20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Manchas de pele de cobra inspiram cientistas na criação de materiais

Estudo desvendou estruturas por trás da camuflagem da víbora-do-gabão.
Tom ‘ultra-preto’ pode ser usado na absorção de luz do sol.

Víbora do Gabão se camufla muito bem no solo (Foto: Guido Westhoff/Divulgação)

Víbora-do-gabão se camufla muito bem no solo (Foto: Guido Westhoff/Divulgação)

Cientistas identificaram nanoestruturas nas manchas ultra-pretas da pele de uma cobra africana, as quais poderiam inspirar a criação de um material avançado capaz de absorver a luz, anunciaram nesta quinta-feira (16).

A víbora-do-gabão, uma das maiores da África e mestre da camuflagem, tem manchas negras de padrão geométrico na pele que são profundas, de um preto aveludado que reflete muito pouca luz.

Entrelaçadas a outras manchas muito reflexivas nas cores branca e marrom, o padrão cria um alto contraste que torna difícil identificar a cobra rastejando no solo multicolorido da floresta tropical.

Uma equipe de cientistas alemãs se lançou a desvendar o segredo por trás da escuridão profunda das manchas negras e descobriu que a escala da superfície era feita de microestruturas folhosas e apinhadas, recobertas com sulcos nanométricos — um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro.

Em artigo publicado na revista “Scientific Reports”, do grupo “Nature”, a equipe especulou que as micro e nanoestruturas, que se projetam em ângulos sutilmente diferentes, dissipam e prendem a luz que entra.

“A estrutura com o efeito de um negro aveludado também poderia, potencialmente, ser transferida para outros materiais”, escreveram os cientistas.

A busca por um material artificial de alta absorção e baixa reflexão é cobiçada pela ciência por seu uso potencial em sistemas ópticos especializados ou captura do calor solar, por exemplo.

Algumas superfícies ultra-negras já são mais escuras do que as manchas da cobra, disse à AFP a co-autora Marlene Spinner, do Instituto de Zoologia da Universidade de Bonn.

Mas ao introduzir a nanotecnologia encontrada na pele da cobra poderia potencialmente aumentar ainda mais sua absorção da luz.

“A micro-ornamentação das escalas de preto aveludado da cobra é um exemplo mais avançado de que a mesma lei física se aplica à natureza e à tecnologia e conduz consequentemente a construções similares”, escreveu a equipe.

 

Fonte: Globo Natureza


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Menor primata das Américas é encontrado em Rondônia

Espécie é rara e apenas ribeirinhos tinham visto o mico-leãozinho.
Primata pode atingir 15 centímetros na idade adulta.

Conhecido como mico-leãozinho, o Cebuella pygmaea é uma espécie rara e atinge 15 centímetros quando adulto. O menor macaco existente no continente americano, segundo a bióloga e pesquisadora Mariluce Rezende Messias, alimenta-se basicamente de goma de árvores e ingá. Em 2010, um exemplar da espécie foi encontrado em Porto Velho, no interflúvio dos rios Madeira e Purus e sua população ainda está sendo estimada em Rondônia. De acordo com o Centro de Coleções Zoológicas, localizado no prédio da Universidade Federal  de Rondônia (Unir), há registros do primata nos estados do Acre e Amazonas.

O mico-leãozinho foi encontrado durante o resgate de animais na área de interferência de uma usina em construção no Rio Madeira, em Porto Velho, e a descoberta da espécie na região – antes registrada apenas por ribeirinhos – aumentou a curiosidade de pesquisadores que começaram a monitorar os hábitos do primata.

Segundo Mariluce, há pouca densidade de mico-leãozinho no estado e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classifica a situação da espécie como pouco preocupante. “É importante ressaltar que temos poucas informações sobre o Cybuella pygmaea. Os estudos nos darão uma melhor dimensão sobre a espécie”, afirma a pesquisadora.

Alguns exemplares estão taxidermizados no Centro de Coleções Zoológicas da Unir junto com outros mamíferos para estudos, pesquisa e arquivamento da fauna de Rondônia.

Existência do mico-leãozinho em Rondônia foi comprovada em 2010 (Foto: Agência Imagem News)

Existência do mico-leãozinho em Rondônia foi comprovada em 2010 (Foto: Agência Imagem News)

Fonte: Globo.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Barulho de trânsito faz gafanhotos ‘cantarem’ mais alto, diz estudo

Pesquisa alemã comparou volume de insetos de ambientes diversos.
Ruído exagerado dos humanos pode prejudicar reprodução dos animais.

Conhecidos por seu “canto”, os gafanhotos ajustam o volume da melodia diante do barulho do trânsito, revela um estudo publicado nesta terça-feira (13) pela revista “Functional Ecology”, da Sociedade Britânica de Ecologia.

Estudos anteriores já haviam identificado o impacto de um ambiente ruidoso nos sons emitidos por pássaros, baleias e até rãs, mas esta é a primeira vez que o fenômeno é observado entre insetos, destaca a Sociedade Britânica de Ecologia.

Uma equipe de biólogos da Universidade de Bielefeld (Alemanha), dirigida por Ulrike Lampe, capturou 188 espécimes do machos de gafanhotos Chorthippus biguttulus, que têm um canto metálico característico. Metade foi capturada em locais tranquilos e a outra metade em zonas próximas a estradas de muito movimento.

O “canto” destes gafanhotos, que na realidade produzem o som ao esfregar as patas posteriores nas asas dianteiras, tem a função de atrair as fêmeas.

Os cientistas analisaram em laboratório as diferenças entre os “cantos” dos dois grupos de gafanhotos, incitados pela presença de fêmeas, e concluíram que os insetos capturados próximos as estradas produzem sons diferentes dos demais.

“Constatamos que em ambientes ruidosos os gafanhotos aumentam o volume da parte de baixa frequência de seu canto. Algo lógico, já que o ruído do tráfego pode ocultar sinais nesta parte do espectro” sonoro, explicou Lampe.

Segundo os cientistas, estes resultados são importantes porque evidencia que o ruído do tráfego pode transtornar o sistema de reprodução dos gafanhotos, “impedindo que as fêmeas ouçam corretamente os cantos nupciais dos machos”.

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol

Substâncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar álcool.
Resultados obtidos são promissores, afirma professor da UFRJ.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está estudando como usar baratas – mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas – para ajudar na obtenção do etanol.

A ideia é usar as enzimas para degradar bagaço de cana e com isso obter açúcares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alcântara Machado, do Instituto de Biofísica da UFRJ. O álcool é obtido pela fermentação destes açúcares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.

Dois tipos de baratas estão sendo pesquisados: a Periplaneta americana, espécie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a Nauphoeta cinerea, um tipo de barata da América Central, mas que hoje é encontrada em vários lugares do globo. Alimentados com bagaço de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.

“Os resultados são bastante promissores. Essa adaptação que o inseto faz ao bagaço tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas”, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o bagaço de cana, ressalta o cientista.

Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o bagaço e de identificação das enzimas especializadas. O etanol ainda não foi obtido. “Não é uma coisa distante [a produção do etanol]“, diz Machado, “mas as etapas têm que ser trabalhadas em conjunto. Não sei dizer quando [vai ser produzido]“.

Fáceis de criar
O grupo de pesquisadores também estuda a degradação da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. “Mas as baratas são mais fáceis de criar em laboratório. Elas se adaptam com facilidade”, afirma. Ele ressalta que os dois insetos têm fisiologia parecida.

A ideia para o futuro é isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um “kit enzimático” que permita retirar o açúcar do bagaço da cana em laboratório, diz Machado. “Um dos desafios é o custo, a produção destas enzimas em escala industrial ainda é muito cara. O nosso modelo tem apelo porque é uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes”, diz ele.

A barata 'Nauphoeta cinerea', nativa da América Central segundo o pesquisador da UFRJ (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

A barata 'Nauphoeta cinerea', uma das espécies estudadas (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

a barata comum, da espécie 'Periplaneta americana', é estudada por pesquisadores da UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Barata 'Periplaneta americana', uma das estudadas na UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Novas etapas
Pesquisar as enzimas é uma etapa importante para produzir o etanol, mas não é a única, diz o pesquisador. Outros pontos importantes são o tratamento do bagaço da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermentação. O próximo desafio do grupo, de acordo com Machado, é aumentar a escala de produção das enzimas. “Se elas continuarem com a eficiência [encontrada], acredito que podem ajudar.”

As baratas “moldam” sua digestão a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. “O que parece ser interessante é que quando você muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em média, ela começa a produzir uma série de enzimas especializadas para quebrar o alimento”, afirma.

Diante da mudança de fonte de comida, a barata adapta também a sua microbiota, a “fauna” de micróbios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. “São microorganismos de alto interesse tecnológico, eles produzem uma série de enzimas.”

Manipulação genética
Algumas enzimas do sistema digestivo da barata já foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos próximos passos é estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produção destas substâncias, para inseri-los em bactérias por manipulação genética.

Os micróbios “transgênicos” poderiam então produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.

O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produção do etanol desta maneira: a diminuição da necessidade de se plantar cana-de-açúcar. “Em vez de plantar mais cana, você aproveitaria o corpo das células da planta. Você aumentaria a produção do álcool sem plantar mais”, diz Machado.

 

Fonte: Globo Natureza


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisador do Butantan descobre 9 espécies de aranhas caranguejeiras

Novas espécies habitam árvores em diferentes regiões do Brasil.
Descobertas foram publicadas na revista ‘ZooKeys’.

Um pesquisador do Instituto Butantan, sediado em São Paulo, descobriu nove espécies novas de aranhas caranguejeiras brasileiras, naturais de vegetações de Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. O estudo com a descrição dos animais foi publicado na última semana no periódico “ZooKeys”.

