17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Fêmea de espécie de peixe é atraída por parceiros bissexuais

Cientistas acreditam que machos não-dominantes adotam comportamento homossexual para atrair parceiras.

Cientistas alemães descobriram que, em uma espécie de peixe tropical, as fêmeas são atraídas por machos bissexuais.

As fêmeas da espécie Poecilia mexicana, encontrada da Guatemala ao México, são conhecidas por preferir acasalar com machos que elas já viram interagir sexualmente com outros machos.

O estudo foi publicado na revista científica “Biology Letters”.

Na pesquisa, os cientistas, liderados por David Bierbach, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, descreveram o comportamento homossexual no reino animal como um “enigma”.

“O comportamento homossexual masculino pode ser percebido em muitos bichos no reino animal, mas representa uma charada darwiniana, uma vez que a homossexualidade reduziria o desempenho reprodutivo masculino”, escreveu Bierbach.

Relação entre dois machos da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Relação entre dois machos da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

No entanto, chama atenção que muitos animais com comportamento homossexual também mantêm relações heterossexuais, incluindo pinguins e chimpanzés pigmeus — também conhecidos como bonobos.

Biólogos sugerem que tal tendência possa gerar benefícios genéticos, apesar do aparente prejuízo reprodutivo.

Os peixes dominantes da espécie Poecilia mexicana, por exemplo, “beliscam” as áreas próximas às aberturas genitais de possíveis parceiras para indicar sua vontade de acasalar.

Cientistas sugerem que tal comportamento ajuda a demonstrar a qualidade dos machos, já que o número de “mordidinhas” seria diretamente proporcional à saúde e à virilidade.

No entanto, machos não-dominantes da mesma espécie são conhecidos por “beliscar” tanto fêmeas quanto outros machos.

Estudos sobre a Poecilia mexicana demonstraram que os peixes podem discernir os sexos baseados em feromônios e pistas visuais, descartando quaisquer teorias de que a abordagem se dá por desconhecimento.

Testes
A pesquisa foi feita em laboratório e testou o grau de “atração” que o peixe tinha por cada um de seus pares.

O resultado foi surpreendente. Nadando lado à lado, as fêmeas se sentiram mais atraídas por machos mais coloridos. Porém, também demonstraram interesse em machos que elas observaram “beliscando” tanto outras fêmeas quanto outros machos.

“Ficamos muito surpresos ao descobrir que as interações homossexuais tinham a mesma influência na preferência das fêmeas que as heterossexuais”, explicou Bierbach.

“De qualquer forma, percebemos que a atividade sexual é uma característica usada pelas fêmeas para avaliar a qualidade dos machos”, afirmou.

Os cientistas acreditam que o comportamento homossexual pode ser um recurso usado por machos menos imponentes e menos atrativos para “ganhar a atenção” das fêmeas.

“Alguns machos podem se tornar mais atrativos em relação às fêmeas por meio de interações homossexuais, que, em contrapartida, aumentam a chance, para esses mesmos machos, de obter uma relação heterossexual”, explicou Biebarch à BBC.

Grupo de peixes da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Grupo de peixes da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Fonte: Globo Natureza


9 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Corais enviam ‘aviso químico’ para peixes devorarem algas tóxicas

Coral da espécie ‘Acropora nasuta’ libera substância química na água.
Ao devorar alga, peixe torna-se mais tóxico, o que ajuda a evitar predador.

Cientistas descobriram que uma espécie de coral envia “avisos químicos” para peixes para que eles devorem algas tóxicas, que causam danos a barreiras de corais e podem ameaçar a espécie. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, foi publicada no site da revista “Science” nesta quinta-feira (8).

O crescimento excessivo de certos tipos de algas é um problema para os corais e ocorre devido a várias situações, como a diminuição da população de peixes no mar e as mudanças climáticas, afirmam os cientistas.

Liberando substâncias químicas na água, os corais da espécie Acropora nasuta ”recrutam” peixes de duas espécies (Gobiodon histrio e Paragobiodon enchinocephalus) que estejam próximos para que eles devorem as algas. Isso reduz danos que poderiam ocorrer às barreiras de corais, segundo a pesquisa.

A liberação da substância ocorre quando as algas entram em contato com os corais, aponta o estudo. A “contrapartida” é que os peixes tornam-se mais tóxicos, o que os ajuda a evitar ataques de predadores.

A relação é considerada mutualística e parecida com a que existe entre formigas e árvores acácias, afirmam os pesquisadores.

Peixe da espécie 'Gobiodon histro' se aproxima de alga tóxica em região de corais (Foto: Divulgação/Danielle Dixson/'Science')

Peixe da espécie 'Gobiodon histrio' se aproxima de alga tóxica em região de corais (Foto: Divulgação/Danielle Dixson/'Science')

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem espécie de peixe em que macho ‘pesca’ fêmea

Ornamento parecido com uma formiga é usado para atrair a parceira.
Fenômeno foi registrado em espécie de peixe tropical.

Peixes da espécie 'Corynopoma riisei' (Foto: Current Biology/Reprodução)

Peixes da espécie 'Corynopoma riisei' (Foto: Current Biology/Reprodução)

A técnica de usar um alimento como isca para atrair o peixe não é exclusiva dos pescadores humanos. Pesquisadores suecos descobriram uma espécie de peixe em que o macho usa uma isca como ornamento para atrair a fêmea para perto de si.

