3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nascimento de tartarugas no interior da Amazônia quase triplica em 2011

Projeto que integra biólogos e comunidade protege ninhos de quelônios.
Reprodução é afetada por caça; carne e ovos são consumidos na região.

O nascimento de quelônios no interior da Amazônia quase triplicou em 2011, graças ao trabalho de prevenção que uniu biólogos e a população ribeirinha da região de Mamirauá (AM), na reserva de mesmo nome – uma área de 10 mil km², equivalente a sete vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

Ações para proteger ninhadas e conter a caça ilegal de exemplares de tartarugas-da-amazônica (Podocnemis expansa), tracajás (P. unifilis) e iaçás (P. sextuberculata), cuja carne e ovos são utilizados na alimentação humana, fez com que a quantidade de nascimentos aumentasse de 11.500, em 2010, para mais de 42 mil em 2011.

Um aumento de 265%, segundo o Instituto Mamirauá, responsável pelo trabalho de conservação das espécies vertebradas aquáticas (projeto Aquavert).

De acordo com a bióloga Cássia Santos Camillo, pesquisadora do instituto e coordenadora do projeto, um envolvimento maior de 3.500 moradores, distribuídos em 40 comunidades ribeirinhas, elevou a proteção dos ninhos de tartarugas.

Em entrevista ao Globo Natureza direto da Costa Rica, onde conclui estudos, a especialista afirma que o trabalho na região dos Rios Solimões e Japurá pode reverter o processo de extinção de espécies consideradas ameaçadas, como a tartaruga-da-amazônia.

“Apesar dela não estar na lista brasileira dos animais com risco de desaparecimento (elaborada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, o Ibama), aqui na região ela é considerada ecologicamente extinta”, afirma Cássia.

Espécie quase dizimada
Segundo Cássia, pesquisa histórica feita por ambientalistas afirma que a população desta tartaruga foi quase dizimada na área desde 1850. Relatos feitos na região de Tefé, também noAmazonas, afirmavam que anualmente eram encontrados cerca de 48 milhões de ovos da espécie ameaçada. Hoje, este número não passa de 20 mil.

“Isto porque os ovos de tartaruga-da-amazônia eram recolhidos e utilizados para fabricar óleo para iluminação pública de cidades como Manaus e Santarém (PA)”, explica a bióloga.

Os ninhos desta espécie aumentaram de 75, em 2010, para 150 em 2011. Cada ninhada pode gerar até 120 filhotes. De acordo com a especialista, o período de reprodução dos quelônios se inicia durante a seca na Amazônia, que começa em julho.

“Todo ano a gente espera um aumento no número de ninhos, mas isso é consequência da quantidade de regiões que estão sob proteção. Esperamos aumentar, gradativamente, nossa área de cobertura com o apoio das comunidades, que começam a definir em março quais serão as praias que ficarão protegidas. O problema é que nem sempre há respeito dessas normas, com a persistência da caça”, afirma.

Tartarugas na Amazônia (Foto: Diogo Grabin/Divulgação)

Filhote de tartaruga da espécie iaçá é analisada por biólogo no Amazonas. (Foto: Diogo Grabin/Divulgação)

Tartarugas na Amazônia (Foto: Divulgação/Augusto Rodrigues)

Tartarugas entram em rio da Amazônia próximo à reserva de Mamirauá (Foto: Divulgação/Augusto Rodrigues)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Polícia Ambiental apreende 342 ovos de quelônios no Porto de Manaus

Policiais também encontraram três tracajás na mesma embarcação.
Barco ‘Arcanjo’ vinha de Boa Vista do Ramos, a 369 Km da capital.

Uma ação de rotina da Polícia Ambiental, realizada no início da noite desta quarta-feira (12), resultou na apreensão de 342 ovos de tracajás e mais três quelônios dessa mesma espécie, no Porto Privatizado de Manaus. Eles vinham em uma embarcação identificada como ‘Arcanjo’, proveniente de Boa Vista dos Ramos, a 269 km da capital.

De acordo informações do cabo Carlos Samuel , da 2ª Companhia Fluvial do Batalhão, os animais foram encontrados em situação de maus tratos. “Os quelônios estavam amarrados com fios de barbante, enrolados em sacolas plásticas e dispostos em caixas, juntamente com os ovos”, informou.

