3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de ave em Minas Gerais

Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no coração de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova espécie de pássaro, mais ou menos do tamanho de um sabiá (embora seu “primo” mais conhecido seja o joão-de-barro).

A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinhaço, é um enigma evolutivo: seus parentes mais próximos, que também gostam de montanhas e de frio, estão a milhares de quilômetros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e até na Patagônia.

Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinhaço, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas também estão levando em conta considerações mais práticas. Para eles, a espécie já “nasce” para a ciência como ameaçada de extinção.

É que o habitat do animal, uma combinação única de rocha e vegetação rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudança climática, além de sofrer a pressão da atividade humana.

É OU NÃO É?

A pesquisa que levou à descoberta da nova espécie é assinada pelo ornitólogo Guilherme Freitas e por seus colegas Anderson Chaves, Lílian Costa, Fabrício Santos e Marcos Rodrigues, todos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A equipe levou vários anos para cravar que se tratava de um bicho novo, em parte, porque as diferenças entre o pedreiro-do-espinhaço e seus parentes da região Sul (que moram na serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) são pequenas.

Freitas conta que a descoberta começou com o avistamento de um único indivíduo, em 2006. “Bati umas fotos e achei que só podia ser ele [a espécie do Sul." Talvez fosse um pássaro especialmente aventureiro, tendo voado uns 1.000 km rumo ao norte, pensou o ornitólogo.

Procura que procura, ele e seus colegas foram achando mais bichos, até toparem com casais e filhotes, sinal de que se tratava de uma população residente, e não de alguns pássaros desgarrados.

A equipe conseguiu capturar alguns exemplares e gravar o canto dos pássaros. Análises comparativas da aparência, do padrão de canto e do DNA dos animais levou os pesquisadores a acreditarem, que, de fato, tratava-se de uma espécie nova.

"As diferenças são sutis. Mas, somadas, fortalecem essa hipótese", diz Freitas.

NÁUFRAGO

É difícil saber como a nova espécie acabou evoluindo. É possível que áreas mais baixas fossem propícias à sua presença dezenas de milhares de anos atrás, na Era do Gelo. Conforme o planeta esquentou, a população da serra do Espinhaço teria ficado isolada e adquirido suas características únicas.

Por outro lado, sua origem pode ser ainda mais remota. "As montanhas brasileiras são antigas se comparadas aos Andes, e há vários registros de 'fósseis vivos' no Espinhaço", diz Freitas.

O habitat peculiar da ave são os chamados campos rupestres, terrenos pedregosos cobertos por plantas herbáceas e frequentemente cobertos por neblina, formada pela umidade que vem do mar.

Nesse ambiente, o pedreiro-do-espinhaço caça invertebrados em meio a rachaduras na rocha, musgos, líquens e gramíneas.

Por suas características únicas e por seu isolamento, os campos rupestres são pródigos em animais e plantas endêmicos, ou seja, que só existem lá, e em nenhum outro lugar do mundo.

De 1990 para cá, por exemplo, a serra do Espinhaço já tinha sido palco da descoberta de três outras espécies de aves, coisa rara no planeta hoje.

A descrição científica oficial da espécie será publicada na edição do mês que vem da revista científica "Ibis", especializada em ornitologia.

Editoria de Arte/Folhapress

Folha.com


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Visitantes levam espécies invasoras para Antártica, alertam pesquisadores

Pelo menos 2.600 sementes foram levadas à região entre 2007 e 2008.
Temor é que aquecimento global agrave expansão de invasores.

Turistas e cientistas que passam pela Antártica podem ter levado espécies de plantas invasoras, sem querer, que ameaçam a biodiversidade local, afirma uma pesquisa publicada nesta semana na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”.

Os visitantes teriam carregado, sem saber, sementes minúsculas de seus locais de origem em sapatos, malas e roupas.

Entre 2007 e 2008, pelo menos 2.600 sementes de espécies não-nativas foram encontradas na região antártica pela equipe de Steven Chown, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul.

De acordo com a equipe, apesar das condições climáticas extremas da Antártica, algumas espécies invasoras já estão se estabelecendo no oeste da Península Antártica – onde o clima é mais ameno. O medo é que, com as mudanças climáticas, o ambiente na região fique mais quente e essas espécies possam alterar os ecossistemas locais.

Iceberg Antártida 1 (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Foto de arquivo mostra iceberg desprendido da Antártica por causa do aquecimento global (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Fonte: Globo Natureza


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam fósseis para reconstruir ‘pinguim gigante’ de 25 milhões de anos

Espécie pré-histórica extinta tinha 1,2 metros de altura e vivia na Nova Zelândia.

Ilustração do pinguim gigante Kairuku (Foto: AFP/BBC)

Ilustração do pinguim gigante Kairuku (Foto: AFP/BBC)

Um pinguim enorme que está extinto há 25 milhões de anos foi ‘reconstruído’ a partir de fósseis encontrados na Nova Zelândia.

Os pesquisadores usaram ossos de dois grupos distintos de restos da ave pré-histórica. O esqueleto de pinguins-reis foi usado como modelos para a reconstrução.

Pinguins da espécie pré-histórica Kairuku chegavam a ter 1,2 metros de altura. Pinguins-reis têm, em média, 90 centímetros de altura. A espécie Kairuku possuía um bico alongado e nadadeiras grandes.

O trabalho da equipe de cientistas da Nova Zelândia foi publicado na revista científica ‘Journal of Vertebrate Paleontology’.

‘Elegante’
A reconstrução comprova que a espécie era a maior das cinco existentes na Nova Zelândia no Oligoceno — época entre 36 milhões de anos e cerca 23 milhões de anos atrás.

Os cientistas descobriram que o formato do corpo do animal é diferente de qualquer outro pinguim achado até hoje, sejam fósseis ou espécies ainda existentes.

‘O Kairuku era uma ave elegante para os padrões de pinguins, com um corpo mais esguio e longas nadadeiras, mas com membros inferiores curtos e grossos’, afirma um dos autores do trabalho, Dan Ksepka, da universidade americana da Carolina do Norte.

‘Se nossa reconstrução fosse feita extrapolando o tamanho das nadadeiras, o pinguim provavelmente teria quase dois metros de altura. Na verdade, ele tinha em torno de 1,2 metros.’

Há 25 milhões de anos, a Nova Zelândia era um lugar atraente para pinguins, por oferecer comida e abrigo adequados para a espécie.

A maior parte do país estava submersa na época, com apenas algumas ilhas rochosas acima da superfície, que protegiam os pinguins de possíveis predadores.

A palavra Kairuku vem do idioma maori, e pode ser traduzido como ‘mergulhador que retorna com comida’.

Fósseis de pinguins maiores já foram descobertos em outras ocasiões. Restos de duas espécies extintas achadas no Peru sugerem que os animais tinham mais de 1,5 metros.

Fonte: BBC


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem espécie de borboleta na Mata Atlântica do RS

Novo inseto descrito por pesquisadores foi batizado de Prenda clarissa.
Biólogos alertam para risco de extinção de populações devido ao desmate.

Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) descreveram uma nova espécie de borboleta, encontrada na região denominada Campos em Cima da Serra, na Mata Atlântica gaúcha.

Chamada de Prenda clarissa – o gênero é uma homenagem à mulher gaúcha (chamada de prenda) e o nome da espécie remete ao livro do escritor sulista Érico Veríssimo — o exemplar foi encontrado durante expedição feita à Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em 2009.

Descrita recentemente na revista científica “Neotropical Entomology” pela equipe de biólogos do laboratório de ecologia e sistemática de borboletas da Unicamp, a borboleta de cor marrom foi identificada como nova a partir de uma observação detalhada de especialistas.

“Reparei que ela tinha um jeito diferente. O padrão de ocelos (chamados de falsos olhos e que ficam na parte inferior das asas das borboletas) era diferente. É provável que esta espécie seja endêmica da região, porém, temos que pesquisar mais detalhes”, disse Cristiano Agra, doutor em Biologia Animal e um dos responsáveis pela descoberta.

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Preservação
De acordo com André Freitas coordenador do laboratório paulista que estuda as borboletas – que tem seis anos de funcionamento – ao menos uma espécie nova deste inseto é descrita por ano pelos integrantes da equipe. O Brasil tem hoje 3.500 borboletas registradas.

O número de publicações sobre novas espécies só não é maior devido à carga de trabalho. “Já descobrimos ao menos 20, que ainda não foram descritas. Na semana passada mesmo, retornamos de uma viagem feita à Serra do Caparaó (entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo) onde encontramos mais uma espécie”, disse.

Entretanto, novos registros trazem também preocupação com a extinção de populações, já que muitas são encontradas em áreas onde a vegetação nativa está em degradação.

Freitas disse que grande parte das pesquisas foram realizadas na Mata Atlântica, considerado um dos biomas mais ameaçados no Brasil.

Segundo dados divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente, o bioma, que abrange 15 estados brasileiros perdeu entre 2008 e 2009 cerca de 248 km² de sua cobertura vegetal – número considerado pelo governo abaixo da média, o que representaria uma desaceleração no desmate.

Entretanto, ainda há preocupação já que restam apenas 22,23% de sua vegetação original, que era equivalente a 1,1 milhão de km². O estado de Minas Gerais foi o principal responsável pelo desmate (115,8 km²), seguido da Bahia (65,8 km²) e Santa Catarina (17,6 km²).

“Na Serra do Cipó (MG) – que tem trechos de Mata Atlântica – descobrimos a espécieYphthimoides cipoensis já sabendo que sua população estava ameaçada, baseado em regras internacionais estipulas pela IUCN [União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, na tradução para o português]. Esta espécie só existe naquela região, bastante impactada pelo homem”, disse.

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Cadeia alimentar
As borboletas, segundo o especialista, são essenciais na cadeia alimentar principalmente no estágio de lagartas, pois alimentam outras espécies de insetos, além de aves e pequenos mamíferos. Porém, o desmatamento pode prejudicar o desenvolvimento das populações.

“Existem regiões críticas onde isto já ocorre, como na área de Mata Atlântica no Nordeste do país e na região de cerrado. Outra área grave é a transição entre o cerrado e a floresta amazônica, no Pará e Maranhão. Muitas espécies endêmicas estão em extinção nestas áreas”, comenta Freitas.

Ele cita ainda que para frear a redução de populações de borboletas o governo reuniu informações e criou o Plano Nacional de Proteção a espécies ameaçadas, idealizado pelo Instituto de Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Freitas, será uma forma de proteger também outros animais com risco de desaparecer na natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

USP vai construir base de estudos sobre a Mata Atlântica na Serra do Mar

A Universidade de São Paulo (USP) pretende inaugurar até 2013 uma base científica de estudos sobre a Mata Atlântica na região da Serra do Mar, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Um dos objetivos do empreendimento é atrair pesquisadores estrangeiros interessados em estudar o bioma.

Construída sobre passarelas elevadas, de modo a reduzir o impacto ambiental, a unidade será, segundo a USP, a primeira base científica nesse modelo do país. Também serão instalados painéis solares e turbinas eólicas, para a geração de energia renovável para abastecer o edifício.

A unidade será construída em um terreno de 30 mil metros quadrados e deverá custar R$ 2,5 milhões. A área, doada ao Instituto de Biociências da USP em 1953, estava ociosa.

Fonte: Daniel Mello/ Agência Brasil


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores lançam documento por mudanças no Código Florestal

Em audiência pública nesta terça-feira (27) no Senado, o pesquisador Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Esalq-USP, afirmou que a SBPC deve lançar na sexta-feira um documento defendendo mudança em 10 pontos da reforma do Código Florestal.

A proposta foi aprovada na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ainda tem que passar por mais três comissões: Ciência e Tecnologia, Agricultura e Meio Ambiente.

 

Aos senadores, Rodrigues adiantou os pontos que os pesquisadores defendem alterações. Segundo ele, a proposta tem problemas graves como permitir a legalização de desmatamentos feitos até julho de 2008 nas chamadas áreas rurais consolidadas.

 

O texto do Senado aplica o conceito às áreas de preservação permanente (APPs), em topos de morro e várzeas de rios que precisam de proteção especial. Para ele, se esse ponto não for revisto, as APPs serão drasticamente reduzidas.

 

“A restauração dessas áreas é fundamental para que ela volte a cumprir seus mecanismos nos mecanismos do ecossistema.” O pesquisador defendeu que o governo coloque na lei uma previsão para que haja um pagamento de serviços ambientais para recuperar essas áreas.

 

Ele defendeu o tratamento especial para o pequeno agricultor, afirmando que o Senado precisa aprovar uma “política agrícola com sustentação ambiental”. Rodrigues também criticou a liberação de pequenas propriedades da recuperação de áreas de reserva legal (composta pela área de vegetação que deve ser poupada do corte raso).

 

Representante da Academia Brasileira de Ciências, Elíbio Rech Filho também apontou problemas, como a questão das APPs, e disse que o Congresso precisa encontrar uma saída que modernize a agricultura sem prejudicar o meio ambiente. Uma das saídas seria ampliar o uso de inovações científicas e tecnológica pelos agricultores.

 

A reforma do código determina como deve ser a preservação de rios, florestas e encostas, combinada com a produção de alimentos e a criação de gado. A proposta é polêmica e coloca em lados opostos ambientalistas e ruralistas.

Fonte: Folha online


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Servidor público e pesquisadora da UnB preservam pássaros no DF

Servidor já registrou 180 espécies de pássaros no Bosque da Câmara.
Tapaculo-de-brasília está ameaçado de extinção, diz pesquisadora da UnB.

Fotografia de Pedro Cavalcante, servidor da Câmara que registra pássaros do cerrado (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Fotografia de Pedro Carneiro, servidor da Câmara que registra pássaros do cerrado (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Um funcionário da polícia legislativa da Câmara dos Deputados está catalogando os pássaros que vivem na área do bosque localizado ao lado da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Pedro Carneiro é fotógrafo nas horas livres e já conseguiu registrar 180 espécies de pássaros. O trabalho já rendeu milhares de fotos, exposições e catálogos. Quando tem tempo livre, o servidor público vai para o bosque em busca de novas espécies.

Entre os colaboradores do fotógrafo estão os lavadores de carros que trabalham nos estacionamentos da Câmara e os jardineiros que cuidam do bosque. Segundo Carneiro, eles são os observadores voluntários e passam informações sobre localização dos animais e novos ninhos.

Além de cuidar da área verde, os voluntários são “pesquisadores informais”. Eles anotam e relatam as espécies encontradas no bosque, como gaviões e carcarás. Para atrair e preservar os pássaros, os voluntários plantaram árvores frutíferas como aroeira e murici. Em alguns espaços foram colocadas jangadas, feitas de bambu, e garrafas plásticas com água para que os animais bebam água.

Mas toda essa variedade de animais encontrada no bosque da Câmara não é a realidade em outros pontos da cidade. Uma pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) está buscando um pássaro típico do cerrado que estaria, segundo ela, em extinção.

O tapaculo-de-brasília está desaparecido, segundo a pesquisadora, por causa da degradação ambiental. O pássaro, tipicamente brasiliense, foi descoberto em 1958, durante a construção da capital e sempre foi considerado uma espécie rara. Há 30 anos, 68 deles foram registrados em todo o Distrito Federal.

Desde o ano passado, Luane Reis dos Santos, percorre os pontos onde a ave pode aparecer. Ela explica que é necessário descobrir onde ele vive para protegê-lo. Até agora, foi possível localizar dois exemplares. Um deles estava próximo de São Sebastião, região administrativa a 26 quilômetros de Brasília, e o outro na Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, no noroeste do Distrito Federal.

Fonte: Do G1 DF, com informações do Bom dia DF


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Tese da USP aponta para possibilidade de comportamento antiético na publicação de artigos científicos brasileiros

De acordo com o estudo, entre os problemas mais comuns estão a citação de mais livros e artigos na bibliografia além dos realmente usados, o que aumenta a credibilidade do estudo, e a coautoria, que aparece como favor trocado.

Tese de doutorado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) alerta para a possibilidade de problemas de conduta ética na publicação de artigos científicos de pesquisadores brasileiros, tais como coautorias forjadas e citações de fontes não consultadas na bibliografia dos trabalhos acadêmicos.

O autor da tese, Jesusmar Ximenes Andrade, cita entre os problemas mais comuns a citação de mais livros e artigos na bibliografia além dos realmente usados, o que aumenta a credibilidade do estudo, e a coautoria, que aparece como favor trocado. Nesse último caso, os falsos parceiros assinam dois artigos em vez de um e, assim, aumentam sua produtividade, quesito que é avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no processo de classificação dos programas de pós-graduação. Ligada ao Ministério da Educação, a Capes é uma das agências de fomento à pesquisa científica e acadêmica do governo federal.

A suspeita de ocorrências de conduta antiética na produção de artigos científicos veio a partir da aplicação de 85 questionários, respondidos por participantes do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, realizado em 2009, em São Paulo. Segundo a pesquisa, a maioria das pessoas afirmou não conhecer nenhum caso de má conduta, mas elas acreditam que tais práticas sejam comuns.

Andrade estranhou o resultado. “As pessoas conhecem pouco, mas acreditam que ocorrem [problemas antiéticos] mais do que acontecem? Eu presumi que quem estava respondendo sobre as suas crenças também estava respondendo sobre os seus próprios hábitos”, disse o autor da tese, que é professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A tese foi defendida em abril, no Departamento de Contabilidade da FEA/USP.

Andrade destaca o fato de os resultados de sua pesquisa dizerem respeito à “má conduta na pesquisa das ciências contábeis”, mas avalia que “não encontraríamos resultados muito diferentes se fôssemos para um censo”, incluindo todos os campos científicos.

Para ele, o Brasil mantém o foco na quantidade, critério que fez o País ocupar o décimo terceiro lugar na produção científica internacional, e não se preocupa com a qualidade. “Por que o Brasil não tem um [Prêmio] Nobel?”, pergunta ao afirmar que “a quantidade que nós estamos buscando é infinitamente desproporcional à qualidade dos estudos que estamos produzindo”.

A busca por quantidade é almejada por todos os pesquisadores, de acordo com Andrade. “Seja para conseguir recursos ou para obter status dentro da academia.” Em sua opinião, “para buscar essa quantidade, esse volume, termina-se utilizando certos artifícios que, segundo foi observado, não são condutas livres de suspeita. São condutas impregnadas de comportamentos antiéticos”.

O autor da tese diz que a Capes dispõe de “métricas” de avaliação mais voltadas à qualidade do trabalho do pesquisador do que à quantidade de artigos gerados. “O sistema de avaliação chamado Qualis pontua os artigos conforme a revista científica de publicação”, lembrou.

A Agência Brasil procurou pela Capes desde a última sexta-feira (22), mas foi informada ontem (25), por e-mail, que o diretor de Avaliação, Livio Amaral, “precisa de uns dias para ler a tese”.

O professor de metodologia do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Medeiros, não concorda com o conceito de que a busca por quantidade seja prejudicial. Segundo ele, a pressão da Capes por aumento da produtividade “é mínima”. Em sua opinião, “opor quantidade à qualidade não é correto”. “Nas ciências em geral, os melhores pesquisadores são também professores que têm bom nível de publicações. Publica muito quem pesquisa muito.”

Fonte: Agência Brasil






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3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem nova espécie de ave em Minas Gerais

Vasculhando montanhas com cerca de 1.500 m de altitude no coração de Minas Gerais, pesquisadores encontraram uma nova espécie de pássaro, mais ou menos do tamanho de um sabiá (embora seu “primo” mais conhecido seja o joão-de-barro).

A ave, apelidada por eles de pedreiro-do-espinhaço, é um enigma evolutivo: seus parentes mais próximos, que também gostam de montanhas e de frio, estão a milhares de quilômetros dali, no Rio Grande do Sul, nos Andes e até na Patagônia.

Enquanto tentam entender como o bicho foi parar na serra do Espinhaço, a apenas 50 km de Belo Horizonte, os cientistas também estão levando em conta considerações mais práticas. Para eles, a espécie já “nasce” para a ciência como ameaçada de extinção.

É que o habitat do animal, uma combinação única de rocha e vegetação rasteira adaptada a altitudes elevadas, corre o risco de sumir com a mudança climática, além de sofrer a pressão da atividade humana.

É OU NÃO É?

A pesquisa que levou à descoberta da nova espécie é assinada pelo ornitólogo Guilherme Freitas e por seus colegas Anderson Chaves, Lílian Costa, Fabrício Santos e Marcos Rodrigues, todos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A equipe levou vários anos para cravar que se tratava de um bicho novo, em parte, porque as diferenças entre o pedreiro-do-espinhaço e seus parentes da região Sul (que moram na serra Geral, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina) são pequenas.