Corynopoma riisei é um peixe tropical, parente da piranha, que vive na água doce perto do Caribe, em países como Venezuela e Trinidad e Tobago. Dependendo da região em que ele vive, a alimentação muda um pouco, mas é sempre baseada em insetos – de larvas de moscas a besouros.

A equipe de Niclas Kolm, da Universidade de Uppsala, descobriu que os machos dessa espécie usam um ornamento parecido com uma formiga para atrair as fêmeas. Nos locais em que as formigas são mais apreciadas como um alimento, a técnica é mais usada e funciona melhor.

“É um exemplo natural de uma isca projetada para maximizar a chance de pegar um peixe”, afirmou Kolm. “Nesse caso, não se trata de qualquer peixe, no entanto. É um peixe do sexo oposto que a isca é feita para pegar”, explicou.

Para os pesquisadores, o estudo mostra ainda um bom exemplo de como os animais conseguem formas avançadas de comunicação entre si. Esse processo, segundo os autores, leva os animais a se diferenciarem, o que pode causar a separação suficiente para a criação de novas espécies.

 

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesca excessiva ameaça 30% das populações de peixes, afirma ONU

FAO aponta riscos social e econômico do desaparecimento de espécies.
Conservação da biodiversidade marinha foi debatida na Rio+20, em junho.

Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) informou que a comunidade internacional tem que fazer mais para garantir a pesca sustentável no mundo e alertou que quase 30% das populações de peixes correm risco de desaparecer devido à pesca excessiva.

No documento, divulgado nesta segunda-feira (9), a entidade afirma que muitas das populações marinhas, mesmo aquelas já monitoradas pela FAO, continuam sofrendo uma grande pressão. “A superexploração não afeta somente de forma negativa o meio ambiente, mas também reduz a produção pesqueira, com efeitos negativos sociais e econômicos”.

Segundo a agência da ONU, para aumentar a contribuição da pesca marinha à segurança alimentar, às economias e ao bem-estar das comunidades costeiras, é necessário aplicar planos eficazes para reestabelecer as populações de peixes afetados pela sobrepesca.

De acordo com estatísticas apresentadas pelo órgão, cerca de 57% dos peixes estão totalmente explorados (ou seja, o limite sustentável já está próximo de ser atingido) e apenas 13% não estão totalmente explorados. “É necessário fortalecer a governança e ordenar de forma eficaz a pesca”, disse.

Dados da FAO de 2012 mostram que o setor pesqueiro produziu a cifra recorde de 128 milhões de toneladas de pescado para consumo humano – uma média de 18,4 kg por pessoa – proporcionando 15% da ingestão de proteína animal a mais de 4,3 milhões de pessoas. Além disso, o setor emprega atualmente 55 milhões de pessoas.

O relatório da ONU sustenta que o fomento à pesca e à piscicultura sustentáveis pode incentivar a administração de ecossistemas em larga escala e defende mecanismos como a adoção de um sistema de pesca e aquicultura mais justos e responsáveis.

Proteção dos oceanos foi tema da Rio+20
A proteção à biodiversidade marinha foi um dos principais temas debatidos pelos 188 países reunidos durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho.

Um dos resultados definidos no documento “O futuro que queremos”, fruto das negociações diplomáticas, é a adoção de um novo instrumento internacional sob a Convenção da ONU sobre os Direitos do Mar (Unclos), para uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar.

O documento prevê ainda, entre outras medidas, a criação de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU, além de reafirmar um dos Princípios do Rio, criado em 1992, sobre as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Este princípio significa que os países ricos devem investir mais no desenvolvimento sustentável por terem degradado mais o meio ambiente durante séculos.

Outra medida aprovada é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e o estabelecimento da erradicação da pobreza como o maior desafio global do planeta. Para isso, o documento recomenda que “o Sistema da ONU, em cooperação com doadores relevantes e organizações internacionais”, facilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.

Esse sistema atuaria para facilitar o encontro entre países interessados e potenciais parceiros, ceder ferramentas para a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável, fornecer bons exemplos de políticas nessas áreas e informar sobre metodologias para avaliar essas políticas.

Pescadores trabalham na Indonésia nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)

Pescadores da Indonésia coletam exemplares de atum nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Projeto de Lei quer introduzir espécies exóticas em represas

Um projeto polêmico na Câmara dos Deputados quer incluir peixe exótico em represas. Trata-se do Projeto de Lei 5989/2009, que prevê a criação de peixes exóticos – carpas e tilápias – contidos por redes dentro de reservatórios de hidrelétricas.

Pode parecer inofensivo, mas os biólogos ouvidos pela Folha de São Paulo alertam para o risco que isso trará para rios e lagos brasileiros, caso a matéria seja aprovada e sancionada.

 

O texto do deputado Nelson Meurer (PP-PR) altera a Lei nº 11.959/2009, que rege a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca e proíbe a criação de espécies exóticas – ou seja, naturais de outro lugar – nos reservatórios de hidrelétricas e tanques-redes. O objetivo da proposta é tornar a produção de espécies exóticas possível, já que há muitas restrições normativas por causa dos riscos ambientais que essa atividade traz.

