5 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Projeto de santuário para baleias no Atlântico Sul é rejeitado em reunião

Proposta apoiada pelo Brasil precisava de 75% dos votos, mas teve 65%.
Intenção era criar área livre de exploração entre a América do Sul e África.

Baleia jubarte nada próximo ao litoral (Foto: Divulgação/ IBJ)

Baleia jubarte nada próximo ao litoral brasileiro. Intenção de santuário é proteger mamíferos aquáticos que vivem entre a América do Sul e a África (Foto: Divulgação/ IBJ)

A proposta de se criar um santuário para baleias no Atlântico Sul, entre a América do Sul e a África, foi rejeitada durante votação realizada nesta segunda-feira (2) pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), em reunião anual realizada no Panamá, de acordo com a agência de notícias France Presse.

Segundo Milko Schvartzman, responsável pela América Latina na área de oceanos na organização ambiental Greenpeace, a proposta de criação do santuário “havia acabado de ser votada e não foi aprovada”. Na plenária, 38 países se pronunciaram a favor e 21 governos foram contrários. O apoio favorável foi de 65%, mas a porcentagem necessária para criar a área de proteção era de 75%.

O assunto era um dos principais temas em debate no encontro, que termina nesta semana. O projeto de criar um santuário de proteção às baleias no Atlântico Sul é liderado pelo Brasil e pela Argentina desde 2000.

Além de assumir uma postura conservacionista – após ter permitido a caça em suas águas até 1985 -, o governo brasileiro percebeu que o turismo de observação é um negócio muito mais rentável e gerador de emprego do que a morte do animal.

Contribuição científica
De acordo com Vanessa Tossenberger, da organização ambiental Sociedade para a Conservação das Baleias e Golfinhos (WDCS, na sigla em inglês), os santuários “ajudam a desenvolver pesquisas científicas e a apoiar manejos sustentáveis, evitando danos à população marinha”.

Há mais de uma década existem impasses entre países que apoiam a exploração de baleias e governos conservacionistas. Conforme votação realizada nesta segunda, os conservacionistas até tiveram a maioria, mas não têm conseguido superar a barreira criada por Japão, Noruega, Islândia e Rússia, acusados, inclusive, de comprar votos de países neutros.

Na reunião do ano passado, o Japão liderou o bloco de nações que se recusaram a submeter o projeto à votação. Os delegados japoneses, seguidos pelos islandeses e por vários países africanos e caribenhos, abandonaram a sala de negociação quando o presidente propôs a votação da iniciativa.

 

Fonte: Globo Natureza com informações da France Presse


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Novaenergia transformará plástico em óleo

Se tudo der certo, o lixo plástico, que leva dezenas de anos para se decompor quando jogado em aterros, está perto de ter um fim, ou melhor, um recomeço.

A Wastech, empresa baiana especializada em tratamento de resíduos, está criando uma nova companhia, chamada Novaenergia, que atuará na transformação de lixo plástico em petróleo. A RJCP Equity, empresa de investimento em capital de risco, será sócia minoritária no projeto.

 

A Novaenergia está em fase de captação de recursos e pretende ter a primeira unidade funcionando até o fim de 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões. No total, o plano da companhia é ter 20 fábricas no país no prazo de cinco anos, o que exigirá investimento total de R$ 540 milhões. Desse montante, R$ 54 milhões serão na forma de capital, R$ 105 milhões em dívida (incluindo linhas de Finame do BNDES e crédito do fornecedor) e R$ 381 milhões em geração de caixa.

 

Ao fim dos cinco anos, a previsão é de que as 20 unidades tenham uma capacidade anual de produção 224 mil m3 de petróleo leve (com mais de 44 graus API), equivalente a 1,4 milhão de barris. O petróleo produzido será refinado e vendido em forma de nafta, óleo combustível e diesel.

