12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente

Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos nesta quarta-feira (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.

O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.

“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.

Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.

Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.

“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.

Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.

“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas

Estudo mostra que, com novo Código Florestal, país está na contramão de China, Índia e Rússia, que investem em mais proteção

O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.

O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas. Entenda as principais polêmicas do Código Florestal.

Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contra-mão, desmatando mais do que é reflorestado.

O levantamento, denominado “Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados”, verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.

Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.

Fundo do poço 
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics.

“Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente”, disse Veríssimo à BBC Brasil.

“Estamos atualmente no fundo do poço e desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente. Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais
florestas do que planta,” explica Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon.

“Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta”, afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%.

O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%.

“O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos”, afirma Veríssimo.

A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.

Curva ascendente 
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural.

Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior.

O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo.

Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental

“Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos”, disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).

“E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário.”

Segundo estudo do Imazon, Brasil está ficando para trás na proteção de suas florestas. Foto: Getty Images

Fonte: Portal IG


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento do cerrado tem queda de 15%, aponta ministério

Área desmatada em 2009-2010 foi de 6.469 km²; em 2008-2009, 7.637 km².
Agropecuária, carvão e urbanização foram principais causas, diz ministra.

O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, informou nesta terça-feira (13) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 quilômetros quadrados. Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 quilômetros quadrados, ou 1,05% da área de cerrado do estado.

“Não sabemos ainda por que está diminuindo, nós temos que qualificar essa informação. É importante mostrar que, em alguns estados, o desmatamento está acontecendo em áreas secundárias, áreas que já foram degradadas no passado e que estavam em regeneração”, comentou a ministra.

O cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com uma área de 2.039.386 quilômetros quadrados espalhada em 11 estados e o Distrito Federal.

Desmatamento do cerro tem queda de 15%, aponta Ministério do Meio Ambiente (Foto: Rafaela Céo/G1)

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixiera, apresenta dados de desmatamento do cerrado (Foto: Rafaela Céo/G1)

Segundo a ministra Izabella Teixeira, a pressão econômica sobre o cerrado continua sendo a principal causa para a degradação do bioma. “Os vetores típicos estão presentes e eles são a agricultura, pecuária, carvão e urbanização. Não podemos esquecer que as cidades crescem e crescem nessas áreas”, afirmou.

Para a ministra a redução no ritmo da devastação se deve a mais sofisticação na fiscalização. “Ela está mais sofisticada por causa dos dados de monitoramento, que permitem um planejamento mais dirigido e, do uso da inteligência. A fiscalização não está só correndo atrás do prejuízo. Ela consegue quebrar a coluna econômica do crime”, indica a ministra.

De janeiro a agosto deste ano o Ibama aplicou 517 autos de infração relacionados à destruição da flora do cerrado. Mais de R$ 142 milhões em multas foram aplicados em 140 municípios.

Queimadas
A ministra Izabella Teixeira informou que 322,8 mil hectares em unidades de conservação federais já queimaram em 2011. Em 2010, um ano muito crítico, segundo a responsável pela pasta do meio ambiente, o fogo alcançou mais de 1,6 milhão de hectares de áreas protegidas.

De acordo com ela, nesta seca, 11 unidades de conservação federais foram atingidas por incêndios. Deste total, a suspeita é de que 6 a 8 situações tenham sido provocadas pelo homem de forma criminosa.

“Se há uma boa notícia sobre as queimadas, é que reduzimos em praticamente um sexto da área queimada em unidades de conservação em comparação com o ano passado”, destaca a ministra.

O caso mais grave de queimada está na Floresta Nacional de Brasília (Flona), que teve 75% de uma de suas quatro áreas destruídas pelo fogo. O fogo na Floresta Nacional de Brasília começou na última quinta-feira (8). Criada há 12 anos, floresta tem 9.351 hectares e é dividida em quatro partes. A principal área é a de número 1, cerca de 4 mil hectares e maior quantidade de remanescentes de fauna e flora do cerrado.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, contou que, apesar de não ter sido encontrado artefato usado para provocar o incêndio na Floresta Nacional de Brasília, a ação foi criminosa. “Na Flona, nosso pessoal perseguiu as pessoas após elas colocarem fogo num determinado local.”

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

 

Fonte: Rafaela Céo, G1, DF


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Regulamentação da clonagem de animais aumentará a produtividade da pecuária e ajudará a preservar a fauna brasileira

Projeto de lei da senadora Kátia Abreu regulamenta pesquisa, produção, importação e comercialização de clones de mamíferos, peixes, anfíbios, répteis e aves

A regulamentação da clonagem no Brasil contribuirá para o aumento de produtividade nas atividades de pecuárias de leite e de corte, pois permitirá a reprodução das qualidades genéticas de animais diferenciados, que se destacam como grandes produtores, além daqueles animais que apresentam bons resultados em competições esportivas. Também poderá contribuir para a preservação da fauna brasileira, a partir do avanço das pesquisas que poderão proporcionar a aplicação da técnica para recuperar espécies em extinção. A avaliação é da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, que apresentou o Projeto de Lei do Senado (PLS) 73/2007, regulamentando as atividades de pesquisa, produção, importação, liberação no ambiente e comercialização de clones de mamíferos (exceto humanos), peixes, anfíbios, répteis e aves.

