22 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Rio+20: Cientista alerta sobre desaparecimento dos mangues do Brasil

Essenciais para a produção de frutos do mar, água doce e aves, os mangues – áreas de florestas inundadas pelas marés – estão desaparecendo no Brasil em decorrência do desmatamento das florestas e poluição dos mares. O alerta é de Flavia Mochel, professora da Universidade Federal do Maranhão, durante a palestra sobre o tema “O Mangue está na lama”, em uma alusão à grave situação em que se encontram os mangues. Promovido pela SBPC, o evento foi realizado quarta-feira  (20), no Armazém 4, do Pier Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, durante a Rio+20.

Segundo estima a pesquisadora, cerca de 50%, em média, dos mangues brasileiros estão comprometidos na maioria das capitais do País.

 

Também presidente da Comissão Técnica sobre Manguezais e representante da SBPC, Flavia alerta sobre a importância de conservar os manguezais que são fontes de emprego e renda gerados pela produção de várias espécies de peixes e frutos marinhos, como caranguejos, moluscos, siri, marisco, ostra e camarão, dentre outros. Produzem também alimentos para aves, como o guará, cujos ninhos são feitos no alto das árvores à beira dos manguais e lamaçais litorâneos. Segundo ela, a destruição do mangue interfere em toda cadeia econômica gerada pelos manguezais.

 

“Os mangues produzem muitos frutos, não necessariamente frutos do mar. Quando os mangues são destruídos se destrói também a produção de frutos do mar. Isso afeta a economia, provocando desemprego em várias classes de trabalhadores deste País.”, disse ela, para uma plateia composta de estudantes, cientistas e pesquisadores.

 

Nascida no Rio de Janeiro, a pesquisadora declarou que o guará foi extinto na cidade na década de 1960 e o caranguejo corre o mesmo risco de extinção diante da poluição marítima, desmatamento, erosão e habitação em áreas irregulares. Essa tendência é seguida pelos litorais de São Paulo (Santos) e Salvador. No Maranhão, onde concentra a maioria dos mangues do Brasil, há uma redução significativa dessas áreas úmidas, segundo alertou. Conforme ela, os mangues são os ecossistemas mais vulneráveis às alterações climáticas.

 

Código Florestal - De acordo com Flavia, tal situação pode ser agravada pela nova Legislação Ambiental do Brasil que estabelece percentuais de desmatamento de áreas florestais preservadas, abrindo margem para o desmatamento legalmente de mangues. Reforçando a opinião de outros cientistas, ela destaca que os mangues são Áreas de Preservação Permanente (APPs).

 

Ela considera um absurdo o texto do Código Florestal, em andamento, permitir, nas áreas dos manguezais, a construção de tanques para o cultivo predatório de espécies exóticas de camarão para atender ao mercado, permitindo a destruição dos outros frutos marinhos. “Essa não é uma produção de alimentos sustentáveis”, disse.

 

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência

 


21 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cai o uso de energia renovável no Brasil, diz IBGE

Estudo também mostra queda no desmatamento e na poluição urbana

Segundo um novo estudo do IBGE, o Brasil está usando menos energia renovável. O trabalho mostra que, em 2010, 45,5% da energia utilizada no Brasil vinha de fontes renováveis, como hidrelétricas e derivados da cana-de-açúcar. A porcentagem é menor do que nos dois anos anteriores: em 2009, 47,2% da energia usada no país vinha dessas fontes e, em 2008, o índice foi 45,9%. Esse tipo de fonte pode fornecer energia continuamente, se usado de modo sustentável.

A estatística faz parte do estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, lançado pelo IBGE nesta segunda-feira. A queda no uso dessas fontes de energia vai contra uma tendência de crescimento que vinha desde 2001, quando o índice era menor do que 40%. Entre os responsáveis por essa mudança, está uma menor participação dos derivados de cana-de-açúcar, que caíram de 18,2% para 17,8%, e da energia hidráulica, que foi de 15,2% para 14%. Ao mesmo tempo, subiu o uso do gás natural e do carvão mineral no país.

Camada de ozônio — Apesar disso, o estudo traz alguns dados mais animadores. Ele mostra que, por exemplo, o país conseguiu reduzir o consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio. O Brasil superou, inclusive, as metas estabelecidas no Protocolo de Montreal, que foi firmado por mais de 150 países em 1987. Segundo o IBGE, o consumo desses compostos caiu de 11.099 t PDO (toneladas de Potencial de Destruição da Camada de Ozônio), em 2000, para 1.208 t PDO em 2010. Essa tendência é clara desde o final dos anos 90.

Além disso, o estudo mostra que caiu quase pela metade o número de focos de queimadas e incêndios nas florestas brasileiras entre 2010 e 2011. O número caiu de 133.133 para 61.687. A área desflorestada da Amazônia se aproxima de 20% da área da florestal original.

Poluição — O estudo também avaliou a qualidade do ar nas cidades brasileiras e mostrou que houve uma melhora, apesar de ainda estar abaixo do ideal. Segundo a pesquisa, caiu o nível de partículas totais em suspensão e de partículas inaláveis na maioria das cidades. Parte desse resultado pode ser explicado pelo controle maior na emissão dos veículos. Esse valor, no entanto, ainda é mais alto do que o recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória, além do Distrito Federal.

Se as cidades viram uma pequena melhora, o mesmo não se pode dizer dos rios. Eles não chegaram a ficar mais poluídos, mas continuaram igualmente sujos. Segundo o estudo, as fontes de água doce do país ainda têm muitas substâncias orgânicas e baixo índice de qualidade. Os casos mais graves são os do Tietê, em São Paulo, e do Iguaçu, em Curitiba. O estudo aponta a falta de tratamento dos esgotos como responsável pela poluição dos rios.

Moradia — Por fim, a pesquisa também mostrou que o número de domicílios considerados adequados tem crescido no país. Para chegar a esse valor, os pesquisadores consideraram a densidade de moradores na casa, a coleta de lixo, o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. De 1992 a 2009, o índice de casas adequadas foi de 36,8% para 56,8%. No Distrito Federal este valor alcançou 80,6% e em São Paulo 76,8%. Em Rondônia e Alagoas, no entanto, os percentuais foram de 11,9% e 21,1%, respectivamente.

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Usina Hidrelétrica de Itaipu. A porcentagem de energia hidráulica usada no país caiu no último ano. Imagem: Veja Ciência

A coleta de lixo está presente em 87,9% das casas, enquanto o abastecimento de água atinge 84,4%. A quantidade do esgotamento sanitário é mais preocupante. Em 2008 o índice de domicílios com esgoto era 73,2%, mas caiu para 72,3% em 2009.

