6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam ‘Google Earth’ de células de peixe

Nanoscopia eletrônica revela detalhes de tecidos de embrião de peixe zebra

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um sistema de alta resolução que é capaz de mostrar, em detalhes, as imagens celulares de um organismo vivo. Assim como o Google Earth é capaz de aproximar imagens de satélite a ponto de ser possível visualizar uma rua específica na Terra, a nova ferramenta consegue tornar visíveis as imagens microscópicas que compõem as células de um embrião de peixe zebra. A novidade foi publicada no periódico Cell Biology.

A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe de cientistas da Leiden University Medical Center, da Holanda, e foi feita por meio de uma técnica chamada de nanoscopia virtual. Eles reuniram 26 mil imagens individuais obtidas por microscopia eletrônica a partir de um único organismo, um embrião de peixe zebra de 1,5 milímetro. As imagens foram colocadas em um sistema de publicação de dados no site do periódico (http://jcb-dataviewer.rupress.org/jcb/browse/5553/17144/), e é aberta ao público.

São 281 gigapixels de dados e uma resolução de 16 milhões de pixels por polegada. Essa é a primeira vez que é possível ter tal visão da estrutura orgânica. Essa capacidade de integrar informações entre células e tecidos poderá ajudar os pesquisadores em futuras descobertas usando a mesma técnica.

Peixe Zebra

Milhares de imagens microscópicas do embrião de um Peixe Zebra foram reunidas em uma espécie de 'Google Earth' da biologia celular (Mark Smith)

Células

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, imagens de microscopia eletrônica em alta resolução mostram aproximação de células de um embrião de peixe zebra. Imagem Rockefeller University/Divulgação

Fonte: Veja Ciência


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Liberar desova do salmão beneficia ursos e pescadores, diz estudo

Densidade demográfica de ursos cresce se há mais alimento disponível.
Além disso, número de peixes pode aumentar e contribuir com a pesca.

Companhias de pesca de salmão no noroeste do Pacífico costumam liberar a passagem de apenas um pequeno número de peixes para permitir a desova. Segundo um novo estudo publicado na terça-feira (10) no jornal “PLoS Biology”, a liberação de mais peixes pode beneficiar ursos e pescadores.

Para medir os impactos, os pesquisadores verificaram hábitos alimentares de ursos cinzentos, uma variedade de urso pardo, em seis regiões do Alasca e do Canadá. Quando a disponibilidade de salmão era elevada, maior era a densidade de ursos. Assim, liberar a desova beneficiaria o mamífero, argumenta a pesquisa, conduzida por cientistas de universidades americanas e canadenses.

Além disso, quando poucos salmões são liberados para desovar, os ursos se alimentam do peixe inteiro. Já quando a disponibilidade de alimento é maior, os ursos comem apenas algumas partes, como o cérebro. Segundo a pesquisa, este hábito contribui para o ecossistema, já que outros animais podem se beneficiar da sobra do salmão.

Ainda de acordo com o estudo, a medida também poderia aumentar, em alguns casos, o número de peixes no oceano, o que beneficiaria a pesca comercial. Em outras situações, liberar a desova poderia trazer prejuízos para a pesca – mas os benefícios para o ecossistema seriam muito maiores que as perdas econômicas, argumentam os cientistas.

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Fonte: Globo Natureza


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixe pré-histórico entra em lista de espécies ameaçadas dos EUA

Esturjão teria 13 mil anos e antepassados teriam convivido com dinossauros.
Pesca comercial para produzir caviar reduziu drasticamente a população.

População de esturjão do Atlântico caiu drasticamente devido pesca comercial (Foto: Flickr / anglerp1 /CC BY 2.0)

População de esturjão caiu drasticamente devido pesca comercial (Foto: Flickr / anglerp1 /CC BY 2.0)

O esturjão do Atlântico, um peixe considerado como pré-histórico, foi acrescentado à lista de espécies em perigo dos Estados Unidose sua pesca será proibida por mais de uma década. A decisão será publicada nesta segunda-feira (6) pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) e passa a valer a partir de 6 de abril.

De acordo com o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), um grupo ambiental dos Estados Unidos, a espécie do Atlântico existe há mais de 13 mil anos e seus antepassados teriam convivido com os dinossauros. Os animais alcançariam até quatro metros, com um peso de mais de 350 kg, e poderiam chegar aos 60 anos.

