3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Sistema imunológico de ratos “infiéis” é mais forte do que o de animais comportados, diz estudo

Comportamento social pode levar a mudanças na evolução de espécie

“Trair compensa” e “o que não mata fortalece” parecem ser os lemas do rato-veadeiro, uma espécie bastante promíscua de roedor (Peromyscus maniculatus) que vive nos Estados Unidos e nunca escolhe ter um relacionamento monogâmico. Cientistas descobriram que esse pequeno animal infiel tem um sistema imunológico muito mais robusto e eficiente que o do roedor da Califórnia (Peromyscus californicus), que tem o hábito de manter relacionamentos monogâmicos.

Os pesquisadores analisaram os dados de DNA e amostras das duas espécies em supercomputadores e concluíram que os estilos de vida dos ratos tiveram um impacto direto sobre as comunidades de bactérias que vivem no interior das fêmeas.

Maior proteção — Segundo Matthew MacManes, um dos autores do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Saúde dos EUA, a análise revelou uma diversidade duas vezes maior de bactérias no rato-veadeiro em relação ao seu parente comportado. Segundo o estudo, esse número maior de bactérias acabou influenciando uma variedade maior de genes ligados ao sistema imunológico no rato-veadeiro, o que favoreceu uma melhor proteção contra doenças. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico PLoS One.

MacManes afirma que os cientistas levantaram a hipótese de que as pressões seletivas causadas geração após geração de guerra bacteriana fortificaram o genoma do rato-veadeiro. “Os ratos promíscuos, em virtude do seu comportamento sexual, são mais expostos a bactérias. Eles precisam de um sistema imunológico mais robusto para se defender de todas as doenças a que estão expostos”, disse MacManes.

Segundo os cientistas, a monogamia é uma característica rara em mamíferos, um comportamento adotado por apenas 5% das espécies.

Rato da Califórnia ('Peromyscus californicus')

Rato da Califórnia (Peromyscus californicus): roedor comportado, cujos relacionamentos são monogâmicos, tem sistema imunológico mais fraco que espécie promíscua (Universidade do Texas em Austin)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Líderes são os mais saudáveis do bando, diz estudo

Análise mostra que os machos alfa de babuínos do Quênia são menos propensos a ficar doentes e se recuperam mais rapidamente de lesões

Machos no topo da pirâmide social têm o sistema imunológico mais eficiente e conseguem se recuperar de lesões mais rapidamente que os demais membros de seu bando. É o que diz um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico PNAS, feito a partir da observação de grupos de babuínos.

Cientistas da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, estudaram dados de babuínos do Quênia coletados ao longo de 27 anos e descobriram que os machos alfa eram menos propensos a ficar doentes e se recuperavam mais rapidamente de suas lesões do que aqueles que ocupavam posições sociais mais baixas.

Leia mais: Stress relacionado a status social provoca alterações genéticas em macacos

Os cientistas basearam-se na observação de 166 babuínos machos adultos entre 1982 e 2009. Foram analisadas as lesões sofridas em lutas, como cortes e contusões, e o tempo que cada animal levou para se recuperar.

Stress — O resultado surpreendeu os cientistas. Pesquisas anteriores mostraram que os machos em posições mais altas dentro da hierarquia do grupo enfrentam muito stress e costumam se acasalar com bastante regularidade, o que deveria fragilizar seu sistema imunológico. Mas os autores da pesquisa encontraram uma explicação: o stress crônico que os machos de menor status enfrentam e o mau condicionamento físico podem explicar as diferenças entre os dois escalões.

“Sempre se discutiu se o stress de estar no topo da pirâmide social compensa ou não”, afirma a autora principal do estudo, Beth Archie, bióloga da Universidade de Notre Dame. “Nossos resultados sugerem que, por mais que os animais vivenciem o stress tanto no topo como na base da pirâmide, diversos fatores relacionados às posições mais altas ajudam a proteger os machos dos efeitos negativos do stress.”

Contudo, os dados não permitem dizer se os babuínos atingiram um alto patamar na escala social pela superioridade de seu sistema imunológico ou, ao contrário, se o status social condicionou a boa saúde dos machos alfa.

babuíno

Status imunológico: babuínos com posição mais alta na hierarquia do grupo são menos propensos a ficar doentes e se recuperam mais rapidamente de ferimentos (Image courtesy of J. Fagot)

Fonte: Veja Ciência


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Formiga doente ‘vacina’ o resto da colônia, mostra estudo

Insetos espalham causador da doença entre si em pequenas doses.
Como na vacinação em humanos, medida estimula o sistema imunológico.

Formigas lambém ferida umas das outras (Foto: Mattias Konrad, IST Austria)

Cientistas usara um fungo fluorescente para rastreá-lo no formigueiro (Foto: Mattias Konrad, IST Austria)

Um estudo publicado nesta terça-feira (3) mostra que os formigueiros passam por um tipo de campanha de vacinação quando um membro da colônia adquire uma infecção. Segundo os cientistas, o processo natural é eficaz.

Tudo começa quando uma das formigas é infectada por um agente externo que provoca uma doença – na pesquisa, os cientistas usaram um fungo. Em vez de evitar o indivíduo infectado, as demais formigas tomam conta dele, lambendo o fungo para retirá-lo.

A tentativa de cura nem sempre funciona para a formiga infectada, mas é importante para o resto da colônia. O fungo se espalha em pequenas quantidades e pode até provocar reações, mas não o suficiente para matar.

As formigas expostas ao fungo desenvolvem o sistema imunológico contra ele. Caso, no futuro, ela venha a se deparar com o mesmo fungo novamente, sua defesa natural saberá combatê-lo e evitar a doença.

Nos humanos, é exatamente isto que a vacina faz. Um agente – normalmente um vírus ou bactéria – é colocado dentro do corpo em uma forma morta ou atenuada, que serve para preparar o sistema imunológico para a ameaça de verdade.

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza






Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

outubro 2019
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

3 de setembro de 2012 | nenhum comentário »

Sistema imunológico de ratos “infiéis” é mais forte do que o de animais comportados, diz estudo

Comportamento social pode levar a mudanças na evolução de espécie

“Trair compensa” e “o que não mata fortalece” parecem ser os lemas do rato-veadeiro, uma espécie bastante promíscua de roedor (Peromyscus maniculatus) que vive nos Estados Unidos e nunca escolhe ter um relacionamento monogâmico. Cientistas descobriram que esse pequeno animal infiel tem um sistema imunológico muito mais robusto e eficiente que o do roedor da Califórnia (Peromyscus californicus), que tem o hábito de manter relacionamentos monogâmicos.

Os pesquisadores analisaram os dados de DNA e amostras das duas espécies em supercomputadores e concluíram que os estilos de vida dos ratos tiveram um impacto direto sobre as comunidades de bactérias que vivem no interior das fêmeas.

Maior proteção — Segundo Matthew MacManes, um dos autores do estudo e pesquisador do Centro Nacional de Saúde dos EUA, a análise revelou uma diversidade duas vezes maior de bactérias no rato-veadeiro em relação ao seu parente comportado. Segundo o estudo, esse número maior de bactérias acabou influenciando uma variedade maior de genes ligados ao sistema imunológico no rato-veadeiro, o que favoreceu uma melhor proteção contra doenças. Os resultados da pesquisa foram publicados no periódico PLoS One.

MacManes afirma que os cientistas levantaram a hipótese de que as pressões seletivas causadas geração após geração de guerra bacteriana fortificaram o genoma do rato-veadeiro. “Os ratos promíscuos, em virtude do seu comportamento sexual, são mais expostos a bactérias. Eles precisam de um sistema imunológico mais robusto para se defender de todas as doenças a que estão expostos”, disse MacManes.

Segundo os cientistas, a monogamia é uma característica rara em mamíferos, um comportamento adotado por apenas 5% das espécies.

Rato da Califórnia ('Peromyscus californicus')

Rato da Califórnia (Peromyscus californicus): roedor comportado, cujos relacionamentos são monogâmicos, tem sistema imunológico mais fraco que espécie promíscua (Universidade do Texas em Austin)

Fonte: Veja Ciência


25 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Líderes são os mais saudáveis do bando, diz estudo

Análise mostra que os machos alfa de babuínos do Quênia são menos propensos a ficar doentes e se recuperam mais rapidamente de lesões

Machos no topo da pirâmide social têm o sistema imunológico mais eficiente e conseguem se recuperar de lesões mais rapidamente que os demais membros de seu bando. É o que diz um estudo publicado nesta segunda-feira no periódico PNAS, feito a partir da observação de grupos de babuínos.

Cientistas da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, estudaram dados de babuínos do Quênia coletados ao longo de 27 anos e descobriram que os machos alfa eram menos propensos a ficar doentes e se recuperavam mais rapidamente de suas lesões do que aqueles que ocupavam posições sociais mais baixas.

Leia mais: Stress relacionado a status social provoca alterações genéticas em macacos

Os cientistas basearam-se na observação de 166 babuínos machos adultos entre 1982 e 2009. Foram analisadas as lesões sofridas em lutas, como cortes e contusões, e o tempo que cada animal levou para se recuperar.

Stress — O resultado surpreendeu os cientistas. Pesquisas anteriores mostraram que os machos em posições mais altas dentro da hierarquia do grupo enfrentam muito stress e costumam se acasalar com bastante regularidade, o que deveria fragilizar seu sistema imunológico. Mas os autores da pesquisa encontraram uma explicação: o stress crônico que os machos de menor status enfrentam e o mau condicionamento físico podem explicar as diferenças entre os dois escalões.

“Sempre se discutiu se o stress de estar no topo da pirâmide social compensa ou não”, afirma a autora principal do estudo, Beth Archie, bióloga da Universidade de Notre Dame. “Nossos resultados sugerem que, por mais que os animais vivenciem o stress tanto no topo como na base da pirâmide, diversos fatores relacionados às posições mais altas ajudam a proteger os machos dos efeitos negativos do stress.”

Contudo, os dados não permitem dizer se os babuínos atingiram um alto patamar na escala social pela superioridade de seu sistema imunológico ou, ao contrário, se o status social condicionou a boa saúde dos machos alfa.

babuíno

Status imunológico: babuínos com posição mais alta na hierarquia do grupo são menos propensos a ficar doentes e se recuperam mais rapidamente de ferimentos (Image courtesy of J. Fagot)

Fonte: Veja Ciência


4 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Formiga doente ‘vacina’ o resto da colônia, mostra estudo

Insetos espalham causador da doença entre si em pequenas doses.
Como na vacinação em humanos, medida estimula o sistema imunológico.

Formigas lambém ferida umas das outras (Foto: Mattias Konrad, IST Austria)

Cientistas usara um fungo fluorescente para rastreá-lo no formigueiro (Foto: Mattias Konrad, IST Austria)

Um estudo publicado nesta terça-feira (3) mostra que os formigueiros passam por um tipo de campanha de vacinação quando um membro da colônia adquire uma infecção. Segundo os cientistas, o processo natural é eficaz.

Tudo começa quando uma das formigas é infectada por um agente externo que provoca uma doença – na pesquisa, os cientistas usaram um fungo. Em vez de evitar o indivíduo infectado, as demais formigas tomam conta dele, lambendo o fungo para retirá-lo.

A tentativa de cura nem sempre funciona para a formiga infectada, mas é importante para o resto da colônia. O fungo se espalha em pequenas quantidades e pode até provocar reações, mas não o suficiente para matar.

As formigas expostas ao fungo desenvolvem o sistema imunológico contra ele. Caso, no futuro, ela venha a se deparar com o mesmo fungo novamente, sua defesa natural saberá combatê-lo e evitar a doença.

Nos humanos, é exatamente isto que a vacina faz. Um agente – normalmente um vírus ou bactéria – é colocado dentro do corpo em uma forma morta ou atenuada, que serve para preparar o sistema imunológico para a ameaça de verdade.

 

 

 

 

Fonte: Globo Natureza