7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Ministra diz que País reduz desmatamento, mas não recebe compensação por avanços

O Brasil é o país que mais reduz o desmatamento e as emissões de carbono no planeta. Ao destacar a posição de liderança do governo brasileiro nas metas previstas em acordos internacionais de mudanças do clima, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o País não tem recebido a compensação devida por esses avanços.

“O Brasil está fazendo muito sem ter o retorno que poderia ter. O Fundo da Amazônia só tem doação, até hoje, da Noruega, da Alemanha e da Petrobras, uma empresa brasileira que aloca recursos na Amazônia. Cadê os outros doadores? Nós estamos reduzindo o desmatamento. A contribuição brasileira continua”, acrescentou a ministra, que participou em Macapá do 3º Congresso Nacional das Populações Extrativistas.

 

Pelos números do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento ilegal na região caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km²) em 2004 – ano em que foi registrada a maior degradação na região – para 6,4 mil km² em 2012. Este mês, o MMA deve divulgar mais uma redução da área degradada.

 

A expectativa de países em desenvolvimento e nações mais pobres é que o tema volte a ser debatido durante a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), quando as nações menos desenvolvidas esperam avançar na elaboração da segunda etapa do Protocolo de Quioto – que estabelece as metas de redução de emissões de gás de efeito estufa para os países desenvolvidos. A COP18 começa no fim deste mês e vai até o início de dezembro, em Doha, no Catar, com a participação de representantes de 190 países.

 

Apesar de endossar a aposta, a ministra não acredita em uma definição sobre o cálculo das emissões de carbono e as compensações. “O Brasil trabalha enquanto os ricos países desenvolvidos emitem? Isso vai aparecer no debate sobre a segunda rodada de compromissos do Protocolo de Quioto, mas vai ser definido de 2013 a 2015″, disse, referindo-se ao período que vai anteceder o novo Acordo-Quadro sobre Mudanças do Clima entre os países signatários da Convenção das Nações Unidas.

 

As estratégias brasileiras para manter o ritmo de redução de emissões têm sido estudadas por representantes do Ministério da Fazenda e do MMA. A definição de políticas de mudanças do clima também está na pauta de discussões do Congresso Nacional.

 

Ainda que o Brasil defina compromissos internamente, a questão precisa ter uma regulamentação internacional, assim como a definição do Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo, que tem sido o centro das polêmicas nas discussões sobre clima, funcionaria como uma compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas.

 

Segundo Izabella Teixeira, o Fundo da Amazônia é o único mecanismo de REDD, em prática, que o governo reconhece. O fundo foi criado em 2008 para captar doações para investimentos em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas amazônicas.

 

“O que adianta eu implantar mecanismos que, muitas vezes, depois, não são reconhecidos internacionalmente. Lembro que a conta tem que ser paga pelos países desenvolvidos que não estão reduzindo suas emissões na magnitude que deveriam”, disse, destacando poucas ações positivas como metas definidas por países da União Europeia e de alguns estados norte-americanos.

 

A ministra acrescentou que o governo brasileiro retomou a negociação de um acordo com os Estados Unidos para estabelecer a segunda fase de cooperação destinada ao monitoramento e combate a incêndios e queimadas, nos moldes da parceria firmada na década de 1990. “Isso envolve o desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento de queimadas, treinamento de pessoas no combate a incêndios florestais e a qualificação dos gestores de áreas protegidas no manejo do fogo no Brasil”, explicou.

 

O acordo também está sendo debatido com especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e dos serviços florestais americano e brasileiro.

Agência Brasil

 


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

País deve definir metas e cotas para fontes renováveis alternativas, propõe estudo

A definição de metas, pelo governo federal, para ampliar a participação das fontes renováveis alternativas em seus próximos leilões de energia, a adoção de cotas para cada uma dessas fontes e a revisão de sua política de subsídios para o setor energético são algumas das recomendações do estudo Além de Grandes Hidrelétricas, apresentado na quarta-feira (15) durante o 8º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético, em Curitiba.

Encomendado pela organização não governamental (ONG) WWF Brasil, o trabalho envolve pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da ONG International Energy Initiative para a América Latina, entre outras instituições. O trabalho propõe ainda um aumento de 40% da participação das fontes eólica, de biomassa e das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões de energia nova, com um crescimento mínimo de 10% para cada tipo de fonte.

O documento também defende que a política de crédito e incentivos fiscais seja revista, de forma que os subsídios dados hoje às termelétricas sejam gradualmente transferidos para fontes renováveis. “A geração de energia por termelétricas é cara, poluidora e depende de contratos take-or-pay [preço fixo para a energia, pago mesmo que ela não seja usada] para sobreviver”, diz.

A realização de leilões regionalizados e o incentivo à pesquisa e à inovação em áreas como a de energia solar, o que tende a diminuir o custo dessas novas tecnologias, também são sugeridas pelo estudo.

“Sem metas de inserção na matriz energética, o investidor interessado em fontes renováveis alternativas não tem segurança”, disse o pesquisador Paulo Henrique de Mello Sant’Ana, da UFABC, coordenador do trabalho. De acordo com Sant’Ana, o subsídio concedido às termelétricas movidas a carvão chegou a R$ 127,54 por megawatt-hora (MWh) em 2009. “Com um subsídios desses, poderíamos construir aerogeradores.”

Dos 2,4 mil empreendimentos de geração de energia elétrica em operação no país, 777 (32,4%) usam fontes renováveis alternativas. São 398 pequenas centrais hidrelétricas, 51 centrais eólicas e 328 centrais de biomassa que utilizam bagaço de cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas unidades seriam capazes de produzir cerca de 12,3 milhões de quilowatts de potência, o equivalente a 9% da produção nacional.

O estudo encomendado pelo WWF Brasil aponta que as fontes renováveis poderiam substituir as termelétricas na função complementar às usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de três quartos da eletricidade gerada no país. “Fontes renováveis alternativas podem exercer o mesmo papel [das termelétricas], com custos mais baixos e com menores impactos sobre o meio ambiente”, diz o documento. “O período da seca, quando as hidrelétricas produzem menos, coincide justamente com a safra de cana-de-açúcar e com o período de maior incidência de ventos.”

O trabalho ressalta ainda que o Brasil assumiu em 2009 o compromisso voluntário de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. E cobra do setor elétrico, que contribui com 9,2% das emissões brasileiras, o incentivo a tecnologias de baixa emissão. “Apesar do sucesso dos últimos leilões de fontes alternativas em 2010 e 2011, não há na prática um compromisso do MME [Ministério de Minas e Energia] e da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com a continuidade desses leilões”, aponta o estudo.

“O Brasil tem até metas para inflação, porque não ter metas para a produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas?”, pergunta Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil. “Vamos apresentar o documento ao governo. O país precisa aproveitar melhor o seu potencial de fontes renováveis alternativas nas próximas décadas”, disse.

A Agência Brasil procurou a Empresa de Pesquisa Energética. A assessoria de imprensa do órgão informou que o seu presidente, Maurício Tolmasquim, estava retornando de uma viagem e não poderia conceder entrevista. A assessoria do Ministério de Minas e Energia também foi acionada, mas a pessoa que poderia falar sobre o assunto estava em reunião.

Fonte: Fernando César Oliveira/ Agência Brasil


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento reduz em junho, mas MT ainda lidera degradação florestal

De acordo com Imazon, estado concentra 80% da degradação florestal.
Em 11 meses foram 1.587 km2 no estado frente aos 1.974 km2 da região.

Área desmatada possuia árvores em extinção (Foto: Divulgação)

Desmatamento em junho somou 2 km2 no estado (Foto: Divulgação)

Mato Grosso perdeu dois quilômetros quadrados de Floresta Amazônica em junho e tornou-se o menor do ano, apontou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. O resultado verificado no mês passado superou o desempenho de janeiro, quando foram quatro quilômetros quadrados e à época era o mais baixo. Altas e baixas marcam os níveis de desmates no semestre no estado, revelou o Imazon.

Enquanto em janeiro a floresta perdeu 4 km2, em fevereiro as ocorrências tornaram-se maiores e atingiram uma área de 70 km2, fazendo a unidade federada liderar o ranking dos maiores desmatadores da Amazônia Legal. Em março, o desmatamento atingiu 32 km2, indo a outros 50 km2 em abril e 11 km2 em maio.

Apesar de comemorar reduções, Mato Grosso ainda é campeão no quesito degradação florestal. Como explica João Andrade, coordenador do Programa Governança Florestal do Instituto Centro de Vida (ICV), a degradação corresponde ao chamado pré-desmatamento e mostra que a destruição da floresta ainda continua.