“Um peixe monstruoso, que nadou ao lado de dinossauros e depois sobreviveu à extinção em massa, nos traz a esperança de que, com a nossa proteção, irá sobreviver”, comemorou Brad Sewell, ativista do NRDC.

O número de animais da espécie caiu drasticamente no último século. Nos Estados Unidos, os esturjões desapareceram de 14 dos rios que costumavam habitar. Além disso, o número de locais onde ocorre a desova caiu praticamente pela metade, de acordo com a Noaa.

No rio Delaware, um dos habitats do esturjão do Atlântico, restam hoje apenas 300 fêmas adultas, de 180 mil existentes em 1890, apontou pesquisa da Noaa em parceria com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos.

A queda no número de animais é consequência principalmente da pesca comercial para produzir caviar de esturjão, entre 1870 a 1950. Atualmente, as maiores ameaças à espécie são represas que bloqueiam a movimentação para locais de desova, baixa qualidade da água e pesca não intencional – quando pescadores acabam capturando o esturjão ao tentar pescar outros peixes.

Quatro tipos de esturjão do Atlântico foram listados pelo Noaa como espécies em perigo e um quinto foi considerado ameaçado.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo

 


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Especialista diz que peixe da espécie dourado está ameaçada em MS

Pesquisa revelou que esta espécie está com difculdades de reprodução.
Prefeitura de Corumbá quer proibir a pesca desse tipo de peixe.

Especialista afirma que espécie de peixe Dourado está ameaçado (Foto: Reprodução/TV Morena)

Especialista afirma que espécie de peixe Dourado está ameaçado (Foto: Reprodução/TV Morena)

Um estudo feito nos rios no entorno de Corumbá, cidade a 444 quilômetros de Campo Grande, mostrou que a sobrevivência da espécie de peixe popularmente conhecida como dourado está ameaçada. A pesquisa mostrou que esses peixes estão cada vez menores e não estão se desenvolvendo como deveriam.

A análise foi coordenada pelo especialista em biologia pesqueira Thomaz Liparelli e começou depois de um alerta feito pelos pescadores profissionais e empresas de turismo. Eles observaram que o tamanho dos dourados fisgados começou a diminuir.

“No caso do dourado especificamente, estamos observando a captura excessiva de indivíduos de pequeno porte”, disse Liparelli, “Sentimos a necessidade de que tenhamos o início ou a primeira atividade nesse sentido, de coibir a pesca predatória”.

Segundo ele, o tamanho dos peixes capturados dão um alerta, a espécie está com dificuldades para se reproduzir.

A prefeitura de Corumbá enviou para a Câmara de Vereadores da cidade um projeto de lei que proíbe a pesca desse tipo de peixe durante um período que podechegar a cinco anos. “A cada ciclo reprodutivo é possível visualizar o resultado. Esperamos que dentro de três ciclos ou em média quatro anos, tenhamos algum resultado satisfatório, principalmente em relação ao tamanho dos exemplares e a ocorrência da espécie em pontos que até então estavam desaparecidos”, diz o especialista.

O projeto vai seguir para análise dos vereadores. Se for aprovado, a partir do ano que vem a pesca extrativa do dourado ficará proibida nos rios de Corumbá. A lei só não terá efeito sobre os ribeirinhos.

No rio Paraguai só será permitida a pesca esportiva, aquela em que o peixe é fisgado com petrechos especiais e depois é devolvido, sem ferimentos, para o rio.

Fonte: G1, MS


1 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Libélulas ‘morrem’ de medo de peixes, diz estudo

Estresse causado pela presença de predadores pode ser letal aos insetos.
Trabalho sobre o tema foi divulgado na revista científica ‘Nature’.

A presença de peixes predadores pode levar à morte libélulas por conta do estresse, segundo um estudo divulgado por uma equipe de biólogos da Universidade de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que o medo toma conta das libélulas até mesmo quando os predadores aquáticos não consegue alcançar os insetos para matá-los. O trabalho foi divulgado na revista científica “Nature”.

