20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

São Gabriel/RS, registra umidade do ar semelhante à de clima de deserto

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a cidade de São Gabriel, na região sudoeste do Rio Grande do Sul, apresenta um clima comparável ao de deserto na tarde desta terça-feira (17). A temperatura no município por volta das 16h30 era de 36°C e a umidade relativa do ar de apenas 13%.

No dia 3 de janeiro, a cidade de Santa Rosa registrou 14% de umidade relativa do ar, segundo a meteorologista Estael Sias, da Central de Meteorologia da RBS. A forte seca que castiga o Rio Grande do Sul neste verão está tornando cada vez mais comum a comparação do clima do estado nesta época do ano com o deserto.

A Defesa Civil divulgou uma nota às 12h desta terça-feira (17) informando que 1,67 milhão de pessoas estão sendo afetadas pela estiagem no Rio Grande do Sul. São 291 municípios em situação de emergência. 

Fonte: G1


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo mostra risco de incêndio na Amazônia com antecipação

Um novo método promete prever com até cinco meses de antecedência os surtos de incêndios florestais que ocorrem na Amazônia cada vez que uma seca inesperada atinge parte da floresta.

A nova técnica foi apresentada ontem por cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine e do Centro Goddard da Nasa. Os pesquisadores elaboraram o método com base em medições feitas entre 2001 e 2009, analisando a influência do clima dos oceanos sobre a floresta.

O modelo de computador que os cientistas criaram conseguiu prever como oscilações no superaquecimento do Pacífico (o El Niño) estão relacionadas a secas no leste da Amazônia. Anomalias de temperatura no Atlântico, por outro lado, favorecem mais o espalhamento de incêndios no sul e sudoeste.

Fazer esse tipo de previsão é complicado porque, além de estimar quando e onde a floresta vai estar seca, é preciso saber onde agricultores vão iniciar os incêndios nas lavouras.

Quando o fogo para limpar o campo de plantio sai do controle é que a floresta começa a queimar.

SALTO DE FÉ

Segundo Yang Chien, autor principal do trabalho, a criação do novo modelo precisou de uma espécie de salto de fé dos cientistas.

“Estudos anteriores em geral separavam esse problema em dois, primeiro observando como a temperatura da superfície do mar afeta as chuvas e, segundo, como o nível de chuvas afeta a ocorrência de fogo”, diz. “No nosso estudo, decidimos combinar isso diretamente para inferir como a temperatura do mar afeta os incêndios.”

O que os pesquisadores também fizeram foi procurar correlações de longo prazo entre o clima oceânico e o florestal. O mecanismo com que essa influência se dá ainda é pouco compreendido.

“Nós sugerimos que as temperaturas oceânicas durante a estação úmida e no começo da estação seca são muito importantes para recarregar o nível de umidade do solo”, diz Chien. “Elas afetam a umidade que alimenta a chuva na estação seca.”

O trabalho dos pesquisadores, publicado nesta sexta-feira na revista “Science”, segue os passos de um estudo publicado em julho, liderado pela brasileira Kátia Fernandes, que já tinha conseguido previsões até mais precisas que as de Chien, mas apenas para o oeste da Amazônia.

Segundo Fernandes, as duas técnicas podem ajudar a aumentar a robustez dos sistemas de monitoramento do clima da região, que hoje só conseguem identificar secas violentas com três semanas de antecedência.

“No ano passado, que teve uma seca forte, o governo do Acre suspendeu as permissões de queima para os agricultores, porque o tempo já estava seco e a previsão era que continuasse assim”, conta. Com uma previsão de três meses, diz Fernandes, os governos podem antecipar o planejamento desse tipo de medida complicada.

Outros climatólogos, porém, ainda são céticos quanto à confiabilidade do método para períodos tão longos.
“Faltou os autores desse estudo trabalharem com as previsões reais, e não só com os dados coletados”, diz Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Chien, porém, afirma que o modelo conseguiu uma previsão adequada para meados de 2011. “Só não incluímos no estudo porque a estação seca ainda não tinha acabado.”

Editoria de Arte / folhapress

Fonte: Rafael Garcia, Folha.com


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seca amazônica gerou emissão recorde com CO2 que superou a Índia

A seca extrema na região amazônica de julho a setembro de 2010 causou redução da área de floresta e a liberação de 1,8 bilhão de toneladas de gás carbônico para a atmosfera –mais do que a emissão anual de CO2 da Índia no mesmo ano.

A partir de imagens de satélite indicando o quão verde estava a floresta, combinadas com simulações computacionais do ciclo do carbono, Christopher Potter, pesquisador do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), apresentou um cenário preocupante para o ecossistema da região.

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010. (Foto: Rodrigo Baleia/Folhapress)

Em estudo publicado na revista científica “Environmental Research Letters”, Potter e colaboradores mostraram que essa foi a pior seca da história recente da floresta amazônica.

Os efeitos dessa falta de chuva, segundo eles, são “basicamente equivalentes aos efeitos combinados do desmate e dos incêndios”.

Por volta de 40% da área desflorestada da Amazônia teve pouca chuva no período. O nível da água do rio Negro no porto de Manaus foi o mais baixo já registrado em cem anos de acompanhamento.

A diminuição do aprisionamento de CO2 atmosférico pelas plantas e o aumento de sua liberação na decomposição das que morreram foram as consequências ecológicas abordadas no estudo.

As áreas mais afetadas foram as porções florestais da Colômbia, do Equador, do Acre e do oeste do Amazonas Por um lado, os autores dizem que parte disso pode ser recuperada lentamente a partir da chegada de chuvas, assim como ocorreu com a seca de 2005, a maior até então.

Por outro lado, segundo as previsões dos modelos, esse aumento de secas severas, em parte fruto do desmatamento e das mudanças climáticas, pode sair do controle e levar a Amazônia ao colapso.

 

Fonte: Marco Varella, Folha.com


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Rio Negro desce 1,24 metro em 4 dias e atinge marca histórica, diz CPRM

Serviço Geológico do Brasil afirma que nível do rio deve descer ainda mais.
Seca pode bater a de 2010, a pior estiagem da história, segundo cientistas.

O nível do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas, maior bacia hidrográfica do mundo, registrou entre os dias 13 e 16 de setembro redução de 1,24 metro em seu nível, considerada a maior diminuição em um curto período de tempo da história das medições do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

O fato preocupa cientistas devido ao período crítico de seca na Amazônia, que começou em meados de junho e deve seguir até o fim de outubro, quando começa o período de chuvas. Se o nível do Rio Negro continuar a descer rapidamente, há risco de alcançar o recorde mínimo registrado em 2010, quando as águas baixaram para 13,63 metros.