 

A primeira fábrica ficará em Salvador e será capaz de processar 450 toneladas de lixo por dia, o que equivale a um sexto do total de resíduos gerados hoje diariamente na cidade. Desse montante de lixo, a empresa vai usar somente 36 toneladas de plástico considerados difíceis de reciclar, como sacolas e filmes. Materiais como PET, PVC e sucata metálica serão vendidos e o lixo orgânico aterrado.

 

Para cada 36 toneladas diárias de lixo plástico que entrarem de um lado da máquina, sairão 30 mil litros de óleo leve do outro. A tecnologia de transformação de plástico em petróleo foi desenvolvida por uma empresa americana chamada Agilyx, que já faz o processo comercialmente há um ano. Recentemente, a empresa dos EUA recebeu aporte de US$ 22 milhões do fundo Kleiner Perkins Caufield & Byers, que investiu em empresas como Amazon e Google; da Waste Management, uma das maiores empresas americanas de tratamento de resíduos; e também da divisão de capital de risco da petroleira francesa Total.

 

De acordo com Luciano Coimbra, presidente e controlador da Wastech e da Novaenergia, os projetos ambientais, via de regra, dão retorno financeiro muito baixo. “Não é o nosso caso. O projeto tem alto impacto ambiental e terá altíssima rentabilidade.” A Wastech, que trabalha há 27 anos com tratamento de resíduos industriais perigosos, começou há cerca de quatro anos a desenvolver o projeto da Novaenergia. Depois de pesquisar diversas tecnologias, Coimbra conheceu a Agilyx, com quem firmou, no início de 2010, um contrato de exclusividade para exploração da tecnologia no Brasil.

 

Engenheiro químico, Coimbra diz que o processo de transformação do plástico em petróleo é algo que está nos livros, mas que para tornar isso comercial é preciso saber alguns macetes. Em vez de pagar royalties sobre a produção, a Novaenergia vai remunerar a companhia americana a cada fábrica construída.

 

Coimbra diz que já tem acordo com a concessionária responsável pelo aterro de Salvador. Nesse tipo de modelo, previsto para cidades grandes, a concessionária poderá ser sócia da fábrica de transformação de plástico em petróleo – com intervalo de 30% a 70% do capital – e terá que investir no projeto. Para a prefeitura, será destinado de 2% a 3% do óleo produzido.

 

Outra possibilidade, pensada para cidades médias, é atuar também como concessionária e processar todos os resíduos. Um terceiro modelo estaria ligado ao plástico recolhido pelas fabricantes de produtos industrializados que precisarem montar estruturas de logística reversa, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Fonte: Valor Econômico


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reciclagem abre porta para mercado rentável em Barreiras, Bahia

População inova com a criação de produtos reciclados.
Vassouras, mesas e cadeiras estão entre os materiais mais produzidos.

A arte de transformar lixo em utensílios domésticos está atraindo muita gente no município de Barreiras, interior baiano.

Além de ter um papel fundamental na proteção ao meio ambiente, diminuindo o descarte de plástico, por exemplo, a reciclagem abre porta para um mercado muito rentável.

A oficina de Tonivaldo Ferreira funciona no quintal de casa. Para fazer cada vassoura que tem como material prima a garrafa pet, são gastos em média 40 minutos de produção. Por dia são produzidas de 20 a 25 unidades. Ele começou a fabricar vassouras há quatro anos e há um ano e meio se tornou microempresário. Para conseguir a matéria prima de sua produção, ele recebe garrafas doadas.

“Nós trabalhávamos muito com o náilon e com a piaçava, só que gastávamos bastante, então veio à ideia. Como é um material resistente, enquanto uma vassoura tradicional dura em média três ou quatro meses, a vassoura de garrafa pet dura em média dois ou três anos”, diz o microempresário.

Se José aprendeu a técnica com o filho Tonivaldo. No início ele não acreditava muito no negócio, mas com a aceitação do produto ele viu que dava certo. Hoje em dia ele está satisfeito com o resultado do trabalho e fica feliz em contribuir com o meio ambiente.

Sobre a produção com garrafas pet, seu José Marinho explica. “Achei que não tinha futuro, mas depois quando eu vi que o comércio estava aceitando bem eu me senti obrigado a enfrentar isso”.

Programa Colmeia

No galpão do ‘programa Colmeia’, retalhos de madeira, garrafas pet, cascas de coco, palha de milho e papel, viram cadeiras, mesas e muitas caixas e sacolas. Para o programa, a reciclagem também dá lucro. Hoje em dia o programa vende seus produtos em três lojas da cidade.
A consultora do projeto explica. “As pessoas que usufruem do projeto já tem participação da metade do que eles produzem. Eles podem levar para suas casas, vender. Eles podem dar o destino que cada um quer para o produto”.

Marco trabalhava em uma marcenaria e é daí, a habilidade com a madeira. Ele faz parte do ‘Colmeia’ e já é monitor. “Comecei a passar o que eu já tinha aprendido, mas eu quero aprender muito mais”, diz.

Maycon produz caixas com palha de milho. Ele tem 13 anos e conheceu o programa através da mãe. Essa foi uma alternativa de ter o que fazer no tempo em que não está estudando. O adolescente não quer parar por aí. “Quero aprender a mexer com bijuterias, couro e marcenaria”, diz o garoto.

Para quem separa os resíduos recicláveis e não sabe para onde destinar os materiais, o programa Colmeia tem a solução. “Nós vamos às casas das pessoas para pegar os materiais. Madeira, sobra de construções, forros de casa, móveis que estão sendo descartados. Tudo isso é reaproveitado dentro da oficina”.

Fonte: Do G1 Bahia, com informações da TV Oeste.


25 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Estabilidade atrai investidor externo para plantio de florestas

Grau de investimento despertou interesse de fundos insatisfeitos com rentabilidade baixa em outros mercados

Paulo Justus escreve para “O Estado de SP”:

O investimento estrangeiro em florestas sempre foi tímido no Brasil. Nos anos 1990, uma ou outra iniciativa de capital de risco chegou a apostar no manejo florestal sustentável na Amazônia. Mas, nos últimos anos, o País começou a atrair aportes de grandes fundos florestais interessados em investimentos de longo prazo.

Esses investidores querem distância da Amazônia e do risco que a região oferece. Passaram a investir em florestas plantadas principalmente depois da conquista da maior estabilidade econômica do Brasil nos últimos anos, apesar de já conhecerem o grande potencial do País em termos de produtividade.

“Após o investment grade, se abriu um leque para os fundos americanos que antes, por estatuto, não poderiam investir aqui”, diz John Forgach, presidente do Fundo Equator, que investe em projetos ambientais.

A nova tendência começou a se desenhar a partir de 2001, quando a Global Forest Partners (GFP) iniciou o investimento no Brasil com a compra de 60 mil hectares de pinus no Paraná. “Esse é até hoje um dos maiores maciços florestais sob propriedade de um fundo no Brasil”, diz o economista da consultoria florestal Consufor, Ederson Almeida.

Em 2002, foi a vez da Hancock Timber Resource Group, outra gigante norte-americana, vir para o País. De 2005 a 2008, outros oito fundos internacionais fizeram o mesmo caminho. De acordo com levantamento da Consufor, eles investiram R$ 2 bilhões no Brasil até o ano passado. O número ainda é tímido, se comparado ao que elas têm investido em outros países.

Neste ano, a única negociação conhecida foi a compra de 10 mil hectares, em Mato Grosso, pela Phaunos Timber Fund Limited. O investimento total no projeto deve chegar a US$ 150 milhões. Até o fim de abril, o fundo havia desembolsado US$ 47,5 milhões.

O interesse internacional despertou a atenção de fundos brasileiros. A Claritas Investimentos lançou em janeiro o fundo Floresta Brasil, de R$ 101 milhões, de olho num cenário de juros em queda.

