21 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa mostra que alemães fazem menos que dizem por meio ambiente

O tema meio ambiente permanece como um dos mais atuais na Alemanha. Para os cidadãos do país, a preservação da natureza e a garantia das bases da vida aparecem na lista dos tópicos políticos mais importantes, logo após as políticas de mercado de trabalho e econômica.

Esse é o resultado de um estudo realizado pela Agência Federal de Meio Ambiente da Alemanha, que a cada dois anos investiga o grau da consciência ambiental dos alemães. E a pesquisa feita recentemente mostrou que os alemães se dizem mais conscientes do que, de fato, são.

Marianne Schumann, de 55 anos, tem um comportamento que se aplica a muitos alemães. Na companhia do marido e do gato, ela mora em Berlim e diz ter consciência ambiental, ser cuidadosa e não considerar trabalhoso o fato de estar atenta ao meio ambiente em seu cotidiano. Os Schumann compram pouca carne, observam se os legumes e as frutas receberam pesticidas e usam com frequência o sistema público de transporte.

No entanto, Marianne também precisa admitir que nem tudo é tão perfeito quanto parece. “Nós separamos o lixo, mas não da mesma maneira como fazíamos há alguns anos. Nós separamos o papel e as garrafas, mas depois que eu vi uma reportagem na TV que dizia que o lixo separado, posteriormente, de algum jeito, volta a se misturar, nós não seguimos as regras de separação tão à risca como antigamente.”

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De 2008 para cá – Jochen Flasbarth, presidente da agência ambiental alemã, considera que o estudo mostra que há uma grande consciência ambiental entre os alemães – no entanto, existe também uma considerável diferença entre a pretensão e a realidade.

Por exemplo, 85% dos entrevistados concordam com a afirmação: “Nós precisamos de uma transição consistente para fontes de energia renováveis.” No entanto, a porcentagem de consumidores desse tipo de energia aumentou de apenas 3% para 8% entre 2008 e 2010.

Apenas 25% dos participantes da pesquisa consideram atraente o conceito do car-sharing, ou seja, dividir o carro. E 34% dos alemães compram alimentos orgânicos – em 2008, esse índice era de 43%.

“Esse é um resultado conhecido que vem da economia política, quando se trata de bens públicos, a vontade de prestar uma contribuição individual é menor quando essa contribuição provoca, nos olhos do agente, efeito menor em comparação com uma ação coletiva. Ou seja, quando eu estou numa rodovia e sou o único a dirigir a 100 km/h, porque me preocupo com o meio ambiente, e todos os outros me ultrapassam, então a disposição de fazer algo pela sociedade diminui”, exemplifica Flasbarth.

É preciso fazer mais – Os cidadãos alemães gostam de enxergar, nos outros, a necessidade de ação. É o que dizem 62% dos entrevistados: o governo não faz o suficiente em prol do meio ambiente. Em relação à indústria, 90% dos entrevistados têm a mesma opinião.

“Por exemplo, 85% acham que a indústria automobilística poderia fazer mais pelo meio ambiente e proteção climática, por meio de uma produção de veículos de menor impacto ambiental. E 82% dos alemães querem que a política faça mais pressão sobre a economia para que haja maior contribuição para o meio ambiente e proteção climática. E 75% dos entrevistados aguardam leis mais severas e diminuição de subsídios que prejudicam o meio ambiente”, esclarece Jochen Flasbarth.

Além disso, cada vez mais cidadãos gostariam que a Alemanha assumisse um papel pioneiro na proteção internacional do clima. A berlinense Marianne Schumann, por exemplo, espera que a política dê mais exemplos: enquanto os políticos permanecerem circulando pelo mundo, apesar dos celulares e telefones com vídeo, ela também não irá abrir mão de suas viagens de longa distância.

(Fonte: Folha.com)


27 de junho de 2009 | nenhum comentário »

Preservação já dá dinheiro a agricultores de três cidades

Benefício é concedido a produtor que mantém mananciais

Bettina Barros escreve para o “Valor Econômico”:

Produtores rurais de três municípios brasileiros já estão sendo pagos para manter vivas e saudáveis o que é considerado hoje um ativo tão precioso quanto rebanhos de gado e lavouras agrícolas: as suas nascentes de água.

Um grupo de 147 propriedades aderiu a essa iniciativa inédita no país – o conceito de pagamento por serviços ambientais, que recompensa financeiramente aqueles que preservarem matas estratégicas para a conservação da água.

Entre 2008 e 2009, proprietários rurais de Extrema (MG), Rio Claro (RJ) e Alfredo Chaves (ES) colocaram no bolso quantias mensais ou semestrais que variam de R$ 300 a R$ 3 mil, graças aos benefícios ecológicos por eles prestados.

Projetos similares despontam em Joanópolis e Nazaré Paulista (SP), São Paulo, Camboriú (SC), Apucarana (PR) e no Distrito Federal. A expectativa é de que, no futuro próximo, surja um novo profissional no agronegócio brasileiro: o “produtor de água”, premiado por uma commodity à altura de qualquer outra.

A lógica desse negócio parte do fato inequívoco de que é a propriedade rural o maior abastecedor de água para o país, irrigando não só o campo mas as áreas urbanas. Por esse motivo, se as nascentes continuarem a tendência de queda de vazão por práticas agrárias erradas – como já acontece – metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro irão simplesmente secar. Ruim para a agricultura, para a indústria e para o usuário comum (você).

“Só o comando e controle do desmatamento não funciona”, explica Paulo Henrique Pereira, o diretor de Meio Ambiente de Extrema que esboçou os primórdios do projeto “Conservador das Águas”, pontapé que tornou o município o primeiro a realizar o pagamento por serviços ambientais às propriedades mineiras.

Na prática, o projeto paga para que a legislação ambiental seja cumprida. O Código Florestal determina que nascentes, matas ciliares e mananciais sejam Áreas de Preservação Permanente, e que se mantenha 20% da propriedade com cobertura vegetal (Reserva Legal). “Recompensar economicamente foi uma necessidade. Só é possível fazer a reversão da degradação com apoio financeiro aos produtores”, diz Pereira.

Extrema é um município que, como tantos outros, sofre de dualismos: seu PIB é relativamente alto devido à presença de indústrias como Bauducco e Kopenhagen, mas a renda média per capita não chega sequer a dois salários mínimos. Essencialmente rural, o município rico em água acompanha gradativamente a queda de vazão, que colocou em alerta o poder público.

Quatro anos de investigação culminaram em um diagnóstico ambiental que dá a pista da origem do problema: apenas 22% das matas de Extrema estão de pé. O resto da Mata Atlântica desapareceu sob a colcha de pequenas propriedades onde o gado leiteiro predomina. A corrida agora é para saber o tamanho do prejuízo – o balanço hídrico atual da região.

“Vimos que era preciso trabalhar nossos mananciais”, diz Pereira, desde 1994 no cargo. E, assim, o governo local começou a se mexer.

Para dar viabilidade ao projeto, a Prefeitura de Extrema incluiu como prioridade em seu Plano Plurianual de 2005 um orçamento anual de R$ 150 mil para o pagamento pelos serviços ambientais a seus produtores. A decisão foi a base para a criação da lei 2.100/2005, que possibilitou o repasse de dinheiro público ao setor privado.