Em Manaus, já é possível transitar a pé em alguns trechos próximos à região central da capital. A vegetação rasteira começa a aparecer e barcos já não tem como navegar. Apesar desta visão, a medição desta segunda-feira (19) apontou que o rio está em 19,82 metros. No ano passado, o nível era de 18,23 metros.

“Neste período é normal a descida rápida do Rio Negro. Mas o que aconteceu nesses quatro dias seguidos, uma queda diária de 30 centímetros no nível da água, nunca havia sido registrada”, disse Marco Antônio Oliveira, superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil.

Quando comparado ao recorde diário, a vazante (redução) histórica ocorreu em 18 de setembro de 1906, quando as águas do Rio Negro baixaram 36 centímetros. “Entre os dias 13 e 16 de setembro, a descida foi, respectivamente, 30, 32, 32 e 30 centímetros. Os valores são inferiores à medição mínima feita em 1906, entretanto, o que assusta é esta sequência”, explica Oliveira.

rio (Foto: Reprodução/TV Globo)

Trecho do Rio Negro, em Manaus (AM), onde é possível caminhar (Foto: Reprodução/TV Globo)

Calor
De acordo com Sérgio Bringel, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o forte calor que faz na bacia do Rio Negro, e que afeta níveis de rios como o Purus, causa uma redução da vazão.

“Existe também muito assoreamento na beira desses rios, consequência de desmatamento nas margens. Isto ocorre muito na chegada ao Oceano Atlântico, no Pará. O aumento de sedimentos abaixo da superfície da água faz o rio correr mais rápido para a foz e, consequentemente, diminuir seu nível mais rapidamente”, afirma.

Entretanto, Bringel não descarta uma nova seca recorde em 2011. “Estamos em estado de preocupação, já que essa queda de nível nunca tinha acontecido e na Amazônia não há um ciclo hidrológico (chuvas) homogêneo. Não sabemos quando começará de fato a chover, fato que influencia no nível dos rios”, explica o pesquisador

barcos (Foto: Reprodução/TV Globo)

Barcos foram abandonados devido ao baixo nível do rio. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, nesta segunda-feira (19) o nível era de 19,82 metros (Foto: Reprodução/TV Globo)

Seca histórica
Em 2010, a região da floresta vivenciou a seca mais intensa da história, de acordo com estudo publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os períodos de estiagens intensos são atribuídos à confluência de dois fenômenos climáticos de rara ocorrência contínua. O primeiro foi um El Niño, que é o aquecimento das águas do oceano Pacífico Sul, o que intensifica as secas em várias regiões do Brasil. O fenômeno ocorreu entre dezembro de 2009 e abril 2010, justamente no período das chuvas na Amazônia, o que reduziu drasticamente o nível dos rios.

E depois, justamente durante a seca, houve um aquecimento das águas do Oceano Atlântico acima da linha do Equador – o que faz com que a umidade acumulada pela junção das correntes de ar que transitam pelo planeta permaneça no Hemisfério Norte, deixando a região da Amazônia muito mais seca.

barquinho (Foto: Reprodução/TV Globo)

Barco encalhado no fundo do Rio Negro, próximo à região central de Manaus (AM) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


15 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Entenda a seca no Chifre da África

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

A mais severa seca dos últimos 60 anos afeta 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África – que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia. A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso nada seja feito, a situação pode se transformar numa catástrofe humanitária.

A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano – ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo publicado no começo deste ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.

“É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas”, explicou ao G1 o pesquisador do USGS Chris Funk.

Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. “Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas.”

Motivos políticos


Além da questão climática, há fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. “Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos”, explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnesota, nos EUA, Abdi Samatar.

Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. “É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre.”

Poucas chuvas anteriores


A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. “Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados”, diz Chris.

Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.

Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas “será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses.”

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.

Fonte: Giovana Sanchez, do G1 em Dadaab


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Níveis de rios diminuem e expõem espécie ameaçada de extinção.
Desde janeiro já foram 11 animais resgatados; em 2010 foram 13.

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Fonte: Eduardo Carvalho/Globo Natureza


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Em Belo Monte, 20% são obras e 80% são problemas, diz consórcio

Para Norte Energia, maior dificuldade é superar exigências socioambientais.
Ibama deu licença para início da obra, que deve começar no 2º semestre.

A usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, está projetada para se tornar a segunda maior do país, atrás apenas da binacional Itaipu. Mesmo assim, o consórcio que venceu o leilão para construir e administrar a usina por 30 anos, diz que a obra, em si, é “”simples””. Em entrevista ao G1, Luiz Fernando Rufato, diretor de construção do consórcio Norte Energia, afirmou que o grande problema atualmente é como administrar as ““miscelâneas”” decorrentes das ações de redução de impacto socioambiental.

O consórcio Norte Energia é formado pela estatal Eletrobras, fundos de previdência e construtoras, como a Queiroz Galvão e a OAS. Mais recentemente, recebeu reforço da mineradora Vale. O grupo venceu o leilão da usina em abril do ano passado, realizado em meio a uma batalha jurídica. Considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento no país, ambientalistas e o Ministério Público são contra a construção por considerar que a usina vai prejudicar a comunidade indígena e a natureza da região.

“O que está me preocupando menos hoje é montar a máquina e gerar energia, de tanta coisa pendurada. (….) A obra está já virando quase que uma coisa supérflua. (…) [Considerando todo o trabalho], dá quase que 80% para essas ações, todas essas miscelâneas, os problemas, mais do que a obra mesmo, que é muito técnica. É muito simples a construção de Belo Monte”, disse o diretor.

Essas medidas de redução dos impactos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Nacionais Renováveis (Ibama) para conceder as licenças para o funcionamento da usina.

Em março do ano passado, ao conceder a licença ambiental, que autorizou o leilão, o Ibama impôs 40 condicionantes. Depois, concedeu uma licença parcial de instalação, autorizando a instalação dos canteiros. Nesta semana, o instituto liberou a licença de instalação que autoriza o início da obra da usina. De acordo com o consórcio, a obra civil da usina começa no segundo semestre deste ano.

Entidades e Ministério Público questionam as licenças dizendo que as condicionantes ainda não foram cumpridas. O Ibama nega ter atropelado procedimentos e afirma que a licença é “sustentável”.

Para o diretor do consórcio, as críticas contra Belo Monte são ideológicas. “O grande problema de Belo Monte é a entrada na Amazônia. Este é o grande problema. Todo esse peso em cima de Belo Monte é porque eles (críticos da obra) entendem que se quebrou a barreira da Amazônia.”

Luiz Fernando Rufato diz ainda que o consórcio está preparado para uma disputa judicial com entidades e Ministério Público e também não descarta que isso vá gerar atrasos na obra.

“Se suspender por um mês, 15 dias, 20 dias, é pouco para uma obra dessas. Se ficar seis meses, exatamente os seis meses de seca, aí é complicado, tem que repensar o planejamento da obra. A gente acha que, com tudo que foi feito, a AGU (Advocacia Geral da União), as nossas ações jurídicas, o próprio Ibama para dar uma licença dessa, ele tem bastante embasamento técnico para rebater qualquer argumento [do Ministério Público].”

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

G1 – O consórcio cumpriu as condicionantes para essa nova licença?
Luiz Fernando Rufato -
Cumprimos 100% dentro do que foi combinado no conceito do Ibama, de que não posso piorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) da região, não posso piorar saúde, não posso piorar segurança, não posso piorar educação.

G1 – E quando começa a remoção das famílias, moradoras de casas de palafitas, que terão de ser retiradas conforme as condicionantes?
Luiz Fernando Rufato -
Isso eles empurraram para a gente porque o poder público não fez a parte dele. Vamos fazer, está sendo negociado um terreno para a construção dessas casas. O problema é que tem que ser acima da cota 100 (para evitar alagamento com a cheia natural do rio). O que a Norte Energia tem com a pobreza da cidade durante 100 anos? A obra é barata em termos de custo de energia porque é um lugar beneficiado por Deus. Tem tudo para construir uma hidrelétrica ali. Então, estão passando para a Norte Energia resolver um problema crônico da região.

G1 – Mas com esse tanto de problema ainda compensa ser o empreendedor de Belo Monte?
Luiz Fernando Rufato -
Já era previsto esse custo. Poderia ser mais barata a energia se não tivesse esse custo que foi empurrado para nós e teria sido para qualquer um que entrasse no leilão. Porque teve pouca gente que entrou no leilão? Não foi por causa do custo da obra. Foi por causa desses problemas todos sociais e ambientais e que tinha que ter a mão do governo para resolver, senão não saía [a obra]. Isso é para você entender o tamanho do empreendimento e o tamanho das preocupações. O que está me preocupando menos hoje é montar a máquina e gerar energia, de tanta coisa pendurada.

G1 – E vocês estão preparados para a pressão do Ministério Público e das entidades sobre a construção?
Luiz Fernando Rufato -
Eles são contra a entrada na Amazônia. Sempre tivemos a previsão da pressão. Por isso foi feito todo um trabalho mostrando que, juridicamente, não tem nada errado, para que eles não achem pêlo em ovo.

G1 – E a usina pode não ficar pronta a tempo em razão da batalha jurídica?
Luiz Fernando Rufato –
Se entrarem com uma ação que suspenda a obra, e a gente ficar um ano pra derrubar essa decisão, fica um ano sem fazer nada. Se suspender por um mês, 15 dias, 20 dias, é pouco para uma obra dessas. Se ficar seis meses, exatamente os seis meses de seca, aí é complicado, tem que repensar o planejamento da obra. A gente acha que, com tudo que foi feito, a AGU (Advocacia Geral da União), as nossas ações jurídicas, o próprio Ibama para dar uma licença dessa, ele tem bastante embasamento técnico para rebater qualquer argumento [do Ministério Público]. (…) Eu acho que podem ter soluços aí no meio do caminho, por isso que o Estado brasileiro tomou posição e brigou com quem era contra ideologicamente.

G1 – E o sr. julga que são ideológicos os argumentos de que é contra a usina?
Luiz Fernando Rufato -
Lógico. (…) O grande problema de Belo Monte é a entrada na Amazônia. Este é o grande problema. Todo esse peso em cima de Belo Monte é porque eles (críticos da obra) entendem que se quebrou a barreira da Amazônia.

G1 – E sobre a principal crítica, inclusive de biólogos e especialistas, que a obra vai proporcionar a seca na Volta Grande do Xingu, onde moram tribos?
Luiz Fernando Rufato -
Os dados desde a década de 60 sobre o rio mostram que todos os anos, na seca, a vazão do rio cai. Em alguns anos, cai muito, em outros menos.

G1 – Isso significa, na prática, que se tiver que cair a vazão, vai cair independentemente da usina? Se for um período seco, se aquele ano for mais seco que os outros, vai dificultar a navegabilidade com a usina ou sem usina?
Luiz Fernando Rufato -
Isso. Exatamente.

G1 – E a Norte Energia espera por conflitos com indígenas? Eles já disseram que transformarão o Xingu num rio de sangue se a barragem for instalada.
Luiz Fernando Rufato -
O empreendimento não reloca indígena, não atinge nem um milímetro de terra indígena a inundação. Não vai piorar a navegabilidade em relação aos problemas que já existem hoje. Qual é a preocupação da Funai? Com o desenvolvimento da região, a pressão sobre as terras indígenas podem afetar [as comunidades]. Então, há vários programas para preservar e manter as unidades de terra indígena. É inevitável que índios, em certo momento, mudem a vida deles. Vão viver a vida inteira caçando com arco e flecha e morando na aldeia? Mas o que se pretende é que eles possam ter tempo para se adaptar, e eles têm o tempo deles. O programa da Funai vai permitir que, ao longo desse período, eles se adequem à vida moderna.

G1 – Há críticas de que os investimentos e os impactos socioambientais da usina não compensariam porque, como há período de seca no Rio Xingu, a energia garantida é baixa na comparação com outras hidrelétricas?
Luiz Fernando Rufato -
O sistema brasileiro de hidrelétricas é invejado no mundo inteiro e não é besta de colocar para funcionar uma usina que não tenha viabilidade econômica.

G1 – Houve ou não pressão para o Ibama conceder a nova licença?
Luiz Fernando Rufato -
Se tivesse pressão, sairia em setembro do ano passado. Mas o Ibama trabalhou no ritmo dele. A pressão do governo, que se fala, é da necessidade de energia para o país.

