14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas pedem que pelo menos 10% do mar seja protegido

O Brasil está longe de atingir as metas internacionais de proteção ao mar na sua área de exploração costeira.

De acordo com cientistas reunidos nesta quarta-feira no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, uma espécie de Rio+20 paralela da ciência, menos de 1% da zona de exploração costeira do Brasil está protegida.

A taxa está distante das metas internacionais estabelecidas há dois anos pelo Protocolo de Nagoya.

O documento define que até 2020 pelo menos 10% da zona de exploração do mar de cada país deve estar protegida.

“O problema é não temos avanços. Recentemente adiamos a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos [entre a Bahia e o Espírito Santo]“, disse o biólogo da USP Carlos Alfredo

Joly, coordenador de um programa de pesquisa sobre a biodiversidade paulista financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A expectativa dos cientistas era que o governo sancionasse um projeto que estabelece um mosaico de áreas protegidas marinhas em Abrolhos durante a Rio+20.

Mas o processo obrigatório de consultas públicas com a população nas redondezas de Abrolhos sobre a área de proteção foi esticado e depois suspenso em meados de maio.

MAIS BRANCOS

A principal preocupação dos cientistas são os recifes de corais. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul e boa parte deles está em Abrolhos.

A acidez causada pelo aquecimento das águas e da atividade humana na região prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis (o que é visível, pois eles ficam esbranquiçados).

“Não temos problemas apenas em Abrolhos. Há regiões do sul e do nordeste do país que também precisam de atenção”, disse a engenheira de pesca Ana Paula Prates, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com ela, a proteção às florestas costuma ganhar mais atenção e ser mais debatida que a proteção ao mar.

Somando unidades de conservação, parques nacionais e reservas biológicas, 13% do território terrestre do país é intocável (as metas de Nagoya são de 17%).

GESTÃO DE OCEANOS

Prates destacou também a falta de regulamentação sobre a atividade econômica relacionada ao mar.

Hoje, os cientistas estimam que 80% da pesca brasileira seja de espécies super exploradas e estejam em algum risco.

A governança dos oceanos será discutida na cúpula da Rio+20, que reunirá chefes de Estado de 20 a 22 de junho. Mas os cientistas estão pouco otimistas.

“Na Rio-92 havia uma proposta de convenção de oceanos que não avançou”, disse Joly.

Fonte: Folha.com


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Projeto brasileiro reproduz ambiente marinho em tanque;

Um cercadinho à beira-mar dentro de um parque aquático, rodeado por toboáguas e perto de uma piscina de ondas, pode passar despercebido pelos visitantes. Mas um olhar mais atento revela que ali se faz ciência de ponta.

O chamado Mesocosmo Marinho funciona como uma máquina do tempo, simulando condições do ambiente para ver como a natureza –especialmente os corais– irão reagir às mudanças causadas pelo aquecimento global.

“É um ambiente intermediário entre a natureza e o laboratório. Embora algumas condições dos experimentos possam ser bastante controladas, o material está exposto a praticamente tudo o que acontece no ambiente natural”, explica Clovis Castro, coordenador do programa Coral Vivo e professor do Museu Nacional da UFRJ.

O projeto, patrocinado pela Petrobras, funciona em um espaço cedido pelo Eco Parque, parque aquático em Arraial D’Ajuda (sul da Bahia), que tem uma das maiores diversidades de corais do país.

São 16 tanques de experimento que tentam reproduzir com alta fidelidade a dinâmica de eventos na vida marinha. A água, por exemplo, é captada em uma região com grande presença de corais e transportada por uma tubulação subterrânea.

Além disso, cada tanque tem um sistema que mimetiza as correntes marinhas, fazendo a água correr em várias direções. Os experimentos ficam expostos à chuva e ao sol, como na natureza.

Pelos estudos até agora, as previsões são desanimadoras para os recifes de corais.

Na primeira rodada de experimentos, há cerca de dois meses, os cientistas verificaram o que aconteceria às principais espécies de corais do nosso litoral em quatro cenários de elevação das temperaturas propostos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).

Foi verificado que, quanto maior o aumento, piores os danos. Com mais de 1ºC, já se nota o branqueamento dos corais, causado pela expulsão das algas que têm com eles uma relação simbiótica. Isso prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis. Com mais de 4ºC, os corais chegam a morrer.