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Código Florestal: Os joelhos de Isabel, artigo de Sergius Gandolfi

Sergius Gandolfi é professor doutor do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal, do Departamento de Ciências Biológicas, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

A recente aprovação pelo Congresso Nacional de um “Novo Código Florestal” significa na prática a destruição premeditada do único patrimônio permanente do Brasil, ou seja, o próprio Brasil. Eu, você, o jovem, o velho, todos passaremos no tempo devido, só o País permanecerá. Mas, qual país permanecerá?

 

A terra que ontem foi, e hoje é deliberadamente lançada dentro dos rios pelo uso de técnicas agronômicas inadequadas, pelo desprezo para com a legislação que visa preservar o bem estar coletivo, de lá não sairá jamais!  Pelo uso descuidado do solo, que gera erosão, e pela destruição das matas ciliares, muitos produtores rurais promovem soterramento de nascentes e rios que nascem ou cruzam suas propriedades, causando também a contaminação das águas com adubos e venenos.

 

De lá, esses danos ambientais se propagam para outros rios causando a poluição das águas, inundações em cidades e rodovias, o soterramento de represas de abastecimento público, de hidrelétricas, de portos, e muito mais.  Mas, a nova lei premia e mantém tais práticas. De forma igual essa nova lei induzirá à destruição de mais florestas e de sua biodiversidade, que serão convertidas em áreas de pecuária ou agricultura, em geral, insustentáveis, e que em poucos anos se transformarão em terras abandonadas, como já aconteceu com milhões hectares por todo o Brasil.

 

Tal como redigida a “nova lei” não recuperará os passivos existentes, ao contrário, premiará a degradação e o degradador, induzindo os que até aqui praticaram essa destruição a seguirem promovendo a destruição a que estão acostumados.

 

Muito se tem dito e escrito sobre o compromisso visceral da atual presidente da República para com o seu país, todavia, até aqui ela não se havia confrontado, como agora, com um tema em que claramente terá de escolher entre o interesse público da população ou o atendimento aos interesses privados de uma pequena parcela da sociedade, econômica e politicamente muito poderosa (os grandes produtores rurais).

 

Vivemos um momento fundamental, de importância similar a outro momento crucial na história do Brasil, o da libertação dos escravos. Naquele momento, os interesses privados, retinham nas senzalas milhares de brasileiros, não só curvados pela força dos ferros, mas principalmente pela força das leis que os tornavam meras propriedades, posses legais registradas em cartório. Outra mulher, no entanto, contrariando os poderosos interesses privados de então, restituiu a liberdade a milhares de brasileiros e com seu gesto deu dignidade a um país que se acostumara por quase 400 anos à escravidão, tortura e morte “legal” de negros e índios. Mudou então para sempre o País, mudaram conceitos e práticas seculares, mudou a economia, mudaram os costumes, a cultura, a educação, a política, num movimento que se propaga até hoje.

 

Contra tantos direitos e poderes constituídos, num gesto solitário a princesa criou um novo Brasil! A hora da verdade chega agora para a presidente Dilma, e o veto integral do “Novo Código Florestal” é o gesto que se impõe para modernizar o País. Veto que sinalize claramente o abandono definitivo da convivência com práticas que embora tradicionais, são destruidoras do patrimônio coletivo do País.

 

O Código Florestal atualmente em vigor (de 1965), se regulamentado adequadamente e amparado por políticas federais ambientais claras, é suficiente para imediatamente desencadear a adequação ambiental de todas as propriedades rurais do País. Uma adequação que dê um tratamento diferenciado à regularização ambiental dos agricultores familiares e que cobre de todos os demais proprietários rurais, sobretudo dos grandes produtores, a progressiva, porém efetiva regularização dos seus passivos. Um processo que, aliás, a mais de uma década, já está em curso em muitas regiões do País.  Fundamental lembrar que é chegada a hora da verdade, a hora de escolher entre o Brasil velho e um Brasil novo, entre um futuro que clamava e um passado de horrores que esforçava em se perpetuar, Isabel não curvou seus joelhos!

 

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem a opinião do jornal.

 

Fonte: Jornal da Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vazamentos pequenos têm grandes consequências, diz oceanógrafa

Para a oceanógrafa Sylvia Earle é preciso pensar no custo real dos vazamentos de petróleo, como os que ocorreram da bacia de Campos, no litoral fluminense. “Eu fico alarmada com o que está acontecendo, certamente não era do interesse da Chevron que ocorresse o vazamento. Mesmo com todas as preocupações, vemos que é preciso fazer ainda melhor do que isto que está aí”, disse a pesquisadora no Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.

A ex-cientista chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) afirmou que mesmo um vazamento pequeno tem impacto para as espécies marinhas. “Ninguém pode entrevistar as criaturas marinhas para saber o que realmente acontece. Os peixes não podem falar que não estão de acordo com aquilo e então isso parece que não importa para as pessoas”, disse.

Outro problema dos vazamentos é a liberação de gases causadores do efeito estufa. “Quando o petróleo chega à superfície do mar, o acidente então se transforma em um vazamento de petróleo pelo céu. Embora ninguém pense nisso quando os acidentes acontecem, é exatamente isto que ocorre”, disse.

Para Sylvia, o risco mais claro em explorar o petróleo é o fato continuar o foco dos investimentos nos combustíveis fósseis mesmo tendo que superar os altos custos e as dificuldades de operar no pré-sal . “Existe um custo real para a natureza e para as pessoas que não está incluído nesta conta. Atualmente, estamos num período de transição e precisamos considerar não lançar no ar mais carbono e metano”, disse.

A oceanógrafa de 77 anos, chamada pelo jornal americano de “The deepness”, por causa do profundo conhecimento adquirido em mais de 60 expedições pelo mundo, tem o antagonismo de quem faz afirmações duras com a voz doce, conseguindo assim, inspirar as pessoas. Durante sua palestra em Manaus, ela falou ao público que viver nestes últimos anos era o que havia de mais fantástico, pois, “este é o momento para fazer o que achamos que deve ser feito. Temos o conhecimento. Parece que nunca tivemos antes esta oportunidade de moldar um futuro melhor”, disse.

Durante entrevista para jornalistas, ela perguntou se poderia ser um pouco dramática e disse: “Apenas 1% do oceano tem alguma forma de proteção formal. O que você pensaria se o mesmo acontecesse com o seu coração azul do planeta? O que você pensaria se apenas 1% do seu coração fosse protegido. Quanto você acha que seria necessário proteger do seu coração para poder sobreviver?”.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa descobre alterações no genoma do boto-vermelho, no AM

Ainda não é possível afirmar se alterações são causadas por poluição.
Estudos indicaram a presença de mercúrio e pesticida DDT.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) conseguiram identificar modificações no genoma do boto-vermelho (Inia geoffrensis), também conhecido como boto-cor-de-rosa. A pesquisa foi realizada pelos laboratórios de Genética Animal (LGA) e de Mamíferos Aquáticos, ambos do Inpa. Os pesquisadores ainda não sabem se as alterações são causadas por poluição ambiental.