G1 – A Norte Energia reconhece que a obra de Belo Monte vai trazer impactos sociais e ambientais para a região de Altamira? As obras pra compensar isso serão suficientes?
Luiz Fernando Rufato -
Eu conheço bem a região. E posso afirmar, com certeza, que, do jeito que estava a região, tudo que a Norte Energia vai fazer – e não estamos falando em termos de obras, a obra está já virando quase que uma coisa supérflua dentro de tanta coisa – junto com o governo brasileiro, de levar a presença do Estado na região, a regularização de terra, vai trazer melhoria para a vida da população. Tem ação que vai trazer malefício? Vamos tentar reduzir ao máximo os impactos. Mas eu tenho certeza absoluta – e nós vamos acompanhar isso aí porque o Ibama foi inteligente porque diz que não podemos piorar o IDH da região – que as coisas vão melhorar, e muito, na região.

G1 – Dos 100% de trabalho que vai dar Belo Monte, quanto representa a obra e quanto representa o restante?
Luiz Fernando Rufato –
Dá quase que 80% para essas ações, todas essas miscelâneas, os problemas, mais do que a obra mesmo, que é muito técnica. É muito simples a construção de Belo Monte. É lógico que são grandes volumes, tem que dimensionar equipes, mas não tem nenhum problema.

Fonte: Mariana Oliveira, do G1, em Brasília


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Inpe confirma previsão de Amazônia mais quente e seca

A floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos –como grandes secas ou inundações– cada vez mais comuns.

Esse tipo de projeção já vinha aparecendo em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia.

O trabalho, feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pelo Centro Hadley, do Reino Unido, também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas.

“Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima”, explica o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.

Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Editoria de Arte/Folhapress

O cenário agora é de mais secas no sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, processo chamado de savanização.

Tudo isso, claro, será agravado se o desmatamento não for contido. “Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos”, diz Marengo.

Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no leste.

Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.

 

 

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Alberto Cesar Araújo-25.out.10/Folhapress

Fonte: Sabine Righetti, De São Paulo


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20 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mudança climática já faz plantas ‘escalarem’ montanhas, afirma estudo

Picos mais frios têm recebido novas espécies de vegetais.
Montanhas do Mediterrâneo são as que mais perdem plantas devido ao calor.

Estudo liderado pela Academia Austríaca de Ciências aponta que a mudança climática já causa o deslocamento de espécies de plantas nas principais regiões montanhosas da Europa, o que pode acarretar o desaparecimento de vegetais em áreas afetadas por secas e falta de chuvas.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta semana na revista “Science”, as plantas têm “escalado”, literalmente, as montanhas em direção ao cume para sobreviver em temperaturas que estariam mais amenas devido às alterações do clima.

O estudo constatou que algumas espécies chegaram a subir até 2,7 metros em busca de um ambiente melhor para sobrevivência.

Entre 2001 e 2008 foram analisados 66 picos de montanhas em 17 diferentes regiões da Europa, entre elas a área que margeia o Mar Mediterrâneo e as cadeias montanhosas das regiões boreais, mais próximas ao Ártico.

No período, novas espécies apareceram em 45 cumes, a maioria na região mais fria e houve redução de plantas em dez cumes, principalmente nos que estão próximos ao Mediterrâneo.

Segundo o estudo, a seca constante no Sul da Europa e a redução de chuvas estariam causando o desaparecimento ou migração dos vegetais para regiões mais frescas.

Fonte: Globo Natureza


18 de janeiro de 2012 | nenhum comentário »

São Gabriel/RS, registra umidade do ar semelhante à de clima de deserto

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a cidade de São Gabriel, na região sudoeste do Rio Grande do Sul, apresenta um clima comparável ao de deserto na tarde desta terça-feira (17). A temperatura no município por volta das 16h30 era de 36°C e a umidade relativa do ar de apenas 13%.

No dia 3 de janeiro, a cidade de Santa Rosa registrou 14% de umidade relativa do ar, segundo a meteorologista Estael Sias, da Central de Meteorologia da RBS. A forte seca que castiga o Rio Grande do Sul neste verão está tornando cada vez mais comum a comparação do clima do estado nesta época do ano com o deserto.

A Defesa Civil divulgou uma nota às 12h desta terça-feira (17) informando que 1,67 milhão de pessoas estão sendo afetadas pela estiagem no Rio Grande do Sul. São 291 municípios em situação de emergência. 

Fonte: G1


14 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Estudo mostra risco de incêndio na Amazônia com antecipação

Um novo método promete prever com até cinco meses de antecedência os surtos de incêndios florestais que ocorrem na Amazônia cada vez que uma seca inesperada atinge parte da floresta.

A nova técnica foi apresentada ontem por cientistas da Universidade da Califórnia em Irvine e do Centro Goddard da Nasa. Os pesquisadores elaboraram o método com base em medições feitas entre 2001 e 2009, analisando a influência do clima dos oceanos sobre a floresta.

O modelo de computador que os cientistas criaram conseguiu prever como oscilações no superaquecimento do Pacífico (o El Niño) estão relacionadas a secas no leste da Amazônia. Anomalias de temperatura no Atlântico, por outro lado, favorecem mais o espalhamento de incêndios no sul e sudoeste.

Fazer esse tipo de previsão é complicado porque, além de estimar quando e onde a floresta vai estar seca, é preciso saber onde agricultores vão iniciar os incêndios nas lavouras.

Quando o fogo para limpar o campo de plantio sai do controle é que a floresta começa a queimar.

SALTO DE FÉ

Segundo Yang Chien, autor principal do trabalho, a criação do novo modelo precisou de uma espécie de salto de fé dos cientistas.

“Estudos anteriores em geral separavam esse problema em dois, primeiro observando como a temperatura da superfície do mar afeta as chuvas e, segundo, como o nível de chuvas afeta a ocorrência de fogo”, diz. “No nosso estudo, decidimos combinar isso diretamente para inferir como a temperatura do mar afeta os incêndios.”

O que os pesquisadores também fizeram foi procurar correlações de longo prazo entre o clima oceânico e o florestal. O mecanismo com que essa influência se dá ainda é pouco compreendido.

“Nós sugerimos que as temperaturas oceânicas durante a estação úmida e no começo da estação seca são muito importantes para recarregar o nível de umidade do solo”, diz Chien. “Elas afetam a umidade que alimenta a chuva na estação seca.”

O trabalho dos pesquisadores, publicado nesta sexta-feira na revista “Science”, segue os passos de um estudo publicado em julho, liderado pela brasileira Kátia Fernandes, que já tinha conseguido previsões até mais precisas que as de Chien, mas apenas para o oeste da Amazônia.

Segundo Fernandes, as duas técnicas podem ajudar a aumentar a robustez dos sistemas de monitoramento do clima da região, que hoje só conseguem identificar secas violentas com três semanas de antecedência.

“No ano passado, que teve uma seca forte, o governo do Acre suspendeu as permissões de queima para os agricultores, porque o tempo já estava seco e a previsão era que continuasse assim”, conta. Com uma previsão de três meses, diz Fernandes, os governos podem antecipar o planejamento desse tipo de medida complicada.

Outros climatólogos, porém, ainda são céticos quanto à confiabilidade do método para períodos tão longos.
“Faltou os autores desse estudo trabalharem com as previsões reais, e não só com os dados coletados”, diz Alberto Setzer, coordenador do monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Chien, porém, afirma que o modelo conseguiu uma previsão adequada para meados de 2011. “Só não incluímos no estudo porque a estação seca ainda não tinha acabado.”

Editoria de Arte / folhapress

Fonte: Rafael Garcia, Folha.com


14 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Seca amazônica gerou emissão recorde com CO2 que superou a Índia

A seca extrema na região amazônica de julho a setembro de 2010 causou redução da área de floresta e a liberação de 1,8 bilhão de toneladas de gás carbônico para a atmosfera –mais do que a emissão anual de CO2 da Índia no mesmo ano.

A partir de imagens de satélite indicando o quão verde estava a floresta, combinadas com simulações computacionais do ciclo do carbono, Christopher Potter, pesquisador do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa (agência espacial dos EUA), apresentou um cenário preocupante para o ecossistema da região.

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010

Embarcações encalhadas na areia em Tefé, no Estado da Amazônia; durante a estiagem devastadora de 2010. (Foto: Rodrigo Baleia/Folhapress)

Em estudo publicado na revista científica “Environmental Research Letters”, Potter e colaboradores mostraram que essa foi a pior seca da história recente da floresta amazônica.

Os efeitos dessa falta de chuva, segundo eles, são “basicamente equivalentes aos efeitos combinados do desmate e dos incêndios”.

Por volta de 40% da área desflorestada da Amazônia teve pouca chuva no período. O nível da água do rio Negro no porto de Manaus foi o mais baixo já registrado em cem anos de acompanhamento.

A diminuição do aprisionamento de CO2 atmosférico pelas plantas e o aumento de sua liberação na decomposição das que morreram foram as consequências ecológicas abordadas no estudo.

As áreas mais afetadas foram as porções florestais da Colômbia, do Equador, do Acre e do oeste do Amazonas Por um lado, os autores dizem que parte disso pode ser recuperada lentamente a partir da chegada de chuvas, assim como ocorreu com a seca de 2005, a maior até então.

Por outro lado, segundo as previsões dos modelos, esse aumento de secas severas, em parte fruto do desmatamento e das mudanças climáticas, pode sair do controle e levar a Amazônia ao colapso.

 

Fonte: Marco Varella, Folha.com


20 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Rio Negro desce 1,24 metro em 4 dias e atinge marca histórica, diz CPRM

Serviço Geológico do Brasil afirma que nível do rio deve descer ainda mais.
Seca pode bater a de 2010, a pior estiagem da história, segundo cientistas.

O nível do Rio Negro, um dos afluentes do Amazonas, maior bacia hidrográfica do mundo, registrou entre os dias 13 e 16 de setembro redução de 1,24 metro em seu nível, considerada a maior diminuição em um curto período de tempo da história das medições do Serviço Geológico do Brasil (CPRM).

O fato preocupa cientistas devido ao período crítico de seca na Amazônia, que começou em meados de junho e deve seguir até o fim de outubro, quando começa o período de chuvas. Se o nível do Rio Negro continuar a descer rapidamente, há risco de alcançar o recorde mínimo registrado em 2010, quando as águas baixaram para 13,63 metros.

Em Manaus, já é possível transitar a pé em alguns trechos próximos à região central da capital. A vegetação rasteira começa a aparecer e barcos já não tem como navegar. Apesar desta visão, a medição desta segunda-feira (19) apontou que o rio está em 19,82 metros. No ano passado, o nível era de 18,23 metros.

“Neste período é normal a descida rápida do Rio Negro. Mas o que aconteceu nesses quatro dias seguidos, uma queda diária de 30 centímetros no nível da água, nunca havia sido registrada”, disse Marco Antônio Oliveira, superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil.

Quando comparado ao recorde diário, a vazante (redução) histórica ocorreu em 18 de setembro de 1906, quando as águas do Rio Negro baixaram 36 centímetros. “Entre os dias 13 e 16 de setembro, a descida foi, respectivamente, 30, 32, 32 e 30 centímetros. Os valores são inferiores à medição mínima feita em 1906, entretanto, o que assusta é esta sequência”, explica Oliveira.

rio (Foto: Reprodução/TV Globo)

Trecho do Rio Negro, em Manaus (AM), onde é possível caminhar (Foto: Reprodução/TV Globo)

Calor
De acordo com Sérgio Bringel, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o forte calor que faz na bacia do Rio Negro, e que afeta níveis de rios como o Purus, causa uma redução da vazão.

“Existe também muito assoreamento na beira desses rios, consequência de desmatamento nas margens. Isto ocorre muito na chegada ao Oceano Atlântico, no Pará. O aumento de sedimentos abaixo da superfície da água faz o rio correr mais rápido para a foz e, consequentemente, diminuir seu nível mais rapidamente”, afirma.

Entretanto, Bringel não descarta uma nova seca recorde em 2011. “Estamos em estado de preocupação, já que essa queda de nível nunca tinha acontecido e na Amazônia não há um ciclo hidrológico (chuvas) homogêneo. Não sabemos quando começará de fato a chover, fato que influencia no nível dos rios”, explica o pesquisador

barcos (Foto: Reprodução/TV Globo)

Barcos foram abandonados devido ao baixo nível do rio. Segundo o Serviço Geológico do Brasil, nesta segunda-feira (19) o nível era de 19,82 metros (Foto: Reprodução/TV Globo)

Seca histórica
Em 2010, a região da floresta vivenciou a seca mais intensa da história, de acordo com estudo publicado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os períodos de estiagens intensos são atribuídos à confluência de dois fenômenos climáticos de rara ocorrência contínua. O primeiro foi um El Niño, que é o aquecimento das águas do oceano Pacífico Sul, o que intensifica as secas em várias regiões do Brasil. O fenômeno ocorreu entre dezembro de 2009 e abril 2010, justamente no período das chuvas na Amazônia, o que reduziu drasticamente o nível dos rios.

E depois, justamente durante a seca, houve um aquecimento das águas do Oceano Atlântico acima da linha do Equador – o que faz com que a umidade acumulada pela junção das correntes de ar que transitam pelo planeta permaneça no Hemisfério Norte, deixando a região da Amazônia muito mais seca.

barquinho (Foto: Reprodução/TV Globo)

Barco encalhado no fundo do Rio Negro, próximo à região central de Manaus (AM) (Foto: Reprodução/TV Globo)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


15 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Entenda a seca no Chifre da África

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

Moradores caminham perto de animais mortos em Athibohol, noroeste de nairóbi, no Quênia (Foto: Simon Maina/AFP)

A mais severa seca dos últimos 60 anos afeta 12,5 milhões de pessoas na região conhecida como Chifre da África – que inclui Somália, Djibouti, Quênia, Uganda e Etiópia. A ONU declarou fome crônica em duas regiões do sul da Somália, e anunciou que caso nada seja feito, a situação pode se transformar numa catástrofe humanitária.

A seca não é novidade para os moradores do nordeste africano – ela acontece a cada dois anos ou mais. No entanto, um estudo publicado no começo deste ano por cientistas do Serviço Geológico dos EUA (o USGS) e da Universidade da Califórnia mostra que o aquecimento global pode estar por trás da piora da seca neste ano.

“É muito difícil atribuir um único evento à mudança climática, mas nossa pesquisa sugere fortemente que o aquecimento do Oceano Índico (que está fortemente ligado ao aquecimento global) está contribuindo para mais frequentes e intensas secas”, explicou ao G1 o pesquisador do USGS Chris Funk.

Segundo ele, todas as observações e modelos climáticos indicam que o Oceano Índico está aquecendo muito depressa. “Enquanto a magnitude absoluta do aquecimento é muito menor do que em lugares como o Atlântico norte, os impactos da mudança climática podem ser dramáticos, já que o aquecimento de um oceano já muito quente pode criar mudanças climáticas significativas.”

Motivos políticos


Além da questão climática, há fatores políticos que pioram as condições dos moradores da região. “Não é o fator natural que está produzindo a fome. A ONU e o mundo ocidental estão dizendo que é uma seca que assolou as pessoas. Nessa parte do mundo as secas são endêmicas. Elas acontecem a cada poucos anos, mas as pessoas desenvolveram mecanismos para lidar com isso durante os anos. Esses mecanismos foram destruídos pela guerra civil, pela guerra ao terror e pela ocupação etíope. As pessoas ficaram tão vulneráveis que elas perderam tudo o que tinham antes de a seca chegar. Quando a seca chegou, eles já não tinham nada e ficaram famintos”, explicou o professor de geografia e estudos globais da Universidade de Minnesota, nos EUA, Abdi Samatar.

Segundo Samatar, que é somali, os muitos anos de guerra civil, a pirataria, o avanço do grupo extremista Al-Shabaab e a inimizade com os etíopes tornou a situação do país insistentável. “É uma solução política, de um governo nacional somali. Pense se não houvesse um estados unidos durante a catástrofe do Katrina na Louisiana, a maioria das pessoas teria morrido, o governo dos EUA foi ajuda-los. Então o jeito de ajudar os Somália é a comunidade internacional dizer: há questões que o mundo precisa ajudar a resolver: uma delas é a questão da pirataria. Existem vários tipos de pirataria, a maioria deles não é somali. A questão do possível terrorismo é que devemos ter um estado que dê conta de suas pessoas. Sem isso a desordem irá continuar para sempre.”

Poucas chuvas anteriores


A atual seca, vinda após repetidos episódios de poucas chuvas em 2007, 2008 e 2009, está causando severos impactos na questão alimentar, com emergências decretadas em diversas regiões dos países do Chifre da África. “Uma parte fundamental dos impactos é que tanto as chuvas de outubro a dezembro de 2010, como as de março a junho de 2011 foram muito ruins. Então o total de chuvas em 12 meses foi muito baixo, um dos piores já registrados”, diz Chris.

Em algumas regiões pastoris, foram registradas mortes de 15% a 30% do rebanho entre março e maio deste ano. A época de colheita deve atrasar e ficar aquém do esperado, o que deve aumentar ainda mais o preço dos alimentos, piorando a crise já instalada.

Segundo o cientista, ainda é cedo para prever chuvas em outubro, mas “será uma longa espera até que as águas reabasteçam a forragem para o rebanho e até mais até que as colheitas no início de 2012 tragam alívio. Então mesmo que a seca não piore, os impactos podem se intensificar nos próximos meses.”

O Brasil anunciou no dia 28 de julho o envio de 38 mil toneladas de gêneros alimentícios à Somália e 15 mil toneladas de alimentos aos campos de refugiados na Etiópia.

Fonte: Giovana Sanchez, do G1 em Dadaab


8 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Níveis de rios diminuem e expõem espécie ameaçada de extinção.
Desde janeiro já foram 11 animais resgatados; em 2010 foram 13.

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Fonte: Eduardo Carvalho, Globo Natureza, São Paulo


5 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Seca na Amazônia pode aumentar resgate de filhotes de peixe-boi

Após 30 horas de viagem de barco, equipes da Associação Amigos do peixe-boi (Ampa) chegaram nesta sexta-feira (5) a Manaus (AM) com o 11º filhote de peixe-boi encontrado debilitado neste ano.

Com aproximadamente dois meses, o espécime foi encontrado há duas semanas no povoado de Barreirinha (a 330 km da capital amazonense) enroscado em uma rede de pesca.

Em todo o ano passado, foram 13 ocorrências deste tipo. Segundo a Ampa, há risco deste número aumentar devido ao período de seca, quando os rios da Amazônia reduzem seus níveis e deixam à mostra exemplares da espécie ameaçada de extinção.

O filhote de peixe-boi resgatado foi levado ao laboratório de mamíferos aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), onde passará por tratamento para recuperar peso. Atualmente, o exemplar pesa 13 quilos enquanto deveria estar com 25 quilos.

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Filhote de peixe-boi encontrado a 330 km de Manaus (AM) e que foi levado nesta sexta-feira (5) para tratamento no Inpa (Foto: Divulgação/Ampa)

Reintrodução
Os pesquisadores das duas instituições se organizam para iniciar em setembro um projeto de reintegração de peixes-bois à natureza. A intenção do programa é evitar o envelhecimento dos animais em cativeiro e ainda desafogar os tanques do Inpa, instituição que atualmente abriga 54 peixes-bois encontrados em operações ambientais ou que foram salvos por moradores.