Durante o estudo, os canadenses criaram larvas de libélulas da espécie Leucorrhinia intacta em tanques e aquários junto a seus predadores. Os animais foram separados de forma que as líbelulas pudessem ver e sentir o cheiro dos peixes, mas não podiam ser alcançadas por eles.

Rowe afirma que o resultado das pesquisas era inesperado. As taxas de sobrevivência das larvas colocadas próximas aos predadores eram de 2,5 a 4,3 vezes menores do que as de libélulas criadas longe das ameaças.

Outro experimento mostrou que 11% das larvas expostas a peixes morreram quando tentaram fazer a metamorfose para se tornarem líbelulas adultas. Esse percentual baixou para 2% entre os insetos criados longe dos predadores.

Para os cientistas, estas descobertas podem ser aplicadas para todo tipo de ser vivo que passe por estresse elevado. Eles defendem que este estudo publicado na “Nature” possa servir como um modelo para pesquisas futuras sobre a relação do estresse com a morte.

O estudo do medo é um tema importante entre as pesquisas em ecologia, segundo o professor Locke Rowe, um dos autores do artigo. Conforme avançam os estudos sobre como os animais respondem quando sentem a presença de predadores, os cientistas desvendam cada vez mais a ligação do estresse com o aumento do risco de morte. Infecções que normalmente não matariam os bichos, tornam-se perigosas quando o animal se sente em perigo.

 

Libélulas têm medo de peixes predadores, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley)

Libélulas têm medo de peixes predadores e podem morrer por conta do estresse que sofrem, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley / Divulgação)

Fonte: Do G1, São Paulo


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Quatro novas espécies de peixes podem ter sido descobertas em MT

Levantamento científico ocorreu durante expedição no Noroeste do estado.
Primeiro estudo na área foi da expedição Roosevelt-Rondon, em 1913.

Quatro novas espécies de peixes podem ter sido descobertas durante a expedição Guariba-Roosevelt, que reuniu pesquisadores e cientistas em uma área de preservação no estado do Mato Grosso. O grupo também teria registrado uma nova espécie de macaco do gênero Callicebus – conhecido como zogue-zogue.

A descoberta das quatro espécies de peixes foi realizada em rios de cabeceira. Os animais que mais chamaram a atenção dos pesquisadores durante os trabalhos em campo foram um lambari pescado numa região de campinarana (áreas de campos amazônicos), próxima ao rio Roosevelt, e um bagre coletado nas imediações do rio Madeirinha. O que leva os pesquisadores a crer que são espécies novas são suas características físicas.

“Essas espécies indicam um alto endemismo na região, o que pode nos ajudar a compreender o padrão de evolução das espécies na área. E também levantar hipóteses sobre o que pode estar fazendo algumas dos peixes coletados estarem desaparecendo e ameaçados de extinção”, diz Machado. Os peixes coletados foram levados aos laboratórios da Unemat, em Alta Floresta, a 830 quilômetros da capital Cuiabá. Lá, estudos mais detalhados vão comprovar se são de fato novas espécies.

A pesca ilegal e os garimpos foram as principais ameaças à biodiversidade encontradas na região. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso chegou a fazer uma autuação na área durante a expedição. “Apesar disso, ainda constatamos que muitas das áreas permanecem intacta, apesar da proximidade e da facilidade de acesso pelas cidades no entorno”, diz Machado.

“Todas essas descobertas indicam a grande biodiversidade que ainda há para ser descoberta na região”, diz Mauro Armelin, diretor do Programa Amazônia do WWF-Brasil. ‘”São muito raras para a ciência essas novas descobertas, mas acredito que isso ocorra pela escassez de pesquisas. Perdemos a chance de conhecer espécies antes mesmo que estas desapareçam pelo desmatamento”. O último levantamento de fauna e flora que ocorreu na região foi nas décadas de 1970 e 80.

Expedição Roosevelt
A expedição percorreu quatro unidades de conservação no Noroeste do Mato Grosso, que envolvem o rio Roosevelt. A região abriga os últimos remanescentes de floresta do Estado, que hoje é um dos campeões no crescimento do desmatamento, segundo dados do governo federal.