Os resultados da pesquisa fazem parte da dissertação de mestrado “Citogenética clássica e molecular do boto-vermelho Inia geoffrensis”, elaborada por Heide Luz Bonifácio, sob a orientação da pesquisadora Eliana Feldberg. O trabalho foi concluído em 2011 e contou também com o apoio da Petrobras Ambiental, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (Capes) e a Associação Amigos do peixe-boi (Ampa).

Foram coletadas amostras de 27 animais, sendo 14 fêmeas e 13 machos distribuídos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá (RDSM), próximo ao município de Tefé, a 523 Km a Oeste de Manaus, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, a 852 Km da capital, Aruanã (GO), Rio Branco (AC) e nas proximidades de Manaus.

Segundo a pesquisadora Eliana Feldberg, o boto-vermelho é uma espécie do topo da cadeia alimentar e, por isso, pode acumular componentes tóxicos em seu organismo. Ela disse que estudos já indicaram a presença de mercúrio e do pesticida Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) em amostras de sangue e de tecido desta espécie.

De acordo com Heide Bonifácio, entre as duas espécies de golfinhos de rio da Amazônia, o boto-vermelho é a mais próxima aos ancestrais dos cetáceos, que constituem uma ordem de animais marinhos, porém pertencentes à classe dos mamíferos. “Isto significa que entender como o genoma está organizado possibilita compreender a evolução do animal, uma vez que as informações genéticas são compartilhadas com os ancestrais deles. Baseado em análises moleculares e morfológicas, o boto-vermelho é considerado uma espécie rara”, explicou Bonifácio.

Caça predatória

piracantinga (Foto: Divulgação/Ampa)

Carne de boto é usada na pesca de piracatinga (Foto: Divulgação/Ampa)

Um estudo divulgado em 2011, revelou que em dez anos a população de botos da Amazônia reduziu pela metade. Na região da cidade de Tefé, a 520 Km de Manaus, apontou que morre por ano uma quantidade de animais sete vezes maior que o limite permitido.

Outro dado apontou que o uso da carne de cada boto-vermelho para pesca pode render ao menos uma tonelada de piracatinga. Na região de Tefé, estima-se a pesca de 400 toneladas do pescado ao ano, sendo que grande parte da carga é enviada para a Colômbia.

 

 

Boto-cor-de-rosa (Foto: Divulgação/Ampa)

População do boto-cor-de-rosa está diminuindo (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: G1, AM


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de golfinho corre risco de ser extinta

Últimos 100 mamíferos de Maui pode deixar de existir na Nova Zelândia.
‘Cephalorhynchus hectori maui’ está incluído na lista vermelha da ONU.

Os últimos 100 golfinhos de Maui, os menores desta espécie marinha, correm risco de extinção pela atividade pesqueira na Ilha do Norte da Nova Zelândia, seu único habitat na Terra.

Cephalorhynchus hectori maui está incluído na lista vermelha da ONU das espécies em sério risco de extinção, e calcula-se que podem desaparecer em poucas décadas caso não sejam adotadas medidas urgentes.

“Não podemos cometer mais nenhum erro. Devemos acabar com todas as ameaças ao seu habitat para que a população se estabilize e se recupere”, declarou à Agência Efe a diretora do programa Marinho do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Rebecca Bird.

O habitat desta subespécie fica próximo ao litoral oriental da Ilha do Norte neozelandesa, onde podem ser visto exemplares na desembocadura dos rios e em baías com uma profundidade de 20 metros e a uma distância de dez quilômetros do litoral.

Embora seu predador natural seja o tubarão, o maior inimigo do golfinho de Maui é o homem, que quase acabou com sua população pela pesca, a mineração, o desenvolvimento litorâneo, a poluição e a mudança climática, entre outros fatores.

Produtos químicos como o DDT e metais pesados jogados ao mar são potencialmente perigosos para a reprodução, e as substâncias que são derramadas pelos navios petroleiros causam câncer nestes mamíferos marinhos, afirmou Rebecca.

Mas a maior causa de morte são as redes de pesca onde eles ficam presos sem poder emergir à superfície para respirar.

Os filhotes, que têm o tamanho de um gato, morrem pelos ferimentos causados pelas hélices dos navios.

Por todos esses motivos, os ecologistas querem que as redes de pesca sejam retiradas do habitat do golfinho de Maui, porém Rebecca ressaltou que sua organização não exige que os pescadores parem de trabalhar, apenas que mudem seus métodos.

O golfinho de Maui, chamado pelos maoris de “Tutumairekurai” (“morador do mar”), é considerado raro pelos especialistas por causa de seu pouco número de indivíduos e por ser o menor dentro da família dos golfinhos marinhos.

Estes cetáceos medem até 1,4 metro de comprimento, têm uma nadadeira arredondada, seu focinho é curto e apresentam marcas parecidas com as do urso panda, como “uma máscara negra”, descreveu Rebecca. Eles vivem em comunidades, e os adultos passam a maior parte do tempo comendo peixes e lulas, que localizam emitindo sons de alta frequência que ecoam nos objetos e animais ao seu redor.

Os mais jovens brincam com as algas, fazem bolhas no mar, piruetas ou simplesmente perseguem-se ou brigam com outros companheiros, criando um espetáculo para os turistas da região.

Sua expectativa de vida é de 20 anos, e eles atingem a maturidade sexual a partir dos sete. Os nascimentos acontecem de dois a quatro anos, o que dificulta o repovoamento da espécie para evitar a extinção.

O golfinho de Maui é uma subespécie do golfinho de Hector, que vive próximo a Ilha do Sul neozelandesa, e acredita-se que esteve isolado por milhares de anos até se diferenciar na atualidade por seus traços físicos e genéticos.

O nome deste animal vem de uma lenda sobre o deus maori Maui, que pescou um peixe muito forte na Ilha do Sul e fez dele sua canoa. Ao morrer, o peixe se transformou em terra e renasceu sob a forma da Ilha do Norte da Nova Zelândia, onde o extremo sul representa a cabeça, e a cidade de Wellington, a capital neozelandesa, a boca.

Rebecca comentou que os maoris acreditam que ao morrer os espíritos humanos se transformam em “Tutumairekurai”.

Fonte: Da EFE


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Quase 25% do solo do planeta já sofreu alguma deterioração

O problema ambiental não está apenas na água ou no ar. De acordo com um relatório da Nações Unidas, 24% do solo do planeta já sofreu algum tipo de deterioração.

A informação é do relatório anual do Unep (Programa de Ambiente das Nações Unidas), divulgado no último dia 12.

O texto mostra que práticas recentes (nos últimos 25 anos) especialmente na atividade agrícola têm estragado e poluído o solo em diversas partes do planeta.

