4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Fundo de conversão da dívida brasileira para proteção ambiental

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu, nesta segunda-feira (2), em Brasília, a primeira reunião do Comitê da Conta para a Conservação de Florestas Tropicais (TFCA, sigla em inglês). O comitê vai definir os critérios e analisar os projetos que serão beneficiados com o fundo de cerca de US$ 20 milhões oriundos da conversão de dívida brasileira com o governo dos Estados Unidos em proteção ambiental para a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

Para a ministra, o TFCA pode ajudar a aprimorar a gestão de recursos naturais com a participação da ciência. Treinamentos para aumentar as capacidades científicas, técnicas e gerenciais de pessoas e organizações envolvidos com a conservação da biodiversidade é uma das linhas de financiamento da conta.

A ministra defendeu projetos para melhorar a qualidade de vida de quem vive na floresta e promover o uso sustentável. “É preciso de novos projetos que agreguem essas famílias”, disse. De acordo com a ministra, a população que vive na floresta precisa de políticas de acesso mais rápido ao crédito, acesso a energias, por exemplo, para melhorar a qualidade de vida.

O comitê é composto por nove assentos, cabendo três ao Governo Brasileiro, cinco a ONGs brasileiras e um para a Agência Norte Americana de Desenvolvimento Internacional. A próxima reunião acontecerá em junho.

Recursos oferecidos por meio do TFCA vêm dando apoio a iniciativas como conservação de áreas protegidas, manejo de recursos naturais e apoio ao desenvolvimento de atividades sustentáveis de subsistência para comunidades silvestres no mundo.

Para atingir o objetivo do TFCA no Brasil, que é de conservar, preservar e recuperar florestas na Mata Atlântica, na Caatinga e no Cerrado, o comitê deverá aprovar projetos inovadores, que tenham o foco na conservação da floresta, resultados de grande escala e que possam ser alavancados para outros lugares. “Esses instrumentos são essenciais para a política brasileira de conservação da biodiversidade”, finalizou a ministra.

Fonte: Carlos Américo/MMA






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Economia verde opõe países ricos aos emergentes

A divergência entre priorizar crescimento econômico ou proteção ambiental marcou a reunião ministerial da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), na semana passada, e ilustrou um confronto entre países ricos e emergentes que deve ter continuidade na conferência Rio+20, em junho, no Rio.

A OCDE reuniu ministros de Meio Ambiente para definir a mensagem que seus países-membros, ditos os mais desenvolvidos, vão levar ao Rio, e convidaram alguns emergentes – Brasil, China, Indonésia, Rússia, África do Sul e Colômbia – para a discussão. No final, os emergentes não endossaram a declaração ministerial, com exceção da Rússia, que está em processo de adesão à entidade e aceita tudo pelo momento.

 

A divergência de enfoque ficou patente. Os países desenvolvidos estão muito centrados no princípio de “economia verde”, que consideram um dos meios para alcançar desenvolvimento sustentável, econômico, comercial e ambiental. Só que o social fica um pouco a reboque e não tem a mesma ênfase, segundo países como o Brasil.

 

Para vários ministros, instrumentos econômicos – taxação, encargos, imposto sobre poluição, eliminação de subsídios que prejudicam o meio ambiente – são importantes, mas os países precisam de regulação mais efetiva para acelerar a mudança de comportamento. Uma ideia que volta é a da cobrança do custo real do uso de recursos naturais, por exemplo, da água, que ficaria bem mais cara.

 

O “Policy Statement” dos países da OCDE para a Rio+20, destaca ainda que comércio e investimento não devem ser barreiras ao crescimento verde ou desenvolvimento sustentável. Nas discussões, na semana passada, a Coreia do Sul mostrou uma visão mais mercantilista que a europeia, por exemplo. O objetivo parece ser a derrubada de barreiras para vender equipamentos modernos que ajudariam a adaptação industrial.

 

Para os emergentes, o problema é que a OCDE quer atrelar demais a expansão econômica à proteção ambiental, o que exige priorizar investimentos enormes em equipamentos, pesquisas, renovação de indústrias, filtrar tudo, fechar usinas sujas e substitui-las por novas. “Não é o ambiental que puxa o desenvolvimento, é o desenvolvimento que puxa o ambiental”, diz um negociador emergente.

 

A avaliação é que a receita dos desenvolvidos, que já tem capacidade instalada, regras ambientais e crescimento limitado, provocaria crescimento menor e a um custo muito maior para os países em desenvolvimento. Os emergentes voltaram a pedir que a OCDE demonstre quanto custaria a adaptação ao “crescimento verde”. A entidade diz que isso é difícil, mas que no longo prazo todos ganham com economia forte e limpa.

 

Os emergentes concordam, mas insistem que a prioridade no contexto atual é continuar crescendo para aumentar a inclusão social, criar mais empregos, entre outras ações. “Isso passa à frente, não adianta falar de tecnologia sofisticada se for nos custar demais ou desacelerar o processo de inclusão social, distribuição de renda”, diz uma fonte dos emergentes.

 

Embora sem endossar o texto da OCDE, o Brasil conseguiu incluir no texto uma menção à “economia verde inclusiva”, numa nuance em relação ao “crescimento verde”.

Fonte: Valor Econômico


3 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Fundo de conversão da dívida brasileira para proteção ambiental

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, abriu, nesta segunda-feira (2), em Brasília, a primeira reunião do Comitê da Conta para a Conservação de Florestas Tropicais (TFCA, sigla em inglês). O comitê vai definir os critérios e analisar os projetos que serão beneficiados com o fundo de cerca de US$ 20 milhões oriundos da conversão de dívida brasileira com o governo dos Estados Unidos em proteção ambiental para a Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga.

Para a ministra, o TFCA pode ajudar a aprimorar a gestão de recursos naturais com a participação da ciência. Treinamentos para aumentar as capacidades científicas, técnicas e gerenciais de pessoas e organizações envolvidos com a conservação da biodiversidade é uma das linhas de financiamento da conta.

A ministra defendeu projetos para melhorar a qualidade de vida de quem vive na floresta e promover o uso sustentável. “É preciso de novos projetos que agreguem essas famílias”, disse. De acordo com a ministra, a população que vive na floresta precisa de políticas de acesso mais rápido ao crédito, acesso a energias, por exemplo, para melhorar a qualidade de vida.

O comitê é composto por nove assentos, cabendo três ao Governo Brasileiro, cinco a ONGs brasileiras e um para a Agência Norte Americana de Desenvolvimento Internacional. A próxima reunião acontecerá em junho.

Recursos oferecidos por meio do TFCA vêm dando apoio a iniciativas como conservação de áreas protegidas, manejo de recursos naturais e apoio ao desenvolvimento de atividades sustentáveis de subsistência para comunidades silvestres no mundo.

Para atingir o objetivo do TFCA no Brasil, que é de conservar, preservar e recuperar florestas na Mata Atlântica, na Caatinga e no Cerrado, o comitê deverá aprovar projetos inovadores, que tenham o foco na conservação da floresta, resultados de grande escala e que possam ser alavancados para outros lugares. “Esses instrumentos são essenciais para a política brasileira de conservação da biodiversidade”, finalizou a ministra.

Fonte: Carlos Américo/MMA