“São regiões pouco estudadas. A grande maioria dos levantamentos de ictiofauna hoje acontece em grandes rios, ou no mar”, afirma James Machado, um dos biólogos responsáveis pela coleta e pelos estudos que comprovam a descoberta – feita em parceria com os pesquisadores Solange Arrolho, da Universidade Estadual de Mato Grosso, e Rosalvo Rosa Duarte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O primeiro levantamento científico na região aconteceu quase cem anos atrás. A expedição foi coordenada pelo marechal Cândido Rondon e pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt, entre 1913 e 1914. Eles foram responsáveis pelo mapeamento do rio batizado em homenagem a Roosevelt. Muitos animais coletados na região fazem parte hoje da coleção científica do museu Smithsonian, em Washington, nos EUA.

Peixes coletados durante expedição que pode ter descoberto quatro novas espécies de peixes (Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil)

Peixes encontrados durante expedição que pode ter coletado quatro novas espécies de peixes (Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil)

Fonte: Juliana Arini, Globo Natureza, São Paulo


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

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Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo






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6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 40 novas espécies de peixes são encontradas no Rio Madeira

A descoberta foi feita durante trabalho de monitoramento.
Rio Madeira tem quase mil espécies, algumas ainda desconhecidas.

Uma pesquisa feito na Bacia do Rio Madeira, em Porto Velho, encontrou peixes que não passam dos 30 centímetros de comprimento e que possuem estruturas ósseas, morfologia dentária, padrão de cores, olhos e número de escamas nunca antes descritos pela ciência. As 40 novas espécies ainda serão catalogadas e reconhecidas científicamente.

Seja em dois metros de profundidade, seja em 60 metros, o Rio Madeira não para de surpreender. A maior parte dos novos animais encontrados são de pequeno porte, que dificilmente atingem mais de 15 centímetros e são encontrados em profundidades de dois a 60 metros.

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm. Possui um ferrão na calda (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Arraia encontrada no Rio Madeira. Nome cientifico Potamotrygon motoro, com tamanho de 60 cm (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Peixe raro encontrado somente em lençóis freáticos. A espécie não tem olhos (Foto: Unir/Divulgação)

Entre as novas espécies encontradas, o maior animal registrado mede 30 centímetros e recebeu o nome de Ageneiosus spn. Vittatus, tem a cabeça alongada e com um filamento que se parece com uma antena, é da cor branca com listras marrons. Como ainda estão sendo estudadas, não se sabe muito sobre os hábitos e comportamentos destas novas espécies.

“Descobrir exemplares novos também pode ser um indicativo de que determinada espécie está se extinguindo antes que possamos conhecê-la e isso pode ser um reflexo da interferência humana no ecossistema”, reflete o biólogo e coordenador do inventário taxonômico da pesquisa, João Alves de Lima Filho.

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

Uma das novas espécies encontradas. Nome cientifico Ageneiosus sp n vittatus (Foto: Bruno Barros/Unir/Divulgação)

A pesquisa
Foram monitorados 1,7 mil quilômetros do Rio Madeira, entre os estados de Rondônia, Mato Grosso e Amazonas. Foram catalogadas 907 espécies, o que garante ao Rio Madeira o primeiro lugar como o rio mais em diversidade de peixes do mundo.

Uma coleção de ictiofauna [estudo dos peixes] está sendo montada por biólogos e pesquisadores da Universidade Federal de Rondônia (Unir) a partir do resultado do monitoramento, que foi desenvolvido durante quatro anos para conhecer as consequências da construção da Usina Hidrelétrica Santo Antônio. Os estudos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos  Naturais Renováveis (Ibama) para a liberação da Licença de Operação à concessionária Santo Antônio Energia.

Esta já é a coleção que possui o segundo maior banco de registros genéticos do Brasil, com 16 mil amostras e também o terceiro maior em número de espécies.

Loricarideo em reprodução, com os ovos no  ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Loricarideo em reprodução, com os ovos no ventre. Uma das espécies que fazem parte da coleção de ictiofauna da Unir (Foto: Diogo Hungria/Unir/Divulgação)

Segundo o biólogo coordenador da coleção, João Alves, todas os indivíduos que não foram identificados estão em processo de estudo.

O estudo é feito manualmente, a medição e análise das caracteríscas e do ambiente. Além disso, é feita a aferição do código genético dos animais encontrados.

“No final, para divulgação da nova espécie e suas especificidades é redigido um artigo científico que é publicado para que a comunidade científica tome conhecimento da descoberta”, conta João Alves.

