20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Filhote de condor é cuidado por ‘boneco’ para ser solto na natureza

Fantoche trata o animal para que não haja interferência direta de humanos.
Wesa tem só 2 semanas e uma fome voraz: come até 15 roedores por dia.

Um filhote de condor com apenas duas semanas de vida foi o primeiro do ano a nascer no Zoológico e Safári de San Diego, no estado americano da Califórnia. Chamado de Wesa, o animal veio ao mundo no dia 24 de fevereiro.

Na foto acima, o pequeno condor aparece ao lado de um fantoche que imita um espécime adulto. O boneco em forma de luva serve como preparação para o filhote ser liberado ao ambiente selvagem no futuro.

Dessa maneira, o animalzinho não recebe interferência direta dos funcionários do zoológico, já que é a “falsa mãe” que cuida dele. E, uma vez na floresta, essa ave de rapina não vai depender dos humanos para se alimentar. Wesa tem boa saúde e um apetite voraz: chega a comer até 15 roedores por dia.

Segundo o cuidador Ron Webb, o zoológico inaugurou seu programa para recuperação de condores em 1980, quando havia apenas 22 bichos da espécie restantes no mundo. Desde então, o parque já chocou 173 ovos e soltou 80 animais na natureza.

Atualmente, existem mais de 400 condores no planeta, metade dos quais voa livre em estados como Baixa Califórnia, no México, Califórnia e Arizona, nos EUA.

Filhote de condor Wesa é o 1º do ano a nascer em zoológico de San Diego (Foto: San Diego Zoo/Ken Bohn/AFP)

Filhote de condor Wesa é o 1º do ano a nascer em zoo de San Diego (Foto: San Diego Zoo/Ken Bohn/AFP)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Ararinhas em risco de extinção são trazidas da Alemanha para o Brasil

Ideia é promover a reprodução e reintroduzir espécie no habitat natural.
Apenas 79 ararinhas-azuis existem no mundo, todas em cativeiro.

Duas ararinhas-azuis de uma espécie criticamente ameaçada de extinção estão sendo trazidas de avião da Alemanha para o Brasil , informa o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

O objetivo de trazer as aves é fazer com que elas se reproduzam e, com isso, promover o aumento na sua população em cativeiro no Brasil, afirma Camile Lugarini, coordenadora do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-Azul.

“Nossa ideia é ter indivíduos suficientes em cativeiro para efetuar a reintrodução em seu habitat natural daqui a alguns anos”, avalia Camile. O animal, que é nativo do Brasil, não é encontrado na natureza desde 2000 e atualmente só existe em cativeiro.

Há apenas 79 ararinhas-azuis no no mundo, a maioria delas mantidas em criadouros fora do país, diz o ICMBio. “Somente quatro ararinhas compõem atualmente a população reprodutiva no Brasil”, explica uma nota da instituição.

Fêmeas
As ararinhas-azuis que estão sendo trazidas ao Brasil são fêmeas e estavam sob cuidados da organização alemã ACTP (sigla em inglês para Associação para a Conservação das Araras Ameaçadas). Elas vão chegar de avião, acondicionadas em caixotes especiais e com todas as precauções necessárias, afirma o ICMBio.

As aves serão levadas a um local de quarentena regulamentado pelo Ministério da Agricultura. “Durante a quarentena, as ararinhas permanecerão em observação por um período que pode variar entre duas a seis semanas, dependendo do seu comportamento”, diz Camile.

Durante a quarentena, as aves serão submetidas a exames para avaliar suas condições de saúde. “A viagem é estressante, então pode baixar a imunidade [das ararinhas]“, ressalta a coordenadora do Plano de Ação Nacional, que é analista do ICMBio. A quarentena é um procedimento padrão nestes casos, diz ela.

Após este período, as ararinhas vão ser enviadas a um criadouro no estado de São Paulo, credenciado pelo governo brasileiro. A ideia é que ali seja feita a reprodução com machos de outras linhagens.

Intenção dos pesquisadores é reproduzir ave em cativeiro (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Intenção dos pesquisadores é reproduzir ave em cativeiro; em imagem de arquivo, ararinhas-azuis mantidas em criadouro no Qatar (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

“Temos quatro indivíduos dessa espécie no Brasil que estavam em um zoológico e há quase um ano estão em um criadouro. Há mais um animal em outro criadouro, que é ararinha a mais velha que se tem notícia, com mais de 30 anos”, relata Camile.

Das ararinhas em idade de reprodução no Brasil, duas são machos e duas são fêmeas. A quinta tem 34 anos, aproximadamente, e não está em condições de reprodução, afirma Camile.

Primeira experiência
A primeira experiência de reintrodução das ararinhas na natureza, desde que haja condições (com o aumento da população em cativeiro), está prevista para ocorrer até 2017, segundo o ICMBio. A espécie é natural de uma área de caatinga no sertão da Bahia, mas não é vista na região desde 2000.

Caso os esforços de reprodução sejam bem-sucedidos, as ararinhas devem ser reintroduzidas em seu habitat. O projeto é uma parceria entre o governo brasileiro, ONGs e organizações privadas. As instituições vêm trabalhando para preparar o habitat, situado no norte da Bahia, com projetos de recuperação ambiental e educação para as comunidades do entorno.

A história de uma ararinha-azul domesticada, encontrada nos EUA em 2002, inspirou o cineasta brasileiro Carlos Saldanha a fazer o filme “Rio”, grande sucesso de bilheteria nos cinemas.

Além das duas ararinhas que estão sendo trazidas ao Brasil, outras cinco aves desta espécie — quatro que estão na Espanha e um macho que está na Alemanha — devem ser trazidas ao Brasil nos próximos meses, informa a analista do ICMBio.

Há apenas 79 ararinhas-azuis hoje no mundo (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Há apenas 79 ararinhas-azuis hoje no mundo, todas em cativeiro. Em imagem de arquivo, aves desta espécie são mantidas em criadouro no Qatar (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi fêmea vai ajudar os machos na adaptação a ambiente natural no Amazonas

A reintrodução a ambiente natural dos três peixes-bois que estavam em cativeiro (tanque de vidro) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizada na manhã de quinta-feira (27) foi bem sucedida.

A fêmea Iranduba, que estava no cativeiro há apenas um ano, se adaptou rapidamente à nova casa. Os machos Paricatuba e Matupá, que chegaram filhotes ao cativeiro e habitavam o local havia sete anos, optaram por circular nas bordas do lago.

“Ela foi logo explorando o ambiente todo. Já os machos, quando foram soltos, ficaram mais nas beiras. A gente espera que eles imitem o comportamento da fêmea”, disse Vera Silva, pesquisadora do Inpa e conselheira da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).

Conforme Vera, que também é chefe do Laboratório dos Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, Iranduba será a responsável por ajudar os machos a se adaptar ao local.

“Ela veio para o cativeiro com sete anos, após ficar encalhada em uma área durante a seca. Já tinha experiência em ambiente natural. Os machos ficaram mais tempo no cativeiro”, disse Vera.

A reintrodução dos peixes-bois a um lago localizado no município de Manacapuru é a primeira experiência do Inpa do gênero com animais que estavam em cativeiro.

Espécie que faz parte da lista de extinção, o peixe-boi tem sido uma das maiores vítimas da caça predatória na bacia amazônica. A maioria dos animais resgatados é órfã – geralmente a mãe é abatida por pescadores.

Dois anos atrás, o Inpa realizou uma experiência de reintrodução de animais de cativeiro direto na natureza que não deu muito certo. Dois deles morreram, um ficou doente e outro desapareceu do trabalho de monitoramento.

Temporada – Os três peixes-bois vão ser acompanhados por um biólogo da Ampa, Diogo Souza, e outros dois tratadores, durante um ano, segundo o veterinário da Ampa, Anselmo D´Fonseca.

Neste período, os animais passarão por avaliação clínica periódica. O acesso a eles será facilitado pelo fato da nova casa ser um lago localizado em um antigo criadouro de peixe que havia sido desativado – a área de circulação dos animais tem três hectares. O protótipo de um cinto foi instalado na região da nadadeira dos peixes-bois.

Para ajudar na adaptação e sobrevivência dos animais, moradores e ribeirinhos de comunidades próximo ao lago receberam informações sobre o programa de reintrodução dos peixes-bois no semi-cativeiro.

Os cientistas esperam que os moradores se sensibilizem e se conscientizem acerca dos riscos do animal. “A gente espera envolvê-los neste programa”, disse ele.

Segundo Vera Silva, a opção pelo semicativeiro ocorreu porque trata-se de uma área natural cerca na qual o animal vai se familiarizar com o ambiente.

“A gente espera que ele se adapte ao movimento e a cor da água e com a correnteza também. Eles precisam ter esse conhecimento do ciclo hidrológico antes de serem enviados para a segunda etapa”, disse.

Fonte: A Crítica/ AM


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Zoo tenta reintroduzir na natureza espécie quase extinta

O zoológico de Praga, na República Checa, organiza a reintrodução na natureza de cavalos de Przewalski (Equus ferus przewalskii), um dos animais mais ameaçados de extinção no planeta. Na verdade, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), a espécie chegou a ser considerada extinta na natureza, mas programas de reintrodução de espécimes que estavam em cativeiro salvaram o animal.

Nesta terça-feira (14), o zoo organizou o transporte de quatro cavalos selvagens da Mongólia (como a espécie também é conhecida) para o país que lhe dá nome. Os animais estavam em uma fazenda e foram levados em um avião militar para a província mongol de Khovd para que vivam no habitat natural da espécie.

Segundo a IUCN, a espécie desapareceu em 1969, quando acabou a última população conhecida, na China. Nos anos 90, esforços de reintrodução na natureza começaram na Mongólia, China, Cazaquistão e Ucrânia, mas apenas no primeiro país os programas deram resultado.

Ainda de acordo com a organização, acredita-se que existam 325 desses animais vivos na natureza, inclusive aqueles que já nasceram no habitat natural após os programas de reintrodução.

Funcionários do zoológico de Praga preparam um cavalo de Przewalski para transporte (Foto Reuters)

Funcionários do zoológico de Praga preparam um cavalo de Przewalski para transporte (Foto Reuters)

 Fonte: Portal Terra


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Avistar 2011: Manchas verdes e a falsa idéia da biodiversidade

 Quem nunca fez uma trilha em uma área que parecia estar bem conservada de Mata Atlântica e saiu decepcionado por não ter visto um bicho sequer? Pois infelizmente isto já é bem conhecido dos estudiosos ligados às ciências da natureza e tem até nome, são as ‘Florestas Vazias’, onde as comunidades animais, especialmente de grandes indivíduos, foram dizimadas.

Nelas, os processos ecológicos são gradativamente perdidos, como as sementes que se acumulam no chão da floresta por falta de dispersores (exterminados) ou as populações de animais que acabam sumindo devido a pequena variabilidade genética regional.

A reintrodução destas espécies em seus ecossistemas originários é uma estratégia rotineira para recomposição em ambientes naturais de órgãos ambientais em vários países, como África do Sul, Nova Zelândia e Reino Unido.

Porém, segundo o Biólogo e Doutor em Zoologia Fábio Olmos, em contraposição, no Brasil pouco se pensa em projetos de reintrodução. Nem com as araras na Mata Atlântica, por exemplo, se têm o cuidado necessário para conseguir manter sua população em médio e longo prazo.

Os britânicos estão trabalhando para restaurar uma população de Grous (Grus grus), perdida na natureza há cerca de 400 anos devido à drenagem de áreas úmidas. A meta é que 100 aves sejam liberadas na natureza até 2015.

Os neo-zelandeses também estão realizando projetos de sucesso no reestabelecimento de populações de Kokako, dizimados pelo desmatamento e introdução de predadores exóticos pelas mãos dos homem (como ratos). Fábio contou, durante o 6º Encontro Brasileiro de Observação de Aves – AVISTAR2011, realizado em São Paulo nos dias 13 a 15 de maio, que na Nova Zelândia, as espécies exóticas são eliminadas, a vegetação nativa é reestabelecida e os animais reintroduzidos.

No Brasil, os exemplos de iniciativas do gênero são poucos, como no caso dos Guarás em Cubatão, onde foi feita uma soltura sem alguma metodologia numa época em que o zoológico de Santos não tinha mais espaço para tantos animais. Atualmente o manguezal da cidade conta com cerca de dois mil Guarás.

No caso dos Guarás, a estratégia utilizada não foi exatamente a mais adequada, apesar de ter dado certo, conta Fábio
É necessária uma base científica precisa para a reintrodução de espécies em áreas de mata nativa, do contrário, danos significativos podem ser infringidos às populações residentes, como a introdução de patógenos aos quais não têm imunidade ou o desequilíbrio populacional, quando não se tem conhecimento suficiente sobre o ecossistema que se pretende enriquecer.

O projeto Ninhos é um bom exemplo, que reintroduziu cinco Tucanos Toco (Ramphastos toco) apreendidos em fiscalização da Policia Ambiental em São Carlos, São Paulo, após reabilitação. A soltura simples dos tucanos foi feita com a ajuda de agricultores da região, com a instalação de um viveiro temporário em sua propriedade para que os animais se acostumassem novamente com o ambiente natural.

O monitoramento desses animais está em andamento e dados conclusivos sobre a permanência desses indivíduos em seus ecossistemas originais ainda são desconhecidos.

A base jurídica para a reintrodução de animais silvestres existe no Brasil, envolvendo a Constituição Federal (Artigo 225 § 1), a Lei de Crimes Ambientais (Cap. III, Art. 25 §1 e e Decreto 6.514/08) e a Instrução Normativa 179/2008 do IBAMA.

“O maior problema é o governo, sendo muito pouco proativo para juntar os diferentes atores e fazer com que funcione. Cada um acaba fazendo o que quer”, alertou Fábio.

Apesar da legislação, que prevê sanções aos crimes ambientais, mencionar uma multa maior aos crimes ambientais com espécies ameaçadas, os traficantes continuam sem uma punição real já que a pena de no máximo três anos de detenção pode ser objeto de transação penal e virar cestas básicas.

O comércio ilegal de animais silvestres é amplamente conhecido e repudiado pela população, entretanto ainda existem muitas pessoas que, por estarem longe da natureza, querem trazer um pedacinho dela para sua casa, mesmo vivendo no meio da cidade, e acabam contribuindo com este atividade extremamente cruel.

Segundo dados reunidos em São Paulo e compilados pelo IBAMA, cerca de 35 mil animais silvestres são apreendidos todos os anos apenas no estado. Isto é uma quantidade ínfima do que realmente é movimentado no país, um cenário arrebatador que passa longe do conhecimento de muitas pessoas que incentivam o comércio ilegal pensando estar comprando apenas “um bichinho”.

Vincent Lo, analista do IBAMA também presente no AVISTAR 2011, lamenta que mesmo dos 35 mil animais apreendidos, apenas cerca de 10 mil são recebidos pelos seis Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de SP. Destes 10 mil, 30% acaba morrendo, 30% vai parar em cativeiros e 30% são soltos. Portanto, apenas uma quantidade ridícula dos animais consegue voltar aos seus ecossistemas originais e cumprir o seu papel ecológico.

Os locais de soltura também são um obstáculo, pois precisam de uma série de requisitos para garantir que as espécies não sejam ameaçadas. No Estado de São Paulo, o Ibama tem incentivado a formação destas áreas de soltura em parceria com proprietários interessados em preservação e recomposição da fauna local.

A discussão sobre o direcionamento destas espécies capturadas no comércio ilegal para o repovoamento das ‘Florestas vazias’ é uma muito discutida entre os meios acadêmico e administrativo no Brasil, porém a burocracia e as duvidas procedurais quanto à soltura dos animais ainda impedem que grande parte volte para as florestas.

Cuidados sanitários, epidemiológicos e científicos devem ser tomados antes da soltura, mas é ainda mais urgente que sejam tomadas decisões concretas antes que seja tarde demais.

O governo precisa fazer o seu papel fortalecendo os CETAS (hoje muitos estão em estado de penúria), as polícias ambientais e os órgãos de fiscalização e ainda apoiando pesquisas epidemiológicas sobre doenças de animais silvestres e também sobre a composição dos próprios ecossistemas, ainda extremamente desconhecidos.

Mas não podemos esquecer que temos uma responsabilidade enorme que é a de conscientizar as pessoas ao nosso redor que o lugar de animais silvestres, mesmo que “bem tratados”, não é em nossas casas como animais de estimação e sim nos seus respectivos ambientes naturais, do qual eles dependem.

A domesticação de animais silvestres (como tartarugas, papagaios, dentre outros) é um perigo para a saúde dos ‘proprietários’, pois trazem consigo muitas doenças e têm comportamento naturalmente selvagem, podendo os machucar. A tentativa de sua ‘humanização’ é um stress desnecessário para o animal que deveria estar a quilômetros da cidade, cumprindo seu papel ecológico.

“Temos que incentivar o avistamento em vida livre, como atividades de Birdwatching (Observação de Aves), silvestre não é pet, a diversão humana não pode ser às custas dos animais”, ressaltou Vincent.

A remoção de animais silvestres dos seus ambientes é um problema sério e silencioso, pois muitos de nós têm a falta idéia ao ver áreas verdes que a biodiversidade está por todos os lados como há 500 anos. Mas a cada dia, filhotes são tirados das mães, comprados, e quando se percebe as dificuldades de criar um animal destes, ele é abandonado em CETAS e as florestas… ficam cada vez mais vazias.

Durante o AVISTAR 2011 diversos temas foram discutidos e apresentados norteando a relação entre as aves e os ecossistemas naturais no Brasil e no Mundo, mostrando sua importância como bioindicadoras e subsidiando à conservação ambiental através do conhecimento de seus hábitos, e dessa forma sensibilizando muitas pessoas a protegerem os biomas brasileiros, tão ameaçados.