Na avaliação do policial, trata-se de uma tentativa de camuflar a presença dos animais, durante as abordagens de rotina dos militares da Companhia. “Suspeitamos logo no início do procedimento de ‘varredura’ feito na embarcação, por conta do odor dos tracajás”, disse.

Policiais encontraram animais em situação de maus-tratos (Foto: Divulgação/Polícia Ambiental)

Policiais encontraram animais em situação de maus-tratos (Foto: Divulgação/Polícia Ambiental)

Wilson Roberto Almeida, de 29 anos, e Maria Edineuza Fonseca, de 34 anos, identificados pela Polícia Ambiental como o responsável e a conferente de carga da embarcação, respectivamente, foram conduzidos ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

“Eles podem responder pelo crime de maus-tratos a animais, conforme o artigo 32, da Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata de crimes ambientais”, destacou Samuel. A pena, conforme a legislação, é de detenção, de três meses a um ano, e multa.

No 1º DIP, onde foi feito um termo circunstancial de ocorrência, o casal prestou esclarecimento e já foi liberado.

 

Fonte: Anderson Vasconcelos, G1, AM


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama e o abandono de quelônios

Leiliane Marinho - http://www.oecoamazonia.com
“Dá pra sentir pelo cheiro”. A insistente fumaça do casco sapecado na brasa, forma como é preparada a tartaruga-da-amazônia, ainda apreciada no norte do Brasil, denuncia que o número de fêmeas capturadas no momento da desova em Praia Alta, Rondônia, não é pequeno. “Estão comendo tartaruga como nunca”, conta Eduardo Bissagio, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em Porto Velho. A captura tem ocorrido por falta de fiscalização e fechamento do escritório do Ibama justamente na área de um projeto de proteção de quelônios que tinha mais de 30 anos de atividades de sucesso.

 

Área de abrangência do PQA

Além de Goiás, o Projeto se estende a todos os estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Maranhão). Em 2007 havia cerca de quinze localidades na Bacia Amazônica e do Araguaia onde o PQA mantinha bases. A maior parte, fora de Unidades de Conservação (UCs) Federais. Outros 112 sítios de reprodução fora de UCs enfrentam os mesmos problemas que Praia Alta.

Uma das bases do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) fica na Praia Alta, rio Guaporé, fronteira entre Brasil e Bolívia. Nesta região há grande concentração de Podocnemis expansa, maior tartaruga de água doce da América do Sul – chega a ter 80 centímetros de comprimento e pesar 60 quilos. Existem pelo menos 60 mil fêmeas em idade reprodutiva em todo o Brasil. Em 2010, o projeto teve seis mil covas da espécie e, em Praia Alta, 600 mil filhotes foram liberados.

Apesar dos números de outrora, a má administração de recursos já insuficientes resultou na falta de fiscalização e o que se vê atualmente é um festival de caça ilegal a um animal que deveria ser protegido pelo Ibama. “Neste último mês consumimos todo o dinheiro e tivemos que fazer novo orçamento. Quatro fiscais e um coordenador já retomaram a fiscalização e estão em Praia Alta”, afirma César Luis Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia.

 

Clique para ampliar

 

Tartaruga a prêmio: Cortes de verba limitam o manejo e abrem campo para a caça e a criação clandestina

Morrendo na praia: Sem dinheiro e atenção do governo, projeto não consegue evitar o sumiço dos animais

“A Deus dará”

Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar

A desova de tartarugas também enfrenta outro problema: a desativação do Escritório Regional de Costa Marques, do Ibama, parte do projeto onde ocorriam atividades de cunho educativo, como palestras e eventos públicos. Devido à decisão, o local já não conta com museu de educação ambiental e tanques para exposição de quelônios vivos.

Citado em praticamente todos os guias turísticos do estado, o escritório fortaleceu-se como centro de visitantes que recebia pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Questionado sobre o fechamento do escritório, César Luis responde que é preciso resolver “pendências com servidores”. “Para quem vive de derrotar o meio ambiente será uma boa fechar o escritório. Por termos ficado sem fiscalização só se fala no consumo de tartaruga em todo lugar que se anda”, conta João José da Silva que, aos 50 anos, completou 21 de serviço no Ibama de Costa Marques.