De acordo com o documento, a erosão provocada pela agricultura é até cem vezes mais intensa do que o processo erosivo “natural” do solo.

O problema disso é que o solo com erosão perde uma quantidade significativa de carbono para atmosfera -componente importante para o crescimento vegetal.

O Unep manifestou ainda uma preocupação com as usinas nucleares que estão sendo desativadas desde o acidente em uma usina nuclear de Fukushima, no Japão.

Em março de 2011, a usina foi atingida por um terremoto seguido de um tsunami e houve vazamento nuclear. Desde então, vários países declararam que fechariam suas usinas nucleares.

De acordo com o documento das Nações Unidas, 138 reatores foram fechados apenas neste ano, em 19 países.

Os desmantelamento dos reatores -que tem alto risco de contaminação do solo e custa cerca de 10% a 15% da implantação da usina- só foi concluída em 17 deles.

Fonte: Sabine Righetti, São Paulo, Folha.com


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Algas formam mancha marrom na Baía de Guanabara, no Rio

Uma grande mancha marrom apareceu nesta sexta-feira (13) na Baía de Guanabara, altura da Marina da Glória, na zona sul do Rio. Segundo o 1º GMar (Grupamento Marítimo) de Botafogo, a concentração de algas provocou a coloração escura na água.

Coordenador do projeto Olho Verde para o gerenciamento da zona costeira, o biólogo Mário Moscatelli afirma que é comum a aparição de algas na região nessa época do ano. Ele explica que, por causa do calor e da presença de nutrientes de esgoto, essas plantas se multiplicam com facilidade.

“Só através da análise podemos identificar a espécie dessas algas e saber se elas são tóxicas ou não”, disse o especialista.

A Folha tentou contato com a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), mas nenhum representante foi localizado.

Fonte: Diana Brito/ Folha.com


30 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa usa peixe-elétrico para indicar poluição da água na Amazônia

Alteração na qualidade da água interfere na descarga elétrica de espécies.
Estudo realizado em Roraima é coordenado pelo ICMBio e pelo Inpa.

Projeto desenvolvido por pesquisadores brasileiros conta com a ajuda de peixes-elétricos (Gymnotiformes) para identificar possíveis alterações na qualidade da água dos rios amazônicos, tornando estas espécies em mais uma ferramenta de prevenção a alterações ambientais no bioma.

O motivo é que possíveis mudanças nos locais classificados como habitat destas espécies afetariam as descargas elétricas emitidas por eles.

O estudo, desenvolvido por especialistas do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é realizado em duas unidades de conservação federais de Roraima, localizadas na bacia do Rio Branco.

De acordo com Romério Briglia Ferreira, analista ambiental e autor do projeto, em conjunto com o pesquisador José Alves Gomes, do Inpa, é a primeira vez que especialistas em ambiente aquático estiveram na região, compreendida pelo Parque Nacional Serra da Mocidade e pela Estação Ecológica de Niquiá. Eles aproveitaram ainda para coletar informações sobre os tipos de peixes existentes nos rios da região.

“Em Roraima existem dois processos importantes que impactam a qualidade da água. Um deles é o cultivo de arroz e o outro é o cultivo de peixes, como o tambaqui, em cativeiro. Isso acarretaria em modificações nas águas e resultam em assoreamento dos rios (elevação dos níveis de terra no fundo das bacias hidrográficas devido à erosão)”, diz.

“Os peixes-elétricos utilizam as correntes elétricas (de cerca de 1 volt) para localização, comunicação e também para reprodução. Se a qualidade da água sofrer alteração, o comportamento deles também se altera”, complementa.

Na imagem, três diferentes espécies existentes na bacia do Rio Branco, em Roraima. (Foto: Divulgação)

Na imagem, três diferentes espécies de peixe-elétrico que vivem na bacia do Rio Branco, em Roraima. (Foto: Divulgação)

Vista do Parque Nacional Serra da Mocidade, uma das unidades de conservação estudadas em Roraima (Foto: Divulgação)

Vista do Parque Nacional Serra da Mocidade, uma das unidades de conservação que é foco da pesquisa em Roraima (Foto: Divulgação)

Levantamento
De acordo com o pesquisador, com a ajuda de um equipamento foram gravadas 191 descargas elétrica de aproximadamente dez diferentes espécies de peixes da ordem Gymnotiformes.

As correntes serão testadas e comparadas com as de outros peixes que vivem na região do Rio Negro, foco de pesquisa do Inpa.

A partir dos resultados, serão realizadas outras duas excursões de pesquisadores às unidades de conservação de Roraima e, possivelmente, a criação de um grupo que vai debater a forma de manejo para essas áreas.

Possível descoberta
Durante a primeira busca por indicadores dos peixes-elétricos, verificou-se a existência de espécies endêmicas (que só existem naquele local) e novas análises podem indicar a possível descoberta de duas novas espécies.

O processo de identificação deve levar até três anos. “Podem ser duas novas espécies, mas é apenas uma possibilidade. Estamos estudando ainda”, afirma o analista do ICMBio.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


22 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Biólogos estudam misteriosas mortes de animais marinhos em SC

Pesquisadores do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estudam o aparecimento de animais marinhos mortos na costa do litoral catarinense. Nos últimos 30 dias foram registrados o surgimento de 21 tartarugas verdes (Chelonia mydas), dois golfinhos cinza (Sotalia guianensis) e de oito botos (Tursiops truncatus) conhecidos como “boto flíper” ou “boto da tainha”.

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado. Segundo Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali, a situação é alarmante: “Algo está acontecendo. Estamos monitorando a orla e iremos averiguar a razão da alta concentração de mortes, mas podemos adiantar que tratam-se de mostras do quanto a ação do homem vem afetando nossos mares, seja por meio da pesca desenfreada ou da poluição”, aponta.

As tartarugas eram todas jovens, sendo que seis apresentavam marcas claras de interação com a pesca. Uma delas apresentava diversos tumores cutâneos denominados fibropapilomas. Todo o material foi recolhido por biólogos do Museu Oceanográfico da Univali para análise de contaminantes sólidos (ingestão de plástico). Uma expedição organizada por pesquisadores, juntamente com órgãos ambientais irá percorrer 350 km da costa catarinense à procura de novos registros e um laudo com a causa das mortes deverá ser divulgado em breve.

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado. Foto: Univali/Divulgação

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado Foto: Univali/Divulgação

Fonte: Portal Terra


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22 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Rio+20: Cientista alerta sobre desaparecimento dos mangues do Brasil

Essenciais para a produção de frutos do mar, água doce e aves, os mangues – áreas de florestas inundadas pelas marés – estão desaparecendo no Brasil em decorrência do desmatamento das florestas e poluição dos mares. O alerta é de Flavia Mochel, professora da Universidade Federal do Maranhão, durante a palestra sobre o tema “O Mangue está na lama”, em uma alusão à grave situação em que se encontram os mangues. Promovido pela SBPC, o evento foi realizado quarta-feira  (20), no Armazém 4, do Pier Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, durante a Rio+20.

