28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Quanto falta para o colapso?

Sistemas vivos passam por transições abruptas. A morte é a mais conhecida. Em um momento estamos vivos, no seguinte, mortos. Mas existem inúmeros exemplos de pontos de transição abruptos. Qual o momento em que a devastação de uma floresta a condena ao desaparecimento? Qual o número mínimo de baleias necessário para a sobrevivência da espécie? Determinar o ponto exato em que essas transições ocorrem e quão longe estamos delas é um problema ainda não resolvido.

Isso é difícil de fazer porque todos os sistemas vivos possuem mecanismos de autorregulação. Imagine que um animal coma cada vez menos; intuitivamente, sabemos que chega um momento em que ele morre. Mas determinar esse momento é difícil porque, à medida que ele come menos, ele também se movimenta menos, diminui seu metabolismo e passa a necessitar de menos alimento. Processos semelhantes tornam difícil prever o tamanho mínimo de uma população de baleias ou o abuso que uma floresta aguenta antes de desaparecer.

Por volta de 1980, foi proposta uma teoria que permite medir a distância entre o estado presente e o ponto de colapso de um sistema biológico. A ideia é que o tempo que um sistema vivo leva para se recuperar de um trauma aumenta à medida que o sistema se aproxima do ponto de colapso. Se você abre uma clareira em uma floresta virgem, ela se fecha rapidamente. À medida que a floresta se aproxima do ponto de colapso, a teoria prevê que o tempo necessário para a clareira fechar aumenta. Você tira o alimento de um animal. Se ele estiver saudável, ao ser alimentado, a recuperação é rápida. Mas, se ele estiver se aproximando do ponto de colapso, o tempo de recuperação aumenta. O mesmo princípio se aplicaria a uma população de baleias ou a um paciente na UTI.

Na prática. O problema é que essa teoria nunca havia sido testada. Agora, um grupo de cientistas demonstrou que ela funciona na prática.

O experimento foi feito com microalgas, e publicado na revista Nature com o título “Ecovery Rates Reflect Distance To a Tipping Point In a Living System”. Esses seres unicelulares necessitam de luz para fazer fotossíntese e produzir seu alimento, mas luz em excesso os mata. Para evitar o excesso de luz, eles crescem todos juntos – assim, um faz sombra para o outro. Regulando a distância entre eles (sua densidade no oceano), regula-se a quantidade de luz que recebem. Os cientistas colocaram essas algas em um recipiente de vidro em condições ideais: muitas algas por litro e uma quantidade de luz fixa.

Estabelecida a condição ótima, os cientistas adicionaram mais líquido ao recipiente, mantendo a mesma quantidade de luz incidente. Inicialmente, as algas, com menos vizinhos para diminuir a incidência de luz, diminuem sua taxa de crescimento, mas rapidamente se dividem de modo a otimizar novamente o sombreamento.

Os cientistas mediram o tempo que o sistema leva para se recuperar. Mas, antes que ele estivesse totalmente recuperado, adicionaram mais líquido, forçando as algas a se adaptar ao novo ambiente. As algas novamente se recuperaram. Ao longo de 30 dias, os cientistas foram aumentando o estresse e a cada vez as algas se recuperavam. Mas o tempo de recuperação foi ficando mais longo. Até um momento em que eles adicionaram um pouco mais de líquido e o sistema colapsou: todas as algas morreram. Haviam atingido o ponto de transição abrupta.

Após medir a velocidade de recuperação em função do estresse aplicado no sistema, os cientistas demonstraram que é possível prever quão distante o sistema está do colapso medindo seu tempo de recuperação. Estes resultados demonstram que a teoria proposta em 1980 é verdadeira.

Nos próximos anos, é provável que diversos grupos, usando diversos sistemas biológicos, tentem demonstrar que medir a variação do tempo de recuperação permite prever quão distante um sistema vivo está do colapso.

Se essa teoria for confirmada, teremos uma arma poderosa. Estudos de impacto ambiental finalmente terão um embasamento científico mais sólido e programas de recuperação ambiental poderão ter seus resultados medidos de forma objetiva.

Fonte: Mater Natura


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e seus (bons) resultados

Carta-resposta da secretaria-executiva do Pacto
30 de Maio de 2011

O movimento Pacto pela Restauração da Mata Atlântica vem a público lamentar a publicação do artigo “Salve o Planeta e fique também milionário,” de autoria do sr. Germano Woehl, publicado no dia 19 de maio de 2011 no site ((o))eco, que trata de forma não recomendável os projetos de restauração florestal na Mata Atlântica.

Por isso, se faz necessária a apresentação e divulgação de alguns esclarecimentos.

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica conta, atualmente, com 184 membros que participam do que é o maior movimento do Brasil para restauração florestal de áreas degradadas com espécies nativas. Reunir organizações e profissionais em torno de um mesmo propósito é algo desafiador e o Pacto vem conquistando resultados cada vez mais sólidos.

O movimento já contribuiu e continuará contribuindo para aperfeiçoar as atuais e criar novas técnicas de campo e mecanismos de financiamento para as atividades de restauração.

O Pacto atua entre as esferas pública e privada, articulando o diálogo entre governo, empresas e proprietários de terra para impulsionar resultados em restauração e conservação da biodiversidade. O Pacto não é uma empresa, não tem fins lucrativos e não visa beneficiar nenhum ator específico. Quem se beneficia de seu sucesso é a biodiversidade, o clima e toda a sociedade brasileira.

Apoiamos a primeira edição da Iniciativa BNDES Mata Atlântica que está investindo mais de R$ 70 milhões de reais na restauração de mais de quatro mil hectares de restauração – não apenas R$ 2,5 milhões. Esses recursos viabilizarão a restauração de áreas que vão propiciar qualidade de vida, água em quantidade e qualidade, além de equilíbrio climático para milhares de pessoas em zonas rurais e urbanas.

O Pacto reforça a importância das estratégias e políticas de conservação e muitos dos seus membros atuam também nessa área. Os signatários entendem que a restauração do bioma Mata Atlântica é a melhor solução para proporcionar segurança ambiental e qualidade de vida para as populações, gerando também trabalho e renda em atividades de restauração.

Como informado no site do movimento, o Pacto vem cadastrando as iniciativas de todos os membros. Nos primeiros dois anos, o movimento cadastrou mais de 90 iniciativas no site, somando mais de 40 mil hectares em processo de restauração florestal. As áreas se encontram em diferentes estágios de restauração, variando entre inicial e médio, principalmente.

No intuito de contribuir para a estruturação da cadeia produtiva da restauração, o Pacto publicou em 2009 (com versões atualizadas em 2010 e 2011) dois documentos referenciais que são distribuídos gratuitamente para todos os membros e demais interessados, por exemplo: pesquisadores, empresas, universidades e ONGs que atuam em restauração.

Além disso, em fevereiro de 2011, o Pacto reuniu, em Campinas-SP, mais de 60 instituições de todo o Brasil, entre universidades, governos, empresas e ONGs, para a construção de um Protocolo de Monitoramento de Projetos de Restauração, que já foi aprovado e será oferecido, sem custo, para todos os membros e a toda a sociedade brasileira.

Trata-se de um conjunto de indicadores ecológicos, sociais, econômicos e de gestão para os projetos de restauração na Mata Atlântica. Este importante instrumento possibilitará a padronização do processo de monitoramento dos plantios executados por seus membros, permitindo a comparação de desempenhos com a utilização de diferentes técnicas e métodos de restauração e a melhoria da eficiência dos projetos. O Pacto é um movimento agregador, transparente em suas atuações e os interessados podem se informar através do nosso site e das publicações acima mencionadas.

A Secretaria Executiva atua em conjunto com diversos profissionais extremamente capacitados na execução e gestão de todas as iniciativas do Pacto, e todos estão sempre à disposição para atender aos interessados em conhecer mais sobre o movimento e sobre restauração.

O Pacto agradece a oportunidade de esclarecer as estratégias do movimento. A contribuição de cada membro é fundamental para manter o caráter aberto, participativo, produtivo e transparente.

Neste espírito, o Pacto convida todas as organizações que atuam na Mata Atlântica a contribuir para o alcance da meta de viabilizar a restauração de 15 milhões de hectares até 2050 e transformar a Mata Atlântica em um lugar seguro e saudável para mais de 120 milhões de brasileiros.

Fonte: Secretaria-Executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica






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28 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Quanto falta para o colapso?

Sistemas vivos passam por transições abruptas. A morte é a mais conhecida. Em um momento estamos vivos, no seguinte, mortos. Mas existem inúmeros exemplos de pontos de transição abruptos. Qual o momento em que a devastação de uma floresta a condena ao desaparecimento? Qual o número mínimo de baleias necessário para a sobrevivência da espécie? Determinar o ponto exato em que essas transições ocorrem e quão longe estamos delas é um problema ainda não resolvido.

Isso é difícil de fazer porque todos os sistemas vivos possuem mecanismos de autorregulação. Imagine que um animal coma cada vez menos; intuitivamente, sabemos que chega um momento em que ele morre. Mas determinar esse momento é difícil porque, à medida que ele come menos, ele também se movimenta menos, diminui seu metabolismo e passa a necessitar de menos alimento. Processos semelhantes tornam difícil prever o tamanho mínimo de uma população de baleias ou o abuso que uma floresta aguenta antes de desaparecer.

Por volta de 1980, foi proposta uma teoria que permite medir a distância entre o estado presente e o ponto de colapso de um sistema biológico. A ideia é que o tempo que um sistema vivo leva para se recuperar de um trauma aumenta à medida que o sistema se aproxima do ponto de colapso. Se você abre uma clareira em uma floresta virgem, ela se fecha rapidamente. À medida que a floresta se aproxima do ponto de colapso, a teoria prevê que o tempo necessário para a clareira fechar aumenta. Você tira o alimento de um animal. Se ele estiver saudável, ao ser alimentado, a recuperação é rápida. Mas, se ele estiver se aproximando do ponto de colapso, o tempo de recuperação aumenta. O mesmo princípio se aplicaria a uma população de baleias ou a um paciente na UTI.

Na prática. O problema é que essa teoria nunca havia sido testada. Agora, um grupo de cientistas demonstrou que ela funciona na prática.

O experimento foi feito com microalgas, e publicado na revista Nature com o título “Ecovery Rates Reflect Distance To a Tipping Point In a Living System”. Esses seres unicelulares necessitam de luz para fazer fotossíntese e produzir seu alimento, mas luz em excesso os mata. Para evitar o excesso de luz, eles crescem todos juntos – assim, um faz sombra para o outro. Regulando a distância entre eles (sua densidade no oceano), regula-se a quantidade de luz que recebem. Os cientistas colocaram essas algas em um recipiente de vidro em condições ideais: muitas algas por litro e uma quantidade de luz fixa.

Estabelecida a condição ótima, os cientistas adicionaram mais líquido ao recipiente, mantendo a mesma quantidade de luz incidente. Inicialmente, as algas, com menos vizinhos para diminuir a incidência de luz, diminuem sua taxa de crescimento, mas rapidamente se dividem de modo a otimizar novamente o sombreamento.

Os cientistas mediram o tempo que o sistema leva para se recuperar. Mas, antes que ele estivesse totalmente recuperado, adicionaram mais líquido, forçando as algas a se adaptar ao novo ambiente. As algas novamente se recuperaram. Ao longo de 30 dias, os cientistas foram aumentando o estresse e a cada vez as algas se recuperavam. Mas o tempo de recuperação foi ficando mais longo. Até um momento em que eles adicionaram um pouco mais de líquido e o sistema colapsou: todas as algas morreram. Haviam atingido o ponto de transição abrupta.

Após medir a velocidade de recuperação em função do estresse aplicado no sistema, os cientistas demonstraram que é possível prever quão distante o sistema está do colapso medindo seu tempo de recuperação. Estes resultados demonstram que a teoria proposta em 1980 é verdadeira.

Nos próximos anos, é provável que diversos grupos, usando diversos sistemas biológicos, tentem demonstrar que medir a variação do tempo de recuperação permite prever quão distante um sistema vivo está do colapso.

Se essa teoria for confirmada, teremos uma arma poderosa. Estudos de impacto ambiental finalmente terão um embasamento científico mais sólido e programas de recuperação ambiental poderão ter seus resultados medidos de forma objetiva.

Fonte: Mater Natura


31 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e seus (bons) resultados

Carta-resposta da secretaria-executiva do Pacto
30 de Maio de 2011

O movimento Pacto pela Restauração da Mata Atlântica vem a público lamentar a publicação do artigo “Salve o Planeta e fique também milionário,” de autoria do sr. Germano Woehl, publicado no dia 19 de maio de 2011 no site ((o))eco, que trata de forma não recomendável os projetos de restauração florestal na Mata Atlântica.

Por isso, se faz necessária a apresentação e divulgação de alguns esclarecimentos.

O Pacto pela Restauração da Mata Atlântica conta, atualmente, com 184 membros que participam do que é o maior movimento do Brasil para restauração florestal de áreas degradadas com espécies nativas. Reunir organizações e profissionais em torno de um mesmo propósito é algo desafiador e o Pacto vem conquistando resultados cada vez mais sólidos.

O movimento já contribuiu e continuará contribuindo para aperfeiçoar as atuais e criar novas técnicas de campo e mecanismos de financiamento para as atividades de restauração.

O Pacto atua entre as esferas pública e privada, articulando o diálogo entre governo, empresas e proprietários de terra para impulsionar resultados em restauração e conservação da biodiversidade. O Pacto não é uma empresa, não tem fins lucrativos e não visa beneficiar nenhum ator específico. Quem se beneficia de seu sucesso é a biodiversidade, o clima e toda a sociedade brasileira.

Apoiamos a primeira edição da Iniciativa BNDES Mata Atlântica que está investindo mais de R$ 70 milhões de reais na restauração de mais de quatro mil hectares de restauração – não apenas R$ 2,5 milhões. Esses recursos viabilizarão a restauração de áreas que vão propiciar qualidade de vida, água em quantidade e qualidade, além de equilíbrio climático para milhares de pessoas em zonas rurais e urbanas.

O Pacto reforça a importância das estratégias e políticas de conservação e muitos dos seus membros atuam também nessa área. Os signatários entendem que a restauração do bioma Mata Atlântica é a melhor solução para proporcionar segurança ambiental e qualidade de vida para as populações, gerando também trabalho e renda em atividades de restauração.

Como informado no site do movimento, o Pacto vem cadastrando as iniciativas de todos os membros. Nos primeiros dois anos, o movimento cadastrou mais de 90 iniciativas no site, somando mais de 40 mil hectares em processo de restauração florestal. As áreas se encontram em diferentes estágios de restauração, variando entre inicial e médio, principalmente.

No intuito de contribuir para a estruturação da cadeia produtiva da restauração, o Pacto publicou em 2009 (com versões atualizadas em 2010 e 2011) dois documentos referenciais que são distribuídos gratuitamente para todos os membros e demais interessados, por exemplo: pesquisadores, empresas, universidades e ONGs que atuam em restauração.

Além disso, em fevereiro de 2011, o Pacto reuniu, em Campinas-SP, mais de 60 instituições de todo o Brasil, entre universidades, governos, empresas e ONGs, para a construção de um Protocolo de Monitoramento de Projetos de Restauração, que já foi aprovado e será oferecido, sem custo, para todos os membros e a toda a sociedade brasileira.

Trata-se de um conjunto de indicadores ecológicos, sociais, econômicos e de gestão para os projetos de restauração na Mata Atlântica. Este importante instrumento possibilitará a padronização do processo de monitoramento dos plantios executados por seus membros, permitindo a comparação de desempenhos com a utilização de diferentes técnicas e métodos de restauração e a melhoria da eficiência dos projetos. O Pacto é um movimento agregador, transparente em suas atuações e os interessados podem se informar através do nosso site e das publicações acima mencionadas.

A Secretaria Executiva atua em conjunto com diversos profissionais extremamente capacitados na execução e gestão de todas as iniciativas do Pacto, e todos estão sempre à disposição para atender aos interessados em conhecer mais sobre o movimento e sobre restauração.

O Pacto agradece a oportunidade de esclarecer as estratégias do movimento. A contribuição de cada membro é fundamental para manter o caráter aberto, participativo, produtivo e transparente.

Neste espírito, o Pacto convida todas as organizações que atuam na Mata Atlântica a contribuir para o alcance da meta de viabilizar a restauração de 15 milhões de hectares até 2050 e transformar a Mata Atlântica em um lugar seguro e saudável para mais de 120 milhões de brasileiros.

Fonte: Secretaria-Executiva do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica