10 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1






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Bióloga usa ninhos artificiais e atrai pássaros a mata incendiada na USP

Animais que voltam ao local trazem sementes e ajudam recuperar floresta.
Banco genético da USP de Ribeirão Preto chegou a abrigar 130 espécies.

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada em Ribeirão  (Foto: Reprodução EPTV)

Bióloga criou ninhos artificiais para atrair pássaros para área degragada (Foto: Reprodução EPTV)

Nove meses atrás, a bióloga Ana Carla Aquino, de 37 anos, se deparou com uma cena que ficou marcada na memória. “Vi um casal de nhambus morrer ao proteger o ninho com filhotes das chamas”, lembra sobre o incêndio que destruiu 83 hectares de mata preservada e afugentou 130 espécies de aves da floresta da USP deRibeirão Preto (SP) em agosto de 2011.

O episódio - que posteriormente foi apontado como criminoso pelo Ibama - motivou a técnica do laboratório de Zoologia e Vertebrados da universidade a colocar em prática a ideia de construir ninhos artificiais, como forma de atrair pássaros ao espaço degradado. Ao todo, já foram instaladas 25 caixas de madeira e bambu, produzidas em diferentes tamanhos, com tampa articulável. Até julho, o número deve dobrar.

Além de ganhar a confiança das aves expulsas de seu habitat e aumentar a biodiversidade da área, o projeto desenvolvido voluntariamente visa obter novas informações para um estudo sobre reprodução animal. “A gente tinha essa ideia antes do incêndio, como uma forma de estudar os aspectos reprodutivos. Com o incêndio, resolvemos adiantar isso”, afirma a pesquisadora ao G1.

Embora não haja um levantamento sobre o número de espécies que voltaram a ocupar o banco genético, exemplares de maritacas, pica-paus, papagaios, periquitos, corujas-do-mato, entre outros, voltaram a sobrevoar o campus.

Mas os resultados mais expressivos da ideia devem ser percebidos a partir do segundo ano do projeto, de acordo com a bióloga, através de um processo natural de reconhecimento e adaptação dos pássaros.

“A gente espera que as aves comecem a ficar mais à vontade com a mudança no ambiente”, diz. De acordo com Ana Carla, os ninhos artificiais também contribuem, de certa forma, para a recuperação da mata no local. “Ao voltarem para cá, as aves trazem sementes”, explica.

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em agosto de 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Área verde da USP chegou a abrigar 130 espécies de aves até incêndio em 2011. (Foto: Reprodução EPTV)

Fonte: Rodolfo Tiengo, G1