14 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Secretaria de SP lança cartilha contra abandono de animais

Secretaria de Meio Ambiente afirma que os animais abandonados estão sujeitos a doenças, causam desequilíbrio ecológico e a depredação do patrimônio dos parques além de se tornarem mais agressivos

A Secretaria de Meio Ambiente do governo de São Paulo lançou uma cartilha educativa sobre o abandono de animais domésticos e silvestres em parques. A cartilha foi entregue aos diretores de todos os parques administrados pela secretaria, que deverão distribuí-las em ruas e escolas vizinhas.

Segundo o presidente da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil), Marco Ciamei, as áreas verdes próximas de centros urbanos são locais comuns de abandono de bichos. “Abandonar o animal em ambientes naturais deixa a consciência dos antigos donos mais tranquila”, diz. A Arca Brasil estima que somente na cidade de São Paulo cerca de 260 mil cães, 10% da população total, não têm um lar de referência.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Meio Ambiente afirma que os animais abandonados estão sujeitos a doenças, causam desequilíbrio ecológico e a depredação do patrimônio dos parques além de se tornarem mais agressivos.

A cartilha orienta as pessoas a pensar bem antes de ter um animal de estimação. “É preciso evitar o problema antes que ele aconteça”, diz Ciamei. Ainda segundo ele, toda ação educativa deve ser apoiada, mas práticas, como o registro e a castração dos animais, ainda acontecem de forma tímida na capital e no interior.

Fonte: Gazeta Maringá, com informações do jornal O Estado de S.Paulo.


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Leão-marinho é resgatado em praia do litoral norte de São Paulo

Filhote com 1,20 metros de comprimento não apresentava ferimentos.
Animal foi levado para tratamento no aquário de Ubatuba.

Um filhote de leão-marinho apareceu nesta segunda-feira (15) na praia de Camburizinho, em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. De acordo com a Defesa Civil do município, o animal foi visto por turistas no último fim de semana e foi encontrado cansado na praia (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Um filhote de leão-marinho apareceu nesta segunda-feira (15) na praia de Camburizinho, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. De acordo com a Defesa Civil do município, o animal foi visto por turistas no último fim de semana e foi encontrado cansado na praia (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Com 1,20 m de comprimento, o mamífero não tinha ferimentos e foi levado para o aquário de Ubatuba, onde será monitorado por veterinários. O animal vive em regiões de baixa temperatura na América do Sul (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Com 1,20 m de comprimento, o mamífero não tinha ferimentos e foi levado para o aquário de Ubatuba, onde será monitorado por veterinários. O animal vive em regiões de baixa temperatura na América do Sul (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


22 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Cidade de SP inicia mapeamento geográfico de áreas de rios

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Cubatão, na Baixada Santista, iniciou na quarta-feira o mapeamento geográfico e fotográfico de todas as trilhas e braços de rios do município, com o objetivo de aumentar a segurança e incentivar o ecoturismo e a pesquisa. O trabalho, que tem parceria com o Corpo de Bombeiros da região, deverá ser concluído em dois meses.

A intenção é coletar informações detalhadas dos locais para que, além de auxiliar no desenvolvimento de roteiros ecoturísticos monitorados pela prefeitura, facilitem o trabalho dos bombeiros na realização de resgates. Segundo registros, neste ano 20 pessoas já efetuaram ocorrências.

A prefeitura de Cubatão, que atualmente desconhece o número exato de quilômetros de trilhas existentes no município, pretende catalogar lugares que poderão ser utilizados em pesquisas científicas e em medições de índices de degradação ambiental.

Localizada na região metropolitana da Baixada Santista (microrregião de Santos), Cubatão tem aproximadamente 120 mil habitantes e ocupa uma área de 142,3 km². A cidade possui um grande parque industrial e, na década de 1980, foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a mais poluída do mundo. As indústrias, a comunidade e o governo tentam controlar o nível de poluentes. As trilhas turísticas mais utilizadas na região são as do Parque do Perequê, Itutinga Pilões, Parque do Quilombo e Trilha do Diabo.

Fonte: www.terra.com.br


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Promotores terão manual para driblar novo Código Florestal

O Ministério Público do Estado de São Paulo, antecipando-se à aprovação pelo Senado do novo Código Florestal nos termos atuais, decidiu montar um manual para atuação dos promotores na defesa do ambiente.

Até 8 de agosto, os promotores do Estado receberão orientações sobre ações que poderão ser ajuizadas diante da nova legislação, além da atuação em inquéritos, ajustamentos de conduta e inconstitucionalidades.

Um grupo de estudos formado por promotores do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) foi criado para, em 60 dias, apresentar as normativas que integrarão o manual. No Estado há sete Gaemas.

“Nosso objetivo é garantir uma atuação integrada e no mesmo sentido das Promotorias, que é proteger a sociedade e o meio ambiente”, disse a promotora e secretária-executiva do Gaema, Cristina Godoy de Araújo Freitas.

Uma das possibilidades já estudadas no grupo são ações questionando a inconstitucionalidade por retrocesso legislativo. Seriam questionamentos considerando a Constituição Federal e a preservação do ambiente.

Em um dos casos, a ação poderia questionar a redução de 30 metros para 15 metros da conservação de APP (Área de Preservação Permanente). “Até 8 de agosto teremos os resultados para todos os promotores”, disse Cristina.

O promotor de Meio Ambiente de Barueri, Marcos Mendes Lyra, afirmou que vai adotar a estratégia devido ao avanço das construções sobre as APPs. “Vamos tentar manter em 30 metros.”

Fonte: Venceslau Borlina Filho, Folha.com, De Ribeirão Preto.


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

SP vai licitar primeira termelétrica movida a lixo do Brasil

São Bernardo do Campo abre processo nesta segunda-feira (6).
Biodigestor vai eliminar resíduos e produzir energia para 200 mil habitantes.

O Brasil deve ganhar em breve sua primeira usina termelétrica movida a partir da queima de lixo. A tecnologia, empregada em 35 países, chega ao país atrasada na tentativa de resolver graves problemas relacionados à destinação dos resíduos sólidos.

A inédita unidade deve ser instalada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura vai apresentar nesta segunda-feira (6) o edital de licitação do projeto, orçado em cerca R$ 600 milhões, e que terá capacidade de processar até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW – suficientes para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

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A legislação sobre o tema, que vigora desde 2010, proíbe o funcionamento de lixões nas zonas urbanas a partir de 2014 e obriga as cidades a criarem aterros sanitários.

Dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões.

Apesar da nova lei federal, as grandes regiões não têm espaço para aterrar de forma adequada as toneladas de lixo geradas diariamente.

