13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Casal de tartarugas separa-se após relacionamento de mais de 100 anos

Funcionários de um zoológico na Suíça foram obrigados a separar os dois animais desde que a fêmea começou a atacar seu par sem razão aparente

Uma separação repentina entre um casal de tartarugas gigantes de 115 anos está intrigando funcionários do zoológico de répteis Reptilien Happ, localizado na cidade de Klagenfurt, na Áustria. Bibi e Poldi vivem juntos neste zoólogico há 36 anos, mas o relacionamento deles é mais antigo: de acordo com a diretora do zoológico, Helga Happ, eles estão juntos desde que eram muito novos.

Antes de chegar à Áustria, Bibi (fêmea) e Poldi (macho) viviam juntos em um outro zoológico, localizado na cidade de Basileia, na Suíça.

De acordo com Happ, desde outubro do ano passado, Bibi decidiu que não quer mais Poldi. Desde então, começou a atacar o ex-companheiro, cortando pedaços do casco.

Happ não sabe dizer o que pode ter levado a esse comportamento do casal e conta que não houve nenhuma mudança no ambiente ou na alimentação.

As tartarugas pesam 100 quilos cada, uma luta entre as duas poderia resultar em morte. Com essa preocupação, os funcionários do zoológico decidiram separar o casal, mas ainda não desistiram da reconciliação: a cada semana eles abrem as jaulas e tentam colocar os dois juntos.

Em entrevista por telefone ao site de VEJA, Happ disse que quando os funcionários abrem as jaulas, Bibi se mostra ameaçadora.

A equipe tentou unir novamente o casal com dicas de especialistas em relacionamento animal, usando, por exemplo, comidas afrodisíacas. Até aghora, nada funcionou.

Saiba mais

TARTARUGA GIGANTE
É a designação comum a diversas tartarugas terrestres, de grande porte, da família dos testudinídeos. São características de habitats insulares de regiões tropicais. O tempo de vida das tartarugas é bastante variado, dependendo de sua espécie e de onde elas vivem. Muitas delas vivem mais do que cem anos. De acordo com Helga Happ, diretora do zoológico de répteis onde vivem as tartarugas, Bibi e Poldi são originadas das Ilhas de Galápagos. As tartarugas típicas desse arquipélago, localizado a cerca de mil quilômetros da costa do Equador, são as que apresentam maiores dimensões, chegando a medir mais de 1,8 metro de comprimento e a pesar 200 quilos.

tartarugas gigantes

Depois de um período de mais de cem anos de convivência, Bibi começou a rejeitar seu companheiro Poldi mordendo seu casco (Divulgação Zoológico Reptilien Happ)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 400 tartarugas são apreendidas em malas em Bangladesh

Autoridades aduaneiras de Bangladesh apreenderam mais de 400 tartarugas, encontradas em malas que tinham a Tailândia como destino.

Após uma denúncia, funcionários do aeroporto de Daca abriram a bagagem de dois passageiros que estavam voando para Bancoc.

As tartarugas encontradas, algumas de espécies ameaçadas de extinção, tem valor estimado de US$ 35 mil (R$ 65 mil) no mercado negro, já que são populares como bichos de estimação e sua carne pode ser utilizada na medicina oriental.

Duas pessoas de nacionalidade indiana foram presas após o incidente.

Acredita-se que os animais tenham saído da Índia. Segundo ativistas, Daca tem sido cada vez mais usada como rota para o transporte ilegal de animais selvagens.

No ano passado, autoridades na Tailândia encontraram centenas de tartarugas e crocodilos em uma mala que chegou em um voo vindo de Bangladesh.

Fonte: BBC Brasil


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

SC: sobe para 108 o nº de animais marinhos encontrados mortos

Subiu para 108 o número de animais marinhos encontrados mortos na costa catarinense. Desde o início do monitoramento realizado por biólogos do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali)foram registrados o aparecimento de 90 tartarugas verdes (Chelonia mydas), três golfinhos cinza (Sotalia guianensis), 12 botos (Tursiops truncatus), conhecidos como “boto flíper” ou “boto da tainha”, uma baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), uma baleia-minke-antártica (Balaenoptera bonaerensis), e uma toninha (Pontoporia blainvillei).

Especialistas acompanham o caso e apontam como causa preliminar o uso de redes de emalhe, proibidas na pesca. Essa suspeita, no entanto, ainda não foi confirmada e outras possibilidades estão sendo estudadas.

Todo o material foi recolhido para análise. Os pesquisadores estão percorrendo 350 km da costa de Santa Catarina à procura de novos registros. O laudo com a causa das mortes deverá ser divulgado em breve.

Fonte: Portal Terra


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polícia Ambiental apreende pescado e quelônios em feira no Amazonas

Suspeitos que comercializam as espécies fugiram do local.
Fiscalização faz parte da operação chamada Saturação Manacapuru.

Operação combate a fiscalização irregular de peixes e quelônios (Foto: arquivo/Polícial Ambiental do Amazonas)

Operação combate a fiscalização irregular de peixes e quelônios (Foto: arquivo/Polícial Ambiental do AM)

Policiais do Batalhão Ambiental de Manacapuru, a 79 km de Manaus, apreenderam durante patrulhamento na feira popular do município, Feira da Liberdade, 100 Kg de pescado e seis quelônios ainda vivos. Os suspeitos que comercializam as espécies fugiram do local.

