana Nieto, da organização IUCN (sigla de União Internacional para a Conservação da Natureza), a perda da biodiversidade é maior na Europa do que em outras partes do mundo porque o nível de desenvolvimento residencial e industrial é maior.

Com uma média aproximada de 70 pessoas por quilômetro quadrado, a Europa é o continente com maior densidade populacional, ficando atrás apenas da Ásia.

Fonte: DA ASSOCIATED PRESS


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas detectam aumento de carrapatos em pinguins da Antártida

Cientistas chilenos detectaram uma grande quantidade de carrapatos em pinguins da Antártida, o que poderia desencadear um aumento das doenças e uma maior mortalidade dessa espécie no caso de uma mudança climática.

A descoberta foi realizada por cientistas da Universidade de Concepción em um local próximo ao Círculo Polar Antártico, no marco da expedição anual organizada pelo Instituto Antártico Chileno (Inach), informou nesta quinta-feira (3) a instituição.

Apesar de não ser a primeira vez que carrapatos e piolhos são encontrados na Antártida, os pesquisadores se surpreenderam com grande quantidade destes parasitas em colônias de pinguins papúa.

Os carrapatos evoluíram junto com os pinguins e sua relação com estas aves é por enquanto equilibrada, mas este equilíbrio poderia ser rompido com uma mudança climática.

Esse parasita se alimenta do sangue do animal que a hospeda e por isso que pode transmitir diferentes tipos de doenças virais, bacterianas e protozoárias.

“Nossa hipótese é que este tipo de carrapato, o Ixodes uriae, teria doenças que poderiam chegar a ser grandes no futuro das povoações destas aves”,explicou o pesquisador Daniel González, que lidera o projeto.

A pesquisa pretende comparar as doenças nos carrapatos e nos pinguins em distintas latitudes, e associá-las a cenários de mudança climática.

“Nos preocupa que o aumento de temperatura possa provocar estresse nos pinguins e um maior desenvolvimento de certas doenças”, acrescentou González.

No programa, que contempla outras duas expedições ao local nos próximos dois anos, participam também as universidades Upsala e Kalmar, da Suécia, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina e a Universidade Andrés Bello do Chile.

Fonte: Portal iG


8 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre Protocolo de Kyoto pode destravar reunião de Cancún

08/12/2010

A solução da disputa entre países ricos e pobres a respeito dos cortes de emissões de poluentes é crucial para destravar o processo de negociação climática na conferência da ONU em Cancún, disse uma autoridade na terça-feira (7).

Novos textos-base da conferência, que vai de 29 de novembro a 10 de dezembro, oferecem soluções bastante díspares para o impasse que opõe Japão, Canadá e Rússia a países em desenvolvimento, que os acusam de violar promessas sobre futuros cortes nas emissões previstos no Protocolo de Kyoto.

O controle das emissões é ‘a maior questão que precisa ser resolvida de alguma forma’, disse à Reuters John Ashe, presidente da seção da conferência que discute o futuro do Protocolo de Kyoto.

Essas questões, segundo ele, ‘não são independentes uma das outras’, e um acordo sobre o Protocolo de Kyoto pode levar à aprovação de um pacote mais amplo de medidas com caráter mais pontual.

Além de discutir o futuro do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, a conferência de Cancún se destina a aprovar a criação de um novo fundo que ajude os países em desenvolvimento a mitigarem e se adaptarem à mudança climática.

O Protocolo de Kyoto exige que cerca de 40 países desenvolvidos reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, e poupa os países em desenvolvimento de medidas obrigatórias. Japão, Rússia e Canadá dizem que não aceitarão renovar seus compromissos após 2012 se os países emergentes, como China e Índia, não forem também obrigados a reduzirem suas emissões.

Já as nações em desenvolvimento alegam que os países ricos foram os que mais se beneficiaram economicamente com as emissões de gases do efeito estufa desde a Revolução Industrial.

Ashe disse que uma das opções, mencionada em negociações anteriores, seria simplesmente prorrogar Kyoto com as metas atuais de reduções. ‘O atual período de compromisso poderia ser prorrogado enquanto resolvemos a questão do nível de ambição’, disse ele.

Tal opção ainda não foi discutida na conferência do México, que entrou agora na sua fase decisiva, com a presença de ministros do Meio Ambiente.

Um dos textos em discussão propõe que as nações emergentes responsáveis por mais de 0,5 ou 1 por cento das emissões globais, como é o caso de China e Índia, precisem apresentar informes bienais sobre suas emissões. Atualmente, só os países ricos precisam apresentar tais informes, anualmente.