“É um indicador futuro, pois é o primeiro sinal do desmatamento. Os dados se contrapõem e mostram que a ilegalidade continua”, disse ao G1 o representante. Ao avaliar a degradação florestal acumulada entre agosto de 2011 a junho de 2012 (o chamado ano do desmatamento), o Imazon constatou que na Amazônia Legal chegou a 1.974 km2. Somente em Mato Grosso foram 1.587 km2 ou pouco mais de 80% do volume total.

Mesmo com uma redução na ordem de 58% na degradação florestal, quando comparado aos 3.779 km2 registrados entre agosto de 2010 a junho de 2011, a unidade matogrossense continua liderando o ranking dos estados que mais degradaram a floresta nestes meses avaliados. O Pará, com 239 km2 degradados, apareceu na segunda posição, seguida por Rondônia com 101 km2.

Para João Andrade, do ICV, a degradação fomenta também o comércio ilegal de madeira e mantém vivos os crimes contra a floresta. No entender do representante do Instituto Centro de Vida, dois fatores estão influenciando diretamente a continuidade das ações ilegais.

“Um é a fiscalização e a outra é a responsabilização. Muitas vezes uma pessoa é autuada, mas não necessariamente paga a multa, pois pode prescrever. Ou também porque houve problemas na hora da fiscalização e acham-se brechas [jurídicas]. Se há a maior responsabilização vai se pensar duas vezes [antes de agir]“, afirma o coordenador do Programa Governança Florestal.

Desmatamento acumulado
Ao avaliar o acumulado dos chamados dez meses do calendário de desmatamento, ou seja, de agosto de 2011 a junho de 2012 o Imazon aponta o Pará (34%) como líder, seguido por Mato Grosso (32%), Rondônia (18%) e Amazonas (9%). Juntos, os quatro estados foram responsáveis por 93% do desmatamento ocorrido na Amazônia Legal nesse período.

Segundo o Imazon, houve recuo de 41% nos desmates quando comparado com o período anterior (agosto de 2010 a junho de 2011). Queda em termos relativos no Acre (-64%), Amazonas (-54%), Mato Grosso (-50%), Rondônia (48%) e Pará (20%). Contudo, avanço de 194% em Roraima e 61% no Tocantins.

Já em termos absolutos quem lidera o ranking do desmatamento no acumulado é o estado do Pará, com 309 km2, seguido por Mato Grosso (293 km2), Rondônia (167 km2), Amazonas (81 km2), Roraima (23 km2), Acre (20 km2) e Tocantins (14 km2).

 

Fonte: G1


14 de março de 2012 | nenhum comentário »

Com atrativo ambiental e econômico, sobe busca de ‘selo verde’ em prédios

‘Green buildings’ reduzem custos operacionais e colaboram com a natureza.
Busca por selo quase dobrou em 2011 e previsão é crescer mais neste ano.

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Entre 2010 e 2011, a procura pela certificação “verde” de edifícios quase dobrou no Brasil, e a expectativa é continuar crescendo em 2012. A busca é por colaborar com o meio ambiente e, de quebra, reduzir custos operacionais e melhorar a imagem das empresas – o “carimbo” garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas tanto na obra como no dia a dia.

O cenário aponta para um comportamento raro, quando os interesses econômicos se unem aos ambientais. Isso porque, apesar de o custo da construção ser de 1% a 7% mais caro, em média, a valorização estimada na revenda é de 10% a 20%, além de o investimento proporcionar até 30% de redução no valor do condomínio e diminuição média de 9% no custo de operação durante toda a vida útil, de acordo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), que orienta a respeito do selo Leed (sigla em inglês para liderança em design em energia e meio ambiente) no país.

Criado nos Estados Unidos há 15 anos, o Leed é apontado pelo mercado como o “precursor” do setor no Brasil – o primeiro pedido para certificação em território nacional ocorreu em 2004 e o primeiro certificado foi emitido em 2007.

Dados do conselho apontam que o número de empreendimentos na fila para conseguir o certificado passou de 237 ao fim de 2010 para 434 em 2011. Até a terceira semana de fevereiro deste ano, já eram 475. A expectativa é fechar 2012 com aproximadamente 650.

 

 

Arte prédio verde (Foto: Editoria de Arte/G1)

Por conta do tempo necessário para realização das obras após o pedido da certificação, o número de prédios já certificados com o Leed estava em 43 até o final de fevereiro. “Os prédios demoram dois, três, quatro anos para ficarem prontos. Agora é que os empreendimentos [na fila para ter o selo] estão começando a ficar prontos”, explica o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado. A expectativa é encerrar este ano com 75 selos.

No ranking mundial do número de empreendimentos registrados em busca da certificação, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás dos Estados Unidos (38.940), China (com 807) e Emirados Árabes Unidos (758).

Entre os empreendimentos há de tudo – desde edifícios comerciais, como residenciais, industriais e de varejo. Até os estádios da Copa estão registrados para a certificação Leed, tanto nas novas construções quanto nas reformas, de acordo com o GBC. Dos 12 estádios que serão sede, apenas o Internacional (em Porto Alegre) e o Corinthians (em São Paulo) ainda não estão registrados em busca do certificado.

“Tem muita gente querendo ter o selo, são muitas construções em análise”, afirma Mony Lacerda, coordenador de avaliação da consultoria Colliers International, que orienta as empresas para a aquisição do Leed. De acordo com Lacerda, o processo de certificação em uma nova construção costuma demorar de um ano a um ano e meio, em média. Para um prédio antigo que faz uma reforma para se tornar “verde”, o processo para conseguir o título pode demorar dois anos.

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho graças ao bicicletário do prédio (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho, em São Paulo, graças ao bicicletário do prédio. Com vestiário, ele pode se trocar antes de começar o expediente (Foto: Arquivo Pessoal)

Selo 100% nacional
Outro selo verde existente no mercado brasileiro é o Aqua, criado pela Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP) em 2008. “Percebemos um mercado que tinha interesse muito grande pela sustentabilidade do empreendimento da construção em si”, afirma Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo Aqua. Atualmente são 39 empreendimentos certificados, que compreendem 53 edifícios. Os números também crescem a cada ano: foram 9 edifícios certificados em 2009, 16 em 2010, 26 em 2011 e, até o começo de fevereiro de 2012, mais dois.

“A quantidade de selos está crescendo, e entre empreendedores que são formadores de opinião [citando varejistas e grandes construtoras]. O número, perto do que se constrói no Brasil, ainda é pequeno, mas grandes construtoras já têm [o selo] e pensam em fazer mais. Acho que a preocupação começa a se formar”, afirma Martins.

Espaço para crescer
Os prédios verdes ainda representam apenas 1%, em média, da majoritária massa cinza dos lançamentos imobiliários que surgem diariamente nas cidades brasileiras, de acordo com o GBC. A pequena proporção mostra como há espaço para crescer. “Hoje temos uma possibilidade de crescimento muito grande. Em países mais engajados, o mercado já é de 10%, 5%”, diz Casado.

Uma pesquisa da consultoria Cushman e Wakefield referente ao segundo trimestre de 2011 aponta que, à época, 3,5% do estoque total existente nas cidades de São Paulo, Barueri (na Grande SP), Rio de Janeiro e Curitiba era de “green buildings”.

Até 2013, o mesmo levantamento prevê que 37% dos novos espaços nessas cidades estarão em prédios verdes, acrescentando Santos, Brasília, Porto Alegre e Salvador – em São Paulo,Rio de Janeiro e Curitiba essa proporção deverá chegar a quase 50%.

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas  (Foto: Divulgação/GCB)

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas (Foto: Divulgação/GCB)

Economia
O esforço, contudo, vale a pena, de acordo com os especialistas. Dentro dos resultados está a estimativa de que um edifício certificado pode reduzir em até 70% a emissão de resíduos sólidos (lixo, papel, madeira, carcaça), 40% o uso de água potável, de 33% a 39% a emissão de CO2 e de 24% a 50% o uso de energia elétrica, de acordo com a pesquisa da Colliers.

As estimativas do Green Building Council EUA, usadas pelo conselho no Brasil, refletem um cenário parecido. De acordo com o GBC, o gasto nos prédios verdes com energia é 30% menor, há redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda sua vida útil.

Para Lacerda, da Colliers, o investimento a mais no custo da obra vale a pena. “Isso é reavido no futuro (…). Se o investidor considerar até 10% a mais do custo para ser certificado, isso vai ser para sempre e a longo prazo. Depois, há o ganho na redução de custo operacional”, diz.

Requisitos
Para que essas economias aconteçam, contudo, há muitos requisitos. Os empreendimentos precisam ter características que visem a economia de recursos, como água e energia, reciclagem e descarte de materiais, e na saúde e bem estar de moradores e funcionários e da sociedade em geral, além do fomento à economia local.

Para isso, valem desde sistemas de controle do fluxo de água até a adoção de fontes renováveis de energia e captação de água da chuva. Melhor utilização da luz natural e projetos coordenados para descarte de materiais também entram na lista.

Lacerda diz que as economias geradas tornam o selo cada vez mais atrativo às empresas, sem contar a contrapartida intangível que é aliar a marca a uma imagem de preocupação ecológica. “Empresas multinacionais que têm filias no Brasil, por exemplo, tem todo o motivo para reforçar a marca com a sustentabilidade”, revela.

Bem-estar
Os prédios verdes também precisam levar em conta o bem-estar dos usuários. O bancário Alexandre Augusto Silva Ferreira, de 30 anos, trabalha em um banco localizado em um dos prédios certificados pelo Leed em São Paulo. De acordo com ele, um dos benefícios é a existência de um bicicletário, o que o permite ir trabalhar diariamente de bicicleta. “Eu uso praticamente todo dia. Só não uso quando tenho necessidades específicas, como ir trabalhar em outra unidade do banco, que não tem bicicletário”, diz.

Além do lugar para guardar a bike, o prédio também oferece um vestiário e armários para guardar roupas. Assim, Ferreira toma banho todo dia quando chega ao trabalho, para não chegar suado nem com roupas amassadas.

Para o bancário, que usa o bicicletário desde abril do ano passado, são inúmeros os benefícios. Além de não ficar mais parado no trânsito, emagreceu quase dez quilos e diz evitar estresses causados por atrasos devido ao congestionamento. “Estando de bike, quase nunca acontecem imprevistos”, diz, afirmando que consegue programar melhor as atividades do seu dia a dia. Ele mora a 15 quilômetros de distância do trabalho, e diz que demora cerca de 30 minutos para ir e 40 minutos para voltar.

Ferreira trabalha no Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 16 empresas estão sediadas no edifício, com aproximadamente 5 mil funcionários. De acordo com Fernando Sinicatto, gerente de operações do edifício, o prédio tem diversos sistemas para garantir o selo. A economia de água é de 30%. De acordo com ele, por exemplo, o sistema de reuso de água de chuva e condensação do ar condicionado proporcionam 100% da água utilizada no paisagismo e limpeza das garagens.

Outro exemplo são os elevadores, que possuem sistema de frenagem regenerativa, proporcionando economia de até 37% de energia. O prédio tem também programa de coleta seletiva, que gera redução de 40% nos resíduos destinados aos aterros sanitários, disse.

Há ainda persianas automatizadas, que abrem ou fecham de acordo a incidência de luz solar na fachada. Até a escolha do local para a construção do edifício foi pensada, já que possui acesso fácil ao transporte público, como ônibus e trem, explicou o gerente.

Varejo

Além de prédios de escritórios, redes varejistas também estão de olho no conceito. Um exemplo é a Leroy Merlin, que tem 8 lojas cadastradas na certificação Aqua, sendo que uma delas, em Niterói, no Rio de Janeiro, já está com o projeto 100% em uso e tem até um espaço sobre sustentabilidade.

“As informações, principalmente nas redes sociais, mudaram a consciência do consumidor (…). Conforme o consumidor vai se conscientizando, ele vai exigir muito mais. As pesquisas já dizem hoje que o consumidor já aceita pagar 10% a mais nos produtos sustentáveis, está virando um hábito”, afirma. O gerente explica, contudo, ser intangível medir se as lojas sustentáveis atraem mais clientes. Ele disse, ainda, que esse não é o principal objetivo da rede. “Nós não usamos a sustentabilidade para vender mais”, disse.

No caso da unidade de Niterói, o custo para o projeto da “loja verde” foi de 8% a mais, com um retorno estimado em cinco anos. Entre os resultados estão 26% de redução no consumo de energia e de 39% no de água.

Para Casado, do GBC Brasil, grande parte do crescimento do setor pode ser explicada pelo maior conhecimento das pessoas a respeito do conceito de construção sustentável. “Toda vez que se fala em sustentabilidade, fala-se da busca em equilibrar o social, o econômico e o ambiente. Então, se você consegue, do lado econômico, trazer esses benefícios, é sempre melhor”.

Fonte: Gabriela Gasparin, G1, São Paulo


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores reclamam de corte na pasta de Ciência

O corte de 22% no orçamento do Ministério da Ciêcia, Tecnologia e Inovação previsto para 2012, anunciado nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda, repercutiu nos corredores acadêmicos.

A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), principal representante dos cientistas do país, classificou como “absurda” a redução nos investimentos no setor.

“Os reflexos na produção científica nacional serão sentidos”, disse à Folha a presidente da instituição, Helena Nader.

Ela contou que enviara uma carta à presidente Dilma Rousseff exatamente uma semana antes do anúncio dos cortes pedindo que ciência e educação fossem poupados. “Esses cortes são contra o discurso da presidente, que tem um compromisso com o desenvolvimento social do país”, disse Nader.

O orçamento previsto para o MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) em 2012 é de R$ 5,2 bilhões. O valor é R$ 1,48 bilhão menor do que no ano passado, quando a fatia de ciência foi de R$ 6,7 bilhões.

Em 2011, a pasta de ciência já havia sofrido um corte de 23% dos recursos.

Menos inovação – A Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadora) afirmou, em nota, que os cortes nos investimentos podem piorar os saldos negativos da balança comercial brasileira.

Isso porque a redução dos investimentos pode afetar a competitividade das empresas que fazem pesquisa e inovação.

Em 2011, o termo “inovação” foi incluído no nome do MCTI.

“Aumentamos a gama de atividades do ministério, incluindo a inovação, e diminuímos os recursos. Isso não faz o menor sentido”, diz Nader. 

Fonte: Folha.com


13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Ação questiona corte de áreas protegidas na floresta amazônica

Redução é prevista em medida provisória para permitir construção de hidrelétricas.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, propôs ontem (9) uma ação direta de inconstitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal contra uma medida provisória que reduz sete áreas protegidas na Amazônia para fazer hidrelétricas. A MP 558, editada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff, visa cortar as unidades de conservação – entre elas o parque nacional da Amazônia, o mais antigo da região – para abrigar, entre outras hidrelétricas, a de São Luiz do Tapajós, no Pará.

 

São Luiz alagará 15 mil hectares do parque nacional da Amazônia, 393 hectares da floresta nacional de Itaituba, 1,21 mil hectares da floresta nacional de Itaituba 2 e 15 mil hectares da área de proteção do Tapajós. A área total equivale a quase um terço da cidade de São Paulo. Também esbarram em áreas protegidas as usinas de Jatobá, no rio Jamanxim, de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e a planejada usina de Tabajara, no rio Machado. Para evitar a sobreposição, o governo resolveu cortar a área dos parques.

 

Na ação, Gurgel afirma que as unidades alvejadas pelo Planalto têm “extrema relevância” para a preservação da Amazônia e que alterações nos limites de unidades de conservação só podem ser feitas por lei, não por MP. O procurador já havia movido uma ação contra uma MP anterior, a 542, de 2011, que reduzia três áreas protegidas na Amazônia. Ela expirou sem ser apreciada pelo Congresso e foi ressuscitada na MP de janeiro, que inclui mais quatro áreas.

 

Quando a MP 542 foi editada, o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, defendeu-a. “A presidente [Dilma] entende que para o País é uma coisa urgente.” Gurgel diz na ação que não há urgência, já que Tabajara é só uma ideia e que São Luiz e Jatobá nem tiveram o licenciamento ambiental iniciado. Mello disse que a Advocacia-Geral da União (AGU) faria a defesa do projeto.

Fonte: Folha de São Paulo


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polêmicas ambientais não interferem na imagem do Brasil, diz embaixador

Público internacional percebe reação do governo, diz André Corrêa do Lago. 
Negociador-chefe do Brasil na COP 17 concedeu entrevista ao G1 em Durban

O negociador-chefe do Brasil na COP 17, André Corrêa do Lago, disse ao G1 na abertura da conferência realizada em Durban, na África do Sul, que as recentes discussões ambientais que o país enfrenta não interferem na imagem do país perante outras nações, nem na posição assumida na Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ele, polêmicas como a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, o derramamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e o processo de aprovação do novo Código Florestal tiveram reações imediatas do governo e um debate com a sociedade. “O público internacional percebe como o Brasil reage aos problemas”, afirma.

O embaixador comenta ainda sobre as negociações climáticas iniciadas em Durban e que prosseguirão até o próximo dia 9 de dezembro. Confira vídeo http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/polemicas-ambientais-nao-interferem-na-imagem-do-brasil-diz-embaixador.html

Apelo para evolução nas negociações
Delegados de mais de 190 países terão de avançar nos acordos firmados na última reunião, em Cancún. Em discurso proferido na abertura do encontro, nesta segunda-feira (28) o presidente sul-africano, Jacob Zuma, destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento.

