13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fontes limpas de energia ainda longe de cumprir promessas

Alto custo e baixa eficiência são maiores obstáculos.

Um dos temas-chave da Rio+20, conferência global do meio ambiente que acontece este ano no Brasil, as fontes limpas e renováveis de energia enfrentam obstáculos para ganharem o espaço dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial. Altos custos, baixa eficiência e pouca confiabilidade atravancam a expansão da geração solar e eólica, enquanto tecnologias como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis feitos com algas ainda não passam de promessas, demandando mais anos ou décadas de pesquisa e desenvolvimento para chegarem às ruas do planeta.

 

Segundo o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia, as usinas solares, eólicas e outras do tipo responderam por apenas 0,8% de toda a energia no mundo em 2009. Enquanto isso, o último relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre fontes renováveis prevê quatro cenários para o avanço no seu uso. No mais otimista, elas representariam 77% da energia do mundo em 2050, ajudando a manter a concentração de gases-estufa na atmosfera abaixo de 450 partes por milhão de dióxido de carbono, o suficiente para que a elevação da temperatura média global fique abaixo de 2 graus Celsius até o fim do século.

 

Já no cenário mais pessimista, a participação das fontes renováveis ficaria em apenas 15% do suprimento total de energia do planeta, com consequências desastrosas para o clima. Para evitar que isso aconteça, é necessário que sejam implantadas políticas fortes de incentivo à substituição dos combustíveis fósseis, defende Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

“O mercado não resolve tudo e o mundo está acordando para isso. É preciso a presença do Estado, dos órgãos reguladores, incentivos e planejamento, pois o principal empecilho para o avanço das fontes alternativas é seu alto custo comparativo. Hoje, carvão e gás natural, grandes emissores de gases-estufa, são as principais fontes de energia e vão continuar muito mais baratas do que as alternativas. Se não houver uma atitude enérgica, elas vão demorar muito para terem um peso significativo na matriz”, afirma.

 

Discurso mais otimista que real - Nas ruas e estradas, os combustíveis fósseis deverão continuar a abastecer os tanques dos veículos ainda por muitos anos. Em todo mundo, a única iniciativa com resultados significativos ainda é o programa de etanol de cana brasileiro e, mesmo com todos incentivos e subsídios, o etanol de milho dos EUA é “sujo” e pouco eficiente, afirma Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee).

 

“A maior parte da energia utilizada para produzir o etanol de milho americano vem de usinas a carvão, o que faz com que ele na verdade seja de 70% a 80% combustível fóssil, e não exatamente uma fonte limpa e renovável”, considera. “E mesmo o Brasil está tomando o caminho errado. Os carros flex na verdade são um crime em termos de eficiência, uma solução que não é boa tanto para o uso da gasolina quanto do álcool.”

 

As outras opções para alimentar a frota mundial de veículos, como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis de algas, ainda precisam de muito tempo para que as tecnologias sejam desenvolvidas, amadureçam e se tornem comercialmente viáveis, diz Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe. “O discurso é mais otimista do que a realidade. Ninguém consegue ver nenhuma dessas tecnologias se tornando minimamente importantes antes de 2025. E os carros elétricos e híbridos, embora sejam um passo à frente, não são a solução. Não adianta o carro ser 100% elétrico se a energia que o alimenta é de uma usina a carvão. Só se estaria trocando poluição local por global”, diz.

 

Segundo especialistas, a energia solar é e continuará muito mais cara que as fontes tradicionais nos próximos anos. Em geral, os painéis solares conseguem converter no máximo 20% da radiação recebida em eletricidade. E isso em dias claros e com iluminação direta do Sol. Além disso, uma simples poeira pode reduzir muito seu rendimento, sem contar que as usinas só geram energia durante o dia.

 

O panorama para a energia eólica, por sua vez, é um pouco melhor. Graças aos ganhos de escala na fabricação dos equipamentos com os fortes investimentos no setor, seus custos caíram acentuadamente nos últimos anos e sua eficiência aumentou. Mas, assim como a solar, ela também está muito sujeita às condições do clima, trazendo incertezas que farão com que sirva apenas como fonte complementar às tradicionais ainda por muitos anos.