Segundo estima a pesquisadora, cerca de 50%, em média, dos mangues brasileiros estão comprometidos na maioria das capitais do País.

 

Também presidente da Comissão Técnica sobre Manguezais e representante da SBPC, Flavia alerta sobre a importância de conservar os manguezais que são fontes de emprego e renda gerados pela produção de várias espécies de peixes e frutos marinhos, como caranguejos, moluscos, siri, marisco, ostra e camarão, dentre outros. Produzem também alimentos para aves, como o guará, cujos ninhos são feitos no alto das árvores à beira dos manguais e lamaçais litorâneos. Segundo ela, a destruição do mangue interfere em toda cadeia econômica gerada pelos manguezais.

 

“Os mangues produzem muitos frutos, não necessariamente frutos do mar. Quando os mangues são destruídos se destrói também a produção de frutos do mar. Isso afeta a economia, provocando desemprego em várias classes de trabalhadores deste País.”, disse ela, para uma plateia composta de estudantes, cientistas e pesquisadores.

 

Nascida no Rio de Janeiro, a pesquisadora declarou que o guará foi extinto na cidade na década de 1960 e o caranguejo corre o mesmo risco de extinção diante da poluição marítima, desmatamento, erosão e habitação em áreas irregulares. Essa tendência é seguida pelos litorais de São Paulo (Santos) e Salvador. No Maranhão, onde concentra a maioria dos mangues do Brasil, há uma redução significativa dessas áreas úmidas, segundo alertou. Conforme ela, os mangues são os ecossistemas mais vulneráveis às alterações climáticas.

 

Código Florestal - De acordo com Flavia, tal situação pode ser agravada pela nova Legislação Ambiental do Brasil que estabelece percentuais de desmatamento de áreas florestais preservadas, abrindo margem para o desmatamento legalmente de mangues. Reforçando a opinião de outros cientistas, ela destaca que os mangues são Áreas de Preservação Permanente (APPs).

 

Ela considera um absurdo o texto do Código Florestal, em andamento, permitir, nas áreas dos manguezais, a construção de tanques para o cultivo predatório de espécies exóticas de camarão para atender ao mercado, permitindo a destruição dos outros frutos marinhos. “Essa não é uma produção de alimentos sustentáveis”, disse.

 

Fonte: Viviane Monteiro – Jornal da Ciência

 


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Cai o uso de energia renovável no Brasil, diz IBGE

Estudo também mostra queda no desmatamento e na poluição urbana

Segundo um novo estudo do IBGE, o Brasil está usando menos energia renovável. O trabalho mostra que, em 2010, 45,5% da energia utilizada no Brasil vinha de fontes renováveis, como hidrelétricas e derivados da cana-de-açúcar. A porcentagem é menor do que nos dois anos anteriores: em 2009, 47,2% da energia usada no país vinha dessas fontes e, em 2008, o índice foi 45,9%. Esse tipo de fonte pode fornecer energia continuamente, se usado de modo sustentável.

A estatística faz parte do estudo Indicadores de Desenvolvimento Sustentável, lançado pelo IBGE nesta segunda-feira. A queda no uso dessas fontes de energia vai contra uma tendência de crescimento que vinha desde 2001, quando o índice era menor do que 40%. Entre os responsáveis por essa mudança, está uma menor participação dos derivados de cana-de-açúcar, que caíram de 18,2% para 17,8%, e da energia hidráulica, que foi de 15,2% para 14%. Ao mesmo tempo, subiu o uso do gás natural e do carvão mineral no país.

Camada de ozônio — Apesar disso, o estudo traz alguns dados mais animadores. Ele mostra que, por exemplo, o país conseguiu reduzir o consumo de substâncias destruidoras da camada de ozônio. O Brasil superou, inclusive, as metas estabelecidas no Protocolo de Montreal, que foi firmado por mais de 150 países em 1987. Segundo o IBGE, o consumo desses compostos caiu de 11.099 t PDO (toneladas de Potencial de Destruição da Camada de Ozônio), em 2000, para 1.208 t PDO em 2010. Essa tendência é clara desde o final dos anos 90.

Além disso, o estudo mostra que caiu quase pela metade o número de focos de queimadas e incêndios nas florestas brasileiras entre 2010 e 2011. O número caiu de 133.133 para 61.687. A área desflorestada da Amazônia se aproxima de 20% da área da florestal original.

Poluição — O estudo também avaliou a qualidade do ar nas cidades brasileiras e mostrou que houve uma melhora, apesar de ainda estar abaixo do ideal. Segundo a pesquisa, caiu o nível de partículas totais em suspensão e de partículas inaláveis na maioria das cidades. Parte desse resultado pode ser explicado pelo controle maior na emissão dos veículos. Esse valor, no entanto, ainda é mais alto do que o recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória, além do Distrito Federal.

Se as cidades viram uma pequena melhora, o mesmo não se pode dizer dos rios. Eles não chegaram a ficar mais poluídos, mas continuaram igualmente sujos. Segundo o estudo, as fontes de água doce do país ainda têm muitas substâncias orgânicas e baixo índice de qualidade. Os casos mais graves são os do Tietê, em São Paulo, e do Iguaçu, em Curitiba. O estudo aponta a falta de tratamento dos esgotos como responsável pela poluição dos rios.

Moradia — Por fim, a pesquisa também mostrou que o número de domicílios considerados adequados tem crescido no país. Para chegar a esse valor, os pesquisadores consideraram a densidade de moradores na casa, a coleta de lixo, o abastecimento de água e o esgotamento sanitário. De 1992 a 2009, o índice de casas adequadas foi de 36,8% para 56,8%. No Distrito Federal este valor alcançou 80,6% e em São Paulo 76,8%. Em Rondônia e Alagoas, no entanto, os percentuais foram de 11,9% e 21,1%, respectivamente.

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Usina Hidrelétrica de Itaipu. A porcentagem de energia hidráulica usada no país caiu no último ano. Imagem: Veja Ciência

A coleta de lixo está presente em 87,9% das casas, enquanto o abastecimento de água atinge 84,4%. A quantidade do esgotamento sanitário é mais preocupante. Em 2008 o índice de domicílios com esgoto era 73,2%, mas caiu para 72,3% em 2009.

Fonte: Veja Ciência


4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Código Florestal: Os joelhos de Isabel, artigo de Sergius Gandolfi

Sergius Gandolfi é professor doutor do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal, do Departamento de Ciências Biológicas, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” Universidade de São Paulo (Esalq/USP).

