14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Oceanógrafo defende controle ambiental na área de exploração do pré-sal

A sustentabilidade dos oceanos é um dos principais temas de debate do 5º Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2012), aberto nesta terça-feira (13), no Rio de Janeiro. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do congresso, Carlos Leandro da Silva Júnior, vice-presidente da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano), defendeu controle ambiental na área de exploração do pré-sal.

“A gente tem visto aumento da produção de petróleo e a discussão no Congresso em torno da divisão dos royalties do petróleo, mas ninguém bota a questão ambiental no âmbito do pré-sal. Ou seja: o que está se fazendo na realidade para um bom monitoramento ambiental da região que ninguém conhece?”.

Leandro enfatizou a necessidade de se evitar o que ocorreu na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Ali, disse, os trabalhos de exploração e perfuração começaram a ser efetuados antes da realização de estudos ambientais. Com isso, perderam-se as referências de como era o ambiente naquele local, indicou o presidente do CBO’2012.

Ele ressaltou a importância da linha base do processo de conhecimento, para evitar consequências negativas no futuro. “Como você vai preservar uma coisa que não conhece?”, indagou, para acrescentar: “A gente acha que antes de começar a produção e os investimentos, a preocupação deveria ser a realização de estudos em oceanografia para desenvolver o conhecimento na região, ter o mapeamento de tudo da área de biologia, de pesca, química, sísmica, para depois poder furar”. Prejuízos à flora e à fauna marinha serão abordados. “Não se pode mitigar alguma coisa sem conhecer antes”, reiterou.

Outra preocupação diz respeito à questão das energias renováveis nos oceanos. Isso envolve, segundo o presidente do congresso, a geração de energia a partir das ondas e a energia eólica no mar. “São temas que têm de ser discutidos”. Os corais encontrados em águas profundas e os impactos das mudanças climáticas nos corais são outros temas que serão debatidos durante o encontro, que se estenderá até o próximo dia 16.

Carlos Leandro salientou, ainda, a questão da gestão e da segurança dos portos. “Em um país como o nosso, que precisa crescer, porto é fundamental do ponto de vista de exportação e importação. O Brasil precisa ter bons portos, com segurança operacional, com conhecimento das áreas do entorno”. É preciso que os portos estejam preparados para grandes acidentes, com planos de emergência para as áreas, defendeu.

O monitoramento e a mitigação de vazamentos de óleo no mar serão examinados durante o congresso, para evitar que incidentes possam vir a afetar, inclusive, outros países, alertou o vice-presidente da Aoceano. É preciso, reforçou, que as pessoas atentem para o fato que o Brasil tem 8 mil quilômetros de costa e vejam a importância das espécies do oceano profundo e não somente das praias. “Tem que ver a importância do oceano no seu aspecto mais amplo”.

Além de workshops, visando à elaboração de propostas que serão encaminhadas à sociedade, o congresso contará com palestras de especialistas e apresentação de 1.360 trabalhos científicos. O evento conta com apoio da Marinha, da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Está prevista palestra sobre a importância da oceanografia para a estratégia da Marinha. Durante o congresso, serão comemorados os 35 anos do curso de oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O CBO’2012 objetiva apresentar novos conhecimentos por meio de pesquisas técnicas e científicas na área dos oceanos. Esta é a primeira vez que o evento é promovido no Rio de Janeiro, estado considerado pela Aoceano uma referência no Brasil no que tange a questões no mar.

Em paralelo, ocorre a 7ª Feira Técnico-Científica Brasil Oceano, para apresentação, promoção e comercialização de novos produtos, serviços e tecnologias. Leandro revelou que a feira pretende estimular alunos do segundo grau de escolas públicas e privadas a conhecerem equipamentos usados em oceanografia, entre os quais um radar que mede correntes remotamente. A feira destaca também projetos ambientais desenvolvidos por organizações não governamentais (ONGs). “As ONGs não podem ficar fora do processo, porque além de formadoras de opinião, elas são uma forma de pressionar o setor produtivo a ter políticas ambientais”.

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


18 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mercadante quer novo marco do pré-sal

Mudança de regra acarretaria perdas bilionárias a Ciência e Tecnologia.

Pelos cálculos do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, sua pasta perderia, já em 2011, R$ 900 milhões, caso as regras para distribuição dos royalties do petróleo fossem alteradas. As projeções feitas para os próximos dez anos somam perdas ainda maiores, de R$ 12,2 bilhões.

 

O ministro, que participou ontem no Rio do segundo dia do 23º Fórum Nacional, está convencido de que alguns políticos “não têm uma visão de longo prazo” para a aplicação dos royalties do petróleo. A favor de uma distribuição de recursos menos concentrada em estados e municípios, ele defende que o país copie modelos que estão dando certo, como é o caso da Noruega, e não os que estão dando errado, como o da Venezuela.

 

Mercadante defendeu a aplicação majoritária dos recursos arrecadados com royalties em investimentos em educação, ciência e tecnologia. Segundo ele, “só dessa forma o Brasil poderá dar um salto de qualidade nessas áreas, que são importantes para promover o desenvolvimento”.

