7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Sistema de comunicação dos elefantes é similar ao dos seres humanos

Sons de baixa frequência são emitidos pela passagem do ar por ‘cordas vocais’ e não pela contração dos músculos, como nos gatos

Os elefantes africanos são conhecidos por serem grandes comunicadores, mas até agora os cientistas não sabiam ao certo se os sons eram emitidos por contrações musculares, como o ronronar de um gato, ou por vibrações nas cordas vocais, como os seres humanos e outros mamíferos. A análise da laringe de um elefante africano permitiu que os cientistas desvendassem o mistério: eles se comunicam usando uma estrutura semelhante às cordas vocais, e emitem um som de frequência extremamente baixa (infrassom), abaixo do que os humanos podem ouvir completamente. A descoberta foi publicada na revista Science.

De acordo com o estudo de Christian Herbst, da Universidade de Viena, feito com colegas da Alemanha, Áustria e Estados Unidos, os elefantes têm o mesmo mecanismo que produz a fala em humanos – e também em muitos outros mamíferos – para se comunicarem em sons baixos.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram em laboratório a laringe de um elefante africano, que vivia em um zoológico em Berlim. Por meio de um mecanismo que imitava o fluxo de ar nos pulmões, puderam induzir os movimentos das ‘cordas vocais’ e a vibração de baixa frequência.

Isso demonstra que os elefantes contam com um mecanismo de aerodinâmica mioelástica – quando une a elasticidade das cordas vocais e a passagem do ar por elas para emitir o som. O cérebro do elefante também pode estar envolvido para relaxar e tencionar as cordas vocais se outro mecanismo, como o ronronar do gato, estiver envolvido.

Os pesquisadores também encontraram um padrão não linear no modo como as ‘cordas vocais’ dos elefantes vibram, assim como nos seres humanos. Essas irregularidades geralmente ocorrem quando os bebes choram ou quando cantores de heavy metal gritam, por exemplo. “Isso também pode ser observado em jovens elefantes, em situações de extrema excitação”, disse Herbst.

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam (Jan-Hendrik van Rooyen/Getty Images/iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Grilo usa ‘cri-cri’ como marketing pessoal para atrair fêmea, diz estudo

Inseto menor ‘se esforça’ para emitir som igual ao de grilos maiores.
Estudo foi publicado na edição desta semana da revista ‘PNAS.

Cientistas do Reino Unido e da Índia investigaram o “cri-cri” emitido pelos grilos e verificaram que o potente barulho – proveniente de um inseto pequeno – não é apenas um chamado à reprodução, mas funcionaria como uma propaganda do macho para a fêmea.

Por possuírem asas exclusivas  — que emitem som quando esfregadas — os grilos machos “cantarolam” para atrair a atenção das fêmeas. Analisando esse som, os cientistas detectaram uma diferença no tom musical.

Os pesquisadores captaram frequências entre 2,3 e 3,7 kHz. Em princípio, achava-se que as frequências maiores seriam emitidas apenas por exemplares grandes. Mas simulações feitas em computador apontaram que grilos menores também alcançam sons altos se esfregarem as asas com maior intensidade.

De acordo com Rex Cocroft, um dos autores do estudo, isto pode modificar a dinâmica de escolha do parceiro. Para os cientistas, quanto mais rápido for o canto, ou seja, quanto maior for a frequência, mais chances de sucesso tem o grilo na conquista da fêmea. Agora, os pesquisadores querem descobrir o significado dos cantos.

O estudo foi publicado nesta semana na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”.

grilo polinizador (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)

Asas exclusivas permitem ao grilo emitir sons para atrair fêmeas. (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)


26 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Piranhas praticamente rosnam em momentos de briga

As piranhas que vivem em água doce são conhecidas por terem dentes afiados como navalha. Mas existe outra característica que as tornam diferentes: elas produzem sons próprios.

Agora, com um microfone adaptado para uso dentro da água, os pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, afirmam ter encontrado uma justificativa para esses ruídos.

“Eles são produzidos em momentos de brigas, agressões frontais”, diz Eric Parmentier, morfologista da universidade e autor do estudo com as piranhas, publicado na revista “Journal of Experimental Biology”.

Antes, pensava-se que esses peixes emitiam apenas um único som agudo e curto. Mas os pesquisadores registraram um outro parecido com o de um tambor, quando havia luta por comida, e uma espécie de grasnado processado pelas mandíbulas quando uma piranha abocanhava outra.

Parmentier e seus colegas também descobriram que os dois sons se originam da contração rápida de um músculo ligado à bexiga natatória.

As contrações ocorrem de 100 a 200 vezes por segundo e fazem com que as bexigas vibrem. No momento em que as contrações param, a vibração também para, explica Parmentier.

“A bexiga natatória não consegue vibrar por conta própria”, afirma. “Ela é totalmente diferente da corda de uma guitarra.”

Os pesquisadores vêm descobrindo que muitos tipos de peixes produzem som por ser uma boa forma de comunicação debaixo d’água.

Pelas contas de Parmentier, há ao menos cem famílias de peixes conhecidas por produzirem sons.

Pesquisa indicou que piranhas emitem uma espécie de grasnado ao abocanhar adversária em luta

Pesquisa indicou que piranhas emitem uma espécie de grasnado ao abocanhar adversária em luta. Foto: Sandie Millot/The New York Times

Fonte: New York Times


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Golfinhos podem se chamar pelo “nome”

Quando separados, animais imitam o assobio que identifica cada um deles.

Cientistas descobriram que os golfinhos podem se chamar pelo “nome”. Stephanie King, da Universidade de St Andrews (Escócia), e colegas, monitoraram 179 pares de golfinhos nariz-de-garrafa na costa da Flórida (EUA) entre 1988 e 2004. De acordo com matéria publicada no site da revista New Scientist, o grupo de pesquisadores descobriu que pelo menos 20 deles copiavam o “assobio” de identidade de outros golfinhos — a forma como eles se identificam. Os resultados foram apresentados na conferência da Associação para o Estudo do Comportamento Animal, na Universidade de St Andrews.

Esse tipo de comportamento nunca foi registrado. Apenas golfinhos que eram muito próximos, como mãe e filho ou parceiros da caça, imitavam o assobio uns dos outros. O novo estudo sugere que os animais não copiam o assobio de identidade apenas para imitar. A frequência do som produzido pelos mamíferos analisados mudou da mesma forma que o original que tentavam imitar, mas ou não tinha a mesma duração ou se iniciava a partir de uma frequência maior.

Os cientistas supõem que a imitação do assobio entre golfinhos acontece quando eles querem se reunir. Isso porque o comportamento só foi observado quando eles estavam separados. Stephanie acredita que os animais estavam utilizando uma forma própria de chamarem uns aos outros.

Contudo, a pesquisa deve ser encarada com cautela. De acordo com especialistas consultados pela New Scientist, para ter certeza de que os animais estão usando o assobio para se referir a um indivíduo específico, os pesquisadores teriam que mostrar que os golfinhos respondem quando são imitados em qualquer situação.

Saiba mais:

  1. A “voz” dos golfinhos – Os golfinhos conseguem produzir vários tipos de sons usando bolsas nasais. Podem ser divididos em três categorias: assobios modulados, pulsos ultrassônicos ou estalos. Os dois primeiros são utilizados para se comunicar e os estalos para a ecolocalização, uma forma de utilizar o som para extrair informações do ambiente que cerca o animal.
  2. Assobio? – Apesar de o som ser bastante semelhante, os golfinhos não assobiam de verdade. Um grupo de cientistas da Dinamarca gravou o assobio de um golfinho depois de ele ter respirado gás hélio e posteriormente ar comum. O som era praticamente o mesmo nos dois casos. Se o animal estivesse assobiando mesmo — empurrando o ar através de uma câmara —, o hélio teria mudado a frequência do som. Contudo, um som semelhante pode ser produzido ao vibrar uma membrana.

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los (Tom Brakefield/Stockbyte/ThinkStock)


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Baleias ficam em silêncio em águas rasas para evitar predadores

Cientistas que pesquisam as misteriosas baleias de bico de Blainville publicaram um estudo no qual concluem que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.

A pesquisa, publicada na revista científica “Marine Mammal Science”, é uma das primeiras a registrar como essas baleias se comunicam.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos pelas baleias quando nadam em grandes profundidades.