 

A proposta tramita em caráter conclusivo na Câmara, ou seja, aprovada pelas comissões, não irá a plenário. E ela já foi aprovada nas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS); Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) e na Comissão de Minas e Energia (CME) e está, na fase final, em apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

Na justificativa da proposta, Meurer usa a importância do fator econômico da pesca para justificar seu projeto: “Na criação organismos aquáticos em cativeiro – aquicultura – encontram-se os maiores potenciais para o incremento da produção de pescado, em nosso País, eis que contamos com diversos fatores favoráveis, tais como: clima, tecnologia e abundância de recursos hídricos”.

 

Pela redação do art. 19-A da proposta, o dono ou concessionário da represa instalada ficará obrigado à recomposição ambiental anual (leia-se repovoamento de peixes) e poderá usar as cinco espécies especificadas no segundo parágrafo do art. 22 do Projeto de Lei: I – tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus); II – carpa húngara ou comum (Cyprinus carpio); III – carpa prateada (Hypophthalmichthys molitrix); IV – carpa capim (Ctenopharyngodon idella); V – carpa cabeça grande (Aristichthys nobili).

 

Ainda segundo o jornal, um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Ângelo Antonio Agostinho, está conduzindo uma petição pública contra o projeto, que já conta com mais de cem assinaturas. As cinco espécies proposta pelo Projeto de Lei são espécies descritas como invasoras e, para Agostinho, mesmo sendo criadas em redes, sempre haverá a possibilidade de escaparem e irem parar nos rios, onde poderão complicar a sobrevivência de espécies nativas, competindo pela comida ou comendo os ovos das espécies.

 

No teor da proposta fica proibido a soltura de organismos aquáticos geneticamente modificados no ambiente natural, mas as cinco espécies exóticas serão, normativamente, equiparadas à criação de espécies nativas, desde que criadas em tanques-redes ou outra estrutura semelhante instaladas nos reservatórios hidrelétricos.

Fonte: Portal O Eco


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas temem que extinção das sardinhas no Pacífico esteja próxima

Queda da população dos peixes é drástica na costa da América do Norte.
Estudo sobre a redução foi divulgado na publicação científica ‘PNAS’.

As sardinhas que vivem nas águas do Oceano Pacífico próximas à América do Norte correm grande risco de extinção, alertam cientistas em artigo na revista da Academia Americana de Ciências (PNAS).

Os pesquisadores não sabem explicar o que causou a redução drástica na população dos peixes na região, mas sugerem que condições climaticas desfavoráveis e práticas pesqueiras podem ter provocado a queda.

A recuperação da população de sardinhas vai depender de um clima ameno, que favorece o desenvolvimento desses peixes, da ausência de competição com outras espécies marinhas como as cavalas, e da adoção de estratégias de pesca diferentes no local.

Os especialistas temem que o colapso das sardinhas nas águas do norte do Pacífico tenha ligação com o desaparecimento dos peixes das costas japonesa e chilena. Desde 2006, os cientistas notam uma redução na biomassa das sardinhas no oceano.

Cardume de sardinhas do Pacífico (Foto: brian.gratwicke/Licença CreativeCommons)

Cardume de sardinhas do Pacífico (Foto: brian.gratwicke/Licença CreativeCommons)

Fonte: Globo Natureza


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixes ficam com medo ao sentir cheiro de açúcar exalado por ferida

Composição da substância que causa pavor nos peixes não era conhecida. Açúcar é percebido por neurônios especiais, que formam sistema de alerta.

Cardumes fogem quando sentem cheiro de açúcar exalado por um peixe ferido. (Foto: Flickr / Matt Kieffer)

Cardumes fogem quando sentem cheiro de açúcar exalado por peixe ferido. (Foto: Flickr / Matt Kieffer)

Um açúcar presente nas escamas dos peixes é liberado quando ocorre um ferimento. Ao sentir o cheiro da substância, o cardume sente medo e foge. A descoberta foi feita por um estudo da Universidade de Singapura, publicado na quinta-feira (23) no jornal científico “Current Biology”.

Até então, não se sabia qual era a composição da substância que provocava medo nos peixes, chamada genericamente de “coisa assustadora”. De acordo com o estudo, este açúcar é reconhecido por um tipo especializado de neurônios dos peixes, o que poderia indicar a existência um sistema de alerta que provoca medo em situações de perigo.

Os pesquisadores acreditam que pode ter ocorrido uma seleção natural de peixes capazes de sentir o cheiro do açúcar. Os que não conseguiam identificar a substância liberada pelo ferimento teriam menos chances de sobreviver.

Agora, os cientistas querem pesquisar se diferentes espécies de peixe liberam variedades diferentes de açúcares. Eles acreditam que a substância pode ter “sabores” diferentes, de acordo com o tipo de peixe, e querem verificar quais são os cheiros que cada espécie é capaz de sentir.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, as descobertas mostram que os peixes podem ajudar a investigar quais são as bases neurais do medo inato.

 

Fonte: Globo Natureza


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pirarucu brasileiro conta com armadura natural contra piranhas

Estudo americano desvenda mecanismo pela qual o peixe amazônico se tornou imune a um dos mais poderosos predadores

Cientistas americanos desvendaram o segredo do pirarucu (Arapaima gigas) para sobreviver a lagos e rios infestados de piranhas na Amazônia: escamas que combinam rigidez e resistência com elasticidade. O peixe brasileiro tem uma armadura natural que pode inspirar a produção de materiais industriais. A descoberta foi publicada em um artigo na revista Advanced Engineering Materials.