 

Defensor da criação de um fundo soberano para alocar os recursos oriundos do pré-sal, Mercadante também se disse favorável à transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em um banco público de inovação. Segundo ele, essa seria uma forma de acabar com alguns gargalos. Só o setor de fármacos, por exemplo, convive com um déficit de US$6,4 bilhões em investimentos.

 

Orçamento da Finep multiplicado por dez

Concordando com a análise de Mercadante, o presidente da Finep, Glauco Arbix, também presente ao encontro, disse que é necessário alavancar os recursos do órgão.

- Em 2010, a Finep financiou R$ 4 bilhões em projetos. Para os próximos dez anos, seria necessário multiplicar por dez o orçamento do órgão, pulando para algo como R$ 40 bilhões – afirmou Arbix.

 

Segundo o presidente da Finep, há necessidade de o País aplicar ao menos 30% dos investimentos globais nas áreas de ciência e tecnologia. Enquanto em países como os Estados Unidos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento giram em torno de US$ 400 bilhões, no Brasil esse montante não passou de US$ 24,2 bilhões em 2009.

Há um consenso no governo de que os setores público e privado precisam se unir nessa empreitada. Tanto assim que Mercadante e Arbix defenderam uma maior inserção do setor privado em projetos de inovação tecnológica.

Fonte: O Globo


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ciência e tecnologia podem perder R$ 1 bilhão com nova lei do pré-sal, alerta Mercadante

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (3) que o setor pode perder até R$ 1 bilhão com a nova lei do pré-sal, em discussão no Congresso Nacional. Ele alertou que a falta de recursos poderá travar o desenvolvimento de pesquisas de ponta, fazendo com que o Brasil se acomode na posição de ser apenas um grande exportador de commodities.

Mercadante participou da Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências, quando expôs aos cientistas as metas e os desafios de seu ministério. Ele disse que o setor só não foi prejudicado este ano, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu último dia de governo, garantiu mais um ano de recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Este ano, nós já teríamos perdido R$ 900 milhões pela decisão do Congresso de como repartir os royalties do petróleo. O MCT, que tinha uma parcela assegurada de receita, teve ela [a parcela] diluída no Fundo Social, que ainda não está regulamentado, mas que jamais chegará ao que nós tínhamos. O [ex] presidente Lula manteve a participação e nos deu uma receita segura para 2011”, disse o ministro, que teme perder recursos para a pesquisa e inovação a partir de 2012.

Mercadante participa na quarta-feira (4) de audiência pública no Senado, quando vai expor o Plano de Ação de seu ministério na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Ele vai aproveitar a oportunidade para sensibilizar os senadores a evitarem a perda de recursos que deveriam ir para a ciência e tecnologia, mas que podem ir para a exploração petrolífera no pré-sal.

“Estou alertando o Congresso. Fiz esse debate na Câmara e farei no Senado. Vou dizer que essa disputa é central para a ciência, tecnologia e inovação. Temos que encontrar uma saída que preserve os recursos para o setor.”

O ministro enfatizou que o Brasil não pode cair na armadilha de se acomodar em ser apenas um grande exportador de commodities e precisa disputar o mercado mundial de tecnologia de ponta.

“O país hoje tem um momento excepcional. Os produtos agrícolas e o minério de ferro estão com preços excelentes e estamos virando exportadores de derivados de petróleo. Isso vai dar bem-estar, receita e superávit comercial para o Brasil. Mas o país tem que usar isso como uma janela de oportunidade. Não pode se acomodar nesse papel. Tem que desenvolver o setor de alta e média tecnologia.”

Para exemplificar o desafio proposto, Mercadante disse que o Brasil precisa vender 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preços atuais, US$ 848 mil.

“O que é um circuito integrado? É inteligência, ciência, tecnologia. Nós temos que disputar esses setores de ponta e, para isso, é preciso investir, assegurando uma margem do pré-sal para o futuro do Brasil.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Ibama montará força-tarefa para o pré-sal

O novo presidente do órgão, Curt Trennepohl, quer preparar regras com antecedência para evitar problemas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai montar uma força-tarefa para lidar com o desafio de licenciamento ambiental que será imposto pelo pré-sal. A preocupação da autarquia é estar preparada para um trabalho que, além de ser tecnicamente inédito, envolverá um volume gigantesco de estudos e fiscalização.

 

Assim, o Ibama espera afastar a pecha de ser um entrave à exploração do petróleo, estigma que já o acompanha nas áreas de energia e transporte.

 

O novo presidente do Ibama, o advogado gaúcho Curt Trennepohl, informa que começará a montar uma equipe de analistas ambientais com a missão específica de atender ao pré-sal. “Se não tivermos um time muito preparado, vamos retardar o processo, judicializar o licenciamento e, aí, eu vou para o pelourinho. Temos que investir em treinar gente agora”, disse ao Valor.

 

Trennepohl afirma que o único pedido feito ao Ibama sobre pré-sal até agora refere-se a pesquisas sísmicas, e não à exploração do petróleo. Nesta semana, a Petrobras informou que pretende perfurar 20 poços na região do pré-sal da Bacia de Santos em 2011. “Imagine se começarem a chegar aqui projetos de licenciamento, operações que são complexas dada a profundidade em que ocorrerá a exploração e a numerosos componentes envolvidos que ainda não estão regulamentados. Ou nos antecipamos e estabelecemos as regras, ou teremos problemas”, afirmou Trennepohl, há uma semana no comando do Ibama.

 

A criação dessas equipes especiais de licenciamento não se limitará à camada do pré-sal. Várias equipes estão em fase de montagem para lidar com projetos emergenciais, como a polêmica hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Hoje, o Ibama tem 280 analistas ambientais em outras partes do país, fora Brasília, contingente que precisaria ser de 600 para dar conta do recado, segundo Trennepohl.

 

Como a realização de concurso público está fora dos planos, o Ibama decidiu remanejar funcionários dos Estados para Brasília. Na capital, a equipe é de 40 analistas. Até o fim do ano, a meta é ter 500 funcionários dedicados ao licenciamento ambiental na sede da autarquia. “Não vai ser um movimento muito fácil. Vão dizer que há centralização da administração em detrimento da ação na ponta. Mas se o cobertor é curto, tenho que optar por deixar o nariz ou os pés de fora.” O Ibama tem 4.124 funcionários na ativa e técnicos de outras áreas devem reforçar o licenciamento.

 

Procurador federal e servidor do Ibama há 21 anos, Curt Trennepohl precisa seguir à risca as duas missões que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, colocou no seu colo: combater o desmatamento da Amazônia e acelerar o licenciamento ambiental.

Hoje, o Ibama já trabalha com três equipes de apoio para missões específicas, como a análise dos projetos de linhas de transmissão. Desse time, 18 analistas estão mergulhados no licenciamento de Belo Monte, projeto que praticamente catalisa todas as dificuldades vividas atualmente pelo instituto.

 

O Ibama liberou uma licença específica para a instalação do canteiro de obras da empresa Norte Energia, que fará a obra, mas o Ministério Público Federal (MPF) do Pará conseguiu uma liminar na Justiça para barrar a licença. Agora, a Advocacia-Geral da União (AGU) tenta restabelecer a licença. “Hoje, eu não assinaria a licença de instalação da hidrelétrica. Mas quanto ao canteiro de obras não há qualquer irregularidade. O que existe é uma interpretação sob uma óptica diferente feita pelo Ministério do Pará, que, aliás, tem uma postura muito combativa”, diz Trennepohl.

 

A situação, segundo o presidente do Ibama, explora uma área “nebulosa” da legislação atual. O MPF acusa o consórcio Norte Energia de não ter cumprido algumas condicionantes da licença prévia de Belo Monte, entre as quais estão ações de saneamento básico no município de Altamira, nas proximidades da hidrelétrica. “Agora, como é que começo uma obra de saneamento em Altamira se eu ainda não tenho onde alojar os trabalhadores e o material?”, pergunta. “A licença prévia exige o saneamento, mas para fazê-lo eu preciso de um pátio de apoio. É esse tipo de situação que precisa ser considerada.”

 

Às vésperas de se aposentar – seu último dia de trabalho seria 15 de abril -, Trennepohl diz ter aceito a empreitada no Ibama por “amor” à instituição e para atender a um “apelo” da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “Foi uma decisão difícil. Levou quase dois minutos. Estava pronto para ir embora, entraria de férias no dia 28 de março, mas aceitei”, conta.

website to watch bedrooms the movie

Fonte: Valor Econômico


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

film downloads

Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


3 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Pré-sal: Verba ambiental é incluída na última hora

Lula decidiu nesta segunda-feira incluir ambiente como destinatário de fatia de recursos do fundo a ser criado com a renda do petróleo. Dinheiro poderá ser usado em projetos de energia renovável e na tecnologia de captura e armazenagem de carbono no fundo do mar

divx mononoke-hime

sunset blvd film hd download

Marta Salomon escreve para a “Folha de SP”:

 

Apesar dos estudos que apontam concentração três a quatro vezes maior de gás carbônico (CO2) no petróleo da camada pré-sal, o ambiente só ganhou espaço nas regras anunciadas ontem pelo governo em uma carona de última hora. O presidente Lula decidiu ontem de manhã incluir o ambiente como destinatário de fatia das verbas do fundo a ser criado com a renda da exploração.

 

O dinheiro do fundo, se aprovado pelo Congresso, poderá ser aplicado em projetos de energia renovável e até na tecnologia cara e ainda em fase experimental de captura e armazenamento de carbono no fundo do mar, conhecida pela sigla em inglês CCS.

 

Lula se antecipou a uma reação prevista pelo ministro Carlos Minc. Segundo ele, a proposta do governo seria alterada no Congresso. A senadora Marina Silva (PV-AC) já havia cobrado investimentos na área. “Não posso dizer que é um efeito Marina, mas haveria reação no Congresso”, disse Minc.

the legend of secret pass download movie

 

Num sinal da reação, ativistas da ONG ambientalista Greenpeace roubaram por alguns minutos a cena na cerimônia de lançamento do marco regulatório do pré-sal em protesto contra o aumento das emissões de CO2 decorrente da exploração das reservas. Os seguranças recolheram a faixa entregue a Lula onde se lia: “Pré-sal e poluição, não dá para falar de um sem falar do outro”.