ENIGMÁTICA

A espécie Mesoplodon densirostris tende a habitar regiões profundas dos oceanos, formando grupos pequenos, que não ultrapassam dez indivíduos.

Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, esses cetáceos (ordem dos mamíferos formada por animais adaptados à vida aquática) evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESTUDO

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias de bico de Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas.

Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar e nadavam próximo da superfície, e também quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostraram que a espécie fica silenciosa quando nada a profundidades de cerca de 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos –uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), também conhecidas como “baleias assassinas”.

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias.

Ao se “esconder” dessa maneira, a baleia de bico de Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

“Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias dentadas”, afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas que também se orientassem no espaço e procurassem suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados –que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes– nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar.

Fonte: BBC Brasil


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão testar comunicação com golfinhos por computador

Um computador capaz de reconhecer o som emitido por golfinhos e gerar respostas em tempo real é o trabalho que está sendo desenvolvido pela organização Projeto de Golfinhos Selvagens, na Flórida (USA).

Grupos desses cetáceos têm se comunicado com humanos, por meio de desenhos e sons, desde a década de 60. Mas a comunicação é quase de uma mão única, explica Denise Herzing, que está à frente da pesquisa.

Desde 1998, Herzing e colegas tentam estabelecer uma comunicação de duas vias com os golfinhos. Primeiro, pelo uso de sons artificiais e, depois, associando-se os sons emitidos a quatro símbolos que aparecem em um keyboard especial usado debaixo d’água.

O golfinho pode pedir coisas apontando para cada um dos símbolos, como brincar ou pegar uma carona em uma onda, e não apenas receber ordens humanas.

O projeto é uma colaboração com o pesquisador de inteligência artificial Thad Starner, do Instituto de Tecnologia de Georgia, em Atlanta (EUA). A meta é criar um sistema de linguagem com os quais os golfinhos selvagens se comuniquem naturalmente que, por si só, já é uma grande desafio.

Os golfinhos podem produzir sons em frequências mais altas a 200 quilo-hertz –ou seja, quase dez vezes mais do que o ouvido humano é capaz de captar. Outro ponto a ser superado é como os animais projetam sons em diferentes direções sem mexer a cabeça, o que torna mais difícil reconhecer o “som-palavra” que emitiu.

Para contornar esse problema, Starner e colegas estão construindo um protótipo de computador do tamanho de um smartphone, dotado de dois fones de ouvido concebidos para funcionar debaixo d’água e captar os mais variados sons para então decifrá-los.

“Nem mesmo sabemos se os golfinhos usam palavras”, admite Herzing. “Poderíamos usar os sinais deles, se nós os conhecêssemos.”

Fonte: DA “NEW SCIENTIST”






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7 de agosto de 2012 | nenhum comentário »

Sistema de comunicação dos elefantes é similar ao dos seres humanos

Sons de baixa frequência são emitidos pela passagem do ar por ‘cordas vocais’ e não pela contração dos músculos, como nos gatos

Os elefantes africanos são conhecidos por serem grandes comunicadores, mas até agora os cientistas não sabiam ao certo se os sons eram emitidos por contrações musculares, como o ronronar de um gato, ou por vibrações nas cordas vocais, como os seres humanos e outros mamíferos. A análise da laringe de um elefante africano permitiu que os cientistas desvendassem o mistério: eles se comunicam usando uma estrutura semelhante às cordas vocais, e emitem um som de frequência extremamente baixa (infrassom), abaixo do que os humanos podem ouvir completamente. A descoberta foi publicada na revista Science.

De acordo com o estudo de Christian Herbst, da Universidade de Viena, feito com colegas da Alemanha, Áustria e Estados Unidos, os elefantes têm o mesmo mecanismo que produz a fala em humanos – e também em muitos outros mamíferos – para se comunicarem em sons baixos.

Para chegar a essa conclusão, eles analisaram em laboratório a laringe de um elefante africano, que vivia em um zoológico em Berlim. Por meio de um mecanismo que imitava o fluxo de ar nos pulmões, puderam induzir os movimentos das ‘cordas vocais’ e a vibração de baixa frequência.

Isso demonstra que os elefantes contam com um mecanismo de aerodinâmica mioelástica – quando une a elasticidade das cordas vocais e a passagem do ar por elas para emitir o som. O cérebro do elefante também pode estar envolvido para relaxar e tencionar as cordas vocais se outro mecanismo, como o ronronar do gato, estiver envolvido.

Os pesquisadores também encontraram um padrão não linear no modo como as ‘cordas vocais’ dos elefantes vibram, assim como nos seres humanos. Essas irregularidades geralmente ocorrem quando os bebes choram ou quando cantores de heavy metal gritam, por exemplo. “Isso também pode ser observado em jovens elefantes, em situações de extrema excitação”, disse Herbst.

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam

Cientistas detectam como os elefantes se comunicam (Jan-Hendrik van Rooyen/Getty Images/iStockphoto)

Fonte: Veja Ciência


2 de maio de 2012 | nenhum comentário »

Grilo usa ‘cri-cri’ como marketing pessoal para atrair fêmea, diz estudo

Inseto menor ‘se esforça’ para emitir som igual ao de grilos maiores.
Estudo foi publicado na edição desta semana da revista ‘PNAS.

Cientistas do Reino Unido e da Índia investigaram o “cri-cri” emitido pelos grilos e verificaram que o potente barulho – proveniente de um inseto pequeno – não é apenas um chamado à reprodução, mas funcionaria como uma propaganda do macho para a fêmea.

Por possuírem asas exclusivas  — que emitem som quando esfregadas — os grilos machos “cantarolam” para atrair a atenção das fêmeas. Analisando esse som, os cientistas detectaram uma diferença no tom musical.

Os pesquisadores captaram frequências entre 2,3 e 3,7 kHz. Em princípio, achava-se que as frequências maiores seriam emitidas apenas por exemplares grandes. Mas simulações feitas em computador apontaram que grilos menores também alcançam sons altos se esfregarem as asas com maior intensidade.

De acordo com Rex Cocroft, um dos autores do estudo, isto pode modificar a dinâmica de escolha do parceiro. Para os cientistas, quanto mais rápido for o canto, ou seja, quanto maior for a frequência, mais chances de sucesso tem o grilo na conquista da fêmea. Agora, os pesquisadores querem descobrir o significado dos cantos.

O estudo foi publicado nesta semana na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a “PNAS”.

grilo polinizador (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)

Asas exclusivas permitem ao grilo emitir sons para atrair fêmeas. (Foto: Sylvain Hugel/Divulgação)


26 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Piranhas praticamente rosnam em momentos de briga

As piranhas que vivem em água doce são conhecidas por terem dentes afiados como navalha. Mas existe outra característica que as tornam diferentes: elas produzem sons próprios.

Agora, com um microfone adaptado para uso dentro da água, os pesquisadores da Universidade de Liège, na Bélgica, afirmam ter encontrado uma justificativa para esses ruídos.

“Eles são produzidos em momentos de brigas, agressões frontais”, diz Eric Parmentier, morfologista da universidade e autor do estudo com as piranhas, publicado na revista “Journal of Experimental Biology”.

Antes, pensava-se que esses peixes emitiam apenas um único som agudo e curto. Mas os pesquisadores registraram um outro parecido com o de um tambor, quando havia luta por comida, e uma espécie de grasnado processado pelas mandíbulas quando uma piranha abocanhava outra.

Parmentier e seus colegas também descobriram que os dois sons se originam da contração rápida de um músculo ligado à bexiga natatória.

As contrações ocorrem de 100 a 200 vezes por segundo e fazem com que as bexigas vibrem. No momento em que as contrações param, a vibração também para, explica Parmentier.

“A bexiga natatória não consegue vibrar por conta própria”, afirma. “Ela é totalmente diferente da corda de uma guitarra.”

Os pesquisadores vêm descobrindo que muitos tipos de peixes produzem som por ser uma boa forma de comunicação debaixo d’água.

Pelas contas de Parmentier, há ao menos cem famílias de peixes conhecidas por produzirem sons.