A expectativa é que, com a queda da taxa básica de juros no Brasil, os fundos florestais se tornem uma alternativa para os fundos de pensão e grandes investidores do País. “As nossas projeções de taxa de retorno vão de 10% a 20%, significativamente superiores à Selic (taxa básica de juros)” diz o gestor do fundo, Marcelo Sales.

Esses fundos captam recursos para aplicação em ativos florestais. O financiamento geralmente se encaixa na estratégia de baixo risco de fundos familiares ou formados por doações a universidades, da Europa e dos Estados Unidos. São projetos de longo prazo porque os ciclos de maturação das florestas são longos.

No Brasil, o setor tem sido puxado por causa da queda da rentabilidade das florestas nos países em que os fundos já estão presentes. Segundo Forgach, o Brasil apresenta um retorno maior e possui terras disponíveis para a expansão. “O Brasil está sendo promovido a vácuo, por falta de opções no mundo”, diz.

O investimento ainda encontra alguns problemas, como a burocracia para abrir novas empresas no País. Isso porque os aportes precisam ser feitos por uma empresa ou um fundo de investimento em participações estabelecido no Brasil.

“A demora de pelo menos uns dois meses para se abrir uma empresa – o que, para um estrangeiro, é o fim do mundo -, demonstra que ainda estamos atrasados”, diz o advogado especialista em investimento florestal Aldo de Cresci.

Mas, uma vez estabelecida a empresa, o gerenciamento dos investimentos fica fácil. Cresci elogia o sistema de fluxo de capital brasileiro. “Tem uma dificuldade burocrática para iniciar, mas depois o retorno funciona muito bem.”

Fundos querem fornecer madeira para fabricantes de papel e celulose

As maiores proprietárias de florestas no Brasil receberam um grande choque no ano passado, com a eclosão da crise financeira. As empresas do setor de papel e celulose tiveram perdas bilionárias, o que trouxe oportunidades de aquisições de parte dessas florestas por fundos de investimentos.

A intenção dos fundos é passar a fornecer madeira para as fabricantes de papel e celulose, algo que era mais difícil de ocorrer no passado, quando as empresas estavam capitalizadas.

“Estamos num momento em que vários desses grandes consumidores procuram um contrato de suprimento de longo prazo. Essa junção não havia ocorrido até agora”, diz o diretor da gestora de florestas Brazil Timber, Henrique Aretz.

movie the next three days

De acordo com John Forgach, presidente do Fundo Quator, de investimentos em projetos ambientais, algumas empresas do setor venderam de 2% a 7% de seus ativos florestais como forma de se capitalizar para enfrentar a crise.

Para o diretor de investimento da gestora florestal RMS, Fábio Brun, apareceram mais oportunidades. “Comprar de uma Aracruz era impossível, agora eles já estão dispostos a discutir. A realização do negócio é outra história”, diz.

Potencialidade

As fabricantes de papel e celulose possuem 1,7 milhão de hectares de florestas plantadas no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

As indústrias estrangeiras do setor também são fortemente atraídas pelo desempenho das florestas brasileiras. “Há muita obsolescência nesse setor e é claro que esses países vão buscar os polos de maior produtividade”, comenta a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes.

Exemplo dessa mudança na indústria da Europa para o continente sul-americano é o investimento que a finlandesa Stora Enso anunciou no Uruguai, no início da semana passada. A empresa adquiriu 130 mil hectares de floresta plantada em parceria com a chilena Arauco.

O presidente da Stora Enso na América Latina, Otávio Pontes, diz que o Brasil é o país com maior potencialidade de produção na América Latina. “Existe uma contínua evolução na produtividade brasileira, graças a evolução da adaptação de espécies e da pesquisa no setor.”

Apesar das investidas, o especialista em papel e celulose da consultoria Korn Ferry, Jay Millen, diz que as empresas do setor não devem abrir mão das florestas, um de seus principais ativos. “No fim do dia, os valores estão nos recursos palpáveis, na terra e nas árvores.”
(O Estado de SP, 25/5)






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Projeto de santuário para baleias no Atlântico Sul é rejeitado em reunião

Proposta apoiada pelo Brasil precisava de 75% dos votos, mas teve 65%.
Intenção era criar área livre de exploração entre a América do Sul e África.