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Espécie rara na Bacia Amazônica, encontrada apenas em regiões profundas do rio. Nome cientifico Planiloricaria cryptodon com tamanho aproximado de 25.3 cm (Foto: Unir/Divulgação)

Em novembro, a Unir espera que pelo menos uma das novas espécies seja reconhecida. “Um dos nossos pesquisadores está finalizando o artigo sobre um dos novos animais descobertos. Essa seria uma nova espécie de lambari”, antecipa João.

O estudo para a publicação de um artigo como este demora em média um ano e meio. “O primeiro passo é descrever essas espécies, e posteriormente iniciar os estudos de sua biologia e ecologia”, conta João Alves.

Monitoramento e captura?
Os pesquisadores vão à campo no Rio Madeira e seus afluentes com uma metodologia padronizada de captura dos animais.

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco.  (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Captura dos animais para estudo e monitoramento da ictiofauna na Bacia do Madeira. Aplicação da metodologia de rede de cerco. (Foto: Maria Fonseca/Unir/Divulgação)

Todo os espécies coletados em campo passam por um processo de análise e armazenamento específico para que possa fazer parte da coleção de estudos e para poder durar até 150 anos em bom estado de conservação.

Fonte: Globo Natureza


10 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas criam ‘Google Earth’ de células de peixe

Nanoscopia eletrônica revela detalhes de tecidos de embrião de peixe zebra

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um sistema de alta resolução que é capaz de mostrar, em detalhes, as imagens celulares de um organismo vivo. Assim como o Google Earth é capaz de aproximar imagens de satélite a ponto de ser possível visualizar uma rua específica na Terra, a nova ferramenta consegue tornar visíveis as imagens microscópicas que compõem as células de um embrião de peixe zebra. A novidade foi publicada no periódico Cell Biology.

A ferramenta foi desenvolvida por uma equipe de cientistas da Leiden University Medical Center, da Holanda, e foi feita por meio de uma técnica chamada de nanoscopia virtual. Eles reuniram 26 mil imagens individuais obtidas por microscopia eletrônica a partir de um único organismo, um embrião de peixe zebra de 1,5 milímetro. As imagens foram colocadas em um sistema de publicação de dados no site do periódico (http://jcb-dataviewer.rupress.org/jcb/browse/5553/17144/), e é aberta ao público.

São 281 gigapixels de dados e uma resolução de 16 milhões de pixels por polegada. Essa é a primeira vez que é possível ter tal visão da estrutura orgânica. Essa capacidade de integrar informações entre células e tecidos poderá ajudar os pesquisadores em futuras descobertas usando a mesma técnica.

Peixe Zebra

Milhares de imagens microscópicas do embrião de um Peixe Zebra foram reunidas em uma espécie de 'Google Earth' da biologia celular (Mark Smith)

Células

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, imagens de microscopia eletrônica em alta resolução mostram aproximação de células de um embrião de peixe zebra. Imagem Rockefeller University/Divulgação

Fonte: Veja Ciência


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Liberar desova do salmão beneficia ursos e pescadores, diz estudo

Densidade demográfica de ursos cresce se há mais alimento disponível.
Além disso, número de peixes pode aumentar e contribuir com a pesca.

Companhias de pesca de salmão no noroeste do Pacífico costumam liberar a passagem de apenas um pequeno número de peixes para permitir a desova. Segundo um novo estudo publicado na terça-feira (10) no jornal “PLoS Biology”, a liberação de mais peixes pode beneficiar ursos e pescadores.

Para medir os impactos, os pesquisadores verificaram hábitos alimentares de ursos cinzentos, uma variedade de urso pardo, em seis regiões do Alasca e do Canadá. Quando a disponibilidade de salmão era elevada, maior era a densidade de ursos. Assim, liberar a desova beneficiaria o mamífero, argumenta a pesquisa, conduzida por cientistas de universidades americanas e canadenses.

Além disso, quando poucos salmões são liberados para desovar, os ursos se alimentam do peixe inteiro. Já quando a disponibilidade de alimento é maior, os ursos comem apenas algumas partes, como o cérebro. Segundo a pesquisa, este hábito contribui para o ecossistema, já que outros animais podem se beneficiar da sobra do salmão.