“É uma ameaça séria. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul, e mais da metade das espécies só existe aqui”, avalia Castro.

Felizmente, diz o pesquisador, há indícios de que os corais brasileiros têm grande capacidade de recuperação, se as condições ambientais voltarem à normalidade.

A próxima rodada estudará o impacto da acidificação dos oceanos causada pelas emissões de carbono. A cada novo ciclo de estudos, a equipe do Coral Vivo abre uma espécie de chamada para receber projetos de pesquisa.

“Temos uma margem grande para a adaptação do mesocosmo a vários experimentos. Podemos fazer coisas importantes aqui”, diz Gustavo Duarte, gerente de projetos.

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Acesse http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1099954-projeto-brasileiro-reproduz-ambiente-marinho-em-tanque-veja-como.shtml e veja como funciona o projeto.

Fonte: Folha.com


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesca descontrolada enfraquece recifes de corais, diz pesquisa

Estudo mostra que diminuição de peixes altera toda a cadeia alimentar.
Cientistas trabalharam na costa do Quênia.

'Diadema setosum', espécie de ouriço do mar (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Diadema setosum', espécie de ouriço do mar (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (28) pela revista científica da Sociedade Internacional dos Estudos de Recifes dá um exemplo de como as consequências das ações humanas sobre o meio ambiente podem ser amplas.

O estudo mostra que a pesca afetou não só na população de peixes, mas alterou também outros organismos de ecossistemas na costa do Quênia. Isso acontece devido a um efeito conhecido como cascata trófica: toda a cadeia alimentar é influenciada pela redução do número de predadores.

Com menos peixes, a população de ouriços cresceu e a de algas vermelhas diminuiu nas regiões estudadas, que foram piscinas formadas no mar por barreiras de corais.

As algas vermelhas possuem substâncias químicas que fortalecem os corais. Portanto, se a população de algas vermelhas é ameaçada, a estrutura dos corais também é. Isso é um problema para todo o ecossistema, que é adaptado ao mar calmo e depende dos recifes para barrar as correntes do mar.

 

 

 

 

 

 

Coral coberto por algas vermelhas (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Coral coberto por algas vermelhas (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Balistapus porites', peixe estudado pela pesquisa no Quênia (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Balistapus porites', peixe estudado pela pesquisa no Quênia (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Recifes de corais podem desaparecer com oceano mais ácido

Um estudo realizado por cientistas dos Estados Unidos, Austrália e Alemanha aponta que acidificação dos oceanos, fenômeno que reduz o pH das águas devido ao aumento do CO2 atmosférico, poderá reduzir a diversidade e a resiliência (capacidade de recomposição) de recifes de corais ainda neste século.

Os pesquisadores estudaram espécies dos ecossistemas localizados próximos a três infiltrações vulcânicas, que emitem naturalmente CO2 no fundo do mar, na Papua Nova Guiné. Com isso, puderam entender melhor o impacto da acidificação dos oceanos na biodiversidade marinha.

Os cientistas conseguiram detalhar os reflexos de uma exposição prolongada dos recifes de corais a altos níveis de dióxido de carbono e baixo pH no oceano Indo-Pacífico. Isto simularia a projeção de aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, que poderá ocorrer até o final deste século e tornaria os oceanos mais ácidos.

“Esses resultados prévios mostram como os recifes ficarão daqui a 100 anos caso a acidificação dos oceanos piore”, afirmou Chris Langdon, um dos principais investigadores do assunto, que é ligado à Escola Rosenstiel de Ciência Marinha e Atmosférica, da Universidade de Miami.

O estudo mostra ainda mudanças na composição das espécies de corais e redução da biodiversidade e recrutamento no recife com a redução do pH de 8,1 para 7,8. A equipe também relata que o desenvolvimento de recifes cessaria a um pH abaixo de 7,7.

O quarto Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) estima que até o final do século, o pH dos oceanos diminuirá dos atuais 8,1 para 7,8 devido ao aumento das concentrações atmosféricas de CO2.

Infiltrações vulcânicas em Papua Nova Guiné simula emissão de CO2 na atmosfera: recifes de corais podem desaparecer com oceanos mais ácidos (Foto: Katharina Fabricius/Australian Institute of Marine Science)

Infiltrações vulcânicas em Papua Nova Guiné simula emissão de CO2 na atmosfera: recifes de corais podem desaparecer com oceanos mais ácidos (Foto: Katharina Fabricius/Australian Institute of Marine Science)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo.


10 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Habitats ricos, recifes são “fábricas” de novas espécies

A ameaça que paira sobre os recifes do mundo significa não só o sumiço de espécies hoje, mas uma possibilidade considerável de que, no futuro, não apareçam novas espécies capazes de substituí-las.

Essa é a principal implicação de um estudo segundo o qual, nas últimas centenas de milhões de anos, os recifes foram a grande usina de novas formas de vida nos oceanos da Terra.

Ao destruir esses habitats riquíssimos, portanto, “estamos colocando em risco a criação de futuras espécies”, declarou à Folha o coordenador do estudo, Wolfgang Kiessling, da Universidade Humboldt em Berlim.

“A recuperação da atual crise de biodiversidade vai demorar muito mais sem os recifes”, afirma Kiessling, que assina o estudo na edição desta semana da revista “Science” com colegas dos Estados Unidos.

A metodologia do trabalho não poderia ser mais simples. Usando um dos principais bancos de dados sobre espécies extintas do mundo, que vai do presente até a origem da vida animal (lá se vão mais de 550 milhões de anos), os cientistas esmiuçaram em que tipo de ambiente novos grupos de animais costumavam aparecer.

Rochas e rochas – Especular sobre isso é possível porque o tipo de rocha em que os restos da criatura foram preservados muitas vezes dá a pista sobre a natureza de seu finado habitat. A composição química e o aspecto de uma rocha formada em mar aberto é bem diferente da que se estruturou perto da praia.

A análise se concentrou nos invertebrados bentônicos, como são conhecidos os bichos que vivem grudados no leito do mar ou perto dele.

Entre esses, mais de um quinto dos gêneros (o grupo de seres vivos um pouco mais abrangente do que a espécie; o do homem, ou Homo sapiens, é o Homo) tem seu primeiro registro em recifes.

Os pesquisadores calculam que a chance de um gênero qualquer de animais aparecer em recifes é 45% maior do que em qualquer outro habitat marinho.

Como os gêneros, depois de algum tempo, dão as caras em ambientes costeiros sem recifes ou em mar aberto, os cientistas apostam que, além de usinas de espécies, os recifes também são exportadores.

descargar sacrifice dvd

  
“Pensando no oceano como um deserto de nutrientes, os recifes podem funcionar como uma espécie de refúgio. Separados por um mar imenso, teoricamente inóspito para a maioria dos grupos, eles poderiam concentrar indivíduos, que passariam a sofrer pressões de especiação [formação de novas espécies], em nível local”, analisa o ecólogo Luiz Fernando Jardim Bento, doutorando da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

little fockers movie

Bento, que comentou a pesquisa na “Science” a pedido da Folha, diz que o resultado era o esperado diante do que se sabe sobre a biodiversidade nesses ambientes.

“Minha primeira impressão foi desconfiar um pouco da metodologia. Falar de origem de espécies se baseando em fósseis apenas de invertebrados bentônicos é querer puxar um pouco a sardinha para os recifes. Acho sim que o resultado é coerente, mas talvez tenha sido enviesado”, pondera.

watch yogi bear full movie online

Em perigo – Seja como for, o que ninguém discute é o risco de sumiço que os recifes, principalmente os de coral, enfrentam hoje.

O aumento da temperatura dos oceanos, por exemplo, ameaça matar as algas que vivem em simbiose com os corais. Mas o clima nem é o pior inimigo, diz Kiessling. “A pesca predatória e a poluição talvez sejam ainda mais importantes”, avalia. (Fonte: Folha Online)






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

setembro 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

14 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas pedem que pelo menos 10% do mar seja protegido

O Brasil está longe de atingir as metas internacionais de proteção ao mar na sua área de exploração costeira.