Com apoio técnico e de suprimentos de parceiros como a organização ambiental The Nature Conservancy (TNC) e o Instituto Estadual Florestal (IEF), Extrema foi dividida em sete sub-bacias do rio Jaguari, que corta a cidade. A ideia foi começar logo pelo mais difícil: restaurar a vegetação da sub-bacia mais degradada, Posses. São 1,3 mil hectares, 109 propriedades. “É uma área bastante fragmentada e com menos de 10% da cobertura vegetal”, diz o engenheiro agrônomo Aurélio Padovezi, da TNC.

A segunda fase do projeto, já iniciada, é na sub-bacia de Salto. Aqui, 13 proprietários já recebem dinheiro do projeto, perfazendo uma área de cerca de 550 hectares.

A lei estabelece pagamentos mensais aos produtores, que assinam um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura. O pagamento é de 100 unidades fiscais (R$ 169) por hectare/ano e é baseado na área da propriedade. Cabe ao produtor abrir mão de atividades agrícolas em áreas de nascentes. E só. O projeto se encarrega de cercar as áreas, plantar mudas e monitorar. “O produtor não gasta nada. Só recebe”, afirma Padovezi.

“No campo, a gente já ganha minoria (sic). Sem apoio, é difícil”, diz Terezinha de Moraes Oliveira, de 56 anos. Ela e o marido, Benedito de Oliveira, 60, vivem das 30 cabeças de gado que dão até 50 litros de leite por dia. Tiram, em média, R$ 500 por mês. Por terem uma nascente na propriedade de 14 hectares, recebem de Extrema R$ 205. Quase metade da renda do casal.

Cobrança de água garante verba no Rio

O translúcido rio Piraí, que margeia o pequeno município de Rio Claro, na serra carioca, segue caudaloso até chegar ao Sistema Guandu, a principal fonte de abastecimento de água da região metropolitana do Rio de Janeiro.

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Piraí contribui com quase 20% da água levada ao sistema e por isso o Comitê da Bacia do Guandu – uma figura criada pela Lei Nacional de Recursos Hídricos, formada por representantes de governo, sociedade civil e usuários – é contemplado com R$ 3 milhões por ano pela cobrança do uso de água.

Ao contrário de Extrema, onde o orçamento municipal paga o produtor de água, é deste comitê que sai o pagamento por serviços ambientais instituído em Rio Claro, em 2008. O programa “Produtores de Água e Floresta” do município recebe, nesta primeira etapa, R$ 40 mil. O restante da verba vai para projetos de saneamento, mais que bem-vindos em um município que tem hoje somente 50% de coleta e zero de tratamento de esgoto.

No primeiro ano do projeto-piloto, 18 propriedades receberam a verba, totalizando pouco mais de R$ 17 mil pagos. Segundo o governo, há outros 28 produtores cadastrados. O potencial de abrangência do projeto, no entanto, é alto: apenas nesta microbacia existem 120 propriedades rurais aptas a participar, em uma área de 5 mil hectares. Na bacia inteira, que abrange mais 14 municípios, o escopo aumenta para mil proprietários em 300 mil hectares de terras.

“Todas as propriedades são georreferenciadas [mapeadas por satélite], o que ajudou a dar credibilidade ao projeto junto ao comitê”, afirma Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da The Nature Conservancy (TNC), parceira da Prefeitura no projeto.

Com uma economia baseada na pecuária leiteira de baixa tecnificação, Rio Claro vê no pagamento por serviços ambientais uma alternativa interessante. O município, afinal, parece não ter muito para onde correr. “Pensar em trazer a indústria para cá, nem pensar. Estamos afastados do principal eixo viário do Estado e nossa topografia não ajuda porque é muito montanhosa. A saída de Rio Claro é essa, ser produtor de água e pecuária”, resume o prefeito Raul Machado.

Com contratos de quatro anos, os produtores rurais recebem parcelas semestrais que, segundo o governo, equivale ao que eles ganhariam caso optassem por arrendar a terra. “Nunca pagamos menos do que eles ganhariam de outra forma”, afirma o biólogo Gilberto Pereira, diretor técnico do Instituto Terra de Preservação Ambiental, outro parceiro de peso da Prefeitura. A Emater/RJ fez os cálculos: R$ 100 por hectare/ano para o arrendamento e R$ 200 por hectare/ano para a venda de leite.

Benedito Leite, 66 anos, e a esposa, Terezinha Leite, de 62, membros da única comunidade quilombola de Rio Claro, receberam R$ 2 mil no início do ano para que o governo cercasse suas nascentes para impedir a entrada do gado. O boi, eles aprenderam, pisoteia os cursos d’água até que se transformem em brejos e sequem.

“A gente não tinha na cabeça a necessidade de proteger a água”, dizem. A poucos quilômetros dali, Braz de Oliveira vê o retorno do projeto com o aumento da água. Uma de suas nascentes foi cercada e o gado, agora, só olha de fora. Um verdadeiro oásis no meio do pasto.

Municípios pioneiros abastecem áreas metropolitanas

Se é importante para a pequena Extrema, de 24 mil habitantes, a água que nasce ali é crucial para São Paulo. Grosso modo, um produtor rural de Extrema abastece cerca de 1.800 paulistanos.

Nada menos que 100% das águas de seu rio Jaguari desembocam no Sistema Cantareira, o maior sistema de abastecimento de água da América do Sul e fonte de 50% da água que chega às 9 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo. “Se Minas Gerais tivesse mar, a água não chegaria até lá. Antes, seria desviada para São Paulo”, alfineta, humorado, Paulo Henrique Pereira, diretor de Meio Ambiente de Extrema.

Com sérios problemas de deficiência hídrica, São Paulo precisa dos 22 metros cúbicos por segundo de vazão média que vêm do Jaguari para atender à sua demanda.

Do mesmo modo, a importância do rio Piraí é vital para a região metropolitana do Rio de Janeiro, que inclui Nova Iguaçu e Niterói, uma mancha urbana de 8 milhões de pessoas. Assim como o Jaguari, o Piraí contribui com quase 20% da água levada ao Sistema Guandu.

“Está tudo pendurado nessas transposições de rios”, explica Décio Tubbs Filho, diretor-geral do Comitê da Bacia Guandu, sediado em Seropédica, no Rio de Janeiro.

A importância do pagamento aos produtores rurais de Extrema e Rio Claro que preservam seus mananciais, portanto, extrapola os limites de seus municípios. “Todos nos beneficiamos com isso”, afirma Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da The Nature Conservancy (TNC).

Sem a manutenção das matas, a absorção da água da chuva nos lençóis subterrâneos é prejudicada, e as chances de erosão aumentam significativamente. E esse problema é especialmente grave no Brasil. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que as taxas de erosão no país estão entre 15 a 20 toneladas por hectare – 9 a 12 toneladas é o recomendado.

Pesa mais para o produtor, que perde área útil, e para o consumidor: o assoreamento leva mais sedimentos aos rios, o que aumenta o custo de tratamento da água.
(Valor Econômico, 25/6)


15 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Poucos adotam 'selo verde' no País

Cada vez mais exigidas das empresas e das administrações públicas na hora de fechar contratos ou parcerias, as certificações ambientais ainda são difíceis de ser reconhecidas pelos consumidores brasileiros. Os poucos produtos disponíveis no mercado com o chamado selo verde não trazem informações sobre sua origem com clareza.

A diretora de estudos e pesquisa do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de São Paulo, Valéria Rodrigues Garcia, defende que esses produtos devem informar sobre o processo que garantiu o reconhecimento da marca. Ela não se lembra de ter recebido, até hoje, nenhuma reclamação de consumidores sobre a qualidade sustentável de um produto. Mas “nada impede alguém de fazer uma denúncia se desconfiar de algum certificado”.

Na opinião de Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a certificação é um instrumento importante na hora da compra, porque ajuda a identificar produtos de menor impacto ambiental. Mesmo assim, é preciso manter a atenção. “O consumidor tem de saber distinguir a autodeclaração da certificação, que envolve uma terceira parte (outra empresa ou certificadora)”, diz ela.

Também é necessário avaliar se o selo certifica um produto ou indica o sistema de gestão de determinada empresa. “Um modelo de gestão sustentável não indica, necessariamente, que o produto comercializado é ambientalmente melhor. Assim como o produto certificado não atesta a gestão sustentável de uma empresa.”

Além disso, alguns setores não têm um sistema padronizado, que ofereça informação confiável ao comprador. “A maioria dos produtos, por exemplo, ainda não informa a melhor forma de descartar a embalagem”, diz Valéria.

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O Idec elaborou o Manual de Consumo Sustentável, adotado em 2005 como material de referência pelo Ministério da Educação para instruir professores sobre consumo e sustentabilidade. Hoje, o documento guia também vendedores e compradores com consciência ecológica. O site da instituição (idec.org.br) disponibiliza o manual para download gratuito.

Para ter ideia do tamanho da demanda por produtos ecologicamente corretos, o Instituto Akatu, que considera o consumidor como agente transformador, realizou em 2006 uma pesquisa com 1.275 pessoas em 11 cidades brasileiras.

Apenas 33% dos entrevistados foram classificados como engajados ou conscientes. “O consciente é o top e entende a questão ambiental inserida no contexto coletivo. Ele compra produtos com certificado, pede nota fiscal e economiza água. O engajado está a caminho do consciente”, diz Dorothy Roma, gerente de pesquisas e métricas do Akatu.

Catálogo Sustentável -  A profissional de relações públicas Thaís Cavicchioli, de 21 anos, é uma das consumidoras conscientes que encontraram na internet uma boa fonte de informação sobre produtos. Antes de fazer uma compra, ela consulta o site Catálogo Sustentável (catalogosustentavel.com.br), desenvolvido pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “No supermercado, é difícil ver se um produto é realmente sustentável”, diz.

No ar desde abril do ano passado, o site conta hoje com cerca de 560 itens cadastrados, entre produtos e serviços. Todos precisam passar por uma avaliação para entrar na lista. “Não consideramos nenhum selo verde que não tenha critérios objetivos”, afirma Luciana Stocco Betiol, coordenadora do Programa de Consumo Sustentável da fundação.

Normatização – Até o próximo ano também deve ser publicado outro indicador de sustentabilidade. A Organização Internacional para Padronização (ISO, na sigla em inglês) promoverá um encontro na semana que vem, no Canadá, para produzir a versão semifinal do ISO 26.000.

Entre as normas da instituição, esta será a mais sustentável até hoje, porque pretende criar padrões de responsabilidade social. “O tema é complexo. Vai de direitos humanos a governança corporativa, de meio ambiente ao direito do consumidor”, diz Aron Belinky, um dos redatores principais do documento, que vai servir como uma guia de diretrizes para melhorar sistemas de gestão, e não um certificado. (Fonte: Lucas Frasão/ Estadão Online)


14 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Consumidores estão dando mais atenção ao meio ambiente

Os consumidores do planeta estão prestando mais atenção ao impacto de seu estilo de vida sobre o meio ambiente, uma mudança de comportamento estimulada pela crise econômica, que obrigou a população a revisar seus gastos com energia, indica uma ampla pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13).

A revista National Geographic e o instituto de pesquisa Globescan realizaram pelo segundo ano consecutivo uma pesquisa, feita através da internet com 17.000 consumidores de 17 países, para avaliar o comportamento das pessoas em quatro áreas: moradia, transporte, alimentação e bens de consumo.

Índia, Brasil e China apresentaram as melhores pontuações no estudo, que criou um índice global batizado de “Greendex” (“Índice Verde”, em uma tradução livre).

Americanos e canadenses representam o alerta vermelho da classificação em termos de impacto de seu estilo de vida e de consumo sobre o meio ambiente, enquanto espanhóis, alemães e franceses estão progredindo. Na Rússia e no México, a situação se deteriorou em relação aos resultados do ano passado.

A recessão econômica teve um papel importante para a mudança de hábito na maioria dos países, observaram os autores do estudo.

“Mas será que essas mudanças positivas no comportamento continuarão depois da recuperação econômica?”, indagou Terry Garcia, vice-presidente da National Geographic. “Esperamos que as atitudes ecológicas que os consumidores adotaram para economizar passem a fazer parte de seu estilo de vida”.

Ao todo, 80% das pessoas entrevistadas apontou a necessidade de uma redução de custos como principal razão para diminuir o consumo de energia.

A pesquisa consultou um milhão de pessoas na Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Japão, México, Rússia e Suécia. (Fonte: Yahoo!)

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1 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Pegada hídrica promete ser próxima onda verde

Depois da pegada de carbono e com as crescentes preocupações com a escassez dos recursos naturais, selos que informam quanto de água foi consumido na produção de mercadorias devem ser a próxima tendência nos negóciosa9_imagem

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de dióxido de carbono (CO2) na sua produção – conhecida como pegada de carbono – já é adotada por diversos fabricantes europeus, como a rede de supermercados britânica Tesco. Agora surgem os selos com dados sobre o consumo de água, ou simplesmente a pegada hídrica. E a primeira empresa a imprimi-los nas embalagens é uma indústria de cereais da Finlândia, chamada Raisio.

Desde a última semana, o cereal Elovena, feito com aveia, ganhou um selo que indica quanto de água foi utilizada na cadeia de produção – do crescimento dos grãos no campo a produção e descarte. Para fabricar 100 gramas do produto foram necessários 101 litros, a maior parte para o cultivo da aveia.

Devido às condições climáticas da Finlândia, onde é alto o volume de chuvas, a empresa afirma que não é necessária a utilização de irrigação e a água é utilizada como parte do seu ciclo natural. Além disso, segundo a Raisio, não há descarte de água, uma vez que os flocos de aveia são feitos por vaporização.

Como base de comparação, uma xícara de café precisa de 140 litros de água, enquanto que um quilo de carne utiliza inacreditáveis 16 mil litros de água para chegar na geladeira dos açougues.

A Raisio afirma ser a “primeira do mundo a adicionar etiquetas H2O nas embalagens de produtos”. Para chegar ao consumo, a empresa desenvolveu um modelo próprio para fazer os cálculos, o qual utilizou dados sobre a evaporação da água do Instituto Meteorológico da Finlândia. 

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Apesar de ser considerada louvável a atitude da empresa finlandesa, grupos de pesquisadores que trabalham no desenvolvimento de uma metodologia para a pegada hídrica alertam que ainda é necessário melhorias para garantir que o consumidor possa comparar as informações de produto para produto, uma vez que não existe uma ferramenta de cálculo internacional.

“Apesar de ser excelente ver esta empresa agindo de forma proativa em busca de transparência e de mostrar suas preocupações com a água, nós precisamos garantir que existam padrões consistentes internacionalmente”, afirmou ao blog Green Inc. a porta-voz da The Nature Conservancy, Cristina Mestre.

Ela destaca ainda que exibir a pegada hídrica não basta, uma vez que ela não mede a sustentabilidade do processo de captura da água.

Uma rede de empresas, ongs, governos e as Nações Unidas, chamada Water Footprint Network (Rede Pegada da Água), foi criada justamente com o intuito de criar tal ferramenta.

Uma pesquisa feita pela rede sobre o fluxo de água virtual (aquela utilizada para a produção de bens e alimentos) entre os anos de 1997 e 2001 mostra que os maiores exportadores de água em produtos agrícolas e industriais são Estados Unidos, Canadá, França, Austrália, China, Alemanha e Brasil. Já entre os maiores importadores estão novamente os Estados Unidos e a Alemanha, mas também Japão, Itália, França e Holanda.

Segundo a publicação “Globalization of water: Sharing the planet”s freshwater resources”, a pegada hídrica média anual per capita é 1243 metros cúbicos (m3), a de um brasileiro, 1381 m3 e a de um norte-americano, 2483 m3.

No site da Rede, criado pela Universidade de Twente, da Holanda, é possível conferir a pegada hídrica de diferentes produtos, incluindo alimentos, roupas e bens eletrônicos. Ele inclui tanto a água utilizada no processo de fabricação quanto no transporte dos produtos.

As empresas interessadas em mapear o uso de água e medir os riscos relativos às operações globais e à cadeia de suprimentos podem utilizar a ferramenta Global Water Tool, criada pelo Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). 
Autor: Paula Scheidt   –   Fonte: CarbonoBrasil

Padrões de cálculo

 

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12 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Bancos privados assumem compromisso com a sustentabilidade ambiental

Linhas de financiamento só serão liberadas para empresas empenhadas em desenvolver políticas socioambientais. Protocolo de intenções entre Ministério do Meio Ambiente e instituição financeira foi assinado nesta terça-feira

Empresas e empreendimentos brasileiros que dependem de financiamento bancário para suas atividades econômicas, terão, a partir de agora, que comprovar que estão empenhadas em desenvolver políticas socioambientais. Isto significa respeito aos direitos humanos e trabalhistas, preservação da biodiversidade, valorização da diversidade das culturas locais, redução da pobreza e da desigualdade na distribuição de renda.

A exigência está contida no Protocolo de Intenções assinado nesta terça-feira (7) entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fábio Colletti Barbosa. Presente à cerimônia de assinatura, o representante do banco Itaú/Unibanco, Ricardo Terenci.

O documento, chamado de Protocolo de Intenções Socioambientais, é composto por mais 10 princípios e diretrizes dos já contidos no Protocolo Verde. A adesão dos bancos privados ao pacto socioambiental amplia para sete o número de pactos multissetoriais assinados no último ano entre o MMA e setores produtivos com a intenção de promover a proteção ao meio ambiente. Entre eles, o pacto com os bancos públicos que suspenderam a liberação de crédito para empreendimentos insustentáveis.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considerou o fato de os bancos incorporarem, formalmente, o critério socioambiental em seus empréstimos como um “sinal dos tempos histórico”. Ele explicou que há cerca de 20 anos quem lutava pelo meio ambiente, como ele, jamais poderia imaginar estar assinando um protocolo para defesa do meio ambiente com bancos, que tinham imagem de só pensarem no lucro. “É um sinal dos tempos que precisa ser comemorado”, disse. De acordo com Minc é uma luta que ganhou a adesão de um dos setores mais poderosos de nossa economia.

O presidente da Febraban afirmou estar convicto de que meio ambiente e desenvolvimento não são excludentes. Segundo ele, a sociedade vem clamando por atitudes como a estabelecida no protocolo. Fábio Barbosa disse estar ciente da importância da participação dos bancos na conservação das recursos naturais, em função da grande rede de relacionamento que estas instituições mantêm com toda a sociedade.

“Com este pacto, todos saem ganhando. Em nossas análises de crédito damos grande importância aos empreendimentos que poluem menos e emitem menos gás carbônico”, disse. Barbosa explicou que os bancos não irão simplesmente descartar os clientes, mas ajudá-los a readaptar seus negócios transformando-se em iniciativas sustentáveis. Ele lembrou que outros bancos privados já vêm apoiando projetos socioambientais há algum tempo.

Entre as cláusulas do protocolo de responsabilidade socioambiental, o gerente do Departamento de Economia do MMA, Shigeo Shiki, destacou o oferecimento de linhas de financiamento e programas que fomentem o uso sustentável do meio ambiente; a consideração dos impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco de projetos e a questão da transparência, criando indicadores para a disponibilização de informações sobre o processo.

O primeiro acordo assinado entre o governo federal e a cadeia produtiva para proteção e conservação dos recursos naturais foi com o setor da soja para a não comercialização da mercadoria oriunda de áreas desflorestadas dentro do bioma amazônico. O segundo, pela madeira sustentável. Os empresários também se comprometeram a comercializar apenas produtos que, em seus processos de fabricação, garantam o cumprimento de direitos sociais e preservação dos recursos naturais. Outros pactos foram firmados com os setores da mineração e exportadores de carne.
(Assessoria de Comunicação do MMA)

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10 de março de 2009 | nenhum comentário »

Usina de Itaipu adere ao Pacto Global da ONU

O Pacto Global proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) é um acordo internacional que mobiliza a sociedade empresarial para a promoção dos direitos humanos, sustentabilidade e trabalho. As administrações brasileiras e paraguaias participaram do processo que contemplou as duas partes.          

De acordo com a coordenadora de responsabilidade socioambiental da Itaipu Binacional – margem brasileira, Heloisa Covolan, a usina sempre atuou dentro desses princípios. “A adesão ao pacto representa dar transparência ao comprometimento que a empresa já tem de responsabilidade social e ambiental”, diz.

Em 2003 o conceito ambiental foi ampliado para além dos municípios banhados pela represa e a atuação se expandiu para toda a bacia.  Alguns projetos se destacam na área de meio ambiente, segundo a coordenadora, como o estímulo à agricultura familiar e orgânica, sustentabilidade de comunidades indígenas, preservação do canal da piracema, destinação e monitoramento da água do reservatório para consumo humano.

“A empresa participa diretamente de políticas públicas nos dois países e usa a força institucional para reforçar esse apoio à sociedade”, completa. Covolan destaca que, também, desde 2003, a empresa divulga os relatórios de sustentabilidade utilizando padrões internacionais.

O Pacto Global da ONU foi idealizado pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, em 1999. Seis mil e seiscentas empresas participam do acordo no mundo todo, 288 delas no Brasil.
  
Saiba quais são os dez princípios do Pacto Global:

1. Respeitar e proteger os direitos humanos;
2. Impedir violações de direitos humanos;
3. Apoiar a liberdade de associação no trabalho;
4. Abolir o trabalho forçado;
5. Abolir o trabalho infantil;
6. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho;
7. Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;
8. Promover a responsabilidade ambiental;
9. Encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.
10. Combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.

Fonte: Danielle Jordan / AmbienteBrasil






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21 de dezembro de 2010 | nenhum comentário »

Pesquisa mostra que alemães fazem menos que dizem por meio ambiente

O tema meio ambiente permanece como um dos mais atuais na Alemanha. Para os cidadãos do país, a preservação da natureza e a garantia das bases da vida aparecem na lista dos tópicos políticos mais importantes, logo após as políticas de mercado de trabalho e econômica.

