26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Em lista de animais mais ameaçados de extinção, cinco são brasileiros

Pela primeira vez, uma rede de 8000 pesquisadores ligados à União Internacional de Conservação da Natureza, compilou uma lista das 100 espécies de animais, plantas e fungos mais ameaçados de extinção no mundo.

Nesta lista constam cinco espécies de animais brasileiros:

O soldadinho-do-Araripe, ave cuja população é estimada em 779 espécimes. É encontrado apenas numa área de 28 km2, na Chapada do Araripe, no Ceará.

A Preá Cavia intermedia, considerada a espécie de mamífero mais rara do mundo, com uma população de cerca de 60 espécimes. Só existe nas Ilhas Moleques do Sul, arquipélago próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.

O Muriqui-do-Norte, o maior primata das Américas, só existe na Mata Atlântica. Estima-se que existem menos de 1000 deles.

A borboleta Actinote zikani, espécie que habita áreas próximas à serra do mar, na Mata Atlântica.

A borboleta Parides burchellanus, espécie encontrada no Cerrado. População estimada de menos de 100.

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará. Ciro Albano/France Presse

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica.

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica. Luciano Candisani

Fonte: Folha.com


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

População de macacos ameaçados de extinção cresce cinco vezes em reserva

Aumento da população de muriquis-do-norte, o maior primata do Brasil, é resultado de 30 anos de trabalho em reserva de Caratinga, em Minas Gerais

Após 30 anos de trabalho na Reserva do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, Minas Gerais, os números apresentados pela antropóloga Karen Strier, da Universidade de Wisconsin-Madison, mostram uma história bem-sucedida de preservação. No período, a população de macacos muriquis-do-norte que habita a reserva localizada no município mineiro de Caratinga aumentou cinco vezes, de 60 para 300 indivíduos. Os resultados foram divulgados na edição desta semana do periódico científico PLOS ONE.

Como se trata de uma espécie “criticamente em perigo de extinção, cuja população conhecida não passa de 1.000 animais espalhados por uma dúzia de diferentes fragmentos da Mata Atlântica em Minas Gerais e no Espírito Santo, o salto populacional é, numa primeira leitura, animador. “Para um macaco ameaçado de extinção, é muito positivo”, avalia o professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo Sérgio Lucena, que há 10 anos acompanha as pesquisas de Karen em Caratinga.

Estudo detalhado — O professor explica, no entanto, que a importância do estudo publicado pela antropóloga em parceria com o ecologista e matemático Anthony Ives naPLOS ONE vai além da surpreendente recuperação de muriquis-do-norte na reserva. O texto de Karen sintetiza três décadas de acompanhamento demográfico dessa espécie em Caratinga, um nível de detalhamento que só existe em outras seis reservas de primatas no mundo. Isso significa, afirma o professor da Federal do Espírito Santo, que a reserva pode se tornar um modelo de estudo sobre o comportamento demográfico de primatas que correm risco de desaparecer. “Esse trabalho apresentou alguns resultados que fogem dos padrões teóricos esperados. Saber se espécies ameaçadas de extinção podem se comportar de forma inesperada é muito importante”, afirma.

Entre as tendências demográficas consideradas fora do padrão, uma das mais interessantes foi o crescimento simultâneo das taxas de fertilidade (a quantidade de filhotes que cada fêmea gera) e mortalidade. Afinal, um maior número de macacos disputando os mesmos recursos em área limitada – a reserva Feliciano Miguel Abdala conta com pouco mais de 900 hectares – tenderia a conter a fertilidade. Aconteceu exatamente o contrário. Por quê?

Uma das teorias levantadas pela antropóloga para justificar o fenômeno é que foi observada, nas últimas décadas, uma mudança de habitat. Não havendo alimentos para o novo contingente populacional no topo das árvores, os macacos passaram a buscar comida também no solo. Isso aumentou a fecundidade das fêmeas, mas teria sido incapaz de conter o aumento da mortalidade porque, no chão, os muriquis são alvos mais fáceis para jaguatiricas e onças pardas, além de estarem sujeitos a mais doenças pela ingestão de frutos podres. A pesquisa calcula que, caso a fertilidade tivesse seguido a “teoria” e retraído, o grupo desses macacos seria hoje de 200 indivíduos em Caratinga.