De acordo com cientistas reunidos nesta quarta-feira no Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável, uma espécie de Rio+20 paralela da ciência, menos de 1% da zona de exploração costeira do Brasil está protegida.

A taxa está distante das metas internacionais estabelecidas há dois anos pelo Protocolo de Nagoya.

O documento define que até 2020 pelo menos 10% da zona de exploração do mar de cada país deve estar protegida.

“O problema é não temos avanços. Recentemente adiamos a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos [entre a Bahia e o Espírito Santo]“, disse o biólogo da USP Carlos Alfredo

Joly, coordenador de um programa de pesquisa sobre a biodiversidade paulista financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A expectativa dos cientistas era que o governo sancionasse um projeto que estabelece um mosaico de áreas protegidas marinhas em Abrolhos durante a Rio+20.

Mas o processo obrigatório de consultas públicas com a população nas redondezas de Abrolhos sobre a área de proteção foi esticado e depois suspenso em meados de maio.

MAIS BRANCOS

A principal preocupação dos cientistas são os recifes de corais. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul e boa parte deles está em Abrolhos.

A acidez causada pelo aquecimento das águas e da atividade humana na região prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis (o que é visível, pois eles ficam esbranquiçados).

“Não temos problemas apenas em Abrolhos. Há regiões do sul e do nordeste do país que também precisam de atenção”, disse a engenheira de pesca Ana Paula Prates, da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com ela, a proteção às florestas costuma ganhar mais atenção e ser mais debatida que a proteção ao mar.

Somando unidades de conservação, parques nacionais e reservas biológicas, 13% do território terrestre do país é intocável (as metas de Nagoya são de 17%).

GESTÃO DE OCEANOS

Prates destacou também a falta de regulamentação sobre a atividade econômica relacionada ao mar.

Hoje, os cientistas estimam que 80% da pesca brasileira seja de espécies super exploradas e estejam em algum risco.

A governança dos oceanos será discutida na cúpula da Rio+20, que reunirá chefes de Estado de 20 a 22 de junho. Mas os cientistas estão pouco otimistas.

“Na Rio-92 havia uma proposta de convenção de oceanos que não avançou”, disse Joly.

Fonte: Folha.com


5 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Projeto brasileiro reproduz ambiente marinho em tanque;

Um cercadinho à beira-mar dentro de um parque aquático, rodeado por toboáguas e perto de uma piscina de ondas, pode passar despercebido pelos visitantes. Mas um olhar mais atento revela que ali se faz ciência de ponta.

O chamado Mesocosmo Marinho funciona como uma máquina do tempo, simulando condições do ambiente para ver como a natureza –especialmente os corais– irão reagir às mudanças causadas pelo aquecimento global.

“É um ambiente intermediário entre a natureza e o laboratório. Embora algumas condições dos experimentos possam ser bastante controladas, o material está exposto a praticamente tudo o que acontece no ambiente natural”, explica Clovis Castro, coordenador do programa Coral Vivo e professor do Museu Nacional da UFRJ.

O projeto, patrocinado pela Petrobras, funciona em um espaço cedido pelo Eco Parque, parque aquático em Arraial D’Ajuda (sul da Bahia), que tem uma das maiores diversidades de corais do país.

São 16 tanques de experimento que tentam reproduzir com alta fidelidade a dinâmica de eventos na vida marinha. A água, por exemplo, é captada em uma região com grande presença de corais e transportada por uma tubulação subterrânea.

Além disso, cada tanque tem um sistema que mimetiza as correntes marinhas, fazendo a água correr em várias direções. Os experimentos ficam expostos à chuva e ao sol, como na natureza.

Pelos estudos até agora, as previsões são desanimadoras para os recifes de corais.

Na primeira rodada de experimentos, há cerca de dois meses, os cientistas verificaram o que aconteceria às principais espécies de corais do nosso litoral em quatro cenários de elevação das temperaturas propostos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU).

Foi verificado que, quanto maior o aumento, piores os danos. Com mais de 1ºC, já se nota o branqueamento dos corais, causado pela expulsão das algas que têm com eles uma relação simbiótica. Isso prejudica a alimentação dos corais e os deixa mais vulneráveis. Com mais de 4ºC, os corais chegam a morrer.

“É uma ameaça séria. O Brasil tem as únicas formações relevantes de recifes de corais do Atlântico Sul, e mais da metade das espécies só existe aqui”, avalia Castro.

Felizmente, diz o pesquisador, há indícios de que os corais brasileiros têm grande capacidade de recuperação, se as condições ambientais voltarem à normalidade.

A próxima rodada estudará o impacto da acidificação dos oceanos causada pelas emissões de carbono. A cada novo ciclo de estudos, a equipe do Coral Vivo abre uma espécie de chamada para receber projetos de pesquisa.

“Temos uma margem grande para a adaptação do mesocosmo a vários experimentos. Podemos fazer coisas importantes aqui”, diz Gustavo Duarte, gerente de projetos.

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Recifes de corais do projeto Coral Vivo, no sul da Bahia

Acesse http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1099954-projeto-brasileiro-reproduz-ambiente-marinho-em-tanque-veja-como.shtml e veja como funciona o projeto.

Fonte: Folha.com


29 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesca descontrolada enfraquece recifes de corais, diz pesquisa

Estudo mostra que diminuição de peixes altera toda a cadeia alimentar.
Cientistas trabalharam na costa do Quênia.

'Diadema setosum', espécie de ouriço do mar (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Diadema setosum', espécie de ouriço do mar (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Uma pesquisa publicada nesta terça-feira (28) pela revista científica da Sociedade Internacional dos Estudos de Recifes dá um exemplo de como as consequências das ações humanas sobre o meio ambiente podem ser amplas.

O estudo mostra que a pesca afetou não só na população de peixes, mas alterou também outros organismos de ecossistemas na costa do Quênia. Isso acontece devido a um efeito conhecido como cascata trófica: toda a cadeia alimentar é influenciada pela redução do número de predadores.

Com menos peixes, a população de ouriços cresceu e a de algas vermelhas diminuiu nas regiões estudadas, que foram piscinas formadas no mar por barreiras de corais.

As algas vermelhas possuem substâncias químicas que fortalecem os corais. Portanto, se a população de algas vermelhas é ameaçada, a estrutura dos corais também é. Isso é um problema para todo o ecossistema, que é adaptado ao mar calmo e depende dos recifes para barrar as correntes do mar.

 

 

 

 

 

 

Coral coberto por algas vermelhas (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Coral coberto por algas vermelhas (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Balistapus porites', peixe estudado pela pesquisa no Quênia (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

'Balistapus porites', peixe estudado pela pesquisa no Quênia (Foto: Jennifer O'Leary/Divulgação)

Fonte: Globo Natureza


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Recifes de corais podem desaparecer com oceano mais ácido

Um estudo realizado por cientistas dos Estados Unidos, Austrália e Alemanha aponta que acidificação dos oceanos, fenômeno que reduz o pH das águas devido ao aumento do CO2 atmosférico, poderá reduzir a diversidade e a resiliência (capacidade de recomposição) de recifes de corais ainda neste século.

Os pesquisadores estudaram espécies dos ecossistemas localizados próximos a três infiltrações vulcânicas, que emitem naturalmente CO2 no fundo do mar, na Papua Nova Guiné. Com isso, puderam entender melhor o impacto da acidificação dos oceanos na biodiversidade marinha.

Os cientistas conseguiram detalhar os reflexos de uma exposição prolongada dos recifes de corais a altos níveis de dióxido de carbono e baixo pH no oceano Indo-Pacífico. Isto simularia a projeção de aumento dos níveis de CO2 na atmosfera, que poderá ocorrer até o final deste século e tornaria os oceanos mais ácidos.

“Esses resultados prévios mostram como os recifes ficarão daqui a 100 anos caso a acidificação dos oceanos piore”, afirmou Chris Langdon, um dos principais investigadores do assunto, que é ligado à Escola Rosenstiel de Ciência Marinha e Atmosférica, da Universidade de Miami.

O estudo mostra ainda mudanças na composição das espécies de corais e redução da biodiversidade e recrutamento no recife com a redução do pH de 8,1 para 7,8. A equipe também relata que o desenvolvimento de recifes cessaria a um pH abaixo de 7,7.