Ainda de acordo com o estudo, a medida também poderia aumentar, em alguns casos, o número de peixes no oceano, o que beneficiaria a pesca comercial. Em outras situações, liberar a desova poderia trazer prejuízos para a pesca – mas os benefícios para o ecossistema seriam muito maiores que as perdas econômicas, argumentam os cientistas.

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Urso-pardo pesca salmão no Alasca (Foto: Jon Cornforth / Barcroft Media / Getty Images)

Fonte: Globo Natureza


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixe pré-histórico entra em lista de espécies ameaçadas dos EUA

Esturjão teria 13 mil anos e antepassados teriam convivido com dinossauros.
Pesca comercial para produzir caviar reduziu drasticamente a população.

População de esturjão do Atlântico caiu drasticamente devido pesca comercial (Foto: Flickr / anglerp1 /CC BY 2.0)

População de esturjão caiu drasticamente devido pesca comercial (Foto: Flickr / anglerp1 /CC BY 2.0)

O esturjão do Atlântico, um peixe considerado como pré-histórico, foi acrescentado à lista de espécies em perigo dos Estados Unidose sua pesca será proibida por mais de uma década. A decisão será publicada nesta segunda-feira (6) pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês) e passa a valer a partir de 6 de abril.

De acordo com o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, na sigla em inglês), um grupo ambiental dos Estados Unidos, a espécie do Atlântico existe há mais de 13 mil anos e seus antepassados teriam convivido com os dinossauros. Os animais alcançariam até quatro metros, com um peso de mais de 350 kg, e poderiam chegar aos 60 anos.

“Um peixe monstruoso, que nadou ao lado de dinossauros e depois sobreviveu à extinção em massa, nos traz a esperança de que, com a nossa proteção, irá sobreviver”, comemorou Brad Sewell, ativista do NRDC.

O número de animais da espécie caiu drasticamente no último século. Nos Estados Unidos, os esturjões desapareceram de 14 dos rios que costumavam habitar. Além disso, o número de locais onde ocorre a desova caiu praticamente pela metade, de acordo com a Noaa.

No rio Delaware, um dos habitats do esturjão do Atlântico, restam hoje apenas 300 fêmas adultas, de 180 mil existentes em 1890, apontou pesquisa da Noaa em parceria com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos.

A queda no número de animais é consequência principalmente da pesca comercial para produzir caviar de esturjão, entre 1870 a 1950. Atualmente, as maiores ameaças à espécie são represas que bloqueiam a movimentação para locais de desova, baixa qualidade da água e pesca não intencional – quando pescadores acabam capturando o esturjão ao tentar pescar outros peixes.

Quatro tipos de esturjão do Atlântico foram listados pelo Noaa como espécies em perigo e um quinto foi considerado ameaçado.

Fonte: Globo Natureza, São Paulo

 


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Especialista diz que peixe da espécie dourado está ameaçada em MS

Pesquisa revelou que esta espécie está com difculdades de reprodução.
Prefeitura de Corumbá quer proibir a pesca desse tipo de peixe.

Especialista afirma que espécie de peixe Dourado está ameaçado (Foto: Reprodução/TV Morena)

Especialista afirma que espécie de peixe Dourado está ameaçado (Foto: Reprodução/TV Morena)

Um estudo feito nos rios no entorno de Corumbá, cidade a 444 quilômetros de Campo Grande, mostrou que a sobrevivência da espécie de peixe popularmente conhecida como dourado está ameaçada. A pesquisa mostrou que esses peixes estão cada vez menores e não estão se desenvolvendo como deveriam.

A análise foi coordenada pelo especialista em biologia pesqueira Thomaz Liparelli e começou depois de um alerta feito pelos pescadores profissionais e empresas de turismo. Eles observaram que o tamanho dos dourados fisgados começou a diminuir.

“No caso do dourado especificamente, estamos observando a captura excessiva de indivíduos de pequeno porte”, disse Liparelli, “Sentimos a necessidade de que tenhamos o início ou a primeira atividade nesse sentido, de coibir a pesca predatória”.

Segundo ele, o tamanho dos peixes capturados dão um alerta, a espécie está com dificuldades para se reproduzir.

