16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas dobram o custo da conservação

As mudanças climáticas farão a conservação da biodiversidade, bem como seus benefícios associados – como água potável e ar puro – mais desafiadores e caros, com custos crescendo mais de 100% em alguns casos, de acordo com três novos estudos de um grupo de pesquisadores internacionais conveniados à Conservação Internacional (CI). Os pesquisadores chamaram os estudos de uma espécie de “alerta” para a conservação da biodiversidade e estabilização climática de custo eficaz.

Os cientistas tinham como foco as espécies e ecossistemas da África do Sul, Madagascar e Califórnia. Os resultados foram apresentados em três trabalhos publicados de forma conjunta no periódico Conservation Biology, intitulado “Foco na conservação: custos da adaptação da conservação às mudanças climáticas”. Os estudos estão entre os primeiros a estimar os custos da conservação da biodiversidade sob os efeitos das mudanças climáticas.

“Os efeitos das mudanças climáticas nas espécies da África do Sul, Madagascar e Califórnia são muito diferentes, mas os custos de conservá-las, certamente, aumentarão de forma considerável em todas as três regiões sob os efeitos das mudanças climáticas”, diz o principal autor do estudo, Lee Hannah, cientista sênior para a biologia das mudanças climáticas da Conservação Internacional (CI). “Nós podemos ter um planeta saudável e manter os custos extras no mínimo se agirmos rápido a fim de reduzir emissões e incorporar as mudanças climáticas nos planos de conservação”.

“Esse conjunto de estudos ao redor do mundo é um alerta”, diz Rebecca Shaw, cientista climática e vice presidente associada do Fundo de Defesa ao Meio Ambiente. “A verdade é que nós temos lutado para conservar a natureza da qual dependemos para ter ar e água limpos sem contabilizar as mudanças climáticas. Esses trabalhos mostram que será mais difícil e mais caro conservar a natureza no futuro. É tempo de ter muito mais criatividade a respeito de incentivos privados com bom custo-benefício e inovadores para sermos mais eficientes  na conservação do sistema de suporte à vida no planeta, beneficiando assim a nós mesmos e a nossas crianças.”

“A conservação é cara”, diz Belinda Reyers, cientista chefe dos serviços de biodiversidade e ecossistema do Conselho Para a Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul, “e provavelmente se tornará mais cara com as mudanças climáticas – entretanto, levando em conta que já existem investimentos para a conservação, e os custos que representam a falta de ação, chega-se à conclusão de que quanto antes, melhor. Nossas mensagens não são negativas e pessimistas no todo, de fato o estudo de caso da África do Sul destacou o importante papel que novas abordagens para a conservação e novas parcerias podem ter a fim de reduzir esses custos”.

Em Madagascar, um dos países mais biodiversos no mundo, onde a vasta maioria das florestas nativas têm sido perdidas, pesquisadores fizeram uma previsão das chances de sobrevivência de 74 espécies de plantas endêmicas baseados em diferentes cenários de alterações climáticas entre 2000 e 2080. Eles perceberam que, conforme o clima muda ao longo do tempo, espécies que estão em florestas protegidas hoje serão empurradas para fora, em áreas não protegidas – que poderão desaparecer – como poderia ser o caso da Rhopalocarpus coriaceus, uma árvore nativa de Madagascar. Restaurar florestas para evitar a extinção de espécies como essa, eles concluem, é mais difícil e caro que a manutenção das florestas. Conservar florestas em áreas mantidas por comunidades tradicionais custa de US$160 a US$576 por hectare, enquanto a restauração de florestas nas mesmas áreas custaria seis vezes mais.

“Protegendo as plantas e animais de suas florestas, Madagascar está protegendo as fontes de medicamentos que podem salvar vidas, água limpa para a agricultura, e oportunidades de trabalho para a população na área do turismo” diz Jonah Busch, economista de clima e floresta da CI e autor principal de “Mudanças Climáticas e o custo da conservação das espécies em Madagascar”. “A mais alta prioridade de conservação é parar o desmatamento e destruição  dos últimos remanescentes florestais da ilha, protegendo assim  suas espécies únicas da mudança do clima”.

Na Califórnia, pesquisadores pegaram 11 espécies que ocorrem dentro de uma área de conservação na Costa Central da Califórnia e projetaram os custos da conservação dessas espécies através dos anos de 2050 e 2100 sob um cenário real de mudanças climáticas. Os resultados mostram que os limites da área de conservação teriam que ser dramaticamente expandidos e que muitas espécies precisarão de intervenções tal qual a criação em cativeiro e realocação para obter os ganhos de hoje com medidas de conservação em um futuro cenário de mudanças climáticas. As mudanças climáticas aumentaram os custos da conservação em cerca de 150% até 2050 e em cerca de 220% até 2100 – que significam um total de US$2,63 bilhões. Mesmo assim, algumas espécies não são aptas para sobreviver às mudanças.

Na África do Sul, pesquisadores estudaram a sobrevivência de 316 espécies da família Proteaceae (de plantas com flores), que existem apenas nessa região próxima da Cidade do Cabo rica em biodiversidade florística. O estudo apontou  a proteção de uma área suficiente para a sobrevivência dessa família poderia custar por volta US$1 bilhão. No entanto, medidas de gestão da conservação em conjunto com os proprietários locais poderia reduzir significativamente os custos.

Os três estudos foram conduzidos por autores das seguintes instituições: Conservação Internacional, Conselho para a Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul, Fundo de Defesa do Meio Ambiente, Missouri Botanical Garden, Universidade Belfast do Queen, Instituto Nacional Sul Africano de Biodiversidade, The Nature Conservancy, Universidade da Califórnia Berkeley e Universidade da Califórnia Santa Bárbara, e tiveram apoio financeiro da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

 

Fonte: Mater Natura


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Um dia após publicação, trecho de MP do Código Florestal é retificado

Alteração refere-se ao plantio de espécies exóticas em área de preservação.
Regra passa a valer apenas para pequeno produtor; ambientalistas criticam.

Um dia após publicar medida provisória (MP) que torna mais rígidas as regras do novo Código Florestal, o governo divulgou no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (29) a retificação de inciso que restringe o plantio de árvores exóticas na recuperação Áreas de Preservação Permanente (APPs) apenas para pequenas propriedades rurais de até quatro módulos fiscais.

Nesta segunda-feira (28), a MP editada pela presidente Dilma Rousseff informava que proprietários rurais, com imóveis de quaisquer tamanhos, que tenham desmatado áreas de preservação poderiam recuperá-las com o “plantio de espécies lenhosas, perenes ou de ciclo longo, sendo nativas e exóticas”.

Agora, isso passa a valer apenas para propriedades rurais com até quatro módulos fiscais, classificadas como pequenas propriedades. Um módulo fiscal é a medida de tamanho da propriedade rural que varia de acordo com o município.

O texto, encontrado no inciso IV do parágrafo 13 do artigo 61-A da medida provisória, foi duramente criticado por ambientalistas, que consideraram grave a liberação do ponto de vista ecológico. De acordo com eles, a regra daria brecha para a introdução de culturas como o eucalipto, pinheiros do tipo pinus ou o dendê.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, explicou ao G1 que classificar o pinus como uma forma de cultivo para recuperar APPs é errôneo. Ela disse ainda que pequenos proprietários que desmataram terão que reflorestar com espécies nativas — não introduzindo apenas plantas exóticas.

“Quando fala que é Pinus está errado, porque é cultura de longo prazo. Pinus tem sete anos só. E como está escrito nativa e exótica, eu não posso nem plantar Pinus, nem eucalipto, nem acácias porque elas inibem as nativas. Então não é “ou”, é ‘e’ [referindo-se ao texto publicado no DOU]“.

Impacto
No caso de uma plantação de eucalipto, por exemplo, há consumo maior de água do que a média, o que, segundo os ambientalistas, poderia se tornar um problema ambiental caso o cultivo ocorra próximo a nascentes, por exemplo. Outra crítica feita é que o plantio de uma única espécie em substituição à mata original reduziria a biodiversidade do ecossistema.

“Por isso pedimos o veto total, para evitar esses tipos de remendos. A biodiversidade das margens de rios será prejudicada”, explica Márcio Astrini, da Campanha da Amazônia de Greenpeace.

Astrini afirma que, com a retificação, o grande proprietário de terras não poderá recompor áreas devastadas com as espécies consideradas exóticas. “Porém, as propriedades de até quatro módulos fiscais, que corespondem a 90% das propriedades rurais do Brasil [e compreendem 24% da área agrícola do país] poderão realizar o plantio. É uma lei sem pé, nem cabeça”, disse.

Vetos
O novo cógido e a MP, que é um complemento do que foi vetado no código e mais algumas alterações, entraram em vigor nesta segunda. No entanto, a MP ainda pode ser alterada no Congresso e os vetos também podem ser derrubados pelos parlamentares.

A medida provisória tem prazo de 60 dias podendo ser prorrogada por mais 60 dias – prazo total de quatro meses antes de perder a validade. Começa a ser analisada na Câmara, vai ao Senado e, se alterada, volta para análise dos deputados.

