27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Veneno de cobra para exportação

Durante dois dias (25 e 26 de julho), o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), órgão deliberativo e normativo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), analisou inúmeros processos que tratam de acesso ao patrimônio genético brasileiro para fins comerciais. Um dos assuntos tratados chamou a atenção dos participantes durante esta última reunião do CGEN (a 94º) e diz respeito à regulação da exportação de veneno de cobra.

A legislação brasileira prevê que os benefícios obtidos com a utilização de patrimônio genético sejam repartidos com os provedores. Os termos dessa repartição são negociados entre as partes provedoras do patrimônio genético e a parte usuária, de acordo com a Medida Provisória nº 2186-16/2001, que regula a matéria. Serão baseados não só em dinheiro, mas também em transferência de tecnologia, capacitação ou royalties.

Vida melhor - Segundo a diretora do Departamento de Patrimônio Genético da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, Eliana Fontes, é muito interessante o fato dos provedores do patrimônio genético serem populações indígenas ou tradicionais como, por exemplo, caiçaras, seringueiros e quilombolas. “A lei permite um retorno dos benefícios para estas populações, contribui para a promoção de melhoria na qualidade de vida deles e estimula a conservação da floresta: ao invés de cortarem madeira ou venderem terra para produtores de soja, eles recebem um estímulo para preservar o patrimônio natural e genético”, disse.

O assunto emplacou na reunião a partir das consultas de empresas, nacionais e estrangeiras, ao CGEN. Essas empresas exportam para instituições no exterior que utilizam o material animal para confecção de medicamentos ou cosméticos como botox. O conselho determinou, assim, que a exportação de peçonhas de cobra caracteriza remessa do patrimônio genético e deve ser regulado. A mesma regra deve ser aplicada a peçonhas de animais silvestres da fauna brasileira em geral (de cobra, sapo, escorpião ou outros animais).

Fonte: Letícia Verdi/ MMA


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Menores sapos do mundo são descobertos na Papua Nova Guiné

Animais do gênero ‘Paedophryne’ também são os menores vertebrados terrestres. Eles tem entre 8 e 9 milímetros de comprimento

Os menores sapos do mundo, com um comprimento de 8 a 9 milímetros, ou seja, menos de um centímetro, foram encontrados na Papua Nova Guiné. Eles pertencem ao gênero Paedophryne, cujas espécies são todas diminutas. O anúncio foi publicado na edição de dezembro da revistaZooKeys.

As duas novas espécies ganharam os nomes Paedophryne dekot Paedophryne verrucosa. Além de serem os menores sapos encontrados até agora, seu tamanho os torna os menores tetrápodes (vertebrados terrestres) do mundo. As espécies habitam as montanhas do sudoeste da Papua Nova Guiné e ilhes próximas. Os sapos procuram comida em folhas de plantas pequenas e em musgo.

“A miniaturização ocorre em muitos gêneros de sapos ao redor do mundo”, afirma o autor da descoberta, Fred Kraus, do Museu Bishop, em Honolulu. “Mas eles parecem particularmente bem representados aqui na Papua Nova Guiné, com sete gêneros apresentando o fenômeno. E embora a maioria dos gêneros tenha membros diminutos misturados com parentes maiores, o caso do Paedophryne é único, com todos as espécies minúsculas”, completa. As quatro espécies conhecidas tem o mesmo habitat.

O tamanho dos membros desse gênero impossibilita que os animais consigam escalar substâncias, como seus parentes maiores. Mas, segundo o autor, lhes dá a possibilidade de procurar comida em lugares onde sapos maiores não conseguem alcançar, como o musgo de pequenas folhas.

Também por causa do tamanho, as fêmeas dessas espécies não conseguem ter centenas de filhotes, como ocorre com sapos grandes. Cada uma delas produz apenas dois ovos e ainda não se sabe como funciona sua reprodução.

Sapos Paedophryne

Novas espécies de sapos são as menores conhecidas até hoje. Imagens A e B representam o Paedophryne dekot . As C e D são do Paedophryne verrucosa. (ZooKeys / Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Animais preveem tremores por mudanças na água, dizem cientistas

Teoria é de que certos animais sentem alterações químicas no ambiente causadas por partículas liberadas por rochas sob estresse.

Animais que vivem na água ou perto dela são sensíveis a mudanças na sua composição química. (Foto: Getty Images / via BBC)

Animais que vivem na água ou perto dela são sensíveis a mudanças na sua composição química. (Foto: Getty Images / via BBC)

Cientistas dizem que animais podem ser capazes de perceber mudanças químicas que ocorrem na água quando um terremoto está prestes a ocorrer. Este fenômeno poderia explicar os estranhos comportamentos apresentados por animais em períodos que antecedem um tremor de terra.

A equipe de cientistas, integrada por pesquisadores da Nasa, nos Estados Unidos, e da Open University da Grã-Bretanha, começou a investigar os efeitos químicos dos terremotos após observar uma colônia de sapos que abandonou a lagoa em que vivia na cidade de L’Aquila, na Itália, dias antes de um terremoto, em abril de 2009.

Os especialistas sugerem que as mudanças no comportamento dos animais passem a ser observadas e integradas aos mecanismos de previsão de terremotos. As conclusões dos cientistas foram publicadas na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health.

O artigo descreve um processo pelo qual rochas sob estresse na crosta terrestre liberam partículas carregadas eletricamente que reagem com a água no solo.

Animais que vivem na água ou perto dela são altamente sensíveis a mudanças na sua composição química, então é possível que eles sejam capazes de sentir essas alterações dias antes de as rochas finalmente se moverem, provocando o terremoto.

A equipe, liderada por Friedemann Freund, da Nasa, e Rachel Grant, da Open University, espera que sua hipótese inspire biólogos e geólogos a trabalhar juntos para descobrir exatamente como os animais poderiam nos ajudar a reconhecer alguns dos sinais sutis de um terremoto iminente.

Comportamento estranho
Os sapos de L’Aquila não são o primeiro exemplo de comportamento animal estranho antes de um grande abalo sísmico. Ao longo da História, houve muitos relatos de répteis, anfíbios e peixes se comportando de maneira pouco usual nesses períodos.

Em julho de 2009, horas após um grande terremoto na cidade de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, residentes encontraram dezenas de lulas Humboldt nas praias da região. Essas lulas são normalmente encontradas no fundo do mar, a profundidades de entre 200 a 600 metros.

Em 1975, em Haicheng, na China, muitos moradores relataram ter visto cobras saindo de suas tocas um mês antes de a cidade ser sacudida por um grande tremor.

O comportamento das cobras era particularmente estranho por ter ocorrido no inverno, período em que elas deveriam estar hibernando. Em temperaturas próximas de 0ºC, sair da toca era praticamente suicídio para répteis, que dependem de fontes externas de calor para aquecer seus corpos.

Cada um dos exemplos de comportamento animal anômalo citados é único. Terremotos de grandes magnitudes são tão raros que fica quase impossível estudar detalhadamente os eventos associados a eles.

E é nesse aspecto que o caso dos sapos de L’Aquila se diferencia.

Êxodo de sapos
A bióloga britânica Grant estava monitorando a colônia de sapos como parte de um projeto de PhD. “Foi muito dramático”, ela lembrou. “(O número de sapos) foi de 96 sapos para quase zero em três dias.”

As observações de Grant foram publicadas na revista científica Journal of Zoology. “Depois disso, fui contatada pela Nasa”, ela disse à BBC.

Cientistas da agência espacial americana vinham estudando as mudanças químicas que ocorrem quando as rochas estão sob extremo estresse. Eles se perguntaram se essas alterações estariam associadas ao êxodo em massa dos sapos.

Agora, exames laboratoriais feitos pela equipe revelaram que a crosta da Terra pode afetar diretamente a composição química da água dentro do lago onde os sapos viviam e se reproduziam naquele momento.

O geofísico americano Friedemann Freund demonstrou que quando rochas estão sob níveis muito altos de estresse – provocado, por exemplo, por imensas forças tectônicas logo antes de um terremoto – elas liberam partículas carregadas eletricamente.

Essas partículas se espalham pelas rochas nas imediações, explicou Freund. E quando chegam à superfície da Terra, reagem com o ar, convertendo moléculas de ar em partículas carregadas eletricamente.

“Íons positivos presentes no ar são conhecidos na comunidade médica por provocar dores de cabeça e náusea em seres humanos e por aumentar o nível de serotonina, um hormônio associado ao estresse, no sangue de animais”, disse Freund.

Essa reação química em cadeia poderia afetar matéria orgânica dissolvida na água do lago, transformando substâncias orgânicas inofensivas em materiais tóxicos para animais aquáticos.

Trata-se de um mecanismo complicado e os cientistas enfatizaram que a teoria precisa ser testada.

Grant disse, no entanto, que esta é a primeira descrição convincente de um possível mecanismo que funcionaria como um ‘sinal pré-terremoto’ que animais aquáticos, semi-aquáticos ou que vivem em tocas seriam capazes de perceber, reagindo a ele.

“Quando você pensa em todas as coisas que estão acontecendo com essas rochas, seria estranho se os animais não fossem afetados de alguma forma”, ela disse.

Freund disse que o comportamento de animais poderia ser um entre vários acontecimentos interligados que poderiam prever um terremoto.

Fonte: Da BBC


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Anfíbios vivem no extremo norte do país.
Segundo cientista, eles são adaptados para viver em rochas.

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.

Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.

Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.

Sapo1 (Foto: Reprodução)

Cophixalus kulakula (Foto: Reprodução)

 

Sapo2 (Foto: Reprodução)

Cophixalus pakayakulangun (Foto: Reprodução)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


16 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Sapos, rãs e pererecas estão entre os mais ameaçados de extinção

O perigo da extinção ameaça constantemente a biodiversidade do planeta. Para muitos cientistas, são as ações do homem as grandes responsáveis por esse problema. No estudo, “Os riscos de extinção de sapos, rãs e pererecas em decorrência das alterações ambientais”, Vanessa Verdade, Marianna Dixo e Felipe Curcio explicam como o fantasma da extinção ronda também esse grupo de animais. A pesquisa foi publicada na revista Estudos Avançados.

Segundo o estudo, a diversidade de anuros (popularmente conhecidos como sapos, rãs e pererecas) no mundo ultrapassa 5.600 espécies, e o Brasil é considerado atualmente o país que inclui a maior diversidade, abrigando 849 delas. “Estar no topo desse ranking é motivo de orgulho para nós, mas exige muita responsabilidade. Quase 500 das espécies que vivem no país são endêmicas (exclusivas do Brasil). Isso significa que, se alguma delas for extinta, o mundo todo perde parte de sua diversidade”, explicam os autores no estudo.

A pesquisa mostra também que os anuros são um dos grupos de animais mais ameaçados de extinção no mundo – cerca de 30% deles correm risco de desaparecer nos próximos anos – e que desde 1980, 35 espécies já foram extintas na natureza. “Por apresentarem pele fina e permeável e, na maioria dos casos, fase larval que vive em ambiente aquático, esses animais são muito sensíveis a alterações tanto do ambiente aquático como do solo e do ar”, explica a pesquisa.

Os pesquisadores afirmam no artigo que como as áreas naturais estarem cada vez menores, mais alteradas e mais isoladas entre si, muitas espécies deixam de encontrar no ambiente as condições necessárias para sobreviver. “Uma espécie de perereca que deposita ovos nas axilas de bromélias depende dessas para reproduzir. Se as bromélias desaparecerem, não haverá reprodução e a população deixará de existir”, exemplificam.

O estudo ainda mostra os perigos da radiação ultravioleta – que nos anuros atinge os ovos e embriões, prejudicando o desenvolvimento, gerando anomalias e causando problemas no sistema imunológico – e da presença de agentes infecciosos como o Bd – um fungo aquático da família Quitridae, da espécie Batrachochitrium dendrobatidis. “O Bd é considerado atualmente a maior e mais iminente ameaça aos anfíbios nas regiões tropicais”, diz a pesquisa.

Muitos anfíbios são considerados bioindicadores, pois sua pele permeável e o ciclo de vida em ambiente aquático e terrestre são características que os tornam suscetíveis a alterações no ambiente. “A sensibilidade de algumas espécies permite dizer que o ambiente não vai bem quando eles deveriam estar presentes e não estão. Mesmo em áreas em que o ambiente está aparentemente preservado, o desaparecimento de espécies de anfíbios nos diz que existe um problema. A crise é um importante alerta”, encerram.

Fonte: JB Online






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27 de julho de 2012 | nenhum comentário »

Veneno de cobra para exportação

Durante dois dias (25 e 26 de julho), o Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN), órgão deliberativo e normativo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), analisou inúmeros processos que tratam de acesso ao patrimônio genético brasileiro para fins comerciais. Um dos assuntos tratados chamou a atenção dos participantes durante esta última reunião do CGEN (a 94º) e diz respeito à regulação da exportação de veneno de cobra.

A legislação brasileira prevê que os benefícios obtidos com a utilização de patrimônio genético sejam repartidos com os provedores. Os termos dessa repartição são negociados entre as partes provedoras do patrimônio genético e a parte usuária, de acordo com a Medida Provisória nº 2186-16/2001, que regula a matéria. Serão baseados não só em dinheiro, mas também em transferência de tecnologia, capacitação ou royalties.

Vida melhor - Segundo a diretora do Departamento de Patrimônio Genético da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, Eliana Fontes, é muito interessante o fato dos provedores do patrimônio genético serem populações indígenas ou tradicionais como, por exemplo, caiçaras, seringueiros e quilombolas. “A lei permite um retorno dos benefícios para estas populações, contribui para a promoção de melhoria na qualidade de vida deles e estimula a conservação da floresta: ao invés de cortarem madeira ou venderem terra para produtores de soja, eles recebem um estímulo para preservar o patrimônio natural e genético”, disse.

O assunto emplacou na reunião a partir das consultas de empresas, nacionais e estrangeiras, ao CGEN. Essas empresas exportam para instituições no exterior que utilizam o material animal para confecção de medicamentos ou cosméticos como botox. O conselho determinou, assim, que a exportação de peçonhas de cobra caracteriza remessa do patrimônio genético e deve ser regulado. A mesma regra deve ser aplicada a peçonhas de animais silvestres da fauna brasileira em geral (de cobra, sapo, escorpião ou outros animais).

Fonte: Letícia Verdi/ MMA


14 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Menores sapos do mundo são descobertos na Papua Nova Guiné

Animais do gênero ‘Paedophryne’ também são os menores vertebrados terrestres. Eles tem entre 8 e 9 milímetros de comprimento

Os menores sapos do mundo, com um comprimento de 8 a 9 milímetros, ou seja, menos de um centímetro, foram encontrados na Papua Nova Guiné. Eles pertencem ao gênero Paedophryne, cujas espécies são todas diminutas. O anúncio foi publicado na edição de dezembro da revistaZooKeys.

As duas novas espécies ganharam os nomes Paedophryne dekot Paedophryne verrucosa. Além de serem os menores sapos encontrados até agora, seu tamanho os torna os menores tetrápodes (vertebrados terrestres) do mundo. As espécies habitam as montanhas do sudoeste da Papua Nova Guiné e ilhes próximas. Os sapos procuram comida em folhas de plantas pequenas e em musgo.

“A miniaturização ocorre em muitos gêneros de sapos ao redor do mundo”, afirma o autor da descoberta, Fred Kraus, do Museu Bishop, em Honolulu. “Mas eles parecem particularmente bem representados aqui na Papua Nova Guiné, com sete gêneros apresentando o fenômeno. E embora a maioria dos gêneros tenha membros diminutos misturados com parentes maiores, o caso do Paedophryne é único, com todos as espécies minúsculas”, completa. As quatro espécies conhecidas tem o mesmo habitat.

O tamanho dos membros desse gênero impossibilita que os animais consigam escalar substâncias, como seus parentes maiores. Mas, segundo o autor, lhes dá a possibilidade de procurar comida em lugares onde sapos maiores não conseguem alcançar, como o musgo de pequenas folhas.

Também por causa do tamanho, as fêmeas dessas espécies não conseguem ter centenas de filhotes, como ocorre com sapos grandes. Cada uma delas produz apenas dois ovos e ainda não se sabe como funciona sua reprodução.

Sapos Paedophryne

Novas espécies de sapos são as menores conhecidas até hoje. Imagens A e B representam o Paedophryne dekot . As C e D são do Paedophryne verrucosa. (ZooKeys / Divulgação)

Fonte: Veja Ciência


2 de dezembro de 2011 | nenhum comentário »

Animais preveem tremores por mudanças na água, dizem cientistas

Teoria é de que certos animais sentem alterações químicas no ambiente causadas por partículas liberadas por rochas sob estresse.

Animais que vivem na água ou perto dela são sensíveis a mudanças na sua composição química. (Foto: Getty Images / via BBC)

Animais que vivem na água ou perto dela são sensíveis a mudanças na sua composição química. (Foto: Getty Images / via BBC)

Cientistas dizem que animais podem ser capazes de perceber mudanças químicas que ocorrem na água quando um terremoto está prestes a ocorrer. Este fenômeno poderia explicar os estranhos comportamentos apresentados por animais em períodos que antecedem um tremor de terra.

A equipe de cientistas, integrada por pesquisadores da Nasa, nos Estados Unidos, e da Open University da Grã-Bretanha, começou a investigar os efeitos químicos dos terremotos após observar uma colônia de sapos que abandonou a lagoa em que vivia na cidade de L’Aquila, na Itália, dias antes de um terremoto, em abril de 2009.

Os especialistas sugerem que as mudanças no comportamento dos animais passem a ser observadas e integradas aos mecanismos de previsão de terremotos. As conclusões dos cientistas foram publicadas na revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health.

O artigo descreve um processo pelo qual rochas sob estresse na crosta terrestre liberam partículas carregadas eletricamente que reagem com a água no solo.

Animais que vivem na água ou perto dela são altamente sensíveis a mudanças na sua composição química, então é possível que eles sejam capazes de sentir essas alterações dias antes de as rochas finalmente se moverem, provocando o terremoto.

A equipe, liderada por Friedemann Freund, da Nasa, e Rachel Grant, da Open University, espera que sua hipótese inspire biólogos e geólogos a trabalhar juntos para descobrir exatamente como os animais poderiam nos ajudar a reconhecer alguns dos sinais sutis de um terremoto iminente.

Comportamento estranho
Os sapos de L’Aquila não são o primeiro exemplo de comportamento animal estranho antes de um grande abalo sísmico. Ao longo da História, houve muitos relatos de répteis, anfíbios e peixes se comportando de maneira pouco usual nesses períodos.

Em julho de 2009, horas após um grande terremoto na cidade de San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, residentes encontraram dezenas de lulas Humboldt nas praias da região. Essas lulas são normalmente encontradas no fundo do mar, a profundidades de entre 200 a 600 metros.

Em 1975, em Haicheng, na China, muitos moradores relataram ter visto cobras saindo de suas tocas um mês antes de a cidade ser sacudida por um grande tremor.

O comportamento das cobras era particularmente estranho por ter ocorrido no inverno, período em que elas deveriam estar hibernando. Em temperaturas próximas de 0ºC, sair da toca era praticamente suicídio para répteis, que dependem de fontes externas de calor para aquecer seus corpos.

Cada um dos exemplos de comportamento animal anômalo citados é único. Terremotos de grandes magnitudes são tão raros que fica quase impossível estudar detalhadamente os eventos associados a eles.

E é nesse aspecto que o caso dos sapos de L’Aquila se diferencia.

Êxodo de sapos
A bióloga britânica Grant estava monitorando a colônia de sapos como parte de um projeto de PhD. “Foi muito dramático”, ela lembrou. “(O número de sapos) foi de 96 sapos para quase zero em três dias.”

As observações de Grant foram publicadas na revista científica Journal of Zoology. “Depois disso, fui contatada pela Nasa”, ela disse à BBC.

Cientistas da agência espacial americana vinham estudando as mudanças químicas que ocorrem quando as rochas estão sob extremo estresse. Eles se perguntaram se essas alterações estariam associadas ao êxodo em massa dos sapos.

Agora, exames laboratoriais feitos pela equipe revelaram que a crosta da Terra pode afetar diretamente a composição química da água dentro do lago onde os sapos viviam e se reproduziam naquele momento.

O geofísico americano Friedemann Freund demonstrou que quando rochas estão sob níveis muito altos de estresse – provocado, por exemplo, por imensas forças tectônicas logo antes de um terremoto – elas liberam partículas carregadas eletricamente.

Essas partículas se espalham pelas rochas nas imediações, explicou Freund. E quando chegam à superfície da Terra, reagem com o ar, convertendo moléculas de ar em partículas carregadas eletricamente.

“Íons positivos presentes no ar são conhecidos na comunidade médica por provocar dores de cabeça e náusea em seres humanos e por aumentar o nível de serotonina, um hormônio associado ao estresse, no sangue de animais”, disse Freund.

Essa reação química em cadeia poderia afetar matéria orgânica dissolvida na água do lago, transformando substâncias orgânicas inofensivas em materiais tóxicos para animais aquáticos.

Trata-se de um mecanismo complicado e os cientistas enfatizaram que a teoria precisa ser testada.

Grant disse, no entanto, que esta é a primeira descrição convincente de um possível mecanismo que funcionaria como um ‘sinal pré-terremoto’ que animais aquáticos, semi-aquáticos ou que vivem em tocas seriam capazes de perceber, reagindo a ele.

“Quando você pensa em todas as coisas que estão acontecendo com essas rochas, seria estranho se os animais não fossem afetados de alguma forma”, ela disse.

Freund disse que o comportamento de animais poderia ser um entre vários acontecimentos interligados que poderiam prever um terremoto.

Fonte: Da BBC


7 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Descobertas duas novas espécies de sapo na Austrália

Anfíbios vivem no extremo norte do país.
Segundo cientista, eles são adaptados para viver em rochas.

Duas novas espécies de sapos que vivem na floresta do Cabo York, no norte da Austrália, foram descritas em edição recente da revista “Zootaxa”. Elas foram batizadas de Cophixalus kulakula e Cophilaxus pakayakulangun, e são parentes próximas entre si, embora vivam em lugares distintos.

Por outro lado, as espécies não se assemelham a outras espécies da região, o que leva a crer que tenha evoluído isoladamente – tão isoladas que sequer a população de aborígenes da área as conhecia.

Suas patas grandes e longas demonstram que os sapos estão adaptados a viver em rochas. Para a família a que pertencem, são relativamente grandes – medem cerca de 4 centímetros de comprimento. Seu principal alimento são as formigas.

Sapo1 (Foto: Reprodução)

Cophixalus kulakula (Foto: Reprodução)

 

Sapo2 (Foto: Reprodução)

Cophixalus pakayakulangun (Foto: Reprodução)

 

Fonte: Globo Natureza, São Paulo


16 de agosto de 2010 | nenhum comentário »

Sapos, rãs e pererecas estão entre os mais ameaçados de extinção

O perigo da extinção ameaça constantemente a biodiversidade do planeta. Para muitos cientistas, são as ações do homem as grandes responsáveis por esse problema. No estudo, “Os riscos de extinção de sapos, rãs e pererecas em decorrência das alterações ambientais”, Vanessa Verdade, Marianna Dixo e Felipe Curcio explicam como o fantasma da extinção ronda também esse grupo de animais. A pesquisa foi publicada na revista Estudos Avançados.

Segundo o estudo, a diversidade de anuros (popularmente conhecidos como sapos, rãs e pererecas) no mundo ultrapassa 5.600 espécies, e o Brasil é considerado atualmente o país que inclui a maior diversidade, abrigando 849 delas. “Estar no topo desse ranking é motivo de orgulho para nós, mas exige muita responsabilidade. Quase 500 das espécies que vivem no país são endêmicas (exclusivas do Brasil). Isso significa que, se alguma delas for extinta, o mundo todo perde parte de sua diversidade”, explicam os autores no estudo.

A pesquisa mostra também que os anuros são um dos grupos de animais mais ameaçados de extinção no mundo – cerca de 30% deles correm risco de desaparecer nos próximos anos – e que desde 1980, 35 espécies já foram extintas na natureza. “Por apresentarem pele fina e permeável e, na maioria dos casos, fase larval que vive em ambiente aquático, esses animais são muito sensíveis a alterações tanto do ambiente aquático como do solo e do ar”, explica a pesquisa.

Os pesquisadores afirmam no artigo que como as áreas naturais estarem cada vez menores, mais alteradas e mais isoladas entre si, muitas espécies deixam de encontrar no ambiente as condições necessárias para sobreviver. “Uma espécie de perereca que deposita ovos nas axilas de bromélias depende dessas para reproduzir. Se as bromélias desaparecerem, não haverá reprodução e a população deixará de existir”, exemplificam.

O estudo ainda mostra os perigos da radiação ultravioleta – que nos anuros atinge os ovos e embriões, prejudicando o desenvolvimento, gerando anomalias e causando problemas no sistema imunológico – e da presença de agentes infecciosos como o Bd – um fungo aquático da família Quitridae, da espécie Batrachochitrium dendrobatidis. “O Bd é considerado atualmente a maior e mais iminente ameaça aos anfíbios nas regiões tropicais”, diz a pesquisa.

Muitos anfíbios são considerados bioindicadores, pois sua pele permeável e o ciclo de vida em ambiente aquático e terrestre são características que os tornam suscetíveis a alterações no ambiente. “A sensibilidade de algumas espécies permite dizer que o ambiente não vai bem quando eles deveriam estar presentes e não estão. Mesmo em áreas em que o ambiente está aparentemente preservado, o desaparecimento de espécies de anfíbios nos diz que existe um problema. A crise é um importante alerta”, encerram.

Fonte: JB Online