Segundo Celso Santos, chefe da Reserva Biológica (REBIO) de Guaporé, vizinha da área de desova, o fim do escritório representa queda na fiscalização daquela região. “Neste ano o Projeto Quelônios da Amazônia ficou literalmente ‘ao Deus dará’, abandonado. Ficou um clima de ‘projeto de ninguém’, sem coordenação ou planejamento de atividades. Chegamos a acreditar que nada seria feito”, desabafa Santos. “Pelo menos este ano, graças a alguns servidores idealistas e voluntários, as tartarugas estão a salvo de uma destruição anunciada”, diz.

Para Celso Santos, a presença dos órgãos governamentais com competência de fiscalização ambiental é fraca e minguada. “A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental não possui condições mínimas de realizar um trabalho regular de fiscalização no rio Guaporé, e se tivesse não sei se o faria, pois se trata de um segmento muito político e o governo do estado de Rondônia nunca teve como uma das suas diretrizes o cuidado com o meio ambiente”, diz.

“Vamos tomar sol”, diz a tartaruga

O mergulho dos filhotes de tartarugas Arrau

O começo do problema. É ou não prioridade?

 

Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar

2007 tinha tudo para ser tornar um marco positivo para o Projeto, ano que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) considerou Praia Alta como umas das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, região de importância extremamente alta. Ironicamente, foi justamente aí que os problemas se agravaram.

“Com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as ações do Projeto pioraram. Verificaram que não se enquadrava nele. Essa discussão de ‘onde o Projeto deve ficar’ durou três anos. Em março de 2011 decidiram que deveria retornar para o Ibama. Enquanto isso, as tartarugas passaram a enfrentar muita pressão de seus predadores humanos”, explica Antonio Pacaya Ihuaraqui, coordenador substituto do projeto e analista ambiental do Ibama. “Assim como ocorre em Praia Alta, há três anos todos os pontos de desova de quelônios nos estados do Norte se encontram na mesma situação”, explica Pacaya, citando alguns exemplos: Monte Cristo em Santarém (PA), Carauari no Amazonas, Afuá no Amapá, Tarauacá no Acre e Lagoa da Confusão no Tocantins.

Roberto Gallucci, responsável pela biodiversidade aquática no MMA, não quis se pronunciar sobre o assunto. “Essa questão não chegou até nós”, disse.“Como não é uma prioridade do governo federal, nunca haverá dinheiro para o desenvolvimento de projetos como este. Apesar dos planejamentos, quem sofre corte nos orçamentos é a fauna. Se nós técnicos não fossemos perseverantes há mais de três décadas, com certeza os quelônios teriam adentrado na lista de espécies ameaçadas de extinção”, afirma Pacaya.

Ele explica que o Projeto Quelônios da Amazônia  deve sofrer algumas mudanças. “Queremos que seja modelo de sustentabilidadecom atividades de educação ambiental permanente, tecnologias sustentáveis, articulação interinstitucional, fiscalização integrada, pesquisa”. Isso se os repasses financeiros e a boa vontade pública permitirem a fiscalização. Senão, a caça ilegal às tartarugas poderá continuar.

 

Função ecológica 

Quelônios comem material vegetal para transformá-los em fonte de energia para outras espécies, conforme explica Richard Vogt, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e diretor geral do Projeto Tartarugas da Amazônia, com sede em Manaus. “Uma tartaruga-da-amazônia põe em média de 100 a 150 ovos por ano. Esses ovos repõem o meio ambiente com mais tartarugas e servem como fonte de alimento para carnívoros como aves, botos, jacarés, peixes, onças”, conta.

A caça ilegal destrói o equilíbrio biológico. “Se o homem consome as fêmeas em desova, será preciso esperar pelo menos 12 anos para que os animais sub-adultos atinjam a maturidade. A perda no estoque da população de tartarugas em idade desova só é recuperada após 30 anos”, afirma.

Ainda não há uma estimativa no número de fêmeas perdidas este ano em Praia Alta, mas espera-se atraso na desova por conta do movimento de embarcações, mas devido principalmente ao movimento de caçadores. O atraso no nascimento resulta em mortandade de filhotes, que morrem afogados com o aumento do nível das águas.


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo






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3 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Nascimento de tartarugas no interior da Amazônia quase triplica em 2011

Projeto que integra biólogos e comunidade protege ninhos de quelônios.
Reprodução é afetada por caça; carne e ovos são consumidos na região.

O nascimento de quelônios no interior da Amazônia quase triplicou em 2011, graças ao trabalho de prevenção que uniu biólogos e a população ribeirinha da região de Mamirauá (AM), na reserva de mesmo nome – uma área de 10 mil km², equivalente a sete vezes o tamanho da cidade do Rio de Janeiro.

Ações para proteger ninhadas e conter a caça ilegal de exemplares de tartarugas-da-amazônica (Podocnemis expansa), tracajás (P. unifilis) e iaçás (P. sextuberculata), cuja carne e ovos são utilizados na alimentação humana, fez com que a quantidade de nascimentos aumentasse de 11.500, em 2010, para mais de 42 mil em 2011.

Um aumento de 265%, segundo o Instituto Mamirauá, responsável pelo trabalho de conservação das espécies vertebradas aquáticas (projeto Aquavert).

De acordo com a bióloga Cássia Santos Camillo, pesquisadora do instituto e coordenadora do projeto, um envolvimento maior de 3.500 moradores, distribuídos em 40 comunidades ribeirinhas, elevou a proteção dos ninhos de tartarugas.

Em entrevista ao Globo Natureza direto da Costa Rica, onde conclui estudos, a especialista afirma que o trabalho na região dos Rios Solimões e Japurá pode reverter o processo de extinção de espécies consideradas ameaçadas, como a tartaruga-da-amazônia.

“Apesar dela não estar na lista brasileira dos animais com risco de desaparecimento (elaborada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais, o Ibama), aqui na região ela é considerada ecologicamente extinta”, afirma Cássia.

Espécie quase dizimada
Segundo Cássia, pesquisa histórica feita por ambientalistas afirma que a população desta tartaruga foi quase dizimada na área desde 1850. Relatos feitos na região de Tefé, também noAmazonas, afirmavam que anualmente eram encontrados cerca de 48 milhões de ovos da espécie ameaçada. Hoje, este número não passa de 20 mil.

“Isto porque os ovos de tartaruga-da-amazônia eram recolhidos e utilizados para fabricar óleo para iluminação pública de cidades como Manaus e Santarém (PA)”, explica a bióloga.

Os ninhos desta espécie aumentaram de 75, em 2010, para 150 em 2011. Cada ninhada pode gerar até 120 filhotes. De acordo com a especialista, o período de reprodução dos quelônios se inicia durante a seca na Amazônia, que começa em julho.

“Todo ano a gente espera um aumento no número de ninhos, mas isso é consequência da quantidade de regiões que estão sob proteção. Esperamos aumentar, gradativamente, nossa área de cobertura com o apoio das comunidades, que começam a definir em março quais serão as praias que ficarão protegidas. O problema é que nem sempre há respeito dessas normas, com a persistência da caça”, afirma.

Tartarugas na Amazônia (Foto: Diogo Grabin/Divulgação)

Filhote de tartaruga da espécie iaçá é analisada por biólogo no Amazonas. (Foto: Diogo Grabin/Divulgação)

Tartarugas na Amazônia (Foto: Divulgação/Augusto Rodrigues)

Tartarugas entram em rio da Amazônia próximo à reserva de Mamirauá (Foto: Divulgação/Augusto Rodrigues)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Polícia Ambiental apreende 342 ovos de quelônios no Porto de Manaus

Policiais também encontraram três tracajás na mesma embarcação.
Barco ‘Arcanjo’ vinha de Boa Vista do Ramos, a 369 Km da capital.

Uma ação de rotina da Polícia Ambiental, realizada no início da noite desta quarta-feira (12), resultou na apreensão de 342 ovos de tracajás e mais três quelônios dessa mesma espécie, no Porto Privatizado de Manaus. Eles vinham em uma embarcação identificada como ‘Arcanjo’, proveniente de Boa Vista dos Ramos, a 269 km da capital.

De acordo informações do cabo Carlos Samuel , da 2ª Companhia Fluvial do Batalhão, os animais foram encontrados em situação de maus tratos. “Os quelônios estavam amarrados com fios de barbante, enrolados em sacolas plásticas e dispostos em caixas, juntamente com os ovos”, informou.