Fonte: Mater Natura


8 de março de 2011 | nenhum comentário »

ONG tenta devolver papagaios ao habitat natural

Os 68 papagaios-verdadeiros abrigados em Juquitiba (72 km a sudoeste de SP) não conhecem sua mata natal. Eles foram retirados com poucos dias de vida dos ninhos em que nasceram, em setembro de 2006, em Mato Grosso do Sul. Fruto da ação de traficantes de animais.

A volta desses bichos para o local em que nasceram, consequência de uma operação inédita em todo o país, conduzida por uma ONG (Organização Não-Governamental), deve ocorrer em meados deste ano.
O que falta são recursos financeiros para o transporte.

“Poucas operações como essa ocorreram até agora no país. Pouca gente sabe o que ocorre depois das notícias de grandes apreensões”, diz Marcelo Rocha, presidente da SOS Fauna.

As cenas a seguir são fortes. Os 68 papagaios (Amazona aestiva) que sobreviveram estavam ao lado de outros 124 filhotinhos. Deste grupo, cinco morreram depois que estavam sendo cuidados pela equipe da ONG. Dos demais, distribuídos para alguns criadores com anuência do Ibama, não se têm mais notícias.
“Eles devem ter morrido”, afirma Rocha.

A um custo de R$ 1 por dia com cada papagaio -a conta, portanto, passa dos R$ 100 mil- uma verdadeira operação de guerra precisou ser montada para que esses bichos pudessem, quem sabe, voltar para casa.
De acordo com Rocha, várias instituições e pessoas físicas já ajudaram durante esse tempo. Ele diz ter recebido exclusivamente dinheiro privado. “As esferas de Estado nunca nos ajudaram.”

Retorno – Ainda no final de 2006, os 68 papagaios que continuavam vivos estavam com saúde, voando em viveiros no interior de São Paulo. Após, inclusive, a realização de estudos genéticos com os animais, que ajudaram a precisar de onde eles vieram, começou a se desenhar a operação de retorno.

“Eles serão recolocados na região de Nova Andradina, na propriedade de um fazendeiro que está sensibilizado pelo trabalho”, diz a bióloga Juliana Ferreira, que também está colaborando com a organização ambientalista paulista. “Durante todos estes anos, um dos trabalhos feitos foi o de ensinar eles a obterem alimento sozinhos.”

Tráfico intenso – Ao contrário do que pode parecer, a soltura dos bichos em Mato Grosso do Sul não é um momento que deve ser exaltado, dizem os ambientalistas. “É importante, claro, essa volta, mas esses papagaios nunca deveriam ter sido retirados dos locais onde eles estavam vivendo”, diz. Para Rocha, muito mais do que os papagaios, quem ganha é a biodiversidade do país. “Existe uma série de relações ecológicas que podem estar sendo perdidas sem esses animais na mata. Nem sabemos precisar quantas.”

Os 192 papagaios apreendidos, em 2006, na rodovia Castello Branco, pela polícia, são apenas uma pequena mostra do que é retirado das florestas de todo o país, estima Rocha. “Apenas 10% dos animais traficados são apreendidos. Se este número está na casa dos 700 por ano, só em São Paulo, mais de 6.000 animais devem entrar de forma ilegal na região metropolitana de São Paulo, o grande polo consumidor nacional.

Quando ocorrer, a volta dos papagaios para a mata é voluntária. Um grande viveiro é montado na mata, para uma ambientação. Depois ele é aberto e quem se sentir seguro para voar, voa.

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Fonte: Eduardo Geraque/ Folha.com


6 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Bióloga afirma: é ingenuidade reviver animais que nós extinguimos

A reintrodução de espécies extintas (ou praticamente extintas) em determinadas regiões foi comum no ano de 2010. Foi o caso do castor, desaparecido da Grã-Bretanha por 400 anos e visto novamente após reintrodução em uma floresta da Escócia. Também o lince ibérico (quase extinto em Portugal e na Espanha, país que tenta reintroduzir animais criados em cativeiro), o crocodilo siamês (Vietnã) e as chitas, que estavam desaparecidas na Índia, ganharam projetos similares. No caso da última espécie, o esquema de reintrodução sofreu críticas de especialistas que afirmam que, sem reintroduzir também as presas naturais das chitas, que foram erradicadas da Índia assim como o felino, a espécie não irá se proliferar no local.

Na opinião da bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas, processos de reintrodução envolvem “variáveis imprevisíveis”. “É pretensão ou ingenuidade humana querer trazer de volta espécies extintas naturalmente ou que ele mesmo ajudou a extinguir, sem um estudo das consequências dessa reintrodução”, diz Ellen, que aponta algumas particularidades a serem observadas. “Animais extintos da natureza e que hoje só existem em zoológicos e centros de proteção podem ser reintroduzidos. Mas com os ambientes desequilibrados a tarefa se torna difícil. A reintrodução deve levar em consideração as condições ecológicas de um ambiente e as interações desta espécie com as espécies atuais”, explicou.

Ela esclarece que, quando uma espécie ou subespécie extinta há séculos, ou até milênios, é reintroduzida, o ecossistema pode sofrer. “A variabilidade genética deve ser levada em conta. Animais são extintos justamente por problemas genéticos causados pela redução significativa de sua espécie, ou por problemas ambientais locais, globais ou de acordo com a época em que viveu o animal em questão”, disse. Ellen cita o panda da China como exemplo. “Embora exista em zoológicos, ele tem imensas dificuldades de reprodução e pequena variabilidade genética, o que causa doenças, dificuldades de reprodução e consequentemente a extinção. Pode-se dizer que animais como este, na prática, já estão extintos”.

Associada à limitação genética também está a mudança dos ecossistemas, que coloca um grande ponto de interrogação nas formas de preservação, teoricamente beneficiadas por avanços da ciência, como a clonagem. “Se a clonagem pode trazer à vida um animal como o lobo da Tasmânia (foto), a pergunta é se isso é benéfico para o animal em si e para o ecossistema em que ele viverá. Animais extintos há muito tempo viveram em ambientes distintos do atual. Eles tiveram interações com outros seres, alimentando-se de outros animais, plantas, etc., que hoje podem não existir mais”, alerta a bióloga.

Ellen também lembra que a clonagem não prevê a variabilidade genética, tida como o combustível da evolução e da adaptação. “Existem clones naturais, mas toda introdução feita através do ser humano pode sim causar desequilíbrio no ecossistema que possui auto-organização. Clones podem existir, mas isso implica em responsabilidades éticas”.

Para Freitas, o Brasil tem a tendência de reintroduzir animais mais “carismáticos” como aves e mamíferos. “As espécies que podem ser alvo desse trabalho são peixes, plantas, anfíbios e outras menos conhecidas da população, mas com importância ecológica. No Rio Grande do Sul o número de anfíbios em processo de extinção é alarmante. Há muitos trabalhos publicados, mas poucos projetos efetivos”.

Mesmo assim, histórias bem sucedidas de reintrodução existem. Através de projetos de preservação, animais como a ararinha azul (Cyanopsitta spixii) e o gavião real (Harpia harpyja), praticamente extintos no Rio Grande do Sul, ainda podem ser encontrados na Amazônia.

Outro exemplo de inciativa de sucesso é a do Instituto Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae), também chamada baleia corcunda ou preta. Conhecida por seu temperamento dócil e acrobacias, a espécie só saiu da lista de animais ameaçados em 2008, e atualmente conta com 50 mil exemplares vivendo nos oceanos. No Atlântico Sul Ocidental, a sua principal área de reprodução é o Banco dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia. De julho a novembro, estas baleias procuram as águas quentes para acasalar e dar à luz a um único filhote, que nasce após aproximadamente 11 meses de gestação.

Quem permanece na lista é a Baleia franca (Balaena mysticetus

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), segunda espécie de baleia mais ameaçada de extinção no planeta. Enfrentando dificuldades como a sobrepesca, a caça e a falta de educação ambiental, especialistas criaram uma Unidade de Conservação em Imbituba, no litoral de Santa Catarina. O Projeto Baleia Franca visa à conservação da espécie por meio de atividades de educação ambiental e observação dos animais quando eles se aproximam do litoral, nos meses de inverno.

Já o peixe-boi é o mamífero aquático mais ameaçado de extinção no País. Duas variações são encontradas no Brasil: o Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) e o Peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis). No passado, podiam ser vistos em toda a costa, do Espírito Santo ao Amapá. Hoje, aparecem apenas no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, tendo desaparecido no Espírito Santo, Bahia e Sergipe.

Em setembro de 2007, pesquisadores de Manaus organizaram a primeira reintrodução de peixe-boi amazônico em água doce. Zelando pela conservação do peixe-boi marinho está o Centro de Mamíferos Aquáticos em Itamaracá, na região metropolitana do Recife. Conhecido pelo seu trabalho de conservação, a instituição comemora 30 anos de atividades e, juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reintroduziu 4 peixes-boi à natureza no ano de 2010.


22 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Após 12 anos em cativeiro, harpia retorna à liberdade

Harpia com aparelho que permite o monitoramento via satélite

Harpia com aparelho que permite o monitoramento via satélite

Na última terça-feira (18), por volta das 13h, retornou a seu habitat a 1ª harpia do mundo a ser reintroduzida na natureza, após viver 12 anos em cativeiro, em um recinto construído especialmente para ela, na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro (BA).

Batizada como Pakâyhierú* (pássaro livre), a ave encontrou a liberdade cerca de seis minutos depois que a caixa onde era transportada foi aberta. “Estou feliz porque ela alçou vôo”, disse, emocionado, Alexandro Ribeiro Dias, da Equilíbrio Proteção Florestal, empresa parceira no Projeto Harpia na Mata Atlântica. Dias teve o privilégio de abrir a caixa. Durante seis anos, ele foi o único responsável pelo trato e alimentação da harpia.

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A ave se tornou a segunda harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil. O equipamento foi instalado no último dia 16 pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, José Eduardo Mantovani. Para avaliar o impacto do aparelho sobre a ave, há um ano foi instalado um protótipo com peso igual ao do equipamento que  está sendo utilizando.

De acordo com a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica – Inpa e coordenadora do Projeto Harpia na Mata Atlântica, Tânia Sanaiotti, o protótipo foi instalado para a ave se adaptar ao peso do equipamento (cerca de 125 gramas) e para avaliar possíveis danos. “A mochila que carrega o rádio-transmissor não causou danos à ave. Isso nunca tinha sido avaliado por outro pesquisador no mundo”, comemorou Sanaiotti.

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No domingo (16), Sanaiotti uniu-se aos pesquisadores da SOS Falconiformes, Eduardo Pio Mendes de Carvalho Filho, e da Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina – ABFPar, Jorge Lisboa, e, também, ao tratador da ave, Alexandro Ribeiro Dias, todos parceiros no Projeto Harpia na Mata Atlântica, para fazer a última avaliação da ave antes da soltura. A harpia, uma fêmea da espécie, foi pesada e medida, apresentando 2,05 metros de envergadura de asa.

A ave foi reintroduzida em uma Área de Alto Valor de Conservação, próxima ao Parque Nacional do Pau-Brasil, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do extremo sul da Bahia. Nos próximos 15 dias, a harpia será monitorada em campo para que seja avaliada sua adaptação à vida livre.

De acordo com Sanaiotti, a área foi escolhida levando-se em consideração que se trata de uma área de mata nativa, com 85% de floresta ombrófila densa em estágio avançado de regeneração, contígua ao parque e a cerca de dois quilômetros de distância da fazenda onde a ave foi resgatada em 1997.

A harpia foi encontrada pelos proprietários da Fazenda Lembrança e da Fazenda Itaipé,  que a entregaram ao Ibama. Os fiscais levaram a ave para a Estação Veracel, onde, desde 2004, ela é objeto de estudos e esforços de uma equipe de pesquisadores para reintegrá-la à natureza. Esse trabalho recebeu o nome de Projeto Harpia na Mata Atlântica.

A decisão pela soltura foi tomada em 2004, quando a pesquisadora Tânia Sanaiotti, que já desenvolvia o Projeto Gavião-Real, na Amazônia, foi convidada a avaliar a harpia, que era mantida em cativeiro. “Avaliei que se tratava de uma ave já adulta no momento da captura, que já tinha aprendido a sobreviver sozinha nas matas. Com certeza, ela não perdeu esse instinto selvagem”, disse a pesquisadora.

Além de todo o trabalho desenvolvido para a reabilitação da harpia em seu habitat, o Projeto Harpia na Mata Atlântica fez a avaliação das matas existentes na região, para ter a garantia de que a ave encontraria as condições necessárias para a sua sobrevivência. O registro da existência de outras harpias de vida livre nas áreas monitoradas foi primordial para a decisão da soltura.

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O Projeto Harpia na Mata Atlântica é financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada pelos pesquisadores do Inpa, Inpe, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, Ibama, ABFPar, SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

*Pakâyhierú significa “pássaro livre” em patxohã, língua oficial da comunidade indígena Pataxó. Esse é o nome da primeira harpia a ser devolvida à natureza depois de 12 anos em cativeiro, escolhido pelo aluno David dos Santos, da Escola Indígena Pataxó de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália/BA. De Daniel Conceição Bonfim, aluno da Escola Rural Santo Antônio, em Imbiruçu de Dentro (Porto Seguro, BA), veio o slogan “Natureza viva!”. Ambos participaram do trabalho de educação ambiental realizado com suas comunidades, para que conhecessem essa espécie e contribuíssem para sua preservação. (Fonte: Ibama)

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22 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Harpia que vive em cativeiro pode voltar à natureza a qualquer momento

Harpia do Zoológico de Curitiba - PR

Harpia do Zoológico de Curitiba - PR

Danielle Jordan / AmbienteBrasil

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A harpia, ou gavião-real, vive em um cativeiro na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro.  A ave foi resgatada por fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e desde 1997 vive em um ambiente construído especialmente para ela na RPPN.

Desde 2004 um projeto de readaptação está sendo desenvolvido para que o animal retorne a natureza. A soltura da Harpia poderá ocorrer na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Estação Veracel ou Parque Nacional-PARNA Pau-Brasil. “Os estudos de levantamento de aves de rapina indicam que o PARNA Pau-Brasil é o local mais adequado”, explica o pesquisador da ONG SOS Falconiformes, Gustavo Carvalho.

Assim que chegou à reserva o animal recebeu cuidados para tratar lesões e se fortalecer. Todos os meses Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), SOS Falconiformes e Associação Brasileira de Falcoaria e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), acompanham  a evolução da ave.

Os resultados obtidos em cativeiro tem sido positivos, de acordo com o pesquisador, e o animal deve ser solto em junho.

Durante três anos a ave será acompanhada por satélite por meio de um transmissor microwave PTT monitorado pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Nacionais (INPE). “Além disso, através de um transmissor VHF os pesquisadores poderão realizar um acompanhamento em campo do animal”, explica o pesquisador.

Caso de sucesso

Em maio de 2008 uma fêmea subadulta da mesma espécie foi encaminhada pelo IBAMA ao projeto. Depois de avaliada a condição do animal foi solta no Parque Nacional do Pau-Brasil e está sendo monitorada via satélite e em campo, via rádio VHF.


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20 de março de 2013 | nenhum comentário »

Filhote de condor é cuidado por ‘boneco’ para ser solto na natureza

Fantoche trata o animal para que não haja interferência direta de humanos.
Wesa tem só 2 semanas e uma fome voraz: come até 15 roedores por dia.

Um filhote de condor com apenas duas semanas de vida foi o primeiro do ano a nascer no Zoológico e Safári de San Diego, no estado americano da Califórnia. Chamado de Wesa, o animal veio ao mundo no dia 24 de fevereiro.

Na foto acima, o pequeno condor aparece ao lado de um fantoche que imita um espécime adulto. O boneco em forma de luva serve como preparação para o filhote ser liberado ao ambiente selvagem no futuro.

Dessa maneira, o animalzinho não recebe interferência direta dos funcionários do zoológico, já que é a “falsa mãe” que cuida dele. E, uma vez na floresta, essa ave de rapina não vai depender dos humanos para se alimentar. Wesa tem boa saúde e um apetite voraz: chega a comer até 15 roedores por dia.

Segundo o cuidador Ron Webb, o zoológico inaugurou seu programa para recuperação de condores em 1980, quando havia apenas 22 bichos da espécie restantes no mundo. Desde então, o parque já chocou 173 ovos e soltou 80 animais na natureza.

Atualmente, existem mais de 400 condores no planeta, metade dos quais voa livre em estados como Baixa Califórnia, no México, Califórnia e Arizona, nos EUA.

Filhote de condor Wesa é o 1º do ano a nascer em zoológico de San Diego (Foto: San Diego Zoo/Ken Bohn/AFP)

Filhote de condor Wesa é o 1º do ano a nascer em zoo de San Diego (Foto: San Diego Zoo/Ken Bohn/AFP)

Fonte: Globo Natureza


6 de março de 2013 | nenhum comentário »

Ararinhas em risco de extinção são trazidas da Alemanha para o Brasil

Ideia é promover a reprodução e reintroduzir espécie no habitat natural.
Apenas 79 ararinhas-azuis existem no mundo, todas em cativeiro.

Duas ararinhas-azuis de uma espécie criticamente ameaçada de extinção estão sendo trazidas de avião da Alemanha para o Brasil , informa o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), ligado ao Ministério do Meio Ambiente.