A matéria já foi aprovada pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e aguarda votação do relatório do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA). Ao defender a aprovação do projeto, a presidente da CNA explica que a regulamentação da clonagem é uma necessidade cada vez mais urgente da comunidade científica no País e será um marco para este segmento e para a democratização da pesquisa genética. “Trata-se de uma importante contribuição para organizar o mercado de produção e comércio de clones no Brasil, proporcionando um ambiente de segurança que será de grande relevância para a conquista dos mercados interno e internacional”, enfatiza a senadora Kátia Abreu.

Pelo PLS, os laboratórios responsáveis pela prestação de serviços de clonagem deverão ser credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O projeto também prevê o registro dos animais e dos proprietários, entre outros interessados na importação dos clones, junto aos órgãos competentes. Em alguns casos, a importação de clones dependerá, também, de análise da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), quando envolver animais transgênicos. A matéria prevê penalidades caso haja descumprimento da lei, como multas, apreensão de animais, suspensão do comércio e indenizações.

A presidente da CNA argumenta que a clonagem já é uma prática adotada em outros países, onde o segmento se encontra em estágio bem avançado ou em pleno processo de desenvolvimento. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos, Japão, Argentina, Canadá, China, Nova Zelândia e na Europa. Um exemplo recente de ascensão do processo de clonagem ocorreu na Argentina, onde pesquisadores anunciaram o nascimento de uma bezerra clonada e geneticamente modificada, que passará a produzir leite com substâncias encontradas no leite materno. A proposta ainda será analisada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e em decisão terminativa na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).

Se aprovada, segue para a Câmara dos Deputados.

(Ascom da CNA)


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Norte de MG pode virar deserto dentro de 20 anos

Um terço do território de Minas Gerais pode virar “deserto” em 20 anos. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e concluído em março.

O desmatamento, a monocultura e a pecuária intensiva, somados a condições climáticas adversas, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado.

Se nada for feito para reverter o processo, de acordo com o estudo, essas terras não terão mais uso econômico ou social, o que vai afetar 20% da população mineira.

Isso obrigaria 2,2 milhões de pessoas a deixar a região norte do Estado e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha.
“A terra perde os nutrientes e fica estéril, não serve para a agricultura nem consegue sustentar a vegetação nativa”, afirma Rubio de Andrade, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas, responsável pelo estudo. A região engloba cerrado, caatinga e mata atlântica.

Segundo o governo do Estado, é preciso investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo, que já causa danos no semiárido mineiro. Lá estão 88 das 142 cidades consideradas suscetíveis à desertificação.

Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, disse que áreas desertificadas são diferentes de desertos naturais porque passam por um acentuado declínio de biodiversidade até se tornarem estéreis.

“Já os desertos são ecossistemas com sustentabilidade, ainda que com baixa diversidade. Eles estão vivos.”

PROGRAMA NACIONAL

O estudo foi encomendado para o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, que terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país.

Andrade diz que, para reduzir o fenômeno, é preciso aumentar as reservas naturais de vegetação e recuperar os recursos hídricos.

O agricultor Geraldo Moreno, 50, dono de três hectares em Espinosa (700 km de BH), já sente as mudanças em sua pequena lavoura de feijão.

“Se der para [alimentar] a família dá para comemorar”, diz ele, que sustenta mulher e quatro filhos com a terra.
“Aqui não chove quase nada e não tenho dinheiro para adubar a terra. O que salva são as cabras, mas estão magras”, diz o mineiro, que recebe verba do Bolsa Família para complementar a renda.

O governo pretende reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de carvão.

“A população tem de se conscientizar de que, se essas ações não forem tomadas, nada mais poderá ser produzido”, diz Andrade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Raphael Veleda, de Belo Horizonte.


16 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa analisa pecuária na Amazônia

Impactos ambientais negativos da atividade que cresce na região poderiam ser diminuídos com a exploração de produtos regionais, indica estudo feito na FSP-USP

the mechanic dvd

Por Fábio de Castro – Agência Fapesp O incessante aumento do consumo de carne bovina no mundo contribuiu para que a pecuária assumisse um papel central na economia da Amazônia, com impactos ambientais negativos. Em determinadas regiões, a exploração de produtos alternativos poderia atrair os produtores para outras atividades, limitando a criação de gado e reduzindo a pressão sobre a floresta. Mas as políticas públicas de valorização dos produtos amazônicos têm sido insuficientes e as pastagens seguem ganhando terreno.

Essas são algumas das conclusões de um estudo de caso realizado na região de Xapuri, no Acre, por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). Relacionando dados sobre desnutrição, consumo de carne bovina e desmatamento para criação de pastagens, o trabalho teve o objetivo de avaliar as motivações da crescente pecuarização em território acriano. A pesquisa, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi coordenada pela professora Helena Ribeiro, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP. O estudo também correspondeu à dissertação de mestrado de Gabriela Bordini Prado, sob orientação de Helena.

A literatura científica mostra que vastas áreas da Amazônia foram ocupadas por pastagens nas últimas décadas. Atualmente, segundo Helena, cerca de 40% do abate bovino no Brasil – maior exportador mundial de carne – é proveniente da região amazônica. “Nosso objetivo foi compreender a dinâmica da produção de gado na região. O consumo de carne vem crescendo aceleradamente no Brasil e no mundo e está associado ao aumento de doenças como a obesidade e o câncer colorretal. Por outro lado, é apontado também como um importante fator de desmatamento na Amazônia”, disse à Agência Fapesp.

Além de dados da literatura internacional sobre o desmatamento na Amazônia, o estudo utilizou como base informações sobre desnutrição, consumo de carne e produção de alimentos no mundo do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “Em paralelo à pesquisa sobre dados indiretos, fizemos um amplo trabalho de campo na reserva extrativista Chico Mendes, na região de Xapuri. Um dos dados que verificamos é que nas próprias reservas extrativistas, originalmente criadas para a exploração de recursos naturais das florestas, o avanço da criação de gado é visível. O trabalho de campo permitiu compreender essa dinâmica”, disse.

Segundo a professora da FSP-USP, o consumo de carne, em ascensão, gera um mercado cada vez mais robusto e impulsiona o valor da mercadoria. No entanto, como alternativa alimentar, o consumo de carne é altamente ineficiente, aponta. “Um hectare de terra utilizada para a pecuária produz 34 quilos de carne. Na mesma área é possível produzir 6.500 quilos de milho, ou 3.800 quilos de feijão. Assim, uma região de pastagens poderia alimentar uma parcela maior da população, sem necessidade de desmatamento e ocupação de novas terras. Além disso, a dieta baseada em cereais diminuiria os impactos na saúde”, afirmou.

Já na década de 1970 grupos ambientalistas argumentavam que era preciso favorecer alternativas ao consumo de carne. Grande parte da literatura científica sobre o tema foi produzida naquela época, nos Estados Unidos. “Retomamos essa reflexão. Hoje, sabemos que quando se fala em coibir o desmatamento da Amazônia é preciso criar alternativas econômicas à pecuária”, afirmou. Nas entrevistas realizadas no Acre, no entanto, verificou-se que a ocupação do território pela pecuária, tanto por grandes como pequenos produtores, é uma forma de acomodação de capital e reserva monetária.

“Muitos dos entrevistados trabalhavam originalmente com atividades extrativistas. Mas a queda no preço de produtos como a borracha, por exemplo, levou essas pessoas a optar pela criação de cabeças de gado”, disse Helena. O governo criou, em Xapuri, uma fábrica de preservativos com o objetivo de absorver a produção dos seringais locais. No entanto, a medida não foi suficiente para incentivar a atividade, já que o preço da carne era mais atraente.

“A região também produz castanha-do-brasil. Inicialmente, a atividade atraiu muita gente, mas não foram estabelecidas políticas públicas para criar um mercado. Assim, o aumento da oferta derrubou o preço da castanha e a cooperativa que existia na região acabou fechando. Os produtores também foram atraídos pela atividade pecuária”, explicou.

Reserva de valor

A tradição pecuarista na região teve início na década de 1970, durante a ditadura militar, que incentivou a atividade como forma de ocupação das fronteiras. Essa política atraiu para a região muitos paulistas e paranaenses que se dedicaram à atividade pecuária. “Usada como forma de ocupação geopolítica, a pecuária se tornou uma tradição. O governo criou fundos de investimentos que incentivavam essa atividade, atraindo frigoríficos do Sudeste. O processo de pecuarização continuou nas décadas seguintes. Entre 1998 e 2004, no Acre, o rebanho bovino passou de 900 mil cabeças para 2,5 milhões de cabeças”, disse.

Para os pequenos produtores, a criação de gado representa uma reserva de valor. “Cada vez que juntam um pouco de dinheiro, eles compram uma cabeça de gado. Quando há necessidade, eles vendem essa reserva. O plano da reserva extrativista permite que se tenha até 30 cabeças de gado por colocação. Mas vimos colocações com até 600 cabeças. Aos poucos, essa atividade vai avançando sobre a floresta”, disse Helena.

As políticas públicas para valorização dos produtos amazônicos, que poderiam reverter esse quadro, são incipientes, afirma. “Há uma série de alternativas, mas a criação de gado acaba se impondo. Um dos aspectos apurados pela pesquisa é a facilidade encontrada pelo pequeno produtor para escoar a produção de carne. Os frigoríficos buscam a mercadoria quando eles querem vender. No caso da castanha, da madeira e da borracha, ao contrário, é preciso se deslocar até a cidade para vender os produtos”, afirmou.

Helena explica que, de acordo com a FAO, o mundo produz mais calorias que o necessário para alimentar todos os habitantes do planeta. Ainda assim, pelo menos 850 milhões de pessoas sofrem com a fome. “Mesmo na Amazônia, a maior parte da carne produzida não é utilizada para alimentar a população local, mas enviada ao Sudeste ou exportada”, disse.

Os dados da FAO mostram, segundo ela, que o planeta produz, em grãos, cerca de 7 quadrilhões de calorias, o que excede em 1,5 quadrilhão a quantidade total de calorias necessária para alimentar todos os habitantes da Terra. Esse excedente de grãos é utilizado para alimentar o gado, incentivando a produção de carne. “O problema é que a perda da substituição de grãos pela carne é muito grande: para produzir uma quilocaloria de carne é preciso alimentar o gado com 17 quilocalorias de grãos”, disse.






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Brasil tem o equivalente a duas Franças em áreas degradadas, diz Ministério do Meio Ambiente

Se o Brasil recuperasse suas áreas degradadas – terras abandonadas, em processo de erosão ou mal utilizadas – não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para a agropecuária. A avaliação é de técnicos e pesquisadores reunidos nesta quarta-feira (11), durante o 9º Simpósio Nacional de Recuperação de Áreas Degradadas (9º Sinrad), que ocorre no Rio até dia 13.

O diretor do Departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernando Tatagiba, estimou em até 140 milhões de hectares o total de terras nessa situação no país, área superior a duas vezes o tamanho da França. O ministério está finalizando seu novo plano plurianual, que dará grande importância à recuperação da terra como forma de evitar o empobrecimento das populações e prevenir a derrubada de mais áreas de florestas.

“Neste plano está estabelecida uma meta de elaborar, até 2015, um plano nacional de recuperação de áreas degradadas, que necessariamente deve ser feito com políticas integradas com outros setores da sociedade. Não existe um número preciso [de terras degradadas], mas gira em torno de 140 milhões de hectares. É um grande desafio que temos pela frente, de superar esse passivo, pois essas áreas geram prejuízos enormes para o país e trazem pobreza para o produtor rural”, disse Tatagiba.

Segundo o diretor, existem áreas degradadas em todos os biomas e regiões do país. “Obviamente, onde a ocupação humana é mais antiga, existem áreas mais extensas, como é o caso da Mata Atlântica. Mais recentemente, temos o Cerrado. Na Amazônia, as áreas degradadas estão localizadas em locais de mineração e no chamado Arco do Desmatamento [faixa de terra de pressão agrícola marcada por queimadas e derrubadas, ao sul da Amazônia, do Maranhão ao Acre]”, explicou.

Tatagiba considerou que se as áreas degradadas forem recuperadas, não seria preciso derrubar mais nenhum hectare de floresta para agricultura e pecuária, ainda que na prática nem toda área possa ser totalmente recuperada.

“Para reduzir a pressão sobre florestas, há necessidade de se recuperar pastagens degradadas, que são em torno de 15 milhões de hectares. Se você recupera a capacidade produtiva dessa pastagem, elimina a necessidade de suprimir uma área equivalente em florestas. Além disso, é preciso aumentar a produtividade da pecuária, pois não tem cabimento um boi por Maracanã [equivalente a um hectare]”, comparou Tatagiba.

Para o chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agrobiologia), Eduardo Campello, o Brasil já detém tecnologia própria para reverter a degradação das terras, por meio de processos de seleção e manejo e trocando produtos químicos por insumos biológicos. Com isso, ele considera ser possível reduzir ou até reverter a derrubada de florestas para a agropecuária.

“Várias dessas áreas podem se tornar mais rentáveis, tirando a pressão sobre as florestas e os remanescentes nativos. Já tivemos avanços incontestáveis com o plantio direto [técnica em que se roça a terra e se semeia em seguida, evitando a erosão]. É preciso integrar lavoura, pecuária e floresta, usando mecanismos naturais, como fixação biológica de nitrogênio, evitando o uso de adubo químico. Já temos áreas abertas suficientes, o que precisamos é recuperar o solo.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Brasil perde para outros Brics na hora de proteger suas florestas

Estudo mostra que, com novo Código Florestal, país está na contramão de China, Índia e Rússia, que investem em mais proteção

O Brasil está atrás de China, Rússia e Índia no combate ao desmatamento e na recuperação da área florestal perdida. Esta é a conclusão de um estudo organizado pelo instituto brasileiro Imazon e o Proforest, ligado à Universidade de Oxford, que estudo comparou a situação em 11 países e mostra que nos quesitos preservação e reflorestamento o Brasil está perdendo a corrida com outros países dos Brics.

O estudo, divulgado no momento em que o Senado debate os termos do novo Código Florestal quanto ao tratamento de áreas verdes do país, compara a forma com que o Brasil e outros países lidam com o tema e analisa o que está sendo feito de suas florestas. Entenda as principais polêmicas do Código Florestal.

Se colocados lado a lado, os dados mostram que, enquanto China, Índia e Rússia têm criado leis para proteger suas florestas e agem para recuperar o que já foi devastado, o Brasil segue na contra-mão, desmatando mais do que é reflorestado.

O levantamento, denominado “Um Resumo do Status das Florestas em Países Selecionados”, verificou um padrão semelhante nos países analisados. Primeiro, passam por intenso processo de desmatamento, normalmente quando estão se desenvolvendo, para abrir espaço para a agricultura e explorar matérias-primas.

Em seguida, essa devastação é interrompida por fatores que vão da escassez dos produtos florestais à preocupação ambiental. Começa então uma curva ascendente, com políticas de proteção ambiental e reflorestamento.

Fundo do poço 
Para Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon e coordenador do levantamento no país, o Brasil está longe de acompanhar os outros Brics.

“Estamos atualmente no fundo do poço e um desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente”, disse Veríssimo à BBC Brasil.

“Estamos atualmente no fundo do poço e desses bem profundos, porque quando ainda é pobre, o país dilapida suas florestas, mas à medida que se torna emergente, começa a mostrar uma curva ascendente. Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais
florestas do que planta,” explica Adalberto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon.

“Mas o que vemos aqui não é nada disso. O Brasil já é emergente e continua caindo, já que perde mais florestas do que planta”, afirma o pesquisador, lembrando que se originalmente o país tinha 90% de seu território coberto por florestas, hoje essa proporção é de 56%.

O exemplo mais contundente talvez seja a China, que com um amplo programa oficial superou a fase de devastação intensa e já conseguiu recuperar suas florestas, apesar de ainda serem limitadas. Segundo dados da FAO, a cobertura florestal do país em 1950 não chegava nem a 10% do território, enquanto hoje ocupa 22%.

“O principal interesse chinês é impulsionar sua economia e criar uma reserva estratégica para o país, protegendo, por exemplo, áreas como as que têm recursos hídricos”, afirma Veríssimo.

A legislação da China impede que florestas sejam suprimidas em prol de mineração ou projetos de infraestutura e só abre exceções mediante a autorização governamental e pagamento de taxa de restauração ambiental.

Curva ascendente 
Já a Rússia, país com maior cobertura florestal do mundo, ampliou essa área em 15% em 60 anos e hoje tem quase metade de seu território coberto por florestas. O crescimento deve-se a uma melhoria na legislação, também resultado da menor dependência da área rural.

Segundo o estudo, a Índia também já começou avançar rumo ao reflorestamento, embora em um nível bem mais tímido, de 21% para 22%. Mas o pesquisador lembra que os entraves indianos são muitos mais duros do que os brasileiros, já que eles vivem em território muito menor que o nosso com uma população cerca de seis vezes maior.

O estudo do Imazon e da Proforest, que incluiu também países europeus e da América do Norte, deixa claro que para fazer progresso nessa trajetória de recuperação ambiental são precisos incentivos do governo.

Setores ruralistas rejeitam as conclusões do estudo pois acreditam que a falta de incentivo governamental no Brasil invalida as comparações. Eles alegam que o estudo põe lado a lado países que não são comparáveis, justamente por receberem benefícios em prol da conservação ambiental

“Esse estudo é uma interpretação parcial dos dados, porque mostra que países que, após devastarem quase toda a área verde que tinham, vêm replantando com recursos obtidos na forma de incentivos financeiros e indenizações para áreas que deixam de produzir alimentos”, disse à BBC Brasil, Assuero Veronez, vice-presidente da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária).

“E não podemos comparar isso com a nossa legislção, que apenas restringe o uso sem qualquer tipo de indenização ou compensação ao proprietário.”

Segundo estudo do Imazon, Brasil está ficando para trás na proteção de suas florestas. Foto: Getty Images

Fonte: Portal IG


14 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Desmatamento do cerrado tem queda de 15%, aponta ministério

Área desmatada em 2009-2010 foi de 6.469 km²; em 2008-2009, 7.637 km².
Agropecuária, carvão e urbanização foram principais causas, diz ministra.

O cerrado brasileiro teve uma área desmatada de 6.469 quilômetros quadrados entre 2009 e 2010, informou nesta terça-feira (13) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O número equivale a uma redução de 15,3% em relação à medição anterior (2008-2009), quando o bioma perdeu 7.637 quilômetros quadrados de área.

Em números absolutos, o estado que mais desmatou foi o Maranhão, com uma área de 1.587 quilômetros quadrados. Percentualmente, o Piauí foi o estado com maior perda de área – 979 quilômetros quadrados, ou 1,05% da área de cerrado do estado.

“Não sabemos ainda por que está diminuindo, nós temos que qualificar essa informação. É importante mostrar que, em alguns estados, o desmatamento está acontecendo em áreas secundárias, áreas que já foram degradadas no passado e que estavam em regeneração”, comentou a ministra.

O cerrado é o segundo maior bioma do Brasil, com uma área de 2.039.386 quilômetros quadrados espalhada em 11 estados e o Distrito Federal.

Desmatamento do cerro tem queda de 15%, aponta Ministério do Meio Ambiente (Foto: Rafaela Céo/G1)

Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixiera, apresenta dados de desmatamento do cerrado (Foto: Rafaela Céo/G1)

Segundo a ministra Izabella Teixeira, a pressão econômica sobre o cerrado continua sendo a principal causa para a degradação do bioma. “Os vetores típicos estão presentes e eles são a agricultura, pecuária, carvão e urbanização. Não podemos esquecer que as cidades crescem e crescem nessas áreas”, afirmou.

Para a ministra a redução no ritmo da devastação se deve a mais sofisticação na fiscalização. “Ela está mais sofisticada por causa dos dados de monitoramento, que permitem um planejamento mais dirigido e, do uso da inteligência. A fiscalização não está só correndo atrás do prejuízo. Ela consegue quebrar a coluna econômica do crime”, indica a ministra.

De janeiro a agosto deste ano o Ibama aplicou 517 autos de infração relacionados à destruição da flora do cerrado. Mais de R$ 142 milhões em multas foram aplicados em 140 municípios.

Queimadas
A ministra Izabella Teixeira informou que 322,8 mil hectares em unidades de conservação federais já queimaram em 2011. Em 2010, um ano muito crítico, segundo a responsável pela pasta do meio ambiente, o fogo alcançou mais de 1,6 milhão de hectares de áreas protegidas.

De acordo com ela, nesta seca, 11 unidades de conservação federais foram atingidas por incêndios. Deste total, a suspeita é de que 6 a 8 situações tenham sido provocadas pelo homem de forma criminosa.

“Se há uma boa notícia sobre as queimadas, é que reduzimos em praticamente um sexto da área queimada em unidades de conservação em comparação com o ano passado”, destaca a ministra.

O caso mais grave de queimada está na Floresta Nacional de Brasília (Flona), que teve 75% de uma de suas quatro áreas destruídas pelo fogo. O fogo na Floresta Nacional de Brasília começou na última quinta-feira (8). Criada há 12 anos, floresta tem 9.351 hectares e é dividida em quatro partes. A principal área é a de número 1, cerca de 4 mil hectares e maior quantidade de remanescentes de fauna e flora do cerrado.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, contou que, apesar de não ter sido encontrado artefato usado para provocar o incêndio na Floresta Nacional de Brasília, a ação foi criminosa. “Na Flona, nosso pessoal perseguiu as pessoas após elas colocarem fogo num determinado local.”

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

Mapa do desmatamento no bioma cerrado - Em vermelho, áreas devastadas até 2010; em rosa, áreas devastadas até 2009; em verde, remanescentes da flora do cerrado; em azul, corpos d'água. (Foto: Divulgação/Ministério do Meio Ambiente)

 

Fonte: Rafaela Céo, G1, DF


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


6 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Regulamentação da clonagem de animais aumentará a produtividade da pecuária e ajudará a preservar a fauna brasileira

Projeto de lei da senadora Kátia Abreu regulamenta pesquisa, produção, importação e comercialização de clones de mamíferos, peixes, anfíbios, répteis e aves

A regulamentação da clonagem no Brasil contribuirá para o aumento de produtividade nas atividades de pecuárias de leite e de corte, pois permitirá a reprodução das qualidades genéticas de animais diferenciados, que se destacam como grandes produtores, além daqueles animais que apresentam bons resultados em competições esportivas. Também poderá contribuir para a preservação da fauna brasileira, a partir do avanço das pesquisas que poderão proporcionar a aplicação da técnica para recuperar espécies em extinção. A avaliação é da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, que apresentou o Projeto de Lei do Senado (PLS) 73/2007, regulamentando as atividades de pesquisa, produção, importação, liberação no ambiente e comercialização de clones de mamíferos (exceto humanos), peixes, anfíbios, répteis e aves.

A matéria já foi aprovada pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) e aguarda votação do relatório do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado (CRA). Ao defender a aprovação do projeto, a presidente da CNA explica que a regulamentação da clonagem é uma necessidade cada vez mais urgente da comunidade científica no País e será um marco para este segmento e para a democratização da pesquisa genética. “Trata-se de uma importante contribuição para organizar o mercado de produção e comércio de clones no Brasil, proporcionando um ambiente de segurança que será de grande relevância para a conquista dos mercados interno e internacional”, enfatiza a senadora Kátia Abreu.

Pelo PLS, os laboratórios responsáveis pela prestação de serviços de clonagem deverão ser credenciados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O projeto também prevê o registro dos animais e dos proprietários, entre outros interessados na importação dos clones, junto aos órgãos competentes. Em alguns casos, a importação de clones dependerá, também, de análise da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), quando envolver animais transgênicos. A matéria prevê penalidades caso haja descumprimento da lei, como multas, apreensão de animais, suspensão do comércio e indenizações.

A presidente da CNA argumenta que a clonagem já é uma prática adotada em outros países, onde o segmento se encontra em estágio bem avançado ou em pleno processo de desenvolvimento. É o caso, por exemplo, dos Estados Unidos, Japão, Argentina, Canadá, China, Nova Zelândia e na Europa. Um exemplo recente de ascensão do processo de clonagem ocorreu na Argentina, onde pesquisadores anunciaram o nascimento de uma bezerra clonada e geneticamente modificada, que passará a produzir leite com substâncias encontradas no leite materno. A proposta ainda será analisada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e em decisão terminativa na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA).

Se aprovada, segue para a Câmara dos Deputados.

(Ascom da CNA)


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Norte de MG pode virar deserto dentro de 20 anos

Um terço do território de Minas Gerais pode virar “deserto” em 20 anos. A conclusão é de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente ao governo mineiro e concluído em março.

O desmatamento, a monocultura e a pecuária intensiva, somados a condições climáticas adversas, empobreceram o solo de 142 municípios do Estado.

Se nada for feito para reverter o processo, de acordo com o estudo, essas terras não terão mais uso econômico ou social, o que vai afetar 20% da população mineira.

Isso obrigaria 2,2 milhões de pessoas a deixar a região norte do Estado e os vales do Mucuri e do Jequitinhonha.
“A terra perde os nutrientes e fica estéril, não serve para a agricultura nem consegue sustentar a vegetação nativa”, afirma Rubio de Andrade, presidente do Instituto de Desenvolvimento do Norte e Nordeste de Minas, responsável pelo estudo. A região engloba cerrado, caatinga e mata atlântica.

Segundo o governo do Estado, é preciso investir R$ 1,3 bilhão nas próximas décadas para frear o processo, que já causa danos no semiárido mineiro. Lá estão 88 das 142 cidades consideradas suscetíveis à desertificação.

Vladia Oliveira, professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará, disse que áreas desertificadas são diferentes de desertos naturais porque passam por um acentuado declínio de biodiversidade até se tornarem estéreis.

“Já os desertos são ecossistemas com sustentabilidade, ainda que com baixa diversidade. Eles estão vivos.”

PROGRAMA NACIONAL

O estudo foi encomendado para o Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação, que terá R$ 6 milhões neste ano para combater a desertificação no país.

Andrade diz que, para reduzir o fenômeno, é preciso aumentar as reservas naturais de vegetação e recuperar os recursos hídricos.

O agricultor Geraldo Moreno, 50, dono de três hectares em Espinosa (700 km de BH), já sente as mudanças em sua pequena lavoura de feijão.

“Se der para [alimentar] a família dá para comemorar”, diz ele, que sustenta mulher e quatro filhos com a terra.
“Aqui não chove quase nada e não tenho dinheiro para adubar a terra. O que salva são as cabras, mas estão magras”, diz o mineiro, que recebe verba do Bolsa Família para complementar a renda.

O governo pretende reduzir o espaço destinado ao gado nas áreas de caatinga e restringir atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de carvão.

“A população tem de se conscientizar de que, se essas ações não forem tomadas, nada mais poderá ser produzido”, diz Andrade.

Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Raphael Veleda, de Belo Horizonte.


16 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa analisa pecuária na Amazônia

Impactos ambientais negativos da atividade que cresce na região poderiam ser diminuídos com a exploração de produtos regionais, indica estudo feito na FSP-USP

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Por Fábio de Castro – Agência Fapesp O incessante aumento do consumo de carne bovina no mundo contribuiu para que a pecuária assumisse um papel central na economia da Amazônia, com impactos ambientais negativos. Em determinadas regiões, a exploração de produtos alternativos poderia atrair os produtores para outras atividades, limitando a criação de gado e reduzindo a pressão sobre a floresta. Mas as políticas públicas de valorização dos produtos amazônicos têm sido insuficientes e as pastagens seguem ganhando terreno.

Essas são algumas das conclusões de um estudo de caso realizado na região de Xapuri, no Acre, por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP). Relacionando dados sobre desnutrição, consumo de carne bovina e desmatamento para criação de pastagens, o trabalho teve o objetivo de avaliar as motivações da crescente pecuarização em território acriano. A pesquisa, que teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, foi coordenada pela professora Helena Ribeiro, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP. O estudo também correspondeu à dissertação de mestrado de Gabriela Bordini Prado, sob orientação de Helena.

A literatura científica mostra que vastas áreas da Amazônia foram ocupadas por pastagens nas últimas décadas. Atualmente, segundo Helena, cerca de 40% do abate bovino no Brasil – maior exportador mundial de carne – é proveniente da região amazônica. “Nosso objetivo foi compreender a dinâmica da produção de gado na região. O consumo de carne vem crescendo aceleradamente no Brasil e no mundo e está associado ao aumento de doenças como a obesidade e o câncer colorretal. Por outro lado, é apontado também como um importante fator de desmatamento na Amazônia”, disse à Agência Fapesp.

Além de dados da literatura internacional sobre o desmatamento na Amazônia, o estudo utilizou como base informações sobre desnutrição, consumo de carne e produção de alimentos no mundo do Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “Em paralelo à pesquisa sobre dados indiretos, fizemos um amplo trabalho de campo na reserva extrativista Chico Mendes, na região de Xapuri. Um dos dados que verificamos é que nas próprias reservas extrativistas, originalmente criadas para a exploração de recursos naturais das florestas, o avanço da criação de gado é visível. O trabalho de campo permitiu compreender essa dinâmica”, disse.

Segundo a professora da FSP-USP, o consumo de carne, em ascensão, gera um mercado cada vez mais robusto e impulsiona o valor da mercadoria. No entanto, como alternativa alimentar, o consumo de carne é altamente ineficiente, aponta. “Um hectare de terra utilizada para a pecuária produz 34 quilos de carne. Na mesma área é possível produzir 6.500 quilos de milho, ou 3.800 quilos de feijão. Assim, uma região de pastagens poderia alimentar uma parcela maior da população, sem necessidade de desmatamento e ocupação de novas terras. Além disso, a dieta baseada em cereais diminuiria os impactos na saúde”, afirmou.

Já na década de 1970 grupos ambientalistas argumentavam que era preciso favorecer alternativas ao consumo de carne. Grande parte da literatura científica sobre o tema foi produzida naquela época, nos Estados Unidos. “Retomamos essa reflexão. Hoje, sabemos que quando se fala em coibir o desmatamento da Amazônia é preciso criar alternativas econômicas à pecuária”, afirmou. Nas entrevistas realizadas no Acre, no entanto, verificou-se que a ocupação do território pela pecuária, tanto por grandes como pequenos produtores, é uma forma de acomodação de capital e reserva monetária.

“Muitos dos entrevistados trabalhavam originalmente com atividades extrativistas. Mas a queda no preço de produtos como a borracha, por exemplo, levou essas pessoas a optar pela criação de cabeças de gado”, disse Helena. O governo criou, em Xapuri, uma fábrica de preservativos com o objetivo de absorver a produção dos seringais locais. No entanto, a medida não foi suficiente para incentivar a atividade, já que o preço da carne era mais atraente.

“A região também produz castanha-do-brasil. Inicialmente, a atividade atraiu muita gente, mas não foram estabelecidas políticas públicas para criar um mercado. Assim, o aumento da oferta derrubou o preço da castanha e a cooperativa que existia na região acabou fechando. Os produtores também foram atraídos pela atividade pecuária”, explicou.

Reserva de valor

A tradição pecuarista na região teve início na década de 1970, durante a ditadura militar, que incentivou a atividade como forma de ocupação das fronteiras. Essa política atraiu para a região muitos paulistas e paranaenses que se dedicaram à atividade pecuária. “Usada como forma de ocupação geopolítica, a pecuária se tornou uma tradição. O governo criou fundos de investimentos que incentivavam essa atividade, atraindo frigoríficos do Sudeste. O processo de pecuarização continuou nas décadas seguintes. Entre 1998 e 2004, no Acre, o rebanho bovino passou de 900 mil cabeças para 2,5 milhões de cabeças”, disse.

Para os pequenos produtores, a criação de gado representa uma reserva de valor. “Cada vez que juntam um pouco de dinheiro, eles compram uma cabeça de gado. Quando há necessidade, eles vendem essa reserva. O plano da reserva extrativista permite que se tenha até 30 cabeças de gado por colocação. Mas vimos colocações com até 600 cabeças. Aos poucos, essa atividade vai avançando sobre a floresta”, disse Helena.

As políticas públicas para valorização dos produtos amazônicos, que poderiam reverter esse quadro, são incipientes, afirma. “Há uma série de alternativas, mas a criação de gado acaba se impondo. Um dos aspectos apurados pela pesquisa é a facilidade encontrada pelo pequeno produtor para escoar a produção de carne. Os frigoríficos buscam a mercadoria quando eles querem vender. No caso da castanha, da madeira e da borracha, ao contrário, é preciso se deslocar até a cidade para vender os produtos”, afirmou.

Helena explica que, de acordo com a FAO, o mundo produz mais calorias que o necessário para alimentar todos os habitantes do planeta. Ainda assim, pelo menos 850 milhões de pessoas sofrem com a fome. “Mesmo na Amazônia, a maior parte da carne produzida não é utilizada para alimentar a população local, mas enviada ao Sudeste ou exportada”, disse.

Os dados da FAO mostram, segundo ela, que o planeta produz, em grãos, cerca de 7 quadrilhões de calorias, o que excede em 1,5 quadrilhão a quantidade total de calorias necessária para alimentar todos os habitantes da Terra. Esse excedente de grãos é utilizado para alimentar o gado, incentivando a produção de carne. “O problema é que a perda da substituição de grãos pela carne é muito grande: para produzir uma quilocaloria de carne é preciso alimentar o gado com 17 quilocalorias de grãos”, disse.