 

Na reunião de ontem de manhã, Minc voltou a falar dos estudos que apontam concentração maior de CO2 no petróleo da camada pré-sal em relação aos poços já explorados.

 

buy atlantis: end of a world, birth of a legend the film online

Ainda durante a reunião, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a estatal já trabalha com a reinjeção nos poços de parte do CO2 extraído com o petróleo. Para Minc, isso não é suficiente. Regras detalhadas serão definidas na ocasião do licenciamento ambiental para a exploração comercial dos poços, prevista para começar em 2015.

“hatchet 2″ movie

 

As estimativas do Greenpeace assombram o negócio anunciado pelo governo. A ONG calcula que o pré-sal poderá ser responsável pela emissão de 1,3 bilhão de toneladas extras de CO2 na atmosfera, considerando não apenas o gás encontrado com o petróleo, mas o refino e a queima do combustível.

pre buy paranormal activity 2 movie
download iron man 2 hd

 

O custo da captura e armazenamento do CO2 do pré-sal pode alcançar centenas de bilhões de reais e anular o resultado do combate ao desmatamento da Amazônia, disse Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace.

 

“É muito fácil colocar um número no papel e partir para o tudo ou nada”, reagiu Minc.

(Folha de SP, 1/9)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

novembro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930  

14 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Oceanógrafo defende controle ambiental na área de exploração do pré-sal

A sustentabilidade dos oceanos é um dos principais temas de debate do 5º Congresso Brasileiro de Oceanografia (CBO’2012), aberto nesta terça-feira (13), no Rio de Janeiro. Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do congresso, Carlos Leandro da Silva Júnior, vice-presidente da Associação Brasileira de Oceanografia (Aoceano), defendeu controle ambiental na área de exploração do pré-sal.

“A gente tem visto aumento da produção de petróleo e a discussão no Congresso em torno da divisão dos royalties do petróleo, mas ninguém bota a questão ambiental no âmbito do pré-sal. Ou seja: o que está se fazendo na realidade para um bom monitoramento ambiental da região que ninguém conhece?”.

Leandro enfatizou a necessidade de se evitar o que ocorreu na Bacia de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Ali, disse, os trabalhos de exploração e perfuração começaram a ser efetuados antes da realização de estudos ambientais. Com isso, perderam-se as referências de como era o ambiente naquele local, indicou o presidente do CBO’2012.

Ele ressaltou a importância da linha base do processo de conhecimento, para evitar consequências negativas no futuro. “Como você vai preservar uma coisa que não conhece?”, indagou, para acrescentar: “A gente acha que antes de começar a produção e os investimentos, a preocupação deveria ser a realização de estudos em oceanografia para desenvolver o conhecimento na região, ter o mapeamento de tudo da área de biologia, de pesca, química, sísmica, para depois poder furar”. Prejuízos à flora e à fauna marinha serão abordados. “Não se pode mitigar alguma coisa sem conhecer antes”, reiterou.

Outra preocupação diz respeito à questão das energias renováveis nos oceanos. Isso envolve, segundo o presidente do congresso, a geração de energia a partir das ondas e a energia eólica no mar. “São temas que têm de ser discutidos”. Os corais encontrados em águas profundas e os impactos das mudanças climáticas nos corais são outros temas que serão debatidos durante o encontro, que se estenderá até o próximo dia 16.

Carlos Leandro salientou, ainda, a questão da gestão e da segurança dos portos. “Em um país como o nosso, que precisa crescer, porto é fundamental do ponto de vista de exportação e importação. O Brasil precisa ter bons portos, com segurança operacional, com conhecimento das áreas do entorno”. É preciso que os portos estejam preparados para grandes acidentes, com planos de emergência para as áreas, defendeu.

O monitoramento e a mitigação de vazamentos de óleo no mar serão examinados durante o congresso, para evitar que incidentes possam vir a afetar, inclusive, outros países, alertou o vice-presidente da Aoceano. É preciso, reforçou, que as pessoas atentem para o fato que o Brasil tem 8 mil quilômetros de costa e vejam a importância das espécies do oceano profundo e não somente das praias. “Tem que ver a importância do oceano no seu aspecto mais amplo”.

Além de workshops, visando à elaboração de propostas que serão encaminhadas à sociedade, o congresso contará com palestras de especialistas e apresentação de 1.360 trabalhos científicos. O evento conta com apoio da Marinha, da Petrobras, da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Está prevista palestra sobre a importância da oceanografia para a estratégia da Marinha. Durante o congresso, serão comemorados os 35 anos do curso de oceanografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O CBO’2012 objetiva apresentar novos conhecimentos por meio de pesquisas técnicas e científicas na área dos oceanos. Esta é a primeira vez que o evento é promovido no Rio de Janeiro, estado considerado pela Aoceano uma referência no Brasil no que tange a questões no mar.

Em paralelo, ocorre a 7ª Feira Técnico-Científica Brasil Oceano, para apresentação, promoção e comercialização de novos produtos, serviços e tecnologias. Leandro revelou que a feira pretende estimular alunos do segundo grau de escolas públicas e privadas a conhecerem equipamentos usados em oceanografia, entre os quais um radar que mede correntes remotamente. A feira destaca também projetos ambientais desenvolvidos por organizações não governamentais (ONGs). “As ONGs não podem ficar fora do processo, porque além de formadoras de opinião, elas são uma forma de pressionar o setor produtivo a ter políticas ambientais”.

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


18 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Mercadante quer novo marco do pré-sal

Mudança de regra acarretaria perdas bilionárias a Ciência e Tecnologia.

Pelos cálculos do ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, sua pasta perderia, já em 2011, R$ 900 milhões, caso as regras para distribuição dos royalties do petróleo fossem alteradas. As projeções feitas para os próximos dez anos somam perdas ainda maiores, de R$ 12,2 bilhões.

 

O ministro, que participou ontem no Rio do segundo dia do 23º Fórum Nacional, está convencido de que alguns políticos “não têm uma visão de longo prazo” para a aplicação dos royalties do petróleo. A favor de uma distribuição de recursos menos concentrada em estados e municípios, ele defende que o país copie modelos que estão dando certo, como é o caso da Noruega, e não os que estão dando errado, como o da Venezuela.

 

Mercadante defendeu a aplicação majoritária dos recursos arrecadados com royalties em investimentos em educação, ciência e tecnologia. Segundo ele, “só dessa forma o Brasil poderá dar um salto de qualidade nessas áreas, que são importantes para promover o desenvolvimento”.

 

Defensor da criação de um fundo soberano para alocar os recursos oriundos do pré-sal, Mercadante também se disse favorável à transformação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em um banco público de inovação. Segundo ele, essa seria uma forma de acabar com alguns gargalos. Só o setor de fármacos, por exemplo, convive com um déficit de US$6,4 bilhões em investimentos.

 

Orçamento da Finep multiplicado por dez

Concordando com a análise de Mercadante, o presidente da Finep, Glauco Arbix, também presente ao encontro, disse que é necessário alavancar os recursos do órgão.

- Em 2010, a Finep financiou R$ 4 bilhões em projetos. Para os próximos dez anos, seria necessário multiplicar por dez o orçamento do órgão, pulando para algo como R$ 40 bilhões – afirmou Arbix.

 

Segundo o presidente da Finep, há necessidade de o País aplicar ao menos 30% dos investimentos globais nas áreas de ciência e tecnologia. Enquanto em países como os Estados Unidos os investimentos em pesquisa e desenvolvimento giram em torno de US$ 400 bilhões, no Brasil esse montante não passou de US$ 24,2 bilhões em 2009.

Há um consenso no governo de que os setores público e privado precisam se unir nessa empreitada. Tanto assim que Mercadante e Arbix defenderam uma maior inserção do setor privado em projetos de inovação tecnológica.

Fonte: O Globo


4 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Ciência e tecnologia podem perder R$ 1 bilhão com nova lei do pré-sal, alerta Mercadante

O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, afirmou nesta terça-feira (3) que o setor pode perder até R$ 1 bilhão com a nova lei do pré-sal, em discussão no Congresso Nacional. Ele alertou que a falta de recursos poderá travar o desenvolvimento de pesquisas de ponta, fazendo com que o Brasil se acomode na posição de ser apenas um grande exportador de commodities.

Mercadante participou da Reunião Magna de 2011 da Academia Brasileira de Ciências, quando expôs aos cientistas as metas e os desafios de seu ministério. Ele disse que o setor só não foi prejudicado este ano, porque o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu último dia de governo, garantiu mais um ano de recursos para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

“Este ano, nós já teríamos perdido R$ 900 milhões pela decisão do Congresso de como repartir os royalties do petróleo. O MCT, que tinha uma parcela assegurada de receita, teve ela [a parcela] diluída no Fundo Social, que ainda não está regulamentado, mas que jamais chegará ao que nós tínhamos. O [ex] presidente Lula manteve a participação e nos deu uma receita segura para 2011”, disse o ministro, que teme perder recursos para a pesquisa e inovação a partir de 2012.

Mercadante participa na quarta-feira (4) de audiência pública no Senado, quando vai expor o Plano de Ação de seu ministério na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). Ele vai aproveitar a oportunidade para sensibilizar os senadores a evitarem a perda de recursos que deveriam ir para a ciência e tecnologia, mas que podem ir para a exploração petrolífera no pré-sal.

“Estou alertando o Congresso. Fiz esse debate na Câmara e farei no Senado. Vou dizer que essa disputa é central para a ciência, tecnologia e inovação. Temos que encontrar uma saída que preserve os recursos para o setor.”

O ministro enfatizou que o Brasil não pode cair na armadilha de se acomodar em ser apenas um grande exportador de commodities e precisa disputar o mercado mundial de tecnologia de ponta.

