12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Centro de Reabilitação do Peixe-Boi Amazônico completa 4 anos, no AM

O Centro de Reabilitação do Peixe-boi Amazônico, do Instituto Mamirauá, completa quatro anos neste mês. Mais conhecido como “Centrinho”, o local funciona em uma estrutura flutuante no lago Amanã, no município de Maraã, a 650 km de Manaus, e abriga sete peixes-boi em reabilitação.

Desde janeiro de 2008, o Centrinho recebe filhotes órfãos de peixes-boi, apreendidos em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas. Nesta região, a caça para subsistência ainda é uma ameaça à espécie.

No Centro de Reabilitação, os tratadores (moradores de comunidades da Reserva Amanã) alimentam os animais com leite e capim recolhido das margens do lago. De acordo com o órgão, alguns filhotes chegam a mamar cinco vezes ao dia. A água dos tanques dos animais é trocada diariamente, e também são limpos três tanques de 4500 litros, onde vivem quatro filhotes de peixe-boi. Uma vez por semana, os tratadores registram o peso dos animais.

O Centrinho terá estrutura ampliada. Segundo o Instituto Mamirauá, está em fase de acabamento um novo curral, mais uma ferramenta para auxiliar na reabilitação dos peixes-boi. Em breve, dois dos quatro filhotes que ainda vivem em tanques deverão ser transportados para o curral, que é banhado pela água do lago Amanã. “Esse curral vai permitir que os filhotes tenham mais espaço e profundidade para se locomover e se desenvolver. Eles também ficarão em contato com a água do próprio lago, corrente, e passarão a conviver com peixes, e talvez até a manter contato com peixes-boi nativos que venham visitá-los. Poderão também sentir a chuva, escutar os sons diretamente do lago”, disse a oceanógrafa Miriam Marmontel, coordenadora do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert).

Deverá ser construído ainda um novo recinto que funcionará como um estágio final no processo de reabilitação dos animais ao ambiente natural. Sua localização será diferenciada, ficando em local com reduzido trânsito de pessoas e embarcações, distante dos demais recintos que compõem o Centrinho.

História – O Centrinho foi criado para abrigar o primeiro filhote que o Instituto recebeu, nomeado “Piti”. Ele foi apreendido, em maior de 2007, por agentes ambientais. O animal estava em poder de um caçador na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. O peixe-boi apresentava arranhões por todo o corpo e uma profunda ferida provocada por golpe de arpão. Separado à força da mãe, o quadro nutricional do pequeno peixe-boi também era crítico.

O peixe-boi Piti, que ganhou esse nome devido ao seu comportamento arredio, passou sete meses recebendo cuidados intensivos em um curral no lago Tefé que, devido ao trânsito intenso de embarcações, não era o local adequado ao tratamento. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, berçário natural da espécie, apresentava-se como o melhor local para a recuperação de Piti.

O Instituto criou então uma estrutura flutuante no lago Amanã, no município de Maraã, para receber Piti. Em janeiro de 2008, quando o Instituto Mamirauá foi credenciado pelo Ibama como criatório conservacionista, Piti foi transferido para a comunidade a Reserva Amanã. Segundo o órgão, o filhote de peixe-boi que inaugurou o Centrinho já está praticamente pronto para ser devolvido à natureza.

Fonte: G1


26 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Nova mamadeira para peixes-boi pode agilizar reabilitação de animais

Equipamento criado por veterinário facilita amamentação de filhotes.
Método evita contato humano e pode agilizar reintrodução na natureza.

O cuidado com filhotes de peixes-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis) em cativeiro pode ganhar um novo impulso com a criação de um equipamento que evita o contato dos animais com humanos,  acelerando a reabilitação mamíferos aquáticos para retornar à natureza.

O que era apenas um experimento do veterinário Augusto Bôaviagem, se tornou instrumento indispensável no tratamento da espécie. Ele desenvolveu uma “mamadeira subaquática”, equipamento colocado em uma haste e mergulhado em tanques com os animais, fornecendo fórmula láctea a filhotes de peixe-boi ainda em fase de amamentação que foram encontrados abandonados.

Integrante do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, de Tefé (AM), Bôaviagem percebeu que os exemplares da espécie amazônica eram arredios e viu que os profissionais que trabalham na reabilitação deles tinham muita dificuldade em tratá-los.

“Eles são muito resistentes aos seres humanos e não conseguem usar a mamadeira. Nestes casos, são implantadas sondas para evitar a inanição, mas isto não é aconselhável”, disse.

O motivo deste comportamento é devido à caça predatória que a espécie sofre na Amazônia. “O filhote presencia a mãe sendo morta pelo caçador e fica traumatizado. Quando vai para a reabilitação, e entra em contato novamente com humanos, ele não sabe se isso será bom ou ruim. Esta adaptação demora”, afirma.

Mamadeira subaquática facilita alimentação de filhotes de peixe-boi e evita contato de animais com humanos (Foto: Divulgação)

Novo tipo de mamadeira facilita alimentação de filhotes de peixe-boi e evita contato de animais com humanos (Foto: Divulgação)

Cobaia
O método já utilizado com exemplares de peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) em centros de animais localizados na Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O equipamento despertou o interesse de pesquisadores internacionais devido à redução do contato com humanos.

“O mínimo de contato deve ocorrer durante os processos de reabilitação, que duram cerca de três anos. Em média, cada filhote recebe cinco mamadeiras diárias. Se a cada refeição o tratador evitar o contato, é possível evitar também risco de transmissão de doenças para os espécimes”, afirma o veterinário.

Caça
Segundo Isabel Reis, bióloga da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), de Manaus (AM), em 2011 o número de exemplares de peixe-boi-da-Amazônia resgatados aumentou se comparado com o ano anterior.

Foram 15, sendo que dois não sobreviveram. Em 2010 foram 13, com duas mortes. A maioria dos casos ocorreu durante o período de forte estiagem na Amazônia, entre os meses de maio e outubro, quando o nível dos rios diminui e facilita a aparição de animais.

“Mas temos que levar em conta que o aumento de ocorrências se deve também a maior conscientização da população. Existem mais denúncias de crimes ambientais. A caça continua acontecendo, mas a cultura de que isto é proibido tem se intensificado mais na região”, afirma.

O peixe-boi-da-Amazônia é considerado ameaçado de extinção devido à caça ilegal. Sua carne é utilizada para o consumo, mesmo com leis proibitivas. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) abriga na capital do Amazonas o Laboratório de Mamíferos Aquáticos que atualmente trabalha na reabilitação de 52 animais.

Somente neste ano foram nove filhotes de peixe-boi resgatados pela Ampa no Amazonas (Foto: Divulgação/Assessoria Ampa)

Somente neste ano foram 15 filhotes de peixe-boi foram resgatados pela Ampa no Amazonas. Na foto, é feita a alimentação com o método tradicional. (Foto: Divulgação/Assessoria Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi fêmea vai ajudar os machos na adaptação a ambiente natural no Amazonas

A reintrodução a ambiente natural dos três peixes-bois que estavam em cativeiro (tanque de vidro) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizada na manhã de quinta-feira (27) foi bem sucedida.

A fêmea Iranduba, que estava no cativeiro há apenas um ano, se adaptou rapidamente à nova casa. Os machos Paricatuba e Matupá, que chegaram filhotes ao cativeiro e habitavam o local havia sete anos, optaram por circular nas bordas do lago.

“Ela foi logo explorando o ambiente todo. Já os machos, quando foram soltos, ficaram mais nas beiras. A gente espera que eles imitem o comportamento da fêmea”, disse Vera Silva, pesquisadora do Inpa e conselheira da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).

Conforme Vera, que também é chefe do Laboratório dos Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, Iranduba será a responsável por ajudar os machos a se adaptar ao local.

“Ela veio para o cativeiro com sete anos, após ficar encalhada em uma área durante a seca. Já tinha experiência em ambiente natural. Os machos ficaram mais tempo no cativeiro”, disse Vera.

A reintrodução dos peixes-bois a um lago localizado no município de Manacapuru é a primeira experiência do Inpa do gênero com animais que estavam em cativeiro.

Espécie que faz parte da lista de extinção, o peixe-boi tem sido uma das maiores vítimas da caça predatória na bacia amazônica. A maioria dos animais resgatados é órfã – geralmente a mãe é abatida por pescadores.

Dois anos atrás, o Inpa realizou uma experiência de reintrodução de animais de cativeiro direto na natureza que não deu muito certo. Dois deles morreram, um ficou doente e outro desapareceu do trabalho de monitoramento.

Temporada – Os três peixes-bois vão ser acompanhados por um biólogo da Ampa, Diogo Souza, e outros dois tratadores, durante um ano, segundo o veterinário da Ampa, Anselmo D´Fonseca.

Neste período, os animais passarão por avaliação clínica periódica. O acesso a eles será facilitado pelo fato da nova casa ser um lago localizado em um antigo criadouro de peixe que havia sido desativado – a área de circulação dos animais tem três hectares. O protótipo de um cinto foi instalado na região da nadadeira dos peixes-bois.

Para ajudar na adaptação e sobrevivência dos animais, moradores e ribeirinhos de comunidades próximo ao lago receberam informações sobre o programa de reintrodução dos peixes-bois no semi-cativeiro.

Os cientistas esperam que os moradores se sensibilizem e se conscientizem acerca dos riscos do animal. “A gente espera envolvê-los neste programa”, disse ele.

Segundo Vera Silva, a opção pelo semicativeiro ocorreu porque trata-se de uma área natural cerca na qual o animal vai se familiarizar com o ambiente.

“A gente espera que ele se adapte ao movimento e a cor da água e com a correnteza também. Eles precisam ter esse conhecimento do ciclo hidrológico antes de serem enviados para a segunda etapa”, disse.

Fonte: A Crítica/ AM


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Filhote de peixe-boi encontrado no RN recebe tratamento no Ceará

Animal ganhou o nome de Branca e nasceu há menos de 15 dias.
Depois de reabilitado, filhote será transferido para o Recife.

"Branca" foi encontrada com apenas 15 dias de nascida em praia no RN (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

"Branca" foi encontrada com apenas 15 dias de nascida no RN (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

Um filhote de peixe-boi que estava encalhado na praia de Areia Alvas, no Rio Grande do Norte, chegou ao Ceará na quinta-feira (22), para receber tratamento. Segundo o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, no Sesc Iparana, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, o animal  foi resgatado na última segunda-feira (19) e foi diagnosticado com infecção e peso abaixo do normal.

Segundo o Sesc, o animal tem menos de 15 dias, 1,17 metros de comprimento e 25 quilos. O filhote, depois de reabilitado, deve ser transferido para o Centro de Mamíferos Aquáticos, no Recife.

Segundo o Sesc, o filhote foi encontrado por uma moradora da praia de Areias Alvas conhecida como “Dona Branca”. Por este motivo, recebeu o nome de Branca pelos pesquisadores da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Branca foi trazida na manhã desta quinta-feira (22) para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, no Sesc Iparana.

Ainda de acordo com o Sesc Iparana, “Branca” é o terceiro filhote de peixe-boi encontrado entre o Leste do Ceará e o Oeste do Rio Grande do Norte e o segundo resgatado vivo do encalhe. Os dois primeiros ocorreram nas praias de Manibu, em Icapuí (CE) e na praia do Rosado, em Porto do Mangue (RN).

Filhote foi diagnosticado como sendo abaixo do peso e com infecção e receberá tratamento no Ceará (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

Filhote foi diagnosticado como sendo abaixo do peso e com infecção e receberá tratamento no Ceará (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

 

Fonte: G1, CE


19 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Filhote de peixe-boi abandonado é levado para instituto em Manaus

Mamífero aquático era uma fêmea, com dois meses de vida.
Animal foi encontrado nadando sozinho em ribeirão no Amazonas.

Filhote (Foto: Divulgação/Ampa)

Técnico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) carrega filhote fêmea de peixe-boi, resgatado nesta sexta-feira (16) na cidade Autazes (AM), a 161 quilômetros de Manaus. De acordo com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), o animal com dois meses de vida foi encontrado por ribeirinhos nadando sozinho em um rio. Não há informações sobre ferimentos. A fêmea foi levada para o Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa, onde receberá tratamento. O local abriga 51 espécimes (Foto: Divulgação/Ampa)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi vira animal de estimação em comunidade de Cabedelo, PB

População batizou o peixe-boi de Chuchu.
Animal é dócil e brinca com as crianças.

Peixe-boi foi batizado de Chuchu (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Peixe-boi foi batizado pelos moradores de Jardim Manguinhos como Chuchu (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Um peixe-boi de cerca de 200 kg e 1,70 m virou o animal de estimação dos moradores de Jardim Manguinhos, comunidade localizada na cidade de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa. O pescador Sandro contou que, desde segunda-feira (29), quando o mamífero chegou ao mangue, ele brinca com as crianças do local. “Ele tem o maior carinho com as crianças, já virou amigo da família”, disse.