Para solucionar a questão, o debate para a implantação de térmicas a lixo foi iniciado e começa a ter seus primeiros desdobramentos. A tecnologia, já empregada há décadas na Europa, tem o objetivo de tratar e recuperar energia do lixo orgânico, separar o que for reciclável e queimar o que não pode ser reaproveitado, transformando em luz elétrica.

“Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Aruntho Savastano Neto, gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Potencial
A discussão sobre este tipo de empreendimento no país ocorre paralelamente em vários municípios do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estado mais avançados no debate. “Cidades com população próxima ou acima de 1 milhão de habitantes têm potencial para receber uma usina térmica”, disse Sérgio Guerreiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no assunto.

Segundo a Cetesb, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo, receberam licenças provisórias. Santo André discute com a população a instalação de um complexo e São José dos Campos, no interior paulista, abriu para consulta pública o pré-edital do projeto. Existem ainda estudos avançados para a instalação de uma usina no litoral.

Os complexos brasileiros funcionariam com técnicas mistas, ou seja, haveria geração de energia pelo lixo orgânico e pela queima de resíduos contaminados. A implementação seria por meio de uma parceria público-privada.

O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados.

Polêmica
Entretanto, existe polêmica quanto à emissão de gases gerados a partir da queima dos resíduos. Nos complexos que poderão ser instalados no país haveria um grande aparato de filtros para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), além de substâncias como as dioxinas, que podem ser cancerígenas.

“Parece uma solução atraente, mas acaba transferindo o problema. Existe uma preocupação com a acomodação e diminuição na reciclagem, já que tudo pode ser queimado. Além disso, há o problema com as emissões. Temos que tomar cuidado com isso”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Para Sérgio Guerreiro, as cidades têm buscado adquirir este tipo de tecnologia, entretanto estão focando em investimentos errados. “Eles querem colocar usinas que tratam o lixo orgânico para gerar energia. Isso não é viável, é um preço absurdo e nenhuma cidade tem dinheiro para pagar por isso”, disse.

Enquanto uma prefeitura, com a de São Bernardo do Campo, paga atualmente R$ 60 para tratar a tonelada de lixo em aterros, na Holanda, por exemplo, o processamento em uma usina térmica chega a custar 90 euros (R$ 207). “No edital vamos escolher a empresa que nos oferece o menor preço para processar o lixo. A nossa previsão é que a partir de janeiro de 2012 as obras sejam iniciadas”, afirmou Alfredo Buso, secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo.

Mas para o especialista em térmicas a lixo, há chances de estes projetos não vingarem por aqui. “Existem vários trabalhos sobre o tema no Brasil, mas acredito que esta tecnologia não será adotada. As prefeituras não estão dispostas a pagar mais caro. Elas querem continuar com os processos baratos de hoje. Enquanto o país pensar desta forma, ninguém vai fazer nada”, disse Guerreiro.

Fonte: Eduardo Carvalho, globo Natureza, em São Paulo.


2 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Banco Mundial vai apoiar ações de preservação do meio ambiente

Protocolo foi assinado durante conferência da C40, em São Paulo.
Plenária foi aberta pelo prefeito Gilberto Kassab.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, assinaram na manhã desta quarta-feira (1º), em São Paulo, um protocolo de intenções que tem como principal objetivo apoiar ações de preservação do meio ambiente. A assinatura do documento foi realizada diante da presença do prefeito da cidade, Gilberto Kassab, que abriu a plenária da C40, IV Conferência Internacional de Prefeitos. O evento, que ai até esta sexta (3), ocorre em um hotel da Zona Sul da capital.

Pouco antes de assinar o protocolo, pelo qual o Banco Mundial poderá dar suporte financeiro às grandes cidades para que desenvolvam ações sustentáveis, Zoellick afirmou que será um “parceiro forte”. Ele lembrou que a Prefeitura de São Paulo tem a meta de reduzir a redução de 30% das emissões de gases causadores de efeito estufa até 2012 na cidade. Para atingir esse objetivo, foi criado em 2009 o Comitê Municipal de Mudanças Climáticas e Ecoeconomia.

Esforços
Kassab abriu a sessão plenária dizendo que a cidade se sente “honrada” em receber a C40 e afirmou que é preciso ter “humildade” para trocar experiências com outras prefeituras no sentido de desenvolver ações para o meio ambiente, como a redução da poluição, o manejo com o lixo, a melhoria nos transportes.

Kassab citou ações de sua administração, como a Inspeção Veicular, que pretende controlar a emissão de gases dos veículos em São Paulo, e a Lei Cidade Limpa, cujo principal objetivo é combater a poluição visual com a publicidade. E pediu um esforço conjunto para a realização de programas sustentáveis. “Não bastam reuniões, planos. É preciso boa vontade.” Em seguida, completou: “é preciso coragem para enfrentar a mídia, que critica e fiscaliza com rigor. Temos que ter humildade para dar marcha ré, rever projetos e posições”, afirmou ele, que foi bastante atacado quando criou a Lei Cidade Limpa.

Bloomberg, que é presidente da C40 e falou logo após Kassab, disse que grandes vitórias só se conseguem a partir de pequenos passos. Ele falou sobre as semelhanças entre São Paulo e Nova York, lembrando que as duas cidade são conhecidas como “as cidades que nunca dormem”. Ele também pediu um esforço coletivo e parcerias no sentido de tomar medidas em prol do meio ambiente. “Ninguém pode fazer melhor pelo mundo do que nós, prefeitos de grandes cidades.”

Fonte: Carolina Iskadarian, Do G1 em SP.


23 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Interior de São Paulo vive onda de matança de animais

A vira-lata Cindy foi encontrada morta após ser espancada em Sales Oliveira (363 km de São Paulo) há menos de um mês. O caso faz parte de uma série de mortes criminosas de animais registradas no interior paulista.

Segundo representantes de ONGs de proteção animal e delegados ouvidos pela Folha, ao menos outros 80 animais foram encontrados mortos em Sertãozinho, Ribeirão Preto, Sales Oliveira e Campinas em dois meses.

Na maioria dos casos, há sinais de envenenamento.

Em Sales, além de Cindy, outros 15 animais morreram desde abril. Eles eram de um grupo de 20 abrigados de maneira improvisada num recinto de exposições.

O delegado Clodoaldo Vieira diz que ainda não há suspeitos, mas admite a possibilidade de as mortes deste ano estarem relacionadas com as 50 mortes por envenenamento do ano passado.

Em Ribeirão, 46 animais (gatos, gambás e uma cadela) foram envenenados na segunda “chacina” do ano -na primeira, em março, foram dez os mortos.