“A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

O Brasil integra o bloco G77+China (que, além do país asiático, inclui países em desenvolvimento) e vai apoiar o que esse grupo decidir consensualmente. Entre as nações representadas estão, por exemplo, as africanas e os pequenos países insulares que podem desaparecer se o nível do mar subir muito.

Nações em desenvolvimento têm que fazer mais
A Europa fala de um segundo período do Protocolo de Kyoto, mas dentro de um plano para um novo acordo vinculante mais abrangente, que inclua também as nações em desenvolvimento, para ser negociado até 2015, com validade prazo de ratificação interna em cada país até 2020. Seria uma novo “mapa” de negociação, como dizem os diplomatas.

“Precisamos fortalecer Kyoto”, disse nesta segunda-feira (28) o negociador que representa a presidência temporária polonesa da União Europeia na COP 17, Thomasz Chruszczow.

Os EUA, que não têm compromisso para reduzir suas emissões, também voltaram a questionar a adesão dos emergentes a um acordo vinculante de longo prazo, para 2050, por exemplo. O negociador dos EUA, Jonathan Pershing, disse que trabalhar com o panorama de 2020 dá a falsa impressão que um plano implementado até lá resolverá o problema das mudanças climáticas e ressaltou como fundamental a inclusão de todos.

“Um acordo vinculante para depois de 2020 só é possível se “envolver todos os ‘players’ relevantes’”, disse – um recado principalmente para a China, que desbancou recentemente os americanos como o maior emissor de gases-estufa , mas também a outros países, como o Brasil.

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


26 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Comitês de Bacias vão apresentar moção contra reforma do Código Florestal

Reunidos em São Luis (MA) no 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, representantes de comitês de todo o Brasil vão apresentar na sexta-feira (28) manifestação contra a redução das Áreas de Proteção Ambiental.

Representantes de Comitês de Bacias Hidrográficas de várias regiões do País preparam moção contra a redução das áreas de proteção ambiental às margens dos rios, em protesto contra o texto da reforma do Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em maio, que permite o uso das áreas de preservação permanente (APPs). O texto tramita agora no Senado e deve ir a plenário até o final do ano.

 

A moção será apresentada na sexta-feira (28), último dia do 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob), que começa hoje em São Luis (MA).

 

Atualmente, o Brasil possui cerca de 180 Comitês, sendo dez em rios federias, com representações de diferentes segmentos da sociedade, espalhados por várias bacias.  Ao todo, são mais de 50 mil pessoas engajadas na defesa dos recursos hídricos. Esses comitês funcionam como parlamentos da água, pois são formados por usuários locais dos recursos hídricos; organizações não governamentais; sociedade civil e representes do poder público nos três níveis (municipal, estadual e federal), que se reúnem em sessões plenárias.

 

A Agência Nacional de Águas (ANA) dá apoio técnico aos comitês federias e os órgãos gestores locais, aos estaduais, conforme determina a Lei 9.433 de 1997, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Todos os anos, representantes de comitês de bacia se reúnem para fazer um balanço da gestão dos recursos hídricos, da atuação desses arranjos locais e debater os desafios da implementação da PNRH. Este ano, porém, a reforma do Código Florestal dominou a cerimônia de abertura do 13º Encob, na noite de ontem (25), em São Luís.

 

“O Encob é o maior encontro nacional de água do planeta, portanto, reúne a visão de vários segmentos da sociedade, de usuários a pesquisadores, gestores e sociedade civil”, disse o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu. “É fundamental que haja uma forte sinalização ao Congresso. O tempo é curto e precisamos fazer chegar aos senadores uma posição muito firme”, completou. Em abril, a ANA divulgou uma Nota Técnica que explica as razões pelas quais a Agência defende a manutenção da cobertura florestal em torno dos rios na proporção atual estabelecida pelo Código Florestal, ou seja, no mínimo 30 metros. O projeto de lei propõe reduzir as áreas de proteção mínima para 15 metros. As matas ciliares são fundamentais para proteger os rios e garantir a qualidade das águas.

 

O deputado federal Sarney Filho (PV-MA) prometeu levar as análises do Encob à Subcomissão da Rio+20 da Câmara dos Deputados. “Todos sabemos que nossos rios estão ameaçados pelo lançamento de esgotos, pelo desmatamento das matas ciliares e agora pela reforma do Código Florestal”, disse.

 

Para o presidente da Rede de Organismos de Bacia (Rebob) e coordenador geral do Fórum Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas, Lupércio Ziroldo Antônio, “aos olhos do mundo o Brasil é considerado uma potência hídrica por possui 13% da água do planeta e alguns dos maiores aqüíferos do mundo, por isso, precisa dar exemplo, principalmente nos próximos meses, quando haverá dois encontros internacionais importantes sobre meio ambiente e recursos hídricos: o Fórum Mundial da Água, em março de 2012,em Marselha, na França; e a Rio+20, em junho de 2012″.

 

Vários dos temas que estão sendo debatidos no Encob esta semana poderão ser abordados na Rio+20. Entre as proposições da ANA para o encontro no Rio estão a criação de um fundo para pagamentos por serviços ambientais para a proteção de nascentes, no moldes do Programa Produtor de Água da ANA; a criação de um programa global de pagamento para o tratamento de esgoto, baseado no Prodes  (Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas) da ANA; e a criação de um órgão de governança global da água, no âmbito das Nações Unidas.

 

A programação do Encob inclui cursos de gestão de recursos hídricos para membros dos comitês de bacia e órgãos gestores locais de recursos hídricos, reuniões de comitês interestaduais, reunião da seção Brasil do Conselho Mundial da Água, oficina de adaptação às Mudanças Climáticas na Gestão dos Recursos Hídricos, além de mesas de debates sobre nascentes de centros urbanos, o papel dos comitês na universalização do saneamento, entre outras discussões.

Fonte: Ascom da ANA


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


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7 de novembro de 2012 | nenhum comentário »

Ministra diz que País reduz desmatamento, mas não recebe compensação por avanços

O Brasil é o país que mais reduz o desmatamento e as emissões de carbono no planeta. Ao destacar a posição de liderança do governo brasileiro nas metas previstas em acordos internacionais de mudanças do clima, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o País não tem recebido a compensação devida por esses avanços.

“O Brasil está fazendo muito sem ter o retorno que poderia ter. O Fundo da Amazônia só tem doação, até hoje, da Noruega, da Alemanha e da Petrobras, uma empresa brasileira que aloca recursos na Amazônia. Cadê os outros doadores? Nós estamos reduzindo o desmatamento. A contribuição brasileira continua”, acrescentou a ministra, que participou em Macapá do 3º Congresso Nacional das Populações Extrativistas.

 

Pelos números do Ministério do Meio Ambiente (MMA), o desmatamento ilegal na região caiu de 29 mil quilômetros quadrados (km²) em 2004 – ano em que foi registrada a maior degradação na região – para 6,4 mil km² em 2012. Este mês, o MMA deve divulgar mais uma redução da área degradada.

 

A expectativa de países em desenvolvimento e nações mais pobres é que o tema volte a ser debatido durante a 18ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP18), quando as nações menos desenvolvidas esperam avançar na elaboração da segunda etapa do Protocolo de Quioto – que estabelece as metas de redução de emissões de gás de efeito estufa para os países desenvolvidos. A COP18 começa no fim deste mês e vai até o início de dezembro, em Doha, no Catar, com a participação de representantes de 190 países.

 

Apesar de endossar a aposta, a ministra não acredita em uma definição sobre o cálculo das emissões de carbono e as compensações. “O Brasil trabalha enquanto os ricos países desenvolvidos emitem? Isso vai aparecer no debate sobre a segunda rodada de compromissos do Protocolo de Quioto, mas vai ser definido de 2013 a 2015″, disse, referindo-se ao período que vai anteceder o novo Acordo-Quadro sobre Mudanças do Clima entre os países signatários da Convenção das Nações Unidas.

 

As estratégias brasileiras para manter o ritmo de redução de emissões têm sido estudadas por representantes do Ministério da Fazenda e do MMA. A definição de políticas de mudanças do clima também está na pauta de discussões do Congresso Nacional.

 

Ainda que o Brasil defina compromissos internamente, a questão precisa ter uma regulamentação internacional, assim como a definição do Redd – sigla que define a Redução das Emissões Geradas com Desmatamento e Degradação Florestal nos Países em Desenvolvimento. O mecanismo, que tem sido o centro das polêmicas nas discussões sobre clima, funcionaria como uma compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses países, pela preservação de suas florestas.

 

Segundo Izabella Teixeira, o Fundo da Amazônia é o único mecanismo de REDD, em prática, que o governo reconhece. O fundo foi criado em 2008 para captar doações para investimentos em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a conservação e o uso sustentável das florestas amazônicas.