A experiência de reintrodução já foi realizada em 2008, quando os biólogos liberaram três peixes-bois em rios da Amazônia com rastreadores. Entretanto, a tentativa não deu certo já que dois animais morreram e o terceiro desapareceu da área de cobertura do rastreador.

“Agora, vamos liberar os animais em um semicativeiro. Um lago existente em Manacapuru, cidade próxima a Manaus, onde os animais poderão se ambientar ao meio ambiente, sem risco de perda, e com acompanhamento dos técnicos para monitorar seu desenvolvimento”, afirmou Isabel Reis, bióloga da Ampa.

Envelhecimento
De acordo com ela, nesta primeira fase três peixes-bois (dois machos e uma fêmea) serão colocados neste lago pelo período de um ano, com rádio-transmissores presos à cintura. Após os 12 meses de monitoramento, eles serão liberados em rios da região amazônica. A intenção é recolocar três ou mais animais anualmente em seu habitat de origem.

“Isto vai contribuir para desafogar os tanques do Inpa, mas, principalmente, fará com que o animal volte a seu habitat. A maioria dos exemplares de peixe-boi vive cerca de 65 anos. Não tem como ficar com um animal tanto tempo em cativeiro”, disse Isabel.

Fonte: Eduardo Carvalho/Globo Natureza


6 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Em Belo Monte, 20% são obras e 80% são problemas, diz consórcio

Para Norte Energia, maior dificuldade é superar exigências socioambientais.
Ibama deu licença para início da obra, que deve começar no 2º semestre.

A usina hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, está projetada para se tornar a segunda maior do país, atrás apenas da binacional Itaipu. Mesmo assim, o consórcio que venceu o leilão para construir e administrar a usina por 30 anos, diz que a obra, em si, é “”simples””. Em entrevista ao G1, Luiz Fernando Rufato, diretor de construção do consórcio Norte Energia, afirmou que o grande problema atualmente é como administrar as ““miscelâneas”” decorrentes das ações de redução de impacto socioambiental.

O consórcio Norte Energia é formado pela estatal Eletrobras, fundos de previdência e construtoras, como a Queiroz Galvão e a OAS. Mais recentemente, recebeu reforço da mineradora Vale. O grupo venceu o leilão da usina em abril do ano passado, realizado em meio a uma batalha jurídica. Considerada uma das principais obras de infraestrutura em andamento no país, ambientalistas e o Ministério Público são contra a construção por considerar que a usina vai prejudicar a comunidade indígena e a natureza da região.

“O que está me preocupando menos hoje é montar a máquina e gerar energia, de tanta coisa pendurada. (….) A obra está já virando quase que uma coisa supérflua. (…) [Considerando todo o trabalho], dá quase que 80% para essas ações, todas essas miscelâneas, os problemas, mais do que a obra mesmo, que é muito técnica. É muito simples a construção de Belo Monte”, disse o diretor.

Essas medidas de redução dos impactos fazem parte das condicionantes impostas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Nacionais Renováveis (Ibama) para conceder as licenças para o funcionamento da usina.

Em março do ano passado, ao conceder a licença ambiental, que autorizou o leilão, o Ibama impôs 40 condicionantes. Depois, concedeu uma licença parcial de instalação, autorizando a instalação dos canteiros. Nesta semana, o instituto liberou a licença de instalação que autoriza o início da obra da usina. De acordo com o consórcio, a obra civil da usina começa no segundo semestre deste ano.

Entidades e Ministério Público questionam as licenças dizendo que as condicionantes ainda não foram cumpridas. O Ibama nega ter atropelado procedimentos e afirma que a licença é “sustentável”.

Para o diretor do consórcio, as críticas contra Belo Monte são ideológicas. “O grande problema de Belo Monte é a entrada na Amazônia. Este é o grande problema. Todo esse peso em cima de Belo Monte é porque eles (críticos da obra) entendem que se quebrou a barreira da Amazônia.”

Luiz Fernando Rufato diz ainda que o consórcio está preparado para uma disputa judicial com entidades e Ministério Público e também não descarta que isso vá gerar atrasos na obra.

“Se suspender por um mês, 15 dias, 20 dias, é pouco para uma obra dessas. Se ficar seis meses, exatamente os seis meses de seca, aí é complicado, tem que repensar o planejamento da obra. A gente acha que, com tudo que foi feito, a AGU (Advocacia Geral da União), as nossas ações jurídicas, o próprio Ibama para dar uma licença dessa, ele tem bastante embasamento técnico para rebater qualquer argumento [do Ministério Público].”

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

G1 – O consórcio cumpriu as condicionantes para essa nova licença?
Luiz Fernando Rufato -
Cumprimos 100% dentro do que foi combinado no conceito do Ibama, de que não posso piorar o IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano) da região, não posso piorar saúde, não posso piorar segurança, não posso piorar educação.

G1 – E quando começa a remoção das famílias, moradoras de casas de palafitas, que terão de ser retiradas conforme as condicionantes?
Luiz Fernando Rufato -
Isso eles empurraram para a gente porque o poder público não fez a parte dele. Vamos fazer, está sendo negociado um terreno para a construção dessas casas. O problema é que tem que ser acima da cota 100 (para evitar alagamento com a cheia natural do rio). O que a Norte Energia tem com a pobreza da cidade durante 100 anos? A obra é barata em termos de custo de energia porque é um lugar beneficiado por Deus. Tem tudo para construir uma hidrelétrica ali. Então, estão passando para a Norte Energia resolver um problema crônico da região.

G1 – Mas com esse tanto de problema ainda compensa ser o empreendedor de Belo Monte?
Luiz Fernando Rufato -
Já era previsto esse custo. Poderia ser mais barata a energia se não tivesse esse custo que foi empurrado para nós e teria sido para qualquer um que entrasse no leilão. Porque teve pouca gente que entrou no leilão? Não foi por causa do custo da obra. Foi por causa desses problemas todos sociais e ambientais e que tinha que ter a mão do governo para resolver, senão não saía [a obra]. Isso é para você entender o tamanho do empreendimento e o tamanho das preocupações. O que está me preocupando menos hoje é montar a máquina e gerar energia, de tanta coisa pendurada.

G1 – E vocês estão preparados para a pressão do Ministério Público e das entidades sobre a construção?
Luiz Fernando Rufato -
Eles são contra a entrada na Amazônia. Sempre tivemos a previsão da pressão. Por isso foi feito todo um trabalho mostrando que, juridicamente, não tem nada errado, para que eles não achem pêlo em ovo.