O quarto Relatório de Avaliação do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) estima que até o final do século, o pH dos oceanos diminuirá dos atuais 8,1 para 7,8 devido ao aumento das concentrações atmosféricas de CO2.

Infiltrações vulcânicas em Papua Nova Guiné simula emissão de CO2 na atmosfera: recifes de corais podem desaparecer com oceanos mais ácidos (Foto: Katharina Fabricius/Australian Institute of Marine Science)

Infiltrações vulcânicas em Papua Nova Guiné simula emissão de CO2 na atmosfera: recifes de corais podem desaparecer com oceanos mais ácidos (Foto: Katharina Fabricius/Australian Institute of Marine Science)

Fonte: Globo Natureza, em São Paulo.


10 de janeiro de 2010 | nenhum comentário »

Habitats ricos, recifes são “fábricas” de novas espécies

A ameaça que paira sobre os recifes do mundo significa não só o sumiço de espécies hoje, mas uma possibilidade considerável de que, no futuro, não apareçam novas espécies capazes de substituí-las.

Essa é a principal implicação de um estudo segundo o qual, nas últimas centenas de milhões de anos, os recifes foram a grande usina de novas formas de vida nos oceanos da Terra.

Ao destruir esses habitats riquíssimos, portanto, “estamos colocando em risco a criação de futuras espécies”, declarou à Folha o coordenador do estudo, Wolfgang Kiessling, da Universidade Humboldt em Berlim.

“A recuperação da atual crise de biodiversidade vai demorar muito mais sem os recifes”, afirma Kiessling, que assina o estudo na edição desta semana da revista “Science” com colegas dos Estados Unidos.

A metodologia do trabalho não poderia ser mais simples. Usando um dos principais bancos de dados sobre espécies extintas do mundo, que vai do presente até a origem da vida animal (lá se vão mais de 550 milhões de anos), os cientistas esmiuçaram em que tipo de ambiente novos grupos de animais costumavam aparecer.

Rochas e rochas – Especular sobre isso é possível porque o tipo de rocha em que os restos da criatura foram preservados muitas vezes dá a pista sobre a natureza de seu finado habitat. A composição química e o aspecto de uma rocha formada em mar aberto é bem diferente da que se estruturou perto da praia.

A análise se concentrou nos invertebrados bentônicos, como são conhecidos os bichos que vivem grudados no leito do mar ou perto dele.

Entre esses, mais de um quinto dos gêneros (o grupo de seres vivos um pouco mais abrangente do que a espécie; o do homem, ou Homo sapiens, é o Homo) tem seu primeiro registro em recifes.

Os pesquisadores calculam que a chance de um gênero qualquer de animais aparecer em recifes é 45% maior do que em qualquer outro habitat marinho.

Como os gêneros, depois de algum tempo, dão as caras em ambientes costeiros sem recifes ou em mar aberto, os cientistas apostam que, além de usinas de espécies, os recifes também são exportadores.

descargar sacrifice dvd

  
“Pensando no oceano como um deserto de nutrientes, os recifes podem funcionar como uma espécie de refúgio. Separados por um mar imenso, teoricamente inóspito para a maioria dos grupos, eles poderiam concentrar indivíduos, que passariam a sofrer pressões de especiação [formação de novas espécies], em nível local”, analisa o ecólogo Luiz Fernando Jardim Bento, doutorando da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

little fockers movie

Bento, que comentou a pesquisa na “Science” a pedido da Folha, diz que o resultado era o esperado diante do que se sabe sobre a biodiversidade nesses ambientes.

“Minha primeira impressão foi desconfiar um pouco da metodologia. Falar de origem de espécies se baseando em fósseis apenas de invertebrados bentônicos é querer puxar um pouco a sardinha para os recifes. Acho sim que o resultado é coerente, mas talvez tenha sido enviesado”, pondera.

watch yogi bear full movie online

Em perigo – Seja como for, o que ninguém discute é o risco de sumiço que os recifes, principalmente os de coral, enfrentam hoje.

O aumento da temperatura dos oceanos, por exemplo, ameaça matar as algas que vivem em simbiose com os corais. Mas o clima nem é o pior inimigo, diz Kiessling. “A pesca predatória e a poluição talvez sejam ainda mais importantes”, avalia. (Fonte: Folha Online)