Onde estão as fêmeas? — Outro comportamento imprevisto constatado foi uma súbita inversão na proporção entre machos e fêmeas. Nos primeiros anos, um terço dos nascimentos era de macacos machos. Hoje, essa razão é de dois terços. “Nos primeiros dez anos, nasceram mais fêmeas do que machos. Isso fez com que a fertilidade global do grupo aumentasse muito”, diz Lucena. Ele afirma que, como se trata de um número reduzido de macacos, essa inversão pode ter ocorrido por acaso, sem qualquer interferência externa.

Com esses dois fatores, a tendência é que a população de muriquis-do-norte agora pare de crescer, podendo até declinar. “Uma população pequena, num desses declínios, pode não conseguir se reestabelecer”, afirma Lucena. Falando ao site da universidade de Winsconsin, Karen sugeriu uma solução. “Sabemos exatamente o que precisa ser feito apara aliviar isso: expandir a área da reserva.”

Saiba mais

MURIQUI-DO-NORTE
O muriqui-do-norte, o maior primata do Brasil, tem como habitat áreas de Mata Atlântica. Ameaçado de extinção, os cerca de mil remanescentes da espécie se concentram nos estados do Espírito Santos e de Minas Gerais. Eles têm hábitos diurnos e se alimentam de folhas, frutos, flores e outras partes vegetais.

Muriqui-do-norte

Muriqui-do-norte: maior primata do Brasil, tem como habitat áreas de Mata Atlântica (Reprodução)

Fonte: Veja Ciência


8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Mães influenciam na vida sexual de macacos machos, sugere estudo

Muriqui-do-norte é uma espécie nativa da Mata Atlântica.
Objetivo é evitar que animal cruze com parentes.

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

O muriqui-do-norte, um macaco nativo da Mata Atlântica e ameaçado de extinção, tem hábitos de vida bem diferente de outros grupos de primatas. Uma pesquisa publicada pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere mais peculiaridade: as mães podem ter influência sobre a vida sexual dos filhos.

A sociedade dos muriquis-do-norte pode ser considerada utópica se comparada à de outras espécies, como babuínos e gorilas. Não existe um “macho alfa”, um animal que se impõe sobre os demais. Não há hierarquia entre os machos e a violência entre eles é uma cena muito rara.

Esse comportamento que os cientistas já conheciam ganhou mais uma confirmação, com dados genéticos. Os pesquisadores fizeram testes de DNA entre os indivíduos de um grupo para descobrir a paternidade dos macacos – esses animais são polígamos – e descobriram que a grande maioria dos machos consegue ter filhos.

O macho que teve mais filhos é pai de 18% da prole, número considerado baixo, que confirma que essa sociedade é igualitária. Nas espécies em que existe hierarquia, essa taxa pode chegar a 85%. Os dados foram obtidos em macacos da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, no município de Caratinga, no leste de Minas Gerais, a 295 km de Belo Horizonte.

“O resultado que nós temos agora é uma confirmação inédita de que a nossa expectativa sobre o comportamento [do muriqui-do-norte] estava certa”, afirma Karen Strier, pesquisadora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, responsável pelo estudo.

A influência da mãe
São também esses dados que levam à hipótese de que as mães têm participação na vida sexual dos filhos. O muriqui-do-norte macho passa a vida inteira no grupo em que nasceu. Já a fêmea, geralmente migra ainda jovem e se junta a outro bando, onde passa a viver.

Ainda assim, haveria o risco de que macacos com parentesco próximo se acasalassem, o que comprometeria o número de filhos de um macho. Como, em geral, os machos obtêm sucesso e conseguem ter filhos, os pesquisadores acreditam que haja influência da mãe. Segundo sugere o estudo, é ela quem indica a fêmea com quem o filho deve se relacionar, eliminando da lista as que possam ter algum parentesco.

 

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, São Paulo






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26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Em lista de animais mais ameaçados de extinção, cinco são brasileiros

Pela primeira vez, uma rede de 8000 pesquisadores ligados à União Internacional de Conservação da Natureza, compilou uma lista das 100 espécies de animais, plantas e fungos mais ameaçados de extinção no mundo.