Animal é monitorado pelo Projeto Peixe-boi (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Animal é monitorado pelo Projeto Peixe-boi (Foto: Walter Paparazzo/G1)

A população se apegou ao novo animal e já até o batizou. “Ele gostou tanto de chuchu que o nome dele agora é chuchu”, contou Sandro, que também dá outros tipos de alimento para o peixe-boi, como alfaces e peixes pequenos.

Chuchu se aproxima sempre que uma pequena embarcação aparece e é dócil o suficiente para deixar que pessoas brinquem e até montem nele para tirar fotos. O sargento Valdir Pereira, da Polícia Ambiental, explicou o porquê: “quando ele estava em cativeiro, as pessoas o alimentavam em canoas, por isso ele se aproxima”.

O sargento esclareceu que, na verdade, o nome de Chuchu é Artur e tem aproximadamente 9 anos. Ele foi resgatado depois de ser ferido nas costas por uma hélice de barco no Rio Grande do Norte no final do mês de julho. No Projeto Peixe-Boi, ele foi cuidado e liberado

A Polícia Ambiental recebe muitos chamados por causa de peixes-bois como Chuchu. “Um animal como esse vai em busca de comida e para muito para descansar. As pessoas veem eles parados por dois dias nas águas rasas e acham que estão encalhados, mas eles têm capacidade de se locomover de volta para o fundo sozinho e ir buscar água nos rios”, esclareceu o sargento Valdir, que garantiu que os peixes-bois se recusam a beber água salobra.

A prática de alimentar esses mamíferos, no entanto, não é recomendada. Os peixes-bois precisam sair em busca de alimento e, se a população os acomodarem com comida fácil, eles ficarão dependentes dos humanos. “O instinto animal vai fazer com que ele fique permanente naquela área”.

A recomendação da Polícia Ambiental é que ninguém alimente e nem se aproxime dos animais para que eles possam seguir sua rota. “Ele é muito dócil. O problema é que ele fica vulnerável à maldade de alguém”, disse. O pescador Sandro também demonstrou preocupação com o animal. Segundo ele, no local navegam algumas embarcações de pequeno porte que utilizam motores e podem apresentar risco para Chuchu.

O sargento Valdir garante que o animal está bem. “Ele está apenas descansando, está bem sadio, eu mesmo o analisei”, relatou. Em sua cauda, foi implantado um sinalizador desde quando era apenas um filhote. Esse sinalizador é usado para monitorar e localizar o animal.

Sandro disse que animal é dócil e brinca com as crianças (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Sandro disse que animal é dócil e brinca com as crianças (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Fonte: G1, PB


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Níveis de rios diminuem e expõem espécie ameaçada de extinção.
Desde janeiro já foram 11 animais resgatados; em 2010 foram 13.

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Fonte: Eduardo Carvalho/Globo Natureza


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12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


11 de abril de 2012 | nenhum comentário »

No Amazonas, pesquisa utiliza fezes do peixe-boi para conhecer o ciclo reprodutivo da espécie

Cientistas do Instituto Mamirauá estão percorrendo rios, lagos e igarapés das Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, no noroeste do Amazonas, em busca de amostras de fezes de peixe-boi amazônico.

A procura, que pode parecer estranha à primeira vista, faz parte de uma pesquisa que pretende conhecer o processo de reprodução da espécie em vida livre.

O estudo é parte do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), desenvolvido por pesquisadores do Instituto Mamirauá, com patrocínio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras ambiental.

Com um acervo de mais de 300 amostras fecais, algumas coletadas há quase duas décadas, os pesquisadores querem analisar as variações nas taxas de hormônios sexuais: os hormônios femininos progesterona (responsável pela manutenção da gestação) e estradiol (ligado à função cíclica ovariana); e o hormônio masculino testosterona (ligado ao funcionamento dos testículos).

De acordo com a médica veterinária Carolina Oliveira, que realiza o estudo, são escassos os relatos científicos sobre a reprodução do peixe-boi amazônico em ambiente silvestre.

“Os dados que se tem são, na grande maioria, provenientes de animais de cativeiro. Em vida livre pode ser diferente, já que soltos os animais recebem influência direta de fatores como a variação do nível da água nas estações de seca e cheia e disponibilidade de alimento”, diz a veterinária.