Já os vetos só podem ser colocados em votação pelo presidente do Congresso, atualmente José Sarney, em sessão conjunta de deputados e senadores. Não há prazo que se coloque em votação. Para derrubar vetos, é necessário o apoio de 2/3 dos parlamentares. Desde a redemocratização, somente três vetos presidenciais foram rejeitados pelo Parlamento.

Dilma vetou os artigos 1º, 43º, 61º, 76º e 77º do novo Código Florestal e fez vetos parciais em parágrafos e incisos dos artigos 3º, 4º, 5º e 26º. O objetivo dos cortes e mudanças no texto aprovado no Congresso, de acordo com o governo, é inviabilizar anistia a desmatadores, beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental.

Principal mudança
A principal mudança com a MP é a que cria regras diferentes de recomposição de acordo com o tamanho de cada propriedade. Na prática, obriga todos a recomporem, mas torna a lei mais branda para os pequenos e mais rígida para os grandes.

A recomposição constava no artigo 61, totalmente vetado e um dos mais polêmicos durante a discussão no Congresso. O texto final aprovado pela Câmara, em abril, simplificou regras para a recomposição de matas ciliares, com redução das faixas ao longo das margens de rio que deveriam ser reflorestadas pelos produtores rurais. Ficou estabelecida uma faixa mínima de 15 metros e máxima de 100 metros, a depender da largura do rio.

Conforme a medida provisória, voltam regras mais específicas para as faixas, variando conforme o tamanho da terra. Para propriedades de até um módulo, serão 5 metros de recomposição a partir da margem.

Para propriedades de um a dois módulos, a recomposição é de 8 metros. Os imóveis de dois a quatro módulos terão de recompor 15 metros. Acima de quatro módulos, a recuperação deve ser entre 20 metros e 100 metros.

Para quem tinha até quatro módulos fiscais e desenvolvia atividades agrícolas nas áreas consolidadas de APP, é exigida a recomposição de até 10% do total do imóvel com até dois módulos e 20% para imóveis de dois a quatro módulos.

Vale este - Código Florestal - versão 5 (Foto:  )

Fonte: G1


10 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Vai faltar árvore no mercado?

Para especialistas, projetos de compensação ambiental no País podem entrar em crise com a escassez de mudas de espécies nativas

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“A prioridade é para espécies nativas, mas algumas importadas podem ser aceitas” Murilo Bustamante, promotor do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro.(Foto: ISTOÉ)

O cenário não poderia ser mais favorável: há dinheiro, vontade e mão de obra capacitada para promover uma grande recuperação das florestas nativas brasileiras no rastro das ecologicamente corretas compensações ambientais. No entanto, especialistas na flora nacional estão preocupados, e não otimistas, porque a falta de matéria-prima pode comprometer os projetos de reflorestamento previstos para os próximos anos no País. Técnicos do governo e produtores que atuam no segmento verde alertam que a produção de mudas de espécies brasileiras não será suficiente para atender à demanda que se desenha. E, na falta de espécies nacionais, as árvores exóticas (naturais de outros países) podem ocupar o lugar da flora nacional. “A prioridade nos reflorestamentos é para as espécies nativas, mas algumas exóticas podem ser aceitas, caso o plantio seja aprovado pelos órgãos ambientais”, afirma o promotor Murilo Bustamante, da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro. Se o reflorestamento fosse importante apenas para o controle das emissões de gases do efeito estufa, a origem da árvore não interessaria tanto. “Ela precisa apenas ter potencial para sequestrar e manter o carbono”, explica o coordenador de recuperação ambiental do município do Rio, Marcelo Hudson. “Mas, se pensarmos em biodiversidade, temos de obedecer às regras da natureza.

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COMPENSAÇÃO Obras da CSA obrigarão a companhia a plantar centenas de árvores.(Foto: ISTOÉ)

A introdução de árvores de outros biomas pode causar distúrbios tanto na fauna quanto no solo do ecossistema”, completa Hudson, que comanda um projeto que em 20 anos plantou cerca de cinco milhões de mudas nativas na cidade. A falta de um programa específico para fomentar a produção de mudas nativas é um dos problemas que vieram à tona com a demanda ocasionada pelo aquecimento global. Ecologistas estimam entre 170 milhões e 200 milhões de hectares a área de florestas destruída que pode ser recuperada, mas a quantidade de mudas nativas produzidas no País é um mistério.De acordo com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), do Ministério da Agricultura, existem 3.641 produtores de mudas no Brasil. Entretanto ninguém sabe quantos deles se dedicam às espécies nacionais. A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) também não tem dados sobre os que semeiam mudas nativas. Os mais otimistas arriscam o número de 15 milhões por ano. Como cada hectare comporta entre 800 e 1.200 mudas, o déficit torna-se expressivo. “Entre 60% e 70% dos municípios brasileiros são desprovidos de viveiros. E os que existem são dedicados à arborização urbana”, adverte o engenheiro florestal Luiz Carlos Sérvulo de Aquino, do Ministério do Meio Ambiente. Entre as grandes obras que vão exigir compensações ambientais, apenas no Estado do Rio de Janeiro, estão a construção do parque industrial da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a implantação do trem- bala e o arco rodoviário.

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Plantio de Mudas(Foto: ISTOÉ)

Os investimentos estão na casa dos bilhões, sendo que a legislação ambiental determina que meio por cento do custo das obras seja aplicado em compensações ambientais. “Certamente, teremos um boom de projetos de reflorestamento no Rio e em outros Estados, sem que a produção de mudas consiga acompanhar essa demanda”, alerta o engenheiro florestal Marcelo de Carvalho Silva, dono da Biovert, empresa fluminense que produz e comercializa mudas e sementes do sistema vegetal atlântico. Segundo Silva, a Biovert, que tem capacidade de produção de até três milhões de mudas por ano, está se preparando para dobrar a produção até 2012 e triplicá-la até 2014, de olho nos reflorestamentos resultantes de compensações ambientais. Alguns órgãos do governo anunciam esforços para resolver o problema. Mas as iniciativas ainda são tímidas e demonstram o descaso com que a flora nativa foi tratada ao longo dos anos. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, somente agora está elaborando com técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) uma lista de espécies potencialmente aptas tanto para os plantios imediatos de áreas degradadas quanto para o aperfeiçoamento das pesquisas.

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Foto: ISTOÉ

Vão fazer o que foi feito com espécies exóticas, como pinus e eucalipto (que abastecem o setor de papel e celulose, a siderurgia e a indústria moveleira), a partir da década de 60 e que tornou o Brasil líder mundial de produtividade e de conhecimento acumulado nesses gêneros. O chefe do departamento de políticas e estudos de meio ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Márcio Macedo, disse que o órgão tem um leque de opções de financiamento para recuperação florestal, mas reconhece que não há linhas de crédito específicas para a ampliação de viveiros de mudas nativas. “Compartilhamos dessa preocupação, mas estamos em estágio incipiente. Afinal, essa demanda nunca esteve tão evidente”, afirma Macedo. Mas a lição é simples: para recuperar nossas florestas e conservar nosso ecossistema, o mercado de mudas nativas tem de florescer.

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“Teremos um boom de reflorestamento, sem que a produção de mudas acompanhe a demanda” Marcelo de Carvalho Silva, engenheiro florestal.(Foto: ISTOÉ)

Fonte: Wilson Aquino, ISTOÉ


15 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Guanandi surge como opção para reflorestamento com madeira de lei

altA cada dia que passa, fica mais difícil encontrar, no mercado, madeiras de qualidade, que são usadas para móveis e decoração. O aperto da legislação ambiental está transformando em raridade madeiras vindas das florestas nativas.

A tendência será o mercado se abastecer com madeiras plantadas. Nesse contexto, começa a chamar a atenção uma árvore de brejo, que está alimentando o sonho das pessoas.

No Museu da Madeira, do Instituto Florestal de São Paulo, seja em afrescos na parede, seja no tabuleiro de placas trabalhadas em relevo, estão amostras da riqueza em madeira que São Paulo tem – ou teve. Dentre as mais valorizadas, estão as madeiras de lei.

“Foi um termo criado pela Coroa Portuguesa para regulamentar todo o corte e exploração das madeiras no Brasil. Atualmente, esse termo ainda permanece, mas para madeiras que, por seu alto valor econômico, são empregadas para fins nobres”, afirma o biólogo Eduardo Longhi.

Uma reserva florestal em Luís Antônio, município a 260 km de São Paulo, no norte do estado, em conjunto com outra unidade de conservação também no estado, totalizam 10 mil hectares onde se preserva o pouco que resta do cerradão paulista, e onde se fazem experiências com plantio de árvores nativas de vocação para madeira.

Seja pelo atual ou por um novo Código Florestal, muitos terão que reflorestar para ficar dentro da legalidade. É uma boa ideia usar a madeira de lei para agregar valor ao reflorestamento, mas como plantar uma árvore desse tipo?

Um dos testes que a reserva de Luís Antônio vem fazendo é comparar o crescimento de quatro espécies nobres: jequitibá, pau-marfim, ipê roxo e louro pardo. As quatro foram plantadas em condições iguais há 26 anos.

O jequitibá vem ganhando na comparação, com uma madeira de melhor qualidade e maior cubicagem. Outra árvore, porém, aparece como opção: o guanandi.

O guanandi

O nome varia conforme a região do Brasil, mas é considerada sempre uma madeira de lei, de cor bonita, valorizada, que agora tem atrás de si um trabalho de observação, um esquema de mudas e sementes e até um agricultor entusiasmado que espera fazer R$ 1 milhão com uma roça de um hectare de guanandi em 18 anos.

O guanandi, cujo nome científico é Calophyllum brasiliense, foi descrito pela primeira vez pelo alemão Von Martius, autor da Flora Brasiliense, no começo do século XIX. Ocorre em todo o território nacional, e é, às vezes, também chamado de guanandi-cedro ou guanandi-carvalho. É madeira resistente e de grande aceitação, mas difícil de encontrar hoje em dia.

Em Monte Alto, a 370 km da capital paulista, ainda no norte do estado, Lorisval Vasconcelos, agrônomo aposentado e perito judicial, acredita ter descoberto no guanandi um negócio.

Vasconcelos tem uma pequena plantação de guanandi no seco, na qual a planta, apesar da origem no brejo, cresce melhor que no terreno encharcado. A desrama é o manejo certo para a árvore subir reta, mas a atividade principal no local é o viveiro de mudas, tocado por Rodrigo e Maicon, filhos de Vasconcelos, os dois também agrônomos.

O guanandi já se tornou uma fonte de renda comum para os viveiristas. Existem viveiros até maiores que o de Monte Alto, com produção regular de mudas e assessoria técnica.

Plantio

Há um jeito para a produção das mudas render mais. Com a preparação de mudas, deve se fazer um trinco na casca externa da planta, para facilitar a germinação. Para plantar, faça uma cova de 40 cm x 40 cm x 40 cm, um tanto de esterco de curral e 200 g de adubo básico (NPK).

Misture com a terra retirada da cova, cobre o buraco e abre uma entradinha para a muda.
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a quase 500 km de Belo Horizonte, em um local da cidade chamado Chácara das Freiras, um antigo convento, existe um bosque nativo de guanandi.

A existência de guanandi no Bosque das Freiras é uma prova, segundo o agricultor Dílson Meireles, de que a planta é adaptada e se dará bem na região. Em sua fazenda, em Uberaba, Meireles tem 7.500 pés de guanandi em cinco hectares. Até o quarto ano, o guanandi permite consorciamentos; no caso, com guandu, mandioca e milho.

Seu esquema é este: em um hectare de terra, o plantio é de 1.500 mudas. Em seis anos, há o primeiro raleamento: retiram-se 500 plantas, que são aproveitadas como lenha. Em 10 anos, há o segundo raleamento, e retiram-se mais 500 árvores, mas o aproveitamento agora é como madeira fina.

Permanecem então as 500 melhores árvores do talhão, as quais, em 18 a 20 anos, deverão produzir 400 metros cúbicos de madeira. Meireles sonha alto: espera conseguir R$ 1 milhão de por hectare com guanandi em pouco mais de 18 anos.

Crítica

Em Botucatu, no centro de São Paulo, fica a seção de engenharia florestal da Unesp. Vera Lex trabalha há 20 anos com madeiras de lei, e o guanandi é seu velho conhecido. “Acho que o guanandi tem muito potencial, assim como outras espécies nativas para plantio comercial, inclusive potencial de gerar muita renda, mas sou bastante cuidadosa no que se refere ao prazo, que seria o corte final”, afirma a engenheira.

“Acredito que não se consegue ter uma madeira de qualidade com menos de 30 anos. Também (sou cética) em relação à estimativa de crescimento, porque não há ainda pesquisas suficientes em larga escala de áreas plantações no Brasil para dar um indicativo seguro de quanto essa espécie cresce”, completa Vera.

“Ela pode até estar certa. Porém, a gente tem que pensar que os preços das madeiras estão cada vez mais elevados. Ontem, por exemplo, em Uberaba, fui a algumas madeireiras e consegui madeira de lei para forno a R$ 3.700 o metro cúbico. Já temos notícia que, em São Paulo, as madeiras de lei nativas e nobres estão acima de R$ 4.500 o metro cúbico”, rebate Meireles, que ressalta o papel de “poupança em longo prazo” do investimento para a família.

 

Fonte: Globo Rural


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


20 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental

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7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Nucleação conta com a ajuda de pássaros no reflorestamento

A técnica é simples e relativamente barata.
Os pássaros são fundamentais para o sucesso do projeto.

Um dos pontos mais debatidos na discussão sobre a reforma do Código Florestal, que está no Senado, é o da recuperação das áreas de vegetação nativa nas propriedades. O Globo Rural mostra uma técnica de reflorestamento, chamada nucleação.

O nome assusta um pouco, mas a técnica é simples e relativamente barata. Não se baseia só no plantio de árvores, mas também na ideia de contar com os pássaros, um ajudante fundamental para o sucesso do empreendimento.

Em Santa Catarina, a região conhecida como Planalto Norte é um lugar frio, com muita mata e cheio de rios e córregos, que fazem a viagem ganhar caminhos surpreendentes.

Pelas rodovias que cortam as cidades, toda hora passa um caminhão carregado com toras de madeira. No lugar está instalado um dos principais polos de indústrias de móveis do sul do país. Por isso, há muitas florestas plantadas com árvores exóticas que não são nativas da região. São florestas de plantio comercial.

Em Rio Negrinho, cidade que fica a 260 quilômetros de Florianópolis, fica a empresa que cultiva pínus desde a década de 1970. Quarenta mil hectares de árvores virarão compensado de madeira para móveis e para a construção civil. Mas no viveiro da fazenda há aroeira, ipê amarelo, pessegueiro bravo e outras espécies.

“Nós temos uma espécie fantástica que é araucária, mais conhecida como pinheiro do Paraná. Hoje, está listada como em extinção em função da exploração madeireira que teve ou da falta de controle nessa exploração”, explica Reinaldo Langa, engenheiro florestal da empresa.

Segundo Reinaldo, o sucesso do replantio do pinhão, a semente da araucária, depende de um detalhe simples. “Você tem que colocar ela numa inclinação aproximadamente de 45 graus, de maneira que a parte do embrião que vai formar a raiz já fique direcionada para o sistema radicular. A chance de o sistema radicular formar o contrário e a árvore entortar e quebrar na natureza é muito grande. Ela vai nascer meio tortinha”, completa.

As mudas prontas para ir para o campo e vão para o lugar onde o pínus foi cortado há um mês. Mas dos 30 hectares anteriores, o pínus foi replantado em 29 hectares. Um hectare foi incorporado à APP, Área de Proteção Permanente, que já existia ao redor da nascente do rio. A forma de reflorestamento é a nucleação.

O biólogo da Universidade Federal de Santa Catarina, Ademir Reis, coordena a nucleação da área. Segundo o professor Ademir, a nucleação faz a recuperação a partir de porções ou núcleos. Daí vem esse nome.

“A nucleação tem como base sempre a sucessão. Ela quer que haja primeiro a formação de um solo e que com o tempo as espécies sejam recrutadas de forma a atender exatamente as condições climáticas regionais. Num processo de plantação, existe uma ideia de pressa, de formar isso o mais rápido possível Nem sempre esse solo está preparado para receber essas mudas”, esclarece Reis.

O sistema de nucleação une cinco técnicas usadas ao mesmo tempo: o plantio de mudas nativas, a transposição de solo, a chuva de sementes, a formação de poleiros e a implantação de galharias.

No plantio de mudas nativas são usadas dez espécies diferentes, sempre plantadas em grupos de cinco mudas de cada espécie.

Para a transposição de solo, a equipe vai até uma mata preservada, próximo à área a ser recuperada, e coleta dez centímetros de camada superficial de terra. Na porção vão galhos, folhas, fungos, bactérias, minhocas e algas, que são espécies importantes para a fertilização do novo solo. Uma pequena clareira é aberta no lugar. Mas como a quantidade de terra retirada é pequena, não há o risco de provocar destruição.

A chuva de sementes acontece com a ajuda de peneiras colocadas entre as árvores. Vento, chuva e animais carregam de um lado para outro as sementes de locais distantes e elas vão caindo na peneira. Então, é só recolher.

Os poleiros artificiais são feitos de bambu amarrado com cipó. Mas existem também aqueles que aproveitam árvores que estão muito próximas das cabeceiras dos rios, por exemplo, e que, segundo a legislação, não poderiam naquele lugar, como pínus que foram plantados para o uso comercial que virariam madeira para móveis aos 30 anos.

Uma alternativa para eliminar os pínus seria derrubar as árvores. Mas no lugar foi usada uma técnica chamada anelamento. Os troncos se transformaram em poleiros naturais.

O anelamento faz um anel mesmo em volta do tronco e a seiva que corria é interrompida. A árvore morre e vira um local privilegiado de visão e descanso para os pássaros, como explica o biólogo Nicholas Kaminski.

“Bem-te-vi, siriris, sabiás e até mesmo pica-paus acabam sendo atraídos por essas árvores. Quando estão secas, acabam dispersando sementes. Geralmente as pessoas acabam dando maior importância àquelas espécies que são ameaçadas de extinção, espécies mais raras, só que dentro dos processos de restauração, o principal trunfo mesmo é o das espécies generalistas porque são elas que vão acabar preparando o ambiente para essas espécies mais raras virem ocupar depois”, diz Kaminski.

As galharias são os montes de galhos que servem de abrigo para roedores e cobras, que são muito bem-vindos. Esses animais usam as galharias para estocar sementes, que acabam germinando naturalmente.

O biólogo Ademir Reis não gosta de dizer que a nucleação é melhor ou pior que os outros sistemas de recuperação de florestas. Ele diz que o importante é conhecer bem as técnicas de reflorestamento para fazer a melhor opção.

Acesse http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/07/tecnica-de-nucleacao-conta-com-ajuda-de-passaros-no-reflorestamento.html e veja a reportagem.

Fonte: Globo Rural

A nucleação também está sendo usada em São Paulo. Ela é um dos métodos empregados em um projeto estadual de recuperação de um milhão de hectares de matas ciliares em oito municípios.


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento sofreria com nova lei florestal, diz ministério

O Ministério do Meio Ambiente calculou em 15 milhões de hectares, o equivalente ao território do Acre, as áreas desmatadas que não precisarão ser reflorestadas caso prevaleça o texto proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a reforma do Código Florestal.

A conta foi feita com base na dimensão das propriedades rurais brasileiras segundo o Censo Agropecuário. A proposta do relator isenta de reposição de reserva legal propriedades de até quatro módulos fiscais (ou seja, até 400 hectares).

Imóveis de mais de quatro módulos só precisam repor florestas na área que ultrapassar essa medida.

A votação do projeto, adiada na semana passada, estava prevista para começar hoje no Plenário da Câmara.

Ontem o relator passou mais um dia em negociação com o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP). Mas nenhuma alteração foi formalizada.

O governo quer um acordo para evitar que emendas ruralistas modifiquem radicalmente a proposta no plenário, impondo uma derrota a Dilma Rousseff.

Editoria de arte/folhapress

PASSE LIVRE

Um dos dissensos é a questão dos quatro módulos. Segundo João de Deus Medeiros, diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, se a dispensa de reposição passar, o passivo será de 15 milhões de hectares.

Hoje o passivo de reserva legal no país é de 42 milhões de hectares. O governo já aceitou incluir as áreas de preservação permanente na conta da reserva legal, o que livraria de reflorestamento mais 7 milhões de hectares.

Também se dispôs a abrir mão da exigência de reposição para a agricultura familiar. O Meio Ambiente propôs ao Planalto estender a benesse aos cooperados agrícolas.

O relator considerou “positiva” a ideia, mas ainda vai analisá-la. Sobre o aumento no passivo, ele disse que precisaria ver o que o governo considera passivo, já que, para ele, não deveria ser preciso reflorestar áreas usadas para produção de alimentos.

Rebelo ainda resiste em ceder na questão dos chamados usos consolidados em áreas de preservação permanente em rios largos, cujas matas ciliares chegam a 500 metros.

O governo quer que a lei seja restritiva para todos, mas já acena em permitir a recuperação em só cem metros.

O relator disse que nesse caso é preciso considerar o “fator social” da legislação e que não está disposto a mudar. “O importante é que isso não é uma guerra.”

Especialistas que têm analisado o texto de Rebelo nos últimos dias avaliam, porém, que mesmo que essas questões sejam resolvidas a proposta ainda manterá alguns buracos que ampliam o passivo ambiental do país.

Segundo o ex-presidente do Ibama Bazileu Margarido, o texto admite que uma fazenda na Amazônia tenha sua reserva legal reduzida de 80% (o exigido hoje) para 25% da área da propriedade.

Isso porque ele permite a redução para 50% caso o município tenha 50% ou mais de sua área coberta por unidades de conservação. E metade disso pode ser replantada com espécies exóticas.

Fonte: Claudio Ângelo, Márcio Falcão, De Brasília


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16 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Amazônia deve sofrer grande extinção de espécies até 2050

Pesquisa avalia o impacto local promovido pela perda de vegetação em 30 anos e aponta que ainda há tempo para agir.

As piores consequências do desmatamento sofrido pela Amazônia ao longo de 30 anos ainda estão por vir. Até 2050, podem ocorrer de 80% a 90% das extinções de espécies de mamíferos, aves e anfíbios esperadas nos locais onde já foi perdida a vegetação. A boa notícia é que temos tempo para agir e evitar que elas de fato desapareçam. Essa é a conclusão de uma pesquisa publicada na edição desta semana da revista Science.

 

Um trio de pesquisadores da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos considerou as taxas de desmate na região de 1978 a 2008 e levou em conta a relação entre espécies e área – se o hábitat diminui, é de se esperar que o total de espécies que ali vivem diminua, ao menos localmente.

 

Acontece que os animais têm mobilidade, podem migrar para locais vizinhos ao degradado. Lá vão tentar sobreviver, competindo por recursos com animais que já estavam no local, de modo que o desaparecimento não é imediato, podendo levar décadas para se concretizar.

 

É essa diferença, que os pesquisadores chamam de “débito de extinção”, que foi calculada no trabalho. Grosso modo, é uma dívida que teria de ser “paga” – em espécies animais – pelo desmatamento do passado. A ideia por trás do termo é tanto mostrar o que poderia acontecer se simplesmente o processo de extinção seguisse o seu rumo, quanto estimar qual pode ser o destino dessas espécies que dependem da floresta, considerando outros cenários de ações.

 

Mas em vez de calcular para toda a Amazônia – o que seria problemático, porque há uma diferença de riqueza de biodiversidade no bioma -, os autores mapearam os nove Estados em quadros de 50 quilômetros quadrados, a fim de estimar os impactos locais. Uma espécie pode deixar de ocorrer em uma dada área, mas isso não significa que ela desapareceu por completo.

 

Tanto que a literatura ainda não aponta a extinção de nenhuma espécie na Amazônia, explica o ecólogo Robert Ewers, do Imperial College, de Londres, que liderou o estudo. “Uma razão para isso é que o desmatamento se concentrou no sul e no leste na Amazônia, enquanto a mais alta diversidade de espécies se encontra no oeste da região. Mas não há dúvida de que muitas estão localmente extintas onde o desmatamento foi mais pesado.”

 

Na pior hipótese, a do “business as usual”, considera-se a continuidade do modelo da expansão da agricultura; na melhor, que o desmatamento zere até 2020. Os pesquisadores propõem, no entanto, que o cenário mais realista é o que considera a permanência da governança, ou seja, das ações governamentais que levaram à queda do desmatamento nos últimos anos.

 

Mas mesmo nessa situação é de se esperar que espécies sumam. Em 2050, os pesquisadores estimam que localmente (nos quadros de 50 km² podem desaparecer de 6 a 12 espécies de mamíferos, aves e anfíbios em média; enquanto de 12 a 19 podem entrar na conta do que pode ser extinto nos anos seguintes.

 

Eles reforçam que isso ainda não aconteceu e ações que aumentem as unidades de conservação e promovam a restauração de áreas degradadas têm potencial de evitar o danos. Os mapas mostram em quais áreas esse esforço poderia promover mais benefícios.

 

Em outro artigo na Science que comenta o trabalho, Thiago Rangel, da Universidade Federal de Goiás, pondera que a conjuntura atual é incerta. “O governo vai investir pesado em infraestrutura, estão previstas 22 hidrelétricas de grande porte, estão sendo reduzidas as unidades de conservação e o Código Florestal vai ficar mais frouxo. A trajetória dos dez anos que passaram dava uma sinalização otimista, mas são os próximos dez anos que vão dizer o que vai acontecer.”

Fonte: O Estado de São Paulo


9 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Mudanças climáticas dobram o custo da conservação

As mudanças climáticas farão a conservação da biodiversidade, bem como seus benefícios associados – como água potável e ar puro – mais desafiadores e caros, com custos crescendo mais de 100% em alguns casos, de acordo com três novos estudos de um grupo de pesquisadores internacionais conveniados à Conservação Internacional (CI). Os pesquisadores chamaram os estudos de uma espécie de “alerta” para a conservação da biodiversidade e estabilização climática de custo eficaz.

Os cientistas tinham como foco as espécies e ecossistemas da África do Sul, Madagascar e Califórnia. Os resultados foram apresentados em três trabalhos publicados de forma conjunta no periódico Conservation Biology, intitulado “Foco na conservação: custos da adaptação da conservação às mudanças climáticas”. Os estudos estão entre os primeiros a estimar os custos da conservação da biodiversidade sob os efeitos das mudanças climáticas.

“Os efeitos das mudanças climáticas nas espécies da África do Sul, Madagascar e Califórnia são muito diferentes, mas os custos de conservá-las, certamente, aumentarão de forma considerável em todas as três regiões sob os efeitos das mudanças climáticas”, diz o principal autor do estudo, Lee Hannah, cientista sênior para a biologia das mudanças climáticas da Conservação Internacional (CI). “Nós podemos ter um planeta saudável e manter os custos extras no mínimo se agirmos rápido a fim de reduzir emissões e incorporar as mudanças climáticas nos planos de conservação”.

“Esse conjunto de estudos ao redor do mundo é um alerta”, diz Rebecca Shaw, cientista climática e vice presidente associada do Fundo de Defesa ao Meio Ambiente. “A verdade é que nós temos lutado para conservar a natureza da qual dependemos para ter ar e água limpos sem contabilizar as mudanças climáticas. Esses trabalhos mostram que será mais difícil e mais caro conservar a natureza no futuro. É tempo de ter muito mais criatividade a respeito de incentivos privados com bom custo-benefício e inovadores para sermos mais eficientes  na conservação do sistema de suporte à vida no planeta, beneficiando assim a nós mesmos e a nossas crianças.”

“A conservação é cara”, diz Belinda Reyers, cientista chefe dos serviços de biodiversidade e ecossistema do Conselho Para a Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul, “e provavelmente se tornará mais cara com as mudanças climáticas – entretanto, levando em conta que já existem investimentos para a conservação, e os custos que representam a falta de ação, chega-se à conclusão de que quanto antes, melhor. Nossas mensagens não são negativas e pessimistas no todo, de fato o estudo de caso da África do Sul destacou o importante papel que novas abordagens para a conservação e novas parcerias podem ter a fim de reduzir esses custos”.

Em Madagascar, um dos países mais biodiversos no mundo, onde a vasta maioria das florestas nativas têm sido perdidas, pesquisadores fizeram uma previsão das chances de sobrevivência de 74 espécies de plantas endêmicas baseados em diferentes cenários de alterações climáticas entre 2000 e 2080. Eles perceberam que, conforme o clima muda ao longo do tempo, espécies que estão em florestas protegidas hoje serão empurradas para fora, em áreas não protegidas – que poderão desaparecer – como poderia ser o caso da Rhopalocarpus coriaceus, uma árvore nativa de Madagascar. Restaurar florestas para evitar a extinção de espécies como essa, eles concluem, é mais difícil e caro que a manutenção das florestas. Conservar florestas em áreas mantidas por comunidades tradicionais custa de US$160 a US$576 por hectare, enquanto a restauração de florestas nas mesmas áreas custaria seis vezes mais.

“Protegendo as plantas e animais de suas florestas, Madagascar está protegendo as fontes de medicamentos que podem salvar vidas, água limpa para a agricultura, e oportunidades de trabalho para a população na área do turismo” diz Jonah Busch, economista de clima e floresta da CI e autor principal de “Mudanças Climáticas e o custo da conservação das espécies em Madagascar”. “A mais alta prioridade de conservação é parar o desmatamento e destruição  dos últimos remanescentes florestais da ilha, protegendo assim  suas espécies únicas da mudança do clima”.

Na Califórnia, pesquisadores pegaram 11 espécies que ocorrem dentro de uma área de conservação na Costa Central da Califórnia e projetaram os custos da conservação dessas espécies através dos anos de 2050 e 2100 sob um cenário real de mudanças climáticas. Os resultados mostram que os limites da área de conservação teriam que ser dramaticamente expandidos e que muitas espécies precisarão de intervenções tal qual a criação em cativeiro e realocação para obter os ganhos de hoje com medidas de conservação em um futuro cenário de mudanças climáticas. As mudanças climáticas aumentaram os custos da conservação em cerca de 150% até 2050 e em cerca de 220% até 2100 – que significam um total de US$2,63 bilhões. Mesmo assim, algumas espécies não são aptas para sobreviver às mudanças.

Na África do Sul, pesquisadores estudaram a sobrevivência de 316 espécies da família Proteaceae (de plantas com flores), que existem apenas nessa região próxima da Cidade do Cabo rica em biodiversidade florística. O estudo apontou  a proteção de uma área suficiente para a sobrevivência dessa família poderia custar por volta US$1 bilhão. No entanto, medidas de gestão da conservação em conjunto com os proprietários locais poderia reduzir significativamente os custos.

Os três estudos foram conduzidos por autores das seguintes instituições: Conservação Internacional, Conselho para a Pesquisa Científica e Industrial da África do Sul, Fundo de Defesa do Meio Ambiente, Missouri Botanical Garden, Universidade Belfast do Queen, Instituto Nacional Sul Africano de Biodiversidade, The Nature Conservancy, Universidade da Califórnia Berkeley e Universidade da Califórnia Santa Bárbara, e tiveram apoio financeiro da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.

 

Fonte: Mater Natura


31 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Um dia após publicação, trecho de MP do Código Florestal é retificado

Alteração refere-se ao plantio de espécies exóticas em área de preservação.
Regra passa a valer apenas para pequeno produtor; ambientalistas criticam.

Um dia após publicar medida provisória (MP) que torna mais rígidas as regras do novo Código Florestal, o governo divulgou no “Diário Oficial da União” desta terça-feira (29) a retificação de inciso que restringe o plantio de árvores exóticas na recuperação Áreas de Preservação Permanente (APPs) apenas para pequenas propriedades rurais de até quatro módulos fiscais.

Nesta segunda-feira (28), a MP editada pela presidente Dilma Rousseff informava que proprietários rurais, com imóveis de quaisquer tamanhos, que tenham desmatado áreas de preservação poderiam recuperá-las com o “plantio de espécies lenhosas, perenes ou de ciclo longo, sendo nativas e exóticas”.

Agora, isso passa a valer apenas para propriedades rurais com até quatro módulos fiscais, classificadas como pequenas propriedades. Um módulo fiscal é a medida de tamanho da propriedade rural que varia de acordo com o município.

O texto, encontrado no inciso IV do parágrafo 13 do artigo 61-A da medida provisória, foi duramente criticado por ambientalistas, que consideraram grave a liberação do ponto de vista ecológico. De acordo com eles, a regra daria brecha para a introdução de culturas como o eucalipto, pinheiros do tipo pinus ou o dendê.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, explicou ao G1 que classificar o pinus como uma forma de cultivo para recuperar APPs é errôneo. Ela disse ainda que pequenos proprietários que desmataram terão que reflorestar com espécies nativas — não introduzindo apenas plantas exóticas.

“Quando fala que é Pinus está errado, porque é cultura de longo prazo. Pinus tem sete anos só. E como está escrito nativa e exótica, eu não posso nem plantar Pinus, nem eucalipto, nem acácias porque elas inibem as nativas. Então não é “ou”, é ‘e’ [referindo-se ao texto publicado no DOU]“.

Impacto
No caso de uma plantação de eucalipto, por exemplo, há consumo maior de água do que a média, o que, segundo os ambientalistas, poderia se tornar um problema ambiental caso o cultivo ocorra próximo a nascentes, por exemplo. Outra crítica feita é que o plantio de uma única espécie em substituição à mata original reduziria a biodiversidade do ecossistema.

“Por isso pedimos o veto total, para evitar esses tipos de remendos. A biodiversidade das margens de rios será prejudicada”, explica Márcio Astrini, da Campanha da Amazônia de Greenpeace.

Astrini afirma que, com a retificação, o grande proprietário de terras não poderá recompor áreas devastadas com as espécies consideradas exóticas. “Porém, as propriedades de até quatro módulos fiscais, que corespondem a 90% das propriedades rurais do Brasil [e compreendem 24% da área agrícola do país] poderão realizar o plantio. É uma lei sem pé, nem cabeça”, disse.

Vetos
O novo cógido e a MP, que é um complemento do que foi vetado no código e mais algumas alterações, entraram em vigor nesta segunda. No entanto, a MP ainda pode ser alterada no Congresso e os vetos também podem ser derrubados pelos parlamentares.

A medida provisória tem prazo de 60 dias podendo ser prorrogada por mais 60 dias – prazo total de quatro meses antes de perder a validade. Começa a ser analisada na Câmara, vai ao Senado e, se alterada, volta para análise dos deputados.

Já os vetos só podem ser colocados em votação pelo presidente do Congresso, atualmente José Sarney, em sessão conjunta de deputados e senadores. Não há prazo que se coloque em votação. Para derrubar vetos, é necessário o apoio de 2/3 dos parlamentares. Desde a redemocratização, somente três vetos presidenciais foram rejeitados pelo Parlamento.

Dilma vetou os artigos 1º, 43º, 61º, 76º e 77º do novo Código Florestal e fez vetos parciais em parágrafos e incisos dos artigos 3º, 4º, 5º e 26º. O objetivo dos cortes e mudanças no texto aprovado no Congresso, de acordo com o governo, é inviabilizar anistia a desmatadores, beneficiar o pequeno produtor e favorecer a preservação ambiental.

Principal mudança
A principal mudança com a MP é a que cria regras diferentes de recomposição de acordo com o tamanho de cada propriedade. Na prática, obriga todos a recomporem, mas torna a lei mais branda para os pequenos e mais rígida para os grandes.

A recomposição constava no artigo 61, totalmente vetado e um dos mais polêmicos durante a discussão no Congresso. O texto final aprovado pela Câmara, em abril, simplificou regras para a recomposição de matas ciliares, com redução das faixas ao longo das margens de rio que deveriam ser reflorestadas pelos produtores rurais. Ficou estabelecida uma faixa mínima de 15 metros e máxima de 100 metros, a depender da largura do rio.

Conforme a medida provisória, voltam regras mais específicas para as faixas, variando conforme o tamanho da terra. Para propriedades de até um módulo, serão 5 metros de recomposição a partir da margem.

Para propriedades de um a dois módulos, a recomposição é de 8 metros. Os imóveis de dois a quatro módulos terão de recompor 15 metros. Acima de quatro módulos, a recuperação deve ser entre 20 metros e 100 metros.

Para quem tinha até quatro módulos fiscais e desenvolvia atividades agrícolas nas áreas consolidadas de APP, é exigida a recomposição de até 10% do total do imóvel com até dois módulos e 20% para imóveis de dois a quatro módulos.

Vale este - Código Florestal - versão 5 (Foto:  )

Fonte: G1


10 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Vai faltar árvore no mercado?

Para especialistas, projetos de compensação ambiental no País podem entrar em crise com a escassez de mudas de espécies nativas

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“A prioridade é para espécies nativas, mas algumas importadas podem ser aceitas” Murilo Bustamante, promotor do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro.(Foto: ISTOÉ)

O cenário não poderia ser mais favorável: há dinheiro, vontade e mão de obra capacitada para promover uma grande recuperação das florestas nativas brasileiras no rastro das ecologicamente corretas compensações ambientais. No entanto, especialistas na flora nacional estão preocupados, e não otimistas, porque a falta de matéria-prima pode comprometer os projetos de reflorestamento previstos para os próximos anos no País. Técnicos do governo e produtores que atuam no segmento verde alertam que a produção de mudas de espécies brasileiras não será suficiente para atender à demanda que se desenha. E, na falta de espécies nacionais, as árvores exóticas (naturais de outros países) podem ocupar o lugar da flora nacional. “A prioridade nos reflorestamentos é para as espécies nativas, mas algumas exóticas podem ser aceitas, caso o plantio seja aprovado pelos órgãos ambientais”, afirma o promotor Murilo Bustamante, da Promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro. Se o reflorestamento fosse importante apenas para o controle das emissões de gases do efeito estufa, a origem da árvore não interessaria tanto. “Ela precisa apenas ter potencial para sequestrar e manter o carbono”, explica o coordenador de recuperação ambiental do município do Rio, Marcelo Hudson. “Mas, se pensarmos em biodiversidade, temos de obedecer às regras da natureza.

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COMPENSAÇÃO Obras da CSA obrigarão a companhia a plantar centenas de árvores.(Foto: ISTOÉ)

A introdução de árvores de outros biomas pode causar distúrbios tanto na fauna quanto no solo do ecossistema”, completa Hudson, que comanda um projeto que em 20 anos plantou cerca de cinco milhões de mudas nativas na cidade. A falta de um programa específico para fomentar a produção de mudas nativas é um dos problemas que vieram à tona com a demanda ocasionada pelo aquecimento global. Ecologistas estimam entre 170 milhões e 200 milhões de hectares a área de florestas destruída que pode ser recuperada, mas a quantidade de mudas nativas produzidas no País é um mistério.De acordo com o Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem), do Ministério da Agricultura, existem 3.641 produtores de mudas no Brasil. Entretanto ninguém sabe quantos deles se dedicam às espécies nacionais. A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) também não tem dados sobre os que semeiam mudas nativas. Os mais otimistas arriscam o número de 15 milhões por ano. Como cada hectare comporta entre 800 e 1.200 mudas, o déficit torna-se expressivo. “Entre 60% e 70% dos municípios brasileiros são desprovidos de viveiros. E os que existem são dedicados à arborização urbana”, adverte o engenheiro florestal Luiz Carlos Sérvulo de Aquino, do Ministério do Meio Ambiente. Entre as grandes obras que vão exigir compensações ambientais, apenas no Estado do Rio de Janeiro, estão a construção do parque industrial da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a implantação do trem- bala e o arco rodoviário.

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Plantio de Mudas(Foto: ISTOÉ)

Os investimentos estão na casa dos bilhões, sendo que a legislação ambiental determina que meio por cento do custo das obras seja aplicado em compensações ambientais. “Certamente, teremos um boom de projetos de reflorestamento no Rio e em outros Estados, sem que a produção de mudas consiga acompanhar essa demanda”, alerta o engenheiro florestal Marcelo de Carvalho Silva, dono da Biovert, empresa fluminense que produz e comercializa mudas e sementes do sistema vegetal atlântico. Segundo Silva, a Biovert, que tem capacidade de produção de até três milhões de mudas por ano, está se preparando para dobrar a produção até 2012 e triplicá-la até 2014, de olho nos reflorestamentos resultantes de compensações ambientais. Alguns órgãos do governo anunciam esforços para resolver o problema. Mas as iniciativas ainda são tímidas e demonstram o descaso com que a flora nativa foi tratada ao longo dos anos. O Ministério do Meio Ambiente, por exemplo, somente agora está elaborando com técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) uma lista de espécies potencialmente aptas tanto para os plantios imediatos de áreas degradadas quanto para o aperfeiçoamento das pesquisas.

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Foto: ISTOÉ

Vão fazer o que foi feito com espécies exóticas, como pinus e eucalipto (que abastecem o setor de papel e celulose, a siderurgia e a indústria moveleira), a partir da década de 60 e que tornou o Brasil líder mundial de produtividade e de conhecimento acumulado nesses gêneros. O chefe do departamento de políticas e estudos de meio ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Márcio Macedo, disse que o órgão tem um leque de opções de financiamento para recuperação florestal, mas reconhece que não há linhas de crédito específicas para a ampliação de viveiros de mudas nativas. “Compartilhamos dessa preocupação, mas estamos em estágio incipiente. Afinal, essa demanda nunca esteve tão evidente”, afirma Macedo. Mas a lição é simples: para recuperar nossas florestas e conservar nosso ecossistema, o mercado de mudas nativas tem de florescer.

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“Teremos um boom de reflorestamento, sem que a produção de mudas acompanhe a demanda” Marcelo de Carvalho Silva, engenheiro florestal.(Foto: ISTOÉ)

Fonte: Wilson Aquino, ISTOÉ


15 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Guanandi surge como opção para reflorestamento com madeira de lei

altA cada dia que passa, fica mais difícil encontrar, no mercado, madeiras de qualidade, que são usadas para móveis e decoração. O aperto da legislação ambiental está transformando em raridade madeiras vindas das florestas nativas.

A tendência será o mercado se abastecer com madeiras plantadas. Nesse contexto, começa a chamar a atenção uma árvore de brejo, que está alimentando o sonho das pessoas.

No Museu da Madeira, do Instituto Florestal de São Paulo, seja em afrescos na parede, seja no tabuleiro de placas trabalhadas em relevo, estão amostras da riqueza em madeira que São Paulo tem – ou teve. Dentre as mais valorizadas, estão as madeiras de lei.

“Foi um termo criado pela Coroa Portuguesa para regulamentar todo o corte e exploração das madeiras no Brasil. Atualmente, esse termo ainda permanece, mas para madeiras que, por seu alto valor econômico, são empregadas para fins nobres”, afirma o biólogo Eduardo Longhi.

Uma reserva florestal em Luís Antônio, município a 260 km de São Paulo, no norte do estado, em conjunto com outra unidade de conservação também no estado, totalizam 10 mil hectares onde se preserva o pouco que resta do cerradão paulista, e onde se fazem experiências com plantio de árvores nativas de vocação para madeira.

Seja pelo atual ou por um novo Código Florestal, muitos terão que reflorestar para ficar dentro da legalidade. É uma boa ideia usar a madeira de lei para agregar valor ao reflorestamento, mas como plantar uma árvore desse tipo?

Um dos testes que a reserva de Luís Antônio vem fazendo é comparar o crescimento de quatro espécies nobres: jequitibá, pau-marfim, ipê roxo e louro pardo. As quatro foram plantadas em condições iguais há 26 anos.

O jequitibá vem ganhando na comparação, com uma madeira de melhor qualidade e maior cubicagem. Outra árvore, porém, aparece como opção: o guanandi.

O guanandi

O nome varia conforme a região do Brasil, mas é considerada sempre uma madeira de lei, de cor bonita, valorizada, que agora tem atrás de si um trabalho de observação, um esquema de mudas e sementes e até um agricultor entusiasmado que espera fazer R$ 1 milhão com uma roça de um hectare de guanandi em 18 anos.

O guanandi, cujo nome científico é Calophyllum brasiliense, foi descrito pela primeira vez pelo alemão Von Martius, autor da Flora Brasiliense, no começo do século XIX. Ocorre em todo o território nacional, e é, às vezes, também chamado de guanandi-cedro ou guanandi-carvalho. É madeira resistente e de grande aceitação, mas difícil de encontrar hoje em dia.

Em Monte Alto, a 370 km da capital paulista, ainda no norte do estado, Lorisval Vasconcelos, agrônomo aposentado e perito judicial, acredita ter descoberto no guanandi um negócio.

Vasconcelos tem uma pequena plantação de guanandi no seco, na qual a planta, apesar da origem no brejo, cresce melhor que no terreno encharcado. A desrama é o manejo certo para a árvore subir reta, mas a atividade principal no local é o viveiro de mudas, tocado por Rodrigo e Maicon, filhos de Vasconcelos, os dois também agrônomos.

O guanandi já se tornou uma fonte de renda comum para os viveiristas. Existem viveiros até maiores que o de Monte Alto, com produção regular de mudas e assessoria técnica.

Plantio

Há um jeito para a produção das mudas render mais. Com a preparação de mudas, deve se fazer um trinco na casca externa da planta, para facilitar a germinação. Para plantar, faça uma cova de 40 cm x 40 cm x 40 cm, um tanto de esterco de curral e 200 g de adubo básico (NPK).

Misture com a terra retirada da cova, cobre o buraco e abre uma entradinha para a muda.
Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a quase 500 km de Belo Horizonte, em um local da cidade chamado Chácara das Freiras, um antigo convento, existe um bosque nativo de guanandi.

A existência de guanandi no Bosque das Freiras é uma prova, segundo o agricultor Dílson Meireles, de que a planta é adaptada e se dará bem na região. Em sua fazenda, em Uberaba, Meireles tem 7.500 pés de guanandi em cinco hectares. Até o quarto ano, o guanandi permite consorciamentos; no caso, com guandu, mandioca e milho.

Seu esquema é este: em um hectare de terra, o plantio é de 1.500 mudas. Em seis anos, há o primeiro raleamento: retiram-se 500 plantas, que são aproveitadas como lenha. Em 10 anos, há o segundo raleamento, e retiram-se mais 500 árvores, mas o aproveitamento agora é como madeira fina.

Permanecem então as 500 melhores árvores do talhão, as quais, em 18 a 20 anos, deverão produzir 400 metros cúbicos de madeira. Meireles sonha alto: espera conseguir R$ 1 milhão de por hectare com guanandi em pouco mais de 18 anos.

Crítica

Em Botucatu, no centro de São Paulo, fica a seção de engenharia florestal da Unesp. Vera Lex trabalha há 20 anos com madeiras de lei, e o guanandi é seu velho conhecido. “Acho que o guanandi tem muito potencial, assim como outras espécies nativas para plantio comercial, inclusive potencial de gerar muita renda, mas sou bastante cuidadosa no que se refere ao prazo, que seria o corte final”, afirma a engenheira.

“Acredito que não se consegue ter uma madeira de qualidade com menos de 30 anos. Também (sou cética) em relação à estimativa de crescimento, porque não há ainda pesquisas suficientes em larga escala de áreas plantações no Brasil para dar um indicativo seguro de quanto essa espécie cresce”, completa Vera.

“Ela pode até estar certa. Porém, a gente tem que pensar que os preços das madeiras estão cada vez mais elevados. Ontem, por exemplo, em Uberaba, fui a algumas madeireiras e consegui madeira de lei para forno a R$ 3.700 o metro cúbico. Já temos notícia que, em São Paulo, as madeiras de lei nativas e nobres estão acima de R$ 4.500 o metro cúbico”, rebate Meireles, que ressalta o papel de “poupança em longo prazo” do investimento para a família.

 

Fonte: Globo Rural


6 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento: ‘A floresta provê serviços ecológicos para sociedade’

De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, maior obstáculo para o replantio é a falta de incentivo

Coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin (Foto: Divulgação)

Mauro Armelin fala sobre reflorestamento (Foto: Divulgação)

Houve uma época em que não se falava sobre os perigos para o meio ambiente de se extrair madeira, plantar culturas como o café e a cana-de-açúcar e abrir pastos sem antes se fazer um estudo sobre a região, ou melhor, sobre o bioma no qual se desejava atuar. Com a popularização do termo, ou melhor, do processo chamado Reflorestamento, muitos hectares de áreas devastadas estão sendo recuperadas em todo o Brasil. De acordo com coordenador do Programa da Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, o maior obstáculo ainda é a falta de incentivo do Governo Federal:

“Um dos maiores obstáculos é o licenciamento. Para fazer a revegetação, não dá para plantar qualquer coisa em qualquer pedaço de terra. Tem que ter um projeto para fazer uma recuperação baseada no que existia antes naquela área. Por isso é necessário um processo, que custa caro. Também não é fácil encontrar disponibilidade de mudas de espécies nativas. E o maior problema é a falta de incentivo. Não vejo políticas governamentais que apóiem ou iniciativas”, afirma Mauro.

O reflorestamento nada mais é do que recuperar florestas que foram desmatadas ou inserir espécies para que a área de onde a floresta foi retirada fique parecida com a original. Isso pode levar meses ou anos, dependendo da área, da quantidade de pessoas atuando nela e do tempo de trabalho dedicado por cada um.

“A floresta provê serviços ecológicos para sociedade como a produção de água, por exemplo. Áreas prioritárias para fazer reflorestamento são as margens dos rios e os morros desmatados. E há também o reflorestamento que tem como objetivo aumentar a população de algum animal, como foi feito no litoral do Rio de Janeiro, com a intenção de aumentar o número de mico-leão-dourado, que estava em extinção”, diz Mauro.

A recuperação da vegetação é feita em fases. Primeiro, são plantadas árvores pioneiras, aquelas que crescem sob o sol e protegem as árvores secundárias, as segundas a serem inseridas na floresta que está no processo. É necessário estudar as espécies típicas da região e seguir a vontade de proprietário da terra que está sendo reflorestada. Com elas, é possível recuperar a biodiversidade que existia no local.

“Pode ser que ele queira ambiente mais fresco em sua fazenda ou uma floresta que ofereça produtos, como borracha, palmito ou frutas. O sistema de vegetação é selecionado de acordo com o gosto, mas com base na sucessão florestal”, comenta Mauro.

Apesar da experiência na área, a WWF-Brasil não trabalha atualmente em nenhum projeto de reflorestamento. A organização não-governamental vem trabalhando em políticas, tentando encorajar a recuperação de áreas e brigando pelas áreas protegidas e pela precaução com elas.

“Nosso objetivo hoje não é reflorestar, mas criar formas para que isso seja possível. E também para que não seja necessário. Estamos trabalhando junto ao governo do Estado do Acre no projeto Conservando Um Bilhão de Árvores, um processo de certificação das propriedades agrícolas para que as famílias tenham produção agrícola ou melhorem a pastagem sem destruir a vegetação. O objetivo é que aqueles 80% de área que não são de Reserva Legal sejam utilizados, porém, conservados como florestas. Assim, os donos daquela propriedade podem tirar renda da floresta e melhorar sua própria qualidade de vida”.

Fonte: Globo Ecologia


20 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Congresso Brasileiro de Reflorestamento Ambiental

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7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Nucleação conta com a ajuda de pássaros no reflorestamento

A técnica é simples e relativamente barata.
Os pássaros são fundamentais para o sucesso do projeto.

Um dos pontos mais debatidos na discussão sobre a reforma do Código Florestal, que está no Senado, é o da recuperação das áreas de vegetação nativa nas propriedades. O Globo Rural mostra uma técnica de reflorestamento, chamada nucleação.

O nome assusta um pouco, mas a técnica é simples e relativamente barata. Não se baseia só no plantio de árvores, mas também na ideia de contar com os pássaros, um ajudante fundamental para o sucesso do empreendimento.

Em Santa Catarina, a região conhecida como Planalto Norte é um lugar frio, com muita mata e cheio de rios e córregos, que fazem a viagem ganhar caminhos surpreendentes.

Pelas rodovias que cortam as cidades, toda hora passa um caminhão carregado com toras de madeira. No lugar está instalado um dos principais polos de indústrias de móveis do sul do país. Por isso, há muitas florestas plantadas com árvores exóticas que não são nativas da região. São florestas de plantio comercial.

Em Rio Negrinho, cidade que fica a 260 quilômetros de Florianópolis, fica a empresa que cultiva pínus desde a década de 1970. Quarenta mil hectares de árvores virarão compensado de madeira para móveis e para a construção civil. Mas no viveiro da fazenda há aroeira, ipê amarelo, pessegueiro bravo e outras espécies.

“Nós temos uma espécie fantástica que é araucária, mais conhecida como pinheiro do Paraná. Hoje, está listada como em extinção em função da exploração madeireira que teve ou da falta de controle nessa exploração”, explica Reinaldo Langa, engenheiro florestal da empresa.

Segundo Reinaldo, o sucesso do replantio do pinhão, a semente da araucária, depende de um detalhe simples. “Você tem que colocar ela numa inclinação aproximadamente de 45 graus, de maneira que a parte do embrião que vai formar a raiz já fique direcionada para o sistema radicular. A chance de o sistema radicular formar o contrário e a árvore entortar e quebrar na natureza é muito grande. Ela vai nascer meio tortinha”, completa.

As mudas prontas para ir para o campo e vão para o lugar onde o pínus foi cortado há um mês. Mas dos 30 hectares anteriores, o pínus foi replantado em 29 hectares. Um hectare foi incorporado à APP, Área de Proteção Permanente, que já existia ao redor da nascente do rio. A forma de reflorestamento é a nucleação.

O biólogo da Universidade Federal de Santa Catarina, Ademir Reis, coordena a nucleação da área. Segundo o professor Ademir, a nucleação faz a recuperação a partir de porções ou núcleos. Daí vem esse nome.

“A nucleação tem como base sempre a sucessão. Ela quer que haja primeiro a formação de um solo e que com o tempo as espécies sejam recrutadas de forma a atender exatamente as condições climáticas regionais. Num processo de plantação, existe uma ideia de pressa, de formar isso o mais rápido possível Nem sempre esse solo está preparado para receber essas mudas”, esclarece Reis.

O sistema de nucleação une cinco técnicas usadas ao mesmo tempo: o plantio de mudas nativas, a transposição de solo, a chuva de sementes, a formação de poleiros e a implantação de galharias.

No plantio de mudas nativas são usadas dez espécies diferentes, sempre plantadas em grupos de cinco mudas de cada espécie.

Para a transposição de solo, a equipe vai até uma mata preservada, próximo à área a ser recuperada, e coleta dez centímetros de camada superficial de terra. Na porção vão galhos, folhas, fungos, bactérias, minhocas e algas, que são espécies importantes para a fertilização do novo solo. Uma pequena clareira é aberta no lugar. Mas como a quantidade de terra retirada é pequena, não há o risco de provocar destruição.

A chuva de sementes acontece com a ajuda de peneiras colocadas entre as árvores. Vento, chuva e animais carregam de um lado para outro as sementes de locais distantes e elas vão caindo na peneira. Então, é só recolher.

Os poleiros artificiais são feitos de bambu amarrado com cipó. Mas existem também aqueles que aproveitam árvores que estão muito próximas das cabeceiras dos rios, por exemplo, e que, segundo a legislação, não poderiam naquele lugar, como pínus que foram plantados para o uso comercial que virariam madeira para móveis aos 30 anos.

Uma alternativa para eliminar os pínus seria derrubar as árvores. Mas no lugar foi usada uma técnica chamada anelamento. Os troncos se transformaram em poleiros naturais.

O anelamento faz um anel mesmo em volta do tronco e a seiva que corria é interrompida. A árvore morre e vira um local privilegiado de visão e descanso para os pássaros, como explica o biólogo Nicholas Kaminski.

“Bem-te-vi, siriris, sabiás e até mesmo pica-paus acabam sendo atraídos por essas árvores. Quando estão secas, acabam dispersando sementes. Geralmente as pessoas acabam dando maior importância àquelas espécies que são ameaçadas de extinção, espécies mais raras, só que dentro dos processos de restauração, o principal trunfo mesmo é o das espécies generalistas porque são elas que vão acabar preparando o ambiente para essas espécies mais raras virem ocupar depois”, diz Kaminski.

As galharias são os montes de galhos que servem de abrigo para roedores e cobras, que são muito bem-vindos. Esses animais usam as galharias para estocar sementes, que acabam germinando naturalmente.

O biólogo Ademir Reis não gosta de dizer que a nucleação é melhor ou pior que os outros sistemas de recuperação de florestas. Ele diz que o importante é conhecer bem as técnicas de reflorestamento para fazer a melhor opção.

Acesse http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/07/tecnica-de-nucleacao-conta-com-ajuda-de-passaros-no-reflorestamento.html e veja a reportagem.

Fonte: Globo Rural

A nucleação também está sendo usada em São Paulo. Ela é um dos métodos empregados em um projeto estadual de recuperação de um milhão de hectares de matas ciliares em oito municípios.


20 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestar não resolverá problema do aquecimento, diz estudo

Apesar de que as florestas são importantes sumidouros de carbono, os projetos de reflorestamento só terão um impacto limitado no aquecimento global, destacou um estudo publicado este domingo (19) na revista científica Nature Geoscience.

Vivek Arora, da Universidade de Victoria, no Canadá, e Alvaro Montenegro, da Universidade de St. Francis Xavier, também no Canadá, desenvolveram cinco modelos de reflorestamento durante 50 anos, de 2011 a 2060. Os cientistas examinaram seus efeitos no solo, na água e no ar se a temperatura da superfície terrestre aumentasse 3º C em 2100 com relação aos níveis pré-industriais de 1850.

O resultado demonstra que, mesmo se todas as terras cultivadas do mundo forem reflorestadas, isto só bastaria para reduzir o aquecimento global em 0,45º C no período 2081-2100. Isto se explica em particular porque precisa-se de décadas para que os bosques sejam suficientemente velhos para captar o CO2 que fica estancado durante séculos na atmosfera.

Um reflorestamento de 50% das terras cultivadas só limitaria a elevação da temperatura em 0,25º C. Evidentemente, nenhuma destas projeções é realista, uma vez que as terras cultivadas são essenciais para alimentar a população do planeta, onde em 2050 viverão 9 bilhões de pessoas.

Segundo os outros três modelos, reflorestar as regiões tropicais é três vezes mais eficaz para “evitar o aquecimento” do que fazê-lo em latitudes mais elevadas ou em regiões temperadas. Os bosques são mais escuros do que as terras cultivadas e, portanto, absorvem mais calor. Plantar florestas em um solo coberto de neve ou de cerais de cor clara diminui o denominado “efeito albedo”, que é a quantidade de luz solar refletida do solo para o espaço.

“O reflorestamento em si não é um problema, é positivo, mas nossas conclusões indicam que não é uma ferramenta para controlar a temperatura se gases de efeito estufa continuarem a ser emitidos como se faz atualmente”, disse Montenegro.

“O reflorestamento não pode substituir a redução de emissões de gases de efeito estufa”, concluiu o estudo. O desmatamento, sobretudo nas selvas tropicais, é causador de 10% a 20% das emissões de gases de efeito estufa do planeta.

Fonte: Portal Terra


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Reflorestamento sofreria com nova lei florestal, diz ministério

O Ministério do Meio Ambiente calculou em 15 milhões de hectares, o equivalente ao território do Acre, as áreas desmatadas que não precisarão ser reflorestadas caso prevaleça o texto proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a reforma do Código Florestal.

A conta foi feita com base na dimensão das propriedades rurais brasileiras segundo o Censo Agropecuário. A proposta do relator isenta de reposição de reserva legal propriedades de até quatro módulos fiscais (ou seja, até 400 hectares).

Imóveis de mais de quatro módulos só precisam repor florestas na área que ultrapassar essa medida.

A votação do projeto, adiada na semana passada, estava prevista para começar hoje no Plenário da Câmara.

Ontem o relator passou mais um dia em negociação com o líder do governo na Câmara, Candido Vaccarezza (PT-SP). Mas nenhuma alteração foi formalizada.

O governo quer um acordo para evitar que emendas ruralistas modifiquem radicalmente a proposta no plenário, impondo uma derrota a Dilma Rousseff.

Editoria de arte/folhapress

PASSE LIVRE

Um dos dissensos é a questão dos quatro módulos. Segundo João de Deus Medeiros, diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, se a dispensa de reposição passar, o passivo será de 15 milhões de hectares.

Hoje o passivo de reserva legal no país é de 42 milhões de hectares. O governo já aceitou incluir as áreas de preservação permanente na conta da reserva legal, o que livraria de reflorestamento mais 7 milhões de hectares.

Também se dispôs a abrir mão da exigência de reposição para a agricultura familiar. O Meio Ambiente propôs ao Planalto estender a benesse aos cooperados agrícolas.

O relator considerou “positiva” a ideia, mas ainda vai analisá-la. Sobre o aumento no passivo, ele disse que precisaria ver o que o governo considera passivo, já que, para ele, não deveria ser preciso reflorestar áreas usadas para produção de alimentos.

Rebelo ainda resiste em ceder na questão dos chamados usos consolidados em áreas de preservação permanente em rios largos, cujas matas ciliares chegam a 500 metros.

O governo quer que a lei seja restritiva para todos, mas já acena em permitir a recuperação em só cem metros.

O relator disse que nesse caso é preciso considerar o “fator social” da legislação e que não está disposto a mudar. “O importante é que isso não é uma guerra.”

Especialistas que têm analisado o texto de Rebelo nos últimos dias avaliam, porém, que mesmo que essas questões sejam resolvidas a proposta ainda manterá alguns buracos que ampliam o passivo ambiental do país.

Segundo o ex-presidente do Ibama Bazileu Margarido, o texto admite que uma fazenda na Amazônia tenha sua reserva legal reduzida de 80% (o exigido hoje) para 25% da área da propriedade.

Isso porque ele permite a redução para 50% caso o município tenha 50% ou mais de sua área coberta por unidades de conservação. E metade disso pode ser replantada com espécies exóticas.

Fonte: Claudio Ângelo, Márcio Falcão, De Brasília


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