As divergências entre países ricos e pobres marcam a conferência de Cancún, a exemplo do que já aconteceu no ano passado no evento de Copenhague, que por causa disso terminou sem a aprovação de um novo tratado que seja de cumprimento obrigatório para todos.

Fonte: G1


1 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Acordo sobre florestas em conferência de Cancún beneficiaria Brasil

A criação de instrumentos para promover a redução de emissões por desmatamento e degradação (conhecidos pela sigla REDD) em países em desenvolvimento tem boas chances de ser um dos resultados práticos da conferência das Nações Unidas sobre mudança climática em Cancún, no México. Um acordo na área pode significar o aporte de bilhões dólares ao Brasil, com suas vastas reservas florestais.

Se aprovados, instrumentos de REDD+ (o sinal acrescenta a remuneração de atividades que levem a conservação de florestas, manejo sustentável e reforço de estoques de carbono de florestas em países em desenvolvimento) poderiam canalizar este dinheiro de um fundo específico financiado por governos, bem como da iniciativa privada ou mercados de carbono e verbas para mitigação (redução de emissões).

O Brasil tem grande interesse em uma implementação relativamente rápida de REDD, tanto que deve assumir a liderança, ao lado da França, do grupo internacional Parceria REDD – criado neste ano com quase 70 países para viabilizar mecanismos REDD no mundo.

Uma vez aprovada uma estrutura internacional de REDD, o país pode sair na frente por ter mais de 20 projetos pioneiros já em prática.

Talvez o mais conhecido e bem-sucedido seja o projeto Juma, da Fundação Amazonas Sustentável, que já possibilita o sustento de 338 famílias na Reserva de Juma, no Amazonas.

Moeda de troca – Desde a conferência de Copenhague, em 2009, negociadores admitem que as discussões estão em uma fase adiantada, faltando pouco mais que definições de forma no texto.

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No entanto, por fazer parte das complexas negociações por um acordo mais abrangente, o tema pode acabar sendo usado como moeda de troca entre os negociadores.

‘Os países utilizarão a REDD como peça no jogo de xadrez que gire em volta das outras negociações, principalmente o financiamento e as metas de redução de emissões. De fato um acordo sobre REDD não trará benefícios para o planeta sem um compromisso firme para reduzir as emissões globais’, afirmou à BBC Brasil Raja Jarrah, especialista em REDD da organização não-governamental Care International.

‘Podem sim fechar um acordo específico sobre REDD em Cancún, mas seria parcial e deixaria muito a desejar.’

Sem um mecanismo internacional que norteie as iniciativas florestais, tanto o financiamento quanto a própria estrutura dos projetos ficam indefinidas.

Apesar da grande expectativa por um acordo parcial de REDD, há também quem seja contra o mecanismo. Muitos ativistas temem que projetos REDD acabem levando à expulsão de comunidades indígenas ou nativas de florestas.

Riscos – A ONG Friends of the Earth International considera o mecanismo ‘perigoso’ já que poderia incentivar o agronegócio e o setor madeireiro.

‘O estímulo à plantações de árvores é baseado nas falsas promessas de criação de empregos, desenvolvimento sustentável, mitigação de mudanças climáticas e proteção da biodiversidade. Mas testemunhos e estudos de caso (reunidos pela ONG) mostram que plantações têm impactos muito severos sobre a população e a natureza locais’, afirmou um dos coordenadores do grupo, Sebastian Valdomir.

Mesmo a Care, que apoia iniciativas REDD em tese, alerta para o risco de uma versão ‘aguada’ do mecanismo.

Os ativistas dizem que no esforço por acomodar interesses distintos durante o encontro de Cancún, corre-se o risco de ‘nivelar tudo por baixo’.

‘Tecnicamente seria relativamente fácil encontrar uma forma de palavras que agrade a todos’, afirmou Raja Jarrah, acrescentando que elementos importantes poderiam ser deixados de lado, como a obrigação de monitorar salvaguardas sociais e ambientais.

‘Aí teríamos um mecanismo que facilita o fluxo de finanças e o negócio de carbono, mas que deixa as populações que dependem da floresta expostos a exploração.’

A 16ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas começou na segunda-feira, 29 de novembro, e vai até o dia 10 de dezembro.

Poucos esperam que um acordo abrangente saia do encontro no México. A expectativa é de que representantes de mais de 190 países pavimentem um possível acordo para o encontro de 2011, na África do Sul.

(Fonte: G1)