Esse é o resultado de um estudo realizado pela Agência Federal de Meio Ambiente da Alemanha, que a cada dois anos investiga o grau da consciência ambiental dos alemães. E a pesquisa feita recentemente mostrou que os alemães se dizem mais conscientes do que, de fato, são.

Marianne Schumann, de 55 anos, tem um comportamento que se aplica a muitos alemães. Na companhia do marido e do gato, ela mora em Berlim e diz ter consciência ambiental, ser cuidadosa e não considerar trabalhoso o fato de estar atenta ao meio ambiente em seu cotidiano. Os Schumann compram pouca carne, observam se os legumes e as frutas receberam pesticidas e usam com frequência o sistema público de transporte.

No entanto, Marianne também precisa admitir que nem tudo é tão perfeito quanto parece. “Nós separamos o lixo, mas não da mesma maneira como fazíamos há alguns anos. Nós separamos o papel e as garrafas, mas depois que eu vi uma reportagem na TV que dizia que o lixo separado, posteriormente, de algum jeito, volta a se misturar, nós não seguimos as regras de separação tão à risca como antigamente.”

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De 2008 para cá – Jochen Flasbarth, presidente da agência ambiental alemã, considera que o estudo mostra que há uma grande consciência ambiental entre os alemães – no entanto, existe também uma considerável diferença entre a pretensão e a realidade.

Por exemplo, 85% dos entrevistados concordam com a afirmação: “Nós precisamos de uma transição consistente para fontes de energia renováveis.” No entanto, a porcentagem de consumidores desse tipo de energia aumentou de apenas 3% para 8% entre 2008 e 2010.

Apenas 25% dos participantes da pesquisa consideram atraente o conceito do car-sharing, ou seja, dividir o carro. E 34% dos alemães compram alimentos orgânicos – em 2008, esse índice era de 43%.

“Esse é um resultado conhecido que vem da economia política, quando se trata de bens públicos, a vontade de prestar uma contribuição individual é menor quando essa contribuição provoca, nos olhos do agente, efeito menor em comparação com uma ação coletiva. Ou seja, quando eu estou numa rodovia e sou o único a dirigir a 100 km/h, porque me preocupo com o meio ambiente, e todos os outros me ultrapassam, então a disposição de fazer algo pela sociedade diminui”, exemplifica Flasbarth.

É preciso fazer mais – Os cidadãos alemães gostam de enxergar, nos outros, a necessidade de ação. É o que dizem 62% dos entrevistados: o governo não faz o suficiente em prol do meio ambiente. Em relação à indústria, 90% dos entrevistados têm a mesma opinião.

“Por exemplo, 85% acham que a indústria automobilística poderia fazer mais pelo meio ambiente e proteção climática, por meio de uma produção de veículos de menor impacto ambiental. E 82% dos alemães querem que a política faça mais pressão sobre a economia para que haja maior contribuição para o meio ambiente e proteção climática. E 75% dos entrevistados aguardam leis mais severas e diminuição de subsídios que prejudicam o meio ambiente”, esclarece Jochen Flasbarth.

Além disso, cada vez mais cidadãos gostariam que a Alemanha assumisse um papel pioneiro na proteção internacional do clima. A berlinense Marianne Schumann, por exemplo, espera que a política dê mais exemplos: enquanto os políticos permanecerem circulando pelo mundo, apesar dos celulares e telefones com vídeo, ela também não irá abrir mão de suas viagens de longa distância.

(Fonte: Folha.com)


27 de junho de 2009 | nenhum comentário »

Preservação já dá dinheiro a agricultores de três cidades

Benefício é concedido a produtor que mantém mananciais

Bettina Barros escreve para o “Valor Econômico”:

Produtores rurais de três municípios brasileiros já estão sendo pagos para manter vivas e saudáveis o que é considerado hoje um ativo tão precioso quanto rebanhos de gado e lavouras agrícolas: as suas nascentes de água.

Um grupo de 147 propriedades aderiu a essa iniciativa inédita no país – o conceito de pagamento por serviços ambientais, que recompensa financeiramente aqueles que preservarem matas estratégicas para a conservação da água.

Entre 2008 e 2009, proprietários rurais de Extrema (MG), Rio Claro (RJ) e Alfredo Chaves (ES) colocaram no bolso quantias mensais ou semestrais que variam de R$ 300 a R$ 3 mil, graças aos benefícios ecológicos por eles prestados.

Projetos similares despontam em Joanópolis e Nazaré Paulista (SP), São Paulo, Camboriú (SC), Apucarana (PR) e no Distrito Federal. A expectativa é de que, no futuro próximo, surja um novo profissional no agronegócio brasileiro: o “produtor de água”, premiado por uma commodity à altura de qualquer outra.

A lógica desse negócio parte do fato inequívoco de que é a propriedade rural o maior abastecedor de água para o país, irrigando não só o campo mas as áreas urbanas. Por esse motivo, se as nascentes continuarem a tendência de queda de vazão por práticas agrárias erradas – como já acontece – metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro irão simplesmente secar. Ruim para a agricultura, para a indústria e para o usuário comum (você).

“Só o comando e controle do desmatamento não funciona”, explica Paulo Henrique Pereira, o diretor de Meio Ambiente de Extrema que esboçou os primórdios do projeto “Conservador das Águas”, pontapé que tornou o município o primeiro a realizar o pagamento por serviços ambientais às propriedades mineiras.

Na prática, o projeto paga para que a legislação ambiental seja cumprida. O Código Florestal determina que nascentes, matas ciliares e mananciais sejam Áreas de Preservação Permanente, e que se mantenha 20% da propriedade com cobertura vegetal (Reserva Legal). “Recompensar economicamente foi uma necessidade. Só é possível fazer a reversão da degradação com apoio financeiro aos produtores”, diz Pereira.

Extrema é um município que, como tantos outros, sofre de dualismos: seu PIB é relativamente alto devido à presença de indústrias como Bauducco e Kopenhagen, mas a renda média per capita não chega sequer a dois salários mínimos. Essencialmente rural, o município rico em água acompanha gradativamente a queda de vazão, que colocou em alerta o poder público.

Quatro anos de investigação culminaram em um diagnóstico ambiental que dá a pista da origem do problema: apenas 22% das matas de Extrema estão de pé. O resto da Mata Atlântica desapareceu sob a colcha de pequenas propriedades onde o gado leiteiro predomina. A corrida agora é para saber o tamanho do prejuízo – o balanço hídrico atual da região.

“Vimos que era preciso trabalhar nossos mananciais”, diz Pereira, desde 1994 no cargo. E, assim, o governo local começou a se mexer.

Para dar viabilidade ao projeto, a Prefeitura de Extrema incluiu como prioridade em seu Plano Plurianual de 2005 um orçamento anual de R$ 150 mil para o pagamento pelos serviços ambientais a seus produtores. A decisão foi a base para a criação da lei 2.100/2005, que possibilitou o repasse de dinheiro público ao setor privado.