 

“É preciso que tenhamos um pouco de tudo. Na hora que a China deixa de fazer uma usina a carvão para montar um parque eólico, por exemplo, a conta vai melhorando em favor do clima. Não será fácil repor o que se tem hoje só com fontes renováveis, mas vamos começar a ver uma transição nesta direção”, declara Schaeffer.

Fonte: O Globo


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Países-ilha pedem que ONU torne obrigação promessas de ricos

Proposta transforma corte voluntário de emissão de desenvolvidos em regra.
Medida foi apresentada durante reunião do Clima, em Bonn, na Alemanha.

Sob ameaça do impacto da elevação dos oceanos, em decorrência do aquecimento global, os governantes de países insulares afirmaram nesta terça-feira (7), durante a conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Bonn, na Alemanha, que estão dispostos a auxiliar a ONU a dialogar com os países ricos para alcançar um acordo de redução de emissões.

A Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS, na sigla em inglês), que representa 43 nações, afirmou que pode considerar as promessas de cortes de emissões apresentadas de maneira voluntária por países ricos, se essas metas estiverem validadas em um documento jurídico.

O grupo tem exigido um endurecimento das promessas feitas pelo grupo dos industrializados durante a conferência do clima de 2010, que ocorreu em Cancún, no México.

Este seria o primeiro passo para manter uma ação pelo clima antes da revisão das ações para conter o aumento da temperatura que será divulgada pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em 2015, afirmou Leon Charles, negociador-chefe do AOSIS.

“Se vamos começar uma ação urgente, precisamos de uma confiança que somente conquistamos em um contrato legal. Portanto, vamos pegar o que foi afirmado em Cancún e torná-lo obrigatório”, disse Charles.

Cerca de 90 países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram no México em tomar ações ambientais voluntárias até 2020.

O Brasil foi um dos países a entrar para a lista, com a promessa de cortar até 39% das emissões com ações de combate no desmatamento, além de planos setoriais para melhorar a produção de energia, a indústria e diminuir o impacto da agropecuária.

Fonte: Globo Natureza, com informações de agências.






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13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Fontes limpas de energia ainda longe de cumprir promessas

Alto custo e baixa eficiência são maiores obstáculos.

Um dos temas-chave da Rio+20, conferência global do meio ambiente que acontece este ano no Brasil, as fontes limpas e renováveis de energia enfrentam obstáculos para ganharem o espaço dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial. Altos custos, baixa eficiência e pouca confiabilidade atravancam a expansão da geração solar e eólica, enquanto tecnologias como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis feitos com algas ainda não passam de promessas, demandando mais anos ou décadas de pesquisa e desenvolvimento para chegarem às ruas do planeta.

 

Segundo o relatório mais recente da Agência Internacional de Energia, as usinas solares, eólicas e outras do tipo responderam por apenas 0,8% de toda a energia no mundo em 2009. Enquanto isso, o último relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas sobre fontes renováveis prevê quatro cenários para o avanço no seu uso. No mais otimista, elas representariam 77% da energia do mundo em 2050, ajudando a manter a concentração de gases-estufa na atmosfera abaixo de 450 partes por milhão de dióxido de carbono, o suficiente para que a elevação da temperatura média global fique abaixo de 2 graus Celsius até o fim do século.

 

Já no cenário mais pessimista, a participação das fontes renováveis ficaria em apenas 15% do suprimento total de energia do planeta, com consequências desastrosas para o clima. Para evitar que isso aconteça, é necessário que sejam implantadas políticas fortes de incentivo à substituição dos combustíveis fósseis, defende Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

“O mercado não resolve tudo e o mundo está acordando para isso. É preciso a presença do Estado, dos órgãos reguladores, incentivos e planejamento, pois o principal empecilho para o avanço das fontes alternativas é seu alto custo comparativo. Hoje, carvão e gás natural, grandes emissores de gases-estufa, são as principais fontes de energia e vão continuar muito mais baratas do que as alternativas. Se não houver uma atitude enérgica, elas vão demorar muito para terem um peso significativo na matriz”, afirma.

 

Discurso mais otimista que real - Nas ruas e estradas, os combustíveis fósseis deverão continuar a abastecer os tanques dos veículos ainda por muitos anos. Em todo mundo, a única iniciativa com resultados significativos ainda é o programa de etanol de cana brasileiro e, mesmo com todos incentivos e subsídios, o etanol de milho dos EUA é “sujo” e pouco eficiente, afirma Jayme Buarque de Hollanda, diretor-geral do Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee).