As espécies, pertencentes a três gêneros distintos, são Typhochlaena ammaTyphochlaena costaeTyphochlaena curumimTyphochlaena paschoali, Pachistopelma bromelicola,Iridopelma katiaeIridopelma marcoiIridopelma oliveirai e Iridopelma vanini.

As caranguejeiras são encontradas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, segundo o aracnólogo Rogério Bertani, pesquisador do Butantan e responsável pelo achado. Ele ressalta que os animais têm hábitos arborícolas, isto é, vivem em árvores e plantas.

Algumas espécies são bem pequenas. “Dá para dizer que são as menores [caranguejeiras] arborícolas do mundo”, disse Bertani. Um dos três gêneros tem características antigas, o que torna algumas das aranhas “quase relíquias”, na visão do cientista. “São remanescentes. É como algo que sobreviveu ao tempo.”

Duas das novas espécies vivem dentro de bromélias, comportamento raro em aracnídeos deste tipo, informa o pesquisador. Como as espécies são coloridas e chamativas, ele teme pelo impacto do tráfico de animais.

Apesar de não haver pesquisas que mostrem que as espécies estão ameaçadas, algumas delas são raras e podem correr risco de desaparecer, segundo o cientista. Ele aponta fatores que reforçam o risco, como a dependência de vegetação, já que as aranhas são arborícolas; a destruição dos habitats naturais, que sofrem há anos com o desmatamento; e o fato de os animais viverem em áreas específicas, com distribuição limitada pelo território brasileiro.

Para Bertani, a descoberta das novas espécies é importante para mostrar que existe uma grande fauna na Mata Atlântica e no Cerrado, que precisa ser melhor estudada por ser pouco conhecida.

As caranguejeiras brasileiras possuem veneno, em geral, mas não são consideradas peçonhentas porque o efeito é fraco para as pessoas. A aranha usa a substância para capturar insetos e outros pequenos animais usados em sua alimentação.

'Typhochlaena costae', tarântula encontrada em Palmas, no Tocantins, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da caranguejeira 'Typhochlaena costae' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlaena amma', encontrada no Espírito Santo, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da aranha caranguejeira 'Typhochlaena amma' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Fonte: Globo Natureza


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


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20 de maio de 2013 | nenhum comentário »

Manchas de pele de cobra inspiram cientistas na criação de materiais

Estudo desvendou estruturas por trás da camuflagem da víbora-do-gabão.
Tom ‘ultra-preto’ pode ser usado na absorção de luz do sol.

Víbora do Gabão se camufla muito bem no solo (Foto: Guido Westhoff/Divulgação)

Víbora-do-gabão se camufla muito bem no solo (Foto: Guido Westhoff/Divulgação)

Cientistas identificaram nanoestruturas nas manchas ultra-pretas da pele de uma cobra africana, as quais poderiam inspirar a criação de um material avançado capaz de absorver a luz, anunciaram nesta quinta-feira (16).

A víbora-do-gabão, uma das maiores da África e mestre da camuflagem, tem manchas negras de padrão geométrico na pele que são profundas, de um preto aveludado que reflete muito pouca luz.

Entrelaçadas a outras manchas muito reflexivas nas cores branca e marrom, o padrão cria um alto contraste que torna difícil identificar a cobra rastejando no solo multicolorido da floresta tropical.

Uma equipe de cientistas alemãs se lançou a desvendar o segredo por trás da escuridão profunda das manchas negras e descobriu que a escala da superfície era feita de microestruturas folhosas e apinhadas, recobertas com sulcos nanométricos — um nanômetro equivale a um bilionésimo de metro.

Em artigo publicado na revista “Scientific Reports”, do grupo “Nature”, a equipe especulou que as micro e nanoestruturas, que se projetam em ângulos sutilmente diferentes, dissipam e prendem a luz que entra.

“A estrutura com o efeito de um negro aveludado também poderia, potencialmente, ser transferida para outros materiais”, escreveram os cientistas.

A busca por um material artificial de alta absorção e baixa reflexão é cobiçada pela ciência por seu uso potencial em sistemas ópticos especializados ou captura do calor solar, por exemplo.

Algumas superfícies ultra-negras já são mais escuras do que as manchas da cobra, disse à AFP a co-autora Marlene Spinner, do Instituto de Zoologia da Universidade de Bonn.

Mas ao introduzir a nanotecnologia encontrada na pele da cobra poderia potencialmente aumentar ainda mais sua absorção da luz.

“A micro-ornamentação das escalas de preto aveludado da cobra é um exemplo mais avançado de que a mesma lei física se aplica à natureza e à tecnologia e conduz consequentemente a construções similares”, escreveu a equipe.