Na avaliação do policial, trata-se de uma tentativa de camuflar a presença dos animais, durante as abordagens de rotina dos militares da Companhia. “Suspeitamos logo no início do procedimento de ‘varredura’ feito na embarcação, por conta do odor dos tracajás”, disse.

Policiais encontraram animais em situação de maus-tratos (Foto: Divulgação/Polícia Ambiental)

Policiais encontraram animais em situação de maus-tratos (Foto: Divulgação/Polícia Ambiental)

Wilson Roberto Almeida, de 29 anos, e Maria Edineuza Fonseca, de 34 anos, identificados pela Polícia Ambiental como o responsável e a conferente de carga da embarcação, respectivamente, foram conduzidos ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

“Eles podem responder pelo crime de maus-tratos a animais, conforme o artigo 32, da Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que trata de crimes ambientais”, destacou Samuel. A pena, conforme a legislação, é de detenção, de três meses a um ano, e multa.

No 1º DIP, onde foi feito um termo circunstancial de ocorrência, o casal prestou esclarecimento e já foi liberado.

 

Fonte: Anderson Vasconcelos, G1, AM


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama e o abandono de quelônios

Leiliane Marinho - http://www.oecoamazonia.com
“Dá pra sentir pelo cheiro”. A insistente fumaça do casco sapecado na brasa, forma como é preparada a tartaruga-da-amazônia, ainda apreciada no norte do Brasil, denuncia que o número de fêmeas capturadas no momento da desova em Praia Alta, Rondônia, não é pequeno. “Estão comendo tartaruga como nunca”, conta Eduardo Bissagio, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em Porto Velho. A captura tem ocorrido por falta de fiscalização e fechamento do escritório do Ibama justamente na área de um projeto de proteção de quelônios que tinha mais de 30 anos de atividades de sucesso.

 

Área de abrangência do PQA

Além de Goiás, o Projeto se estende a todos os estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Maranhão). Em 2007 havia cerca de quinze localidades na Bacia Amazônica e do Araguaia onde o PQA mantinha bases. A maior parte, fora de Unidades de Conservação (UCs) Federais. Outros 112 sítios de reprodução fora de UCs enfrentam os mesmos problemas que Praia Alta.

Uma das bases do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) fica na Praia Alta, rio Guaporé, fronteira entre Brasil e Bolívia. Nesta região há grande concentração de Podocnemis expansa, maior tartaruga de água doce da América do Sul – chega a ter 80 centímetros de comprimento e pesar 60 quilos. Existem pelo menos 60 mil fêmeas em idade reprodutiva em todo o Brasil. Em 2010, o projeto teve seis mil covas da espécie e, em Praia Alta, 600 mil filhotes foram liberados.

Apesar dos números de outrora, a má administração de recursos já insuficientes resultou na falta de fiscalização e o que se vê atualmente é um festival de caça ilegal a um animal que deveria ser protegido pelo Ibama. “Neste último mês consumimos todo o dinheiro e tivemos que fazer novo orçamento. Quatro fiscais e um coordenador já retomaram a fiscalização e estão em Praia Alta”, afirma César Luis Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia.

 

Clique para ampliar

 

Tartaruga a prêmio: Cortes de verba limitam o manejo e abrem campo para a caça e a criação clandestina

Morrendo na praia: Sem dinheiro e atenção do governo, projeto não consegue evitar o sumiço dos animais

“A Deus dará”

Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar

A desova de tartarugas também enfrenta outro problema: a desativação do Escritório Regional de Costa Marques, do Ibama, parte do projeto onde ocorriam atividades de cunho educativo, como palestras e eventos públicos. Devido à decisão, o local já não conta com museu de educação ambiental e tanques para exposição de quelônios vivos.

Citado em praticamente todos os guias turísticos do estado, o escritório fortaleceu-se como centro de visitantes que recebia pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Questionado sobre o fechamento do escritório, César Luis responde que é preciso resolver “pendências com servidores”. “Para quem vive de derrotar o meio ambiente será uma boa fechar o escritório. Por termos ficado sem fiscalização só se fala no consumo de tartaruga em todo lugar que se anda”, conta João José da Silva que, aos 50 anos, completou 21 de serviço no Ibama de Costa Marques.