Pesquisa indicou que piranhas emitem uma espécie de grasnado ao abocanhar adversária em luta

Pesquisa indicou que piranhas emitem uma espécie de grasnado ao abocanhar adversária em luta. Foto: Sandie Millot/The New York Times

Fonte: New York Times


9 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Golfinhos podem se chamar pelo “nome”

Quando separados, animais imitam o assobio que identifica cada um deles.

Cientistas descobriram que os golfinhos podem se chamar pelo “nome”. Stephanie King, da Universidade de St Andrews (Escócia), e colegas, monitoraram 179 pares de golfinhos nariz-de-garrafa na costa da Flórida (EUA) entre 1988 e 2004. De acordo com matéria publicada no site da revista New Scientist, o grupo de pesquisadores descobriu que pelo menos 20 deles copiavam o “assobio” de identidade de outros golfinhos — a forma como eles se identificam. Os resultados foram apresentados na conferência da Associação para o Estudo do Comportamento Animal, na Universidade de St Andrews.

Esse tipo de comportamento nunca foi registrado. Apenas golfinhos que eram muito próximos, como mãe e filho ou parceiros da caça, imitavam o assobio uns dos outros. O novo estudo sugere que os animais não copiam o assobio de identidade apenas para imitar. A frequência do som produzido pelos mamíferos analisados mudou da mesma forma que o original que tentavam imitar, mas ou não tinha a mesma duração ou se iniciava a partir de uma frequência maior.

Os cientistas supõem que a imitação do assobio entre golfinhos acontece quando eles querem se reunir. Isso porque o comportamento só foi observado quando eles estavam separados. Stephanie acredita que os animais estavam utilizando uma forma própria de chamarem uns aos outros.

Contudo, a pesquisa deve ser encarada com cautela. De acordo com especialistas consultados pela New Scientist, para ter certeza de que os animais estão usando o assobio para se referir a um indivíduo específico, os pesquisadores teriam que mostrar que os golfinhos respondem quando são imitados em qualquer situação.

Saiba mais:

  1. A “voz” dos golfinhos – Os golfinhos conseguem produzir vários tipos de sons usando bolsas nasais. Podem ser divididos em três categorias: assobios modulados, pulsos ultrassônicos ou estalos. Os dois primeiros são utilizados para se comunicar e os estalos para a ecolocalização, uma forma de utilizar o som para extrair informações do ambiente que cerca o animal.
  2. Assobio? – Apesar de o som ser bastante semelhante, os golfinhos não assobiam de verdade. Um grupo de cientistas da Dinamarca gravou o assobio de um golfinho depois de ele ter respirado gás hélio e posteriormente ar comum. O som era praticamente o mesmo nos dois casos. Se o animal estivesse assobiando mesmo — empurrando o ar através de uma câmara —, o hélio teria mudado a frequência do som. Contudo, um som semelhante pode ser produzido ao vibrar uma membrana.

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los

Parceiros: cientistas supõem que golfinhos muito próximos imitam o assobio de outros quando querem chamá-los (Tom Brakefield/Stockbyte/ThinkStock)


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Baleias ficam em silêncio em águas rasas para evitar predadores

Cientistas que pesquisam as misteriosas baleias de bico de Blainville publicaram um estudo no qual concluem que esses mamíferos ficam em silêncio em águas rasas para evitar o ataque de predadores.

A pesquisa, publicada na revista científica “Marine Mammal Science”, é uma das primeiras a registrar como essas baleias se comunicam.

Os pesquisadores também gravaram sons produzidos pelas baleias quando nadam em grandes profundidades.

ENIGMÁTICA

A espécie Mesoplodon densirostris tende a habitar regiões profundas dos oceanos, formando grupos pequenos, que não ultrapassam dez indivíduos.

Além do bico característico, ela possui dentes, alcança até cinco metros de comprimento e pesa, quando adulta, cerca de 800 kg.

Tímidos e discretos, esses cetáceos (ordem dos mamíferos formada por animais adaptados à vida aquática) evitam embarcações, o que dificulta seu estudo e lhes dá um caráter enigmático.

ESTUDO

A pesquisadora Natacha Aguilar, da Universidade de La Laguna, em Tenerife (Espanha), e seus colegas da Woods Hole Oceanographic Institution, em Massachusetts (EUA), e da Universidade Aarhus, na Dinamarca, conectaram dispositivos de escuta em oito baleias de bico de Blainville.

Os animais foram monitorados durante 102 horas.

Os aparelhos gravaram sons produzidos pelas baleias quando vinham à tona para respirar e nadavam próximo da superfície, e também quando os mamíferos mergulhavam em profundidades de até 900 metros.

Os resultados mostraram que a espécie fica silenciosa quando nada a profundidades de cerca de 170 metros.

As baleias também permanecem silenciosas quando estão subindo à tona após seus mergulhos –uma jornada que pode levar até 19 minutos.

A equipe acredita que este comportamento tenha a função de evitar que as baleias sejam detectadas por seu predador, as temidas orcas (Orcinus orca), também conhecidas como “baleias assassinas”.

As orcas tendem a circular em águas rasas e se alimentam de várias espécies de baleias.

Ao se “esconder” dessa maneira, a baleia de bico de Blainville adotaria uma estratégia efetiva de evitar sua predadora, já que a espécie não é capaz de nadar mais rápido do que a orca e não possui outras defesas contra ela.

Ainda assim, o comportamento surpreendeu os cientistas, que imaginavam que os animais continuariam em contato para manter seus vínculos sociais, especialmente porque tendem a nadar em grupos coesos.

“Para um grupo que vive em sociedades tão coesas e coordena suas atividades, ficar em silêncio perto da superfície é um comportamento inesperado que contrasta bastante com o de outras baleias dentadas”, afirmaram os pesquisadores em seu artigo.

SONS

Quando nadavam a mais de 450 metros de profundidade, as baleias emitiam diversos tipos de sons que permitiam não apenas que se comunicassem, mas que também se orientassem no espaço e procurassem suas presas, afirma a pesquisa.

Segundo os cientistas, alguns dos sons registrados –que eles descrevem como apitos e uma série de sons estridentes– nunca haviam sido gravados antes.

A equipe acredita que os sons em série tenham o papel de coordenar os movimentos dos membros do grupo à medida que se dispersa no final do mergulho, para caçar.

Fonte: BBC Brasil


10 de maio de 2011 | nenhum comentário »

Cientistas vão testar comunicação com golfinhos por computador

Um computador capaz de reconhecer o som emitido por golfinhos e gerar respostas em tempo real é o trabalho que está sendo desenvolvido pela organização Projeto de Golfinhos Selvagens, na Flórida (USA).

Grupos desses cetáceos têm se comunicado com humanos, por meio de desenhos e sons, desde a década de 60. Mas a comunicação é quase de uma mão única, explica Denise Herzing, que está à frente da pesquisa.

Desde 1998, Herzing e colegas tentam estabelecer uma comunicação de duas vias com os golfinhos. Primeiro, pelo uso de sons artificiais e, depois, associando-se os sons emitidos a quatro símbolos que aparecem em um keyboard especial usado debaixo d’água.

O golfinho pode pedir coisas apontando para cada um dos símbolos, como brincar ou pegar uma carona em uma onda, e não apenas receber ordens humanas.

O projeto é uma colaboração com o pesquisador de inteligência artificial Thad Starner, do Instituto de Tecnologia de Georgia, em Atlanta (EUA). A meta é criar um sistema de linguagem com os quais os golfinhos selvagens se comuniquem naturalmente que, por si só, já é uma grande desafio.

Os golfinhos podem produzir sons em frequências mais altas a 200 quilo-hertz –ou seja, quase dez vezes mais do que o ouvido humano é capaz de captar. Outro ponto a ser superado é como os animais projetam sons em diferentes direções sem mexer a cabeça, o que torna mais difícil reconhecer o “som-palavra” que emitiu.

Para contornar esse problema, Starner e colegas estão construindo um protótipo de computador do tamanho de um smartphone, dotado de dois fones de ouvido concebidos para funcionar debaixo d’água e captar os mais variados sons para então decifrá-los.

“Nem mesmo sabemos se os golfinhos usam palavras”, admite Herzing. “Poderíamos usar os sinais deles, se nós os conhecêssemos.”

Fonte: DA “NEW SCIENTIST”