A recente aprovação pelo Congresso Nacional de um “Novo Código Florestal” significa na prática a destruição premeditada do único patrimônio permanente do Brasil, ou seja, o próprio Brasil. Eu, você, o jovem, o velho, todos passaremos no tempo devido, só o País permanecerá. Mas, qual país permanecerá?

 

A terra que ontem foi, e hoje é deliberadamente lançada dentro dos rios pelo uso de técnicas agronômicas inadequadas, pelo desprezo para com a legislação que visa preservar o bem estar coletivo, de lá não sairá jamais!  Pelo uso descuidado do solo, que gera erosão, e pela destruição das matas ciliares, muitos produtores rurais promovem soterramento de nascentes e rios que nascem ou cruzam suas propriedades, causando também a contaminação das águas com adubos e venenos.

 

De lá, esses danos ambientais se propagam para outros rios causando a poluição das águas, inundações em cidades e rodovias, o soterramento de represas de abastecimento público, de hidrelétricas, de portos, e muito mais.  Mas, a nova lei premia e mantém tais práticas. De forma igual essa nova lei induzirá à destruição de mais florestas e de sua biodiversidade, que serão convertidas em áreas de pecuária ou agricultura, em geral, insustentáveis, e que em poucos anos se transformarão em terras abandonadas, como já aconteceu com milhões hectares por todo o Brasil.

 

Tal como redigida a “nova lei” não recuperará os passivos existentes, ao contrário, premiará a degradação e o degradador, induzindo os que até aqui praticaram essa destruição a seguirem promovendo a destruição a que estão acostumados.

 

Muito se tem dito e escrito sobre o compromisso visceral da atual presidente da República para com o seu país, todavia, até aqui ela não se havia confrontado, como agora, com um tema em que claramente terá de escolher entre o interesse público da população ou o atendimento aos interesses privados de uma pequena parcela da sociedade, econômica e politicamente muito poderosa (os grandes produtores rurais).

 

Vivemos um momento fundamental, de importância similar a outro momento crucial na história do Brasil, o da libertação dos escravos. Naquele momento, os interesses privados, retinham nas senzalas milhares de brasileiros, não só curvados pela força dos ferros, mas principalmente pela força das leis que os tornavam meras propriedades, posses legais registradas em cartório. Outra mulher, no entanto, contrariando os poderosos interesses privados de então, restituiu a liberdade a milhares de brasileiros e com seu gesto deu dignidade a um país que se acostumara por quase 400 anos à escravidão, tortura e morte “legal” de negros e índios. Mudou então para sempre o País, mudaram conceitos e práticas seculares, mudou a economia, mudaram os costumes, a cultura, a educação, a política, num movimento que se propaga até hoje.

 

Contra tantos direitos e poderes constituídos, num gesto solitário a princesa criou um novo Brasil! A hora da verdade chega agora para a presidente Dilma, e o veto integral do “Novo Código Florestal” é o gesto que se impõe para modernizar o País. Veto que sinalize claramente o abandono definitivo da convivência com práticas que embora tradicionais, são destruidoras do patrimônio coletivo do País.

 

O Código Florestal atualmente em vigor (de 1965), se regulamentado adequadamente e amparado por políticas federais ambientais claras, é suficiente para imediatamente desencadear a adequação ambiental de todas as propriedades rurais do País. Uma adequação que dê um tratamento diferenciado à regularização ambiental dos agricultores familiares e que cobre de todos os demais proprietários rurais, sobretudo dos grandes produtores, a progressiva, porém efetiva regularização dos seus passivos. Um processo que, aliás, a mais de uma década, já está em curso em muitas regiões do País.  Fundamental lembrar que é chegada a hora da verdade, a hora de escolher entre o Brasil velho e um Brasil novo, entre um futuro que clamava e um passado de horrores que esforçava em se perpetuar, Isabel não curvou seus joelhos!

 

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem a opinião do jornal.

 

Fonte: Jornal da Ciência


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Vazamentos pequenos têm grandes consequências, diz oceanógrafa

Para a oceanógrafa Sylvia Earle é preciso pensar no custo real dos vazamentos de petróleo, como os que ocorreram da bacia de Campos, no litoral fluminense. “Eu fico alarmada com o que está acontecendo, certamente não era do interesse da Chevron que ocorresse o vazamento. Mesmo com todas as preocupações, vemos que é preciso fazer ainda melhor do que isto que está aí”, disse a pesquisadora no Fórum Mundial de Sustentabilidade, em Manaus.

A ex-cientista chefe da Agência Americana para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) afirmou que mesmo um vazamento pequeno tem impacto para as espécies marinhas. “Ninguém pode entrevistar as criaturas marinhas para saber o que realmente acontece. Os peixes não podem falar que não estão de acordo com aquilo e então isso parece que não importa para as pessoas”, disse.

Outro problema dos vazamentos é a liberação de gases causadores do efeito estufa. “Quando o petróleo chega à superfície do mar, o acidente então se transforma em um vazamento de petróleo pelo céu. Embora ninguém pense nisso quando os acidentes acontecem, é exatamente isto que ocorre”, disse.

Para Sylvia, o risco mais claro em explorar o petróleo é o fato continuar o foco dos investimentos nos combustíveis fósseis mesmo tendo que superar os altos custos e as dificuldades de operar no pré-sal . “Existe um custo real para a natureza e para as pessoas que não está incluído nesta conta. Atualmente, estamos num período de transição e precisamos considerar não lançar no ar mais carbono e metano”, disse.

A oceanógrafa de 77 anos, chamada pelo jornal americano de “The deepness”, por causa do profundo conhecimento adquirido em mais de 60 expedições pelo mundo, tem o antagonismo de quem faz afirmações duras com a voz doce, conseguindo assim, inspirar as pessoas. Durante sua palestra em Manaus, ela falou ao público que viver nestes últimos anos era o que havia de mais fantástico, pois, “este é o momento para fazer o que achamos que deve ser feito. Temos o conhecimento. Parece que nunca tivemos antes esta oportunidade de moldar um futuro melhor”, disse.

Durante entrevista para jornalistas, ela perguntou se poderia ser um pouco dramática e disse: “Apenas 1% do oceano tem alguma forma de proteção formal. O que você pensaria se o mesmo acontecesse com o seu coração azul do planeta? O que você pensaria se apenas 1% do seu coração fosse protegido. Quanto você acha que seria necessário proteger do seu coração para poder sobreviver?”.

Fonte: Maria Fernanda Ziegler/ Portal iG


27 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisa descobre alterações no genoma do boto-vermelho, no AM

Ainda não é possível afirmar se alterações são causadas por poluição.
Estudos indicaram a presença de mercúrio e pesticida DDT.

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) conseguiram identificar modificações no genoma do boto-vermelho (Inia geoffrensis), também conhecido como boto-cor-de-rosa. A pesquisa foi realizada pelos laboratórios de Genética Animal (LGA) e de Mamíferos Aquáticos, ambos do Inpa. Os pesquisadores ainda não sabem se as alterações são causadas por poluição ambiental.

Os resultados da pesquisa fazem parte da dissertação de mestrado “Citogenética clássica e molecular do boto-vermelho Inia geoffrensis”, elaborada por Heide Luz Bonifácio, sob a orientação da pesquisadora Eliana Feldberg. O trabalho foi concluído em 2011 e contou também com o apoio da Petrobras Ambiental, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoas de Nível Superior (Capes) e a Associação Amigos do peixe-boi (Ampa).

Foram coletadas amostras de 27 animais, sendo 14 fêmeas e 13 machos distribuídos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá (RDSM), próximo ao município de Tefé, a 523 Km a Oeste de Manaus, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, a 852 Km da capital, Aruanã (GO), Rio Branco (AC) e nas proximidades de Manaus.

Segundo a pesquisadora Eliana Feldberg, o boto-vermelho é uma espécie do topo da cadeia alimentar e, por isso, pode acumular componentes tóxicos em seu organismo. Ela disse que estudos já indicaram a presença de mercúrio e do pesticida Dicloro-Difenil-Tricloroetano (DDT) em amostras de sangue e de tecido desta espécie.

De acordo com Heide Bonifácio, entre as duas espécies de golfinhos de rio da Amazônia, o boto-vermelho é a mais próxima aos ancestrais dos cetáceos, que constituem uma ordem de animais marinhos, porém pertencentes à classe dos mamíferos. “Isto significa que entender como o genoma está organizado possibilita compreender a evolução do animal, uma vez que as informações genéticas são compartilhadas com os ancestrais deles. Baseado em análises moleculares e morfológicas, o boto-vermelho é considerado uma espécie rara”, explicou Bonifácio.

Caça predatória

piracantinga (Foto: Divulgação/Ampa)

Carne de boto é usada na pesca de piracatinga (Foto: Divulgação/Ampa)

Um estudo divulgado em 2011, revelou que em dez anos a população de botos da Amazônia reduziu pela metade. Na região da cidade de Tefé, a 520 Km de Manaus, apontou que morre por ano uma quantidade de animais sete vezes maior que o limite permitido.

Outro dado apontou que o uso da carne de cada boto-vermelho para pesca pode render ao menos uma tonelada de piracatinga. Na região de Tefé, estima-se a pesca de 400 toneladas do pescado ao ano, sendo que grande parte da carga é enviada para a Colômbia.

 

 

Boto-cor-de-rosa (Foto: Divulgação/Ampa)

População do boto-cor-de-rosa está diminuindo (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: G1, AM


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Menor espécie de golfinho corre risco de ser extinta

Últimos 100 mamíferos de Maui pode deixar de existir na Nova Zelândia.
‘Cephalorhynchus hectori maui’ está incluído na lista vermelha da ONU.

Os últimos 100 golfinhos de Maui, os menores desta espécie marinha, correm risco de extinção pela atividade pesqueira na Ilha do Norte da Nova Zelândia, seu único habitat na Terra.

Cephalorhynchus hectori maui está incluído na lista vermelha da ONU das espécies em sério risco de extinção, e calcula-se que podem desaparecer em poucas décadas caso não sejam adotadas medidas urgentes.

“Não podemos cometer mais nenhum erro. Devemos acabar com todas as ameaças ao seu habitat para que a população se estabilize e se recupere”, declarou à Agência Efe a diretora do programa Marinho do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Rebecca Bird.

O habitat desta subespécie fica próximo ao litoral oriental da Ilha do Norte neozelandesa, onde podem ser visto exemplares na desembocadura dos rios e em baías com uma profundidade de 20 metros e a uma distância de dez quilômetros do litoral.

Embora seu predador natural seja o tubarão, o maior inimigo do golfinho de Maui é o homem, que quase acabou com sua população pela pesca, a mineração, o desenvolvimento litorâneo, a poluição e a mudança climática, entre outros fatores.

Produtos químicos como o DDT e metais pesados jogados ao mar são potencialmente perigosos para a reprodução, e as substâncias que são derramadas pelos navios petroleiros causam câncer nestes mamíferos marinhos, afirmou Rebecca.

Mas a maior causa de morte são as redes de pesca onde eles ficam presos sem poder emergir à superfície para respirar.

Os filhotes, que têm o tamanho de um gato, morrem pelos ferimentos causados pelas hélices dos navios.

Por todos esses motivos, os ecologistas querem que as redes de pesca sejam retiradas do habitat do golfinho de Maui, porém Rebecca ressaltou que sua organização não exige que os pescadores parem de trabalhar, apenas que mudem seus métodos.

O golfinho de Maui, chamado pelos maoris de “Tutumairekurai” (“morador do mar”), é considerado raro pelos especialistas por causa de seu pouco número de indivíduos e por ser o menor dentro da família dos golfinhos marinhos.

Estes cetáceos medem até 1,4 metro de comprimento, têm uma nadadeira arredondada, seu focinho é curto e apresentam marcas parecidas com as do urso panda, como “uma máscara negra”, descreveu Rebecca. Eles vivem em comunidades, e os adultos passam a maior parte do tempo comendo peixes e lulas, que localizam emitindo sons de alta frequência que ecoam nos objetos e animais ao seu redor.

Os mais jovens brincam com as algas, fazem bolhas no mar, piruetas ou simplesmente perseguem-se ou brigam com outros companheiros, criando um espetáculo para os turistas da região.

Sua expectativa de vida é de 20 anos, e eles atingem a maturidade sexual a partir dos sete. Os nascimentos acontecem de dois a quatro anos, o que dificulta o repovoamento da espécie para evitar a extinção.

O golfinho de Maui é uma subespécie do golfinho de Hector, que vive próximo a Ilha do Sul neozelandesa, e acredita-se que esteve isolado por milhares de anos até se diferenciar na atualidade por seus traços físicos e genéticos.

O nome deste animal vem de uma lenda sobre o deus maori Maui, que pescou um peixe muito forte na Ilha do Sul e fez dele sua canoa. Ao morrer, o peixe se transformou em terra e renasceu sob a forma da Ilha do Norte da Nova Zelândia, onde o extremo sul representa a cabeça, e a cidade de Wellington, a capital neozelandesa, a boca.

Rebecca comentou que os maoris acreditam que ao morrer os espíritos humanos se transformam em “Tutumairekurai”.

Fonte: Da EFE


16 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Quase 25% do solo do planeta já sofreu alguma deterioração

O problema ambiental não está apenas na água ou no ar. De acordo com um relatório da Nações Unidas, 24% do solo do planeta já sofreu algum tipo de deterioração.

A informação é do relatório anual do Unep (Programa de Ambiente das Nações Unidas), divulgado no último dia 12.

O texto mostra que práticas recentes (nos últimos 25 anos) especialmente na atividade agrícola têm estragado e poluído o solo em diversas partes do planeta.

De acordo com o documento, a erosão provocada pela agricultura é até cem vezes mais intensa do que o processo erosivo “natural” do solo.

O problema disso é que o solo com erosão perde uma quantidade significativa de carbono para atmosfera -componente importante para o crescimento vegetal.

O Unep manifestou ainda uma preocupação com as usinas nucleares que estão sendo desativadas desde o acidente em uma usina nuclear de Fukushima, no Japão.

Em março de 2011, a usina foi atingida por um terremoto seguido de um tsunami e houve vazamento nuclear. Desde então, vários países declararam que fechariam suas usinas nucleares.

De acordo com o documento das Nações Unidas, 138 reatores foram fechados apenas neste ano, em 19 países.

Os desmantelamento dos reatores -que tem alto risco de contaminação do solo e custa cerca de 10% a 15% da implantação da usina- só foi concluída em 17 deles.

Fonte: Sabine Righetti, São Paulo, Folha.com


14 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

Algas formam mancha marrom na Baía de Guanabara, no Rio

Uma grande mancha marrom apareceu nesta sexta-feira (13) na Baía de Guanabara, altura da Marina da Glória, na zona sul do Rio. Segundo o 1º GMar (Grupamento Marítimo) de Botafogo, a concentração de algas provocou a coloração escura na água.

Coordenador do projeto Olho Verde para o gerenciamento da zona costeira, o biólogo Mário Moscatelli afirma que é comum a aparição de algas na região nessa época do ano. Ele explica que, por causa do calor e da presença de nutrientes de esgoto, essas plantas se multiplicam com facilidade.

“Só através da análise podemos identificar a espécie dessas algas e saber se elas são tóxicas ou não”, disse o especialista.

A Folha tentou contato com a Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente), mas nenhum representante foi localizado.

Fonte: Diana Brito/ Folha.com


30 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Pesquisa usa peixe-elétrico para indicar poluição da água na Amazônia

Alteração na qualidade da água interfere na descarga elétrica de espécies.
Estudo realizado em Roraima é coordenado pelo ICMBio e pelo Inpa.

Projeto desenvolvido por pesquisadores brasileiros conta com a ajuda de peixes-elétricos (Gymnotiformes) para identificar possíveis alterações na qualidade da água dos rios amazônicos, tornando estas espécies em mais uma ferramenta de prevenção a alterações ambientais no bioma.

O motivo é que possíveis mudanças nos locais classificados como habitat destas espécies afetariam as descargas elétricas emitidas por eles.

O estudo, desenvolvido por especialistas do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), é realizado em duas unidades de conservação federais de Roraima, localizadas na bacia do Rio Branco.

De acordo com Romério Briglia Ferreira, analista ambiental e autor do projeto, em conjunto com o pesquisador José Alves Gomes, do Inpa, é a primeira vez que especialistas em ambiente aquático estiveram na região, compreendida pelo Parque Nacional Serra da Mocidade e pela Estação Ecológica de Niquiá. Eles aproveitaram ainda para coletar informações sobre os tipos de peixes existentes nos rios da região.

“Em Roraima existem dois processos importantes que impactam a qualidade da água. Um deles é o cultivo de arroz e o outro é o cultivo de peixes, como o tambaqui, em cativeiro. Isso acarretaria em modificações nas águas e resultam em assoreamento dos rios (elevação dos níveis de terra no fundo das bacias hidrográficas devido à erosão)”, diz.

“Os peixes-elétricos utilizam as correntes elétricas (de cerca de 1 volt) para localização, comunicação e também para reprodução. Se a qualidade da água sofrer alteração, o comportamento deles também se altera”, complementa.

Na imagem, três diferentes espécies existentes na bacia do Rio Branco, em Roraima. (Foto: Divulgação)

Na imagem, três diferentes espécies de peixe-elétrico que vivem na bacia do Rio Branco, em Roraima. (Foto: Divulgação)

Vista do Parque Nacional Serra da Mocidade, uma das unidades de conservação estudadas em Roraima (Foto: Divulgação)

Vista do Parque Nacional Serra da Mocidade, uma das unidades de conservação que é foco da pesquisa em Roraima (Foto: Divulgação)

Levantamento
De acordo com o pesquisador, com a ajuda de um equipamento foram gravadas 191 descargas elétrica de aproximadamente dez diferentes espécies de peixes da ordem Gymnotiformes.

As correntes serão testadas e comparadas com as de outros peixes que vivem na região do Rio Negro, foco de pesquisa do Inpa.

A partir dos resultados, serão realizadas outras duas excursões de pesquisadores às unidades de conservação de Roraima e, possivelmente, a criação de um grupo que vai debater a forma de manejo para essas áreas.

Possível descoberta
Durante a primeira busca por indicadores dos peixes-elétricos, verificou-se a existência de espécies endêmicas (que só existem naquele local) e novas análises podem indicar a possível descoberta de duas novas espécies.

O processo de identificação deve levar até três anos. “Podem ser duas novas espécies, mas é apenas uma possibilidade. Estamos estudando ainda”, afirma o analista do ICMBio.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


22 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Biólogos estudam misteriosas mortes de animais marinhos em SC

Pesquisadores do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali) estudam o aparecimento de animais marinhos mortos na costa do litoral catarinense. Nos últimos 30 dias foram registrados o surgimento de 21 tartarugas verdes (Chelonia mydas), dois golfinhos cinza (Sotalia guianensis) e de oito botos (Tursiops truncatus) conhecidos como “boto flíper” ou “boto da tainha”.

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado. Segundo Jules Soto, curador do Museu Oceanográfico da Univali, a situação é alarmante: “Algo está acontecendo. Estamos monitorando a orla e iremos averiguar a razão da alta concentração de mortes, mas podemos adiantar que tratam-se de mostras do quanto a ação do homem vem afetando nossos mares, seja por meio da pesca desenfreada ou da poluição”, aponta.

As tartarugas eram todas jovens, sendo que seis apresentavam marcas claras de interação com a pesca. Uma delas apresentava diversos tumores cutâneos denominados fibropapilomas. Todo o material foi recolhido por biólogos do Museu Oceanográfico da Univali para análise de contaminantes sólidos (ingestão de plástico). Uma expedição organizada por pesquisadores, juntamente com órgãos ambientais irá percorrer 350 km da costa catarinense à procura de novos registros e um laudo com a causa das mortes deverá ser divulgado em breve.

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado. Foto: Univali/Divulgação

O surgimento dos animais mortos está concentrado na região centro-norte do Estado Foto: Univali/Divulgação

Fonte: Portal Terra


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