Segundo Celso Santos, chefe da Reserva Biológica (REBIO) de Guaporé, vizinha da área de desova, o fim do escritório representa queda na fiscalização daquela região. “Neste ano o Projeto Quelônios da Amazônia ficou literalmente ‘ao Deus dará’, abandonado. Ficou um clima de ‘projeto de ninguém’, sem coordenação ou planejamento de atividades. Chegamos a acreditar que nada seria feito”, desabafa Santos. “Pelo menos este ano, graças a alguns servidores idealistas e voluntários, as tartarugas estão a salvo de uma destruição anunciada”, diz.

Para Celso Santos, a presença dos órgãos governamentais com competência de fiscalização ambiental é fraca e minguada. “A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental não possui condições mínimas de realizar um trabalho regular de fiscalização no rio Guaporé, e se tivesse não sei se o faria, pois se trata de um segmento muito político e o governo do estado de Rondônia nunca teve como uma das suas diretrizes o cuidado com o meio ambiente”, diz.

“Vamos tomar sol”, diz a tartaruga

O mergulho dos filhotes de tartarugas Arrau

O começo do problema. É ou não prioridade?

 

Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar

2007 tinha tudo para ser tornar um marco positivo para o Projeto, ano que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) considerou Praia Alta como umas das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, região de importância extremamente alta. Ironicamente, foi justamente aí que os problemas se agravaram.

“Com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as ações do Projeto pioraram. Verificaram que não se enquadrava nele. Essa discussão de ‘onde o Projeto deve ficar’ durou três anos. Em março de 2011 decidiram que deveria retornar para o Ibama. Enquanto isso, as tartarugas passaram a enfrentar muita pressão de seus predadores humanos”, explica Antonio Pacaya Ihuaraqui, coordenador substituto do projeto e analista ambiental do Ibama. “Assim como ocorre em Praia Alta, há três anos todos os pontos de desova de quelônios nos estados do Norte se encontram na mesma situação”, explica Pacaya, citando alguns exemplos: Monte Cristo em Santarém (PA), Carauari no Amazonas, Afuá no Amapá, Tarauacá no Acre e Lagoa da Confusão no Tocantins.

Roberto Gallucci, responsável pela biodiversidade aquática no MMA, não quis se pronunciar sobre o assunto. “Essa questão não chegou até nós”, disse.“Como não é uma prioridade do governo federal, nunca haverá dinheiro para o desenvolvimento de projetos como este. Apesar dos planejamentos, quem sofre corte nos orçamentos é a fauna. Se nós técnicos não fossemos perseverantes há mais de três décadas, com certeza os quelônios teriam adentrado na lista de espécies ameaçadas de extinção”, afirma Pacaya.

Ele explica que o Projeto Quelônios da Amazônia  deve sofrer algumas mudanças. “Queremos que seja modelo de sustentabilidadecom atividades de educação ambiental permanente, tecnologias sustentáveis, articulação interinstitucional, fiscalização integrada, pesquisa”. Isso se os repasses financeiros e a boa vontade pública permitirem a fiscalização. Senão, a caça ilegal às tartarugas poderá continuar.

 

Função ecológica 

Quelônios comem material vegetal para transformá-los em fonte de energia para outras espécies, conforme explica Richard Vogt, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e diretor geral do Projeto Tartarugas da Amazônia, com sede em Manaus. “Uma tartaruga-da-amazônia põe em média de 100 a 150 ovos por ano. Esses ovos repõem o meio ambiente com mais tartarugas e servem como fonte de alimento para carnívoros como aves, botos, jacarés, peixes, onças”, conta.

A caça ilegal destrói o equilíbrio biológico. “Se o homem consome as fêmeas em desova, será preciso esperar pelo menos 12 anos para que os animais sub-adultos atinjam a maturidade. A perda no estoque da população de tartarugas em idade desova só é recuperada após 30 anos”, afirma.

Ainda não há uma estimativa no número de fêmeas perdidas este ano em Praia Alta, mas espera-se atraso na desova por conta do movimento de embarcações, mas devido principalmente ao movimento de caçadores. O atraso no nascimento resulta em mortandade de filhotes, que morrem afogados com o aumento do nível das águas.


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo