21 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Nova revista quer mudar publicação científica

Uma revista científica com acesso gratuito para o público, transparente quanto às condições de edição dos trabalhos e que cobra taxas de publicação até 90% menores que a concorrência pode sobreviver no bilionário mundo dos periódicos acadêmicos?

Tem muita gente apostando que sim. Parte do entusiasmo se deve a Peter Binfield, que capitaneia a empreitada. Ex-editor da revista científica “PLoS One” e entusiasta do livre acesso à pesquisa, ele ajudou a consolidar o periódico como uma das mais importantes e inovadoras publicações de leitura gratuita.

As novidades da revista, a “PeerJ”, começam pelos custos. Em muitos periódicos, em especial nos de acesso livre, os pesquisadores precisam pagar por cada artigo que fazem, e pagam caro. A “PLoS One” cobra US$ 1.350 (cerca de R$ 2.730) Esse valor chega a US$ 2.900 (R$ 5.870) na “PLoS Biology”.

CIÊNCIA TRANSPARENTE E DE BAIXO CUSTO A recém-anunciada revista PeerJ quer revolucionar as publicações acadêmicas

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress

Na “PeerJ”, em vez da cobrança a cada novo artigo, basta pagar uma única taxa de publicação vitalícia. São três “planos” (veja gráfico). Quem desembolsa US$ 259 (R$ 524) pode publicar quantas vezes quiser. A primeira edição da revista sai em dezembro.

Em entrevista à Folha, Binfield disse que, apesar do modelo de “baixo custo”, seu projeto é sustentável. “Todos os coautores precisam pagar, e cada artigo tem, em geral, cinco ou seis coautores.”

Ele também chama atenção para a transparência no processo de revisão por pares, no qual cientistas independentes avaliam a qualidade de cada trabalho.

Na maioria dos periódicos, as etapas da publicação costumam ser fechadas, e os leitores não têm acesso às possíveis discussões e reavaliações dos artigos.

“Os revisores serão encorajados, mas não obrigados, a revelar sua identidade aos autores. Depois, os autores terão a opção de submeter o ‘histórico’ da revisão junto com o artigo”, afirma.

“É difícil dizer se a revista vai dar certo. Mas ela propõe um modelo novo, que merece ser estudado”, avalia o professor da USP e especialista em publicações científicas Rogerio Mugnaini.

O lançamento da publicação pega carona na crescente polêmica sobre os altos preços dos periódicos. A Elsevier, que publica cerca de 2.000 revistas, é alvo de um abaixo-assinado que já tem milhares de assinaturas.

Só em 2011, o governo brasileiro gastou R$ 133 milhões para que 326 instituições de pesquisa tivessem acesso a mais de 31 mil periódicos.

Fonte: Folha.com


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros preferem publicar em revista tradicional às de livre acesso

Uma iniciativa de cientistas do mundo todo está propondo uma revolução no mundo acadêmico. Chamada de Primavera da Academia, a campanha incentiva o boicote às editoras de periódicos científicos, que impõem aos interessados em seu conteúdo assinaturas que chegam a US$ 40 mil. O movimento ganhou força com o apoio de universidades como Harvard, que publicou um comunicado, no dia 17 de abril, incentivando seus pesquisadores a disponibilizarem seus artigos gratuitamente em seu site. Contudo, hoje, apesar das cobranças, os cientistas brasileiros ainda priorizam as publicações tradicionais, publicando poucos artigos em revistas de livre acesso.

Os pesquisadores justificam a preferência. “É importante publicarmos em revistas tradicionais, pois elas têm uma notoriedade maior, e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) está muito preocupada com o índice de impacto das publicações. Se o pesquisador não publica artigos em revistas com alto índice, ele não é considerado prestigiado na classificação do órgão, o que prejudica os alunos e o curso dele, pois cursos com classificação abaixo de 4 na avaliação fecham. Se eu tiver cinco artigos publicados naNature, eu tenho portas abertas no mundo inteiro, o que não ocorre se publicar cinco trabalhos em revistas de livre acesso”, explica o professor de bioquímica da Unicamp Anibal Vercesi.

O professor de física da USP-São Carlos Vanderlei Bagnato concorda: “Você tem que se preocupar em publicar em periódicos sérios e reconhecidos, porque, para nós, a credibilidade do trabalho vem com a publicação nessas revistas”. Por outro lado, ele também destaca a importância da publicação de artigos nas revistas de livre acesso. “Todo mundo quer ler trabalhos relevantes. Por isso, as pessoas procuram acessar publicações de boa reputação, e pelas quais não precisam pagar. Por isso, o ideal seria a gente unir essas duas características em revistas de acesso livre, que também são mais vantajosas para quem publica nelas, já que podem ser lidas por mais pessoas”, diz.

Para o professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Grupo de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Isaac Roitman, o quadro brasileiro da publicação de artigos científicos deve ser analisado historicamente. “Há 30, 40 anos, era muito mais difícil para o pesquisador do Brasil publicar os seus trabalhos em periódicos científicos, e poucas publicações brasileiras preenchiam os requisitos de qualidade exigidos. Além disso, o acesso às revistas estrangeiras era muito mais difícil e lento”, analisa. Contudo, especialmente nos últimos 10 anos, a popularização da internet permitiu o maior acesso a publicações do mundo todo, que passaram a ter versões online.

Portal facilita acesso a periódicos
Para acadêmicos e pesquisadores brasileiros, esse acesso é facilitado pelo portal de periódicos da Capes, que disponibilizou, em 2011, o acesso a 31 mil revistas científicas para 326 instituições de ensino do país, a um custo de R$ 133 milhões. Alguns dos conteúdos do portal da Capes, criado em 2000, são acessíveis todos, como dissertações produzidas em programas de pós-graduação e periódicos publicados no país. Outros conteúdos são liberados apenas para bibliotecas, alunos e pesquisadores vinculados a universidades públicas e privadas que atendam a pré-requisitos exigidos pela instituição, como oferecer programas de pós-graduação que tenham uma nota mínima na avaliação da Capes.

Se o valor gasto para a assinatura dos periódicos parece alto, Roitman diz que a quantia é pequena se comparada ao que representa. “O portal da Capes é um grande salto: é como se fosse uma grande biblioteca, acessível a diversas universidades brasileiras. Poucos países têm algo de tamanha magnitude, com tantos conteúdos de qualidade disponíveis. Pode parecer caro, mas considerando o valor que cada um de nós pagaria para assinar as versões impressas dos periódicos, é muito mais barato. Além disso, sem o portal, muitas pessoas não teriam acesso a esses conteúdos”, destaca.

Mesmo com a existência do portal, o acesso a publicações científicas de renome no mundo ainda é inviável para grande parte dos leitores de fora do mundo acadêmico – que, diferentemente de muitos cientistas brasileiros, não recebem verbas para assinatura de periódicos nacionais e estrangeiros. O auxílio aos pesquisadores é fornecido pelas agências de fomento nacionais, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e estaduais, como as fundações de amparo à pesquisa, entre elas a Faperj e a Fapesp.

Publicações de livre acesso também cobram
Mas publicar em uma revista de livre acesso não significa se livrar de qualquer tipo de cobrança. “Algumas cobram dos pesquisadores para publicarem seus artigos. Outras não, pois são mantidas por apoio governamental, por exemplo. De qualquer forma, sempre existe o custo de manter essas revistas, mesmo elas sendo virtuais, pois têm demandas, como o corpo editorial. Alguém tem que pagar”, esclarece Bagnato.

Para Vercesi, a popularização dos periódicos livres no país durante os próximos anos depende de como forem administrados. “Mais importante do que cobrar ou não dos pesquisadores para a publicação de artigos é que o leitor tenha livre acesso. Seria maravilhoso que a ciência estivesse ao alcance de todos através desses periódicos, mas qual vai ser a política para se chegar a isso? Uma opção pode ser que as próprias fundações de amparo à pesquisa se associem para pagar o custo dessas publicações”, aponta.

Bagnato considera incerto o crescimento dos periódicos de livre acesso no Brasil, e que também depende do impacto de campanhas como a Primavera da Academia. “O aumento do número de revistas de acesso livre no Brasil tem sido pequeno, e é muito difícil prever o que vai ocorrer. Todo mundo gostaria de ter seus trabalhos publicados em publicações de livre acesso, mas isso não ocorre se elas não tiverem o impacto necessário. O futuro delas depende muito do que acontecer a seguir, se eventos como o apoio dado por Harvard refletirem mundialmente”, ressalta.

Fonte: Terra


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Proteção de primatas avança a passos lentos

Enquanto a luta pela elaboração de uma declaração de direitos para os cetáceos está apenas começando, a dos grandes macacos (gorilas, orangotangos e, sobretudo, chimpanzés) arrasta-se há muito tempo.

Por sua inteligência e comportamento tão parecidos com os nossos, há várias décadas ativistas vêm tentando estabelecer um documento que garanta a esses animais o direito à vida e à liberdade.

Por enquanto, o passo mais significativo foi a proibição, em praticamente todos os países – com exceção dos Estados Unidos e do Gabão, na África -, de experimentos nos quais deliberadamente os chimpanzés sejam infectados com algum patógeno.

Pesquisas invasivas e que representem dor e sofrimento para esses bichos também estão limitadas.

Nos EUA, há projetos que pedem agora a suspensão de experimentos com os chimpanzés. Hoje, a maioria dos projetos se concentra na busca por uma vacina para a hepatite C. Muitos desses estudos, aliás, contam com dinheiro de países que proíbem testes com esses macacos no próprio território.

O assunto é controverso. Sobretudo entre os próprios especialistas, que argumentam que estudos comportamentais sobre esses primatas não deveriam ser proibidos. Por enquanto, a reprodução em cativeiro nos EUA está proibida. No Brasil, ainda não há limitação.

Fonte: Giuliana Miranda/ Folha.com


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Caranguejo costa-riquenho cria a própria comida nas patas

Espécie de crustáceo cultiva bactérias balançando as garras sem parar

Cultivar a própria comida não é uma habilidade só do ser humano. Formigas “ordenham” pulgões em troca da substância açucarada que eles secretam. E agora foi descoberto mais um animal “fazendeiro”: um caranguejo costa-riquenho. Ele usa as patas e garras para cultivar sua refeição: um jardim de bactérias.

Morador das profundezas do oceano, esse caranguejo se concentra aos montes à beira de fendas que expelem metano e sulfeto de hidrogênio. Os gases nutrem as bactérias que o crustáceo cria nas patas. Para que elas se desenvolvam mais rápido, o bicho fica balançando as garras ininterruptamente, garantindo que os gases circulem pela colônia. “Essa ‘dança’ é extraordinária e cômica”, disse Cindy Van Dover, do laboratório marinho da Universidade Duke, na Carolina do Norte, à revista Nature. “Nós nunca vimos essa estratégia antes”, completou.

A descoberta do crustáceo foi descrita em um artigo publicado na revista especializada PLoS One. Quando a comida fica “pronta”, o caranguejo usa um aparelho bucal formado por pequenas pinças para “lamber” as patas e se alimentar.

Os cientistas batizaram o animal como caranguejo-Yeti, em homenagem a uma lenda sobre uma criatura mítica do Himalaia, semelhante a um grande símio. No Brasil, o Yeti é chamado de Abominável Homem das Neves. O apelido se deve à cor branca e aos pelos que recobrem o caranguejo. Seu nome científico é Kiwa puravida. Um “irmão” do caranguejo-Yeti, o Kiwa hirsuta, que é ainda mais peludo, foi identificado em 2005, perto da Ilha de Páscoa.

O novo crustáceo foi descoberto por acaso. Os cientistas que o encontraram estudavam as fendas que expelem gases no fundo do mar da América Central e a presença massiva do animal nesses locais chamou a atenção.

Os pesquisadores exploravam o local com um submarino e o piloto pegou um dos caranguejos com a mão mecânica do veículo. “Ele subiu e me entregou na mão essa nova espécie”, contou Andrew Thurber, especialista em vida marinha da Universidade do Estado de Oregon, nos EUA. ”Foi uma grande surpresa, levando em conta que estão em um local de fácil acesso e em grande quantidade. Há uma tonelada deles, que não são pequenos e estão a menos de seis horas de navio da Costa Rica”, afirmou.

A confirmação de que as bactérias são a principal fonte de alimento do caranguejo veio por meio de testes de laboratório. E o crustáceo pode não ter sido o único que viu nas fendas gasosas uma fonte de alimento. Outro tipo de caranguejo (Shinkaia crosnieri) e um camarão (Rimicaris exoculata) também têm esse tipo de bactéria crescendo em seus corpos.  Os cientistas querem saber se eles as comem. “Esta forma de alimentação pode ser mais comum do que acreditamos”, disse Charles Fisher, ecologista marinho da Universidade do Estado da Pennsylvania, à revista americana.

caranguejo Kiwa puravida

Exemplar macho do caranguejo Kiwa puravida, encontrado a grandes profundidades no mar da Costa Rica. Espécie cultiva bactérias no corpo para depois comê-las (Shane Ahyong / PLoS ONE)

Fonte: Veja Ciência


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Com mil chimpanzés em laboratórios, EUA estuda mudar lei

Em uma jaula ao ar livre em forma de cúpula, dezenas de chimpanzés gritam. Os pelos das costas estão levantados. Segundo a Dra. Dana Hasselschwert, chefe de ciências veterinárias do Centro de Pesquisas de New Iberia, “isso é piloereção”, um sinal de excitação emocional.

Ela pede aos visitantes que mantenham distância. Os chimpanzés costumam atirar pequenas pedras ou objetos mais perigosos quando ficam agitados.

A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.

A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária. Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O segundo país é o Gabão, que fica na África central.

Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, “este é um momento bastante diferente dos outros”. “É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios”, afirma.

John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é “um momento crucial”. O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores “podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés”, afirmou.

A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.

Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.

Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma. “Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente”, afirma. “Além disso, não devemos abusar de nosso poder”, afirma.

VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas. “A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso”, afirmou. Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, “seria totalmente antiético não realizá-la”, afirmou VandeBerg.

Maus-tratos
Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 km a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros 6 mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus.

A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.

Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 m de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a 10 estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 m e 2 m de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.

Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.

Histórico
Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza. Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da aids nos anos 1980, que não obtiveram avanços.

Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.

A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.

O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil m² e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil m², delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.

Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo. Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.

“Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais”, afirmou.

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento. Foto: The New York Times

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento Foto: The New York Times

Fonte: Portal Terra


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Práticas orgânicas podem dobrar agricultura em dez anos, diz pesquisa

A adoção de práticas orgânicas e ecológicas na agricultura pode fazer com que a área de produção dobre em dez anos em propriedades de pequena escala de países em desenvolvimento, segundo estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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De acordo com Olivier De Schutter, autor do estudo e relator da ONU sobre direito à alimentação, técnicas ecológicas e avançadas de plantação deverão garantir a produção suficiente para suprir a fome de 9 bilhões de pessoas no mundo em 2050. Métodos ecológicos funcionam melhor do que o uso de fertilizantes hoje em dia, segundo Schutter.

O relatório indica que projetos agroecológicos cresceram 80% em 57 países em desenvolvimento. A conta deu certo em 20 países africanos, de acordo com o autor do estudo, que aumentaram as lavouras em 116% no período de 3 a 10 anos. Para Schutter, é possível aumentar a produtividade e manter safras longe de pragas usando defesas naturais.

Em Malauí, na África, um programa financiou o uso intensivo de fertilizantes há alguns anos, segundo o relatório, mas agora o governo implementa práticas orgânicas para beneficiar 1,3 milhão de pessoas mais pobres. O rendimento na produção de milho, por exemplo, aumentou de 1 para 2 a 3 toneladas por hectare com as novas técnicas. Plantações no Vietnã, Bangladesh e Indonésia também conseguiram reduzir em 92% o uso de inseticidas, de acordo com a pesquisa.

Fonte: Globo Natureza


2 de março de 2011 | nenhum comentário »

Dupla calcula custo de mapear espécies

Descobrir e descrever formalmente todas as espécies de animais ainda desconhecidas custaria um pouco mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal: cerca de R$ 430 bilhões. A conta, feita por uma dupla de biólogos da USP, está repleta de incertezas (a começar, claro, pelo fato de que ninguém sabe, afinal, quantas espécies ignotas ainda existem por aí). Mas é um dos primeiros cálculos detalhados a abordar o custo do desconhecimento humano sobre a biodiversidade.

“Claro que é uma estimativa. Queremos estimular a discussão, não tanto sobre o dinheiro, mas sim sobre a importância da taxonomia [área responsável por descrever espécies e estudar as relações entre elas]“, diz Antonio Carlos Marques, do Departamento de Zoologia da USP. Marques assina, junto com Fernando Carbayo, o artigo que descreve a conta na revista científica “Trends in Ecology and Evolution”. Eles são especialistas na diversidade de espécies de cnidários (grupo das águas-vivas) e planárias (vermes achatados), respectivamente.

Milhões - A dupla partiu das estimativas mais recentes sobre o total de espécies de bichos planeta afora, que propõem algo como 2 milhões de criaturas já batizadas com nome científico e 5 milhões de animais desconhecidos. “Existem vários jeitos de fazer essa estimativa”, diz Marques. Um deles envolve isolar uma única árvore amazônica e fumigá-la com inseticida até que todos os bichos que a habitam desabem.

O especialista faz a contagem de corpos e vê quantos pertencem a espécies conhecidas. Quando se multiplica o que sobra pelo número de espécies de árvores, chega-se ao possível número total de animais desconhecidos. “Outro caminho é olhar como avança a curva das descrições de espécies ao longo do tempo”, explica Marques. “A curva é bastante heterogênea, mas a gente consegue usar ferramentas estatísticas para mostrar que a curva ainda está subindo, ou seja, o ritmo de descrições ainda está aumentando.”

O passo final da conta foi estimar os custos a partir do que um taxonomista brasileiro típico gasta ao longo da carreira. Em média, esses biólogos descrevem 25 espécies durante sua vida científica, com orçamento per capita de R$ 165 mil por ano. A média nacional é representativa porque o Brasil é um dos países mais ativos na pesquisa taxonômica atual.

É nesse ponto da conversa que, para os pesquisadores, fica claro que o problema não é nem de longe só a falta de dinheiro. Com o número atual de taxonomistas, a tarefa de descrever todas as espécies de animais só seria concluída em 360 anos.

Aprendiz de feiticeiro – “A questão é que leva muito tempo para formar um bom taxonomista. É como aprendiz de bruxo: o mestre só consegue acompanhar um bruxinho por vez. Eu tenho 41 anos e ainda não me considero um taxonomista maduro”, diz Marques.

O que ele responderia se um financiador aparecesse com o valor completo da noite para o dia? “Obrigado, não quero esse dinheiro”, diz Marques. “A falta de gente preparada [para descrever as espécies que faltam] é o maior impedimento.” O biólogo reconhece que é difícil demonstrar a necessidade de descrever todas as espécies da Terra. “Mas, sem essa visão de conjunto, é como se a gente fizesse a leitura de um livro com um monte de páginas arrancadas.”

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Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com


17 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

UFSCar vai transformar alga em biodiesel

Quem já passou pelos imensos canaviais do interior paulista conhece o cheiro desagradável da vinhaça, líquido que sobra após a produção de álcool. Cientistas e empresários apostam que o dejeto pode virar a base de um novo tipo de biodiesel.

A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e a empresa Algae Biotecnologia assinaram na terça-feira (15) um contrato de cooperação tecnológica para colocar a ideia em prática.

the mechanic fim

O plano é usar a vinhaça como “ração” para algas microscópicas, cujas células, ricas em moléculas de gordura, virariam biocombustível.

Nos próximos 30 meses, a parceria vai receber R$ 3,24 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), enquanto a Algae investirá mais R$ 320 mil.

Novas tecnologias criadas pelo projeto serão patenteadas, e possíveis lucros oriundos delas serão divididos meio a meio entre a universidade e a empresa, disse à Folha Sergio Goldemberg, gerente técnico da Algae.

“Vamos tomar cuidado para que os resultados das pesquisas não sejam publicados antes de garantirmos a propriedade intelectual sobre eles”, afirma.

Se tudo der certo, o projeto pode ajudar a resolver uma série de problemas ambientais e tecnológicos com uma cajadada só.

A vinhaça, que é basicamente a “água suja” que sobra depois da fermentação e da destilação do caldo de cana, é muito rica em sais e em compostos orgânicos difíceis de degradar.

Por isso mesmo, é poluente e demanda tratamento antes de ser lançada na natureza. “As algas removeriam parte desses poluentes e virariam matéria-prima”, explica Reinaldo Gaspar Bastos, engenheiro de alimentos do campus da UFSCar em Araras (SP) e líder da pesquisa.

Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com


14 de abril de 2010 | nenhum comentário »

CNPq passa a autorizar coleta de fauna e flora e substitui ministério ambiental

Os pesquisadores já podem solicitar autorização de acesso ao patrimônio genético brasileiro, ou seja amostras de espécies animais e vegetais do país, anunciou o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – nesta quinta-feira (8).

Após a fase de testes, a instituição colocou no ar o formulário online próprio para as solicitações. A ação integra o Sistema de Autorização de Acesso ao Patrimônio Genético, desenvolvido especificamente para esta finalidade.

As autorizações antes eram de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente. Cientistas costumavam reclamar que eram tratados como biopiratas.

O acesso à biodiversidade brasileira e aos seus recursos genéticos é um problema histórico para os cientistas, o que atrapalha muito as pesquisas, segundo eles. Licenças chegavam a demorar 2 anos para sua emissão.

Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, o novo sistema facilitaria o acesso.

Projeto – A autorização do CNPq será concedida às instituições que realizam pesquisas nas áreas biológicas e afins, mediante a apresentação de projeto de pesquisa que descreva as atividades de acesso e de remessa das amostras de componentes do patrimônio genético brasileiro.

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O projeto deverá ser coordenado por pesquisador com experiência no assunto.

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As orientações para solicitar a autorização e preenchimento do formulário online estão em página específica do site do CNPq.

Para gerenciar a nova atribuição, o CNPq criou a Coordenação do Sistema de Autorização de Acesso ao Patrimônio Genético, vinculada à Diretoria de Programas Temáticos e Setoriais.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail apg@cnpq.br ou telefone 0/xx/61/2108-4024. (Fonte: Folha Online)


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Nova revista quer mudar publicação científica

Uma revista científica com acesso gratuito para o público, transparente quanto às condições de edição dos trabalhos e que cobra taxas de publicação até 90% menores que a concorrência pode sobreviver no bilionário mundo dos periódicos acadêmicos?

Tem muita gente apostando que sim. Parte do entusiasmo se deve a Peter Binfield, que capitaneia a empreitada. Ex-editor da revista científica “PLoS One” e entusiasta do livre acesso à pesquisa, ele ajudou a consolidar o periódico como uma das mais importantes e inovadoras publicações de leitura gratuita.

As novidades da revista, a “PeerJ”, começam pelos custos. Em muitos periódicos, em especial nos de acesso livre, os pesquisadores precisam pagar por cada artigo que fazem, e pagam caro. A “PLoS One” cobra US$ 1.350 (cerca de R$ 2.730) Esse valor chega a US$ 2.900 (R$ 5.870) na “PLoS Biology”.

CIÊNCIA TRANSPARENTE E DE BAIXO CUSTO A recém-anunciada revista PeerJ quer revolucionar as publicações acadêmicas

Imagem: Editoria de Arte/Folhapress

Na “PeerJ”, em vez da cobrança a cada novo artigo, basta pagar uma única taxa de publicação vitalícia. São três “planos” (veja gráfico). Quem desembolsa US$ 259 (R$ 524) pode publicar quantas vezes quiser. A primeira edição da revista sai em dezembro.

Em entrevista à Folha, Binfield disse que, apesar do modelo de “baixo custo”, seu projeto é sustentável. “Todos os coautores precisam pagar, e cada artigo tem, em geral, cinco ou seis coautores.”

Ele também chama atenção para a transparência no processo de revisão por pares, no qual cientistas independentes avaliam a qualidade de cada trabalho.

Na maioria dos periódicos, as etapas da publicação costumam ser fechadas, e os leitores não têm acesso às possíveis discussões e reavaliações dos artigos.

“Os revisores serão encorajados, mas não obrigados, a revelar sua identidade aos autores. Depois, os autores terão a opção de submeter o ‘histórico’ da revisão junto com o artigo”, afirma.

“É difícil dizer se a revista vai dar certo. Mas ela propõe um modelo novo, que merece ser estudado”, avalia o professor da USP e especialista em publicações científicas Rogerio Mugnaini.

O lançamento da publicação pega carona na crescente polêmica sobre os altos preços dos periódicos. A Elsevier, que publica cerca de 2.000 revistas, é alvo de um abaixo-assinado que já tem milhares de assinaturas.

Só em 2011, o governo brasileiro gastou R$ 133 milhões para que 326 instituições de pesquisa tivessem acesso a mais de 31 mil periódicos.

Fonte: Folha.com


28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Brasileiros preferem publicar em revista tradicional às de livre acesso

Uma iniciativa de cientistas do mundo todo está propondo uma revolução no mundo acadêmico. Chamada de Primavera da Academia, a campanha incentiva o boicote às editoras de periódicos científicos, que impõem aos interessados em seu conteúdo assinaturas que chegam a US$ 40 mil. O movimento ganhou força com o apoio de universidades como Harvard, que publicou um comunicado, no dia 17 de abril, incentivando seus pesquisadores a disponibilizarem seus artigos gratuitamente em seu site. Contudo, hoje, apesar das cobranças, os cientistas brasileiros ainda priorizam as publicações tradicionais, publicando poucos artigos em revistas de livre acesso.

Os pesquisadores justificam a preferência. “É importante publicarmos em revistas tradicionais, pois elas têm uma notoriedade maior, e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) está muito preocupada com o índice de impacto das publicações. Se o pesquisador não publica artigos em revistas com alto índice, ele não é considerado prestigiado na classificação do órgão, o que prejudica os alunos e o curso dele, pois cursos com classificação abaixo de 4 na avaliação fecham. Se eu tiver cinco artigos publicados naNature, eu tenho portas abertas no mundo inteiro, o que não ocorre se publicar cinco trabalhos em revistas de livre acesso”, explica o professor de bioquímica da Unicamp Anibal Vercesi.

O professor de física da USP-São Carlos Vanderlei Bagnato concorda: “Você tem que se preocupar em publicar em periódicos sérios e reconhecidos, porque, para nós, a credibilidade do trabalho vem com a publicação nessas revistas”. Por outro lado, ele também destaca a importância da publicação de artigos nas revistas de livre acesso. “Todo mundo quer ler trabalhos relevantes. Por isso, as pessoas procuram acessar publicações de boa reputação, e pelas quais não precisam pagar. Por isso, o ideal seria a gente unir essas duas características em revistas de acesso livre, que também são mais vantajosas para quem publica nelas, já que podem ser lidas por mais pessoas”, diz.

Para o professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Grupo de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Isaac Roitman, o quadro brasileiro da publicação de artigos científicos deve ser analisado historicamente. “Há 30, 40 anos, era muito mais difícil para o pesquisador do Brasil publicar os seus trabalhos em periódicos científicos, e poucas publicações brasileiras preenchiam os requisitos de qualidade exigidos. Além disso, o acesso às revistas estrangeiras era muito mais difícil e lento”, analisa. Contudo, especialmente nos últimos 10 anos, a popularização da internet permitiu o maior acesso a publicações do mundo todo, que passaram a ter versões online.

Portal facilita acesso a periódicos
Para acadêmicos e pesquisadores brasileiros, esse acesso é facilitado pelo portal de periódicos da Capes, que disponibilizou, em 2011, o acesso a 31 mil revistas científicas para 326 instituições de ensino do país, a um custo de R$ 133 milhões. Alguns dos conteúdos do portal da Capes, criado em 2000, são acessíveis todos, como dissertações produzidas em programas de pós-graduação e periódicos publicados no país. Outros conteúdos são liberados apenas para bibliotecas, alunos e pesquisadores vinculados a universidades públicas e privadas que atendam a pré-requisitos exigidos pela instituição, como oferecer programas de pós-graduação que tenham uma nota mínima na avaliação da Capes.

Se o valor gasto para a assinatura dos periódicos parece alto, Roitman diz que a quantia é pequena se comparada ao que representa. “O portal da Capes é um grande salto: é como se fosse uma grande biblioteca, acessível a diversas universidades brasileiras. Poucos países têm algo de tamanha magnitude, com tantos conteúdos de qualidade disponíveis. Pode parecer caro, mas considerando o valor que cada um de nós pagaria para assinar as versões impressas dos periódicos, é muito mais barato. Além disso, sem o portal, muitas pessoas não teriam acesso a esses conteúdos”, destaca.

Mesmo com a existência do portal, o acesso a publicações científicas de renome no mundo ainda é inviável para grande parte dos leitores de fora do mundo acadêmico – que, diferentemente de muitos cientistas brasileiros, não recebem verbas para assinatura de periódicos nacionais e estrangeiros. O auxílio aos pesquisadores é fornecido pelas agências de fomento nacionais, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e estaduais, como as fundações de amparo à pesquisa, entre elas a Faperj e a Fapesp.

Publicações de livre acesso também cobram
Mas publicar em uma revista de livre acesso não significa se livrar de qualquer tipo de cobrança. “Algumas cobram dos pesquisadores para publicarem seus artigos. Outras não, pois são mantidas por apoio governamental, por exemplo. De qualquer forma, sempre existe o custo de manter essas revistas, mesmo elas sendo virtuais, pois têm demandas, como o corpo editorial. Alguém tem que pagar”, esclarece Bagnato.

Para Vercesi, a popularização dos periódicos livres no país durante os próximos anos depende de como forem administrados. “Mais importante do que cobrar ou não dos pesquisadores para a publicação de artigos é que o leitor tenha livre acesso. Seria maravilhoso que a ciência estivesse ao alcance de todos através desses periódicos, mas qual vai ser a política para se chegar a isso? Uma opção pode ser que as próprias fundações de amparo à pesquisa se associem para pagar o custo dessas publicações”, aponta.

Bagnato considera incerto o crescimento dos periódicos de livre acesso no Brasil, e que também depende do impacto de campanhas como a Primavera da Academia. “O aumento do número de revistas de acesso livre no Brasil tem sido pequeno, e é muito difícil prever o que vai ocorrer. Todo mundo gostaria de ter seus trabalhos publicados em publicações de livre acesso, mas isso não ocorre se elas não tiverem o impacto necessário. O futuro delas depende muito do que acontecer a seguir, se eventos como o apoio dado por Harvard refletirem mundialmente”, ressalta.

Fonte: Terra


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


19 de março de 2012 | nenhum comentário »

Proteção de primatas avança a passos lentos

Enquanto a luta pela elaboração de uma declaração de direitos para os cetáceos está apenas começando, a dos grandes macacos (gorilas, orangotangos e, sobretudo, chimpanzés) arrasta-se há muito tempo.

Por sua inteligência e comportamento tão parecidos com os nossos, há várias décadas ativistas vêm tentando estabelecer um documento que garanta a esses animais o direito à vida e à liberdade.

Por enquanto, o passo mais significativo foi a proibição, em praticamente todos os países – com exceção dos Estados Unidos e do Gabão, na África -, de experimentos nos quais deliberadamente os chimpanzés sejam infectados com algum patógeno.

Pesquisas invasivas e que representem dor e sofrimento para esses bichos também estão limitadas.

Nos EUA, há projetos que pedem agora a suspensão de experimentos com os chimpanzés. Hoje, a maioria dos projetos se concentra na busca por uma vacina para a hepatite C. Muitos desses estudos, aliás, contam com dinheiro de países que proíbem testes com esses macacos no próprio território.

O assunto é controverso. Sobretudo entre os próprios especialistas, que argumentam que estudos comportamentais sobre esses primatas não deveriam ser proibidos. Por enquanto, a reprodução em cativeiro nos EUA está proibida. No Brasil, ainda não há limitação.

Fonte: Giuliana Miranda/ Folha.com


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Caranguejo costa-riquenho cria a própria comida nas patas

Espécie de crustáceo cultiva bactérias balançando as garras sem parar

Cultivar a própria comida não é uma habilidade só do ser humano. Formigas “ordenham” pulgões em troca da substância açucarada que eles secretam. E agora foi descoberto mais um animal “fazendeiro”: um caranguejo costa-riquenho. Ele usa as patas e garras para cultivar sua refeição: um jardim de bactérias.

Morador das profundezas do oceano, esse caranguejo se concentra aos montes à beira de fendas que expelem metano e sulfeto de hidrogênio. Os gases nutrem as bactérias que o crustáceo cria nas patas. Para que elas se desenvolvam mais rápido, o bicho fica balançando as garras ininterruptamente, garantindo que os gases circulem pela colônia. “Essa ‘dança’ é extraordinária e cômica”, disse Cindy Van Dover, do laboratório marinho da Universidade Duke, na Carolina do Norte, à revista Nature. “Nós nunca vimos essa estratégia antes”, completou.

A descoberta do crustáceo foi descrita em um artigo publicado na revista especializada PLoS One. Quando a comida fica “pronta”, o caranguejo usa um aparelho bucal formado por pequenas pinças para “lamber” as patas e se alimentar.

Os cientistas batizaram o animal como caranguejo-Yeti, em homenagem a uma lenda sobre uma criatura mítica do Himalaia, semelhante a um grande símio. No Brasil, o Yeti é chamado de Abominável Homem das Neves. O apelido se deve à cor branca e aos pelos que recobrem o caranguejo. Seu nome científico é Kiwa puravida. Um “irmão” do caranguejo-Yeti, o Kiwa hirsuta, que é ainda mais peludo, foi identificado em 2005, perto da Ilha de Páscoa.

O novo crustáceo foi descoberto por acaso. Os cientistas que o encontraram estudavam as fendas que expelem gases no fundo do mar da América Central e a presença massiva do animal nesses locais chamou a atenção.

Os pesquisadores exploravam o local com um submarino e o piloto pegou um dos caranguejos com a mão mecânica do veículo. “Ele subiu e me entregou na mão essa nova espécie”, contou Andrew Thurber, especialista em vida marinha da Universidade do Estado de Oregon, nos EUA. ”Foi uma grande surpresa, levando em conta que estão em um local de fácil acesso e em grande quantidade. Há uma tonelada deles, que não são pequenos e estão a menos de seis horas de navio da Costa Rica”, afirmou.

A confirmação de que as bactérias são a principal fonte de alimento do caranguejo veio por meio de testes de laboratório. E o crustáceo pode não ter sido o único que viu nas fendas gasosas uma fonte de alimento. Outro tipo de caranguejo (Shinkaia crosnieri) e um camarão (Rimicaris exoculata) também têm esse tipo de bactéria crescendo em seus corpos.  Os cientistas querem saber se eles as comem. “Esta forma de alimentação pode ser mais comum do que acreditamos”, disse Charles Fisher, ecologista marinho da Universidade do Estado da Pennsylvania, à revista americana.

caranguejo Kiwa puravida

Exemplar macho do caranguejo Kiwa puravida, encontrado a grandes profundidades no mar da Costa Rica. Espécie cultiva bactérias no corpo para depois comê-las (Shane Ahyong / PLoS ONE)

Fonte: Veja Ciência


25 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Com mil chimpanzés em laboratórios, EUA estuda mudar lei

Em uma jaula ao ar livre em forma de cúpula, dezenas de chimpanzés gritam. Os pelos das costas estão levantados. Segundo a Dra. Dana Hasselschwert, chefe de ciências veterinárias do Centro de Pesquisas de New Iberia, “isso é piloereção”, um sinal de excitação emocional.

Ela pede aos visitantes que mantenham distância. Os chimpanzés costumam atirar pequenas pedras ou objetos mais perigosos quando ficam agitados.

A semelhança dos chimpanzés com os humanos os torna importantes para pesquisas, mas também gera muita solidariedade. Para os pesquisadores, esses animais podem significar a melhor chance de descobrir a cura de doenças atrozes. Para muitas pessoas, porém, eles são nossos parentes atrás das grades.

A pesquisa biomédica com chimpanzés ajudou a produzir a vacina contra a hepatite B e tem por objetivo produzir a vacina contra a hepatite C, que infecta 170 milhões de pessoas em todo o mundo. Contudo, há muito que os protestos contra essa pesquisa consideram-na cruel e desnecessária. Devido à grande pressão atual de organizações de defesa dos animais, a decisão judicial que porá um fim a este tipo de pesquisa nos Estados Unidos pode vir em um ano. Atualmente, apenas os Estados Unidos e outro país conduzem pesquisas invasivas com chimpanzés. O segundo país é o Gabão, que fica na África central.

Segundo Wayne Pacelle, presidente e diretor executivo da Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, “este é um momento bastante diferente dos outros”. “É o momento de tirar os chimpanzés da pesquisa invasiva e dos laboratórios”, afirma.

John VandeBerg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa sobre os primatas do sudoeste, concorda que este é “um momento crucial”. O centro é um dos seis laboratórios do país onde há chimpanzés. As diversas tentativas dos opositores “podem levar ao fim de toda a pesquisa médica com os chimpanzés”, afirmou.

A sociedade e outros grupos pressionaram os NIH (Institutos Nacionais da Saúde) americanos para que fosse elaborado um relatório sobre a utilidade da pesquisa com chimpanzés, aguardado para este ano. A Sociedade Humanitária também se uniu ao Instituto Jane Goodall e à Sociedade para a Conservação da Vida Selvagem para elaborar uma petição ao Serviço de Fauna e Peixes dos Estados Unidos, na qual é declarado o risco de extinção dos chimpanzés em cativeiro, uma vez que os que vivem na natureza já estão ameaçados, oferecendo a eles mais proteção. A decisão é aguardada para setembro do ano que vêm.

Além disso, o Great Ape Protection and Cost Savings Act (Lei pela proteção e redução de custos com grandes símios) irá proibir o uso de todos os grandes símios nas pesquisas invasivas (incluindo bonobos, gorilas e orangotangos). O republicano Roscoe Bartlett, deputado pelo estado de Maryland, é um dos apoiadores da lei. Segundo Bartlett, a lei representará uma economia de US$ 30 milhões para o contribuinte, quantia que é gasta anualmente com os chimpanzés de propriedade do governo.

Segundo Pacelle, é alto o custo da pesquisa invasiva com chimpanzés, sendo que existem alternativas. Além disso, os procedimentos realizados são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento, afirma. “Esta espécie está ameaçada de extinção e é a mais próxima dos humanos geneticamente”, afirma. “Além disso, não devemos abusar de nosso poder”, afirma.

VandeBerg, em contrapartida, afirma que suspender as pesquisas com chimpanzés representaria uma ameaça a vidas humanas. “A redução do índice de desenvolvimento de medicamentos para essas doenças significará a morte de centenas de milhares de pessoas, milhões de fato, devido a anos de atraso”, afirmou. Se a pesquisa permite salvar vidas humanas, afirmou VandeBerg, “seria totalmente antiético não realizá-la”, afirmou VandeBerg.

Maus-tratos
Os laboratórios de pesquisa dos Estados Unidos abrigam mil chimpanzés, e o Centro de Pesquisas de New Iberia é um deles. O centro pertence à Universidade de Louisiana em Lafayette, e ocupa 40 hectares do centro da Louisiana francesa ou acadiana, aproximadamente 210 km a oeste de Nova Orleans. Nele vivem 360 chimpanzés, sendo que 240 pertencem à universidade e 120 ao NIH, além de outros 6 mil primatas, a maioria da espécie macaco-rhesus.

A instituição foi acusada de maus-tratos no passado, sendo que foram descobertas e corrigidas algumas violações às normas de tratamento dos animais, de acordo com as inspeções do Departamento de Agricultura. Na última inspeção, ocorrida em julho, foram descobertos medicamentos para os animais com prazos de validade vencidos.

Em uma visita recente, verificou-se que alguns chimpanzés ficavam em cúpulas geodésicas de 10 m de diâmetro e outros em jaulas menores ao ar livre. Além destes, o doutor Thomas J. Rowell, diretor do centro, contou que um número inferior a 10 estava sob estudo ativo, em jaulas internas medindo 1,5 por 1,8 m e 2 m de altura. Os procedimentos práticos envolviam aplicação de injeções, retirada de amostras de sangue e biópsias hepáticas, as quais eram realizadas sob efeito de anestésicos.

Muitos estudos têm duração de apenas alguns dias, afirmou Rowell, mas alguns demoram mais tempo. Quase concluído, um estudo vinha sendo realizado há quatro meses. Rowell defendeu com entusiasmo o tratamento proporcionado aos chimpanzés no centro, enfatizando os cuidados veterinários e o empenho em melhorar a forma como vivem, tornando os ambientes do alojamento mais interessantes.

Histórico
Os chimpanzés são utilizados em pesquisas nos Estados Unidos desde a década de 1920, quando Robert Yerkes, professor de psicologia da Universidade de Yale, começou a leva-los para o país. Durante a década de 1950, a força aérea passou a reproduzi-los para o uso no programa espacial, a partir de 65 espécimes capturados na natureza. Os chimpanzés também foram procriados para serem usados em pesquisas da aids nos anos 1980, que não obtiveram avanços.

Em meados da década de 1970, o apoio à preservação de espécies ameaçadas de extinção havia aumentado, e a importação de chimpanzés retirados da natureza foi proibida. Nos anos 2000, foi aprovada uma lei federal exigindo a aposentadoria dos chimpanzés pertencentes ao governo após o fim de seu uso em experimentos. Foi inaugurado em Shreveport, na Louisiana, o Chimp Haven, um santuário nacional de chimpanzés, para dar assistência a esses a outros chimpanzés.

A tentativa de trazer de volta para a linha de pesquisa os chimpanzés semiaposentados do santuário Alamogordo Primate Facility, no Novo México, foi o que induziu em parte o recente aumento da oposição às pesquisas. O NIH queria transferir cerca de 200 de seus chimpanzés do Alamogordo para o centro de San Antonio, que pertence ao Instituto de Pesquisas Biomédicas do Texas. A Sociedade Humanitária intercedeu para evitar a transferência e o NIH cedeu, pedindo a realização de um relatório dos chimpanzés utilizados em experiências este ano ao Instituto de Medicina, um conselho consultivo.

O Chimp Haven é o potencial destino dos chimpanzés aposentados e possui atualmente 132 deles vivendo em um bosque de pinheiros de 80 hectares. Eles ficam alojados em uma variedade de jaulas e recintos cercados, incluindo um pátio de recreação a céu aberto, com 4 mil m² e envolto em muros de concreto, além de dois habitats de floresta, um de 16 e outro de 20 mil m², delimitados por um fosso e por cercas. Porém, os chimpanzés que estão nos centros de pesquisa, talvez nem saiam dali, mesmo após o fim dos experimentos. É possível que apenas fiquem ali, livres dos estudos invasivos.

Seja qual for a decisão, os pesquisadores e defensores dos chimpanzés sabem que eles representam uma pequena parte do total da pesquisa realizada com animais e do debate mais amplo. Segundo Kathleen Conlee, diretora sênior para questões de pesquisa animal da Sociedade Humanitária, a atual discussão em relação aos chimpanzés indica o caminho para o futuro.

“Este tipo de análise rigorosa deveria ser aplicada a toda a pesquisa com animais”, afirmou.

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento. Foto: The New York Times

Muitos dos testes realizados em laboratório são dolorosos e os animais são mantidos em isolamento Foto: The New York Times

Fonte: Portal Terra


15 de março de 2011 | nenhum comentário »

Práticas orgânicas podem dobrar agricultura em dez anos, diz pesquisa

A adoção de práticas orgânicas e ecológicas na agricultura pode fazer com que a área de produção dobre em dez anos em propriedades de pequena escala de países em desenvolvimento, segundo estudo realizado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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De acordo com Olivier De Schutter, autor do estudo e relator da ONU sobre direito à alimentação, técnicas ecológicas e avançadas de plantação deverão garantir a produção suficiente para suprir a fome de 9 bilhões de pessoas no mundo em 2050. Métodos ecológicos funcionam melhor do que o uso de fertilizantes hoje em dia, segundo Schutter.

O relatório indica que projetos agroecológicos cresceram 80% em 57 países em desenvolvimento. A conta deu certo em 20 países africanos, de acordo com o autor do estudo, que aumentaram as lavouras em 116% no período de 3 a 10 anos. Para Schutter, é possível aumentar a produtividade e manter safras longe de pragas usando defesas naturais.

Em Malauí, na África, um programa financiou o uso intensivo de fertilizantes há alguns anos, segundo o relatório, mas agora o governo implementa práticas orgânicas para beneficiar 1,3 milhão de pessoas mais pobres. O rendimento na produção de milho, por exemplo, aumentou de 1 para 2 a 3 toneladas por hectare com as novas técnicas. Plantações no Vietnã, Bangladesh e Indonésia também conseguiram reduzir em 92% o uso de inseticidas, de acordo com a pesquisa.

Fonte: Globo Natureza


2 de março de 2011 | nenhum comentário »

Dupla calcula custo de mapear espécies

Descobrir e descrever formalmente todas as espécies de animais ainda desconhecidas custaria um pouco mais do que o PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal: cerca de R$ 430 bilhões. A conta, feita por uma dupla de biólogos da USP, está repleta de incertezas (a começar, claro, pelo fato de que ninguém sabe, afinal, quantas espécies ignotas ainda existem por aí). Mas é um dos primeiros cálculos detalhados a abordar o custo do desconhecimento humano sobre a biodiversidade.

“Claro que é uma estimativa. Queremos estimular a discussão, não tanto sobre o dinheiro, mas sim sobre a importância da taxonomia [área responsável por descrever espécies e estudar as relações entre elas]“, diz Antonio Carlos Marques, do Departamento de Zoologia da USP. Marques assina, junto com Fernando Carbayo, o artigo que descreve a conta na revista científica “Trends in Ecology and Evolution”. Eles são especialistas na diversidade de espécies de cnidários (grupo das águas-vivas) e planárias (vermes achatados), respectivamente.

Milhões - A dupla partiu das estimativas mais recentes sobre o total de espécies de bichos planeta afora, que propõem algo como 2 milhões de criaturas já batizadas com nome científico e 5 milhões de animais desconhecidos. “Existem vários jeitos de fazer essa estimativa”, diz Marques. Um deles envolve isolar uma única árvore amazônica e fumigá-la com inseticida até que todos os bichos que a habitam desabem.

O especialista faz a contagem de corpos e vê quantos pertencem a espécies conhecidas. Quando se multiplica o que sobra pelo número de espécies de árvores, chega-se ao possível número total de animais desconhecidos. “Outro caminho é olhar como avança a curva das descrições de espécies ao longo do tempo”, explica Marques. “A curva é bastante heterogênea, mas a gente consegue usar ferramentas estatísticas para mostrar que a curva ainda está subindo, ou seja, o ritmo de descrições ainda está aumentando.”

O passo final da conta foi estimar os custos a partir do que um taxonomista brasileiro típico gasta ao longo da carreira. Em média, esses biólogos descrevem 25 espécies durante sua vida científica, com orçamento per capita de R$ 165 mil por ano. A média nacional é representativa porque o Brasil é um dos países mais ativos na pesquisa taxonômica atual.

É nesse ponto da conversa que, para os pesquisadores, fica claro que o problema não é nem de longe só a falta de dinheiro. Com o número atual de taxonomistas, a tarefa de descrever todas as espécies de animais só seria concluída em 360 anos.

Aprendiz de feiticeiro – “A questão é que leva muito tempo para formar um bom taxonomista. É como aprendiz de bruxo: o mestre só consegue acompanhar um bruxinho por vez. Eu tenho 41 anos e ainda não me considero um taxonomista maduro”, diz Marques.

O que ele responderia se um financiador aparecesse com o valor completo da noite para o dia? “Obrigado, não quero esse dinheiro”, diz Marques. “A falta de gente preparada [para descrever as espécies que faltam] é o maior impedimento.” O biólogo reconhece que é difícil demonstrar a necessidade de descrever todas as espécies da Terra. “Mas, sem essa visão de conjunto, é como se a gente fizesse a leitura de um livro com um monte de páginas arrancadas.”

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Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com


17 de fevereiro de 2011 | nenhum comentário »

UFSCar vai transformar alga em biodiesel

Quem já passou pelos imensos canaviais do interior paulista conhece o cheiro desagradável da vinhaça, líquido que sobra após a produção de álcool. Cientistas e empresários apostam que o dejeto pode virar a base de um novo tipo de biodiesel.

A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e a empresa Algae Biotecnologia assinaram na terça-feira (15) um contrato de cooperação tecnológica para colocar a ideia em prática.

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O plano é usar a vinhaça como “ração” para algas microscópicas, cujas células, ricas em moléculas de gordura, virariam biocombustível.

Nos próximos 30 meses, a parceria vai receber R$ 3,24 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), enquanto a Algae investirá mais R$ 320 mil.

Novas tecnologias criadas pelo projeto serão patenteadas, e possíveis lucros oriundos delas serão divididos meio a meio entre a universidade e a empresa, disse à Folha Sergio Goldemberg, gerente técnico da Algae.

“Vamos tomar cuidado para que os resultados das pesquisas não sejam publicados antes de garantirmos a propriedade intelectual sobre eles”, afirma.

Se tudo der certo, o projeto pode ajudar a resolver uma série de problemas ambientais e tecnológicos com uma cajadada só.

A vinhaça, que é basicamente a “água suja” que sobra depois da fermentação e da destilação do caldo de cana, é muito rica em sais e em compostos orgânicos difíceis de degradar.

Por isso mesmo, é poluente e demanda tratamento antes de ser lançada na natureza. “As algas removeriam parte desses poluentes e virariam matéria-prima”, explica Reinaldo Gaspar Bastos, engenheiro de alimentos do campus da UFSCar em Araras (SP) e líder da pesquisa.

Fonte: Reinaldo José Lopes/ Folha.com


14 de abril de 2010 | nenhum comentário »

CNPq passa a autorizar coleta de fauna e flora e substitui ministério ambiental

Os pesquisadores já podem solicitar autorização de acesso ao patrimônio genético brasileiro, ou seja amostras de espécies animais e vegetais do país, anunciou o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – nesta quinta-feira (8).

Após a fase de testes, a instituição colocou no ar o formulário online próprio para as solicitações. A ação integra o Sistema de Autorização de Acesso ao Patrimônio Genético, desenvolvido especificamente para esta finalidade.

As autorizações antes eram de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente. Cientistas costumavam reclamar que eram tratados como biopiratas.

O acesso à biodiversidade brasileira e aos seus recursos genéticos é um problema histórico para os cientistas, o que atrapalha muito as pesquisas, segundo eles. Licenças chegavam a demorar 2 anos para sua emissão.

Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, o novo sistema facilitaria o acesso.

Projeto – A autorização do CNPq será concedida às instituições que realizam pesquisas nas áreas biológicas e afins, mediante a apresentação de projeto de pesquisa que descreva as atividades de acesso e de remessa das amostras de componentes do patrimônio genético brasileiro.

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O projeto deverá ser coordenado por pesquisador com experiência no assunto.

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As orientações para solicitar a autorização e preenchimento do formulário online estão em página específica do site do CNPq.

Para gerenciar a nova atribuição, o CNPq criou a Coordenação do Sistema de Autorização de Acesso ao Patrimônio Genético, vinculada à Diretoria de Programas Temáticos e Setoriais.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail apg@cnpq.br ou telefone 0/xx/61/2108-4024. (Fonte: Folha Online)


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