Baleia jubarte nada próximo ao litoral (Foto: Divulgação/ IBJ)

Baleia jubarte nada próximo ao litoral brasileiro. Intenção de santuário é proteger mamíferos aquáticos que vivem entre a América do Sul e a África (Foto: Divulgação/ IBJ)

A proposta de se criar um santuário para baleias no Atlântico Sul, entre a América do Sul e a África, foi rejeitada durante votação realizada nesta segunda-feira (2) pela Comissão Baleeira Internacional (CBI), em reunião anual realizada no Panamá, de acordo com a agência de notícias France Presse.

Segundo Milko Schvartzman, responsável pela América Latina na área de oceanos na organização ambiental Greenpeace, a proposta de criação do santuário “havia acabado de ser votada e não foi aprovada”. Na plenária, 38 países se pronunciaram a favor e 21 governos foram contrários. O apoio favorável foi de 65%, mas a porcentagem necessária para criar a área de proteção era de 75%.

O assunto era um dos principais temas em debate no encontro, que termina nesta semana. O projeto de criar um santuário de proteção às baleias no Atlântico Sul é liderado pelo Brasil e pela Argentina desde 2000.

Além de assumir uma postura conservacionista – após ter permitido a caça em suas águas até 1985 -, o governo brasileiro percebeu que o turismo de observação é um negócio muito mais rentável e gerador de emprego do que a morte do animal.

Contribuição científica
De acordo com Vanessa Tossenberger, da organização ambiental Sociedade para a Conservação das Baleias e Golfinhos (WDCS, na sigla em inglês), os santuários “ajudam a desenvolver pesquisas científicas e a apoiar manejos sustentáveis, evitando danos à população marinha”.

Há mais de uma década existem impasses entre países que apoiam a exploração de baleias e governos conservacionistas. Conforme votação realizada nesta segunda, os conservacionistas até tiveram a maioria, mas não têm conseguido superar a barreira criada por Japão, Noruega, Islândia e Rússia, acusados, inclusive, de comprar votos de países neutros.

Na reunião do ano passado, o Japão liderou o bloco de nações que se recusaram a submeter o projeto à votação. Os delegados japoneses, seguidos pelos islandeses e por vários países africanos e caribenhos, abandonaram a sala de negociação quando o presidente propôs a votação da iniciativa.

 

Fonte: Globo Natureza com informações da France Presse


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Novaenergia transformará plástico em óleo

Se tudo der certo, o lixo plástico, que leva dezenas de anos para se decompor quando jogado em aterros, está perto de ter um fim, ou melhor, um recomeço.

A Wastech, empresa baiana especializada em tratamento de resíduos, está criando uma nova companhia, chamada Novaenergia, que atuará na transformação de lixo plástico em petróleo. A RJCP Equity, empresa de investimento em capital de risco, será sócia minoritária no projeto.

 

A Novaenergia está em fase de captação de recursos e pretende ter a primeira unidade funcionando até o fim de 2012. O investimento inicial será de R$ 25 milhões a R$ 30 milhões. No total, o plano da companhia é ter 20 fábricas no país no prazo de cinco anos, o que exigirá investimento total de R$ 540 milhões. Desse montante, R$ 54 milhões serão na forma de capital, R$ 105 milhões em dívida (incluindo linhas de Finame do BNDES e crédito do fornecedor) e R$ 381 milhões em geração de caixa.

 

Ao fim dos cinco anos, a previsão é de que as 20 unidades tenham uma capacidade anual de produção 224 mil m3 de petróleo leve (com mais de 44 graus API), equivalente a 1,4 milhão de barris. O petróleo produzido será refinado e vendido em forma de nafta, óleo combustível e diesel.