Em Campinas, pelo menos um animal é morto em média por mês, segundo a delegada Rosana Mortari, além de casos em rituais de magia negra. Em Sertãozinho, voluntários dizem ter encontrado 15 gatos mortos.

Para o presidente da ONG Arca Brasil, Marco Ciampi, a superpopulação de animais de rua cresce proporcionalmente ao desenvolvimento do segmento pet.

Para ele, é preciso difundir o conceito de posse responsável e investir em políticas públicas -como a castração- para reduzir a população animal e evitar crimes.

ABRIGOS LOTADOS

Os abrigos para animais de rua estão no limite ou além da capacidade em várias cidades. A lotação está relacionada, em parte, à lei estadual de 2008, que proibiu o sacrifício de animais capturados.

O “inchaço” também pode ser explicado pelas baixas taxas de castração e adoção e altos índices de abandono.

Em Ribeirão Preto, cerca de 50 animais chegam ao canil do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) por semana contra 40 doados por mês.
Sem canis próprios, alguns municípios fazem parcerias com a iniciativa privada ou improvisam abrigos.

Esse é o caso de Serrana (313 km de SP). Um canil provisório foi montado em um antigo drive-in. De acordo com a prefeitura, o projeto de um novo abrigo está sendo desenvolvido.

Cães em canil provisório no município de Serrana; quatro cidades do interior de SP tiveram 80 casos de mortes. (Edson Silva- 21.mai.11/Folhapress

Cães em canil provisório no município de Serrana; quatro cidades do interior de SP tiveram 80 casos de mortes. (Edson Silva- 21.mai.11/Folhapress

 

Fonte: Folha.com, Ana Sousa


18 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Emissões de gás carbônico em São Paulo vão dobrar até 2035

O estado de São Paulo tem, desde 2009, uma das leis mais ambiciosas para o combate ao aquecimento global. A legislação prevê que as emissões de gases causadores de efeito estufa caiam em 20% até 2020 comparados aos níveis de 2005. Cumpri-la, porém, é um desafio. O próprio governo paulista já prevê que a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida no estado vá crescer pelo menos 55% de 2005 a 2020. Até 2035, as emissões devem mais que dobrar.

Essas estimativas constam do estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo – 2035, da Secretaria de Energia estadual. Nele, as contas mais otimistas indicam que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no estado em 2020. Em 2005, eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos. Já em 2035, serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2 emitidas no estado. Isso representa um incremento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Esses números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, ocorrida no final do mês passado. Os dados já levam em consideração todas as políticas públicas estaduais anunciadas para redução das emissões de CO2.

O Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025 (Pitu), que prevê a maior utilização do transporte coletivo, por exemplo, já foi considerado na estimativa. Também foram levados em conta os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura, assim como a redução do uso de combustíveis fósseis como a gasolina e o diesel.

Para o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Valdir Balay, os resultados do estudo mostram a urgência de novas políticas para redução das emissões. Segundo ele, caso o estado queira mesmo cumprir a lei, terá de tomar medidas “ousadas” e “mexer com o hábito das pessoas”.

“Precisaríamos reduzir o uso dos automóveis, já que o transporte é o maior responsável pelas emissões. As grandes empresas e o próprio Poder Público também teriam que reduzir suas emissões”, disse Balay, em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador afirmou que a meta de 20% de queda das emissões ainda é factível, mas parece ter sido estipulada sem os critérios necessários. “Os políticos adoram tomar decisões sem fazer um planejamento técnico”, criticou. “O que aconteceu [com as metas] foi isso.”

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Energia, responsável pelo estudo sobre as emissões de CO2. O órgão, porém, não se pronunciou sobre o assunto.

Já a Secretaria do Meio Ambiente informou, em nota, que a meta de 20% de redução será “seguida”. De acordo com o órgão, o estudo da Secretaria de Energia “é baseado em modelo matemático” e “está sujeito a deixar de fora variáveis”.

A pasta informou também que o Conselho Estadual de Política Energética já estabeleceu um plano de trabalho para estruturar medidas adicionais de redução de emissões dos gases de efeito estufa. “O processo da construção de como o governo cumprirá a meta será feito em discussão com a sociedade civil, órgãos de governo e setor privado”, complementou.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


7 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Luzes natalinas atrapalham animais em parque de São Paulo, diz cientista

As luzes de Natal que enfeitam parques e avenidas de São Paulo podem afetar a vida dos animais em áreas verdes da capital. É o que afirma Eugene Harris, do departamento de Ciência Biológica e Geologia da City University de Nova York, ao analisar o caso do Parque Trianon, na região central da capital. “O problema da iluminação da Avenida Paulista é piorado com a presença dessas luzes artificiais”, afirma o professor.

Para ele, a quantidade, a intensidade e a duração da exposição – 33 dias, durante todas as noites – são os principais fatores que devem atrapalhar os bichos. “O metabolismo e a reprodução são afetados, assim como o relógio biológico dos animais, quando eles dormem, quando acordam para se alimentar”, afirma o cientista, que fez pós-doutoramento em biologia na Universidade de São Paulo (USP).

“Este é um problema geral de todas as cidades grandes, a poluição luminosa, mas se você for no Central Park, em Nova York, não irá encontrar tanta luz quanto em um espaço tão pequeno como o do Trianon.”

Tido como um dos últimos redutos de Mata Atlântica na capital paulista, o parque tem uma área de 48 mil metros quadrados e contém 38 espécies identificadas, 29 delas de aves, segundo informações do portal da Prefeitura.

Mesmo o barulho das luzes ligadas e a presença de humanos no período noturno são encarados como complicadores, prejudicando, por exemplo, o senso de localização dos bichos. “A Prefeitura deveria ter responsibilidade ao colocar este tipo de iluminacão, com impacto no meio ambiente. E os cidadãos deveriam reclamar mais”, defende o norte-americano, que cita o local como “tesouro”, mostrado até a seu filho, tamanha a admiração dele pelo espaço verde.

Ao ser procurada pelo G1, a assessoria do parque afirmou que os adereços de Natal foram instalados “de forma segura e de modo a não oferecer risco às árvores e à fauna do local”. Não foram registradas ocorrências com os pássaros que habitam o parque e nenhuma árvore foi avariada até o momento. A retirada da decoração começa a partir desta sexta-feira (7).

Novos postes – O sistema de iluminação da Avenida Paulista passa atualmente por uma renovação estimada em R$ 3,5 milhões. O projeto, elaborado pelo Departamento de Iluminação Pública (Ilume) e executado pela Eletropaulo, prevê a substituição de 54 postes de concreto por 39 estruturas com projetores e 15 postes menores, todos equipados com lâmpadas de vapor metálico.