A prefeitura de Corumbá enviou para a Câmara de Vereadores da cidade um projeto de lei que proíbe a pesca desse tipo de peixe durante um período que podechegar a cinco anos. “A cada ciclo reprodutivo é possível visualizar o resultado. Esperamos que dentro de três ciclos ou em média quatro anos, tenhamos algum resultado satisfatório, principalmente em relação ao tamanho dos exemplares e a ocorrência da espécie em pontos que até então estavam desaparecidos”, diz o especialista.

O projeto vai seguir para análise dos vereadores. Se for aprovado, a partir do ano que vem a pesca extrativa do dourado ficará proibida nos rios de Corumbá. A lei só não terá efeito sobre os ribeirinhos.

No rio Paraguai só será permitida a pesca esportiva, aquela em que o peixe é fisgado com petrechos especiais e depois é devolvido, sem ferimentos, para o rio.

Fonte: G1, MS


1 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Libélulas ‘morrem’ de medo de peixes, diz estudo

Estresse causado pela presença de predadores pode ser letal aos insetos.
Trabalho sobre o tema foi divulgado na revista científica ‘Nature’.

A presença de peixes predadores pode levar à morte libélulas por conta do estresse, segundo um estudo divulgado por uma equipe de biólogos da Universidade de Toronto, no Canadá. Os pesquisadores descobriram que o medo toma conta das libélulas até mesmo quando os predadores aquáticos não consegue alcançar os insetos para matá-los. O trabalho foi divulgado na revista científica “Nature”.

Durante o estudo, os canadenses criaram larvas de libélulas da espécie Leucorrhinia intacta em tanques e aquários junto a seus predadores. Os animais foram separados de forma que as líbelulas pudessem ver e sentir o cheiro dos peixes, mas não podiam ser alcançadas por eles.

Rowe afirma que o resultado das pesquisas era inesperado. As taxas de sobrevivência das larvas colocadas próximas aos predadores eram de 2,5 a 4,3 vezes menores do que as de libélulas criadas longe das ameaças.

Outro experimento mostrou que 11% das larvas expostas a peixes morreram quando tentaram fazer a metamorfose para se tornarem líbelulas adultas. Esse percentual baixou para 2% entre os insetos criados longe dos predadores.

Para os cientistas, estas descobertas podem ser aplicadas para todo tipo de ser vivo que passe por estresse elevado. Eles defendem que este estudo publicado na “Nature” possa servir como um modelo para pesquisas futuras sobre a relação do estresse com a morte.

O estudo do medo é um tema importante entre as pesquisas em ecologia, segundo o professor Locke Rowe, um dos autores do artigo. Conforme avançam os estudos sobre como os animais respondem quando sentem a presença de predadores, os cientistas desvendam cada vez mais a ligação do estresse com o aumento do risco de morte. Infecções que normalmente não matariam os bichos, tornam-se perigosas quando o animal se sente em perigo.

 

Libélulas têm medo de peixes predadores, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley)

Libélulas têm medo de peixes predadores e podem morrer por conta do estresse que sofrem, segundo estudo divulgado na revista 'Nature'. (Foto: Shannon J. McCauley / Divulgação)

Fonte: Do G1, São Paulo


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Quatro novas espécies de peixes podem ter sido descobertas em MT

Levantamento científico ocorreu durante expedição no Noroeste do estado.
Primeiro estudo na área foi da expedição Roosevelt-Rondon, em 1913.

Quatro novas espécies de peixes podem ter sido descobertas durante a expedição Guariba-Roosevelt, que reuniu pesquisadores e cientistas em uma área de preservação no estado do Mato Grosso. O grupo também teria registrado uma nova espécie de macaco do gênero Callicebus – conhecido como zogue-zogue.

A descoberta das quatro espécies de peixes foi realizada em rios de cabeceira. Os animais que mais chamaram a atenção dos pesquisadores durante os trabalhos em campo foram um lambari pescado numa região de campinarana (áreas de campos amazônicos), próxima ao rio Roosevelt, e um bagre coletado nas imediações do rio Madeirinha. O que leva os pesquisadores a crer que são espécies novas são suas características físicas.