“O país hoje tem um momento excepcional. Os produtos agrícolas e o minério de ferro estão com preços excelentes e estamos virando exportadores de derivados de petróleo. Isso vai dar bem-estar, receita e superávit comercial para o Brasil. Mas o país tem que usar isso como uma janela de oportunidade. Não pode se acomodar nesse papel. Tem que desenvolver o setor de alta e média tecnologia.”

Para exemplificar o desafio proposto, Mercadante disse que o Brasil precisa vender 21 mil toneladas de minério de ferro ou 1.742 toneladas de soja para importar uma tonelada de circuito integrado, que custa, a preços atuais, US$ 848 mil.

“O que é um circuito integrado? É inteligência, ciência, tecnologia. Nós temos que disputar esses setores de ponta e, para isso, é preciso investir, assegurando uma margem do pré-sal para o futuro do Brasil.”

Fonte: Vladimir Platonow/ Agência Brasil


4 de março de 2011 | nenhum comentário »

Ibama montará força-tarefa para o pré-sal

O novo presidente do órgão, Curt Trennepohl, quer preparar regras com antecedência para evitar problemas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vai montar uma força-tarefa para lidar com o desafio de licenciamento ambiental que será imposto pelo pré-sal. A preocupação da autarquia é estar preparada para um trabalho que, além de ser tecnicamente inédito, envolverá um volume gigantesco de estudos e fiscalização.

 

Assim, o Ibama espera afastar a pecha de ser um entrave à exploração do petróleo, estigma que já o acompanha nas áreas de energia e transporte.

 

O novo presidente do Ibama, o advogado gaúcho Curt Trennepohl, informa que começará a montar uma equipe de analistas ambientais com a missão específica de atender ao pré-sal. “Se não tivermos um time muito preparado, vamos retardar o processo, judicializar o licenciamento e, aí, eu vou para o pelourinho. Temos que investir em treinar gente agora”, disse ao Valor.

 

Trennepohl afirma que o único pedido feito ao Ibama sobre pré-sal até agora refere-se a pesquisas sísmicas, e não à exploração do petróleo. Nesta semana, a Petrobras informou que pretende perfurar 20 poços na região do pré-sal da Bacia de Santos em 2011. “Imagine se começarem a chegar aqui projetos de licenciamento, operações que são complexas dada a profundidade em que ocorrerá a exploração e a numerosos componentes envolvidos que ainda não estão regulamentados. Ou nos antecipamos e estabelecemos as regras, ou teremos problemas”, afirmou Trennepohl, há uma semana no comando do Ibama.

 

A criação dessas equipes especiais de licenciamento não se limitará à camada do pré-sal. Várias equipes estão em fase de montagem para lidar com projetos emergenciais, como a polêmica hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Hoje, o Ibama tem 280 analistas ambientais em outras partes do país, fora Brasília, contingente que precisaria ser de 600 para dar conta do recado, segundo Trennepohl.

 

Como a realização de concurso público está fora dos planos, o Ibama decidiu remanejar funcionários dos Estados para Brasília. Na capital, a equipe é de 40 analistas. Até o fim do ano, a meta é ter 500 funcionários dedicados ao licenciamento ambiental na sede da autarquia. “Não vai ser um movimento muito fácil. Vão dizer que há centralização da administração em detrimento da ação na ponta. Mas se o cobertor é curto, tenho que optar por deixar o nariz ou os pés de fora.” O Ibama tem 4.124 funcionários na ativa e técnicos de outras áreas devem reforçar o licenciamento.

 

Procurador federal e servidor do Ibama há 21 anos, Curt Trennepohl precisa seguir à risca as duas missões que a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, colocou no seu colo: combater o desmatamento da Amazônia e acelerar o licenciamento ambiental.

Hoje, o Ibama já trabalha com três equipes de apoio para missões específicas, como a análise dos projetos de linhas de transmissão. Desse time, 18 analistas estão mergulhados no licenciamento de Belo Monte, projeto que praticamente catalisa todas as dificuldades vividas atualmente pelo instituto.

 

O Ibama liberou uma licença específica para a instalação do canteiro de obras da empresa Norte Energia, que fará a obra, mas o Ministério Público Federal (MPF) do Pará conseguiu uma liminar na Justiça para barrar a licença. Agora, a Advocacia-Geral da União (AGU) tenta restabelecer a licença. “Hoje, eu não assinaria a licença de instalação da hidrelétrica. Mas quanto ao canteiro de obras não há qualquer irregularidade. O que existe é uma interpretação sob uma óptica diferente feita pelo Ministério do Pará, que, aliás, tem uma postura muito combativa”, diz Trennepohl.

 

A situação, segundo o presidente do Ibama, explora uma área “nebulosa” da legislação atual. O MPF acusa o consórcio Norte Energia de não ter cumprido algumas condicionantes da licença prévia de Belo Monte, entre as quais estão ações de saneamento básico no município de Altamira, nas proximidades da hidrelétrica. “Agora, como é que começo uma obra de saneamento em Altamira se eu ainda não tenho onde alojar os trabalhadores e o material?”, pergunta. “A licença prévia exige o saneamento, mas para fazê-lo eu preciso de um pátio de apoio. É esse tipo de situação que precisa ser considerada.”

 

Às vésperas de se aposentar – seu último dia de trabalho seria 15 de abril -, Trennepohl diz ter aceito a empreitada no Ibama por “amor” à instituição e para atender a um “apelo” da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “Foi uma decisão difícil. Levou quase dois minutos. Estava pronto para ir embora, entraria de férias no dia 28 de março, mas aceitei”, conta.

website to watch bedrooms the movie

Fonte: Valor Econômico


7 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Para ser potência verde, Brasil deve fazer mudanças na matriz energética

07/12/2010

Na atual disputa por uma economia de baixo carbono, o Brasil poderia estar no topo do pódio e permanecer nele por muito tempo devido ao seu vasto potencial de energias renováveis. Mas, segundo especialistas, o país vem desperdiçando oportunidades de explorar fontes de energia limpa – o grande motor para o desenvolvimento em tempos de mudanças climáticas.

“Ninguém tem dúvidas de que as energias renováveis vão dominar no futuro. É um processo muito demorado, mas irreversível”, afirma o economista e engenheiro Edmilson Moutinho dos Santos, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP.

“Mas o Brasil, mesmo com todo seu potencial, pode ficar para trás se não investir mais nessa área de energia verde”, alerta o coordenador do Greenpeace, Ricardo Baitelo.

China, Estados Unidos e alguns países europeus estão aplicando bilhões de dólares para expandir suas energias verdes, especialmente eólica, solar e de biomassa (produzida a partir de lixo orgânico e sobras agrícolas, como o bagaço da cana). Na Europa, por exemplo, do total de novos mecanismos de geração de energia instalados no ano passado, 60% foram para renováveis.

Um estudo do Pew Environment Group com países do G-20 mostrou que enquanto o investimento da China nessa área foram de US$ 34,6 bilhões em 2009, o do Brasil foi de US$ 7,4 bilhões.

Situação cômoda – A culpa dessa “lentidão” do governo pode estar justamente na situação confortável do Brasil, com imenso seu potencial hidrelétrico, que faz com que 47% das fontes de energia do país sejam limpas. No entanto, para os especialistas, esse índice não pode ser visto como um motivo para se acomodar.

“Até há alguns anos, o país ainda tinha um grande potencial hidrelétrico a ser explorado. E o governo alegava que a Europa só investia em fontes renováveis por não ter esse potencial”, diz Baitelo. “Hoje, ele já percebeu as dificuldades ligadas a hidrelétricas e as vantagens da energias como a eólica.”

Para a professora de gestão ambiental da USP, Neli Aparecida de Mello, o problema não está nas hidrelétricas em si, mas na aposta que sempre se fez nas obras grandiosas, como Itaipu e Balbina, e também na sua localização.

“Não é uma questão de banir o modelo, mas sim de mudá-lo. Em primeiro lugar, deveríamos construir hidrelétricas menores, mais locais”, diz. “Também é preciso levar em conta que atualmente os novos projetos estão na Amazônia, como Belomonte. Além do impacto ambiental, temos de ver o grande problema de logística para controlar essas longas linhas de transmissão que trazem a energia para o Sudeste.”

Outro desafio passa pelas emissões vindas do setor energético. A meta do governo é permitir que esse tipo de emissão – que hoje representa 16,5% do total – dobre em dez anos. Segundo Baitelo, o governo usa a desculpa de que, como as emissões desse tipo são baixas, não há problemas em aumentá-las. “É um absurdo que se permita duplicar esse valor num país como o Brasil, com tantas alternativas energéticas”, diz.

Deslumbramento – Os especialistas também apontaram para outro motivo para esse certo atraso do Brasil em investir nas fontes verdes: o pré-sal. “No início do governo Lula, o etanol era prioridade. Com o pré-sal, houve um deslumbramento e ele acabou sumindo um pouco do discurso”, afirma Baitelo, lembrando que o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão chegou a dizer que queria ver carros de passeio a diesel.

Santos destaca ainda que essa empolgação pré-sal acabou tirando o foco de uma questão essencial: o destino do gás gerado pela exploração desse petróleo. A projeção para essas emissões são tão altas que poderiam substituir as geradas pelo desmatamento, se esse fosse erradicado.

“Para quem está pensando em sustentabilidade, é um absurdo não aproveitar bem esse gás”, diz o engenheiro, acrescentando que, aliado a outras fontes, o gás poderia ajudar no abastecimento de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Outro contrasenso indicado por Santos é não se incentivar ônibus movidos à gás – e sim a diesel e etanol. “Para suprir frotas grandes como a de São Paulo seria preciso plantar muito mais cana, tirando espaço de outro tipo de lavouras.”

Avanços – Segundo os especialistas, esses erros e políticas mal articuladas tiveram seu ápice há cerca de cinco anos. “O governo acabou sujando sua matriz energética ao incentivar as térmicas a óleo, que são baratas de se construir”, lembra Baitelo.