O aumento no nível de luminosidade deverá ser de 425% ao longo da avenida, com redução mensal de 70% no consumo de energia, segundo a Prefeitura.

Fonte: G1


20 de outubro de 2010 | 1 comentário »

Políticas públicas para mudanças climáticas

Por Fabio Reynol, da Agência Fapesp Se o Estado de São Paulo fosse um país estaria em 39º no ranking das nações que mais emitem dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Em 2003, foram 83 milhões de toneladas do gás, praticamente um quarto do montante brasileiro. Esses números lançam ao estado um enorme desafio para reduzir as emissões e já estimularam a implantação de várias políticas públicas, entre as quais a ativação do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas, ocorrida na sexta-feira (15/10).

O tema foi tratado em mesa durante o fórum Mudanças Climáticas Globais – Desafios e oportunidades de pesquisa, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nos dias 14 e 15 de outubro. A mesa teve a participação do diretor-presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Fernando Rei, do diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e do diretor do Instituto de Estudos Avançados da Faculdade de Economia e Administração da USP, Jacques Marcovitch. “As emissões de CO2 em São Paulo são tímidas em relação aos países desenvolvidos, mas, ao se considerar o índice de ocupação do solo, são emissões superiores à média nacional”, disse Rei.

O executivo fez um histórico das políticas públicas paulistas desde o Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (Proclima), lançado em 1995, e destacou a participação paulista em organizações internacionais de estados subnacionais, que englobam regiões internas de países como estados e províncias. “São Paulo é copresidente pela segunda vez da rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável”, destacou.

O Conselho Estadual de Mudanças Climáticas estava previsto na Lei Estadual 13.798, assinada em novembro de 2009, e possui uma estrutura tripartite: um terço de representantes do governo estadual, um terço vindo de governos municipais e um terço de membros da sociedade civil. São Paulo também iniciou o Registro Público de Emissões a fim de identificar, por setores e por empresas, os maiores emissores de gases de efeito estufa. Todas essas medidas têm como objetivo tentar alcançar uma redução de 20% do CO2 emitido até o ano de 2020 em relação aos valores de 2005, meta que o Estado se comprometeu a cumprir.

“Trata-se de um objetivo extremamente difícil e que exigirá a participação da sociedade civil”, salientou Rei. No ano de 2005, São Paulo lançou na atmosfera 122 milhões de toneladas de CO2, o que significa que em 2020 poderia lançar até 98 milhões de toneladas, de acordo com a meta. A tarefa é ainda mais complexa ao considerar que São Paulo já substituiu quase a metade das fontes energéticas de origem fóssil para fontes renováveis na última década, como ressaltou Brito Cruz. “Cerca de 60% do consumo de energia do estado era de origem fóssil e hoje esse índice é de apenas 33%”, disse.

O diretor científico da Fapesp focou na contribuição que a ciência deu ao longo da história à questão do clima, desde o matemático francês Jean Jacques Baptiste Fourier, que em 1827 publicou um artigo no qual concebeu o conceito de efeito estufa, até as experiências do norte-americano Charles Kelling, que de 1957 a 1972 escalou periodicamente o vulcão inativo Mauna Loa, no Havaí, para coletar amostras de ar e medir o teor de carbono da atmosfera. “Foram pesquisas que pareciam inúteis em suas épocas e que hoje se mostram extremamente pertinentes em relação aos problemas que estamos enfrentando”, disse, destacando que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado pela Organização das Nações Unidas para que as lideranças políticas pudessem entender a produção científica a respeito do clima.

filme online the last airbender

Brito Cruz também apresentou os principais pontos abordados pelo Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), que tem procurado intensificar a produção científica nacional no clima e conta com projetos em andamento em áreas como agronomia, química, geociências, demografia e economia. “Não queremos apenas aumentar a quantidade dos trabalhos científicos, mas também a sua qualidade para que ganhem visibilidade internacional”, disse. Nesse sentido, a Fapesp financiou a compra de um supercomputador em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A máquina está sendo instalada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP) e será dedicada a processar modelos de simulação do clima. O supercomputador deverá colocar o Brasil entre os maiores do mundo em investigação do clima e poderá processar modelos que contemplem os sistemas climáticos nacionais, como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica e o Cerrado. Além do computador, Brito Cruz anunciou que a Fapesp também está financiando a compra de um barco e de um navio oceanográfico que deverão auxiliar pesquisas sobre a temperatura, acidificação e nível dos oceanos, entre outras pesquisas.

Aprimorar incentivos e aumentar sanções

Marcovitch falou sobre os impactos econômicos e a participação do setor empresarial no esforço para mitigar as mudanças climáticas. O professor, que foi reitor da USP entre 1997 e 2001, afirmou que é preciso respeitar o tempo de ação de cada ator social para que o esforço conjunto funcione. “As pautas de cada um são diferentes: membros do governo enfatizam o poder, cientistas se pautam na busca pela verdade, empresas focam no resultado e a sociedade civil trabalha com valores. É preciso enxergar isso para haver o diálogo e avançar”, disse.

No caso do setor empresarial, Marcovitch defende políticas públicas que promovam incentivos mais eficientes para as companhias que participarem e, ao mesmo tempo, sanções mais rigorosas para aquelas que não quiserem colaborar. Por fim, o pesquisador apresentou partes do Estudo Econômico das Mudanças Climáticas no Brasil, que coordenou junto a 11 instituições. O trabalho procurou identificar as vulnerabilidades que a economia e a sociedade brasileira possuem em relação às alterações do clima. “Os países que promoveram os maiores saltos da civilização foram os mais ousados e que enfrentaram grandes desafios, a área do clima é um deles”, disse.


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Secretaria de SP lança cartilha contra abandono de animais

Secretaria de Meio Ambiente afirma que os animais abandonados estão sujeitos a doenças, causam desequilíbrio ecológico e a depredação do patrimônio dos parques além de se tornarem mais agressivos

A Secretaria de Meio Ambiente do governo de São Paulo lançou uma cartilha educativa sobre o abandono de animais domésticos e silvestres em parques. A cartilha foi entregue aos diretores de todos os parques administrados pela secretaria, que deverão distribuí-las em ruas e escolas vizinhas.

Segundo o presidente da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil), Marco Ciamei, as áreas verdes próximas de centros urbanos são locais comuns de abandono de bichos. “Abandonar o animal em ambientes naturais deixa a consciência dos antigos donos mais tranquila”, diz. A Arca Brasil estima que somente na cidade de São Paulo cerca de 260 mil cães, 10% da população total, não têm um lar de referência.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Meio Ambiente afirma que os animais abandonados estão sujeitos a doenças, causam desequilíbrio ecológico e a depredação do patrimônio dos parques além de se tornarem mais agressivos.