Segundo Carolina, por meio do estudo da variação das concentrações hormonais é possível estimar em que época do ano os peixes-boi acasalam e em quais épocas as fêmeas estão parindo. Para extração de dosagens de hormônios, é utilizado somente 0,5 grama de fezes.

Os pesquisadores procuram por fezes nas “comedias”, que são concentrações de plantas aquáticas remexidas por peixes-boi durante a alimentação. As amostras coletadas são identificadas e armazenadas em refrigeradores localizados nas bases de pesquisa. Posteriormente, o conteúdo é transportado para a sede do Instituto Mamirauá, no município de Tefé – a 525 quilômetros de Manaus -, onde as amostras serão analisadas.

Pesquisas com exemplares da espécie em cativeiro indicam que o peixe-boi tem baixa capacidade de se reproduzir. A fêmea do peixe-boi só tem um filhote a cada três anos e precisa amamentar a cria por dois anos.

De acordo com a veterinária, a vantagem da coleta de amostras fecais está no fato de a pesquisa obter dados sobre a biologia do peixe-boi sem a necessidade de capturar animais, processo que seria danoso aos animais pelo estresse causado, além de ser caro.

Fonte: A Crítica/AM


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Centro de Reabilitação do Peixe-Boi Amazônico completa 4 anos, no AM

O Centro de Reabilitação do Peixe-boi Amazônico, do Instituto Mamirauá, completa quatro anos neste mês. Mais conhecido como “Centrinho”, o local funciona em uma estrutura flutuante no lago Amanã, no município de Maraã, a 650 km de Manaus, e abriga sete peixes-boi em reabilitação.

Desde janeiro de 2008, o Centrinho recebe filhotes órfãos de peixes-boi, apreendidos em municípios da região do Médio Solimões, no Amazonas. Nesta região, a caça para subsistência ainda é uma ameaça à espécie.

No Centro de Reabilitação, os tratadores (moradores de comunidades da Reserva Amanã) alimentam os animais com leite e capim recolhido das margens do lago. De acordo com o órgão, alguns filhotes chegam a mamar cinco vezes ao dia. A água dos tanques dos animais é trocada diariamente, e também são limpos três tanques de 4500 litros, onde vivem quatro filhotes de peixe-boi. Uma vez por semana, os tratadores registram o peso dos animais.

O Centrinho terá estrutura ampliada. Segundo o Instituto Mamirauá, está em fase de acabamento um novo curral, mais uma ferramenta para auxiliar na reabilitação dos peixes-boi. Em breve, dois dos quatro filhotes que ainda vivem em tanques deverão ser transportados para o curral, que é banhado pela água do lago Amanã. “Esse curral vai permitir que os filhotes tenham mais espaço e profundidade para se locomover e se desenvolver. Eles também ficarão em contato com a água do próprio lago, corrente, e passarão a conviver com peixes, e talvez até a manter contato com peixes-boi nativos que venham visitá-los. Poderão também sentir a chuva, escutar os sons diretamente do lago”, disse a oceanógrafa Miriam Marmontel, coordenadora do projeto Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert).

Deverá ser construído ainda um novo recinto que funcionará como um estágio final no processo de reabilitação dos animais ao ambiente natural. Sua localização será diferenciada, ficando em local com reduzido trânsito de pessoas e embarcações, distante dos demais recintos que compõem o Centrinho.

História – O Centrinho foi criado para abrigar o primeiro filhote que o Instituto recebeu, nomeado “Piti”. Ele foi apreendido, em maior de 2007, por agentes ambientais. O animal estava em poder de um caçador na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. O peixe-boi apresentava arranhões por todo o corpo e uma profunda ferida provocada por golpe de arpão. Separado à força da mãe, o quadro nutricional do pequeno peixe-boi também era crítico.

O peixe-boi Piti, que ganhou esse nome devido ao seu comportamento arredio, passou sete meses recebendo cuidados intensivos em um curral no lago Tefé que, devido ao trânsito intenso de embarcações, não era o local adequado ao tratamento. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, berçário natural da espécie, apresentava-se como o melhor local para a recuperação de Piti.

O Instituto criou então uma estrutura flutuante no lago Amanã, no município de Maraã, para receber Piti. Em janeiro de 2008, quando o Instituto Mamirauá foi credenciado pelo Ibama como criatório conservacionista, Piti foi transferido para a comunidade a Reserva Amanã. Segundo o órgão, o filhote de peixe-boi que inaugurou o Centrinho já está praticamente pronto para ser devolvido à natureza.

Fonte: G1


26 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Nova mamadeira para peixes-boi pode agilizar reabilitação de animais

Equipamento criado por veterinário facilita amamentação de filhotes.
Método evita contato humano e pode agilizar reintrodução na natureza.

O cuidado com filhotes de peixes-boi-da-Amazônia (Trichechus inunguis) em cativeiro pode ganhar um novo impulso com a criação de um equipamento que evita o contato dos animais com humanos,  acelerando a reabilitação mamíferos aquáticos para retornar à natureza.

O que era apenas um experimento do veterinário Augusto Bôaviagem, se tornou instrumento indispensável no tratamento da espécie. Ele desenvolveu uma “mamadeira subaquática”, equipamento colocado em uma haste e mergulhado em tanques com os animais, fornecendo fórmula láctea a filhotes de peixe-boi ainda em fase de amamentação que foram encontrados abandonados.

Integrante do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, de Tefé (AM), Bôaviagem percebeu que os exemplares da espécie amazônica eram arredios e viu que os profissionais que trabalham na reabilitação deles tinham muita dificuldade em tratá-los.

“Eles são muito resistentes aos seres humanos e não conseguem usar a mamadeira. Nestes casos, são implantadas sondas para evitar a inanição, mas isto não é aconselhável”, disse.

O motivo deste comportamento é devido à caça predatória que a espécie sofre na Amazônia. “O filhote presencia a mãe sendo morta pelo caçador e fica traumatizado. Quando vai para a reabilitação, e entra em contato novamente com humanos, ele não sabe se isso será bom ou ruim. Esta adaptação demora”, afirma.

Mamadeira subaquática facilita alimentação de filhotes de peixe-boi e evita contato de animais com humanos (Foto: Divulgação)

Novo tipo de mamadeira facilita alimentação de filhotes de peixe-boi e evita contato de animais com humanos (Foto: Divulgação)

Cobaia
O método já utilizado com exemplares de peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) em centros de animais localizados na Paraíba, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte. O equipamento despertou o interesse de pesquisadores internacionais devido à redução do contato com humanos.

“O mínimo de contato deve ocorrer durante os processos de reabilitação, que duram cerca de três anos. Em média, cada filhote recebe cinco mamadeiras diárias. Se a cada refeição o tratador evitar o contato, é possível evitar também risco de transmissão de doenças para os espécimes”, afirma o veterinário.

Caça
Segundo Isabel Reis, bióloga da Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), de Manaus (AM), em 2011 o número de exemplares de peixe-boi-da-Amazônia resgatados aumentou se comparado com o ano anterior.

Foram 15, sendo que dois não sobreviveram. Em 2010 foram 13, com duas mortes. A maioria dos casos ocorreu durante o período de forte estiagem na Amazônia, entre os meses de maio e outubro, quando o nível dos rios diminui e facilita a aparição de animais.

“Mas temos que levar em conta que o aumento de ocorrências se deve também a maior conscientização da população. Existem mais denúncias de crimes ambientais. A caça continua acontecendo, mas a cultura de que isto é proibido tem se intensificado mais na região”, afirma.

O peixe-boi-da-Amazônia é considerado ameaçado de extinção devido à caça ilegal. Sua carne é utilizada para o consumo, mesmo com leis proibitivas. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) abriga na capital do Amazonas o Laboratório de Mamíferos Aquáticos que atualmente trabalha na reabilitação de 52 animais.

Somente neste ano foram nove filhotes de peixe-boi resgatados pela Ampa no Amazonas (Foto: Divulgação/Assessoria Ampa)

Somente neste ano foram 15 filhotes de peixe-boi foram resgatados pela Ampa no Amazonas. Na foto, é feita a alimentação com o método tradicional. (Foto: Divulgação/Assessoria Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi fêmea vai ajudar os machos na adaptação a ambiente natural no Amazonas

A reintrodução a ambiente natural dos três peixes-bois que estavam em cativeiro (tanque de vidro) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizada na manhã de quinta-feira (27) foi bem sucedida.

A fêmea Iranduba, que estava no cativeiro há apenas um ano, se adaptou rapidamente à nova casa. Os machos Paricatuba e Matupá, que chegaram filhotes ao cativeiro e habitavam o local havia sete anos, optaram por circular nas bordas do lago.