Mas essa tendência vem se revertendo, ainda que em um ritmo muito mais lento do que o esperado. “Governo viu que o foco estava errado e passou a investir um pouco mais em outras energias, como a eólica”, diz o coordenador do Greenpeace.

A participação da eólica na matriz elétrica nacional cresceu 5% em 2009. Mesmo assim, essa fonte corresponde a apenas 0,2% do total de energia gerada, enquanto tem potencial para gerar até três vezes mais do que o Brasil necessita.

Para mudar esse cenário, falta mais incentivo do governo: “O BNDES, por exemplo, fica financiando apenas as grandes obras, como estádios para a Copa e Belomonte”, afirma Santos.

Lucrando com o sol – Os especialistas também criticam o baixo investimento sem ciência e pesquisa, que acabam ficando mais concentrado em áreas ligadas ao petróleo e a biocombustíveis. “O discurso oficial sempre pendeu mais para ‘vamos esperar o preço cair’ do que para criar legislação que incentive essas energias renováveis”, diz Baitelo.

Ele cita o fato de não haver produção nacional de painéis solares. “Se houvesse mais incentivos a esse tipo de negócio, poderíamos exportar essa tecnologia, como fazemos com o etanol.”

film downloads

Tarifas especiais para quem poupa energia também são raras no Brasil. Em países europeus e asiáticos, essa iniciativa é corrente e vai além: o consumidor que usa energia solar pode vender de volta para o Estado o excedente, criando um ciclo virtuoso.

“Incentivos e garantias ao consumidor é uma questão chave para se melhorar nossa maneira de usar energia”, afirma a professora da USP, fazendo uma comparação com os carros a álcool. “Demorou um tempo para se embarcar nesse mercado. Mas se a política for mantida aos poucos, o consumidor vai vendo que é algo viável, vantajoso e passa a comprar equipamentos que economizam energia, painéis solares.”

Fonte: G1


3 de setembro de 2009 | nenhum comentário »

Pré-sal: Verba ambiental é incluída na última hora

Lula decidiu nesta segunda-feira incluir ambiente como destinatário de fatia de recursos do fundo a ser criado com a renda do petróleo. Dinheiro poderá ser usado em projetos de energia renovável e na tecnologia de captura e armazenagem de carbono no fundo do mar

divx mononoke-hime

sunset blvd film hd download

Marta Salomon escreve para a “Folha de SP”:

 

Apesar dos estudos que apontam concentração três a quatro vezes maior de gás carbônico (CO2) no petróleo da camada pré-sal, o ambiente só ganhou espaço nas regras anunciadas ontem pelo governo em uma carona de última hora. O presidente Lula decidiu ontem de manhã incluir o ambiente como destinatário de fatia das verbas do fundo a ser criado com a renda da exploração.

 

O dinheiro do fundo, se aprovado pelo Congresso, poderá ser aplicado em projetos de energia renovável e até na tecnologia cara e ainda em fase experimental de captura e armazenamento de carbono no fundo do mar, conhecida pela sigla em inglês CCS.

 

Lula se antecipou a uma reação prevista pelo ministro Carlos Minc. Segundo ele, a proposta do governo seria alterada no Congresso. A senadora Marina Silva (PV-AC) já havia cobrado investimentos na área. “Não posso dizer que é um efeito Marina, mas haveria reação no Congresso”, disse Minc.

the legend of secret pass download movie

 

Num sinal da reação, ativistas da ONG ambientalista Greenpeace roubaram por alguns minutos a cena na cerimônia de lançamento do marco regulatório do pré-sal em protesto contra o aumento das emissões de CO2 decorrente da exploração das reservas. Os seguranças recolheram a faixa entregue a Lula onde se lia: “Pré-sal e poluição, não dá para falar de um sem falar do outro”.

 

Na reunião de ontem de manhã, Minc voltou a falar dos estudos que apontam concentração maior de CO2 no petróleo da camada pré-sal em relação aos poços já explorados.

 

buy atlantis: end of a world, birth of a legend the film online

Ainda durante a reunião, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a estatal já trabalha com a reinjeção nos poços de parte do CO2 extraído com o petróleo. Para Minc, isso não é suficiente. Regras detalhadas serão definidas na ocasião do licenciamento ambiental para a exploração comercial dos poços, prevista para começar em 2015.

“hatchet 2″ movie

 

As estimativas do Greenpeace assombram o negócio anunciado pelo governo. A ONG calcula que o pré-sal poderá ser responsável pela emissão de 1,3 bilhão de toneladas extras de CO2 na atmosfera, considerando não apenas o gás encontrado com o petróleo, mas o refino e a queima do combustível.

pre buy paranormal activity 2 movie
download iron man 2 hd

 

O custo da captura e armazenamento do CO2 do pré-sal pode alcançar centenas de bilhões de reais e anular o resultado do combate ao desmatamento da Amazônia, disse Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace.

 

“É muito fácil colocar um número no papel e partir para o tudo ou nada”, reagiu Minc.

(Folha de SP, 1/9)