G1 – E a usina pode não ficar pronta a tempo em razão da batalha jurídica?
Luiz Fernando Rufato –
Se entrarem com uma ação que suspenda a obra, e a gente ficar um ano pra derrubar essa decisão, fica um ano sem fazer nada. Se suspender por um mês, 15 dias, 20 dias, é pouco para uma obra dessas. Se ficar seis meses, exatamente os seis meses de seca, aí é complicado, tem que repensar o planejamento da obra. A gente acha que, com tudo que foi feito, a AGU (Advocacia Geral da União), as nossas ações jurídicas, o próprio Ibama para dar uma licença dessa, ele tem bastante embasamento técnico para rebater qualquer argumento [do Ministério Público]. (…) Eu acho que podem ter soluços aí no meio do caminho, por isso que o Estado brasileiro tomou posição e brigou com quem era contra ideologicamente.

G1 – E o sr. julga que são ideológicos os argumentos de que é contra a usina?
Luiz Fernando Rufato -
Lógico. (…) O grande problema de Belo Monte é a entrada na Amazônia. Este é o grande problema. Todo esse peso em cima de Belo Monte é porque eles (críticos da obra) entendem que se quebrou a barreira da Amazônia.

G1 – E sobre a principal crítica, inclusive de biólogos e especialistas, que a obra vai proporcionar a seca na Volta Grande do Xingu, onde moram tribos?
Luiz Fernando Rufato -
Os dados desde a década de 60 sobre o rio mostram que todos os anos, na seca, a vazão do rio cai. Em alguns anos, cai muito, em outros menos.

G1 – Isso significa, na prática, que se tiver que cair a vazão, vai cair independentemente da usina? Se for um período seco, se aquele ano for mais seco que os outros, vai dificultar a navegabilidade com a usina ou sem usina?
Luiz Fernando Rufato -
Isso. Exatamente.

G1 – E a Norte Energia espera por conflitos com indígenas? Eles já disseram que transformarão o Xingu num rio de sangue se a barragem for instalada.
Luiz Fernando Rufato -
O empreendimento não reloca indígena, não atinge nem um milímetro de terra indígena a inundação. Não vai piorar a navegabilidade em relação aos problemas que já existem hoje. Qual é a preocupação da Funai? Com o desenvolvimento da região, a pressão sobre as terras indígenas podem afetar [as comunidades]. Então, há vários programas para preservar e manter as unidades de terra indígena. É inevitável que índios, em certo momento, mudem a vida deles. Vão viver a vida inteira caçando com arco e flecha e morando na aldeia? Mas o que se pretende é que eles possam ter tempo para se adaptar, e eles têm o tempo deles. O programa da Funai vai permitir que, ao longo desse período, eles se adequem à vida moderna.

G1 – Há críticas de que os investimentos e os impactos socioambientais da usina não compensariam porque, como há período de seca no Rio Xingu, a energia garantida é baixa na comparação com outras hidrelétricas?
Luiz Fernando Rufato -
O sistema brasileiro de hidrelétricas é invejado no mundo inteiro e não é besta de colocar para funcionar uma usina que não tenha viabilidade econômica.

G1 – Houve ou não pressão para o Ibama conceder a nova licença?
Luiz Fernando Rufato -
Se tivesse pressão, sairia em setembro do ano passado. Mas o Ibama trabalhou no ritmo dele. A pressão do governo, que se fala, é da necessidade de energia para o país.

G1 – A Norte Energia reconhece que a obra de Belo Monte vai trazer impactos sociais e ambientais para a região de Altamira? As obras pra compensar isso serão suficientes?
Luiz Fernando Rufato -
Eu conheço bem a região. E posso afirmar, com certeza, que, do jeito que estava a região, tudo que a Norte Energia vai fazer – e não estamos falando em termos de obras, a obra está já virando quase que uma coisa supérflua dentro de tanta coisa – junto com o governo brasileiro, de levar a presença do Estado na região, a regularização de terra, vai trazer melhoria para a vida da população. Tem ação que vai trazer malefício? Vamos tentar reduzir ao máximo os impactos. Mas eu tenho certeza absoluta – e nós vamos acompanhar isso aí porque o Ibama foi inteligente porque diz que não podemos piorar o IDH da região – que as coisas vão melhorar, e muito, na região.

G1 – Dos 100% de trabalho que vai dar Belo Monte, quanto representa a obra e quanto representa o restante?
Luiz Fernando Rufato –
Dá quase que 80% para essas ações, todas essas miscelâneas, os problemas, mais do que a obra mesmo, que é muito técnica. É muito simples a construção de Belo Monte. É lógico que são grandes volumes, tem que dimensionar equipes, mas não tem nenhum problema.

Fonte: Mariana Oliveira, do G1, em Brasília


11 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Inpe confirma previsão de Amazônia mais quente e seca

A floresta amazônica ficará mais quente e com eventos naturais extremos –como grandes secas ou inundações– cada vez mais comuns.

Esse tipo de projeção já vinha aparecendo em pesquisas anteriores, mas o cenário pessimista foi corroborado agora por um modelo climático mais sofisticado, levando em conta as características específicas da Amazônia.

O trabalho, feito pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e pelo Centro Hadley, do Reino Unido, também incorporou na análise o ciclo do carbono e a dinâmica da vegetação diante das mudanças climáticas.

“Os modelos anteriores consideravam uma vegetação estática, que não reagia às alterações no clima”, explica o climatologista do Inpe José Marengo, um dos autores.

Por exemplo, na seca de 2010, estima-se que a mortalidade das árvores tenha liberado 5 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Editoria de Arte/Folhapress

O cenário agora é de mais secas no sul da Amazônia nos próximos anos e chuvas mais intensas no norte da floresta. Além disso, a mata deve ficar mais rala e aberta, processo chamado de savanização.

Tudo isso, claro, será agravado se o desmatamento não for contido. “Se o desmate aumentar, os impactos na floresta também ficarão mais intensos”, diz Marengo.

Os resultados dos novos modelos sugerem que, quando o desmatamento atingir mais de 40% da extensão original da floresta amazônica, a precipitação (ou seja, o índice de chuvas) diminuirá de forma significativa no leste.

Isso provocaria um aquecimento de mais de 4ºC na parte oriental da floresta, com redução significativa das precipitações na área.

 

 

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Vista aérea do leito seco do Rio Negro, em Iranduba

Alberto Cesar Araújo-25.out.10/Folhapress

Fonte: Sabine Righetti, De São Paulo


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