A cartilha orienta as pessoas a pensar bem antes de ter um animal de estimação. “É preciso evitar o problema antes que ele aconteça”, diz Ciamei. Ainda segundo ele, toda ação educativa deve ser apoiada, mas práticas, como o registro e a castração dos animais, ainda acontecem de forma tímida na capital e no interior.

Fonte: Gazeta Maringá, com informações do jornal O Estado de S.Paulo.


17 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Leão-marinho é resgatado em praia do litoral norte de São Paulo

Filhote com 1,20 metros de comprimento não apresentava ferimentos.
Animal foi levado para tratamento no aquário de Ubatuba.

Um filhote de leão-marinho apareceu nesta segunda-feira (15) na praia de Camburizinho, em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo. De acordo com a Defesa Civil do município, o animal foi visto por turistas no último fim de semana e foi encontrado cansado na praia (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Um filhote de leão-marinho apareceu nesta segunda-feira (15) na praia de Camburizinho, em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. De acordo com a Defesa Civil do município, o animal foi visto por turistas no último fim de semana e foi encontrado cansado na praia (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Com 1,20 m de comprimento, o mamífero não tinha ferimentos e foi levado para o aquário de Ubatuba, onde será monitorado por veterinários. O animal vive em regiões de baixa temperatura na América do Sul (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Com 1,20 m de comprimento, o mamífero não tinha ferimentos e foi levado para o aquário de Ubatuba, onde será monitorado por veterinários. O animal vive em regiões de baixa temperatura na América do Sul (Foto: Ricardo Faustino/Prefeitura de São Sebastião)

Fonte: Do Globo Natureza, São Paulo


22 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Cidade de SP inicia mapeamento geográfico de áreas de rios

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Cubatão, na Baixada Santista, iniciou na quarta-feira o mapeamento geográfico e fotográfico de todas as trilhas e braços de rios do município, com o objetivo de aumentar a segurança e incentivar o ecoturismo e a pesquisa. O trabalho, que tem parceria com o Corpo de Bombeiros da região, deverá ser concluído em dois meses.

A intenção é coletar informações detalhadas dos locais para que, além de auxiliar no desenvolvimento de roteiros ecoturísticos monitorados pela prefeitura, facilitem o trabalho dos bombeiros na realização de resgates. Segundo registros, neste ano 20 pessoas já efetuaram ocorrências.

A prefeitura de Cubatão, que atualmente desconhece o número exato de quilômetros de trilhas existentes no município, pretende catalogar lugares que poderão ser utilizados em pesquisas científicas e em medições de índices de degradação ambiental.

Localizada na região metropolitana da Baixada Santista (microrregião de Santos), Cubatão tem aproximadamente 120 mil habitantes e ocupa uma área de 142,3 km². A cidade possui um grande parque industrial e, na década de 1980, foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) a mais poluída do mundo. As indústrias, a comunidade e o governo tentam controlar o nível de poluentes. As trilhas turísticas mais utilizadas na região são as do Parque do Perequê, Itutinga Pilões, Parque do Quilombo e Trilha do Diabo.

Fonte: www.terra.com.br


7 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Promotores terão manual para driblar novo Código Florestal

O Ministério Público do Estado de São Paulo, antecipando-se à aprovação pelo Senado do novo Código Florestal nos termos atuais, decidiu montar um manual para atuação dos promotores na defesa do ambiente.

Até 8 de agosto, os promotores do Estado receberão orientações sobre ações que poderão ser ajuizadas diante da nova legislação, além da atuação em inquéritos, ajustamentos de conduta e inconstitucionalidades.

Um grupo de estudos formado por promotores do Gaema (Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente) foi criado para, em 60 dias, apresentar as normativas que integrarão o manual. No Estado há sete Gaemas.

“Nosso objetivo é garantir uma atuação integrada e no mesmo sentido das Promotorias, que é proteger a sociedade e o meio ambiente”, disse a promotora e secretária-executiva do Gaema, Cristina Godoy de Araújo Freitas.

Uma das possibilidades já estudadas no grupo são ações questionando a inconstitucionalidade por retrocesso legislativo. Seriam questionamentos considerando a Constituição Federal e a preservação do ambiente.

Em um dos casos, a ação poderia questionar a redução de 30 metros para 15 metros da conservação de APP (Área de Preservação Permanente). “Até 8 de agosto teremos os resultados para todos os promotores”, disse Cristina.

O promotor de Meio Ambiente de Barueri, Marcos Mendes Lyra, afirmou que vai adotar a estratégia devido ao avanço das construções sobre as APPs. “Vamos tentar manter em 30 metros.”

Fonte: Venceslau Borlina Filho, Folha.com, De Ribeirão Preto.


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

SP vai licitar primeira termelétrica movida a lixo do Brasil

São Bernardo do Campo abre processo nesta segunda-feira (6).
Biodigestor vai eliminar resíduos e produzir energia para 200 mil habitantes.

O Brasil deve ganhar em breve sua primeira usina termelétrica movida a partir da queima de lixo. A tecnologia, empregada em 35 países, chega ao país atrasada na tentativa de resolver graves problemas relacionados à destinação dos resíduos sólidos.

A inédita unidade deve ser instalada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A prefeitura vai apresentar nesta segunda-feira (6) o edital de licitação do projeto, orçado em cerca R$ 600 milhões, e que terá capacidade de processar até mil toneladas de resíduos para gerar constantes 30 MW – suficientes para abastecer uma cidade com 200 mil habitantes.

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A legislação sobre o tema, que vigora desde 2010, proíbe o funcionamento de lixões nas zonas urbanas a partir de 2014 e obriga as cidades a criarem aterros sanitários.

Dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) mostram que o Brasil gera mais de 195 mil toneladas de lixo por dia, sendo que 33 mil toneladas de resíduos vão para lixões.

Apesar da nova lei federal, as grandes regiões não têm espaço para aterrar de forma adequada as toneladas de lixo geradas diariamente.

Para solucionar a questão, o debate para a implantação de térmicas a lixo foi iniciado e começa a ter seus primeiros desdobramentos. A tecnologia, já empregada há décadas na Europa, tem o objetivo de tratar e recuperar energia do lixo orgânico, separar o que for reciclável e queimar o que não pode ser reaproveitado, transformando em luz elétrica.

“Isso resolve parte do problema do lixo e é possível afirmar com segurança de que não há danos à saúde ou ao meio ambiente”, afirmou Aruntho Savastano Neto, gerente da área de programas especiais da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental).

Potencial
A discussão sobre este tipo de empreendimento no país ocorre paralelamente em vários municípios do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná e São Paulo, estado mais avançados no debate. “Cidades com população próxima ou acima de 1 milhão de habitantes têm potencial para receber uma usina térmica”, disse Sérgio Guerreiro, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista no assunto.

Segundo a Cetesb, São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo, receberam licenças provisórias. Santo André discute com a população a instalação de um complexo e São José dos Campos, no interior paulista, abriu para consulta pública o pré-edital do projeto. Existem ainda estudos avançados para a instalação de uma usina no litoral.

Os complexos brasileiros funcionariam com técnicas mistas, ou seja, haveria geração de energia pelo lixo orgânico e pela queima de resíduos contaminados. A implementação seria por meio de uma parceria público-privada.

O lixo orgânico, considerado úmido, passaria por um processo chamado ‘digestão anaeróbica’ (parecido com a compostagem), em que o gás metano liberado na decomposição seria transformado em energia. Para a outra parte, a incineração, seria o destino dos resíduos que não podem ser reciclados.

Polêmica
Entretanto, existe polêmica quanto à emissão de gases gerados a partir da queima dos resíduos. Nos complexos que poderão ser instalados no país haveria um grande aparato de filtros para impedir a liberação do metano (causador do efeito estufa), além de substâncias como as dioxinas, que podem ser cancerígenas.

“Parece uma solução atraente, mas acaba transferindo o problema. Existe uma preocupação com a acomodação e diminuição na reciclagem, já que tudo pode ser queimado. Além disso, há o problema com as emissões. Temos que tomar cuidado com isso”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Para Sérgio Guerreiro, as cidades têm buscado adquirir este tipo de tecnologia, entretanto estão focando em investimentos errados. “Eles querem colocar usinas que tratam o lixo orgânico para gerar energia. Isso não é viável, é um preço absurdo e nenhuma cidade tem dinheiro para pagar por isso”, disse.

Enquanto uma prefeitura, com a de São Bernardo do Campo, paga atualmente R$ 60 para tratar a tonelada de lixo em aterros, na Holanda, por exemplo, o processamento em uma usina térmica chega a custar 90 euros (R$ 207). “No edital vamos escolher a empresa que nos oferece o menor preço para processar o lixo. A nossa previsão é que a partir de janeiro de 2012 as obras sejam iniciadas”, afirmou Alfredo Buso, secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo.

Mas para o especialista em térmicas a lixo, há chances de estes projetos não vingarem por aqui. “Existem vários trabalhos sobre o tema no Brasil, mas acredito que esta tecnologia não será adotada. As prefeituras não estão dispostas a pagar mais caro. Elas querem continuar com os processos baratos de hoje. Enquanto o país pensar desta forma, ninguém vai fazer nada”, disse Guerreiro.

Fonte: Eduardo Carvalho, globo Natureza, em São Paulo.


2 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Banco Mundial vai apoiar ações de preservação do meio ambiente

Protocolo foi assinado durante conferência da C40, em São Paulo.
Plenária foi aberta pelo prefeito Gilberto Kassab.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, e o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, assinaram na manhã desta quarta-feira (1º), em São Paulo, um protocolo de intenções que tem como principal objetivo apoiar ações de preservação do meio ambiente. A assinatura do documento foi realizada diante da presença do prefeito da cidade, Gilberto Kassab, que abriu a plenária da C40, IV Conferência Internacional de Prefeitos. O evento, que ai até esta sexta (3), ocorre em um hotel da Zona Sul da capital.

Pouco antes de assinar o protocolo, pelo qual o Banco Mundial poderá dar suporte financeiro às grandes cidades para que desenvolvam ações sustentáveis, Zoellick afirmou que será um “parceiro forte”. Ele lembrou que a Prefeitura de São Paulo tem a meta de reduzir a redução de 30% das emissões de gases causadores de efeito estufa até 2012 na cidade. Para atingir esse objetivo, foi criado em 2009 o Comitê Municipal de Mudanças Climáticas e Ecoeconomia.

Esforços
Kassab abriu a sessão plenária dizendo que a cidade se sente “honrada” em receber a C40 e afirmou que é preciso ter “humildade” para trocar experiências com outras prefeituras no sentido de desenvolver ações para o meio ambiente, como a redução da poluição, o manejo com o lixo, a melhoria nos transportes.

Kassab citou ações de sua administração, como a Inspeção Veicular, que pretende controlar a emissão de gases dos veículos em São Paulo, e a Lei Cidade Limpa, cujo principal objetivo é combater a poluição visual com a publicidade. E pediu um esforço conjunto para a realização de programas sustentáveis. “Não bastam reuniões, planos. É preciso boa vontade.” Em seguida, completou: “é preciso coragem para enfrentar a mídia, que critica e fiscaliza com rigor. Temos que ter humildade para dar marcha ré, rever projetos e posições”, afirmou ele, que foi bastante atacado quando criou a Lei Cidade Limpa.

Bloomberg, que é presidente da C40 e falou logo após Kassab, disse que grandes vitórias só se conseguem a partir de pequenos passos. Ele falou sobre as semelhanças entre São Paulo e Nova York, lembrando que as duas cidade são conhecidas como “as cidades que nunca dormem”. Ele também pediu um esforço coletivo e parcerias no sentido de tomar medidas em prol do meio ambiente. “Ninguém pode fazer melhor pelo mundo do que nós, prefeitos de grandes cidades.”

Fonte: Carolina Iskadarian, Do G1 em SP.


23 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Interior de São Paulo vive onda de matança de animais

A vira-lata Cindy foi encontrada morta após ser espancada em Sales Oliveira (363 km de São Paulo) há menos de um mês. O caso faz parte de uma série de mortes criminosas de animais registradas no interior paulista.

Segundo representantes de ONGs de proteção animal e delegados ouvidos pela Folha, ao menos outros 80 animais foram encontrados mortos em Sertãozinho, Ribeirão Preto, Sales Oliveira e Campinas em dois meses.

Na maioria dos casos, há sinais de envenenamento.

Em Sales, além de Cindy, outros 15 animais morreram desde abril. Eles eram de um grupo de 20 abrigados de maneira improvisada num recinto de exposições.

O delegado Clodoaldo Vieira diz que ainda não há suspeitos, mas admite a possibilidade de as mortes deste ano estarem relacionadas com as 50 mortes por envenenamento do ano passado.

Em Ribeirão, 46 animais (gatos, gambás e uma cadela) foram envenenados na segunda “chacina” do ano -na primeira, em março, foram dez os mortos.

Em Campinas, pelo menos um animal é morto em média por mês, segundo a delegada Rosana Mortari, além de casos em rituais de magia negra. Em Sertãozinho, voluntários dizem ter encontrado 15 gatos mortos.

Para o presidente da ONG Arca Brasil, Marco Ciampi, a superpopulação de animais de rua cresce proporcionalmente ao desenvolvimento do segmento pet.

Para ele, é preciso difundir o conceito de posse responsável e investir em políticas públicas -como a castração- para reduzir a população animal e evitar crimes.

ABRIGOS LOTADOS

Os abrigos para animais de rua estão no limite ou além da capacidade em várias cidades. A lotação está relacionada, em parte, à lei estadual de 2008, que proibiu o sacrifício de animais capturados.

O “inchaço” também pode ser explicado pelas baixas taxas de castração e adoção e altos índices de abandono.

Em Ribeirão Preto, cerca de 50 animais chegam ao canil do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) por semana contra 40 doados por mês.
Sem canis próprios, alguns municípios fazem parcerias com a iniciativa privada ou improvisam abrigos.

Esse é o caso de Serrana (313 km de SP). Um canil provisório foi montado em um antigo drive-in. De acordo com a prefeitura, o projeto de um novo abrigo está sendo desenvolvido.

Cães em canil provisório no município de Serrana; quatro cidades do interior de SP tiveram 80 casos de mortes. (Edson Silva- 21.mai.11/Folhapress

Cães em canil provisório no município de Serrana; quatro cidades do interior de SP tiveram 80 casos de mortes. (Edson Silva- 21.mai.11/Folhapress

 

Fonte: Folha.com, Ana Sousa


18 de abril de 2011 | nenhum comentário »

Emissões de gás carbônico em São Paulo vão dobrar até 2035

O estado de São Paulo tem, desde 2009, uma das leis mais ambiciosas para o combate ao aquecimento global. A legislação prevê que as emissões de gases causadores de efeito estufa caiam em 20% até 2020 comparados aos níveis de 2005. Cumpri-la, porém, é um desafio. O próprio governo paulista já prevê que a quantidade de dióxido de carbono (CO2) emitida no estado vá crescer pelo menos 55% de 2005 a 2020. Até 2035, as emissões devem mais que dobrar.

Essas estimativas constam do estudo Matriz Energética do Estado de São Paulo – 2035, da Secretaria de Energia estadual. Nele, as contas mais otimistas indicam que 85 milhões de toneladas de CO2 serão jogadas na atmosfera por atividades desenvolvidas no estado em 2020. Em 2005, eram cerca de 55 milhões de toneladas – 30 milhões de toneladas a menos. Já em 2035, serão mais de 120 milhões de toneladas de CO2 emitidas no estado. Isso representa um incremento de cerca de 120% na comparação com as emissões de 2005.

Esses números foram apresentados na primeira reunião do Conselho Estadual de Política Energética do Estado de São Paulo, ocorrida no final do mês passado. Os dados já levam em consideração todas as políticas públicas estaduais anunciadas para redução das emissões de CO2.

O Plano Integrado de Transportes Urbanos 2005 a 2025 (Pitu), que prevê a maior utilização do transporte coletivo, por exemplo, já foi considerado na estimativa. Também foram levados em conta os ganhos de produtividade da indústria e da agricultura, assim como a redução do uso de combustíveis fósseis como a gasolina e o diesel.

Para o pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sérgio Valdir Balay, os resultados do estudo mostram a urgência de novas políticas para redução das emissões. Segundo ele, caso o estado queira mesmo cumprir a lei, terá de tomar medidas “ousadas” e “mexer com o hábito das pessoas”.

“Precisaríamos reduzir o uso dos automóveis, já que o transporte é o maior responsável pelas emissões. As grandes empresas e o próprio Poder Público também teriam que reduzir suas emissões”, disse Balay, em entrevista à Agência Brasil.

O pesquisador afirmou que a meta de 20% de queda das emissões ainda é factível, mas parece ter sido estipulada sem os critérios necessários. “Os políticos adoram tomar decisões sem fazer um planejamento técnico”, criticou. “O que aconteceu [com as metas] foi isso.”

A Agência Brasil entrou em contato com a Secretaria de Energia, responsável pelo estudo sobre as emissões de CO2. O órgão, porém, não se pronunciou sobre o assunto.

Já a Secretaria do Meio Ambiente informou, em nota, que a meta de 20% de redução será “seguida”. De acordo com o órgão, o estudo da Secretaria de Energia “é baseado em modelo matemático” e “está sujeito a deixar de fora variáveis”.

A pasta informou também que o Conselho Estadual de Política Energética já estabeleceu um plano de trabalho para estruturar medidas adicionais de redução de emissões dos gases de efeito estufa. “O processo da construção de como o governo cumprirá a meta será feito em discussão com a sociedade civil, órgãos de governo e setor privado”, complementou.

Fonte: Vinicius Konchinski/ Agência Brasil


7 de janeiro de 2011 | nenhum comentário »

Luzes natalinas atrapalham animais em parque de São Paulo, diz cientista

As luzes de Natal que enfeitam parques e avenidas de São Paulo podem afetar a vida dos animais em áreas verdes da capital. É o que afirma Eugene Harris, do departamento de Ciência Biológica e Geologia da City University de Nova York, ao analisar o caso do Parque Trianon, na região central da capital. “O problema da iluminação da Avenida Paulista é piorado com a presença dessas luzes artificiais”, afirma o professor.

Para ele, a quantidade, a intensidade e a duração da exposição – 33 dias, durante todas as noites – são os principais fatores que devem atrapalhar os bichos. “O metabolismo e a reprodução são afetados, assim como o relógio biológico dos animais, quando eles dormem, quando acordam para se alimentar”, afirma o cientista, que fez pós-doutoramento em biologia na Universidade de São Paulo (USP).

“Este é um problema geral de todas as cidades grandes, a poluição luminosa, mas se você for no Central Park, em Nova York, não irá encontrar tanta luz quanto em um espaço tão pequeno como o do Trianon.”

Tido como um dos últimos redutos de Mata Atlântica na capital paulista, o parque tem uma área de 48 mil metros quadrados e contém 38 espécies identificadas, 29 delas de aves, segundo informações do portal da Prefeitura.

Mesmo o barulho das luzes ligadas e a presença de humanos no período noturno são encarados como complicadores, prejudicando, por exemplo, o senso de localização dos bichos. “A Prefeitura deveria ter responsibilidade ao colocar este tipo de iluminacão, com impacto no meio ambiente. E os cidadãos deveriam reclamar mais”, defende o norte-americano, que cita o local como “tesouro”, mostrado até a seu filho, tamanha a admiração dele pelo espaço verde.

Ao ser procurada pelo G1, a assessoria do parque afirmou que os adereços de Natal foram instalados “de forma segura e de modo a não oferecer risco às árvores e à fauna do local”. Não foram registradas ocorrências com os pássaros que habitam o parque e nenhuma árvore foi avariada até o momento. A retirada da decoração começa a partir desta sexta-feira (7).

Novos postes – O sistema de iluminação da Avenida Paulista passa atualmente por uma renovação estimada em R$ 3,5 milhões. O projeto, elaborado pelo Departamento de Iluminação Pública (Ilume) e executado pela Eletropaulo, prevê a substituição de 54 postes de concreto por 39 estruturas com projetores e 15 postes menores, todos equipados com lâmpadas de vapor metálico.

O aumento no nível de luminosidade deverá ser de 425% ao longo da avenida, com redução mensal de 70% no consumo de energia, segundo a Prefeitura.

Fonte: G1


20 de outubro de 2010 | 1 comentário »

Políticas públicas para mudanças climáticas

Por Fabio Reynol, da Agência Fapesp Se o Estado de São Paulo fosse um país estaria em 39º no ranking das nações que mais emitem dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Em 2003, foram 83 milhões de toneladas do gás, praticamente um quarto do montante brasileiro. Esses números lançam ao estado um enorme desafio para reduzir as emissões e já estimularam a implantação de várias políticas públicas, entre as quais a ativação do Conselho Estadual de Mudanças Climáticas, ocorrida na sexta-feira (15/10).

O tema foi tratado em mesa durante o fórum Mudanças Climáticas Globais – Desafios e oportunidades de pesquisa, realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) nos dias 14 e 15 de outubro. A mesa teve a participação do diretor-presidente da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), Fernando Rei, do diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, e do diretor do Instituto de Estudos Avançados da Faculdade de Economia e Administração da USP, Jacques Marcovitch. “As emissões de CO2 em São Paulo são tímidas em relação aos países desenvolvidos, mas, ao se considerar o índice de ocupação do solo, são emissões superiores à média nacional”, disse Rei.

O executivo fez um histórico das políticas públicas paulistas desde o Programa Estadual de Mudanças Climáticas do Estado de São Paulo (Proclima), lançado em 1995, e destacou a participação paulista em organizações internacionais de estados subnacionais, que englobam regiões internas de países como estados e províncias. “São Paulo é copresidente pela segunda vez da rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável”, destacou.

O Conselho Estadual de Mudanças Climáticas estava previsto na Lei Estadual 13.798, assinada em novembro de 2009, e possui uma estrutura tripartite: um terço de representantes do governo estadual, um terço vindo de governos municipais e um terço de membros da sociedade civil. São Paulo também iniciou o Registro Público de Emissões a fim de identificar, por setores e por empresas, os maiores emissores de gases de efeito estufa. Todas essas medidas têm como objetivo tentar alcançar uma redução de 20% do CO2 emitido até o ano de 2020 em relação aos valores de 2005, meta que o Estado se comprometeu a cumprir.

“Trata-se de um objetivo extremamente difícil e que exigirá a participação da sociedade civil”, salientou Rei. No ano de 2005, São Paulo lançou na atmosfera 122 milhões de toneladas de CO2, o que significa que em 2020 poderia lançar até 98 milhões de toneladas, de acordo com a meta. A tarefa é ainda mais complexa ao considerar que São Paulo já substituiu quase a metade das fontes energéticas de origem fóssil para fontes renováveis na última década, como ressaltou Brito Cruz. “Cerca de 60% do consumo de energia do estado era de origem fóssil e hoje esse índice é de apenas 33%”, disse.

O diretor científico da Fapesp focou na contribuição que a ciência deu ao longo da história à questão do clima, desde o matemático francês Jean Jacques Baptiste Fourier, que em 1827 publicou um artigo no qual concebeu o conceito de efeito estufa, até as experiências do norte-americano Charles Kelling, que de 1957 a 1972 escalou periodicamente o vulcão inativo Mauna Loa, no Havaí, para coletar amostras de ar e medir o teor de carbono da atmosfera. “Foram pesquisas que pareciam inúteis em suas épocas e que hoje se mostram extremamente pertinentes em relação aos problemas que estamos enfrentando”, disse, destacando que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) foi criado pela Organização das Nações Unidas para que as lideranças políticas pudessem entender a produção científica a respeito do clima.

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Brito Cruz também apresentou os principais pontos abordados pelo Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), que tem procurado intensificar a produção científica nacional no clima e conta com projetos em andamento em áreas como agronomia, química, geociências, demografia e economia. “Não queremos apenas aumentar a quantidade dos trabalhos científicos, mas também a sua qualidade para que ganhem visibilidade internacional”, disse. Nesse sentido, a Fapesp financiou a compra de um supercomputador em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A máquina está sendo instalada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Cachoeira Paulista (SP) e será dedicada a processar modelos de simulação do clima. O supercomputador deverá colocar o Brasil entre os maiores do mundo em investigação do clima e poderá processar modelos que contemplem os sistemas climáticos nacionais, como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica e o Cerrado. Além do computador, Brito Cruz anunciou que a Fapesp também está financiando a compra de um barco e de um navio oceanográfico que deverão auxiliar pesquisas sobre a temperatura, acidificação e nível dos oceanos, entre outras pesquisas.

Aprimorar incentivos e aumentar sanções

Marcovitch falou sobre os impactos econômicos e a participação do setor empresarial no esforço para mitigar as mudanças climáticas. O professor, que foi reitor da USP entre 1997 e 2001, afirmou que é preciso respeitar o tempo de ação de cada ator social para que o esforço conjunto funcione. “As pautas de cada um são diferentes: membros do governo enfatizam o poder, cientistas se pautam na busca pela verdade, empresas focam no resultado e a sociedade civil trabalha com valores. É preciso enxergar isso para haver o diálogo e avançar”, disse.

No caso do setor empresarial, Marcovitch defende políticas públicas que promovam incentivos mais eficientes para as companhias que participarem e, ao mesmo tempo, sanções mais rigorosas para aquelas que não quiserem colaborar. Por fim, o pesquisador apresentou partes do Estudo Econômico das Mudanças Climáticas no Brasil, que coordenou junto a 11 instituições. O trabalho procurou identificar as vulnerabilidades que a economia e a sociedade brasileira possuem em relação às alterações do clima. “Os países que promoveram os maiores saltos da civilização foram os mais ousados e que enfrentaram grandes desafios, a área do clima é um deles”, disse.


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