Com apoio técnico e de suprimentos de parceiros como a organização ambiental The Nature Conservancy (TNC) e o Instituto Estadual Florestal (IEF), Extrema foi dividida em sete sub-bacias do rio Jaguari, que corta a cidade. A ideia foi começar logo pelo mais difícil: restaurar a vegetação da sub-bacia mais degradada, Posses. São 1,3 mil hectares, 109 propriedades. “É uma área bastante fragmentada e com menos de 10% da cobertura vegetal”, diz o engenheiro agrônomo Aurélio Padovezi, da TNC.

A segunda fase do projeto, já iniciada, é na sub-bacia de Salto. Aqui, 13 proprietários já recebem dinheiro do projeto, perfazendo uma área de cerca de 550 hectares.

A lei estabelece pagamentos mensais aos produtores, que assinam um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura. O pagamento é de 100 unidades fiscais (R$ 169) por hectare/ano e é baseado na área da propriedade. Cabe ao produtor abrir mão de atividades agrícolas em áreas de nascentes. E só. O projeto se encarrega de cercar as áreas, plantar mudas e monitorar. “O produtor não gasta nada. Só recebe”, afirma Padovezi.

“No campo, a gente já ganha minoria (sic). Sem apoio, é difícil”, diz Terezinha de Moraes Oliveira, de 56 anos. Ela e o marido, Benedito de Oliveira, 60, vivem das 30 cabeças de gado que dão até 50 litros de leite por dia. Tiram, em média, R$ 500 por mês. Por terem uma nascente na propriedade de 14 hectares, recebem de Extrema R$ 205. Quase metade da renda do casal.

Cobrança de água garante verba no Rio

O translúcido rio Piraí, que margeia o pequeno município de Rio Claro, na serra carioca, segue caudaloso até chegar ao Sistema Guandu, a principal fonte de abastecimento de água da região metropolitana do Rio de Janeiro.

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Piraí contribui com quase 20% da água levada ao sistema e por isso o Comitê da Bacia do Guandu – uma figura criada pela Lei Nacional de Recursos Hídricos, formada por representantes de governo, sociedade civil e usuários – é contemplado com R$ 3 milhões por ano pela cobrança do uso de água.

Ao contrário de Extrema, onde o orçamento municipal paga o produtor de água, é deste comitê que sai o pagamento por serviços ambientais instituído em Rio Claro, em 2008. O programa “Produtores de Água e Floresta” do município recebe, nesta primeira etapa, R$ 40 mil. O restante da verba vai para projetos de saneamento, mais que bem-vindos em um município que tem hoje somente 50% de coleta e zero de tratamento de esgoto.

No primeiro ano do projeto-piloto, 18 propriedades receberam a verba, totalizando pouco mais de R$ 17 mil pagos. Segundo o governo, há outros 28 produtores cadastrados. O potencial de abrangência do projeto, no entanto, é alto: apenas nesta microbacia existem 120 propriedades rurais aptas a participar, em uma área de 5 mil hectares. Na bacia inteira, que abrange mais 14 municípios, o escopo aumenta para mil proprietários em 300 mil hectares de terras.

“Todas as propriedades são georreferenciadas [mapeadas por satélite], o que ajudou a dar credibilidade ao projeto junto ao comitê”, afirma Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da The Nature Conservancy (TNC), parceira da Prefeitura no projeto.

Com uma economia baseada na pecuária leiteira de baixa tecnificação, Rio Claro vê no pagamento por serviços ambientais uma alternativa interessante. O município, afinal, parece não ter muito para onde correr. “Pensar em trazer a indústria para cá, nem pensar. Estamos afastados do principal eixo viário do Estado e nossa topografia não ajuda porque é muito montanhosa. A saída de Rio Claro é essa, ser produtor de água e pecuária”, resume o prefeito Raul Machado.

Com contratos de quatro anos, os produtores rurais recebem parcelas semestrais que, segundo o governo, equivale ao que eles ganhariam caso optassem por arrendar a terra. “Nunca pagamos menos do que eles ganhariam de outra forma”, afirma o biólogo Gilberto Pereira, diretor técnico do Instituto Terra de Preservação Ambiental, outro parceiro de peso da Prefeitura. A Emater/RJ fez os cálculos: R$ 100 por hectare/ano para o arrendamento e R$ 200 por hectare/ano para a venda de leite.

Benedito Leite, 66 anos, e a esposa, Terezinha Leite, de 62, membros da única comunidade quilombola de Rio Claro, receberam R$ 2 mil no início do ano para que o governo cercasse suas nascentes para impedir a entrada do gado. O boi, eles aprenderam, pisoteia os cursos d’água até que se transformem em brejos e sequem.

“A gente não tinha na cabeça a necessidade de proteger a água”, dizem. A poucos quilômetros dali, Braz de Oliveira vê o retorno do projeto com o aumento da água. Uma de suas nascentes foi cercada e o gado, agora, só olha de fora. Um verdadeiro oásis no meio do pasto.

Municípios pioneiros abastecem áreas metropolitanas

Se é importante para a pequena Extrema, de 24 mil habitantes, a água que nasce ali é crucial para São Paulo. Grosso modo, um produtor rural de Extrema abastece cerca de 1.800 paulistanos.

Nada menos que 100% das águas de seu rio Jaguari desembocam no Sistema Cantareira, o maior sistema de abastecimento de água da América do Sul e fonte de 50% da água que chega às 9 milhões de pessoas da região metropolitana de São Paulo. “Se Minas Gerais tivesse mar, a água não chegaria até lá. Antes, seria desviada para São Paulo”, alfineta, humorado, Paulo Henrique Pereira, diretor de Meio Ambiente de Extrema.

Com sérios problemas de deficiência hídrica, São Paulo precisa dos 22 metros cúbicos por segundo de vazão média que vêm do Jaguari para atender à sua demanda.

Do mesmo modo, a importância do rio Piraí é vital para a região metropolitana do Rio de Janeiro, que inclui Nova Iguaçu e Niterói, uma mancha urbana de 8 milhões de pessoas. Assim como o Jaguari, o Piraí contribui com quase 20% da água levada ao Sistema Guandu.

“Está tudo pendurado nessas transposições de rios”, explica Décio Tubbs Filho, diretor-geral do Comitê da Bacia Guandu, sediado em Seropédica, no Rio de Janeiro.

A importância do pagamento aos produtores rurais de Extrema e Rio Claro que preservam seus mananciais, portanto, extrapola os limites de seus municípios. “Todos nos beneficiamos com isso”, afirma Fernando Veiga, coordenador de Serviços Ambientais da The Nature Conservancy (TNC).

Sem a manutenção das matas, a absorção da água da chuva nos lençóis subterrâneos é prejudicada, e as chances de erosão aumentam significativamente. E esse problema é especialmente grave no Brasil. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) mostram que as taxas de erosão no país estão entre 15 a 20 toneladas por hectare – 9 a 12 toneladas é o recomendado.

Pesa mais para o produtor, que perde área útil, e para o consumidor: o assoreamento leva mais sedimentos aos rios, o que aumenta o custo de tratamento da água.
(Valor Econômico, 25/6)


15 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Poucos adotam 'selo verde' no País

Cada vez mais exigidas das empresas e das administrações públicas na hora de fechar contratos ou parcerias, as certificações ambientais ainda são difíceis de ser reconhecidas pelos consumidores brasileiros. Os poucos produtos disponíveis no mercado com o chamado selo verde não trazem informações sobre sua origem com clareza.