“Ela foi logo explorando o ambiente todo. Já os machos, quando foram soltos, ficaram mais nas beiras. A gente espera que eles imitem o comportamento da fêmea”, disse Vera Silva, pesquisadora do Inpa e conselheira da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).

Conforme Vera, que também é chefe do Laboratório dos Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, Iranduba será a responsável por ajudar os machos a se adaptar ao local.

“Ela veio para o cativeiro com sete anos, após ficar encalhada em uma área durante a seca. Já tinha experiência em ambiente natural. Os machos ficaram mais tempo no cativeiro”, disse Vera.

A reintrodução dos peixes-bois a um lago localizado no município de Manacapuru é a primeira experiência do Inpa do gênero com animais que estavam em cativeiro.

Espécie que faz parte da lista de extinção, o peixe-boi tem sido uma das maiores vítimas da caça predatória na bacia amazônica. A maioria dos animais resgatados é órfã – geralmente a mãe é abatida por pescadores.

Dois anos atrás, o Inpa realizou uma experiência de reintrodução de animais de cativeiro direto na natureza que não deu muito certo. Dois deles morreram, um ficou doente e outro desapareceu do trabalho de monitoramento.

Temporada – Os três peixes-bois vão ser acompanhados por um biólogo da Ampa, Diogo Souza, e outros dois tratadores, durante um ano, segundo o veterinário da Ampa, Anselmo D´Fonseca.

Neste período, os animais passarão por avaliação clínica periódica. O acesso a eles será facilitado pelo fato da nova casa ser um lago localizado em um antigo criadouro de peixe que havia sido desativado – a área de circulação dos animais tem três hectares. O protótipo de um cinto foi instalado na região da nadadeira dos peixes-bois.

Para ajudar na adaptação e sobrevivência dos animais, moradores e ribeirinhos de comunidades próximo ao lago receberam informações sobre o programa de reintrodução dos peixes-bois no semi-cativeiro.

Os cientistas esperam que os moradores se sensibilizem e se conscientizem acerca dos riscos do animal. “A gente espera envolvê-los neste programa”, disse ele.

Segundo Vera Silva, a opção pelo semicativeiro ocorreu porque trata-se de uma área natural cerca na qual o animal vai se familiarizar com o ambiente.

“A gente espera que ele se adapte ao movimento e a cor da água e com a correnteza também. Eles precisam ter esse conhecimento do ciclo hidrológico antes de serem enviados para a segunda etapa”, disse.

Fonte: A Crítica/ AM


23 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Filhote de peixe-boi encontrado no RN recebe tratamento no Ceará

Animal ganhou o nome de Branca e nasceu há menos de 15 dias.
Depois de reabilitado, filhote será transferido para o Recife.

"Branca" foi encontrada com apenas 15 dias de nascida em praia no RN (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

"Branca" foi encontrada com apenas 15 dias de nascida no RN (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

Um filhote de peixe-boi que estava encalhado na praia de Areia Alvas, no Rio Grande do Norte, chegou ao Ceará na quinta-feira (22), para receber tratamento. Segundo o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, no Sesc Iparana, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, o animal  foi resgatado na última segunda-feira (19) e foi diagnosticado com infecção e peso abaixo do normal.

Segundo o Sesc, o animal tem menos de 15 dias, 1,17 metros de comprimento e 25 quilos. O filhote, depois de reabilitado, deve ser transferido para o Centro de Mamíferos Aquáticos, no Recife.

Segundo o Sesc, o filhote foi encontrado por uma moradora da praia de Areias Alvas conhecida como “Dona Branca”. Por este motivo, recebeu o nome de Branca pelos pesquisadores da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte. Branca foi trazida na manhã desta quinta-feira (22) para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, no Sesc Iparana.

Ainda de acordo com o Sesc Iparana, “Branca” é o terceiro filhote de peixe-boi encontrado entre o Leste do Ceará e o Oeste do Rio Grande do Norte e o segundo resgatado vivo do encalhe. Os dois primeiros ocorreram nas praias de Manibu, em Icapuí (CE) e na praia do Rosado, em Porto do Mangue (RN).

Filhote foi diagnosticado como sendo abaixo do peso e com infecção e receberá tratamento no Ceará (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

Filhote foi diagnosticado como sendo abaixo do peso e com infecção e receberá tratamento no Ceará (Foto: Roberta Elise/ Acervo Aquasis)

 

Fonte: G1, CE


19 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Filhote de peixe-boi abandonado é levado para instituto em Manaus

Mamífero aquático era uma fêmea, com dois meses de vida.
Animal foi encontrado nadando sozinho em ribeirão no Amazonas.

Filhote (Foto: Divulgação/Ampa)

Técnico do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) carrega filhote fêmea de peixe-boi, resgatado nesta sexta-feira (16) na cidade Autazes (AM), a 161 quilômetros de Manaus. De acordo com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), o animal com dois meses de vida foi encontrado por ribeirinhos nadando sozinho em um rio. Não há informações sobre ferimentos. A fêmea foi levada para o Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa, onde receberá tratamento. O local abriga 51 espécimes (Foto: Divulgação/Ampa)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


1 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi vira animal de estimação em comunidade de Cabedelo, PB

População batizou o peixe-boi de Chuchu.
Animal é dócil e brinca com as crianças.

Peixe-boi foi batizado de Chuchu (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Peixe-boi foi batizado pelos moradores de Jardim Manguinhos como Chuchu (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Um peixe-boi de cerca de 200 kg e 1,70 m virou o animal de estimação dos moradores de Jardim Manguinhos, comunidade localizada na cidade de Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa. O pescador Sandro contou que, desde segunda-feira (29), quando o mamífero chegou ao mangue, ele brinca com as crianças do local. “Ele tem o maior carinho com as crianças, já virou amigo da família”, disse.

Animal é monitorado pelo Projeto Peixe-boi (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Animal é monitorado pelo Projeto Peixe-boi (Foto: Walter Paparazzo/G1)

A população se apegou ao novo animal e já até o batizou. “Ele gostou tanto de chuchu que o nome dele agora é chuchu”, contou Sandro, que também dá outros tipos de alimento para o peixe-boi, como alfaces e peixes pequenos.

Chuchu se aproxima sempre que uma pequena embarcação aparece e é dócil o suficiente para deixar que pessoas brinquem e até montem nele para tirar fotos. O sargento Valdir Pereira, da Polícia Ambiental, explicou o porquê: “quando ele estava em cativeiro, as pessoas o alimentavam em canoas, por isso ele se aproxima”.

O sargento esclareceu que, na verdade, o nome de Chuchu é Artur e tem aproximadamente 9 anos. Ele foi resgatado depois de ser ferido nas costas por uma hélice de barco no Rio Grande do Norte no final do mês de julho. No Projeto Peixe-Boi, ele foi cuidado e liberado

A Polícia Ambiental recebe muitos chamados por causa de peixes-bois como Chuchu. “Um animal como esse vai em busca de comida e para muito para descansar. As pessoas veem eles parados por dois dias nas águas rasas e acham que estão encalhados, mas eles têm capacidade de se locomover de volta para o fundo sozinho e ir buscar água nos rios”, esclareceu o sargento Valdir, que garantiu que os peixes-bois se recusam a beber água salobra.

A prática de alimentar esses mamíferos, no entanto, não é recomendada. Os peixes-bois precisam sair em busca de alimento e, se a população os acomodarem com comida fácil, eles ficarão dependentes dos humanos. “O instinto animal vai fazer com que ele fique permanente naquela área”.

A recomendação da Polícia Ambiental é que ninguém alimente e nem se aproxime dos animais para que eles possam seguir sua rota. “Ele é muito dócil. O problema é que ele fica vulnerável à maldade de alguém”, disse. O pescador Sandro também demonstrou preocupação com o animal. Segundo ele, no local navegam algumas embarcações de pequeno porte que utilizam motores e podem apresentar risco para Chuchu.

O sargento Valdir garante que o animal está bem. “Ele está apenas descansando, está bem sadio, eu mesmo o analisei”, relatou. Em sua cauda, foi implantado um sinalizador desde quando era apenas um filhote. Esse sinalizador é usado para monitorar e localizar o animal.

Sandro disse que animal é dócil e brinca com as crianças (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Sandro disse que animal é dócil e brinca com as crianças (Foto: Walter Paparazzo/G1)

Fonte: G1, PB


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Níveis de rios diminuem e expõem espécie ameaçada de extinção.
Desde janeiro já foram 11 animais resgatados; em 2010 foram 13.

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Fonte: Eduardo Carvalho/Globo Natureza


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