 

Fonte: Globo Natureza


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Aves primitivas voavam com quatro asas, diz estudo

Após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos, paleontólogos chineses afirmam que aves primitivas possuíam penas nos membros traseiros, que auxiliavam no voo

Algumas aves primitivas possuíam dois pares de asas, que as auxiliariam no voo. O segundo par seria, na verdade, as patas desses animais cobertas de penas. Essa é a conclusão de um grupo de paleontólogos chineses, após analisar fósseis com mais de 100 milhões de anos. O estudo foi publicado nesta sexta-feira, na revista cientifica Science.

Para os pesquisadores, o processo evolutivo teria feito com que o segundo par de asas assumisse a função de patas traseiras, que passaram a apresentar penas menores com o tempo. Pesquisas anteriores tinham descoberto aves similares a dinossauros com penas nas extremidades traseiras, mas as provas eram poucas no caso dos pássaros.

O paleontólogo Xing Xu já havia defendido a ideia dos dois pares de asas em 2003. Em um estudo publicado na revista Nature, ele descreveu o Microraptor gui, espécie de dinossauro que teria, além das asas, penas nas patas de trás. Para os pesquisadores, essas asas auxiliares seriam utilizadas para planar de árvore em árvore. Essa descoberta reforça a hipótese de que as aves teriam evoluído a partir dos dinossauros.

Evolução – No estudo atual, foram analisados 11 fósseis de aves primitivas, de 100 a 150 milhões de anos, encontrados no Museu de História Natural de Shandong Tianyu, na China. De acordo com Xing Xu, integrante do grupo de pesquisadores, os 11 pássaros estudados são de cinco espécies relativamente robustas – maiores que um corvo, mas menores que um peru. Os pesquisadores acreditam que as asas traseiras poderiam ter ajudado essas aves a manobrar no ar, enquanto batiam as asas dianteiras para voar ou as esticavam para planar.

Para os autores, o fato de as aves modernas utilizarem as pernas para locomoção indica que a perda do segundo par de asas reflete um período de mudança no qual os ‘braços’ se especializaram no voo e as pernas na locomoção terrestre.

 

 

Controvérsias – Outros especialistas, no entanto, não estão tão certos de que as penas das patas tenham sido usadas para voar e destacam que poderiam ter sido usadas com outros fins, como por exemplo, atrair possíveis parceiras. “Ninguém pensa que estes animais agitavam as patas como faziam com as asas”, disse Kevin Padian, professor de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia em Berkeley e um dos especialistas que revisaram o estudo antes de sua publicação.

Segundo ele, “os autores não fazem ou citam nenhuma pesquisa que apoie uma hipótese de que as penas contribuíram para nenhum tipo de voo”, mas o ponto positivo da pesquisa seria mostrar como as penas das patas mudaram com o tempo.

Fóssil

Fóssil de ave primitiva analisado no estudo, com destaque para as marcas de penas nos membros traseiros (Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Análise de veneno de cobra revela potencial para tratar hipertensão

Cientistas do Butantan identificaram 4 moléculas com possível aplicação.
Pesquisa analisou bioquímica no veneno de três espécies de serpentes.

Bothrops jararaca, uma das espécies estudadas. Foto: IPEVS

 

Pesquisadores do Instituto Butantan, em São Paulo, descobriram 30 moléculas a partir do mapeamento do conjunto de peptídeos no veneno de três espécies de cobras – a Bothrops jararaca, a Bothrops cotiara e a Bothrops fonsecai. Quatro desses peptídeos (tipos de compostos formados por aminoácidos e sintetizados por seres vivos) foram recriados em laboratório, passaram por testes em ratos e apresentaram atividade anti-hipertensiva, o que dá a eles potencial para, no futuro, serem usados em medicamentos contra problemas de pressão arterial.

Os quatro peptídeos se somam a outros 13, entre o total de descobertos, que são da família dos potenciadores de bradicinina. Segundo a coordenadora do estudo, a pesquisadora Solange Maria de Toledo Serrano, do Instituto Butantan, este grupo de moléculas é conhecido há décadas por possuir efeitos sobre a pressão arterial. Pesquisas anteriores com peptídeos da mesma família deram origem a remédios contra a hipertensão – o primeiro deles a ser isolado do veneno da jararaca, nos anos 1960, levou à criação do remédio Captopril, por exemplo.

Análise profunda
“Fizemos uma análise profunda e extensa dos peptidomas [conjuntos de peptídeos] do veneno das três serpentes. Foi um ensaio bioquímico de alto nível, do ponto de vista da complexidade do veneno”, diz a pesquisadora. As análises foram realizadas no Centro de Toxinologia Aplicada, um dos centros de pesquisa da Fapesp, localizado no Butantan.

Solange ressalta que o objetivo do estudo não foi descobrir novas moléculas, mas descrever a complexidade do conjunto de peptídeos no veneno das três espécies de animais. A pesquisa foi publicada na edição de novembro da revista “Molecular & Cellular Proteomics“.