O objetivo de trazer as aves é fazer com que elas se reproduzam e, com isso, promover o aumento na sua população em cativeiro no Brasil, afirma Camile Lugarini, coordenadora do Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação da Ararinha-Azul.

“Nossa ideia é ter indivíduos suficientes em cativeiro para efetuar a reintrodução em seu habitat natural daqui a alguns anos”, avalia Camile. O animal, que é nativo do Brasil, não é encontrado na natureza desde 2000 e atualmente só existe em cativeiro.

Há apenas 79 ararinhas-azuis no no mundo, a maioria delas mantidas em criadouros fora do país, diz o ICMBio. “Somente quatro ararinhas compõem atualmente a população reprodutiva no Brasil”, explica uma nota da instituição.

Fêmeas
As ararinhas-azuis que estão sendo trazidas ao Brasil são fêmeas e estavam sob cuidados da organização alemã ACTP (sigla em inglês para Associação para a Conservação das Araras Ameaçadas). Elas vão chegar de avião, acondicionadas em caixotes especiais e com todas as precauções necessárias, afirma o ICMBio.

As aves serão levadas a um local de quarentena regulamentado pelo Ministério da Agricultura. “Durante a quarentena, as ararinhas permanecerão em observação por um período que pode variar entre duas a seis semanas, dependendo do seu comportamento”, diz Camile.

Durante a quarentena, as aves serão submetidas a exames para avaliar suas condições de saúde. “A viagem é estressante, então pode baixar a imunidade [das ararinhas]“, ressalta a coordenadora do Plano de Ação Nacional, que é analista do ICMBio. A quarentena é um procedimento padrão nestes casos, diz ela.

Após este período, as ararinhas vão ser enviadas a um criadouro no estado de São Paulo, credenciado pelo governo brasileiro. A ideia é que ali seja feita a reprodução com machos de outras linhagens.

Intenção dos pesquisadores é reproduzir ave em cativeiro (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Intenção dos pesquisadores é reproduzir ave em cativeiro; em imagem de arquivo, ararinhas-azuis mantidas em criadouro no Qatar (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

“Temos quatro indivíduos dessa espécie no Brasil que estavam em um zoológico e há quase um ano estão em um criadouro. Há mais um animal em outro criadouro, que é ararinha a mais velha que se tem notícia, com mais de 30 anos”, relata Camile.

Das ararinhas em idade de reprodução no Brasil, duas são machos e duas são fêmeas. A quinta tem 34 anos, aproximadamente, e não está em condições de reprodução, afirma Camile.

Primeira experiência
A primeira experiência de reintrodução das ararinhas na natureza, desde que haja condições (com o aumento da população em cativeiro), está prevista para ocorrer até 2017, segundo o ICMBio. A espécie é natural de uma área de caatinga no sertão da Bahia, mas não é vista na região desde 2000.

Caso os esforços de reprodução sejam bem-sucedidos, as ararinhas devem ser reintroduzidas em seu habitat. O projeto é uma parceria entre o governo brasileiro, ONGs e organizações privadas. As instituições vêm trabalhando para preparar o habitat, situado no norte da Bahia, com projetos de recuperação ambiental e educação para as comunidades do entorno.

A história de uma ararinha-azul domesticada, encontrada nos EUA em 2002, inspirou o cineasta brasileiro Carlos Saldanha a fazer o filme “Rio”, grande sucesso de bilheteria nos cinemas.

Além das duas ararinhas que estão sendo trazidas ao Brasil, outras cinco aves desta espécie — quatro que estão na Espanha e um macho que está na Alemanha — devem ser trazidas ao Brasil nos próximos meses, informa a analista do ICMBio.

Há apenas 79 ararinhas-azuis hoje no mundo (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Há apenas 79 ararinhas-azuis hoje no mundo, todas em cativeiro. Em imagem de arquivo, aves desta espécie são mantidas em criadouro no Qatar (Foto: Divulgação/Al Wabra Wildlife Preservation)

Fonte: Globo Natureza


12 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Cinco peixes-boi serão devolvidos à natureza em Maraã, no Amazonas

Eles ficaram presos em redes de pesca ou foram apreendidos por fiscais.
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça do peixe-boi.

Animal será devolvido à natureza (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

Animais serão devolvido à natureza em Marãa (Foto: Carolina Oliveira/Instituto Mamirauá)

No dia 11 de agosto, cinco peixes-boi amazônicos serão devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, na região do município de Maraã, noroeste do Amazonas. Os animais passaram por processo de readaptação à vida silvestre no Centro de Reabilitação de Peixes-Boi Amazônicos de Base Comunitária. Outros dois animais ainda permanecerão sob os cuidados do Centro.

Os peixes-boi chegaram ao Centro de Reabilitação com apenas alguns dias de vida. Dentre os que serão soltos, o mais velho tem quatro anos e o mais novo, dois. Dos cinco peixes-boi que serão soltos, três ficaram presos acidentalmente em redes de pesca e foram entregues à equipe do Centro de Reabilitação pelos próprios pescadores; os outros dois foram apreendidos por agentes ambientais e entregues aos cuidados do Centro.

Segundo Miriam Marmontel, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Mamíferos Aquáticos Amazônicos, peixes-boi criados em cativeiro deixam de aprender informações necessárias à vida selvagem. Por isso, os peixes-boi liberados serão monitorados em vida livre, por meio de sinais de rádio emitidos por um aparelho que será adaptado às caudas dos animais.

“Temos que acompanhá-los após a soltura para saber se o nosso trabalho de reabilitação foi bem sucedido. Esses animais certamente são mais vulneráveis à caça do que os que nasceram e foram criados pela mãe, na natureza, pois ela repassa ao filhote informações como rotas de migração, lugares onde se alimentar e como fugir de um pescador. Existe um risco, mas esses animais terão que enfrentá-lo”, disse a pesquisadora.

Ameaça à espécie
No interior do estado, ainda são comuns os registros de caça de subsistência do peixe-boi. As fêmeas adultas, maiores que os machos, são o principal alvo dos caçadores. Sem os cuidados maternos, os filhotes de peixe-boi dificilmente sobrevivem na natureza.

Um dos fatores de ameaça aos filhotes órfãos de peixes-boi são as redes de pesca. Ao ficar preso a uma rede, o filhote pode morrer afogado – como são mamíferos, os peixes-boi precisam vir à superfície para respirar, em intervalos de aproximadamente dois minutos.

Cuidados especiais
De acordo com Miriam Marmontel, o peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) requer atenção especial da comunidade científica, o que se explica pelo histórico de exploração da espécie. Há registros de caça comercial de peixe-boi desde o século XVII. O auge da procura comercial da espécie ocorreu entre o século XIX e meados do XX, período em que milhares de animais foram mortos por causa da utilização de seu couro para a fabricação de correias e de sua banha para iluminação pública.

Hoje a espécie é considerada vulnerável à extinção. Mais de 100 peixes-boi amazônicos são mantidos em cativeiro, em centros de reabilitação nas regiões metropolitanas de Manaus eBelém, na Reserva Amanã.

O trabalho nos centros de reabilitação de peixe-boi amazônico pode evitar o que já aconteceu a outras espécies de mamíferos aquáticos. Em 2007, o baiji (Lipotes vexillifer), golfinho que habitava o rio Yang-tsé, na China, foi declarado extinto. Devido à caça predatória, em 1768 a vaca marinha (Hydrodamalis gigas) foi declarada extinta, 27 anos após ter sido descoberta.

 

Erê foi o primeiro peixe-boi nascido em cativeiro no Inpa, no AM (Foto: Divulgação/Inpa)

Caça de subsistência ameaça espécie no interior do Amazonas (Foto: Divulgação/Inpa)

Fonte: Globo Natureza


31 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Peixe-boi fêmea vai ajudar os machos na adaptação a ambiente natural no Amazonas

A reintrodução a ambiente natural dos três peixes-bois que estavam em cativeiro (tanque de vidro) no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) realizada na manhã de quinta-feira (27) foi bem sucedida.

A fêmea Iranduba, que estava no cativeiro há apenas um ano, se adaptou rapidamente à nova casa. Os machos Paricatuba e Matupá, que chegaram filhotes ao cativeiro e habitavam o local havia sete anos, optaram por circular nas bordas do lago.

“Ela foi logo explorando o ambiente todo. Já os machos, quando foram soltos, ficaram mais nas beiras. A gente espera que eles imitem o comportamento da fêmea”, disse Vera Silva, pesquisadora do Inpa e conselheira da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa).

Conforme Vera, que também é chefe do Laboratório dos Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, Iranduba será a responsável por ajudar os machos a se adaptar ao local.

“Ela veio para o cativeiro com sete anos, após ficar encalhada em uma área durante a seca. Já tinha experiência em ambiente natural. Os machos ficaram mais tempo no cativeiro”, disse Vera.

A reintrodução dos peixes-bois a um lago localizado no município de Manacapuru é a primeira experiência do Inpa do gênero com animais que estavam em cativeiro.

Espécie que faz parte da lista de extinção, o peixe-boi tem sido uma das maiores vítimas da caça predatória na bacia amazônica. A maioria dos animais resgatados é órfã – geralmente a mãe é abatida por pescadores.

Dois anos atrás, o Inpa realizou uma experiência de reintrodução de animais de cativeiro direto na natureza que não deu muito certo. Dois deles morreram, um ficou doente e outro desapareceu do trabalho de monitoramento.

Temporada – Os três peixes-bois vão ser acompanhados por um biólogo da Ampa, Diogo Souza, e outros dois tratadores, durante um ano, segundo o veterinário da Ampa, Anselmo D´Fonseca.

Neste período, os animais passarão por avaliação clínica periódica. O acesso a eles será facilitado pelo fato da nova casa ser um lago localizado em um antigo criadouro de peixe que havia sido desativado – a área de circulação dos animais tem três hectares. O protótipo de um cinto foi instalado na região da nadadeira dos peixes-bois.

Para ajudar na adaptação e sobrevivência dos animais, moradores e ribeirinhos de comunidades próximo ao lago receberam informações sobre o programa de reintrodução dos peixes-bois no semi-cativeiro.

Os cientistas esperam que os moradores se sensibilizem e se conscientizem acerca dos riscos do animal. “A gente espera envolvê-los neste programa”, disse ele.

Segundo Vera Silva, a opção pelo semicativeiro ocorreu porque trata-se de uma área natural cerca na qual o animal vai se familiarizar com o ambiente.

“A gente espera que ele se adapte ao movimento e a cor da água e com a correnteza também. Eles precisam ter esse conhecimento do ciclo hidrológico antes de serem enviados para a segunda etapa”, disse.

Fonte: A Crítica/ AM


15 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Zoo tenta reintroduzir na natureza espécie quase extinta

O zoológico de Praga, na República Checa, organiza a reintrodução na natureza de cavalos de Przewalski (Equus ferus przewalskii), um dos animais mais ameaçados de extinção no planeta. Na verdade, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), a espécie chegou a ser considerada extinta na natureza, mas programas de reintrodução de espécimes que estavam em cativeiro salvaram o animal.

Nesta terça-feira (14), o zoo organizou o transporte de quatro cavalos selvagens da Mongólia (como a espécie também é conhecida) para o país que lhe dá nome. Os animais estavam em uma fazenda e foram levados em um avião militar para a província mongol de Khovd para que vivam no habitat natural da espécie.

Segundo a IUCN, a espécie desapareceu em 1969, quando acabou a última população conhecida, na China. Nos anos 90, esforços de reintrodução na natureza começaram na Mongólia, China, Cazaquistão e Ucrânia, mas apenas no primeiro país os programas deram resultado.

Ainda de acordo com a organização, acredita-se que existam 325 desses animais vivos na natureza, inclusive aqueles que já nasceram no habitat natural após os programas de reintrodução.

Funcionários do zoológico de Praga preparam um cavalo de Przewalski para transporte (Foto Reuters)

Funcionários do zoológico de Praga preparam um cavalo de Przewalski para transporte (Foto Reuters)

 Fonte: Portal Terra


8 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Avistar 2011: Manchas verdes e a falsa idéia da biodiversidade

 Quem nunca fez uma trilha em uma área que parecia estar bem conservada de Mata Atlântica e saiu decepcionado por não ter visto um bicho sequer? Pois infelizmente isto já é bem conhecido dos estudiosos ligados às ciências da natureza e tem até nome, são as ‘Florestas Vazias’, onde as comunidades animais, especialmente de grandes indivíduos, foram dizimadas.

Nelas, os processos ecológicos são gradativamente perdidos, como as sementes que se acumulam no chão da floresta por falta de dispersores (exterminados) ou as populações de animais que acabam sumindo devido a pequena variabilidade genética regional.

A reintrodução destas espécies em seus ecossistemas originários é uma estratégia rotineira para recomposição em ambientes naturais de órgãos ambientais em vários países, como África do Sul, Nova Zelândia e Reino Unido.

Porém, segundo o Biólogo e Doutor em Zoologia Fábio Olmos, em contraposição, no Brasil pouco se pensa em projetos de reintrodução. Nem com as araras na Mata Atlântica, por exemplo, se têm o cuidado necessário para conseguir manter sua população em médio e longo prazo.

Os britânicos estão trabalhando para restaurar uma população de Grous (Grus grus), perdida na natureza há cerca de 400 anos devido à drenagem de áreas úmidas. A meta é que 100 aves sejam liberadas na natureza até 2015.

Os neo-zelandeses também estão realizando projetos de sucesso no reestabelecimento de populações de Kokako, dizimados pelo desmatamento e introdução de predadores exóticos pelas mãos dos homem (como ratos). Fábio contou, durante o 6º Encontro Brasileiro de Observação de Aves – AVISTAR2011, realizado em São Paulo nos dias 13 a 15 de maio, que na Nova Zelândia, as espécies exóticas são eliminadas, a vegetação nativa é reestabelecida e os animais reintroduzidos.

No Brasil, os exemplos de iniciativas do gênero são poucos, como no caso dos Guarás em Cubatão, onde foi feita uma soltura sem alguma metodologia numa época em que o zoológico de Santos não tinha mais espaço para tantos animais. Atualmente o manguezal da cidade conta com cerca de dois mil Guarás.

No caso dos Guarás, a estratégia utilizada não foi exatamente a mais adequada, apesar de ter dado certo, conta Fábio
É necessária uma base científica precisa para a reintrodução de espécies em áreas de mata nativa, do contrário, danos significativos podem ser infringidos às populações residentes, como a introdução de patógenos aos quais não têm imunidade ou o desequilíbrio populacional, quando não se tem conhecimento suficiente sobre o ecossistema que se pretende enriquecer.

O projeto Ninhos é um bom exemplo, que reintroduziu cinco Tucanos Toco (Ramphastos toco) apreendidos em fiscalização da Policia Ambiental em São Carlos, São Paulo, após reabilitação. A soltura simples dos tucanos foi feita com a ajuda de agricultores da região, com a instalação de um viveiro temporário em sua propriedade para que os animais se acostumassem novamente com o ambiente natural.

O monitoramento desses animais está em andamento e dados conclusivos sobre a permanência desses indivíduos em seus ecossistemas originais ainda são desconhecidos.

A base jurídica para a reintrodução de animais silvestres existe no Brasil, envolvendo a Constituição Federal (Artigo 225 § 1), a Lei de Crimes Ambientais (Cap. III, Art. 25 §1 e e Decreto 6.514/08) e a Instrução Normativa 179/2008 do IBAMA.

“O maior problema é o governo, sendo muito pouco proativo para juntar os diferentes atores e fazer com que funcione. Cada um acaba fazendo o que quer”, alertou Fábio.

Apesar da legislação, que prevê sanções aos crimes ambientais, mencionar uma multa maior aos crimes ambientais com espécies ameaçadas, os traficantes continuam sem uma punição real já que a pena de no máximo três anos de detenção pode ser objeto de transação penal e virar cestas básicas.

O comércio ilegal de animais silvestres é amplamente conhecido e repudiado pela população, entretanto ainda existem muitas pessoas que, por estarem longe da natureza, querem trazer um pedacinho dela para sua casa, mesmo vivendo no meio da cidade, e acabam contribuindo com este atividade extremamente cruel.

Segundo dados reunidos em São Paulo e compilados pelo IBAMA, cerca de 35 mil animais silvestres são apreendidos todos os anos apenas no estado. Isto é uma quantidade ínfima do que realmente é movimentado no país, um cenário arrebatador que passa longe do conhecimento de muitas pessoas que incentivam o comércio ilegal pensando estar comprando apenas “um bichinho”.

Vincent Lo, analista do IBAMA também presente no AVISTAR 2011, lamenta que mesmo dos 35 mil animais apreendidos, apenas cerca de 10 mil são recebidos pelos seis Centros de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de SP. Destes 10 mil, 30% acaba morrendo, 30% vai parar em cativeiros e 30% são soltos. Portanto, apenas uma quantidade ridícula dos animais consegue voltar aos seus ecossistemas originais e cumprir o seu papel ecológico.

Os locais de soltura também são um obstáculo, pois precisam de uma série de requisitos para garantir que as espécies não sejam ameaçadas. No Estado de São Paulo, o Ibama tem incentivado a formação destas áreas de soltura em parceria com proprietários interessados em preservação e recomposição da fauna local.

A discussão sobre o direcionamento destas espécies capturadas no comércio ilegal para o repovoamento das ‘Florestas vazias’ é uma muito discutida entre os meios acadêmico e administrativo no Brasil, porém a burocracia e as duvidas procedurais quanto à soltura dos animais ainda impedem que grande parte volte para as florestas.

Cuidados sanitários, epidemiológicos e científicos devem ser tomados antes da soltura, mas é ainda mais urgente que sejam tomadas decisões concretas antes que seja tarde demais.