 

“O que adianta eu implantar mecanismos que, muitas vezes, depois, não são reconhecidos internacionalmente. Lembro que a conta tem que ser paga pelos países desenvolvidos que não estão reduzindo suas emissões na magnitude que deveriam”, disse, destacando poucas ações positivas como metas definidas por países da União Europeia e de alguns estados norte-americanos.

 

A ministra acrescentou que o governo brasileiro retomou a negociação de um acordo com os Estados Unidos para estabelecer a segunda fase de cooperação destinada ao monitoramento e combate a incêndios e queimadas, nos moldes da parceria firmada na década de 1990. “Isso envolve o desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento de queimadas, treinamento de pessoas no combate a incêndios florestais e a qualificação dos gestores de áreas protegidas no manejo do fogo no Brasil”, explicou.

 

O acordo também está sendo debatido com especialistas da Universidade de Brasília (UnB) e dos serviços florestais americano e brasileiro.

Agência Brasil

 


16 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

País deve definir metas e cotas para fontes renováveis alternativas, propõe estudo

A definição de metas, pelo governo federal, para ampliar a participação das fontes renováveis alternativas em seus próximos leilões de energia, a adoção de cotas para cada uma dessas fontes e a revisão de sua política de subsídios para o setor energético são algumas das recomendações do estudo Além de Grandes Hidrelétricas, apresentado na quarta-feira (15) durante o 8º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético, em Curitiba.

Encomendado pela organização não governamental (ONG) WWF Brasil, o trabalho envolve pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da ONG International Energy Initiative para a América Latina, entre outras instituições. O trabalho propõe ainda um aumento de 40% da participação das fontes eólica, de biomassa e das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões de energia nova, com um crescimento mínimo de 10% para cada tipo de fonte.

O documento também defende que a política de crédito e incentivos fiscais seja revista, de forma que os subsídios dados hoje às termelétricas sejam gradualmente transferidos para fontes renováveis. “A geração de energia por termelétricas é cara, poluidora e depende de contratos take-or-pay [preço fixo para a energia, pago mesmo que ela não seja usada] para sobreviver”, diz.

A realização de leilões regionalizados e o incentivo à pesquisa e à inovação em áreas como a de energia solar, o que tende a diminuir o custo dessas novas tecnologias, também são sugeridas pelo estudo.

“Sem metas de inserção na matriz energética, o investidor interessado em fontes renováveis alternativas não tem segurança”, disse o pesquisador Paulo Henrique de Mello Sant’Ana, da UFABC, coordenador do trabalho. De acordo com Sant’Ana, o subsídio concedido às termelétricas movidas a carvão chegou a R$ 127,54 por megawatt-hora (MWh) em 2009. “Com um subsídios desses, poderíamos construir aerogeradores.”

Dos 2,4 mil empreendimentos de geração de energia elétrica em operação no país, 777 (32,4%) usam fontes renováveis alternativas. São 398 pequenas centrais hidrelétricas, 51 centrais eólicas e 328 centrais de biomassa que utilizam bagaço de cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas unidades seriam capazes de produzir cerca de 12,3 milhões de quilowatts de potência, o equivalente a 9% da produção nacional.

O estudo encomendado pelo WWF Brasil aponta que as fontes renováveis poderiam substituir as termelétricas na função complementar às usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de três quartos da eletricidade gerada no país. “Fontes renováveis alternativas podem exercer o mesmo papel [das termelétricas], com custos mais baixos e com menores impactos sobre o meio ambiente”, diz o documento. “O período da seca, quando as hidrelétricas produzem menos, coincide justamente com a safra de cana-de-açúcar e com o período de maior incidência de ventos.”

O trabalho ressalta ainda que o Brasil assumiu em 2009 o compromisso voluntário de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. E cobra do setor elétrico, que contribui com 9,2% das emissões brasileiras, o incentivo a tecnologias de baixa emissão. “Apesar do sucesso dos últimos leilões de fontes alternativas em 2010 e 2011, não há na prática um compromisso do MME [Ministério de Minas e Energia] e da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com a continuidade desses leilões”, aponta o estudo.

“O Brasil tem até metas para inflação, porque não ter metas para a produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas?”, pergunta Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil. “Vamos apresentar o documento ao governo. O país precisa aproveitar melhor o seu potencial de fontes renováveis alternativas nas próximas décadas”, disse.

A Agência Brasil procurou a Empresa de Pesquisa Energética. A assessoria de imprensa do órgão informou que o seu presidente, Maurício Tolmasquim, estava retornando de uma viagem e não poderia conceder entrevista. A assessoria do Ministério de Minas e Energia também foi acionada, mas a pessoa que poderia falar sobre o assunto estava em reunião.

Fonte: Fernando César Oliveira/ Agência Brasil


26 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Desmatamento reduz em junho, mas MT ainda lidera degradação florestal

De acordo com Imazon, estado concentra 80% da degradação florestal.
Em 11 meses foram 1.587 km2 no estado frente aos 1.974 km2 da região.

Área desmatada possuia árvores em extinção (Foto: Divulgação)

Desmatamento em junho somou 2 km2 no estado (Foto: Divulgação)

Mato Grosso perdeu dois quilômetros quadrados de Floresta Amazônica em junho e tornou-se o menor do ano, apontou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. O resultado verificado no mês passado superou o desempenho de janeiro, quando foram quatro quilômetros quadrados e à época era o mais baixo. Altas e baixas marcam os níveis de desmates no semestre no estado, revelou o Imazon.

Enquanto em janeiro a floresta perdeu 4 km2, em fevereiro as ocorrências tornaram-se maiores e atingiram uma área de 70 km2, fazendo a unidade federada liderar o ranking dos maiores desmatadores da Amazônia Legal. Em março, o desmatamento atingiu 32 km2, indo a outros 50 km2 em abril e 11 km2 em maio.

Apesar de comemorar reduções, Mato Grosso ainda é campeão no quesito degradação florestal. Como explica João Andrade, coordenador do Programa Governança Florestal do Instituto Centro de Vida (ICV), a degradação corresponde ao chamado pré-desmatamento e mostra que a destruição da floresta ainda continua.

“É um indicador futuro, pois é o primeiro sinal do desmatamento. Os dados se contrapõem e mostram que a ilegalidade continua”, disse ao G1 o representante. Ao avaliar a degradação florestal acumulada entre agosto de 2011 a junho de 2012 (o chamado ano do desmatamento), o Imazon constatou que na Amazônia Legal chegou a 1.974 km2. Somente em Mato Grosso foram 1.587 km2 ou pouco mais de 80% do volume total.

Mesmo com uma redução na ordem de 58% na degradação florestal, quando comparado aos 3.779 km2 registrados entre agosto de 2010 a junho de 2011, a unidade matogrossense continua liderando o ranking dos estados que mais degradaram a floresta nestes meses avaliados. O Pará, com 239 km2 degradados, apareceu na segunda posição, seguida por Rondônia com 101 km2.

Para João Andrade, do ICV, a degradação fomenta também o comércio ilegal de madeira e mantém vivos os crimes contra a floresta. No entender do representante do Instituto Centro de Vida, dois fatores estão influenciando diretamente a continuidade das ações ilegais.

“Um é a fiscalização e a outra é a responsabilização. Muitas vezes uma pessoa é autuada, mas não necessariamente paga a multa, pois pode prescrever. Ou também porque houve problemas na hora da fiscalização e acham-se brechas [jurídicas]. Se há a maior responsabilização vai se pensar duas vezes [antes de agir]“, afirma o coordenador do Programa Governança Florestal.

Desmatamento acumulado
Ao avaliar o acumulado dos chamados dez meses do calendário de desmatamento, ou seja, de agosto de 2011 a junho de 2012 o Imazon aponta o Pará (34%) como líder, seguido por Mato Grosso (32%), Rondônia (18%) e Amazonas (9%). Juntos, os quatro estados foram responsáveis por 93% do desmatamento ocorrido na Amazônia Legal nesse período.

Segundo o Imazon, houve recuo de 41% nos desmates quando comparado com o período anterior (agosto de 2010 a junho de 2011). Queda em termos relativos no Acre (-64%), Amazonas (-54%), Mato Grosso (-50%), Rondônia (48%) e Pará (20%). Contudo, avanço de 194% em Roraima e 61% no Tocantins.

Já em termos absolutos quem lidera o ranking do desmatamento no acumulado é o estado do Pará, com 309 km2, seguido por Mato Grosso (293 km2), Rondônia (167 km2), Amazonas (81 km2), Roraima (23 km2), Acre (20 km2) e Tocantins (14 km2).

 

Fonte: G1


14 de março de 2012 | nenhum comentário »

Com atrativo ambiental e econômico, sobe busca de ‘selo verde’ em prédios

‘Green buildings’ reduzem custos operacionais e colaboram com a natureza.
Busca por selo quase dobrou em 2011 e previsão é crescer mais neste ano.

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Bicicletário é um dos diferenciais do Eldorado Business Tower, em São Paulo, que tem o selo verde (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)

Entre 2010 e 2011, a procura pela certificação “verde” de edifícios quase dobrou no Brasil, e a expectativa é continuar crescendo em 2012. A busca é por colaborar com o meio ambiente e, de quebra, reduzir custos operacionais e melhorar a imagem das empresas – o “carimbo” garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas tanto na obra como no dia a dia.

O cenário aponta para um comportamento raro, quando os interesses econômicos se unem aos ambientais. Isso porque, apesar de o custo da construção ser de 1% a 7% mais caro, em média, a valorização estimada na revenda é de 10% a 20%, além de o investimento proporcionar até 30% de redução no valor do condomínio e diminuição média de 9% no custo de operação durante toda a vida útil, de acordo o Green Building Council Brasil (GBC Brasil), que orienta a respeito do selo Leed (sigla em inglês para liderança em design em energia e meio ambiente) no país.

Criado nos Estados Unidos há 15 anos, o Leed é apontado pelo mercado como o “precursor” do setor no Brasil – o primeiro pedido para certificação em território nacional ocorreu em 2004 e o primeiro certificado foi emitido em 2007.

Dados do conselho apontam que o número de empreendimentos na fila para conseguir o certificado passou de 237 ao fim de 2010 para 434 em 2011. Até a terceira semana de fevereiro deste ano, já eram 475. A expectativa é fechar 2012 com aproximadamente 650.

 

 

Arte prédio verde (Foto: Editoria de Arte/G1)

Por conta do tempo necessário para realização das obras após o pedido da certificação, o número de prédios já certificados com o Leed estava em 43 até o final de fevereiro. “Os prédios demoram dois, três, quatro anos para ficarem prontos. Agora é que os empreendimentos [na fila para ter o selo] estão começando a ficar prontos”, explica o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado. A expectativa é encerrar este ano com 75 selos.

No ranking mundial do número de empreendimentos registrados em busca da certificação, o Brasil aparece em quarto lugar, atrás dos Estados Unidos (38.940), China (com 807) e Emirados Árabes Unidos (758).

Entre os empreendimentos há de tudo – desde edifícios comerciais, como residenciais, industriais e de varejo. Até os estádios da Copa estão registrados para a certificação Leed, tanto nas novas construções quanto nas reformas, de acordo com o GBC. Dos 12 estádios que serão sede, apenas o Internacional (em Porto Alegre) e o Corinthians (em São Paulo) ainda não estão registrados em busca do certificado.

“Tem muita gente querendo ter o selo, são muitas construções em análise”, afirma Mony Lacerda, coordenador de avaliação da consultoria Colliers International, que orienta as empresas para a aquisição do Leed. De acordo com Lacerda, o processo de certificação em uma nova construção costuma demorar de um ano a um ano e meio, em média. Para um prédio antigo que faz uma reforma para se tornar “verde”, o processo para conseguir o título pode demorar dois anos.

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho graças ao bicicletário do prédio (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Ferreira vai de bicicleta ao trabalho, em São Paulo, graças ao bicicletário do prédio. Com vestiário, ele pode se trocar antes de começar o expediente (Foto: Arquivo Pessoal)

Selo 100% nacional
Outro selo verde existente no mercado brasileiro é o Aqua, criado pela Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP) em 2008. “Percebemos um mercado que tinha interesse muito grande pela sustentabilidade do empreendimento da construção em si”, afirma Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do processo Aqua. Atualmente são 39 empreendimentos certificados, que compreendem 53 edifícios. Os números também crescem a cada ano: foram 9 edifícios certificados em 2009, 16 em 2010, 26 em 2011 e, até o começo de fevereiro de 2012, mais dois.

“A quantidade de selos está crescendo, e entre empreendedores que são formadores de opinião [citando varejistas e grandes construtoras]. O número, perto do que se constrói no Brasil, ainda é pequeno, mas grandes construtoras já têm [o selo] e pensam em fazer mais. Acho que a preocupação começa a se formar”, afirma Martins.

Espaço para crescer
Os prédios verdes ainda representam apenas 1%, em média, da majoritária massa cinza dos lançamentos imobiliários que surgem diariamente nas cidades brasileiras, de acordo com o GBC. A pequena proporção mostra como há espaço para crescer. “Hoje temos uma possibilidade de crescimento muito grande. Em países mais engajados, o mercado já é de 10%, 5%”, diz Casado.

Uma pesquisa da consultoria Cushman e Wakefield referente ao segundo trimestre de 2011 aponta que, à época, 3,5% do estoque total existente nas cidades de São Paulo, Barueri (na Grande SP), Rio de Janeiro e Curitiba era de “green buildings”.

Até 2013, o mesmo levantamento prevê que 37% dos novos espaços nessas cidades estarão em prédios verdes, acrescentando Santos, Brasília, Porto Alegre e Salvador – em São Paulo,Rio de Janeiro e Curitiba essa proporção deverá chegar a quase 50%.

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas  (Foto: Divulgação/GCB)

Certificado garante que um empreendimento adota medidas sustentáveis e ecologicamente corretas (Foto: Divulgação/GCB)

Economia
O esforço, contudo, vale a pena, de acordo com os especialistas. Dentro dos resultados está a estimativa de que um edifício certificado pode reduzir em até 70% a emissão de resíduos sólidos (lixo, papel, madeira, carcaça), 40% o uso de água potável, de 33% a 39% a emissão de CO2 e de 24% a 50% o uso de energia elétrica, de acordo com a pesquisa da Colliers.

As estimativas do Green Building Council EUA, usadas pelo conselho no Brasil, refletem um cenário parecido. De acordo com o GBC, o gasto nos prédios verdes com energia é 30% menor, há redução de até 50% no consumo de água, de até 80% nos resíduos e uma valorização de 10% a 20% no preço de revenda, além de redução média de 9% no custo de operação do empreendimento durante toda sua vida útil.

Para Lacerda, da Colliers, o investimento a mais no custo da obra vale a pena. “Isso é reavido no futuro (…). Se o investidor considerar até 10% a mais do custo para ser certificado, isso vai ser para sempre e a longo prazo. Depois, há o ganho na redução de custo operacional”, diz.

Requisitos
Para que essas economias aconteçam, contudo, há muitos requisitos. Os empreendimentos precisam ter características que visem a economia de recursos, como água e energia, reciclagem e descarte de materiais, e na saúde e bem estar de moradores e funcionários e da sociedade em geral, além do fomento à economia local.

Para isso, valem desde sistemas de controle do fluxo de água até a adoção de fontes renováveis de energia e captação de água da chuva. Melhor utilização da luz natural e projetos coordenados para descarte de materiais também entram na lista.

Lacerda diz que as economias geradas tornam o selo cada vez mais atrativo às empresas, sem contar a contrapartida intangível que é aliar a marca a uma imagem de preocupação ecológica. “Empresas multinacionais que têm filias no Brasil, por exemplo, tem todo o motivo para reforçar a marca com a sustentabilidade”, revela.

Bem-estar
Os prédios verdes também precisam levar em conta o bem-estar dos usuários. O bancário Alexandre Augusto Silva Ferreira, de 30 anos, trabalha em um banco localizado em um dos prédios certificados pelo Leed em São Paulo. De acordo com ele, um dos benefícios é a existência de um bicicletário, o que o permite ir trabalhar diariamente de bicicleta. “Eu uso praticamente todo dia. Só não uso quando tenho necessidades específicas, como ir trabalhar em outra unidade do banco, que não tem bicicletário”, diz.

Além do lugar para guardar a bike, o prédio também oferece um vestiário e armários para guardar roupas. Assim, Ferreira toma banho todo dia quando chega ao trabalho, para não chegar suado nem com roupas amassadas.

Para o bancário, que usa o bicicletário desde abril do ano passado, são inúmeros os benefícios. Além de não ficar mais parado no trânsito, emagreceu quase dez quilos e diz evitar estresses causados por atrasos devido ao congestionamento. “Estando de bike, quase nunca acontecem imprevistos”, diz, afirmando que consegue programar melhor as atividades do seu dia a dia. Ele mora a 15 quilômetros de distância do trabalho, e diz que demora cerca de 30 minutos para ir e 40 minutos para voltar.

Ferreira trabalha no Eldorado Business Tower, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Ao todo, 16 empresas estão sediadas no edifício, com aproximadamente 5 mil funcionários. De acordo com Fernando Sinicatto, gerente de operações do edifício, o prédio tem diversos sistemas para garantir o selo. A economia de água é de 30%. De acordo com ele, por exemplo, o sistema de reuso de água de chuva e condensação do ar condicionado proporcionam 100% da água utilizada no paisagismo e limpeza das garagens.

Outro exemplo são os elevadores, que possuem sistema de frenagem regenerativa, proporcionando economia de até 37% de energia. O prédio tem também programa de coleta seletiva, que gera redução de 40% nos resíduos destinados aos aterros sanitários, disse.

Há ainda persianas automatizadas, que abrem ou fecham de acordo a incidência de luz solar na fachada. Até a escolha do local para a construção do edifício foi pensada, já que possui acesso fácil ao transporte público, como ônibus e trem, explicou o gerente.

Varejo

Além de prédios de escritórios, redes varejistas também estão de olho no conceito. Um exemplo é a Leroy Merlin, que tem 8 lojas cadastradas na certificação Aqua, sendo que uma delas, em Niterói, no Rio de Janeiro, já está com o projeto 100% em uso e tem até um espaço sobre sustentabilidade.

“As informações, principalmente nas redes sociais, mudaram a consciência do consumidor (…). Conforme o consumidor vai se conscientizando, ele vai exigir muito mais. As pesquisas já dizem hoje que o consumidor já aceita pagar 10% a mais nos produtos sustentáveis, está virando um hábito”, afirma. O gerente explica, contudo, ser intangível medir se as lojas sustentáveis atraem mais clientes. Ele disse, ainda, que esse não é o principal objetivo da rede. “Nós não usamos a sustentabilidade para vender mais”, disse.

No caso da unidade de Niterói, o custo para o projeto da “loja verde” foi de 8% a mais, com um retorno estimado em cinco anos. Entre os resultados estão 26% de redução no consumo de energia e de 39% no de água.

Para Casado, do GBC Brasil, grande parte do crescimento do setor pode ser explicada pelo maior conhecimento das pessoas a respeito do conceito de construção sustentável. “Toda vez que se fala em sustentabilidade, fala-se da busca em equilibrar o social, o econômico e o ambiente. Então, se você consegue, do lado econômico, trazer esses benefícios, é sempre melhor”.

Fonte: Gabriela Gasparin, G1, São Paulo


23 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Correios da Suíça vão compensar emissão de CO2

Companhia afirma que pretende reduzir 15 mil toneladas de dióxido de carbono a partir do uso de veículos elétricos pelos carteiros

A companhia de correios suíça, la Poste, anunciou em comunicado, nesta quarta-feira (22), que vai compensar sua emissão de CO2, que tem origem no envio de cartas no país, a partir do dia 1 de abril, numa tentativa de proteger o meio ambiente .

As atividades dos correios geram cerca de 50 mil toneladas de CO2 que serão compensados a cada ano por la Poste mediante vários projetos, entre eles, o uso progressivo de veículos elétricos pelos carteiros e a utilização crescente do transporte ferroviário.

A iniciativa permitirá a redução de 15 mil toneladas de emissões de CO2, calculou.

Além disso, a companhia prevê a instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados de 20 edifícios que abrigam seus escritórios.

Segundo um porta-voz da companhia, esta compensação custará entre 700 mil e 2,5 milhões de francos suíços (entre 583 mil e 2 milhões de euros) por ano.

Fonte: Portal IG


17 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Pesquisadores reclamam de corte na pasta de Ciência

O corte de 22% no orçamento do Ministério da Ciêcia, Tecnologia e Inovação previsto para 2012, anunciado nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda, repercutiu nos corredores acadêmicos.

A SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), principal representante dos cientistas do país, classificou como “absurda” a redução nos investimentos no setor.

“Os reflexos na produção científica nacional serão sentidos”, disse à Folha a presidente da instituição, Helena Nader.

Ela contou que enviara uma carta à presidente Dilma Rousseff exatamente uma semana antes do anúncio dos cortes pedindo que ciência e educação fossem poupados. “Esses cortes são contra o discurso da presidente, que tem um compromisso com o desenvolvimento social do país”, disse Nader.

O orçamento previsto para o MCTI (Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação) em 2012 é de R$ 5,2 bilhões. O valor é R$ 1,48 bilhão menor do que no ano passado, quando a fatia de ciência foi de R$ 6,7 bilhões.

Em 2011, a pasta de ciência já havia sofrido um corte de 23% dos recursos.

Menos inovação – A Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadora) afirmou, em nota, que os cortes nos investimentos podem piorar os saldos negativos da balança comercial brasileira.

Isso porque a redução dos investimentos pode afetar a competitividade das empresas que fazem pesquisa e inovação.

Em 2011, o termo “inovação” foi incluído no nome do MCTI.

“Aumentamos a gama de atividades do ministério, incluindo a inovação, e diminuímos os recursos. Isso não faz o menor sentido”, diz Nader. 

Fonte: Folha.com


13 de fevereiro de 2012 | nenhum comentário »

Ação questiona corte de áreas protegidas na floresta amazônica

Redução é prevista em medida provisória para permitir construção de hidrelétricas.

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, propôs ontem (9) uma ação direta de inconstitucionalidade ao Supremo Tribunal Federal contra uma medida provisória que reduz sete áreas protegidas na Amazônia para fazer hidrelétricas. A MP 558, editada em janeiro pela presidente Dilma Rousseff, visa cortar as unidades de conservação – entre elas o parque nacional da Amazônia, o mais antigo da região – para abrigar, entre outras hidrelétricas, a de São Luiz do Tapajós, no Pará.

 

São Luiz alagará 15 mil hectares do parque nacional da Amazônia, 393 hectares da floresta nacional de Itaituba, 1,21 mil hectares da floresta nacional de Itaituba 2 e 15 mil hectares da área de proteção do Tapajós. A área total equivale a quase um terço da cidade de São Paulo. Também esbarram em áreas protegidas as usinas de Jatobá, no rio Jamanxim, de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, e a planejada usina de Tabajara, no rio Machado. Para evitar a sobreposição, o governo resolveu cortar a área dos parques.

 

Na ação, Gurgel afirma que as unidades alvejadas pelo Planalto têm “extrema relevância” para a preservação da Amazônia e que alterações nos limites de unidades de conservação só podem ser feitas por lei, não por MP. O procurador já havia movido uma ação contra uma MP anterior, a 542, de 2011, que reduzia três áreas protegidas na Amazônia. Ela expirou sem ser apreciada pelo Congresso e foi ressuscitada na MP de janeiro, que inclui mais quatro áreas.

 

Quando a MP 542 foi editada, o presidente do Instituto Chico Mendes, Rômulo Mello, defendeu-a. “A presidente [Dilma] entende que para o País é uma coisa urgente.” Gurgel diz na ação que não há urgência, já que Tabajara é só uma ideia e que São Luiz e Jatobá nem tiveram o licenciamento ambiental iniciado. Mello disse que a Advocacia-Geral da União (AGU) faria a defesa do projeto.

Fonte: Folha de São Paulo


29 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polêmicas ambientais não interferem na imagem do Brasil, diz embaixador

Público internacional percebe reação do governo, diz André Corrêa do Lago. 
Negociador-chefe do Brasil na COP 17 concedeu entrevista ao G1 em Durban

O negociador-chefe do Brasil na COP 17, André Corrêa do Lago, disse ao G1 na abertura da conferência realizada em Durban, na África do Sul, que as recentes discussões ambientais que o país enfrenta não interferem na imagem do país perante outras nações, nem na posição assumida na Cúpula Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo ele, polêmicas como a construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, o derramamento de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e o processo de aprovação do novo Código Florestal tiveram reações imediatas do governo e um debate com a sociedade. “O público internacional percebe como o Brasil reage aos problemas”, afirma.

O embaixador comenta ainda sobre as negociações climáticas iniciadas em Durban e que prosseguirão até o próximo dia 9 de dezembro. Confira vídeo http://g1.globo.com/natureza/noticia/2011/11/polemicas-ambientais-nao-interferem-na-imagem-do-brasil-diz-embaixador.html

Apelo para evolução nas negociações
Delegados de mais de 190 países terão de avançar nos acordos firmados na última reunião, em Cancún. Em discurso proferido na abertura do encontro, nesta segunda-feira (28) o presidente sul-africano, Jacob Zuma, destacou os dois principais pontos a serem definidos: o funcionamento do “fundo verde”, por meio do qual os países ricos deverão ajudar os pobres a enfrentarem o aquecimento global, e um segundo período do Protocolo de Kyoto, acordo pelo qual países desenvolvidos se comprometem a reduzir suas emissões de gases-estufa, que expira em 2012.

“Com uma liderança competente, nada é impossível aqui em Durban”, disse o presidente sul-africano. Apesar do tom moderado, o líder lembrou a todos as consequências desastrosas das mudanças climáticas previstas para muitos países em desenvolvimento.

“A agricultura em vários países africanos pode cair até 50% até 2050, o que pode causar sérios problemas de fome”, disse.