No total, foram sequenciados 44 peptídeos, sendo que 30 eram desconhecidos. O estudo usou técnicas de bioinformática e de espectrometria de massas, método científico que identifica elementos que compõem uma substância e ajuda a obter informações sobre a massa de moléculas.

Uma das dificuldades foi fazer o sequenciamento das moléculas, já que faltam informações sobre a genética das serpentes e as cadeias de aminoácidos que compõem os peptídeos e proteínas destes animais.

“Como não há genoma completo de nenhuma espécie de serpente no mundo, então os bancos de dados não têm muitas informações sobre os peptídeos destes animais. Não se compara ao que existe em mamíferos”, diz Solange.

A pesquisadora ressalta que o trabalho não visa descobrir um novo medicamento, e que a descoberta das moléculas com características anti-hipertensivas representam apenas um potencial. Para chegar a um remédio, é preciso tempo e investimento em novos estudos, pondera.

Fonte: Globo Natureza


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Menor primata das Américas é encontrado em Rondônia

Espécie é rara e apenas ribeirinhos tinham visto o mico-leãozinho.
Primata pode atingir 15 centímetros na idade adulta.

Conhecido como mico-leãozinho, o Cebuella pygmaea é uma espécie rara e atinge 15 centímetros quando adulto. O menor macaco existente no continente americano, segundo a bióloga e pesquisadora Mariluce Rezende Messias, alimenta-se basicamente de goma de árvores e ingá. Em 2010, um exemplar da espécie foi encontrado em Porto Velho, no interflúvio dos rios Madeira e Purus e sua população ainda está sendo estimada em Rondônia. De acordo com o Centro de Coleções Zoológicas, localizado no prédio da Universidade Federal  de Rondônia (Unir), há registros do primata nos estados do Acre e Amazonas.

O mico-leãozinho foi encontrado durante o resgate de animais na área de interferência de uma usina em construção no Rio Madeira, em Porto Velho, e a descoberta da espécie na região – antes registrada apenas por ribeirinhos – aumentou a curiosidade de pesquisadores que começaram a monitorar os hábitos do primata.

Segundo Mariluce, há pouca densidade de mico-leãozinho no estado e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classifica a situação da espécie como pouco preocupante. “É importante ressaltar que temos poucas informações sobre o Cybuella pygmaea. Os estudos nos darão uma melhor dimensão sobre a espécie”, afirma a pesquisadora.

Alguns exemplares estão taxidermizados no Centro de Coleções Zoológicas da Unir junto com outros mamíferos para estudos, pesquisa e arquivamento da fauna de Rondônia.

Existência do mico-leãozinho em Rondônia foi comprovada em 2010 (Foto: Agência Imagem News)

Existência do mico-leãozinho em Rondônia foi comprovada em 2010 (Foto: Agência Imagem News)

Fonte: Globo.com


12 de março de 2013 | nenhum comentário »

Pesquisadores criam banco de dados sobre corujas do mundo todo

David Johnson, diretor do Projeto Global das Corujas, está trabalhando com pesquisadores de 65 países para compilar um vasto banco de dados sobre as corujas. O banco contém informações sobre as descrições, a história natural, a genética, as vocalizações, as estimativas populacionais, os mitos e as lendas desses animais.

Os ocidentais adoram as corujas, segundo Johnson, numa tradição que remonta pelo menos à Grécia antiga e à associação das corujas com a deusa da sabedoria, Atenas. Em alguns países, porém, as corujas são vistas como aves de mau agouro, um prenúncio da morte –talvez, propôs Johnson, por causa do hábito de fazer ninhos em cemitérios, onde as árvores crescem desimpedidas, com cavidades confortavelmente grandes.

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres

Jovem coruja-das-torres alimenta irmãos famintos; cientistas estão tentando decifrar os chamados, garganteios e pios da coruja-das-torres. Imagem: Amir Ezer

No imaginário ocidental, a coruja, capaz de girar sua cabeça em 270°, certamente compete com o pinguim pelo título de ave preferida. “Todo mundo adora as corujas”, disse o paleobiólogo David Bohaska, do Museu Natural de Ciências Naturais do Smithsonian, em Washington.

Mas, a despeito da aparente familiaridade, só recentemente os cientistas começaram a compreender detalhes dessas aves.

Descobriram, por exemplo, que corujas-das-torres jovens podem ser generosas, doando regularmente porções da sua comida para irmãos menores e mais famintos –uma demonstração de altruísmo que se supõe rara entre animais.

Os cientistas também descobriram que as corujas-das-torres expressam necessidades e desejos por meio de sons complexos e regrados –garganteios, gritos e pios–, numa língua que os pesquisadores agora buscam decifrar.

“Elas conversam a noite toda e fazem um barulhão”, disse Alexandre Roulin, da Universidade de Lausanne, na Suíça, que recentemente descreveu o altruísmo da coruja-das-torres na revista “Animal Behaviour”, com sua colega Charlene Ruppli e com Arnaud da Silva, da Universidade de Borgonha, na França.

Outros pesquisadores estão monitorando as vidas de corujas mais raras e de proporções mais descomunais, como o ameaçado bufo-de-Blakiston (Bubo blakistoni), da Eurásia. Com quase um metro de altura, até cinco quilos e dois metros de envergadura, essa é a maior coruja do mundo, segundo Jonathan Slaght, do programa para a Rússia da ONG Wildlife Conservation Society. Ela poderia facilmente passar por um urso ou uma árvore. Esse poderoso predador é capaz de puxar de um rio um salmão adulto com duas ou três vezes o seu próprio peso.

A ferocidade é essencial para uma ave que está presente até no Círculo Ártico e que é capaz de procriar e se alimentar no auge do inverno. Sergei Surmach, colega de Slaght, gravou em vídeo uma fêmea sentada sobre seu ninho durante uma nevasca. “Ao final, só dava para ver a cauda dela para fora do ninho”, disse Slaght.

Engenheiros estudam corujas para aperfeiçoar modelos de asas de aviões. Muitas espécies de corujas são conhecidas por voarem silenciosamente, sem o ruflar das asas que poderia alertar a presa sobre a sua aproximação.

A maior parte da asa das corujas é ampla e curva, com uma plumagem aveludada que ajuda a absorver o som. Além do mais, as penas na borda da asa são serrilhadas, o que interrompe e atenua a turbulência do ar.

Numa reunião da Sociedade Americana de Física, em 2012, pesquisadores da Universidade de Cambridge propuseram que perfurações bem posicionadas nas asas de um avião poderiam ter um efeito semelhante para aplacar turbulências, levando a voos mais silenciosos e com menos gasto de combustível.

As corujas datam de 60 milhões de anos atrás, ou mais, e são encontradas em praticamente todo tipo de habitat. Há 229 espécies conhecidas, e a lista não para de crescer: em meados do ano passado, duas novas espécies de coruja-gavião foram descobertas nas Filipinas, e, em fevereiro, pesquisadores descreveram uma nova espécie na ilha de Lombok, na Indonésia.

Algumas espécies de corujas possuem alguns dos melhores sistemas auditivos conhecidos. Tim Birkhead, professor da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, observa que a cóclea da coruja é “enorme” e densamente equipada com cílios sensoriais.

Há a “cara amassada” das corujas, também chamada de disco facial –que pode ter a forma de torta em algumas espécies ou de uma máscara de coração no caso da coruja-das-torres. O disco facial funciona como uma espécie de antena parabólica, que capta ondas sonoras e as direciona, graças a penas especiais.

As aves são as donas da noite e caçam incansavelmente.

Estima-se que um bando com dez famílias de corujas vivendo em um celeiro da Flórida elimine cerca de 25 mil roedores por ano dos canaviais adjacentes.

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo

Jonathan Slaght, da ONG ambiental WCS, com um bufo-de-Blakiston, a maior coruja do mundo. Imagem: S. Avdeyuk/Amur-Ussuri Centre for Avian Biodiversity

Fonte: Folha.com


17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Barulho de trânsito faz gafanhotos ‘cantarem’ mais alto, diz estudo

Pesquisa alemã comparou volume de insetos de ambientes diversos.
Ruído exagerado dos humanos pode prejudicar reprodução dos animais.

Conhecidos por seu “canto”, os gafanhotos ajustam o volume da melodia diante do barulho do trânsito, revela um estudo publicado nesta terça-feira (13) pela revista “Functional Ecology”, da Sociedade Britânica de Ecologia.

Estudos anteriores já haviam identificado o impacto de um ambiente ruidoso nos sons emitidos por pássaros, baleias e até rãs, mas esta é a primeira vez que o fenômeno é observado entre insetos, destaca a Sociedade Britânica de Ecologia.

Uma equipe de biólogos da Universidade de Bielefeld (Alemanha), dirigida por Ulrike Lampe, capturou 188 espécimes do machos de gafanhotos Chorthippus biguttulus, que têm um canto metálico característico. Metade foi capturada em locais tranquilos e a outra metade em zonas próximas a estradas de muito movimento.

O “canto” destes gafanhotos, que na realidade produzem o som ao esfregar as patas posteriores nas asas dianteiras, tem a função de atrair as fêmeas.

Os cientistas analisaram em laboratório as diferenças entre os “cantos” dos dois grupos de gafanhotos, incitados pela presença de fêmeas, e concluíram que os insetos capturados próximos as estradas produzem sons diferentes dos demais.

“Constatamos que em ambientes ruidosos os gafanhotos aumentam o volume da parte de baixa frequência de seu canto. Algo lógico, já que o ruído do tráfego pode ocultar sinais nesta parte do espectro” sonoro, explicou Lampe.