O governo precisa fazer o seu papel fortalecendo os CETAS (hoje muitos estão em estado de penúria), as polícias ambientais e os órgãos de fiscalização e ainda apoiando pesquisas epidemiológicas sobre doenças de animais silvestres e também sobre a composição dos próprios ecossistemas, ainda extremamente desconhecidos.

Mas não podemos esquecer que temos uma responsabilidade enorme que é a de conscientizar as pessoas ao nosso redor que o lugar de animais silvestres, mesmo que “bem tratados”, não é em nossas casas como animais de estimação e sim nos seus respectivos ambientes naturais, do qual eles dependem.

A domesticação de animais silvestres (como tartarugas, papagaios, dentre outros) é um perigo para a saúde dos ‘proprietários’, pois trazem consigo muitas doenças e têm comportamento naturalmente selvagem, podendo os machucar. A tentativa de sua ‘humanização’ é um stress desnecessário para o animal que deveria estar a quilômetros da cidade, cumprindo seu papel ecológico.

“Temos que incentivar o avistamento em vida livre, como atividades de Birdwatching (Observação de Aves), silvestre não é pet, a diversão humana não pode ser às custas dos animais”, ressaltou Vincent.

A remoção de animais silvestres dos seus ambientes é um problema sério e silencioso, pois muitos de nós têm a falta idéia ao ver áreas verdes que a biodiversidade está por todos os lados como há 500 anos. Mas a cada dia, filhotes são tirados das mães, comprados, e quando se percebe as dificuldades de criar um animal destes, ele é abandonado em CETAS e as florestas… ficam cada vez mais vazias.

Durante o AVISTAR 2011 diversos temas foram discutidos e apresentados norteando a relação entre as aves e os ecossistemas naturais no Brasil e no Mundo, mostrando sua importância como bioindicadoras e subsidiando à conservação ambiental através do conhecimento de seus hábitos, e dessa forma sensibilizando muitas pessoas a protegerem os biomas brasileiros, tão ameaçados.

Fonte: Mater Natura


8 de março de 2011 | nenhum comentário »

ONG tenta devolver papagaios ao habitat natural

Os 68 papagaios-verdadeiros abrigados em Juquitiba (72 km a sudoeste de SP) não conhecem sua mata natal. Eles foram retirados com poucos dias de vida dos ninhos em que nasceram, em setembro de 2006, em Mato Grosso do Sul. Fruto da ação de traficantes de animais.

A volta desses bichos para o local em que nasceram, consequência de uma operação inédita em todo o país, conduzida por uma ONG (Organização Não-Governamental), deve ocorrer em meados deste ano.
O que falta são recursos financeiros para o transporte.

“Poucas operações como essa ocorreram até agora no país. Pouca gente sabe o que ocorre depois das notícias de grandes apreensões”, diz Marcelo Rocha, presidente da SOS Fauna.

As cenas a seguir são fortes. Os 68 papagaios (Amazona aestiva) que sobreviveram estavam ao lado de outros 124 filhotinhos. Deste grupo, cinco morreram depois que estavam sendo cuidados pela equipe da ONG. Dos demais, distribuídos para alguns criadores com anuência do Ibama, não se têm mais notícias.
“Eles devem ter morrido”, afirma Rocha.

A um custo de R$ 1 por dia com cada papagaio -a conta, portanto, passa dos R$ 100 mil- uma verdadeira operação de guerra precisou ser montada para que esses bichos pudessem, quem sabe, voltar para casa.
De acordo com Rocha, várias instituições e pessoas físicas já ajudaram durante esse tempo. Ele diz ter recebido exclusivamente dinheiro privado. “As esferas de Estado nunca nos ajudaram.”

Retorno – Ainda no final de 2006, os 68 papagaios que continuavam vivos estavam com saúde, voando em viveiros no interior de São Paulo. Após, inclusive, a realização de estudos genéticos com os animais, que ajudaram a precisar de onde eles vieram, começou a se desenhar a operação de retorno.

“Eles serão recolocados na região de Nova Andradina, na propriedade de um fazendeiro que está sensibilizado pelo trabalho”, diz a bióloga Juliana Ferreira, que também está colaborando com a organização ambientalista paulista. “Durante todos estes anos, um dos trabalhos feitos foi o de ensinar eles a obterem alimento sozinhos.”

Tráfico intenso – Ao contrário do que pode parecer, a soltura dos bichos em Mato Grosso do Sul não é um momento que deve ser exaltado, dizem os ambientalistas. “É importante, claro, essa volta, mas esses papagaios nunca deveriam ter sido retirados dos locais onde eles estavam vivendo”, diz. Para Rocha, muito mais do que os papagaios, quem ganha é a biodiversidade do país. “Existe uma série de relações ecológicas que podem estar sendo perdidas sem esses animais na mata. Nem sabemos precisar quantas.”

Os 192 papagaios apreendidos, em 2006, na rodovia Castello Branco, pela polícia, são apenas uma pequena mostra do que é retirado das florestas de todo o país, estima Rocha. “Apenas 10% dos animais traficados são apreendidos. Se este número está na casa dos 700 por ano, só em São Paulo, mais de 6.000 animais devem entrar de forma ilegal na região metropolitana de São Paulo, o grande polo consumidor nacional.

Quando ocorrer, a volta dos papagaios para a mata é voluntária. Um grande viveiro é montado na mata, para uma ambientação. Depois ele é aberto e quem se sentir seguro para voar, voa.

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Fonte: Eduardo Geraque/ Folha.com


6 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Bióloga afirma: é ingenuidade reviver animais que nós extinguimos

A reintrodução de espécies extintas (ou praticamente extintas) em determinadas regiões foi comum no ano de 2010. Foi o caso do castor, desaparecido da Grã-Bretanha por 400 anos e visto novamente após reintrodução em uma floresta da Escócia. Também o lince ibérico (quase extinto em Portugal e na Espanha, país que tenta reintroduzir animais criados em cativeiro), o crocodilo siamês (Vietnã) e as chitas, que estavam desaparecidas na Índia, ganharam projetos similares. No caso da última espécie, o esquema de reintrodução sofreu críticas de especialistas que afirmam que, sem reintroduzir também as presas naturais das chitas, que foram erradicadas da Índia assim como o felino, a espécie não irá se proliferar no local.

Na opinião da bióloga Ellen Augusta Valer de Freitas, processos de reintrodução envolvem “variáveis imprevisíveis”. “É pretensão ou ingenuidade humana querer trazer de volta espécies extintas naturalmente ou que ele mesmo ajudou a extinguir, sem um estudo das consequências dessa reintrodução”, diz Ellen, que aponta algumas particularidades a serem observadas. “Animais extintos da natureza e que hoje só existem em zoológicos e centros de proteção podem ser reintroduzidos. Mas com os ambientes desequilibrados a tarefa se torna difícil. A reintrodução deve levar em consideração as condições ecológicas de um ambiente e as interações desta espécie com as espécies atuais”, explicou.

Ela esclarece que, quando uma espécie ou subespécie extinta há séculos, ou até milênios, é reintroduzida, o ecossistema pode sofrer. “A variabilidade genética deve ser levada em conta. Animais são extintos justamente por problemas genéticos causados pela redução significativa de sua espécie, ou por problemas ambientais locais, globais ou de acordo com a época em que viveu o animal em questão”, disse. Ellen cita o panda da China como exemplo. “Embora exista em zoológicos, ele tem imensas dificuldades de reprodução e pequena variabilidade genética, o que causa doenças, dificuldades de reprodução e consequentemente a extinção. Pode-se dizer que animais como este, na prática, já estão extintos”.

Associada à limitação genética também está a mudança dos ecossistemas, que coloca um grande ponto de interrogação nas formas de preservação, teoricamente beneficiadas por avanços da ciência, como a clonagem. “Se a clonagem pode trazer à vida um animal como o lobo da Tasmânia (foto), a pergunta é se isso é benéfico para o animal em si e para o ecossistema em que ele viverá. Animais extintos há muito tempo viveram em ambientes distintos do atual. Eles tiveram interações com outros seres, alimentando-se de outros animais, plantas, etc., que hoje podem não existir mais”, alerta a bióloga.

Ellen também lembra que a clonagem não prevê a variabilidade genética, tida como o combustível da evolução e da adaptação. “Existem clones naturais, mas toda introdução feita através do ser humano pode sim causar desequilíbrio no ecossistema que possui auto-organização. Clones podem existir, mas isso implica em responsabilidades éticas”.

Para Freitas, o Brasil tem a tendência de reintroduzir animais mais “carismáticos” como aves e mamíferos. “As espécies que podem ser alvo desse trabalho são peixes, plantas, anfíbios e outras menos conhecidas da população, mas com importância ecológica. No Rio Grande do Sul o número de anfíbios em processo de extinção é alarmante. Há muitos trabalhos publicados, mas poucos projetos efetivos”.

