19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Ex-ministros dizem que ambiente foi ‘exilado’ na negociação da Rio+20

Manifesto lançado nesta quarta cobra pressão do Brasil na pauta ambiental.
Para negociador na Rio 92, há tempo de mudar agenda da cúpula da ONU.

Um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil, especialistas e políticos, divulgou nesta quarta-feira (18), em São Paulo, manifesto que pede ao governo brasileiro mais atenção à pauta ambiental nas negociações da Rio+20.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada em junho, no Rio de Janeiro, e deve reunir cerca de cem chefes de Estado, segundo o Itamaraty.

Chamado de “Rio mais ou menos 20”, o documento, assinado pelos ex-ministros Marina Silva, José Goldenberg, José Carlos de Carvalho, o embaixador e ex-negociador da ONU, Rubens Ricupero, além de outros nomes, ressalta a urgência da incluir a agenda climática e ambiental nas negociações, para evitar o risco de que o encontro se torne irrelevante e configure em um “retrocesso”.

As contribuições, que serão enviadas à presidência da República, responsável pela organização e condução das negociações da cúpula, ressaltam que o país “praticamente ignorou” a dimensão climática.

O documento informa ainda que o país “deve se engajar claramente, por meio de políticas públicas, na agenda de transição para uma economia de baixo carbono”, com a criação de planos para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Há uma preocupação com a agenda histórica de 1992, com o exílio da problemática ambiental na Rio+20. O tema não precisa ser colocado em oposição ao desenvolvimento sustentável (…). Não há como discutir crise econômica sem discutir a crise ambiental”, disse a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, em evento realizado em São Paulo.

Sem avanços
Para Marina, a sociedade civil não pode ficar “refém da baixa expectativa” para a cúpula e o governo não pode “enterrar” o tema ecologia do debate. “Caso contrário, a Rio+20 será como as conferências anteriores à Rio 92, onde se debatia desenvolvimento sem o tema ambiental”.

O físico nuclear, José Goldemberg, disse que o argumento brasileiro de que o encontro não é uma conferência ambiental representa um “atraso”. Segundo ele, se não der atenção ao pilar ambiental, os demais pilares que compõem o “tripé” que norteia a conferência, o social e o econômico, deixam de existir.

O embaixador Rubens Ricupero, que foi um dos principais negociadores da Rio 92, disse que o Brasil não está assumindo seu papel de anfitrião na conferência ao limitar suas opiniões no debate com as nações em desenvolvimento, que compõem o G77 e China.

“O país tem que posicionar melhor sua opinião e não se juntar ao grupo. Não é mais um debate Norte e Sul”, disse referindo-se ao embate entre países ricos do Hemisfério Norte contra os pobres do lado de baixo da Linha do Equador.

Reversão
Para os ex-ministros, há tempo de reverter a agenda da Rio+20, já que deve ocorrer mais duas rodadas de negociação – uma ainda este mês, em Nova York, e em junho, no Brasil, uma semana antes do encontro com os chefes de Estado. “Há muita coisa para fazer e dá para negociar sim, desde que haja vontade e um trabalho conjunto”, explica Ricupero.

Da esquerda para a direita, os ex-ministros do Meio Ambiente José Carlos de Carvalho, José Goldemberg, Marina Silva e Rubens Ricupero, durante debate realizado na FAAP, em São Paulo. (Foto: Eduardo Carvalho/Globo Natureza)

Da esquerda para a direita, os ex-ministros do Meio Ambiente José Carlos de Carvalho, José Goldemberg, Marina Silva, além do embaixador e negociador brasileiro na Rio92, Rubens Ricupero, durante debate realizado na FAAP, em São Paulo. (Foto: Eduardo Carvalho/Globo Natureza)

Fonte: Globo Natureza


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Senado adia votação da urgência para o Código Florestal

PSOL argumentou que texto deveria sido lido em plenário 24 horas antes.
Diante disso, Marta Suplicy, que presidia sessão, retirou matéria da pauta.