A lenda do pirarucu chegou aos ouvidos do engenheiro mecânico Marc Meyers, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, durante uma temporada de pesca esportiva no norte do Brasil. O peixe, que chega a três metros de comprimento e pode pesar até 200 quilos, é o único que consegue conviver com as piranhas em cursos d’água. Outros peixes, gado e até seres humanos que entram na água onde vivem cardumes de piranhas não costumam escapar de seus poderosos dentes.

O pirarucu é considerado um fóssil vivo por guardar características de peixes ancestrais, como pulmões. Ele precisa subir à superfície para respirar constantemente. Nesse momento, os pescadores tentam fisgá-lo jogando um grande pedaço de carne perto de sua boca. Se ele não morde a isca, em poucos segundos as piranhas acabam com ela.

Curioso, Meyers resolveu estudar as escamas do pirarucu em seu laboratório. E descobriu que, além de grandes, com até 10 centímetros de comprimento, elas tinham duas camadas. A exterior é a mais resistente e contém muito cálcio, elemento que também dá rigidez a nossos ossos. A parte interna, por outro lado, é feita de um material maleável, ainda que bastante resistente, o colágeno, que nos seres humanos está mais presente nas articulações.

Testada em uma máquina que imita a mordida das piranhas, a ‘pele’ do pirarucu se mostrou extremamente resistente. A mordida é tão forte, afirma o estudo, que apenas a rigidez garantida pelo cálcio não seria suficiente para resistir ao ataque. As escamas quebrariam, oferecendo aos predadores a tenra carne do pirarucu.

“É um estudo muito bem feito”, comentou o pesquisador de materiais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), também nos EUA, ao site da revista Science. Ele lembrou que a combinação de materiais diferentes para formar uma estrutura que assume novas características é uma ideia comum na natureza que os homens tentam imitar na indústria.

Pirarucu (Arapaima gigas)

Escamas resistentes e flexíveis protegem o pirarucu (Arapaima gigas) (Latinstock)

Poucos animais resistem aos dentes afiados da piranha amazônica

Poucos animais resistem aos dentes afiados da piranha amazônica. Thinkstock

Fonte: Veja Ciência


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixes da Antártida estão ameaçados por mudança climática, diz estudo

Grupo ‘notothenioids’ desenvolveu proteínas para não congelar em águas frias.
Ele pode ser devastado por não se adaptar a um oceano mais quente.

Uma linhagem de peixes da Antártida, que desenvolveu um tipo especial de proteína para não congelar nas águas geladas, está ameaçada pelo aquecimento do mar, segundo um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira (13) pela “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Um aumento de 2ºC na temperatura da água deve ter um impacto devastador nessa linhagem de peixe da Antártida, que está tão bem adaptada a temperaturas negativas”, afirmou Thomas Near, professor de ecologia e biologia evolucionária em Yale e co-autor do estudo, em material de divulgação. O Oceano Antártico tem verificado um dos mais rápidos aquecimentos da Terra, devido às mudanças climáticas.

Os pesquisadores analisaram a história da evolução da linhagem “notothenioids”, que se diversificou em mais de cem espécies de peixe. Ela teria sobrevivido a um resfriamento das águas, há dezenas de milhares de anos, que provocou a extinção em massa de espécies adaptadas a um oceano mais quente.

O desenvolvimento de glicoproteínas anticongelantes levou os notothenioids a se adaptarem em condições polares (Foto: Divulgação / Universidade Yale)

O desenvolvimento de glicoproteínas anticongelantes levou os "notothenioids" a se adaptarem em condições polares (Foto: Divulgação / Universidade Yale)

A chave da adaptação dos “notothenioids” teria sido o desenvolvimento de glicoproteínas anti-congelantes, de 22 a 42 milhões de anos atrás. A mesma característica que ajudou os peixes a sobreviverem em um ambiente mais frio os torna sucetíveis a um mundo mais quente, diz Near.

Segundo a pesquisa, a propagação desses animais pelo oceano Antártico ocorreu cerca de 10 milhões de anos depois do surgimento da proteína. Eles teriam se espalhado para diversos habitats e se diversificado, originando espécies diferentes. Isso indicaria que outros fatores, além da proteína, influenciaram no sucesso da sobrevivência da espécie nas águas geladas.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

dezembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Fêmea de espécie de peixe é atraída por parceiros bissexuais

Cientistas acreditam que machos não-dominantes adotam comportamento homossexual para atrair parceiras.

Cientistas alemães descobriram que, em uma espécie de peixe tropical, as fêmeas são atraídas por machos bissexuais.

As fêmeas da espécie Poecilia mexicana, encontrada da Guatemala ao México, são conhecidas por preferir acasalar com machos que elas já viram interagir sexualmente com outros machos.

O estudo foi publicado na revista científica “Biology Letters”.

Na pesquisa, os cientistas, liderados por David Bierbach, da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, descreveram o comportamento homossexual no reino animal como um “enigma”.

“O comportamento homossexual masculino pode ser percebido em muitos bichos no reino animal, mas representa uma charada darwiniana, uma vez que a homossexualidade reduziria o desempenho reprodutivo masculino”, escreveu Bierbach.

Relação entre dois machos da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Relação entre dois machos da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

No entanto, chama atenção que muitos animais com comportamento homossexual também mantêm relações heterossexuais, incluindo pinguins e chimpanzés pigmeus — também conhecidos como bonobos.

Biólogos sugerem que tal tendência possa gerar benefícios genéticos, apesar do aparente prejuízo reprodutivo.

Os peixes dominantes da espécie Poecilia mexicana, por exemplo, “beliscam” as áreas próximas às aberturas genitais de possíveis parceiras para indicar sua vontade de acasalar.

Cientistas sugerem que tal comportamento ajuda a demonstrar a qualidade dos machos, já que o número de “mordidinhas” seria diretamente proporcional à saúde e à virilidade.

No entanto, machos não-dominantes da mesma espécie são conhecidos por “beliscar” tanto fêmeas quanto outros machos.

Estudos sobre a Poecilia mexicana demonstraram que os peixes podem discernir os sexos baseados em feromônios e pistas visuais, descartando quaisquer teorias de que a abordagem se dá por desconhecimento.

Testes
A pesquisa foi feita em laboratório e testou o grau de “atração” que o peixe tinha por cada um de seus pares.

O resultado foi surpreendente. Nadando lado à lado, as fêmeas se sentiram mais atraídas por machos mais coloridos. Porém, também demonstraram interesse em machos que elas observaram “beliscando” tanto outras fêmeas quanto outros machos.

“Ficamos muito surpresos ao descobrir que as interações homossexuais tinham a mesma influência na preferência das fêmeas que as heterossexuais”, explicou Bierbach.

“De qualquer forma, percebemos que a atividade sexual é uma característica usada pelas fêmeas para avaliar a qualidade dos machos”, afirmou.

Os cientistas acreditam que o comportamento homossexual pode ser um recurso usado por machos menos imponentes e menos atrativos para “ganhar a atenção” das fêmeas.

“Alguns machos podem se tornar mais atrativos em relação às fêmeas por meio de interações homossexuais, que, em contrapartida, aumentam a chance, para esses mesmos machos, de obter uma relação heterossexual”, explicou Biebarch à BBC.

Grupo de peixes da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Grupo de peixes da espécie 'Poecilia mexicana' (Foto: David Bierbach/via BBC)

Fonte: Globo Natureza


9 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Corais enviam ‘aviso químico’ para peixes devorarem algas tóxicas

Coral da espécie ‘Acropora nasuta’ libera substância química na água.
Ao devorar alga, peixe torna-se mais tóxico, o que ajuda a evitar predador.

Cientistas descobriram que uma espécie de coral envia “avisos químicos” para peixes para que eles devorem algas tóxicas, que causam danos a barreiras de corais e podem ameaçar a espécie. A pesquisa, realizada pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos, foi publicada no site da revista “Science” nesta quinta-feira (8).

O crescimento excessivo de certos tipos de algas é um problema para os corais e ocorre devido a várias situações, como a diminuição da população de peixes no mar e as mudanças climáticas, afirmam os cientistas.

Liberando substâncias químicas na água, os corais da espécie Acropora nasuta ”recrutam” peixes de duas espécies (Gobiodon histrio e Paragobiodon enchinocephalus) que estejam próximos para que eles devorem as algas. Isso reduz danos que poderiam ocorrer às barreiras de corais, segundo a pesquisa.

A liberação da substância ocorre quando as algas entram em contato com os corais, aponta o estudo. A “contrapartida” é que os peixes tornam-se mais tóxicos, o que os ajuda a evitar ataques de predadores.

A relação é considerada mutualística e parecida com a que existe entre formigas e árvores acácias, afirmam os pesquisadores.

Peixe da espécie 'Gobiodon histro' se aproxima de alga tóxica em região de corais (Foto: Divulgação/Danielle Dixson/'Science')

Peixe da espécie 'Gobiodon histrio' se aproxima de alga tóxica em região de corais (Foto: Divulgação/Danielle Dixson/'Science')

Fonte: Globo Natureza


16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas descobrem espécie de peixe em que macho ‘pesca’ fêmea

Ornamento parecido com uma formiga é usado para atrair a parceira.
Fenômeno foi registrado em espécie de peixe tropical.

Peixes da espécie 'Corynopoma riisei' (Foto: Current Biology/Reprodução)

Peixes da espécie 'Corynopoma riisei' (Foto: Current Biology/Reprodução)

A técnica de usar um alimento como isca para atrair o peixe não é exclusiva dos pescadores humanos. Pesquisadores suecos descobriram uma espécie de peixe em que o macho usa uma isca como ornamento para atrair a fêmea para perto de si.

Corynopoma riisei é um peixe tropical, parente da piranha, que vive na água doce perto do Caribe, em países como Venezuela e Trinidad e Tobago. Dependendo da região em que ele vive, a alimentação muda um pouco, mas é sempre baseada em insetos – de larvas de moscas a besouros.

A equipe de Niclas Kolm, da Universidade de Uppsala, descobriu que os machos dessa espécie usam um ornamento parecido com uma formiga para atrair as fêmeas. Nos locais em que as formigas são mais apreciadas como um alimento, a técnica é mais usada e funciona melhor.

“É um exemplo natural de uma isca projetada para maximizar a chance de pegar um peixe”, afirmou Kolm. “Nesse caso, não se trata de qualquer peixe, no entanto. É um peixe do sexo oposto que a isca é feita para pegar”, explicou.

Para os pesquisadores, o estudo mostra ainda um bom exemplo de como os animais conseguem formas avançadas de comunicação entre si. Esse processo, segundo os autores, leva os animais a se diferenciarem, o que pode causar a separação suficiente para a criação de novas espécies.

 

Fonte: Globo Natureza


11 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Pesca excessiva ameaça 30% das populações de peixes, afirma ONU

FAO aponta riscos social e econômico do desaparecimento de espécies.
Conservação da biodiversidade marinha foi debatida na Rio+20, em junho.

Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês) informou que a comunidade internacional tem que fazer mais para garantir a pesca sustentável no mundo e alertou que quase 30% das populações de peixes correm risco de desaparecer devido à pesca excessiva.

No documento, divulgado nesta segunda-feira (9), a entidade afirma que muitas das populações marinhas, mesmo aquelas já monitoradas pela FAO, continuam sofrendo uma grande pressão. “A superexploração não afeta somente de forma negativa o meio ambiente, mas também reduz a produção pesqueira, com efeitos negativos sociais e econômicos”.

Segundo a agência da ONU, para aumentar a contribuição da pesca marinha à segurança alimentar, às economias e ao bem-estar das comunidades costeiras, é necessário aplicar planos eficazes para reestabelecer as populações de peixes afetados pela sobrepesca.

De acordo com estatísticas apresentadas pelo órgão, cerca de 57% dos peixes estão totalmente explorados (ou seja, o limite sustentável já está próximo de ser atingido) e apenas 13% não estão totalmente explorados. “É necessário fortalecer a governança e ordenar de forma eficaz a pesca”, disse.

Dados da FAO de 2012 mostram que o setor pesqueiro produziu a cifra recorde de 128 milhões de toneladas de pescado para consumo humano – uma média de 18,4 kg por pessoa – proporcionando 15% da ingestão de proteína animal a mais de 4,3 milhões de pessoas. Além disso, o setor emprega atualmente 55 milhões de pessoas.

O relatório da ONU sustenta que o fomento à pesca e à piscicultura sustentáveis pode incentivar a administração de ecossistemas em larga escala e defende mecanismos como a adoção de um sistema de pesca e aquicultura mais justos e responsáveis.

Proteção dos oceanos foi tema da Rio+20
A proteção à biodiversidade marinha foi um dos principais temas debatidos pelos 188 países reunidos durante a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 13 e 22 de junho.

Um dos resultados definidos no documento “O futuro que queremos”, fruto das negociações diplomáticas, é a adoção de um novo instrumento internacional sob a Convenção da ONU sobre os Direitos do Mar (Unclos), para uso sustentável da biodiversidade e conservação em alto mar.

O documento prevê ainda, entre outras medidas, a criação de um fórum político de alto nível para o desenvolvimento sustentável dentro da ONU, além de reafirmar um dos Princípios do Rio, criado em 1992, sobre as “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”. Este princípio significa que os países ricos devem investir mais no desenvolvimento sustentável por terem degradado mais o meio ambiente durante séculos.

Outra medida aprovada é o fortalecimento do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma) e o estabelecimento da erradicação da pobreza como o maior desafio global do planeta. Para isso, o documento recomenda que “o Sistema da ONU, em cooperação com doadores relevantes e organizações internacionais”, facilite a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.

Esse sistema atuaria para facilitar o encontro entre países interessados e potenciais parceiros, ceder ferramentas para a aplicação de políticas de desenvolvimento sustentável, fornecer bons exemplos de políticas nessas áreas e informar sobre metodologias para avaliar essas políticas.

Pescadores trabalham na Indonésia nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)

Pescadores da Indonésia coletam exemplares de atum nesta segunda-feira (9). Segundo relatório da FAO, pesca excessiva já afeta 30% das populações de peixes no mundo. (Foto: Sonny Tumbelaka/AFP)

Fonte: Globo Natureza


28 de março de 2012 | nenhum comentário »

Projeto de Lei quer introduzir espécies exóticas em represas

Um projeto polêmico na Câmara dos Deputados quer incluir peixe exótico em represas. Trata-se do Projeto de Lei 5989/2009, que prevê a criação de peixes exóticos – carpas e tilápias – contidos por redes dentro de reservatórios de hidrelétricas.

Pode parecer inofensivo, mas os biólogos ouvidos pela Folha de São Paulo alertam para o risco que isso trará para rios e lagos brasileiros, caso a matéria seja aprovada e sancionada.

 

O texto do deputado Nelson Meurer (PP-PR) altera a Lei nº 11.959/2009, que rege a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca e proíbe a criação de espécies exóticas – ou seja, naturais de outro lugar – nos reservatórios de hidrelétricas e tanques-redes. O objetivo da proposta é tornar a produção de espécies exóticas possível, já que há muitas restrições normativas por causa dos riscos ambientais que essa atividade traz.

 

A proposta tramita em caráter conclusivo na Câmara, ou seja, aprovada pelas comissões, não irá a plenário. E ela já foi aprovada nas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS); Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) e na Comissão de Minas e Energia (CME) e está, na fase final, em apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

 

Na justificativa da proposta, Meurer usa a importância do fator econômico da pesca para justificar seu projeto: “Na criação organismos aquáticos em cativeiro – aquicultura – encontram-se os maiores potenciais para o incremento da produção de pescado, em nosso País, eis que contamos com diversos fatores favoráveis, tais como: clima, tecnologia e abundância de recursos hídricos”.

 

Pela redação do art. 19-A da proposta, o dono ou concessionário da represa instalada ficará obrigado à recomposição ambiental anual (leia-se repovoamento de peixes) e poderá usar as cinco espécies especificadas no segundo parágrafo do art. 22 do Projeto de Lei: I – tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus); II – carpa húngara ou comum (Cyprinus carpio); III – carpa prateada (Hypophthalmichthys molitrix); IV – carpa capim (Ctenopharyngodon idella); V – carpa cabeça grande (Aristichthys nobili).

