4 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora modifica florestas

Pesquisa mostra que vegetação também é afetada em áreas florestais com muitas fontes de ruído

Há alguns anos, pesquisadores descobriram que a população de uma espécie de beija-flor parecia ter aumentado em áreas poluídas por sons produzidos pelo homem, ao passo que uma espécie de gralha parecia ter diminuído.

Agora, os mesmos pesquisadores afirmam que há mais flores e menos árvores em áreas barulhentas. As descobertas foram apresentadas na atual edição da revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

É um efeito dominó, afirmou Clinton D. Francis, ecologista evolucionário no Centro Nacional de Síntese Evolucionária em Durham, na Carolina do Norte.

Os pinheiros contam com as gralhas para espalhar suas sementes, afirmou. E os beija-flores da espécie Archilochus alexandri, que faz a polinização de flores, procuram áreas barulhentas para evitar as gralhas, que comem seus ovos e até mesmo seus filhotes.

Os cientistas instalaram câmeras ativadas por movimento em vários locais na Reserva da Vida Selvagem de Rattlesnake Canyon, no noroeste do Novo México. Alguns locais eram silenciosos, outros ficavam próximos a fontes de gás natural equipadas com compressores barulhentos.

A equipe de Francis descobriu que, nas áreas barulhentas, muitos camundongos procuravam por pinhões, ao passo que as gralhas faziam o possível para evitá-los.

Normalmente, as gralhas são capazes de esconder milhares de sementes ao longo do outono com a finalidade de armazenar alimento. Eles se esquecem de alguns dos esconderijos e essas sementes podem se transformar em mudas. Os camundongos, por outro lado, consomem todas as sementes que encontram.

Francis afirma preocupar-se com a perda dos pinheiros, que têm um papel central no ecossistema do sudeste.

Um estudo anterior afirmou que cerca de 1.000 espécies de cogumelos, insetos, artrópodes, mamíferos e pássaros dependem dos pinhões.

Foto: Getty Images Floresta no estado de Novo México, nos EUA: ruídos como o de motosserras atrapalham crescimento das árvores

Fonte: Portal IG


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora nos oceanos estressa baleias, diz estudo

Pesquisadores norte-americanos afirmam que o barulho de navios no norte do oceano Atlântico causa estresse em baleias.

Segundo os cientistas do Aquário da Nova Inglaterra, em Boston, os motores de navios emitem um som na mesma frequência com que algumas delas se comunicam.

Estudos anteriores já mostravam que os cetáceos mudam padrões de linguagem quando local é mais barulhento.

Na pesquisa mais recente, após uma medição das fezes, os cientistas perceberam que o aumento do tráfego de navios eleva os níveis de hormônios relacionados ao estresse.

Os cientistas estudaram as baleias francas do Atlântico norte na região da baía de Fundy, no Canadá. Elas estão na lista de espécies ameaçadas mesmo depois de a população ter vivenciado um pequeno crescimento nos últimos anos.

No final do verão, os naimais percorrem uma área do Atlântico na costa leste da América do Norte e vão até a baía canadense para se alimentar.

Acreditava-se que a caça realizada séculos atrás teria dizimado os animais. Mas pesquisas mais recentes mostram que o declínio ocorreu muito antes, por razões desconhecidas.

Rosalind Rolland, do Aquário da Nova Inglaterra, afirmou que a população atual é de 490 baleias, um aumento em relação aos 350 registrados há uma década.

BARULHO

Cientistas estudam a baleia franca na baía canadense desde a década de 1980. Mas o último estudo, publicado na revista “Proceedings of the Royal Society Journal B”, ocorreu por sorte.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2011 em Nova York e Washington, o tráfego de navios na baía caiu no Atlântico norte.

E os cientistas registraram uma queda de 6 decibéis na intensidade do barulho registrada debaixo d’água.

Coincidentemente, outra equipe tinha apenas iniciado um projeto de cinco anos para recolher e examinar fezes das baleias francas do Atlântico norte.

As fezes recolhidas pela pesquisa de 2011, no período de menor tráfego, mostraram um nível mais baixo de hormônios glicocorticoides (associados ao estresse) do que o registrado nas pesquisas nos verões seguintes, quando o tráfego voltou aos níveis normais.

PRIMEIRA VEZ

“Esta foi a primeira vez que foi documentado o efeito fisiológico. Afinal, estes são animais de 50 toneladas, o que faz com que seu estudo não seja muito fácil”, afirmou Rolland.

“Pesquisas anteriores mostraram que [as baleias] mudam o padrão de vocalização em um ambiente barulhento, da mesma forma que nós fazemos em uma festa, mas esta é a primeira vez que o estresse foi registrado fisiologicamente”, acrescentou.

Apesar dos registros, os cientistas ainda não sabem o quanto isso afeta as baleias.

O que se sabe é que o nível de barulho no oceano tem aumentado nas últimas décadas.

Uma análise mostrou que os ruídos na região nordeste do oceano Pacífico tiveram um aumento de 10 a 12 decibéis em relação aos registrados na década de 1960.

Fonte: BBC Brasil






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Poluição sonora atrapalha ‘diálogo’ de aves

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.

Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem “bater um papinho” a distâncias de até 1,5 km.

Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. “O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente.”

Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. “Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais.”

A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.

“Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução”, afirma o biólogo.

A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. “Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade.”

As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.

Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.

“Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma.”

A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. “Estamos correndo contra o tempo.”

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos

Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos. Foto: Divulgação

Editoria de arte/Folhapress

 

Fonte: Folha.com


18 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora modifica florestas

Pesquisa mostra que vegetação também é afetada em áreas florestais com muitas fontes de ruído

Há alguns anos, pesquisadores descobriram que a população de uma espécie de beija-flor parecia ter aumentado em áreas poluídas por sons produzidos pelo homem, ao passo que uma espécie de gralha parecia ter diminuído.

Agora, os mesmos pesquisadores afirmam que há mais flores e menos árvores em áreas barulhentas. As descobertas foram apresentadas na atual edição da revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences.

É um efeito dominó, afirmou Clinton D. Francis, ecologista evolucionário no Centro Nacional de Síntese Evolucionária em Durham, na Carolina do Norte.

Os pinheiros contam com as gralhas para espalhar suas sementes, afirmou. E os beija-flores da espécie Archilochus alexandri, que faz a polinização de flores, procuram áreas barulhentas para evitar as gralhas, que comem seus ovos e até mesmo seus filhotes.

Os cientistas instalaram câmeras ativadas por movimento em vários locais na Reserva da Vida Selvagem de Rattlesnake Canyon, no noroeste do Novo México. Alguns locais eram silenciosos, outros ficavam próximos a fontes de gás natural equipadas com compressores barulhentos.

A equipe de Francis descobriu que, nas áreas barulhentas, muitos camundongos procuravam por pinhões, ao passo que as gralhas faziam o possível para evitá-los.

Normalmente, as gralhas são capazes de esconder milhares de sementes ao longo do outono com a finalidade de armazenar alimento. Eles se esquecem de alguns dos esconderijos e essas sementes podem se transformar em mudas. Os camundongos, por outro lado, consomem todas as sementes que encontram.

Francis afirma preocupar-se com a perda dos pinheiros, que têm um papel central no ecossistema do sudeste.

Um estudo anterior afirmou que cerca de 1.000 espécies de cogumelos, insetos, artrópodes, mamíferos e pássaros dependem dos pinhões.

Foto: Getty Images Floresta no estado de Novo México, nos EUA: ruídos como o de motosserras atrapalham crescimento das árvores

Fonte: Portal IG


21 de março de 2012 | nenhum comentário »

Plantas também sofrem danos devido à poluição sonora, diz estudo

Barulho afastaria animais que realizam dispersão de sementes e pólen.
Espécies de pinheiros seriam as principais afetadas, afirmam pesquisadores.

Pesquisa divulgada pela revista da Academia de Ciências do Reino Unido afirma que a poluição sonora causada por humanos pode causar grave impacto na sobrevivência das plantas, já que os métodos naturais de reprodução de vegetais seriam afetados.

De acordo com o estudo, realizado pelo Centro Nacional de Síntese Evolucionária  (NESCent, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, ruídos provenientes do tráfego intenso de veículos ou mesmo de máquinas afastariam animais de seus habitats, quando esses ficam próximos a áreas urbanas.

Essa fuga atrapalharia a distribuição de pólen entre flores, realizada por aves, e germinação de sementes de espécies como os pinheiros, feita mamíferos, como os roedores, o que pode levar à queda na população dessas plantas.

Muito barulho, pouca biodiversidade
A análise foi feita próxima a uma reserva do México. A região contém vários poços de extração de gás natural, muitos dos quais emitem alto som constantemente devido ao processo.

Os cientistas verificaram que nas áreas com mais barulho, algumas espécies de animais não se aproximavam, justamente aquelas que ajudavam na distribuição das sementes dessas árvores, pertencentes ao grupo das gimnospérmicas.

Segundo Clinton Francis, um dos autores do estudo, uma menor quantidade de árvores em áreas ruidosas acarretaria em menos plantas maduras e, consequentemente, uma redução drástica de habitats.

Pinheiro (Foto: Divulgação)

Espécies de pinheiros localizadas em locais ruidosos podem ser prejudicadas, afirma estudo. (Foto: Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


10 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Poluição sonora nos oceanos estressa baleias, diz estudo

Pesquisadores norte-americanos afirmam que o barulho de navios no norte do oceano Atlântico causa estresse em baleias.

Segundo os cientistas do Aquário da Nova Inglaterra, em Boston, os motores de navios emitem um som na mesma frequência com que algumas delas se comunicam.

Estudos anteriores já mostravam que os cetáceos mudam padrões de linguagem quando local é mais barulhento.

Na pesquisa mais recente, após uma medição das fezes, os cientistas perceberam que o aumento do tráfego de navios eleva os níveis de hormônios relacionados ao estresse.

Os cientistas estudaram as baleias francas do Atlântico norte na região da baía de Fundy, no Canadá. Elas estão na lista de espécies ameaçadas mesmo depois de a população ter vivenciado um pequeno crescimento nos últimos anos.

No final do verão, os naimais percorrem uma área do Atlântico na costa leste da América do Norte e vão até a baía canadense para se alimentar.

Acreditava-se que a caça realizada séculos atrás teria dizimado os animais. Mas pesquisas mais recentes mostram que o declínio ocorreu muito antes, por razões desconhecidas.

Rosalind Rolland, do Aquário da Nova Inglaterra, afirmou que a população atual é de 490 baleias, um aumento em relação aos 350 registrados há uma década.

BARULHO

Cientistas estudam a baleia franca na baía canadense desde a década de 1980. Mas o último estudo, publicado na revista “Proceedings of the Royal Society Journal B”, ocorreu por sorte.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2011 em Nova York e Washington, o tráfego de navios na baía caiu no Atlântico norte.

E os cientistas registraram uma queda de 6 decibéis na intensidade do barulho registrada debaixo d’água.

Coincidentemente, outra equipe tinha apenas iniciado um projeto de cinco anos para recolher e examinar fezes das baleias francas do Atlântico norte.

As fezes recolhidas pela pesquisa de 2011, no período de menor tráfego, mostraram um nível mais baixo de hormônios glicocorticoides (associados ao estresse) do que o registrado nas pesquisas nos verões seguintes, quando o tráfego voltou aos níveis normais.

PRIMEIRA VEZ

“Esta foi a primeira vez que foi documentado o efeito fisiológico. Afinal, estes são animais de 50 toneladas, o que faz com que seu estudo não seja muito fácil”, afirmou Rolland.

“Pesquisas anteriores mostraram que [as baleias] mudam o padrão de vocalização em um ambiente barulhento, da mesma forma que nós fazemos em uma festa, mas esta é a primeira vez que o estresse foi registrado fisiologicamente”, acrescentou.

Apesar dos registros, os cientistas ainda não sabem o quanto isso afeta as baleias.

O que se sabe é que o nível de barulho no oceano tem aumentado nas últimas décadas.

Uma análise mostrou que os ruídos na região nordeste do oceano Pacífico tiveram um aumento de 10 a 12 decibéis em relação aos registrados na década de 1960.

Fonte: BBC Brasil