O requerimento que pede urgência para a votação do projeto do novo Código Florestal foi retirado nesta terça (29) da pauta do dia do Senado pela vice-presidente, senadora Marta Suplicy (PT-SP), que presidia a sessão.

O motivo foi um questionamento do PSOL, que argumentou que, para ser votado, o texto do requerimento teria de ter sido lido em plenário com 24 horas de antecedência. Como a leitura não havia sido feita, Marta retirou o requerimento da pauta.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-PA) também afirmou que o texto do projeto, com as mudanças feitas pelo Senado, não foi publicado pela Mesa Diretora da Casa.

O pedido de urgência deve voltar ao plenário na sessão desta quarta-feira (30)

“Vamos suscitar todas as possibilidades do regimento”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-PA), que levantou a questão.

A previsão do governo era colocar o requerimento em votação nesta terça para poder votar a matéria em primeiro turno na quarta.

Além de votação pelos senadores, o projeto do novo Código Florestal vai precisar de uma nova votação na Câmara, uma vez que sofreu mudanças no Senado.

Na última semana, a oposição chegou a cogitar condicionar a votação do Código Florestal à do projeto de regulamentação da Emenda 29, que direciona recursos para a saúde, mas recuou.

Segundo líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), pelo acerto feito, o governo deverá dar uma resposta para a oposição até a próxima terça-feira ( 6) sobre a votação da emenda que regulamenta recursos para a saúde. “Nós vamos brigar para que tenha discussão da Emenda 29″, afirmou o senador do DEM.

Relator do projeto na comissão de Meio Ambiente, o senador Jorge Viana (PT-AC), afirmou que o requerimento de urgência do projeto do Código Florestal será lido e colocado em votação na sessão desta quarta.

Os líderes do DEM, Demóstenes Torres (GO) e do PSDB, Álvaro Dias (PR) dizem acreditar que haverá acordo para a colocação do projeto em votação ainda na quinta-feira, quebrando com isso o prazo de 48 horas regimentais necessários para que o projeto seja colocado em votação no plenário depois da leitura do requerimento de urgência.

Fonte: Iara Lemos, G1, Brasília






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19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Ex-ministros dizem que ambiente foi ‘exilado’ na negociação da Rio+20

Manifesto lançado nesta quarta cobra pressão do Brasil na pauta ambiental.
Para negociador na Rio 92, há tempo de mudar agenda da cúpula da ONU.

Um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente do Brasil, especialistas e políticos, divulgou nesta quarta-feira (18), em São Paulo, manifesto que pede ao governo brasileiro mais atenção à pauta ambiental nas negociações da Rio+20.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, será realizada em junho, no Rio de Janeiro, e deve reunir cerca de cem chefes de Estado, segundo o Itamaraty.

Chamado de “Rio mais ou menos 20”, o documento, assinado pelos ex-ministros Marina Silva, José Goldenberg, José Carlos de Carvalho, o embaixador e ex-negociador da ONU, Rubens Ricupero, além de outros nomes, ressalta a urgência da incluir a agenda climática e ambiental nas negociações, para evitar o risco de que o encontro se torne irrelevante e configure em um “retrocesso”.

As contribuições, que serão enviadas à presidência da República, responsável pela organização e condução das negociações da cúpula, ressaltam que o país “praticamente ignorou” a dimensão climática.

O documento informa ainda que o país “deve se engajar claramente, por meio de políticas públicas, na agenda de transição para uma economia de baixo carbono”, com a criação de planos para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa.

“Há uma preocupação com a agenda histórica de 1992, com o exílio da problemática ambiental na Rio+20. O tema não precisa ser colocado em oposição ao desenvolvimento sustentável (…). Não há como discutir crise econômica sem discutir a crise ambiental”, disse a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, em evento realizado em São Paulo.

Sem avanços
Para Marina, a sociedade civil não pode ficar “refém da baixa expectativa” para a cúpula e o governo não pode “enterrar” o tema ecologia do debate. “Caso contrário, a Rio+20 será como as conferências anteriores à Rio 92, onde se debatia desenvolvimento sem o tema ambiental”.

O físico nuclear, José Goldemberg, disse que o argumento brasileiro de que o encontro não é uma conferência ambiental representa um “atraso”. Segundo ele, se não der atenção ao pilar ambiental, os demais pilares que compõem o “tripé” que norteia a conferência, o social e o econômico, deixam de existir.

O embaixador Rubens Ricupero, que foi um dos principais negociadores da Rio 92, disse que o Brasil não está assumindo seu papel de anfitrião na conferência ao limitar suas opiniões no debate com as nações em desenvolvimento, que compõem o G77 e China.

“O país tem que posicionar melhor sua opinião e não se juntar ao grupo. Não é mais um debate Norte e Sul”, disse referindo-se ao embate entre países ricos do Hemisfério Norte contra os pobres do lado de baixo da Linha do Equador.

Reversão
Para os ex-ministros, há tempo de reverter a agenda da Rio+20, já que deve ocorrer mais duas rodadas de negociação – uma ainda este mês, em Nova York, e em junho, no Brasil, uma semana antes do encontro com os chefes de Estado. “Há muita coisa para fazer e dá para negociar sim, desde que haja vontade e um trabalho conjunto”, explica Ricupero.

Da esquerda para a direita, os ex-ministros do Meio Ambiente José Carlos de Carvalho, José Goldemberg, Marina Silva e Rubens Ricupero, durante debate realizado na FAAP, em São Paulo. (Foto: Eduardo Carvalho/Globo Natureza)

Da esquerda para a direita, os ex-ministros do Meio Ambiente José Carlos de Carvalho, José Goldemberg, Marina Silva, além do embaixador e negociador brasileiro na Rio92, Rubens Ricupero, durante debate realizado na FAAP, em São Paulo. (Foto: Eduardo Carvalho/Globo Natureza)

Fonte: Globo Natureza


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Senado adia votação da urgência para o Código Florestal

PSOL argumentou que texto deveria sido lido em plenário 24 horas antes.
Diante disso, Marta Suplicy, que presidia sessão, retirou matéria da pauta.

O requerimento que pede urgência para a votação do projeto do novo Código Florestal foi retirado nesta terça (29) da pauta do dia do Senado pela vice-presidente, senadora Marta Suplicy (PT-SP), que presidia a sessão.

O motivo foi um questionamento do PSOL, que argumentou que, para ser votado, o texto do requerimento teria de ter sido lido em plenário com 24 horas de antecedência. Como a leitura não havia sido feita, Marta retirou o requerimento da pauta.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-PA) também afirmou que o texto do projeto, com as mudanças feitas pelo Senado, não foi publicado pela Mesa Diretora da Casa.

O pedido de urgência deve voltar ao plenário na sessão desta quarta-feira (30)

“Vamos suscitar todas as possibilidades do regimento”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-PA), que levantou a questão.

A previsão do governo era colocar o requerimento em votação nesta terça para poder votar a matéria em primeiro turno na quarta.

Além de votação pelos senadores, o projeto do novo Código Florestal vai precisar de uma nova votação na Câmara, uma vez que sofreu mudanças no Senado.

Na última semana, a oposição chegou a cogitar condicionar a votação do Código Florestal à do projeto de regulamentação da Emenda 29, que direciona recursos para a saúde, mas recuou.

Segundo líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO), pelo acerto feito, o governo deverá dar uma resposta para a oposição até a próxima terça-feira ( 6) sobre a votação da emenda que regulamenta recursos para a saúde. “Nós vamos brigar para que tenha discussão da Emenda 29″, afirmou o senador do DEM.

Relator do projeto na comissão de Meio Ambiente, o senador Jorge Viana (PT-AC), afirmou que o requerimento de urgência do projeto do Código Florestal será lido e colocado em votação na sessão desta quarta.

Os líderes do DEM, Demóstenes Torres (GO) e do PSDB, Álvaro Dias (PR) dizem acreditar que haverá acordo para a colocação do projeto em votação ainda na quinta-feira, quebrando com isso o prazo de 48 horas regimentais necessários para que o projeto seja colocado em votação no plenário depois da leitura do requerimento de urgência.

Fonte: Iara Lemos, G1, Brasília