O Brasil integra o bloco G77+China (que, além do país asiático, inclui países em desenvolvimento) e vai apoiar o que esse grupo decidir consensualmente. Entre as nações representadas estão, por exemplo, as africanas e os pequenos países insulares que podem desaparecer se o nível do mar subir muito.

Nações em desenvolvimento têm que fazer mais
A Europa fala de um segundo período do Protocolo de Kyoto, mas dentro de um plano para um novo acordo vinculante mais abrangente, que inclua também as nações em desenvolvimento, para ser negociado até 2015, com validade prazo de ratificação interna em cada país até 2020. Seria uma novo “mapa” de negociação, como dizem os diplomatas.

“Precisamos fortalecer Kyoto”, disse nesta segunda-feira (28) o negociador que representa a presidência temporária polonesa da União Europeia na COP 17, Thomasz Chruszczow.

Os EUA, que não têm compromisso para reduzir suas emissões, também voltaram a questionar a adesão dos emergentes a um acordo vinculante de longo prazo, para 2050, por exemplo. O negociador dos EUA, Jonathan Pershing, disse que trabalhar com o panorama de 2020 dá a falsa impressão que um plano implementado até lá resolverá o problema das mudanças climáticas e ressaltou como fundamental a inclusão de todos.

“Um acordo vinculante para depois de 2020 só é possível se “envolver todos os ‘players’ relevantes’”, disse – um recado principalmente para a China, que desbancou recentemente os americanos como o maior emissor de gases-estufa , mas também a outros países, como o Brasil.

 

Fonte: Dennis Barbosa, Globo Natureza


26 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Comitês de Bacias vão apresentar moção contra reforma do Código Florestal

Reunidos em São Luis (MA) no 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, representantes de comitês de todo o Brasil vão apresentar na sexta-feira (28) manifestação contra a redução das Áreas de Proteção Ambiental.

Representantes de Comitês de Bacias Hidrográficas de várias regiões do País preparam moção contra a redução das áreas de proteção ambiental às margens dos rios, em protesto contra o texto da reforma do Código Florestal, aprovado na Câmara dos Deputados em maio, que permite o uso das áreas de preservação permanente (APPs). O texto tramita agora no Senado e deve ir a plenário até o final do ano.

 

A moção será apresentada na sexta-feira (28), último dia do 13º Encontro Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob), que começa hoje em São Luis (MA).

 

Atualmente, o Brasil possui cerca de 180 Comitês, sendo dez em rios federias, com representações de diferentes segmentos da sociedade, espalhados por várias bacias.  Ao todo, são mais de 50 mil pessoas engajadas na defesa dos recursos hídricos. Esses comitês funcionam como parlamentos da água, pois são formados por usuários locais dos recursos hídricos; organizações não governamentais; sociedade civil e representes do poder público nos três níveis (municipal, estadual e federal), que se reúnem em sessões plenárias.

 

A Agência Nacional de Águas (ANA) dá apoio técnico aos comitês federias e os órgãos gestores locais, aos estaduais, conforme determina a Lei 9.433 de 1997, conhecida como Lei das Águas, que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh). Todos os anos, representantes de comitês de bacia se reúnem para fazer um balanço da gestão dos recursos hídricos, da atuação desses arranjos locais e debater os desafios da implementação da PNRH. Este ano, porém, a reforma do Código Florestal dominou a cerimônia de abertura do 13º Encob, na noite de ontem (25), em São Luís.

 

“O Encob é o maior encontro nacional de água do planeta, portanto, reúne a visão de vários segmentos da sociedade, de usuários a pesquisadores, gestores e sociedade civil”, disse o diretor-presidente da ANA, Vicente Andreu. “É fundamental que haja uma forte sinalização ao Congresso. O tempo é curto e precisamos fazer chegar aos senadores uma posição muito firme”, completou. Em abril, a ANA divulgou uma Nota Técnica que explica as razões pelas quais a Agência defende a manutenção da cobertura florestal em torno dos rios na proporção atual estabelecida pelo Código Florestal, ou seja, no mínimo 30 metros. O projeto de lei propõe reduzir as áreas de proteção mínima para 15 metros. As matas ciliares são fundamentais para proteger os rios e garantir a qualidade das águas.

 

O deputado federal Sarney Filho (PV-MA) prometeu levar as análises do Encob à Subcomissão da Rio+20 da Câmara dos Deputados. “Todos sabemos que nossos rios estão ameaçados pelo lançamento de esgotos, pelo desmatamento das matas ciliares e agora pela reforma do Código Florestal”, disse.

 

Para o presidente da Rede de Organismos de Bacia (Rebob) e coordenador geral do Fórum Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas, Lupércio Ziroldo Antônio, “aos olhos do mundo o Brasil é considerado uma potência hídrica por possui 13% da água do planeta e alguns dos maiores aqüíferos do mundo, por isso, precisa dar exemplo, principalmente nos próximos meses, quando haverá dois encontros internacionais importantes sobre meio ambiente e recursos hídricos: o Fórum Mundial da Água, em março de 2012,em Marselha, na França; e a Rio+20, em junho de 2012″.

 

Vários dos temas que estão sendo debatidos no Encob esta semana poderão ser abordados na Rio+20. Entre as proposições da ANA para o encontro no Rio estão a criação de um fundo para pagamentos por serviços ambientais para a proteção de nascentes, no moldes do Programa Produtor de Água da ANA; a criação de um programa global de pagamento para o tratamento de esgoto, baseado no Prodes  (Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas) da ANA; e a criação de um órgão de governança global da água, no âmbito das Nações Unidas.

 

A programação do Encob inclui cursos de gestão de recursos hídricos para membros dos comitês de bacia e órgãos gestores locais de recursos hídricos, reuniões de comitês interestaduais, reunião da seção Brasil do Conselho Mundial da Água, oficina de adaptação às Mudanças Climáticas na Gestão dos Recursos Hídricos, além de mesas de debates sobre nascentes de centros urbanos, o papel dos comitês na universalização do saneamento, entre outras discussões.

Fonte: Ascom da ANA


25 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Cumprir meta de Copenhague exige reduzir emissões em mais de 8%

Acordo de 2009 para limitar aquecimento do planeta vai exigir uma redução de emissões maior do que o previsto

O cumprimento da meta de restrição da elevação da temperatura, estabelecida no Acordo de Copenhague, em 2009, exigirá uma redução nas emissões de carbono em mais de 8% até 2020 em comparação com os níveis de 2010, e depois aumentar esta redução, alertam cientistas.

Em dezembro de 2009, líderes mundiais salvaram do fiasco a Conferência do Clima das Nações Unidas, realizada na capital dinamarquesa, ao fixar a meta de limitar o aquecimento no planeta a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Em um artigo publicado este domingo na revista científica Nature Climate Change, cientistas liderados por Joeri Rogelj, do Instituto de Ciência Climática e Atmosférica de Zurique, na Suíça, revisaram modelos de computador tendo como base a meta dos 2ºC.

Nos cenários que consideraram uma “probabilidade” acima de 66% de que a temperatura na Terra se mantenha abaixo dos 2ºC, as emissões globais teriam seu pico entre 2010 e 2020.

Em 2020, as emissões anuais teriam que ser de 44 bilhões de toneladas (ou gigatoneladas) de dióxido de carbono ou carbono equivalente (CO2e) ao ano.

Este volume representaria uma redução de 8,5% com relação a 2010, quando as emissões globais foram de 48 gigatoneladas. As emissões teriam que continuar caindo depois disso.

“Se os mecanismos necessários para possibilitar um pico precoce das emissões globais, seguido de reduções intensas não forem implantados, há um risco significativo de que a meta dos 2ºC não seja alcançada”, alertaram os estudiosos.

O carbono equivalente (CO2e) é uma medida empregada para mensurar as emissões de todos os gases de efeito estufa, que variam do dióxido de carbono – liberado na queima de combustíveis fósseis – ao metano, liberado no desmatamento e em processos agrícolas, por exemplo.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2010 as emissões exclusivas de CO2 foram as maiores da história, subindo fortemente após uma queda brusca em 2009, atribuída à crise financeira internacional.

O Acordo de Copenhague, esboçado por um pequeno grupo de líderes mundiais, salvou no último minuto a conferência climática de um fracasso considerado certo por especialistas.

O documento não conseguiu o endosso dos 194 países membros da Convenção-quadro das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC), e recebeu críticas por ser considerado antidemocrático, enquanto grupos ambientalistas afirmaram que sua abordagem voluntária não produziria os cortes de carbono necessários.

Por outro lado, os cientistas se mantêm cautelosos quanto à meta de 2ºC, afirmando que não é garantia de segurança.

Muitos dizem que já se percebem mudanças perceptíveis na neve e na cobertura de gelo, no hábitat e nos padrões reprodutivos de espécies migratórias por causa de um aquecimento já observável, de aproximadamente 1ºC desde 1900.

Fonte: AFP


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