 

A primeira fábrica ficará em Salvador e será capaz de processar 450 toneladas de lixo por dia, o que equivale a um sexto do total de resíduos gerados hoje diariamente na cidade. Desse montante de lixo, a empresa vai usar somente 36 toneladas de plástico considerados difíceis de reciclar, como sacolas e filmes. Materiais como PET, PVC e sucata metálica serão vendidos e o lixo orgânico aterrado.

 

Para cada 36 toneladas diárias de lixo plástico que entrarem de um lado da máquina, sairão 30 mil litros de óleo leve do outro. A tecnologia de transformação de plástico em petróleo foi desenvolvida por uma empresa americana chamada Agilyx, que já faz o processo comercialmente há um ano. Recentemente, a empresa dos EUA recebeu aporte de US$ 22 milhões do fundo Kleiner Perkins Caufield & Byers, que investiu em empresas como Amazon e Google; da Waste Management, uma das maiores empresas americanas de tratamento de resíduos; e também da divisão de capital de risco da petroleira francesa Total.

 

De acordo com Luciano Coimbra, presidente e controlador da Wastech e da Novaenergia, os projetos ambientais, via de regra, dão retorno financeiro muito baixo. “Não é o nosso caso. O projeto tem alto impacto ambiental e terá altíssima rentabilidade.” A Wastech, que trabalha há 27 anos com tratamento de resíduos industriais perigosos, começou há cerca de quatro anos a desenvolver o projeto da Novaenergia. Depois de pesquisar diversas tecnologias, Coimbra conheceu a Agilyx, com quem firmou, no início de 2010, um contrato de exclusividade para exploração da tecnologia no Brasil.

 

Engenheiro químico, Coimbra diz que o processo de transformação do plástico em petróleo é algo que está nos livros, mas que para tornar isso comercial é preciso saber alguns macetes. Em vez de pagar royalties sobre a produção, a Novaenergia vai remunerar a companhia americana a cada fábrica construída.

 

Coimbra diz que já tem acordo com a concessionária responsável pelo aterro de Salvador. Nesse tipo de modelo, previsto para cidades grandes, a concessionária poderá ser sócia da fábrica de transformação de plástico em petróleo – com intervalo de 30% a 70% do capital – e terá que investir no projeto. Para a prefeitura, será destinado de 2% a 3% do óleo produzido.

 

Outra possibilidade, pensada para cidades médias, é atuar também como concessionária e processar todos os resíduos. Um terceiro modelo estaria ligado ao plástico recolhido pelas fabricantes de produtos industrializados que precisarem montar estruturas de logística reversa, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Fonte: Valor Econômico


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Reciclagem abre porta para mercado rentável em Barreiras, Bahia

População inova com a criação de produtos reciclados.
Vassouras, mesas e cadeiras estão entre os materiais mais produzidos.

A arte de transformar lixo em utensílios domésticos está atraindo muita gente no município de Barreiras, interior baiano.

Além de ter um papel fundamental na proteção ao meio ambiente, diminuindo o descarte de plástico, por exemplo, a reciclagem abre porta para um mercado muito rentável.

A oficina de Tonivaldo Ferreira funciona no quintal de casa. Para fazer cada vassoura que tem como material prima a garrafa pet, são gastos em média 40 minutos de produção. Por dia são produzidas de 20 a 25 unidades. Ele começou a fabricar vassouras há quatro anos e há um ano e meio se tornou microempresário. Para conseguir a matéria prima de sua produção, ele recebe garrafas doadas.

“Nós trabalhávamos muito com o náilon e com a piaçava, só que gastávamos bastante, então veio à ideia. Como é um material resistente, enquanto uma vassoura tradicional dura em média três ou quatro meses, a vassoura de garrafa pet dura em média dois ou três anos”, diz o microempresário.

Se José aprendeu a técnica com o filho Tonivaldo. No início ele não acreditava muito no negócio, mas com a aceitação do produto ele viu que dava certo. Hoje em dia ele está satisfeito com o resultado do trabalho e fica feliz em contribuir com o meio ambiente.