Nesta lista constam cinco espécies de animais brasileiros:

O soldadinho-do-Araripe, ave cuja população é estimada em 779 espécimes. É encontrado apenas numa área de 28 km2, na Chapada do Araripe, no Ceará.

A Preá Cavia intermedia, considerada a espécie de mamífero mais rara do mundo, com uma população de cerca de 60 espécimes. Só existe nas Ilhas Moleques do Sul, arquipélago próximo a Florianópolis, em Santa Catarina.

O Muriqui-do-Norte, o maior primata das Américas, só existe na Mata Atlântica. Estima-se que existem menos de 1000 deles.

A borboleta Actinote zikani, espécie que habita áreas próximas à serra do mar, na Mata Atlântica.

A borboleta Parides burchellanus, espécie encontrada no Cerrado. População estimada de menos de 100.

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará

Soldadinho-do-Araripe, espécie de ave ameaçada de extinção, só encontrada no Ceará. Ciro Albano/France Presse

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica.

O muriqui-do-norte, o maior primata das Américas, que vive na copa das altas árvores da mata atlântica. Luciano Candisani

Fonte: Folha.com


26 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

População de macacos ameaçados de extinção cresce cinco vezes em reserva

Aumento da população de muriquis-do-norte, o maior primata do Brasil, é resultado de 30 anos de trabalho em reserva de Caratinga, em Minas Gerais

Após 30 anos de trabalho na Reserva do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga, Minas Gerais, os números apresentados pela antropóloga Karen Strier, da Universidade de Wisconsin-Madison, mostram uma história bem-sucedida de preservação. No período, a população de macacos muriquis-do-norte que habita a reserva localizada no município mineiro de Caratinga aumentou cinco vezes, de 60 para 300 indivíduos. Os resultados foram divulgados na edição desta semana do periódico científico PLOS ONE.

Como se trata de uma espécie “criticamente em perigo de extinção, cuja população conhecida não passa de 1.000 animais espalhados por uma dúzia de diferentes fragmentos da Mata Atlântica em Minas Gerais e no Espírito Santo, o salto populacional é, numa primeira leitura, animador. “Para um macaco ameaçado de extinção, é muito positivo”, avalia o professor de zoologia da Universidade Federal do Espírito Santo Sérgio Lucena, que há 10 anos acompanha as pesquisas de Karen em Caratinga.

Estudo detalhado — O professor explica, no entanto, que a importância do estudo publicado pela antropóloga em parceria com o ecologista e matemático Anthony Ives naPLOS ONE vai além da surpreendente recuperação de muriquis-do-norte na reserva. O texto de Karen sintetiza três décadas de acompanhamento demográfico dessa espécie em Caratinga, um nível de detalhamento que só existe em outras seis reservas de primatas no mundo. Isso significa, afirma o professor da Federal do Espírito Santo, que a reserva pode se tornar um modelo de estudo sobre o comportamento demográfico de primatas que correm risco de desaparecer. “Esse trabalho apresentou alguns resultados que fogem dos padrões teóricos esperados. Saber se espécies ameaçadas de extinção podem se comportar de forma inesperada é muito importante”, afirma.

Entre as tendências demográficas consideradas fora do padrão, uma das mais interessantes foi o crescimento simultâneo das taxas de fertilidade (a quantidade de filhotes que cada fêmea gera) e mortalidade. Afinal, um maior número de macacos disputando os mesmos recursos em área limitada – a reserva Feliciano Miguel Abdala conta com pouco mais de 900 hectares – tenderia a conter a fertilidade. Aconteceu exatamente o contrário. Por quê?

Uma das teorias levantadas pela antropóloga para justificar o fenômeno é que foi observada, nas últimas décadas, uma mudança de habitat. Não havendo alimentos para o novo contingente populacional no topo das árvores, os macacos passaram a buscar comida também no solo. Isso aumentou a fecundidade das fêmeas, mas teria sido incapaz de conter o aumento da mortalidade porque, no chão, os muriquis são alvos mais fáceis para jaguatiricas e onças pardas, além de estarem sujeitos a mais doenças pela ingestão de frutos podres. A pesquisa calcula que, caso a fertilidade tivesse seguido a “teoria” e retraído, o grupo desses macacos seria hoje de 200 indivíduos em Caratinga.