A diretora de estudos e pesquisa do Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de São Paulo, Valéria Rodrigues Garcia, defende que esses produtos devem informar sobre o processo que garantiu o reconhecimento da marca. Ela não se lembra de ter recebido, até hoje, nenhuma reclamação de consumidores sobre a qualidade sustentável de um produto. Mas “nada impede alguém de fazer uma denúncia se desconfiar de algum certificado”.

Na opinião de Lisa Gunn, coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a certificação é um instrumento importante na hora da compra, porque ajuda a identificar produtos de menor impacto ambiental. Mesmo assim, é preciso manter a atenção. “O consumidor tem de saber distinguir a autodeclaração da certificação, que envolve uma terceira parte (outra empresa ou certificadora)”, diz ela.

Também é necessário avaliar se o selo certifica um produto ou indica o sistema de gestão de determinada empresa. “Um modelo de gestão sustentável não indica, necessariamente, que o produto comercializado é ambientalmente melhor. Assim como o produto certificado não atesta a gestão sustentável de uma empresa.”

Além disso, alguns setores não têm um sistema padronizado, que ofereça informação confiável ao comprador. “A maioria dos produtos, por exemplo, ainda não informa a melhor forma de descartar a embalagem”, diz Valéria.

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O Idec elaborou o Manual de Consumo Sustentável, adotado em 2005 como material de referência pelo Ministério da Educação para instruir professores sobre consumo e sustentabilidade. Hoje, o documento guia também vendedores e compradores com consciência ecológica. O site da instituição (idec.org.br) disponibiliza o manual para download gratuito.

Para ter ideia do tamanho da demanda por produtos ecologicamente corretos, o Instituto Akatu, que considera o consumidor como agente transformador, realizou em 2006 uma pesquisa com 1.275 pessoas em 11 cidades brasileiras.

Apenas 33% dos entrevistados foram classificados como engajados ou conscientes. “O consciente é o top e entende a questão ambiental inserida no contexto coletivo. Ele compra produtos com certificado, pede nota fiscal e economiza água. O engajado está a caminho do consciente”, diz Dorothy Roma, gerente de pesquisas e métricas do Akatu.

Catálogo Sustentável -  A profissional de relações públicas Thaís Cavicchioli, de 21 anos, é uma das consumidoras conscientes que encontraram na internet uma boa fonte de informação sobre produtos. Antes de fazer uma compra, ela consulta o site Catálogo Sustentável (catalogosustentavel.com.br), desenvolvido pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “No supermercado, é difícil ver se um produto é realmente sustentável”, diz.

No ar desde abril do ano passado, o site conta hoje com cerca de 560 itens cadastrados, entre produtos e serviços. Todos precisam passar por uma avaliação para entrar na lista. “Não consideramos nenhum selo verde que não tenha critérios objetivos”, afirma Luciana Stocco Betiol, coordenadora do Programa de Consumo Sustentável da fundação.

Normatização – Até o próximo ano também deve ser publicado outro indicador de sustentabilidade. A Organização Internacional para Padronização (ISO, na sigla em inglês) promoverá um encontro na semana que vem, no Canadá, para produzir a versão semifinal do ISO 26.000.

Entre as normas da instituição, esta será a mais sustentável até hoje, porque pretende criar padrões de responsabilidade social. “O tema é complexo. Vai de direitos humanos a governança corporativa, de meio ambiente ao direito do consumidor”, diz Aron Belinky, um dos redatores principais do documento, que vai servir como uma guia de diretrizes para melhorar sistemas de gestão, e não um certificado. (Fonte: Lucas Frasão/ Estadão Online)


14 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Consumidores estão dando mais atenção ao meio ambiente

Os consumidores do planeta estão prestando mais atenção ao impacto de seu estilo de vida sobre o meio ambiente, uma mudança de comportamento estimulada pela crise econômica, que obrigou a população a revisar seus gastos com energia, indica uma ampla pesquisa divulgada nesta quarta-feira (13).

A revista National Geographic e o instituto de pesquisa Globescan realizaram pelo segundo ano consecutivo uma pesquisa, feita através da internet com 17.000 consumidores de 17 países, para avaliar o comportamento das pessoas em quatro áreas: moradia, transporte, alimentação e bens de consumo.

Índia, Brasil e China apresentaram as melhores pontuações no estudo, que criou um índice global batizado de “Greendex” (“Índice Verde”, em uma tradução livre).

Americanos e canadenses representam o alerta vermelho da classificação em termos de impacto de seu estilo de vida e de consumo sobre o meio ambiente, enquanto espanhóis, alemães e franceses estão progredindo. Na Rússia e no México, a situação se deteriorou em relação aos resultados do ano passado.

A recessão econômica teve um papel importante para a mudança de hábito na maioria dos países, observaram os autores do estudo.

“Mas será que essas mudanças positivas no comportamento continuarão depois da recuperação econômica?”, indagou Terry Garcia, vice-presidente da National Geographic. “Esperamos que as atitudes ecológicas que os consumidores adotaram para economizar passem a fazer parte de seu estilo de vida”.

Ao todo, 80% das pessoas entrevistadas apontou a necessidade de uma redução de custos como principal razão para diminuir o consumo de energia.

A pesquisa consultou um milhão de pessoas na Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Japão, México, Rússia e Suécia. (Fonte: Yahoo!)

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1 de maio de 2009 | nenhum comentário »

Pegada hídrica promete ser próxima onda verde

Depois da pegada de carbono e com as crescentes preocupações com a escassez dos recursos naturais, selos que informam quanto de água foi consumido na produção de mercadorias devem ser a próxima tendência nos negóciosa9_imagem

A utilização de selos em produtos informando quanto foi emitido de dióxido de carbono (CO2) na sua produção – conhecida como pegada de carbono – já é adotada por diversos fabricantes europeus, como a rede de supermercados britânica Tesco. Agora surgem os selos com dados sobre o consumo de água, ou simplesmente a pegada hídrica. E a primeira empresa a imprimi-los nas embalagens é uma indústria de cereais da Finlândia, chamada Raisio.

Desde a última semana, o cereal Elovena, feito com aveia, ganhou um selo que indica quanto de água foi utilizada na cadeia de produção – do crescimento dos grãos no campo a produção e descarte. Para fabricar 100 gramas do produto foram necessários 101 litros, a maior parte para o cultivo da aveia.

Devido às condições climáticas da Finlândia, onde é alto o volume de chuvas, a empresa afirma que não é necessária a utilização de irrigação e a água é utilizada como parte do seu ciclo natural. Além disso, segundo a Raisio, não há descarte de água, uma vez que os flocos de aveia são feitos por vaporização.

Como base de comparação, uma xícara de café precisa de 140 litros de água, enquanto que um quilo de carne utiliza inacreditáveis 16 mil litros de água para chegar na geladeira dos açougues.

A Raisio afirma ser a “primeira do mundo a adicionar etiquetas H2O nas embalagens de produtos”. Para chegar ao consumo, a empresa desenvolveu um modelo próprio para fazer os cálculos, o qual utilizou dados sobre a evaporação da água do Instituto Meteorológico da Finlândia. 

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Apesar de ser considerada louvável a atitude da empresa finlandesa, grupos de pesquisadores que trabalham no desenvolvimento de uma metodologia para a pegada hídrica alertam que ainda é necessário melhorias para garantir que o consumidor possa comparar as informações de produto para produto, uma vez que não existe uma ferramenta de cálculo internacional.