Freitas conta que a descoberta começou com o avistamento de um único indivíduo, em 2006. “Bati umas fotos e achei que só podia ser ele [a espécie do Sul." Talvez fosse um pássaro especialmente aventureiro, tendo voado uns 1.000 km rumo ao norte, pensou o ornitólogo.

Procura que procura, ele e seus colegas foram achando mais bichos, até toparem com casais e filhotes, sinal de que se tratava de uma população residente, e não de alguns pássaros desgarrados.

A equipe conseguiu capturar alguns exemplares e gravar o canto dos pássaros. Análises comparativas da aparência, do padrão de canto e do DNA dos animais levou os pesquisadores a acreditarem, que, de fato, tratava-se de uma espécie nova.

"As diferenças são sutis. Mas, somadas, fortalecem essa hipótese", diz Freitas.

NÁUFRAGO

É difícil saber como a nova espécie acabou evoluindo. É possível que áreas mais baixas fossem propícias à sua presença dezenas de milhares de anos atrás, na Era do Gelo. Conforme o planeta esquentou, a população da serra do Espinhaço teria ficado isolada e adquirido suas características únicas.

Por outro lado, sua origem pode ser ainda mais remota. "As montanhas brasileiras são antigas se comparadas aos Andes, e há vários registros de 'fósseis vivos' no Espinhaço", diz Freitas.

O habitat peculiar da ave são os chamados campos rupestres, terrenos pedregosos cobertos por plantas herbáceas e frequentemente cobertos por neblina, formada pela umidade que vem do mar.

Nesse ambiente, o pedreiro-do-espinhaço caça invertebrados em meio a rachaduras na rocha, musgos, líquens e gramíneas.

Por suas características únicas e por seu isolamento, os campos rupestres são pródigos em animais e plantas endêmicos, ou seja, que só existem lá, e em nenhum outro lugar do mundo.

De 1990 para cá, por exemplo, a serra do Espinhaço já tinha sido palco da descoberta de três outras espécies de aves, coisa rara no planeta hoje.

A descrição científica oficial da espécie será publicada na edição do mês que vem da revista científica "Ibis", especializada em ornitologia.

Editoria de Arte/Folhapress

Folha.com


8 de março de 2012 | nenhum comentário »

Visitantes levam espécies invasoras para Antártica, alertam pesquisadores

Pelo menos 2.600 sementes foram levadas à região entre 2007 e 2008.
Temor é que aquecimento global agrave expansão de invasores.

Turistas e cientistas que passam pela Antártica podem ter levado espécies de plantas invasoras, sem querer, que ameaçam a biodiversidade local, afirma uma pesquisa publicada nesta semana na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”.

Os visitantes teriam carregado, sem saber, sementes minúsculas de seus locais de origem em sapatos, malas e roupas.

Entre 2007 e 2008, pelo menos 2.600 sementes de espécies não-nativas foram encontradas na região antártica pela equipe de Steven Chown, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul.

De acordo com a equipe, apesar das condições climáticas extremas da Antártica, algumas espécies invasoras já estão se estabelecendo no oeste da Península Antártica – onde o clima é mais ameno. O medo é que, com as mudanças climáticas, o ambiente na região fique mais quente e essas espécies possam alterar os ecossistemas locais.

Iceberg Antártida 1 (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Foto de arquivo mostra iceberg desprendido da Antártica por causa do aquecimento global (Foto: Alister Doyle / Reuters)

Fonte: Globo Natureza


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam fósseis para reconstruir ‘pinguim gigante’ de 25 milhões de anos

Espécie pré-histórica extinta tinha 1,2 metros de altura e vivia na Nova Zelândia.

Ilustração do pinguim gigante Kairuku (Foto: AFP/BBC)

Ilustração do pinguim gigante Kairuku (Foto: AFP/BBC)

Um pinguim enorme que está extinto há 25 milhões de anos foi ‘reconstruído’ a partir de fósseis encontrados na Nova Zelândia.

Os pesquisadores usaram ossos de dois grupos distintos de restos da ave pré-histórica. O esqueleto de pinguins-reis foi usado como modelos para a reconstrução.

Pinguins da espécie pré-histórica Kairuku chegavam a ter 1,2 metros de altura. Pinguins-reis têm, em média, 90 centímetros de altura. A espécie Kairuku possuía um bico alongado e nadadeiras grandes.

O trabalho da equipe de cientistas da Nova Zelândia foi publicado na revista científica ‘Journal of Vertebrate Paleontology’.

‘Elegante’
A reconstrução comprova que a espécie era a maior das cinco existentes na Nova Zelândia no Oligoceno — época entre 36 milhões de anos e cerca 23 milhões de anos atrás.

Os cientistas descobriram que o formato do corpo do animal é diferente de qualquer outro pinguim achado até hoje, sejam fósseis ou espécies ainda existentes.

‘O Kairuku era uma ave elegante para os padrões de pinguins, com um corpo mais esguio e longas nadadeiras, mas com membros inferiores curtos e grossos’, afirma um dos autores do trabalho, Dan Ksepka, da universidade americana da Carolina do Norte.

‘Se nossa reconstrução fosse feita extrapolando o tamanho das nadadeiras, o pinguim provavelmente teria quase dois metros de altura. Na verdade, ele tinha em torno de 1,2 metros.’

Há 25 milhões de anos, a Nova Zelândia era um lugar atraente para pinguins, por oferecer comida e abrigo adequados para a espécie.