 

Ainda segundo o jornal, um grupo de cientistas liderados pelo biólogo Ângelo Antonio Agostinho, está conduzindo uma petição pública contra o projeto, que já conta com mais de cem assinaturas. As cinco espécies proposta pelo Projeto de Lei são espécies descritas como invasoras e, para Agostinho, mesmo sendo criadas em redes, sempre haverá a possibilidade de escaparem e irem parar nos rios, onde poderão complicar a sobrevivência de espécies nativas, competindo pela comida ou comendo os ovos das espécies.

 

No teor da proposta fica proibido a soltura de organismos aquáticos geneticamente modificados no ambiente natural, mas as cinco espécies exóticas serão, normativamente, equiparadas à criação de espécies nativas, desde que criadas em tanques-redes ou outra estrutura semelhante instaladas nos reservatórios hidrelétricos.

Fonte: Portal O Eco


28 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas temem que extinção das sardinhas no Pacífico esteja próxima

Queda da população dos peixes é drástica na costa da América do Norte.
Estudo sobre a redução foi divulgado na publicação científica ‘PNAS’.

As sardinhas que vivem nas águas do Oceano Pacífico próximas à América do Norte correm grande risco de extinção, alertam cientistas em artigo na revista da Academia Americana de Ciências (PNAS).

Os pesquisadores não sabem explicar o que causou a redução drástica na população dos peixes na região, mas sugerem que condições climaticas desfavoráveis e práticas pesqueiras podem ter provocado a queda.

A recuperação da população de sardinhas vai depender de um clima ameno, que favorece o desenvolvimento desses peixes, da ausência de competição com outras espécies marinhas como as cavalas, e da adoção de estratégias de pesca diferentes no local.

Os especialistas temem que o colapso das sardinhas nas águas do norte do Pacífico tenha ligação com o desaparecimento dos peixes das costas japonesa e chilena. Desde 2006, os cientistas notam uma redução na biomassa das sardinhas no oceano.

Cardume de sardinhas do Pacífico (Foto: brian.gratwicke/Licença CreativeCommons)

Cardume de sardinhas do Pacífico (Foto: brian.gratwicke/Licença CreativeCommons)

Fonte: Globo Natureza


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixes ficam com medo ao sentir cheiro de açúcar exalado por ferida

Composição da substância que causa pavor nos peixes não era conhecida. Açúcar é percebido por neurônios especiais, que formam sistema de alerta.

Cardumes fogem quando sentem cheiro de açúcar exalado por um peixe ferido. (Foto: Flickr / Matt Kieffer)

Cardumes fogem quando sentem cheiro de açúcar exalado por peixe ferido. (Foto: Flickr / Matt Kieffer)

Um açúcar presente nas escamas dos peixes é liberado quando ocorre um ferimento. Ao sentir o cheiro da substância, o cardume sente medo e foge. A descoberta foi feita por um estudo da Universidade de Singapura, publicado na quinta-feira (23) no jornal científico “Current Biology”.

Até então, não se sabia qual era a composição da substância que provocava medo nos peixes, chamada genericamente de “coisa assustadora”. De acordo com o estudo, este açúcar é reconhecido por um tipo especializado de neurônios dos peixes, o que poderia indicar a existência um sistema de alerta que provoca medo em situações de perigo.

Os pesquisadores acreditam que pode ter ocorrido uma seleção natural de peixes capazes de sentir o cheiro do açúcar. Os que não conseguiam identificar a substância liberada pelo ferimento teriam menos chances de sobreviver.

Agora, os cientistas querem pesquisar se diferentes espécies de peixe liberam variedades diferentes de açúcares. Eles acreditam que a substância pode ter “sabores” diferentes, de acordo com o tipo de peixe, e querem verificar quais são os cheiros que cada espécie é capaz de sentir.

Segundo a equipe responsável pela pesquisa, as descobertas mostram que os peixes podem ajudar a investigar quais são as bases neurais do medo inato.

 

Fonte: Globo Natureza


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pirarucu brasileiro conta com armadura natural contra piranhas

Estudo americano desvenda mecanismo pela qual o peixe amazônico se tornou imune a um dos mais poderosos predadores

Cientistas americanos desvendaram o segredo do pirarucu (Arapaima gigas) para sobreviver a lagos e rios infestados de piranhas na Amazônia: escamas que combinam rigidez e resistência com elasticidade. O peixe brasileiro tem uma armadura natural que pode inspirar a produção de materiais industriais. A descoberta foi publicada em um artigo na revista Advanced Engineering Materials.

A lenda do pirarucu chegou aos ouvidos do engenheiro mecânico Marc Meyers, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, durante uma temporada de pesca esportiva no norte do Brasil. O peixe, que chega a três metros de comprimento e pode pesar até 200 quilos, é o único que consegue conviver com as piranhas em cursos d’água. Outros peixes, gado e até seres humanos que entram na água onde vivem cardumes de piranhas não costumam escapar de seus poderosos dentes.

O pirarucu é considerado um fóssil vivo por guardar características de peixes ancestrais, como pulmões. Ele precisa subir à superfície para respirar constantemente. Nesse momento, os pescadores tentam fisgá-lo jogando um grande pedaço de carne perto de sua boca. Se ele não morde a isca, em poucos segundos as piranhas acabam com ela.