 

“A maior parte da energia utilizada para produzir o etanol de milho americano vem de usinas a carvão, o que faz com que ele na verdade seja de 70% a 80% combustível fóssil, e não exatamente uma fonte limpa e renovável”, considera. “E mesmo o Brasil está tomando o caminho errado. Os carros flex na verdade são um crime em termos de eficiência, uma solução que não é boa tanto para o uso da gasolina quanto do álcool.”

 

As outras opções para alimentar a frota mundial de veículos, como células de hidrogênio, etanol de celulose e biocombustíveis de algas, ainda precisam de muito tempo para que as tecnologias sejam desenvolvidas, amadureçam e se tornem comercialmente viáveis, diz Roberto Schaeffer, professor de Planejamento Energético da Coppe. “O discurso é mais otimista do que a realidade. Ninguém consegue ver nenhuma dessas tecnologias se tornando minimamente importantes antes de 2025. E os carros elétricos e híbridos, embora sejam um passo à frente, não são a solução. Não adianta o carro ser 100% elétrico se a energia que o alimenta é de uma usina a carvão. Só se estaria trocando poluição local por global”, diz.

 

Segundo especialistas, a energia solar é e continuará muito mais cara que as fontes tradicionais nos próximos anos. Em geral, os painéis solares conseguem converter no máximo 20% da radiação recebida em eletricidade. E isso em dias claros e com iluminação direta do Sol. Além disso, uma simples poeira pode reduzir muito seu rendimento, sem contar que as usinas só geram energia durante o dia.

 

O panorama para a energia eólica, por sua vez, é um pouco melhor. Graças aos ganhos de escala na fabricação dos equipamentos com os fortes investimentos no setor, seus custos caíram acentuadamente nos últimos anos e sua eficiência aumentou. Mas, assim como a solar, ela também está muito sujeita às condições do clima, trazendo incertezas que farão com que sirva apenas como fonte complementar às tradicionais ainda por muitos anos.

 

“É preciso que tenhamos um pouco de tudo. Na hora que a China deixa de fazer uma usina a carvão para montar um parque eólico, por exemplo, a conta vai melhorando em favor do clima. Não será fácil repor o que se tem hoje só com fontes renováveis, mas vamos começar a ver uma transição nesta direção”, declara Schaeffer.

Fonte: O Globo


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Países-ilha pedem que ONU torne obrigação promessas de ricos

Proposta transforma corte voluntário de emissão de desenvolvidos em regra.
Medida foi apresentada durante reunião do Clima, em Bonn, na Alemanha.

Sob ameaça do impacto da elevação dos oceanos, em decorrência do aquecimento global, os governantes de países insulares afirmaram nesta terça-feira (7), durante a conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Bonn, na Alemanha, que estão dispostos a auxiliar a ONU a dialogar com os países ricos para alcançar um acordo de redução de emissões.

A Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS, na sigla em inglês), que representa 43 nações, afirmou que pode considerar as promessas de cortes de emissões apresentadas de maneira voluntária por países ricos, se essas metas estiverem validadas em um documento jurídico.

O grupo tem exigido um endurecimento das promessas feitas pelo grupo dos industrializados durante a conferência do clima de 2010, que ocorreu em Cancún, no México.

Este seria o primeiro passo para manter uma ação pelo clima antes da revisão das ações para conter o aumento da temperatura que será divulgada pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) em 2015, afirmou Leon Charles, negociador-chefe do AOSIS.

“Se vamos começar uma ação urgente, precisamos de uma confiança que somente conquistamos em um contrato legal. Portanto, vamos pegar o que foi afirmado em Cancún e torná-lo obrigatório”, disse Charles.

Cerca de 90 países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram no México em tomar ações ambientais voluntárias até 2020.

O Brasil foi um dos países a entrar para a lista, com a promessa de cortar até 39% das emissões com ações de combate no desmatamento, além de planos setoriais para melhorar a produção de energia, a indústria e diminuir o impacto da agropecuária.

Fonte: Globo Natureza, com informações de agências.