23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

ONU marca Dia Internacional da Biodiversidade com alerta sobre água

O tema do Dia Internacional da Biodiversidade foi escolhido para marcar o Ano Internacional de Cooperação da Água, comemorado durante todo 2013. Imagem:agenda21comperj

A ONU (Organização das Nações Unidas) comemorou o Dia Internacional da Biodiversidade nesta quarta-feira (22) lançando um alerta sobre a situação da demanda futura pela água.

Em mensagem, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, lembrou do tema deste ano, “Água e Biodiversidade”, ao dizer que apesar da abundância do recurso, o planeta conta apenas com uma pequena quantidade de água fresca. O tema do Dia Internacional da Biodiversidade foi escolhido para marcar o Ano Internacional de Cooperação da Água, comemorado durante todo 2013.

Em várias partes do mundo, a demanda por água ultrapassa o fornecimento, e a qualidade do recurso ainda é um problema em muitos países. Ban lembrou que a biodiversidade e o ecossistema são fundamentais no alcance de uma visão de um mundo com água para todos.

Ele citou, ainda, o papel das florestas que ajudam a regular a erosão do solo e proteger a qualidade e o fornecimento de água.

Plano para 2020 – Para promover mais proteção, a Convenção sobre Diversidade Biológica emitiu um plano estratégico que vai até 2020 sobre o tema.

O Secretário-Geral lembrou os compromissos firmados durante a Rio+20, no Rio de Janeiro, sobre a necessidade de se manter a quantidade e a qualidade da água em programas de governo.

Ele pediu aos países que ainda não ratificaram o Protocolo de Nagoia de acesso a recursos genéticos que o façam.

 

(Fonte: UOL)


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Apesar de incertezas, dados sobre aquecimento estão cada vez mais fortes

Paulo Artaxo, físico da USP e membro do IPCC, o painel do clima da ONU, mostra o rascunho de um dos capítulos do próximo relatório do grupo, a ser lançado no ano que vem. O gráfico, uma estimativa da influência das nuvens e dos aerossóis (partículas em suspensão no ar) sobre o clima da Terra, pode parecer decepcionante para quem quer respostas prontas da ciência. Do último relatório do IPCC (de 2007) para cá, a incerteza sobre esse fator aumentou, em vez de cair.

Paradoxalmente, diz ele, isso se deu porque a ciência do clima melhorou, incorporando cada vez mais a complexidade da natureza em seus modelos computacionais, usados para prever como será a Terra do futuro.

O resultado desses avanços não deve fazer os céticos sobre o aquecimento global cantarem vitória. Incertezas à parte, é muito difícil abalar a alta probabilidade de que, ao longo deste século, o planeta vai esquentar mais alguns graus Celsius (algo entre 2º C e 5º C).

“Eu não acredito que isso seja um cenário de fim de mundo, mas as consequências sociais e econômicas vão ser sérias”, sentencia Artaxo.

Ele e outros pesquisadores de destaque da área, ouvidos pela Folha, são unânimes em dar de ombros diante do recente mea culpa do britânico James Lovelock.

GAIA E CIÊNCIA

Criador da célebre hipótese Gaia (que enxerga a Terra como um gigantesco ser vivo), ele causou barulho ao dizer, anos atrás, que o aquecimento global mataria bilhões de pessoas até 2100, confinando os poucos sobreviventes no Ártico.

No mês passado, ele se retratou, dizendo estranhar porque o planeta ainda não esquentou mais.

“Eu não sei se ele esperava um aquecimento maior, mas posso dizer que o aquecimento que de fato ocorreu [cerca de 1ºC] está perfeitamente de acordo com as previsões do IPCC”, diz Artaxo.

“E note que em nenhum momento ele nega que o aquecimento esteja ocorrendo ou seja causado pela ação humana”, completa Tercio Abrizzi, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

A temperatura global, neste começo de século 21, parece mais ou menos estacionada no nível mais quente alcançado no fim do século 20.

“É preciso lembrar, primeiro, que esses degraus são previstos nos modelos climáticos”, diz Abrizzi. “E há excelentes trabalhos recentes mostrando que as camadas superficiais do oceano estão ficando mais quentes.” É como se eles, temporariamente, funcionassem como um “amortecedor” do clima.

Outro possível amortecedor são os aerossóis, como as partículas de enxofre liberadas pela poluição industrial. Amargo paradoxo: tornar o ar das cidades mais respirável pode engatar a quinta marcha do aquecimento.

“Há inúmeros tipos de aerossóis e nuvens, que podem se comportar de um jeito no nível do mar, de outro a 1.000 m de altitude e de outro na estratosfera”, diz Artaxo.

É por causa dessa complexidade que a incerteza dos modelos cresce. Mas, como a proverbial faca, ela corta dos dois lados: pode muito bem revelar um risco ainda maior da mudança climática.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da ONU diz que desastres naturais se agravarão neste século

Aumento de catástrofes como a seca estaria ligado às mudanças climáticas.
Texto de pesquisadores será divulgado em reunião neste mês.

Seca, inundações, ciclones e incêndios: os desastres climáticos estão mais frequentes e intensos com o aquecimento global provocado por atividades humanas. A tendência é que esta situação se agrave, alerta um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que será divulgado neste mês.

O impacto do aquecimento climático sobre os eventos depende de sua natureza e de sua distribuição, muito desigual, entre as diferentes regiões do mundo. Além disso, o nível de certeza das previsões formuladas por especialistas varia com a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis.

Mas centenas de cientistas redigiram o relatório para o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e são contundentes: os eventos climáticos extremos serão, no geral, mais graves e mais frequentes nas próximas décadas, um risco a mais para a maior parte dos habitantes de nosso planeta.

“Este é o maior esforço já realizado para avaliar o modo como as catástrofes estão mudando”, afirmou Neville Nicholls, professor da Universidade Monash de Melbourne e coordenador de um dos capítulos deste relatório, que deve ser revisado pela ONU durante a reunião em Kampala, antes da publicação, programada para o dia 18 de novembro.

Esta publicação coincide com uma série de catástrofes naturais devastadoras que suscitaram muitas interrogações e inquietações. Em 2010, temperaturas recordes favoreceram incêndios que destruíram florestas da Sibéria, enquanto o Paquistão e a Índia sofreram com inundações sem precedentes.

Neste ano, os Estados Unidos registraram um número recorde de desastres, desde o transbordamento do Mississippi e do Missouri até o furacão Irene, passando pela seca terrível que afeta atualmente o Texas. Na China, regiões inteiras sofrem com secas intensas, enquanto chuvas devastam a América Central e a Tailândia.

Calor vai aumentar no século 21
A maior parte destes eventos são consequência do aquecimento climático produzido por ação humana: aumento das temperaturas, do teor de água na atmosfera e da temperatura dos oceanos. Todos eles, fatores propícios para agravar e provocar eventos climáticos extremos.

De acordo com o relatório, apoiado em centenas de estudos publicados nos últimos anos, é quase certo, de 99% a 100%, que a frequência e a magnitude dos recordes de calor diários vai aumentar em escala planetária neste século 21.

E é também muito provável (90% a 100%) que a duração, a frequência e a intensidade das ondas de calor continuarão a aumentar em quase todas as regiões. Os picos de temperatura vão provavelmente (66% a 100% de certeza) aumentar em relação ao fim do século 20, até 3°C em 2050 e 5°C até 2100.

Muitas áreas, particularmente os trópicos e as latitudes elevadas, vão enfrentar chuvas e neves mais intensas. Paralelamente as secas vão se agravar em outros pontos do globo, em especial no Mediterrâneo, na Europa Central, na América do Norte, no nordeste do Brasil e na África austral.

O aumento do nível dos mares e da temperatura das águas vai provocar ciclones mais destrutivos, enquanto o derretimento das geleiras e do permafrost, combinada com mais precipitações, poderá provocar mais deslizamentos, diz o IPCC.

barquinho (Foto: Reprodução/TV Globo)

Amazônia poderá sofrer com aumento da temperatura. Neste ano, rios da bacia do Amazonas secaram rapidamente devido ao calor (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fonte: Da France Presse


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU alerta para efeitos de problemas ambientais sobre os mais pobres

Organização lançou o relatório do IDH de 2011 nesta quarta-feira (2).
Países debaterão desenvolvimento sustentável na Rio+20, no ano que vem.

O relatório do Desenvolvimento Humano 2011, divulgado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é em grande medida voltado às questões ambientais. O documento se intitula “Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos” e a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento permeia a maioria dos capítulos.

Já na apresentação, Helen Clark, administradora do Pnud, destaca que “o continuado insucesso na redução dos riscos ambientais graves e das crescentes desigualdades sociais ameaça abrandar décadas de progresso sustentado da maioria pobre da população mundial – e até inverter a convergência global do desenvolvimento humano”.

O documento lembra que, em muitos casos, as populações menos favorecidas são as mais afetadas pela deterioração do meio ambiente, ainda que sejam os que menos contribuem para isso. “Por exemplo, os países com um IDH baixo foram os que menos contribuíram para as alterações climáticas globais, mas sofreram a maior perda de precipitação e o maior aumento na sua variabilidade, com repercussões na produção agrícola e nos meios de subsistência”, diz o relatório.

O relatório ressalta que uma pessoa num país com um IDH muito elevado é responsável, em média, por mais de quatro vezes as emissões de dióxido de carbono e cerca de duas vezes as emissões de metano e óxido nitroso de uma pessoa num país com IDH baixo, médio ou elevado.

O Pnud aponta que existe uma relação não linear entre o IDH e as emissões de carbono num país. Nações com maiores emissões tendem a ter atividade econômica maior, o que faz seu IDH aumentar, mas não implica que tenham bons indicadores em outras componentes do índice, como saúde e educação.

Mas há outras questões ambientais que podem ser mais claramente relacionadas com o IDH. As privações ambientais vividas pelas famílias, como a poluição do ar e a falta de acesso a água potável e saneamento, por exemplo, são mais graves nas regiões com níveis mais baixos de IDH e diminuem à medida que o índice aumenta.

O Pnud considera que, de maneira geral, as tendências ambientais ao longo das últimas décadas “demonstram uma deterioração em diversas frentes”, com efeitos negativos no desenvolvimento humano, especialmente para as pessoas que dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência.

Quase 40% da terra no mundo está degradada devido à erosão, diminuição da fertilidade e excesso de pastoreio. O desmatamento é outro problema grave: “entre 1990 e 2010, a América Latina e Caribe, e a África Subsaariana sofreram as maiores perdas florestais”, aponta o texto. E a desertificação ameaça as terras áridas, onde vive um terço da população mundial.

Os fatores ambientais, estima o Pnud, devem provocar um aumento dos preços dos alimentos em 30% a 50% nas próximas décadas.

“Cerca de 350 milhões de pessoas, muitas delas pobres, vivem em florestas ou nas suas proximidades, dependendo destas para a sua subsistência e rendimento. Tanto o desmatamento como as restrições ao acesso a recursos naturais podem prejudicar os mais pobres”, alerta a ONU, que afirma ainda que cerca de 45 milhões de pessoas – pelo menos 6 milhões das quais mulheres -, dependem da pesca como modo de vida e estão ameaçadas pela sobrepesca e pelas mudanças no clima.

Rio+20
O relatório lançado nesta quarta lembra que no próximo ano as atenções do mundo estarão voltadas para a América Latina, que sedia a Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável que fará um balanço dos avanços conseguidos desde a Eco 92 e tentará colocar novas metas para o futuro.

O Pnud destaca a redução do desmatamento na região, que teria se iniciado com as ações de combate à devastação na Amazônia brasileira, a partir de 2005. Ainda assim, há muitas áreas florestais ameaçadas no continente.

Outras ameaças para a América Latina no campo ambiental são o aumento do nível do mar, que poderia inundar áreas costeiras em 31 países da região, e a queda nos estoques de pescado.

Um ponto a favor da América Latina citado no documento é o alto índice de consciência em relação aos riscos das mudanças climáticas. Pesquisas consultadas pela organização indicam que 95% dos latino-americanos acreditam que o aquecimento global é uma ameaça grave, enquanto a média mundial é de 68%.

O Pnud ainda elogia os programas de distribuição de renda como o Bolsa Família, no Brasil, e o Oportunidades, do México, que chegam a cerca de um quinto de suas populações custando 0,4% de seus produtos internos brutos.

Catador de lixo em Colombo, no Sri Lanka. (Foto: Reuters)

Catador de lixo em Colombo, no Sri Lanka. (Foto: Reuters)

Usina elétrica movida a carvão perto de Cottbus, na Alemanha. (Foto: Reuters)

Usina elétrica movida a carvão perto de Cottbus, na Alemanha. (Foto: Reuters)

Fonte: Globo Natureza


 


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU cobra resultados reais na luta contra aquecimento global

Secretário-geral disse que será porta-voz das preocupações climáticas.
Ban Ki-moon visita ilhas ameaçadas pelo aumento do nível do mar.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se comprometeu nesta segunda-feira (5), durante uma visita às ilhas do Pacífico ameaçadas pelo aumento do nível do mar, a prosseguir com os esforços para obter “verdadeiros resultados” na luta contra o aquecimento global.

“Vou ser o porta-voz de vossas preocupações ante o mundo, na Assembleia Geral das Nações Unidas e nas negociações sobre as mudanças climáticas em Durban no fim do ano”, prometeu Ban Ki-moon, na presença do presidente de Kiribati, Anote Tong.

“Prosseguirei meus esforços até que obtenhamos verdadeiros resultados”, acrescentou, antes de chamar de “linha de frente” contra o aquecimento global o Pacífico e suas muitas ilhas ameaçadas pela elevação dos oceanos.

Apesar das promessas, o presidente Tong considerou “altamente improvável a curto prazo qualquer progresso significativo nas negociações sobre as mudanças climáticas”.

A Conferêcia de Durban, de 28 de novembro a 9 de dezembro, representa a última oportunidade para a comunidade internacional ampliar o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

O protocolo é o único instrumento legal que obriga os países ricos a reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Mas Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá já anteciparam que rejeitarão um acordo vinculante em Durban.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, junt.. (Foto: Reuters)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante conversa com o presidente de Kiribati, Anote Tong (Foto: Reuters)

Fonte: Da France Presse


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Empresa de SP faz chuva artificial com avião bimotor

Desenvolvida por brasileiros, técnica é considerada não poluente pela ONU.
Próxima etapa é provocar tempestades em áreas do semiárido brasileiro.

Tecnologia para provocar chuva artificialmente, desenvolvida por um grupo de brasileiros, pode ser a solução para aliviar os períodos de forte seca no semiárido brasileiro e contribuir no combate à desertificação.

A produção de chuvas artificiais se dá com o lançamento de gotas de água em nuvens que concentram alta umidade a partir de um avião bimotor equipado com um tanque de 300 litros e um mecanismo que controla o tamanho das gotículas dispersadas.

O processo foi desenvolvido para ajudar a sanar problemas em sistemas de abastecimento de água em áreas urbanizadas, alimentar nascentes de rios em regiões de forte seca e para prevenir incêndios florestais em reservas e parques nacionais.

Motosserras
Segundo Ricardo Imai, 42 anos, sócio da Modclima, empresa que criou a técnica, a ideia das chuvas artificiais partiu de seu pai, o engenheiro mecânico Takeshi Imai. “Ele trabalhava com implementos agrícolas e tinha uma empresa que produzia motosserras e herbicidas para derrubar árvores. Entretanto, decidiu parar e começou a estudar o processo de crescimento das nuvens de chuva, no intuito de contribuir com a natureza”, conta o filho.

Ricardo Imai disse que o que ocorre é a aceleração de um processo natural. O avião entra nas nuvens cumulus, que concentram alta umidade, e lançam as gotas que “pegam carona” nos ventos ascendentes. Dentro da nuvem, elas se juntam e formam a chuva, que cai em local previamente determinado. A precipitação ocorre 30 minutos depois do início da operação.

Um longo processo de busca das nuvens ideais antecede as chuvas artificiais. Radares meteorológicos instalados em Bragança Paulista (SP) ajudam na “caça”, juntamente com imagens de satélite. “Passamos horas monitorando o deslocamento das nuvens, para saber se elas vão para as áreas de interesse e se podem ser semeadas com as gotículas de água. Às vezes, temos que esperar muito tempo”, diz Ricardo.

  (Foto: Editoria de Arte/G1)

Aplicação
Em 1998, quando o projeto começou a sair do papel, a técnica foi implementada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que contratou a empresa dos Imai para provocar chuvas artificiais na cabeceira dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis pelo abastecimento de 18 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Foram mais de 500 voos, com ocorrências positivas de chuva em 50% deles.

As chuvas também foram empregadas no Nordeste a pedido de prefeituras da Bahia. Os municípios de Mirorós e Gentio do Ouro, localizados no semiárido brasileiro, sofriam com a seca intensa entre 2008 e 2009 e com a redução do nível da represa que abastecia esta região.

“Nessas áreas, a represa vinha perdendo água há cinco anos e as nascentes dos rios tinham sido gravemente afetadas por um incêndio. Fizemos 25 voos nessas localidades para fortalecer os lençóis freáticos e 17 deles tiveram resultados positivos”, disse. Lavouras também foram salvas devido às chuvas artificiais.

De acordo com Imai, o principal projeto da Modclima é contribuir com o Ministério do Meio Ambiente no combate às secas e queimadas em florestas e biomas como o Cerrado e Amazônia. “A chuva umedece o solo e a vegetação antes do período de estiagem, reduzindo os efeitos. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas, 93 cidades brasileiras sofreram com fortes secas em 2010 e outros 490 municípios tiveram graves períodos de estiagem.

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima)

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima/Divulgação)

ONU
A técnica foi apresentada em 2010 na Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD), realizada na Alemanha. Segundo Heitor Matallo, coordenador regional para a América Latina e Caribe da entidade, o método brasileiro de realizar  chuvas artificiais foi considerado não poluente em ações contra a desertificação em determinados países.

“É possível que a ONU utilize esta tecnologia, mas precisamos testá-la em diversos ambientes para comprovar sua eficácia. O governo brasileiro precisaria apresentar esta prática para que a Organização das Nações Unidas faça a recomendação desta técnica”, informou Matallo, de seu escritório no México, aoGlobo Natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 poderá gerar órgão mundial destinado à preservação do meio ambiente

Autoridades de países que são alvos de críticas internacionais por causa da forma como tratam a preservação ambiental e o estímulo à economia verde, deverão participar da Conferência Rio+20, de 28 de maio a 6 de junho de 2012, na área do Porto do Rio de Janeiro. A expectativa, segundo os organizadores, é que a China, Índia e os Estados Unidos enviem emissários do primeiro escalão do governo para os debates. As discussões da cúpula poderão gerar a proposta de criação de um órgão específico internacional para a área ambiental.

O órgão, em estudo, ficará subordinado à Organização das Nações Unidas (ONU), como ocorre com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – que será comandada pelo brasileiro José Graziano da Silva.

A ideia é que a sede do novo órgão, responsável pela área ambiental, seja na África. Atualmente só há uma agência da ONU para cuidar do tema, que é o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cuja sede fica no Quênia. Criado em 1972, o programa tem o objetivo de fortalecer as ações mundiais de desenvolvimento sustentável.

As autoridades brasileiras e estrangeiras, porém, concluíram que é necessário ampliar os esforços em nível mundial, pois hoje não há uma definição universal sobre economia verde nem foram estabelecidos os instrumentos, aceitos de forma global, para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Renata Giraldi/ Agência Brasil


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23 de maio de 2013 | nenhum comentário »

ONU marca Dia Internacional da Biodiversidade com alerta sobre água

O tema do Dia Internacional da Biodiversidade foi escolhido para marcar o Ano Internacional de Cooperação da Água, comemorado durante todo 2013. Imagem:agenda21comperj

A ONU (Organização das Nações Unidas) comemorou o Dia Internacional da Biodiversidade nesta quarta-feira (22) lançando um alerta sobre a situação da demanda futura pela água.

Em mensagem, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, lembrou do tema deste ano, “Água e Biodiversidade”, ao dizer que apesar da abundância do recurso, o planeta conta apenas com uma pequena quantidade de água fresca. O tema do Dia Internacional da Biodiversidade foi escolhido para marcar o Ano Internacional de Cooperação da Água, comemorado durante todo 2013.

Em várias partes do mundo, a demanda por água ultrapassa o fornecimento, e a qualidade do recurso ainda é um problema em muitos países. Ban lembrou que a biodiversidade e o ecossistema são fundamentais no alcance de uma visão de um mundo com água para todos.

Ele citou, ainda, o papel das florestas que ajudam a regular a erosão do solo e proteger a qualidade e o fornecimento de água.

Plano para 2020 – Para promover mais proteção, a Convenção sobre Diversidade Biológica emitiu um plano estratégico que vai até 2020 sobre o tema.

O Secretário-Geral lembrou os compromissos firmados durante a Rio+20, no Rio de Janeiro, sobre a necessidade de se manter a quantidade e a qualidade da água em programas de governo.

Ele pediu aos países que ainda não ratificaram o Protocolo de Nagoia de acesso a recursos genéticos que o façam.

 

(Fonte: UOL)


20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Recomendado pela ONU, consumo de insetos na dieta já ocorre no Brasil

Tanajura é forma mais tradicional; prática não é oficialmente regulamentada.
Criação em MG serve para experiências de chefs e curiosos

O consumo de insetos na alimentação humana, recomendado em um relatório publicado nesta semana pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), já existe em algumas espécies que são consumidas no Brasil.

A mais comum é a formiga tanajura, que é um alimento relativamente tradicional em áreas do interior de Minas Gerais e do Nordeste, em forma de farofa. Outro inseto conhecido é a larva do besouro Pachymerus nucleorum, que se instala dentro de frutos, e que por isso também é conhecida como “larva do coquinho”. Seu consumo faz parte de brincadeiras na zona rural e de treinamentos de sobrevivência na selva.

Os órgãos oficiais ainda não dão muita importância ao assunto, apesar da recente recomendação do órgão da ONU. No Guia Alimentar para a População Brasileira, o Ministério da Saúde não faz nenhuma menção ao consumo de insetos. Já a Secretaria de Segurança Alimentar e Nutricional (Sesan) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) entende que esse hábito alimentar não faz parte da cultura brasileira e não tem estudos neste sentido. O Ministério da Agricultura, por sua vez, afirma que não há registro oficial de estabelecimentos que produzam insetos para o consumo humano.

“Eu espero fortemente que o governo brasileiro reconheça os insetos como fonte de alimentos dos brasileiros”, afirmou Eraldo Costa Neto, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (BA) que pesquisa as relações entre humanos e insetos. “Infelizmente, o governo brasileiro ainda vê insetos como pragas”, completou o especialista, que foi o único brasileiro a participar da convenção da FAO que deu origem ao relatório publicado na segunda(13/05).

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Torta feita com larvas (Foto: Liza Flores/Grupo Vale Verde/Divulgação)

À espera de reconhecimento
Apesar de o Ministério da Agricultura dizer que nunca registrou nenhum produtor de insetos para consumo humano, uma empresa de Minas Gerais afirma que já entrou com o pedido para obter a licença e que ainda não recebeu resposta.

Na verdade, a Nutrinsecta é especializada na produção de insetos para a alimentação de animais. No entanto, como os animais são tratados em um ambiente limpo e saudável, não há nenhum empecilho para o consumo humano. Isso atrai chefs de cozinha e curiosos, que, esporadicamente, usam esses ingredientes para desenvolver seus pratos.

Com a orientação da FAO, a empresa espera que o mercado cresça e se prepara para atender a uma possível demanda. “Hoje, eu estou muito feliz porque realmente nunca fiz nenhuma gestão para alimentação humana, exatamente pelo preconceito”, afirmou Luiz Otávio Gonçalves, presidente do Grupo Vale Verde, ao qual a Nutrinsecta pertence. “Mas agora eu posso sair do armário”, brincou o empresário.

Os insetos produzidos no local são os tenébrios — um tipo de besouro do qual se consome a larva, nos tipos comum e gigante — grilo preto, barata cinérea, larva de mosca e pupa de mosca.

A criação de insetos nasceu de um hobby de Gonçalves, que mantém um viveiro com aves raras em um parque mantido pela empresa em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajudando, inclusive, a reproduzir espécies em extinção.

No início, as aves eram alimentadas com sementes, como na natureza. Porém, como gastam menos energia no cativeiro, o excesso de gordura das sementes prejudicava o sistema reprodutivo das aves. O criador pediu ajuda a especialistas e foi instruído a usar insetos como ração. “O nível de reprodução das aves foi de 35% para 70%”, contou.

A partir daí, o grupo começou a criar seus próprios insetos. Hoje, a produção está em uma tonelada por mês, com planos de expansão, mas a ideia principal continua sendo o uso como ração animal.

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Grilos produzidos pela Nutrinsecta (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Valores nutricionais
A recomendação da FAO pelo consumo de insetos se dá pela grande quantidade de proteínas encontrada nestes animais. Os números variam muito de acordo com o tipo de inseto, mas as espécies já consumidas no Brasil e as produzidas pela Nutrinsecta têm valores bem acima dos alimentos tradicionais, como mostra a tabela.

Alimento Gramas de proteína (em cada 100 gramas do alimento cru)
Barata cinérea 60
Larva de mosca 50
Grilo preto 48
Larva de tenébrio 47
Tanajura 44,6
Larva do coquinho 33
Feijão 21,5
Carne de boi 20,2
Carne de frango 19,7
Carne de porco 18,5
Peixe 16,6
Arroz 7,2
Brócolis 3,3
Couve 1,4

“As proteínas são nutrientes necessários ao organismo para o crescimento, desenvolvimento e reparação dos tecidos corporais. Além de fazerem parte de diversas estruturas do organismo, compõem enzimas, hormônios, fazem transporte de nutrientes e compõem o sistema imunológico”, explicou a nutricionista Lara Natacci, responsável técnica da Dietnet Assessoria Nutricional, de São Paulo.

A orientação dos nutricionistas é que uma pessoa consoma entre 0,8 e 1 grama diária de proteínas para cada quilo de seu peso. Em outras palavras, quem pesa 50 kg deve ingerir entre 40 e 50 gramas de proteínas em um dia.

Embora o relatório tenha sugerido os insetos como uma forma de combate a fome, esse não é o único objetivo da organização. A ideia, em longo prazo, é criar o hábito e incluí-lo no cardápio como um todo. “Inseto não é para gente pobre e desnutrida. Inseto é para ser consumido por todos”, afirmou o especialista Eraldo Costa Neto.

Por serem ricos em proteínas, os insetos conseguiriam suprir a mesma produção de nutrientes do gado gastando menos recursos – água, área e alimentos. Como a tendência é que o preço da carne bovina suba muito ao longo do século, a dieta de insetos tende a ganhar adeptos. “É uma alternativa não só econômica, como também ecológica”, apontou Costa Neto.

Tenébrio (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/Divulgação)

Tenébrios (Foto: Catarina Uxa/Grupo Vale Verde/ Divulgação)

Os insetos também são muito ricos em gordura, mas o tipo de gordura é diferente do encontrado nos bovinos, por exemplo. “Eles têm gorduras poli-insaturadas, que não nos fazem mal, diferentemente da picanha”, indicou o pesquisador. Esse tipo de gordura é semelhante à encontrada em peixes e sementes oleaginosas, comumente indicada por médicos.

Outro ponto a favor dos insetos na tabela nutricional são os minerais – em especial o ferro, essencial para combater a anemia. Em geral, eles têm, no mínimo, a mesma quantidade de ferro presente na carne vermelha – que, por sua vez, já é considerada rica na substância.

Eles têm ainda quantidades significativas de sódio, potássio, zinco, fósforo, manganês, magnésio, cobre e cálcio, e a quantidade varia de espécie para espécie.

Cuidados
Os defensores desse tipo de alimentação não sugerem, no entanto, que insetos encontrados em casa sejam incluídos na dieta da noite para o dia. “Não se devem pegar animais a torto e a direito porque eles podem ter contaminantes”, alertou Costa Neto.

Com isso, o especialista não se refere apenas à sujeira que eles podem trazer, mas também a toxinas naturais que podem existir nesses organismos. Existem milhões de espécies de insetos e muitas delas não são comestíveis em hipótese nenhuma.

“Falta ainda muita pesquisa básica – de biologia – para saber que espécies de insetos estariam aptas para o consumo humano”, disse o especialista.

Outro cuidado necessário para quem tiver curiosidade em consumir os insetos tem que ter é em relação às alergias. Os crustáceos, como o camarão e a lagosta, pertencem ao mesmo filo que os insetos, o dos artrópodes. Assim, quem tiver alergia a um grupo possivelmente também terá reação alérgica ao outro.

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Pão de queijo recheado com larvas é uma das receitas modernas com o uso de insetos (Foto: Eraldo Costa Neto/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Abate ilegal de elefantes é prioridade em convenção da ONU

A regulamentação efetiva do comércio de plantas e animais silvestres está no centro das discussões de representantes de 175 países, reunidos em Genebra até hoje (sexta-feira).

Eles formam o comitê da Convenção sobre o Tratado Internacional das Espécies Selvagens Ameaçadas da Fauna e Flora, Cites. O abate ilegal de elefantes e o comércio do marfim são debatidos com alta prioridade no encontro.
O grupo avalia várias recomendações, como a implementação urgente do Plano de Ação Africano para proteger elefantes; maior controle dos mercados domésticos de marfim e melhor colaboração entre países da África e da Ásia no combate ao contrabando.

Segundo o presidente do comitê da Cites, Øysten Størkersen, os “níveis de caça e contrabando ilegal de elefantes e rinocerontes são os piores em uma década.” Nos primeiros seis meses deste ano, mais de 280 rinocerontes foram mortos, só na África do Sul.
O comitê da Cites analisa ainda o aumento da demanda por chifres de rinoceronte; os progressos para reduzir a exploração de tartarugas e sapos do Madagáscar e o uso de cobras da Ásia na indústria de couro.

Iniciativas para proteger tigres e comércio ilegal de grandes símios, como gorilas e orangotangos, também estão na pauta. A Cites é responsável por regular o comércio internacional de 35 mil espécies selvagens de plantas e animais.

 

Fonte: UOL

 


14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Para cientistas, preservar espécies é responsabilidade humana

Especialistas dizem que é preciso agir para evitar futuro ‘incerto’.
ONU chamou atual década de ‘década da biodiversidade’.

A biodiversidade é a bola da vez nos debates sobre o desenvolvimento sustentável. O conceito define a variedade entre os seres vivos de todo o planeta. Defender a biodiversidade significa, portanto, evitar a extinção de espécies de todos os tipos, sejam plantas ou animais, aquáticos ou terrestres.

Em abril de 2012, foi aprovada a criação de um grupo de estudos direcionado para o tema dentro das Nações Unidas, nos moldes do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês).

Para a ONU, o período entre 2011 e 2020 é a “década da biodiversidade”. Em 2010, durante uma conferência em Nagoia, no Japão, foram traçadas 20 metas de biodiversidade, que precisam ser atingidas até 2020. Elas ficaram conhecidas como as “metas de Aichi”, nome da província japonesa onde fica a cidade.

Entre os objetivos estratégicos principais, os signatários do acordo se comprometeram a fazer com que a população absorva os valores da biodiversidade e tomem medidas para preservá-la.

A grande questão para os cientistas reunidos no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), é como alcançar a sociedade e mostrar a importância da preservação das espécies.

“O que eu espero firmemente é que as pessoas acordem antes que aconteça algo realmente ruim para acordá-las”, afirmou Thomas Lovejoy, presidente do Painel de Avaliação Técnica e Científica do Fundo Global para o Meio Ambiente.

“Estamos numa época em que a humanidade começa a ser a maior força de mudança do planeta”, explicou Lidia Brito diretora da Divisão de Implementação de Políticas da Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco, na sigla em inglês).

“Significa que a responsabilidade da humanidade, individual e coletiva, de tomar conta desse sistema terrestre, que é o nosso planeta, ela aumenta muito”, completou.

A cientista moçambicana afirmou que o ser humano precisa agir com responsabilidade e reconhecer que os recursos do planeta são finitos. Essa atitude evitaria problemas mais graves, ainda difíceis de prever.

“Se nós queremos manter as civilizações humanas como as conhecemos, como parte do sistema terrestre, então nós temos que ter atenção às fronteiras planetárias, porque elas podem iniciar um processo de mudança que é incerto”, argumentou.

Ela disse ainda que, apesar do caráter de incerteza, os sinais das mudanças já são suficientemente claros. “As comunidades de pescadores já estão sentindo. Eles já têm menos peixe, o peixe já está menor. Já não é distante”, exemplificou.

Biodiversidade e economia
No Brasil, cientistas mostram que a preservação da biodiversidade pode render, inclusive, melhoras diretas na economia.

Felipe Amorim, pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp), apresentou no Fórum as vantagens da manutenção das abelhas em áreas usadas para o plantio – os insetos espalham o pólen e proporcionam o nascimento de novas plantas. Ele mencionou uma pesquisa recente feita em Minas Gerais, que mostrou que as lavouras de café próximas à mata nativa têm um rendimento até 14% superior.

Ana Paula Prestes, diretora de áreas protegidas do Ministério do Meio Ambiente, apontou outro potencial uso econômico da preservação das espécies. “Na parte marinha, a gente tem milhões de espécies que ainda não foram conhecidas nem estudadas, mas que a gente sabe do potencial para fármacos, para cosméticos e para outras coisas”, disse.

“Não vou dizer que é um senso comum, mas tem vários grupos que enxergam em áreas protegidas um empecilho econômico, um empecilho para o crescimento, e não é, pelo contrário”, defendeu, mencionando outros possíveis ganhos, como o turismo.

Vista da Grande Barreira de Corais, com sua variedade de cores e espécies, já está disponível no site do projeto. (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Grande Barreira de Corais, na Austrália. Local abriga grande biodiversidade e pode sofrer com a alteração da temperatura dos oceanos (Foto: Divulgação / The Catlin Seaview Survey)

Fonte: Globo Natureza


14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Apesar de incertezas, dados sobre aquecimento estão cada vez mais fortes

Paulo Artaxo, físico da USP e membro do IPCC, o painel do clima da ONU, mostra o rascunho de um dos capítulos do próximo relatório do grupo, a ser lançado no ano que vem. O gráfico, uma estimativa da influência das nuvens e dos aerossóis (partículas em suspensão no ar) sobre o clima da Terra, pode parecer decepcionante para quem quer respostas prontas da ciência. Do último relatório do IPCC (de 2007) para cá, a incerteza sobre esse fator aumentou, em vez de cair.

Paradoxalmente, diz ele, isso se deu porque a ciência do clima melhorou, incorporando cada vez mais a complexidade da natureza em seus modelos computacionais, usados para prever como será a Terra do futuro.

O resultado desses avanços não deve fazer os céticos sobre o aquecimento global cantarem vitória. Incertezas à parte, é muito difícil abalar a alta probabilidade de que, ao longo deste século, o planeta vai esquentar mais alguns graus Celsius (algo entre 2º C e 5º C).

“Eu não acredito que isso seja um cenário de fim de mundo, mas as consequências sociais e econômicas vão ser sérias”, sentencia Artaxo.

Ele e outros pesquisadores de destaque da área, ouvidos pela Folha, são unânimes em dar de ombros diante do recente mea culpa do britânico James Lovelock.

GAIA E CIÊNCIA

Criador da célebre hipótese Gaia (que enxerga a Terra como um gigantesco ser vivo), ele causou barulho ao dizer, anos atrás, que o aquecimento global mataria bilhões de pessoas até 2100, confinando os poucos sobreviventes no Ártico.

No mês passado, ele se retratou, dizendo estranhar porque o planeta ainda não esquentou mais.

“Eu não sei se ele esperava um aquecimento maior, mas posso dizer que o aquecimento que de fato ocorreu [cerca de 1ºC] está perfeitamente de acordo com as previsões do IPCC”, diz Artaxo.

“E note que em nenhum momento ele nega que o aquecimento esteja ocorrendo ou seja causado pela ação humana”, completa Tercio Abrizzi, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

A temperatura global, neste começo de século 21, parece mais ou menos estacionada no nível mais quente alcançado no fim do século 20.

“É preciso lembrar, primeiro, que esses degraus são previstos nos modelos climáticos”, diz Abrizzi. “E há excelentes trabalhos recentes mostrando que as camadas superficiais do oceano estão ficando mais quentes.” É como se eles, temporariamente, funcionassem como um “amortecedor” do clima.

Outro possível amortecedor são os aerossóis, como as partículas de enxofre liberadas pela poluição industrial. Amargo paradoxo: tornar o ar das cidades mais respirável pode engatar a quinta marcha do aquecimento.

“Há inúmeros tipos de aerossóis e nuvens, que podem se comportar de um jeito no nível do mar, de outro a 1.000 m de altitude e de outro na estratosfera”, diz Artaxo.

É por causa dessa complexidade que a incerteza dos modelos cresce. Mas, como a proverbial faca, ela corta dos dois lados: pode muito bem revelar um risco ainda maior da mudança climática.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Relatório da ONU diz que desastres naturais se agravarão neste século

Aumento de catástrofes como a seca estaria ligado às mudanças climáticas.
Texto de pesquisadores será divulgado em reunião neste mês.

Seca, inundações, ciclones e incêndios: os desastres climáticos estão mais frequentes e intensos com o aquecimento global provocado por atividades humanas. A tendência é que esta situação se agrave, alerta um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima que será divulgado neste mês.

O impacto do aquecimento climático sobre os eventos depende de sua natureza e de sua distribuição, muito desigual, entre as diferentes regiões do mundo. Além disso, o nível de certeza das previsões formuladas por especialistas varia com a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis.

Mas centenas de cientistas redigiram o relatório para o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e são contundentes: os eventos climáticos extremos serão, no geral, mais graves e mais frequentes nas próximas décadas, um risco a mais para a maior parte dos habitantes de nosso planeta.

“Este é o maior esforço já realizado para avaliar o modo como as catástrofes estão mudando”, afirmou Neville Nicholls, professor da Universidade Monash de Melbourne e coordenador de um dos capítulos deste relatório, que deve ser revisado pela ONU durante a reunião em Kampala, antes da publicação, programada para o dia 18 de novembro.

Esta publicação coincide com uma série de catástrofes naturais devastadoras que suscitaram muitas interrogações e inquietações. Em 2010, temperaturas recordes favoreceram incêndios que destruíram florestas da Sibéria, enquanto o Paquistão e a Índia sofreram com inundações sem precedentes.

Neste ano, os Estados Unidos registraram um número recorde de desastres, desde o transbordamento do Mississippi e do Missouri até o furacão Irene, passando pela seca terrível que afeta atualmente o Texas. Na China, regiões inteiras sofrem com secas intensas, enquanto chuvas devastam a América Central e a Tailândia.

Calor vai aumentar no século 21
A maior parte destes eventos são consequência do aquecimento climático produzido por ação humana: aumento das temperaturas, do teor de água na atmosfera e da temperatura dos oceanos. Todos eles, fatores propícios para agravar e provocar eventos climáticos extremos.

De acordo com o relatório, apoiado em centenas de estudos publicados nos últimos anos, é quase certo, de 99% a 100%, que a frequência e a magnitude dos recordes de calor diários vai aumentar em escala planetária neste século 21.

E é também muito provável (90% a 100%) que a duração, a frequência e a intensidade das ondas de calor continuarão a aumentar em quase todas as regiões. Os picos de temperatura vão provavelmente (66% a 100% de certeza) aumentar em relação ao fim do século 20, até 3°C em 2050 e 5°C até 2100.

Muitas áreas, particularmente os trópicos e as latitudes elevadas, vão enfrentar chuvas e neves mais intensas. Paralelamente as secas vão se agravar em outros pontos do globo, em especial no Mediterrâneo, na Europa Central, na América do Norte, no nordeste do Brasil e na África austral.

O aumento do nível dos mares e da temperatura das águas vai provocar ciclones mais destrutivos, enquanto o derretimento das geleiras e do permafrost, combinada com mais precipitações, poderá provocar mais deslizamentos, diz o IPCC.

barquinho (Foto: Reprodução/TV Globo)

Amazônia poderá sofrer com aumento da temperatura. Neste ano, rios da bacia do Amazonas secaram rapidamente devido ao calor (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fonte: Da France Presse


3 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU alerta para efeitos de problemas ambientais sobre os mais pobres

Organização lançou o relatório do IDH de 2011 nesta quarta-feira (2).
Países debaterão desenvolvimento sustentável na Rio+20, no ano que vem.

O relatório do Desenvolvimento Humano 2011, divulgado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é em grande medida voltado às questões ambientais. O documento se intitula “Sustentabilidade e Equidade: Um Futuro Melhor para Todos” e a influência do meio ambiente sobre o desenvolvimento permeia a maioria dos capítulos.

Já na apresentação, Helen Clark, administradora do Pnud, destaca que “o continuado insucesso na redução dos riscos ambientais graves e das crescentes desigualdades sociais ameaça abrandar décadas de progresso sustentado da maioria pobre da população mundial – e até inverter a convergência global do desenvolvimento humano”.

O documento lembra que, em muitos casos, as populações menos favorecidas são as mais afetadas pela deterioração do meio ambiente, ainda que sejam os que menos contribuem para isso. “Por exemplo, os países com um IDH baixo foram os que menos contribuíram para as alterações climáticas globais, mas sofreram a maior perda de precipitação e o maior aumento na sua variabilidade, com repercussões na produção agrícola e nos meios de subsistência”, diz o relatório.

O relatório ressalta que uma pessoa num país com um IDH muito elevado é responsável, em média, por mais de quatro vezes as emissões de dióxido de carbono e cerca de duas vezes as emissões de metano e óxido nitroso de uma pessoa num país com IDH baixo, médio ou elevado.

O Pnud aponta que existe uma relação não linear entre o IDH e as emissões de carbono num país. Nações com maiores emissões tendem a ter atividade econômica maior, o que faz seu IDH aumentar, mas não implica que tenham bons indicadores em outras componentes do índice, como saúde e educação.

Mas há outras questões ambientais que podem ser mais claramente relacionadas com o IDH. As privações ambientais vividas pelas famílias, como a poluição do ar e a falta de acesso a água potável e saneamento, por exemplo, são mais graves nas regiões com níveis mais baixos de IDH e diminuem à medida que o índice aumenta.

O Pnud considera que, de maneira geral, as tendências ambientais ao longo das últimas décadas “demonstram uma deterioração em diversas frentes”, com efeitos negativos no desenvolvimento humano, especialmente para as pessoas que dependem diretamente dos recursos naturais para subsistência.

Quase 40% da terra no mundo está degradada devido à erosão, diminuição da fertilidade e excesso de pastoreio. O desmatamento é outro problema grave: “entre 1990 e 2010, a América Latina e Caribe, e a África Subsaariana sofreram as maiores perdas florestais”, aponta o texto. E a desertificação ameaça as terras áridas, onde vive um terço da população mundial.

Os fatores ambientais, estima o Pnud, devem provocar um aumento dos preços dos alimentos em 30% a 50% nas próximas décadas.

“Cerca de 350 milhões de pessoas, muitas delas pobres, vivem em florestas ou nas suas proximidades, dependendo destas para a sua subsistência e rendimento. Tanto o desmatamento como as restrições ao acesso a recursos naturais podem prejudicar os mais pobres”, alerta a ONU, que afirma ainda que cerca de 45 milhões de pessoas – pelo menos 6 milhões das quais mulheres -, dependem da pesca como modo de vida e estão ameaçadas pela sobrepesca e pelas mudanças no clima.

Rio+20
O relatório lançado nesta quarta lembra que no próximo ano as atenções do mundo estarão voltadas para a América Latina, que sedia a Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável que fará um balanço dos avanços conseguidos desde a Eco 92 e tentará colocar novas metas para o futuro.

O Pnud destaca a redução do desmatamento na região, que teria se iniciado com as ações de combate à devastação na Amazônia brasileira, a partir de 2005. Ainda assim, há muitas áreas florestais ameaçadas no continente.

Outras ameaças para a América Latina no campo ambiental são o aumento do nível do mar, que poderia inundar áreas costeiras em 31 países da região, e a queda nos estoques de pescado.

Um ponto a favor da América Latina citado no documento é o alto índice de consciência em relação aos riscos das mudanças climáticas. Pesquisas consultadas pela organização indicam que 95% dos latino-americanos acreditam que o aquecimento global é uma ameaça grave, enquanto a média mundial é de 68%.

O Pnud ainda elogia os programas de distribuição de renda como o Bolsa Família, no Brasil, e o Oportunidades, do México, que chegam a cerca de um quinto de suas populações custando 0,4% de seus produtos internos brutos.

Catador de lixo em Colombo, no Sri Lanka. (Foto: Reuters)

Catador de lixo em Colombo, no Sri Lanka. (Foto: Reuters)

Usina elétrica movida a carvão perto de Cottbus, na Alemanha. (Foto: Reuters)

Usina elétrica movida a carvão perto de Cottbus, na Alemanha. (Foto: Reuters)

Fonte: Globo Natureza


 


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU cobra resultados reais na luta contra aquecimento global

Secretário-geral disse que será porta-voz das preocupações climáticas.
Ban Ki-moon visita ilhas ameaçadas pelo aumento do nível do mar.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se comprometeu nesta segunda-feira (5), durante uma visita às ilhas do Pacífico ameaçadas pelo aumento do nível do mar, a prosseguir com os esforços para obter “verdadeiros resultados” na luta contra o aquecimento global.

“Vou ser o porta-voz de vossas preocupações ante o mundo, na Assembleia Geral das Nações Unidas e nas negociações sobre as mudanças climáticas em Durban no fim do ano”, prometeu Ban Ki-moon, na presença do presidente de Kiribati, Anote Tong.

“Prosseguirei meus esforços até que obtenhamos verdadeiros resultados”, acrescentou, antes de chamar de “linha de frente” contra o aquecimento global o Pacífico e suas muitas ilhas ameaçadas pela elevação dos oceanos.

Apesar das promessas, o presidente Tong considerou “altamente improvável a curto prazo qualquer progresso significativo nas negociações sobre as mudanças climáticas”.

A Conferêcia de Durban, de 28 de novembro a 9 de dezembro, representa a última oportunidade para a comunidade internacional ampliar o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

O protocolo é o único instrumento legal que obriga os países ricos a reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa. Mas Estados Unidos, Rússia, Japão e Canadá já anteciparam que rejeitarão um acordo vinculante em Durban.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, junt.. (Foto: Reuters)

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, durante conversa com o presidente de Kiribati, Anote Tong (Foto: Reuters)

Fonte: Da France Presse


1 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Empresa de SP faz chuva artificial com avião bimotor

Desenvolvida por brasileiros, técnica é considerada não poluente pela ONU.
Próxima etapa é provocar tempestades em áreas do semiárido brasileiro.

Tecnologia para provocar chuva artificialmente, desenvolvida por um grupo de brasileiros, pode ser a solução para aliviar os períodos de forte seca no semiárido brasileiro e contribuir no combate à desertificação.

A produção de chuvas artificiais se dá com o lançamento de gotas de água em nuvens que concentram alta umidade a partir de um avião bimotor equipado com um tanque de 300 litros e um mecanismo que controla o tamanho das gotículas dispersadas.

O processo foi desenvolvido para ajudar a sanar problemas em sistemas de abastecimento de água em áreas urbanizadas, alimentar nascentes de rios em regiões de forte seca e para prevenir incêndios florestais em reservas e parques nacionais.

Motosserras
Segundo Ricardo Imai, 42 anos, sócio da Modclima, empresa que criou a técnica, a ideia das chuvas artificiais partiu de seu pai, o engenheiro mecânico Takeshi Imai. “Ele trabalhava com implementos agrícolas e tinha uma empresa que produzia motosserras e herbicidas para derrubar árvores. Entretanto, decidiu parar e começou a estudar o processo de crescimento das nuvens de chuva, no intuito de contribuir com a natureza”, conta o filho.

Ricardo Imai disse que o que ocorre é a aceleração de um processo natural. O avião entra nas nuvens cumulus, que concentram alta umidade, e lançam as gotas que “pegam carona” nos ventos ascendentes. Dentro da nuvem, elas se juntam e formam a chuva, que cai em local previamente determinado. A precipitação ocorre 30 minutos depois do início da operação.

Um longo processo de busca das nuvens ideais antecede as chuvas artificiais. Radares meteorológicos instalados em Bragança Paulista (SP) ajudam na “caça”, juntamente com imagens de satélite. “Passamos horas monitorando o deslocamento das nuvens, para saber se elas vão para as áreas de interesse e se podem ser semeadas com as gotículas de água. Às vezes, temos que esperar muito tempo”, diz Ricardo.

  (Foto: Editoria de Arte/G1)

Aplicação
Em 1998, quando o projeto começou a sair do papel, a técnica foi implementada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que contratou a empresa dos Imai para provocar chuvas artificiais na cabeceira dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, responsáveis pelo abastecimento de 18 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Foram mais de 500 voos, com ocorrências positivas de chuva em 50% deles.

As chuvas também foram empregadas no Nordeste a pedido de prefeituras da Bahia. Os municípios de Mirorós e Gentio do Ouro, localizados no semiárido brasileiro, sofriam com a seca intensa entre 2008 e 2009 e com a redução do nível da represa que abastecia esta região.

“Nessas áreas, a represa vinha perdendo água há cinco anos e as nascentes dos rios tinham sido gravemente afetadas por um incêndio. Fizemos 25 voos nessas localidades para fortalecer os lençóis freáticos e 17 deles tiveram resultados positivos”, disse. Lavouras também foram salvas devido às chuvas artificiais.

De acordo com Imai, o principal projeto da Modclima é contribuir com o Ministério do Meio Ambiente no combate às secas e queimadas em florestas e biomas como o Cerrado e Amazônia. “A chuva umedece o solo e a vegetação antes do período de estiagem, reduzindo os efeitos. Segundo estudo da Agência Nacional de Águas, 93 cidades brasileiras sofreram com fortes secas em 2010 e outros 490 municípios tiveram graves períodos de estiagem.

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima)

Exemplos de nuvens cumulus fotografadas durante um voo. (Foto: Modclima/Divulgação)

ONU
A técnica foi apresentada em 2010 na Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD), realizada na Alemanha. Segundo Heitor Matallo, coordenador regional para a América Latina e Caribe da entidade, o método brasileiro de realizar  chuvas artificiais foi considerado não poluente em ações contra a desertificação em determinados países.

“É possível que a ONU utilize esta tecnologia, mas precisamos testá-la em diversos ambientes para comprovar sua eficácia. O governo brasileiro precisaria apresentar esta prática para que a Organização das Nações Unidas faça a recomendação desta técnica”, informou Matallo, de seu escritório no México, aoGlobo Natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, do Globo Natureza, em São Paulo


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Rio+20 poderá gerar órgão mundial destinado à preservação do meio ambiente

Autoridades de países que são alvos de críticas internacionais por causa da forma como tratam a preservação ambiental e o estímulo à economia verde, deverão participar da Conferência Rio+20, de 28 de maio a 6 de junho de 2012, na área do Porto do Rio de Janeiro. A expectativa, segundo os organizadores, é que a China, Índia e os Estados Unidos enviem emissários do primeiro escalão do governo para os debates. As discussões da cúpula poderão gerar a proposta de criação de um órgão específico internacional para a área ambiental.

O órgão, em estudo, ficará subordinado à Organização das Nações Unidas (ONU), como ocorre com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – que será comandada pelo brasileiro José Graziano da Silva.

A ideia é que a sede do novo órgão, responsável pela área ambiental, seja na África. Atualmente só há uma agência da ONU para cuidar do tema, que é o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cuja sede fica no Quênia. Criado em 1972, o programa tem o objetivo de fortalecer as ações mundiais de desenvolvimento sustentável.

As autoridades brasileiras e estrangeiras, porém, concluíram que é necessário ampliar os esforços em nível mundial, pois hoje não há uma definição universal sobre economia verde nem foram estabelecidos os instrumentos, aceitos de forma global, para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Renata Giraldi/ Agência Brasil


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