A maior parte do país estava submersa na época, com apenas algumas ilhas rochosas acima da superfície, que protegiam os pinguins de possíveis predadores.

A palavra Kairuku vem do idioma maori, e pode ser traduzido como ‘mergulhador que retorna com comida’.

Fósseis de pinguins maiores já foram descobertos em outras ocasiões. Restos de duas espécies extintas achadas no Peru sugerem que os animais tinham mais de 1,5 metros.

Fonte: BBC


14 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores descobrem espécie de borboleta na Mata Atlântica do RS

Novo inseto descrito por pesquisadores foi batizado de Prenda clarissa.
Biólogos alertam para risco de extinção de populações devido ao desmate.

Pesquisadores das universidades Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) descreveram uma nova espécie de borboleta, encontrada na região denominada Campos em Cima da Serra, na Mata Atlântica gaúcha.

Chamada de Prenda clarissa – o gênero é uma homenagem à mulher gaúcha (chamada de prenda) e o nome da espécie remete ao livro do escritor sulista Érico Veríssimo — o exemplar foi encontrado durante expedição feita à Floresta Nacional de São Francisco de Paula, em 2009.

Descrita recentemente na revista científica “Neotropical Entomology” pela equipe de biólogos do laboratório de ecologia e sistemática de borboletas da Unicamp, a borboleta de cor marrom foi identificada como nova a partir de uma observação detalhada de especialistas.

“Reparei que ela tinha um jeito diferente. O padrão de ocelos (chamados de falsos olhos e que ficam na parte inferior das asas das borboletas) era diferente. É provável que esta espécie seja endêmica da região, porém, temos que pesquisar mais detalhes”, disse Cristiano Agra, doutor em Biologia Animal e um dos responsáveis pela descoberta.

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Nova espécie de borboleta foi batizada de Prenda clarissa (Foto: Divulgação/André Freitas)

Preservação
De acordo com André Freitas coordenador do laboratório paulista que estuda as borboletas – que tem seis anos de funcionamento – ao menos uma espécie nova deste inseto é descrita por ano pelos integrantes da equipe. O Brasil tem hoje 3.500 borboletas registradas.

O número de publicações sobre novas espécies só não é maior devido à carga de trabalho. “Já descobrimos ao menos 20, que ainda não foram descritas. Na semana passada mesmo, retornamos de uma viagem feita à Serra do Caparaó (entre os estados de Minas Gerais e Espírito Santo) onde encontramos mais uma espécie”, disse.

Entretanto, novos registros trazem também preocupação com a extinção de populações, já que muitas são encontradas em áreas onde a vegetação nativa está em degradação.

Freitas disse que grande parte das pesquisas foram realizadas na Mata Atlântica, considerado um dos biomas mais ameaçados no Brasil.

Segundo dados divulgados na última semana pelo Ministério do Meio Ambiente, o bioma, que abrange 15 estados brasileiros perdeu entre 2008 e 2009 cerca de 248 km² de sua cobertura vegetal – número considerado pelo governo abaixo da média, o que representaria uma desaceleração no desmate.

Entretanto, ainda há preocupação já que restam apenas 22,23% de sua vegetação original, que era equivalente a 1,1 milhão de km². O estado de Minas Gerais foi o principal responsável pelo desmate (115,8 km²), seguido da Bahia (65,8 km²) e Santa Catarina (17,6 km²).

“Na Serra do Cipó (MG) – que tem trechos de Mata Atlântica – descobrimos a espécieYphthimoides cipoensis já sabendo que sua população estava ameaçada, baseado em regras internacionais estipulas pela IUCN [União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, na tradução para o português]. Esta espécie só existe naquela região, bastante impactada pelo homem”, disse.

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Espécie Yphthimoides cipoensis, encontrada na Serra do Cipó (MG) foi recentemente descoberta e já é considerada ameaçada de extinção. (Foto: Divulgação/André Freitas)

Cadeia alimentar
As borboletas, segundo o especialista, são essenciais na cadeia alimentar principalmente no estágio de lagartas, pois alimentam outras espécies de insetos, além de aves e pequenos mamíferos. Porém, o desmatamento pode prejudicar o desenvolvimento das populações.

“Existem regiões críticas onde isto já ocorre, como na área de Mata Atlântica no Nordeste do país e na região de cerrado. Outra área grave é a transição entre o cerrado e a floresta amazônica, no Pará e Maranhão. Muitas espécies endêmicas estão em extinção nestas áreas”, comenta Freitas.

Ele cita ainda que para frear a redução de populações de borboletas o governo reuniu informações e criou o Plano Nacional de Proteção a espécies ameaçadas, idealizado pelo Instituto de Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Segundo Freitas, será uma forma de proteger também outros animais com risco de desaparecer na natureza.

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


23 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

USP vai construir base de estudos sobre a Mata Atlântica na Serra do Mar

A Universidade de São Paulo (USP) pretende inaugurar até 2013 uma base científica de estudos sobre a Mata Atlântica na região da Serra do Mar, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Um dos objetivos do empreendimento é atrair pesquisadores estrangeiros interessados em estudar o bioma.

Construída sobre passarelas elevadas, de modo a reduzir o impacto ambiental, a unidade será, segundo a USP, a primeira base científica nesse modelo do país. Também serão instalados painéis solares e turbinas eólicas, para a geração de energia renovável para abastecer o edifício.

A unidade será construída em um terreno de 30 mil metros quadrados e deverá custar R$ 2,5 milhões. A área, doada ao Instituto de Biociências da USP em 1953, estava ociosa.

Fonte: Daniel Mello/ Agência Brasil


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Área da Amazônia tem queimada controlada para análise científica

Área no Acre foi preparada por dois meses para ser consumida pelo fogo. 
Trabalho reuniu pesquisadores de diversas instituições.

Em quatro hectares de floresta foi realizada uma verdadeira operação científica. Pesquisadores de diversas instituições enfrentaram um calor de 40 graus Celsius e o clima seco, no Acre. Nesse período do ano na Amazônia acontecem as queimadas, que transformam a floresta em pasto.

A área estudada foi preparada durante dois meses para ser consumida pelo fogo, sendo que, desta vez, os pesquisadores serão responsáveis pelo incêndio. Na clareira aberta foi realizada a identificação, a medição das árvores e a coleta de amostras do solo. Uma torre de mais de 15 metros foi montada com equipamentos que ajudam na coleta de informações e foram passadas instruções para a segurança da equipe.

A partir dos dados coletados com a queimada controlada será possível calcular a quantidade de gases emitidos para a atmosfera e as consequências para o planeta. A pesquisa possibilitará quantificar os níveis de dióxido de carbono emitidos durante a queima, identificar como os nutrientes do solo reagem às altas temperaturas e conhecer como as micropartículas no ar podem causar danos ao sistema respiratório humano.

“Quanto mais precisos os dados, mais nós teremos ideia das ações que devem ser tomadas para prevenir desmatamentos e o quanto poderíamos deixar de desmatar para ter um ciclo sustentável”, explica João de Carvalho Júnior, coordenador do projeto. Os resultados contribuirão também para a implementação de políticas públicas que ajudem na preservação da floresta.

“Com essas informações nós podemos subsidiar os governos estaduais no que diz respeito à quanto se deixa de emitir para a atmosfera em termos de carbono quando não se queima a floresta. Essa quantidade é um patrimônio do produtor rural que, no avançar das negociações do mercado de carbono internacional, pode ser uma fonte de renda”, esclarece Falberni Costa, agrônomo da Embrapa. Os resultados da pesquisa devem ser divulgados em um ano.

 

Fonte: Do Globo Rural


3 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisadores lançam documento por mudanças no Código Florestal

Em audiência pública nesta terça-feira (27) no Senado, o pesquisador Ricardo Ribeiro Rodrigues, da Esalq-USP, afirmou que a SBPC deve lançar na sexta-feira um documento defendendo mudança em 10 pontos da reforma do Código Florestal.

A proposta foi aprovada na semana passada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ainda tem que passar por mais três comissões: Ciência e Tecnologia, Agricultura e Meio Ambiente.

 

Aos senadores, Rodrigues adiantou os pontos que os pesquisadores defendem alterações. Segundo ele, a proposta tem problemas graves como permitir a legalização de desmatamentos feitos até julho de 2008 nas chamadas áreas rurais consolidadas.

 

O texto do Senado aplica o conceito às áreas de preservação permanente (APPs), em topos de morro e várzeas de rios que precisam de proteção especial. Para ele, se esse ponto não for revisto, as APPs serão drasticamente reduzidas.

 

“A restauração dessas áreas é fundamental para que ela volte a cumprir seus mecanismos nos mecanismos do ecossistema.” O pesquisador defendeu que o governo coloque na lei uma previsão para que haja um pagamento de serviços ambientais para recuperar essas áreas.

 

Ele defendeu o tratamento especial para o pequeno agricultor, afirmando que o Senado precisa aprovar uma “política agrícola com sustentação ambiental”. Rodrigues também criticou a liberação de pequenas propriedades da recuperação de áreas de reserva legal (composta pela área de vegetação que deve ser poupada do corte raso).

 

Representante da Academia Brasileira de Ciências, Elíbio Rech Filho também apontou problemas, como a questão das APPs, e disse que o Congresso precisa encontrar uma saída que modernize a agricultura sem prejudicar o meio ambiente. Uma das saídas seria ampliar o uso de inovações científicas e tecnológica pelos agricultores.

 

A reforma do código determina como deve ser a preservação de rios, florestas e encostas, combinada com a produção de alimentos e a criação de gado. A proposta é polêmica e coloca em lados opostos ambientalistas e ruralistas.

Fonte: Folha online


8 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Servidor público e pesquisadora da UnB preservam pássaros no DF

Servidor já registrou 180 espécies de pássaros no Bosque da Câmara.
Tapaculo-de-brasília está ameaçado de extinção, diz pesquisadora da UnB.

Fotografia de Pedro Cavalcante, servidor da Câmara que registra pássaros do cerrado (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Fotografia de Pedro Carneiro, servidor da Câmara que registra pássaros do cerrado (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Um funcionário da polícia legislativa da Câmara dos Deputados está catalogando os pássaros que vivem na área do bosque localizado ao lado da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Pedro Carneiro é fotógrafo nas horas livres e já conseguiu registrar 180 espécies de pássaros. O trabalho já rendeu milhares de fotos, exposições e catálogos. Quando tem tempo livre, o servidor público vai para o bosque em busca de novas espécies.

Entre os colaboradores do fotógrafo estão os lavadores de carros que trabalham nos estacionamentos da Câmara e os jardineiros que cuidam do bosque. Segundo Carneiro, eles são os observadores voluntários e passam informações sobre localização dos animais e novos ninhos.

Além de cuidar da área verde, os voluntários são “pesquisadores informais”. Eles anotam e relatam as espécies encontradas no bosque, como gaviões e carcarás. Para atrair e preservar os pássaros, os voluntários plantaram árvores frutíferas como aroeira e murici. Em alguns espaços foram colocadas jangadas, feitas de bambu, e garrafas plásticas com água para que os animais bebam água.

Mas toda essa variedade de animais encontrada no bosque da Câmara não é a realidade em outros pontos da cidade. Uma pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) está buscando um pássaro típico do cerrado que estaria, segundo ela, em extinção.

O tapaculo-de-brasília está desaparecido, segundo a pesquisadora, por causa da degradação ambiental. O pássaro, tipicamente brasiliense, foi descoberto em 1958, durante a construção da capital e sempre foi considerado uma espécie rara. Há 30 anos, 68 deles foram registrados em todo o Distrito Federal.

Desde o ano passado, Luane Reis dos Santos, percorre os pontos onde a ave pode aparecer. Ela explica que é necessário descobrir onde ele vive para protegê-lo. Até agora, foi possível localizar dois exemplares. Um deles estava próximo de São Sebastião, região administrativa a 26 quilômetros de Brasília, e o outro na Área de Proteção Ambiental de Cafuringa, no noroeste do Distrito Federal.

Fonte: Do G1 DF, com informações do Bom dia DF


27 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Tese da USP aponta para possibilidade de comportamento antiético na publicação de artigos científicos brasileiros

De acordo com o estudo, entre os problemas mais comuns estão a citação de mais livros e artigos na bibliografia além dos realmente usados, o que aumenta a credibilidade do estudo, e a coautoria, que aparece como favor trocado.

Tese de doutorado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) alerta para a possibilidade de problemas de conduta ética na publicação de artigos científicos de pesquisadores brasileiros, tais como coautorias forjadas e citações de fontes não consultadas na bibliografia dos trabalhos acadêmicos.

O autor da tese, Jesusmar Ximenes Andrade, cita entre os problemas mais comuns a citação de mais livros e artigos na bibliografia além dos realmente usados, o que aumenta a credibilidade do estudo, e a coautoria, que aparece como favor trocado. Nesse último caso, os falsos parceiros assinam dois artigos em vez de um e, assim, aumentam sua produtividade, quesito que é avaliado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no processo de classificação dos programas de pós-graduação. Ligada ao Ministério da Educação, a Capes é uma das agências de fomento à pesquisa científica e acadêmica do governo federal.

A suspeita de ocorrências de conduta antiética na produção de artigos científicos veio a partir da aplicação de 85 questionários, respondidos por participantes do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, realizado em 2009, em São Paulo. Segundo a pesquisa, a maioria das pessoas afirmou não conhecer nenhum caso de má conduta, mas elas acreditam que tais práticas sejam comuns.

Andrade estranhou o resultado. “As pessoas conhecem pouco, mas acreditam que ocorrem [problemas antiéticos] mais do que acontecem? Eu presumi que quem estava respondendo sobre as suas crenças também estava respondendo sobre os seus próprios hábitos”, disse o autor da tese, que é professor adjunto da Universidade Federal do Piauí (UFPI). A tese foi defendida em abril, no Departamento de Contabilidade da FEA/USP.

Andrade destaca o fato de os resultados de sua pesquisa dizerem respeito à “má conduta na pesquisa das ciências contábeis”, mas avalia que “não encontraríamos resultados muito diferentes se fôssemos para um censo”, incluindo todos os campos científicos.

Para ele, o Brasil mantém o foco na quantidade, critério que fez o País ocupar o décimo terceiro lugar na produção científica internacional, e não se preocupa com a qualidade. “Por que o Brasil não tem um [Prêmio] Nobel?”, pergunta ao afirmar que “a quantidade que nós estamos buscando é infinitamente desproporcional à qualidade dos estudos que estamos produzindo”.

A busca por quantidade é almejada por todos os pesquisadores, de acordo com Andrade. “Seja para conseguir recursos ou para obter status dentro da academia.” Em sua opinião, “para buscar essa quantidade, esse volume, termina-se utilizando certos artifícios que, segundo foi observado, não são condutas livres de suspeita. São condutas impregnadas de comportamentos antiéticos”.

O autor da tese diz que a Capes dispõe de “métricas” de avaliação mais voltadas à qualidade do trabalho do pesquisador do que à quantidade de artigos gerados. “O sistema de avaliação chamado Qualis pontua os artigos conforme a revista científica de publicação”, lembrou.

A Agência Brasil procurou pela Capes desde a última sexta-feira (22), mas foi informada ontem (25), por e-mail, que o diretor de Avaliação, Livio Amaral, “precisa de uns dias para ler a tese”.

O professor de metodologia do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Medeiros, não concorda com o conceito de que a busca por quantidade seja prejudicial. Segundo ele, a pressão da Capes por aumento da produtividade “é mínima”. Em sua opinião, “opor quantidade à qualidade não é correto”. “Nas ciências em geral, os melhores pesquisadores são também professores que têm bom nível de publicações. Publica muito quem pesquisa muito.”

Fonte: Agência Brasil