“Apesar de ser excelente ver esta empresa agindo de forma proativa em busca de transparência e de mostrar suas preocupações com a água, nós precisamos garantir que existam padrões consistentes internacionalmente”, afirmou ao blog Green Inc. a porta-voz da The Nature Conservancy, Cristina Mestre.

Ela destaca ainda que exibir a pegada hídrica não basta, uma vez que ela não mede a sustentabilidade do processo de captura da água.

Uma rede de empresas, ongs, governos e as Nações Unidas, chamada Water Footprint Network (Rede Pegada da Água), foi criada justamente com o intuito de criar tal ferramenta.

Uma pesquisa feita pela rede sobre o fluxo de água virtual (aquela utilizada para a produção de bens e alimentos) entre os anos de 1997 e 2001 mostra que os maiores exportadores de água em produtos agrícolas e industriais são Estados Unidos, Canadá, França, Austrália, China, Alemanha e Brasil. Já entre os maiores importadores estão novamente os Estados Unidos e a Alemanha, mas também Japão, Itália, França e Holanda.

Segundo a publicação “Globalization of water: Sharing the planet”s freshwater resources”, a pegada hídrica média anual per capita é 1243 metros cúbicos (m3), a de um brasileiro, 1381 m3 e a de um norte-americano, 2483 m3.

No site da Rede, criado pela Universidade de Twente, da Holanda, é possível conferir a pegada hídrica de diferentes produtos, incluindo alimentos, roupas e bens eletrônicos. Ele inclui tanto a água utilizada no processo de fabricação quanto no transporte dos produtos.

As empresas interessadas em mapear o uso de água e medir os riscos relativos às operações globais e à cadeia de suprimentos podem utilizar a ferramenta Global Water Tool, criada pelo Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). 
Autor: Paula Scheidt   –   Fonte: CarbonoBrasil

Padrões de cálculo

 

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12 de abril de 2009 | nenhum comentário »

Bancos privados assumem compromisso com a sustentabilidade ambiental

Linhas de financiamento só serão liberadas para empresas empenhadas em desenvolver políticas socioambientais. Protocolo de intenções entre Ministério do Meio Ambiente e instituição financeira foi assinado nesta terça-feira

Empresas e empreendimentos brasileiros que dependem de financiamento bancário para suas atividades econômicas, terão, a partir de agora, que comprovar que estão empenhadas em desenvolver políticas socioambientais. Isto significa respeito aos direitos humanos e trabalhistas, preservação da biodiversidade, valorização da diversidade das culturas locais, redução da pobreza e da desigualdade na distribuição de renda.

A exigência está contida no Protocolo de Intenções assinado nesta terça-feira (7) entre o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Fábio Colletti Barbosa. Presente à cerimônia de assinatura, o representante do banco Itaú/Unibanco, Ricardo Terenci.

O documento, chamado de Protocolo de Intenções Socioambientais, é composto por mais 10 princípios e diretrizes dos já contidos no Protocolo Verde. A adesão dos bancos privados ao pacto socioambiental amplia para sete o número de pactos multissetoriais assinados no último ano entre o MMA e setores produtivos com a intenção de promover a proteção ao meio ambiente. Entre eles, o pacto com os bancos públicos que suspenderam a liberação de crédito para empreendimentos insustentáveis.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, considerou o fato de os bancos incorporarem, formalmente, o critério socioambiental em seus empréstimos como um “sinal dos tempos histórico”. Ele explicou que há cerca de 20 anos quem lutava pelo meio ambiente, como ele, jamais poderia imaginar estar assinando um protocolo para defesa do meio ambiente com bancos, que tinham imagem de só pensarem no lucro. “É um sinal dos tempos que precisa ser comemorado”, disse. De acordo com Minc é uma luta que ganhou a adesão de um dos setores mais poderosos de nossa economia.

O presidente da Febraban afirmou estar convicto de que meio ambiente e desenvolvimento não são excludentes. Segundo ele, a sociedade vem clamando por atitudes como a estabelecida no protocolo. Fábio Barbosa disse estar ciente da importância da participação dos bancos na conservação das recursos naturais, em função da grande rede de relacionamento que estas instituições mantêm com toda a sociedade.

“Com este pacto, todos saem ganhando. Em nossas análises de crédito damos grande importância aos empreendimentos que poluem menos e emitem menos gás carbônico”, disse. Barbosa explicou que os bancos não irão simplesmente descartar os clientes, mas ajudá-los a readaptar seus negócios transformando-se em iniciativas sustentáveis. Ele lembrou que outros bancos privados já vêm apoiando projetos socioambientais há algum tempo.

Entre as cláusulas do protocolo de responsabilidade socioambiental, o gerente do Departamento de Economia do MMA, Shigeo Shiki, destacou o oferecimento de linhas de financiamento e programas que fomentem o uso sustentável do meio ambiente; a consideração dos impactos e custos socioambientais na gestão de seus ativos e nas análises de risco de projetos e a questão da transparência, criando indicadores para a disponibilização de informações sobre o processo.

O primeiro acordo assinado entre o governo federal e a cadeia produtiva para proteção e conservação dos recursos naturais foi com o setor da soja para a não comercialização da mercadoria oriunda de áreas desflorestadas dentro do bioma amazônico. O segundo, pela madeira sustentável. Os empresários também se comprometeram a comercializar apenas produtos que, em seus processos de fabricação, garantam o cumprimento de direitos sociais e preservação dos recursos naturais. Outros pactos foram firmados com os setores da mineração e exportadores de carne.
(Assessoria de Comunicação do MMA)

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10 de março de 2009 | nenhum comentário »

Usina de Itaipu adere ao Pacto Global da ONU

O Pacto Global proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) é um acordo internacional que mobiliza a sociedade empresarial para a promoção dos direitos humanos, sustentabilidade e trabalho. As administrações brasileiras e paraguaias participaram do processo que contemplou as duas partes.          

De acordo com a coordenadora de responsabilidade socioambiental da Itaipu Binacional – margem brasileira, Heloisa Covolan, a usina sempre atuou dentro desses princípios. “A adesão ao pacto representa dar transparência ao comprometimento que a empresa já tem de responsabilidade social e ambiental”, diz.

Em 2003 o conceito ambiental foi ampliado para além dos municípios banhados pela represa e a atuação se expandiu para toda a bacia.  Alguns projetos se destacam na área de meio ambiente, segundo a coordenadora, como o estímulo à agricultura familiar e orgânica, sustentabilidade de comunidades indígenas, preservação do canal da piracema, destinação e monitoramento da água do reservatório para consumo humano.

“A empresa participa diretamente de políticas públicas nos dois países e usa a força institucional para reforçar esse apoio à sociedade”, completa. Covolan destaca que, também, desde 2003, a empresa divulga os relatórios de sustentabilidade utilizando padrões internacionais.

O Pacto Global da ONU foi idealizado pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, em 1999. Seis mil e seiscentas empresas participam do acordo no mundo todo, 288 delas no Brasil.
  
Saiba quais são os dez princípios do Pacto Global:

1. Respeitar e proteger os direitos humanos;
2. Impedir violações de direitos humanos;
3. Apoiar a liberdade de associação no trabalho;
4. Abolir o trabalho forçado;
5. Abolir o trabalho infantil;
6. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho;
7. Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;
8. Promover a responsabilidade ambiental;
9. Encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.
10. Combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.

Fonte: Danielle Jordan / AmbienteBrasil