Curioso, Meyers resolveu estudar as escamas do pirarucu em seu laboratório. E descobriu que, além de grandes, com até 10 centímetros de comprimento, elas tinham duas camadas. A exterior é a mais resistente e contém muito cálcio, elemento que também dá rigidez a nossos ossos. A parte interna, por outro lado, é feita de um material maleável, ainda que bastante resistente, o colágeno, que nos seres humanos está mais presente nas articulações.

Testada em uma máquina que imita a mordida das piranhas, a ‘pele’ do pirarucu se mostrou extremamente resistente. A mordida é tão forte, afirma o estudo, que apenas a rigidez garantida pelo cálcio não seria suficiente para resistir ao ataque. As escamas quebrariam, oferecendo aos predadores a tenra carne do pirarucu.

“É um estudo muito bem feito”, comentou o pesquisador de materiais do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), também nos EUA, ao site da revista Science. Ele lembrou que a combinação de materiais diferentes para formar uma estrutura que assume novas características é uma ideia comum na natureza que os homens tentam imitar na indústria.

Pirarucu (Arapaima gigas)

Escamas resistentes e flexíveis protegem o pirarucu (Arapaima gigas) (Latinstock)

Poucos animais resistem aos dentes afiados da piranha amazônica

Poucos animais resistem aos dentes afiados da piranha amazônica. Thinkstock

Fonte: Veja Ciência


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Peixes da Antártida estão ameaçados por mudança climática, diz estudo

Grupo ‘notothenioids’ desenvolveu proteínas para não congelar em águas frias.
Ele pode ser devastado por não se adaptar a um oceano mais quente.

Uma linhagem de peixes da Antártida, que desenvolveu um tipo especial de proteína para não congelar nas águas geladas, está ameaçada pelo aquecimento do mar, segundo um estudo da Universidade Yale, nos Estados Unidos, publicado nesta segunda-feira (13) pela “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

“Um aumento de 2ºC na temperatura da água deve ter um impacto devastador nessa linhagem de peixe da Antártida, que está tão bem adaptada a temperaturas negativas”, afirmou Thomas Near, professor de ecologia e biologia evolucionária em Yale e co-autor do estudo, em material de divulgação. O Oceano Antártico tem verificado um dos mais rápidos aquecimentos da Terra, devido às mudanças climáticas.

Os pesquisadores analisaram a história da evolução da linhagem “notothenioids”, que se diversificou em mais de cem espécies de peixe. Ela teria sobrevivido a um resfriamento das águas, há dezenas de milhares de anos, que provocou a extinção em massa de espécies adaptadas a um oceano mais quente.

O desenvolvimento de glicoproteínas anticongelantes levou os notothenioids a se adaptarem em condições polares (Foto: Divulgação / Universidade Yale)

O desenvolvimento de glicoproteínas anticongelantes levou os "notothenioids" a se adaptarem em condições polares (Foto: Divulgação / Universidade Yale)

A chave da adaptação dos “notothenioids” teria sido o desenvolvimento de glicoproteínas anti-congelantes, de 22 a 42 milhões de anos atrás. A mesma característica que ajudou os peixes a sobreviverem em um ambiente mais frio os torna sucetíveis a um mundo mais quente, diz Near.

Segundo a pesquisa, a propagação desses animais pelo oceano Antártico ocorreu cerca de 10 milhões de anos depois do surgimento da proteína. Eles teriam se espalhado para diversos habitats e se diversificado, originando espécies diferentes. Isso indicaria que outros fatores, além da proteína, influenciaram no sucesso da sobrevivência da espécie nas águas geladas.

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


6 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Expedição descobre 365 espécies em parque no sul do Peru

Entre elas estão 30 pássaros, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.
Área é um santuário da vida selvagem, segundo grupo ambiental.

Foram encontradas 365 espécies novas para a ciência no Parque Nacional Bahuaja Sonene, no sul do Peru, informou na quinta-feira (2) a Sociedade de Conservação da Vida Selvagem. Entre as novas espécies estão 30 pássaros, como o gavião-águia preto-e-branco, dois morcegos e 233 borboletas e mariposas.

As espécies foram encontradas por uma equipe de quinze pesquisadores da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem, que trabalha no parque desde 1996, com objetivo de realizar um inventório de espécies do local. Segundo a organização, o parque é um santuário protegido para a vida selvagem.

Além das novas espécies, o levantamento mostrou que a área abriga mais de 600 espécies de pássaros, 180 mamíferos, mais de 50 réptils e anfíbios, 180 peixes e 1.300 borboletas.

“A descoberta de mais espécies neste parque realça a importância dos projetos de conservação em curso na área”, afirmou Julien Kunen, diretor da sociedade para América Latina e Caribe. “Este parque é uma das joias da rede de áreas protegidas da América Latina”, considerou.

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque  (Foto: Andre Baertschi )

Rãs-folha gigantes estão entre as 50 espécies de répteis e anfíbios descobertas no parque (Foto: Andre Baertschi )

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde  (Foto: Carlos Sevillano)

O parque contém sete espécies de araras, entre elas a vermelha e a verde (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência  (Foto: Carlos Sevillano)

Foram encontradas 233 espécies de borboletas ainda não conhecidas pela ciência (Foto: Carlos Sevillano)

Fonte: Globo Natureza


« Página anterior