“Essas espécies indicam um alto endemismo na região, o que pode nos ajudar a compreender o padrão de evolução das espécies na área. E também levantar hipóteses sobre o que pode estar fazendo algumas dos peixes coletados estarem desaparecendo e ameaçados de extinção”, diz Machado. Os peixes coletados foram levados aos laboratórios da Unemat, em Alta Floresta, a 830 quilômetros da capital Cuiabá. Lá, estudos mais detalhados vão comprovar se são de fato novas espécies.

A pesca ilegal e os garimpos foram as principais ameaças à biodiversidade encontradas na região. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso chegou a fazer uma autuação na área durante a expedição. “Apesar disso, ainda constatamos que muitas das áreas permanecem intacta, apesar da proximidade e da facilidade de acesso pelas cidades no entorno”, diz Machado.

“Todas essas descobertas indicam a grande biodiversidade que ainda há para ser descoberta na região”, diz Mauro Armelin, diretor do Programa Amazônia do WWF-Brasil. ‘”São muito raras para a ciência essas novas descobertas, mas acredito que isso ocorra pela escassez de pesquisas. Perdemos a chance de conhecer espécies antes mesmo que estas desapareçam pelo desmatamento”. O último levantamento de fauna e flora que ocorreu na região foi nas décadas de 1970 e 80.

Expedição Roosevelt
A expedição percorreu quatro unidades de conservação no Noroeste do Mato Grosso, que envolvem o rio Roosevelt. A região abriga os últimos remanescentes de floresta do Estado, que hoje é um dos campeões no crescimento do desmatamento, segundo dados do governo federal.

“São regiões pouco estudadas. A grande maioria dos levantamentos de ictiofauna hoje acontece em grandes rios, ou no mar”, afirma James Machado, um dos biólogos responsáveis pela coleta e pelos estudos que comprovam a descoberta – feita em parceria com os pesquisadores Solange Arrolho, da Universidade Estadual de Mato Grosso, e Rosalvo Rosa Duarte do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBIO) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O primeiro levantamento científico na região aconteceu quase cem anos atrás. A expedição foi coordenada pelo marechal Cândido Rondon e pelo ex-presidente americano Theodore Roosevelt, entre 1913 e 1914. Eles foram responsáveis pelo mapeamento do rio batizado em homenagem a Roosevelt. Muitos animais coletados na região fazem parte hoje da coleção científica do museu Smithsonian, em Washington, nos EUA.

Peixes coletados durante expedição que pode ter descoberto quatro novas espécies de peixes (Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil)

Peixes encontrados durante expedição que pode ter coletado quatro novas espécies de peixes (Foto: Juvenal Pereira/WWF-Brasil)

Fonte: Juliana Arini, Globo Natureza, São Paulo


15 de outubro de 2010 | nenhum comentário »

Substância em veneno de peixe trata a asma

Proteína tem propriedade anti-inflamatória e não provoca efeitos colaterais como corticoides

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Uma substância extraída do veneno do peixe niquim, muito comum no Norte e Nordeste do país, promete tratar a asma de forma mais natural e sem os efeitos colaterais dos medicamentos convencionais à base de corticoides.

 

Monica Lopes Ferreira, uma das pesquisadoras do Instituto Butantan, de São Paulo, identificou um peptídeo (proteína) com propriedade anti-inflamatória.

 

A nova substância já foi patenteada no Brasil e está em processo de registro em outros países como China, Japão, Inglaterra e EUA. O próximo passo será a produção de remédios a partir da droga pela indústria farmacêutica. Um laboratório já se interessou e prepara testes. O processo de elaboração do medicamento deve durar três anos.

 

- Pesquiso esse peixe há 14 anos e há quatro analisava os componentes que compõem o veneno do animal. E encontramos um aminoácido que tinha um efeito anti-inflamatório. Algo muito bom porque os incidentes com o veneno deste peixe são inchaços, edemas, dor e necrose. Então, após esta surpresa, decidimos estudar seu efeito na asma. E deu certo – comemora a pesquisadora.

 

Após vários testes, a pesquisa apontou que a nova substância pode ser usada em forma de comprimido ou em inaladores. A dosagem necessária para tirar o paciente da crise de asma ou usada na manutenção da doença também deverá ser menor que a dosagem de corticoide. No Brasil, há cerca de 15 milhões de pessoas com asma, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Jaqueline Falcão – O Globo