Segundo os cientistas, estes resultados são importantes porque evidencia que o ruído do tráfego pode transtornar o sistema de reprodução dos gafanhotos, “impedindo que as fêmeas ouçam corretamente os cantos nupciais dos machos”.

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Gafanhotos usados na pesquisa viviam perto de vias barulhentas (Foto: Ulrike Lampe/Universidade de Bielefeld)

Fonte: Globo Natureza


14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores brasileiros estudam enzimas de baratas para obter etanol

Substâncias no sistema digestivo dos insetos podem ajudar a criar álcool.
Resultados obtidos são promissores, afirma professor da UFRJ.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está estudando como usar baratas – mais precisamente enzimas especializadas no sistema digestivo delas – para ajudar na obtenção do etanol.

A ideia é usar as enzimas para degradar bagaço de cana e com isso obter açúcares, que podem ser usados para produzir etanol, aponta o professor Ednildo de Alcântara Machado, do Instituto de Biofísica da UFRJ. O álcool é obtido pela fermentação destes açúcares, realizada por fungos conhecidos como leveduras.

Dois tipos de baratas estão sendo pesquisados: a Periplaneta americana, espécie comum e encontrada em esgotos e escondidas nas casas; e a Nauphoeta cinerea, um tipo de barata da América Central, mas que hoje é encontrada em vários lugares do globo. Alimentados com bagaço de cana, os insetos se adaptaram e tornaram-se capazes de digeri-lo, produzindo enzimas especializadas para isso, diz o pesquisador.

“Os resultados são bastante promissores. Essa adaptação que o inseto faz ao bagaço tem sinalizado que dele podem vir novas fontes de enzimas”, afirma Machado. As baratas foram capazes de sobreviver por mais de 30 dias somente com o bagaço de cana, ressalta o cientista.

Ele afirma que a pesquisa, por enquanto, encontra-se nas etapas de condicionar as baratas para consumir o bagaço e de identificação das enzimas especializadas. O etanol ainda não foi obtido. “Não é uma coisa distante [a produção do etanol]“, diz Machado, “mas as etapas têm que ser trabalhadas em conjunto. Não sei dizer quando [vai ser produzido]“.

Fáceis de criar
O grupo de pesquisadores também estuda a degradação da biomassa usando cupins, o que ocorre com relativo sucesso, segundo Machado. “Mas as baratas são mais fáceis de criar em laboratório. Elas se adaptam com facilidade”, afirma. Ele ressalta que os dois insetos têm fisiologia parecida.

A ideia para o futuro é isolar as enzimas produzidas pelas baratas e tentar criar um “kit enzimático” que permita retirar o açúcar do bagaço da cana em laboratório, diz Machado. “Um dos desafios é o custo, a produção destas enzimas em escala industrial ainda é muito cara. O nosso modelo tem apelo porque é uma fonte nova de enzimas, pode ajudar a ter enzimas mais eficientes”, diz ele.

A barata 'Nauphoeta cinerea', nativa da América Central segundo o pesquisador da UFRJ (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

A barata 'Nauphoeta cinerea', uma das espécies estudadas (Foto: Divulgação/Universidade de Queensland)

a barata comum, da espécie 'Periplaneta americana', é estudada por pesquisadores da UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Barata 'Periplaneta americana', uma das estudadas na UFRJ (Foto: Divulgação/Palomar Community College)

Novas etapas
Pesquisar as enzimas é uma etapa importante para produzir o etanol, mas não é a única, diz o pesquisador. Outros pontos importantes são o tratamento do bagaço da cana, para que ele seja facilmente degradado, e a fermentação. O próximo desafio do grupo, de acordo com Machado, é aumentar a escala de produção das enzimas. “Se elas continuarem com a eficiência [encontrada], acredito que podem ajudar.”

As baratas “moldam” sua digestão a outras fontes de biomassa, como restos de papel, diz o cientista. “O que parece ser interessante é que quando você muda a biomassa usada como comida, ela se adapta. Em dez dias, em média, ela começa a produzir uma série de enzimas especializadas para quebrar o alimento”, afirma.

Diante da mudança de fonte de comida, a barata adapta também a sua microbiota, a “fauna” de micróbios que vivem em seu sistema digestivo, relata Machado. “São microorganismos de alto interesse tecnológico, eles produzem uma série de enzimas.”

Manipulação genética
Algumas enzimas do sistema digestivo da barata já foram identificadas, segundo o pesquisador. Um dos próximos passos é estudar como retirar partes do DNA dos insetos que definem a produção destas substâncias, para inseri-los em bactérias por manipulação genética.

Os micróbios “transgênicos” poderiam então produzir as enzimas e degradar a biomassa em escala industrial.

O pesquisador aponta um ganho ambiental com a produção do etanol desta maneira: a diminuição da necessidade de se plantar cana-de-açúcar. “Em vez de plantar mais cana, você aproveitaria o corpo das células da planta. Você aumentaria a produção do álcool sem plantar mais”, diz Machado.