Sobre a produção com garrafas pet, seu José Marinho explica. “Achei que não tinha futuro, mas depois quando eu vi que o comércio estava aceitando bem eu me senti obrigado a enfrentar isso”.

Programa Colmeia

No galpão do ‘programa Colmeia’, retalhos de madeira, garrafas pet, cascas de coco, palha de milho e papel, viram cadeiras, mesas e muitas caixas e sacolas. Para o programa, a reciclagem também dá lucro. Hoje em dia o programa vende seus produtos em três lojas da cidade.
A consultora do projeto explica. “As pessoas que usufruem do projeto já tem participação da metade do que eles produzem. Eles podem levar para suas casas, vender. Eles podem dar o destino que cada um quer para o produto”.

Marco trabalhava em uma marcenaria e é daí, a habilidade com a madeira. Ele faz parte do ‘Colmeia’ e já é monitor. “Comecei a passar o que eu já tinha aprendido, mas eu quero aprender muito mais”, diz.

Maycon produz caixas com palha de milho. Ele tem 13 anos e conheceu o programa através da mãe. Essa foi uma alternativa de ter o que fazer no tempo em que não está estudando. O adolescente não quer parar por aí. “Quero aprender a mexer com bijuterias, couro e marcenaria”, diz o garoto.

Para quem separa os resíduos recicláveis e não sabe para onde destinar os materiais, o programa Colmeia tem a solução. “Nós vamos às casas das pessoas para pegar os materiais. Madeira, sobra de construções, forros de casa, móveis que estão sendo descartados. Tudo isso é reaproveitado dentro da oficina”.

Fonte: Do G1 Bahia, com informações da TV Oeste.


25 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Estabilidade atrai investidor externo para plantio de florestas

Grau de investimento despertou interesse de fundos insatisfeitos com rentabilidade baixa em outros mercados

Paulo Justus escreve para “O Estado de SP”:

O investimento estrangeiro em florestas sempre foi tímido no Brasil. Nos anos 1990, uma ou outra iniciativa de capital de risco chegou a apostar no manejo florestal sustentável na Amazônia. Mas, nos últimos anos, o País começou a atrair aportes de grandes fundos florestais interessados em investimentos de longo prazo.

Esses investidores querem distância da Amazônia e do risco que a região oferece. Passaram a investir em florestas plantadas principalmente depois da conquista da maior estabilidade econômica do Brasil nos últimos anos, apesar de já conhecerem o grande potencial do País em termos de produtividade.

“Após o investment grade, se abriu um leque para os fundos americanos que antes, por estatuto, não poderiam investir aqui”, diz John Forgach, presidente do Fundo Equator, que investe em projetos ambientais.

A nova tendência começou a se desenhar a partir de 2001, quando a Global Forest Partners (GFP) iniciou o investimento no Brasil com a compra de 60 mil hectares de pinus no Paraná. “Esse é até hoje um dos maiores maciços florestais sob propriedade de um fundo no Brasil”, diz o economista da consultoria florestal Consufor, Ederson Almeida.

Em 2002, foi a vez da Hancock Timber Resource Group, outra gigante norte-americana, vir para o País. De 2005 a 2008, outros oito fundos internacionais fizeram o mesmo caminho. De acordo com levantamento da Consufor, eles investiram R$ 2 bilhões no Brasil até o ano passado. O número ainda é tímido, se comparado ao que elas têm investido em outros países.

Neste ano, a única negociação conhecida foi a compra de 10 mil hectares, em Mato Grosso, pela Phaunos Timber Fund Limited. O investimento total no projeto deve chegar a US$ 150 milhões. Até o fim de abril, o fundo havia desembolsado US$ 47,5 milhões.

O interesse internacional despertou a atenção de fundos brasileiros. A Claritas Investimentos lançou em janeiro o fundo Floresta Brasil, de R$ 101 milhões, de olho num cenário de juros em queda.