Mesmo assim, histórias bem sucedidas de reintrodução existem. Através de projetos de preservação, animais como a ararinha azul (Cyanopsitta spixii) e o gavião real (Harpia harpyja), praticamente extintos no Rio Grande do Sul, ainda podem ser encontrados na Amazônia.

Outro exemplo de inciativa de sucesso é a do Instituto Baleia Jubarte (Megaptera novaeangliae), também chamada baleia corcunda ou preta. Conhecida por seu temperamento dócil e acrobacias, a espécie só saiu da lista de animais ameaçados em 2008, e atualmente conta com 50 mil exemplares vivendo nos oceanos. No Atlântico Sul Ocidental, a sua principal área de reprodução é o Banco dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia. De julho a novembro, estas baleias procuram as águas quentes para acasalar e dar à luz a um único filhote, que nasce após aproximadamente 11 meses de gestação.

Quem permanece na lista é a Baleia franca (Balaena mysticetus

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), segunda espécie de baleia mais ameaçada de extinção no planeta. Enfrentando dificuldades como a sobrepesca, a caça e a falta de educação ambiental, especialistas criaram uma Unidade de Conservação em Imbituba, no litoral de Santa Catarina. O Projeto Baleia Franca visa à conservação da espécie por meio de atividades de educação ambiental e observação dos animais quando eles se aproximam do litoral, nos meses de inverno.

Já o peixe-boi é o mamífero aquático mais ameaçado de extinção no País. Duas variações são encontradas no Brasil: o Peixe-boi-marinho (Trichechus manatus) e o Peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis). No passado, podiam ser vistos em toda a costa, do Espírito Santo ao Amapá. Hoje, aparecem apenas no Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, tendo desaparecido no Espírito Santo, Bahia e Sergipe.

Em setembro de 2007, pesquisadores de Manaus organizaram a primeira reintrodução de peixe-boi amazônico em água doce. Zelando pela conservação do peixe-boi marinho está o Centro de Mamíferos Aquáticos em Itamaracá, na região metropolitana do Recife. Conhecido pelo seu trabalho de conservação, a instituição comemora 30 anos de atividades e, juntamente com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), reintroduziu 4 peixes-boi à natureza no ano de 2010.


22 de agosto de 2009 | nenhum comentário »

Após 12 anos em cativeiro, harpia retorna à liberdade

Harpia com aparelho que permite o monitoramento via satélite

Harpia com aparelho que permite o monitoramento via satélite

Na última terça-feira (18), por volta das 13h, retornou a seu habitat a 1ª harpia do mundo a ser reintroduzida na natureza, após viver 12 anos em cativeiro, em um recinto construído especialmente para ela, na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Estação Veracel, em Porto Seguro (BA).

Batizada como Pakâyhierú* (pássaro livre), a ave encontrou a liberdade cerca de seis minutos depois que a caixa onde era transportada foi aberta. “Estou feliz porque ela alçou vôo”, disse, emocionado, Alexandro Ribeiro Dias, da Equilíbrio Proteção Florestal, empresa parceira no Projeto Harpia na Mata Atlântica. Dias teve o privilégio de abrir a caixa. Durante seis anos, ele foi o único responsável pelo trato e alimentação da harpia.

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A ave se tornou a segunda harpia adulta a ser monitorada via satélite no Brasil. O equipamento foi instalado no último dia 16 pelo pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe, José Eduardo Mantovani. Para avaliar o impacto do aparelho sobre a ave, há um ano foi instalado um protótipo com peso igual ao do equipamento que  está sendo utilizando.

De acordo com a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa Amazônica – Inpa e coordenadora do Projeto Harpia na Mata Atlântica, Tânia Sanaiotti, o protótipo foi instalado para a ave se adaptar ao peso do equipamento (cerca de 125 gramas) e para avaliar possíveis danos. “A mochila que carrega o rádio-transmissor não causou danos à ave. Isso nunca tinha sido avaliado por outro pesquisador no mundo”, comemorou Sanaiotti.

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No domingo (16), Sanaiotti uniu-se aos pesquisadores da SOS Falconiformes, Eduardo Pio Mendes de Carvalho Filho, e da Associação Brasileira de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina – ABFPar, Jorge Lisboa, e, também, ao tratador da ave, Alexandro Ribeiro Dias, todos parceiros no Projeto Harpia na Mata Atlântica, para fazer a última avaliação da ave antes da soltura. A harpia, uma fêmea da espécie, foi pesada e medida, apresentando 2,05 metros de envergadura de asa.

A ave foi reintroduzida em uma Área de Alto Valor de Conservação, próxima ao Parque Nacional do Pau-Brasil, um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica do extremo sul da Bahia. Nos próximos 15 dias, a harpia será monitorada em campo para que seja avaliada sua adaptação à vida livre.

De acordo com Sanaiotti, a área foi escolhida levando-se em consideração que se trata de uma área de mata nativa, com 85% de floresta ombrófila densa em estágio avançado de regeneração, contígua ao parque e a cerca de dois quilômetros de distância da fazenda onde a ave foi resgatada em 1997.

A harpia foi encontrada pelos proprietários da Fazenda Lembrança e da Fazenda Itaipé,  que a entregaram ao Ibama. Os fiscais levaram a ave para a Estação Veracel, onde, desde 2004, ela é objeto de estudos e esforços de uma equipe de pesquisadores para reintegrá-la à natureza. Esse trabalho recebeu o nome de Projeto Harpia na Mata Atlântica.

A decisão pela soltura foi tomada em 2004, quando a pesquisadora Tânia Sanaiotti, que já desenvolvia o Projeto Gavião-Real, na Amazônia, foi convidada a avaliar a harpia, que era mantida em cativeiro. “Avaliei que se tratava de uma ave já adulta no momento da captura, que já tinha aprendido a sobreviver sozinha nas matas. Com certeza, ela não perdeu esse instinto selvagem”, disse a pesquisadora.

Além de todo o trabalho desenvolvido para a reabilitação da harpia em seu habitat, o Projeto Harpia na Mata Atlântica fez a avaliação das matas existentes na região, para ter a garantia de que a ave encontraria as condições necessárias para a sua sobrevivência. O registro da existência de outras harpias de vida livre nas áreas monitoradas foi primordial para a decisão da soltura.

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O Projeto Harpia na Mata Atlântica é financiado pela Veracel Celulose S.A. e desenvolvido de forma integrada pelos pesquisadores do Inpa, Inpe, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, Ibama, ABFPar, SOS Falconiformes, Crax e RPPN Estação Veracel.

*Pakâyhierú significa “pássaro livre” em patxohã, língua oficial da comunidade indígena Pataxó. Esse é o nome da primeira harpia a ser devolvida à natureza depois de 12 anos em cativeiro, escolhido pelo aluno David dos Santos, da Escola Indígena Pataxó de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália/BA. De Daniel Conceição Bonfim, aluno da Escola Rural Santo Antônio, em Imbiruçu de Dentro (Porto Seguro, BA), veio o slogan “Natureza viva!”. Ambos participaram do trabalho de educação ambiental realizado com suas comunidades, para que conhecessem essa espécie e contribuíssem para sua preservação. (Fonte: Ibama)

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22 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Harpia que vive em cativeiro pode voltar à natureza a qualquer momento

Harpia do Zoológico de Curitiba - PR

Harpia do Zoológico de Curitiba - PR

Danielle Jordan / AmbienteBrasil

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A harpia, ou gavião-real, vive em um cativeiro na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, entre os municípios de Santa Cruz Cabrália e Porto Seguro.  A ave foi resgatada por fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e desde 1997 vive em um ambiente construído especialmente para ela na RPPN.

Desde 2004 um projeto de readaptação está sendo desenvolvido para que o animal retorne a natureza. A soltura da Harpia poderá ocorrer na Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN Estação Veracel ou Parque Nacional-PARNA Pau-Brasil. “Os estudos de levantamento de aves de rapina indicam que o PARNA Pau-Brasil é o local mais adequado”, explica o pesquisador da ONG SOS Falconiformes, Gustavo Carvalho.

Assim que chegou à reserva o animal recebeu cuidados para tratar lesões e se fortalecer. Todos os meses Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), SOS Falconiformes e Associação Brasileira de Falcoaria e Preservação de Aves de Rapina (ABFPAR), acompanham  a evolução da ave.

Os resultados obtidos em cativeiro tem sido positivos, de acordo com o pesquisador, e o animal deve ser solto em junho.

Durante três anos a ave será acompanhada por satélite por meio de um transmissor microwave PTT monitorado pelo satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Nacionais (INPE). “Além disso, através de um transmissor VHF os pesquisadores poderão realizar um acompanhamento em campo do animal”, explica o pesquisador.

Caso de sucesso

Em maio de 2008 uma fêmea subadulta da mesma espécie foi encaminhada pelo IBAMA ao projeto. Depois de avaliada a condição do animal foi solta no Parque Nacional do Pau-Brasil e está sendo monitorada via satélite e em campo, via rádio VHF.


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