 

Fonte: Globo Natureza


7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisador do Butantan descobre 9 espécies de aranhas caranguejeiras

Novas espécies habitam árvores em diferentes regiões do Brasil.
Descobertas foram publicadas na revista ‘ZooKeys’.

Um pesquisador do Instituto Butantan, sediado em São Paulo, descobriu nove espécies novas de aranhas caranguejeiras brasileiras, naturais de vegetações de Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga. O estudo com a descrição dos animais foi publicado na última semana no periódico “ZooKeys”.

As espécies, pertencentes a três gêneros distintos, são Typhochlaena ammaTyphochlaena costaeTyphochlaena curumimTyphochlaena paschoali, Pachistopelma bromelicola,Iridopelma katiaeIridopelma marcoiIridopelma oliveirai e Iridopelma vanini.

As caranguejeiras são encontradas em áreas do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, segundo o aracnólogo Rogério Bertani, pesquisador do Butantan e responsável pelo achado. Ele ressalta que os animais têm hábitos arborícolas, isto é, vivem em árvores e plantas.

Algumas espécies são bem pequenas. “Dá para dizer que são as menores [caranguejeiras] arborícolas do mundo”, disse Bertani. Um dos três gêneros tem características antigas, o que torna algumas das aranhas “quase relíquias”, na visão do cientista. “São remanescentes. É como algo que sobreviveu ao tempo.”

Duas das novas espécies vivem dentro de bromélias, comportamento raro em aracnídeos deste tipo, informa o pesquisador. Como as espécies são coloridas e chamativas, ele teme pelo impacto do tráfico de animais.

Apesar de não haver pesquisas que mostrem que as espécies estão ameaçadas, algumas delas são raras e podem correr risco de desaparecer, segundo o cientista. Ele aponta fatores que reforçam o risco, como a dependência de vegetação, já que as aranhas são arborícolas; a destruição dos habitats naturais, que sofrem há anos com o desmatamento; e o fato de os animais viverem em áreas específicas, com distribuição limitada pelo território brasileiro.

Para Bertani, a descoberta das novas espécies é importante para mostrar que existe uma grande fauna na Mata Atlântica e no Cerrado, que precisa ser melhor estudada por ser pouco conhecida.

As caranguejeiras brasileiras possuem veneno, em geral, mas não são consideradas peçonhentas porque o efeito é fraco para as pessoas. A aranha usa a substância para capturar insetos e outros pequenos animais usados em sua alimentação.

'Typhochlaena costae', tarântula encontrada em Palmas, no Tocantins, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da caranguejeira 'Typhochlaena costae' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlena curumim', encontrada na Paraíba, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Aranha 'Typhochlaena amma', encontrada no Espírito Santo, segundo o estudo (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Uma fêmea da aranha caranguejeira 'Typhochlaena amma' (Foto: Reprodução/'ZooKeys')

Fonte: Globo Natureza


6 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Habitat quente faz animais aquáticos terem tamanho menor, diz estudo

Cientistas compararam 169 animais de espécies diferentes para pesquisa.
Estudo diz que redução ocorre porque há menos oxigênio no mar que no ar.

Temperaturas mais altas fazem com que animais aquáticos cresçam até um tamanho menor do que o normal quando atingem a fase adulta, segundo estudo conjunto das universidades de Londres e de Liverpool, no Reino Unido, divulgado nesta segunda-feira (5).

Os cientistas compararam o tamanho de 169 animais terrestres, marinhos e de água doce de várias espécies na fase adulta, submetidos a temperaturas diferentes. Os seres aquáticos “encolheram” numa proporção dez vezes maior do que os terrestres de tamanho similar em ambientes muito aquecidos, aponta um dos autores da pesquisa, o cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres. O efeito ocorre principalmente em animais com tamanho próximo ao de insetos e pequenos peixes.

“Enquanto animais aquáticos têm seu tamanho reduzido em 5% para cada grau Celsius de aquecimento, espécies de mesmo tamanho que vivem na terra encolhem, em média, 0,5%”, disse Hirst no estudo. A pesquisa foi publicada nesta segunda-feira (5) no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” (“PNAS”, na sigla em inglês).

O estudo afirma que a causa mais provável para essa diferença de tamanho entre espécies submetidas a habitats quentes ocorre porque na água a disponibilidade de oxigênio é bem menor do que na atmosfera.

Segundo os cientistas, quando a temperatura sobe no ambiente, a necessidade de oxigênio pelos organismos cresce – e é muito mais difícil para animais aquáticos obtê-lo do que para terrestres, diz a pesquisa.

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

O crustáceo 'Calanus propinquus', um dos animais pesquisados pela equipe do cientista Andrew Hirst, da Universidade de Londres (Foto: Divulgação/Alfred Wegener Institute for Polar and Marine Research)

Fonte: Globo Natureza


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