A expectativa é que, com a queda da taxa básica de juros no Brasil, os fundos florestais se tornem uma alternativa para os fundos de pensão e grandes investidores do País. “As nossas projeções de taxa de retorno vão de 10% a 20%, significativamente superiores à Selic (taxa básica de juros)” diz o gestor do fundo, Marcelo Sales.

Esses fundos captam recursos para aplicação em ativos florestais. O financiamento geralmente se encaixa na estratégia de baixo risco de fundos familiares ou formados por doações a universidades, da Europa e dos Estados Unidos. São projetos de longo prazo porque os ciclos de maturação das florestas são longos.

No Brasil, o setor tem sido puxado por causa da queda da rentabilidade das florestas nos países em que os fundos já estão presentes. Segundo Forgach, o Brasil apresenta um retorno maior e possui terras disponíveis para a expansão. “O Brasil está sendo promovido a vácuo, por falta de opções no mundo”, diz.

O investimento ainda encontra alguns problemas, como a burocracia para abrir novas empresas no País. Isso porque os aportes precisam ser feitos por uma empresa ou um fundo de investimento em participações estabelecido no Brasil.

“A demora de pelo menos uns dois meses para se abrir uma empresa – o que, para um estrangeiro, é o fim do mundo -, demonstra que ainda estamos atrasados”, diz o advogado especialista em investimento florestal Aldo de Cresci.

Mas, uma vez estabelecida a empresa, o gerenciamento dos investimentos fica fácil. Cresci elogia o sistema de fluxo de capital brasileiro. “Tem uma dificuldade burocrática para iniciar, mas depois o retorno funciona muito bem.”

Fundos querem fornecer madeira para fabricantes de papel e celulose

As maiores proprietárias de florestas no Brasil receberam um grande choque no ano passado, com a eclosão da crise financeira. As empresas do setor de papel e celulose tiveram perdas bilionárias, o que trouxe oportunidades de aquisições de parte dessas florestas por fundos de investimentos.

A intenção dos fundos é passar a fornecer madeira para as fabricantes de papel e celulose, algo que era mais difícil de ocorrer no passado, quando as empresas estavam capitalizadas.

“Estamos num momento em que vários desses grandes consumidores procuram um contrato de suprimento de longo prazo. Essa junção não havia ocorrido até agora”, diz o diretor da gestora de florestas Brazil Timber, Henrique Aretz.

movie the next three days

De acordo com John Forgach, presidente do Fundo Quator, de investimentos em projetos ambientais, algumas empresas do setor venderam de 2% a 7% de seus ativos florestais como forma de se capitalizar para enfrentar a crise.

Para o diretor de investimento da gestora florestal RMS, Fábio Brun, apareceram mais oportunidades. “Comprar de uma Aracruz era impossível, agora eles já estão dispostos a discutir. A realização do negócio é outra história”, diz.

Potencialidade

As fabricantes de papel e celulose possuem 1,7 milhão de hectares de florestas plantadas no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

As indústrias estrangeiras do setor também são fortemente atraídas pelo desempenho das florestas brasileiras. “Há muita obsolescência nesse setor e é claro que esses países vão buscar os polos de maior produtividade”, comenta a presidente da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes.

Exemplo dessa mudança na indústria da Europa para o continente sul-americano é o investimento que a finlandesa Stora Enso anunciou no Uruguai, no início da semana passada. A empresa adquiriu 130 mil hectares de floresta plantada em parceria com a chilena Arauco.

O presidente da Stora Enso na América Latina, Otávio Pontes, diz que o Brasil é o país com maior potencialidade de produção na América Latina. “Existe uma contínua evolução na produtividade brasileira, graças a evolução da adaptação de espécies e da pesquisa no setor.”

Apesar das investidas, o especialista em papel e celulose da consultoria Korn Ferry, Jay Millen, diz que as empresas do setor não devem abrir mão das florestas, um de seus principais ativos. “No fim do dia, os valores estão nos recursos palpáveis, na terra e nas árvores.”
(O Estado de SP, 25/5)