Onde estão as fêmeas? — Outro comportamento imprevisto constatado foi uma súbita inversão na proporção entre machos e fêmeas. Nos primeiros anos, um terço dos nascimentos era de macacos machos. Hoje, essa razão é de dois terços. “Nos primeiros dez anos, nasceram mais fêmeas do que machos. Isso fez com que a fertilidade global do grupo aumentasse muito”, diz Lucena. Ele afirma que, como se trata de um número reduzido de macacos, essa inversão pode ter ocorrido por acaso, sem qualquer interferência externa.

Com esses dois fatores, a tendência é que a população de muriquis-do-norte agora pare de crescer, podendo até declinar. “Uma população pequena, num desses declínios, pode não conseguir se reestabelecer”, afirma Lucena. Falando ao site da universidade de Winsconsin, Karen sugeriu uma solução. “Sabemos exatamente o que precisa ser feito apara aliviar isso: expandir a área da reserva.”

Saiba mais

MURIQUI-DO-NORTE
O muriqui-do-norte, o maior primata do Brasil, tem como habitat áreas de Mata Atlântica. Ameaçado de extinção, os cerca de mil remanescentes da espécie se concentram nos estados do Espírito Santos e de Minas Gerais. Eles têm hábitos diurnos e se alimentam de folhas, frutos, flores e outras partes vegetais.

Muriqui-do-norte

Muriqui-do-norte: maior primata do Brasil, tem como habitat áreas de Mata Atlântica (Reprodução)

Fonte: Veja Ciência


8 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Mães influenciam na vida sexual de macacos machos, sugere estudo

Muriqui-do-norte é uma espécie nativa da Mata Atlântica.
Objetivo é evitar que animal cruze com parentes.

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

Muriqui-do-norte (Foto: Reprodução/TV Globo)

O muriqui-do-norte, um macaco nativo da Mata Atlântica e ameaçado de extinção, tem hábitos de vida bem diferente de outros grupos de primatas. Uma pesquisa publicada pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) sugere mais peculiaridade: as mães podem ter influência sobre a vida sexual dos filhos.

A sociedade dos muriquis-do-norte pode ser considerada utópica se comparada à de outras espécies, como babuínos e gorilas. Não existe um “macho alfa”, um animal que se impõe sobre os demais. Não há hierarquia entre os machos e a violência entre eles é uma cena muito rara.

Esse comportamento que os cientistas já conheciam ganhou mais uma confirmação, com dados genéticos. Os pesquisadores fizeram testes de DNA entre os indivíduos de um grupo para descobrir a paternidade dos macacos – esses animais são polígamos – e descobriram que a grande maioria dos machos consegue ter filhos.

O macho que teve mais filhos é pai de 18% da prole, número considerado baixo, que confirma que essa sociedade é igualitária. Nas espécies em que existe hierarquia, essa taxa pode chegar a 85%. Os dados foram obtidos em macacos da Reserva Particular do Patrimônio Natural Feliciano Miguel Abdala, no município de Caratinga, no leste de Minas Gerais, a 295 km de Belo Horizonte.

“O resultado que nós temos agora é uma confirmação inédita de que a nossa expectativa sobre o comportamento [do muriqui-do-norte] estava certa”, afirma Karen Strier, pesquisadora da Universidade de Wisconsin, nos EUA, responsável pelo estudo.

A influência da mãe
São também esses dados que levam à hipótese de que as mães têm participação na vida sexual dos filhos. O muriqui-do-norte macho passa a vida inteira no grupo em que nasceu. Já a fêmea, geralmente migra ainda jovem e se junta a outro bando, onde passa a viver.

Ainda assim, haveria o risco de que macacos com parentesco próximo se acasalassem, o que comprometeria o número de filhos de um macho. Como, em geral, os machos obtêm sucesso e conseguem ter filhos, os pesquisadores acreditam que haja influência da mãe. Segundo sugere o estudo, é ela quem indica a fêmea com quem o filho deve se relacionar, eliminando da lista as que possam ter algum parentesco.

 

Fonte: Tadeu Meniconi, G1, São Paulo