De acordo com os policias do batalhão, a fiscalização faz parte da operação chamada Saturação Manacapuru. Durante ação, agentes perceberam os animais escondidos em uma sacola de estopa de plástico.

Os policias ainda informaram que os quelônios foram devolvidos aos rios e o pescado apreendido foi doado para o Hospital da Mulher Cecília Cabral de Manacapuru.

Fonte: Ana Graziela Maia, G1, AM

28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Tartarugas marinhas são ameaçadas por vírus raro

Um vírus que produz tumores está dizimando a população de tartarugas-verdes da Grande Barreira de Corais, situada ao norte da Austrália, onde a sobrevivência da espécie corre perigo pela falta de alimentos e pela deterioração ambiental do habitat.

Algumas tartarugas afetadas pela doença sobrevivem durante certo tempo quando os tumores são externos, mas os tumores causam também perda de visão, o que dificulta cada vez mais o animal a buscar alimentos e fugir dos predadores. Quando os tumores são interiores, eles obstruem os órgãos até provocando a morte do animal.

Uma vez contraído, o vírus pode ficar incubado durante anos, assim como a herpes labial nos seres humanos, mas qualquer circunstância estressante vivida pela tartaruga pode motivar sua manifestação, dizem especialistas.

As tartarugas-verdes (Chelonia mydas), animais que povoaram a Terra há mais de 100 milhões de anos, foram consideradas como espécies em perigo de extinção em seu habitat natural, os mares tropicais e subtropicais.

Capazes de viajar 2,6 mil quilômetros na época de migração, essas tartarugas habitam várias áreas do norte da Austrália, entre elas a Grande Barreira de Corais, uma das grandes reservas mundiais de fauna marinha.

Fatores como o desaparecimento de alimentos, a progressiva poluição da água, doenças, o desenvolvimento urbano no litoral australiano e o uso das redes por parte dos pescadores aumentam a ameaça da espécie.

Estresse ambiental – Há sete anos, os especialistas descobriram que o novo inimigo da tartaruga-verde é uma doença denominada “fibropapilomatose”, um herpes-vírus que produz tumores na superfície e muitas vezes no interior do animal, explica a pesquisadora Ellen Ariel, da Universidade James Cook (Austrália).

Por isso, segundo ela, os cientistas acreditam que a doença seja causada por “estresse ambiental”, e aparentemente muitas tartarugas doentes ficam em zonas específicas. A pesquisadora acrescenta que o desafio agora é determinar a origem da doença.

Neste ano, no nordeste australiano, houve grandes inundações e a passagem do ciclone “Yasi”, desastres que custaram muitas vidas de tartarugas-verdes, diz o diretor-executivo da representação australiana da ONG internacional WWF, Dermot O’Gorman.

Muitos leitos vegetais litorâneos, considerados uma importante fonte de alimentos das tartarugas-verdes, foram cobertos com sedimentos e poluição depois das inundações e da passagem do “Yasi”.

Nessas condições, as tartarugas doentes não têm a energia para buscar alimentos e morrem. “Muitas tartarugas sobreviveram, mas agora estão morrendo devido aos prolongados períodos de crise de fome”, conta Ellen.

Estudos recentes revelam que mais da metade das tartarugas-verdes que habitam a baía Brisk, no litoral da Grande Barreira de Corais, tinham fibropapilomatose, em um nível altíssimo se comparado com as que vivem em outras zonas, nas quais a incidência do vírus é de 5%.

O fato de o vírus ser quase endêmico na baía de Brisk levantou a hipótese de que o detonante da doença poderia ser o uso de pesticidas e outros poluentes industriais.

Segundo o WWF, tanto na baía Brisk como em outras partes do mundo, entre elas a Flórida (EUA), o vírus está mais presente em áreas próximas aos assentamentos humanos.

Comunidades aborígenes, autoridades, a Universidade James Cook e o WWF uniram forças na região da Grande Barreira de Corais para tentar salvar as tartarugas-verdes e realizar estudos, incluindo a etiquetagem que permite identificar os animais, para poder assim analisar a fundo suas doenças.

Veterinário Leo Foyle, da Universidade James Cook, trata de tartaruga infectada pelo vírus que produz tumores. Foto: EFE

 

Fonte: Portal iG


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Onze tartarugas são encontradas mortas em Praia Grande/SP

Dez tartarugas-verde e uma tartaruga-de-pente foram encontradas mortas de domingo até esta terça-feira (3) nas praias do Canto do Forte, Guilhermina e Tupi, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

Segundo o laudo da ONG Gremar (Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos), para onde os animais foram encaminhados, no Guarujá, todas haviam ingerido lixo plástico, sendo essa a causa da morte de oito delas.

Das outras três tartarugas, duas morreram por ferimentos causados por redes de pesca e uma devido ao rompimento do casco após um choque com uma embarcação.

De acordo com o Grupamento de Guarda Costeira Municipal, neste ano já foram encontradas 60 tartarugas mortas nas praias da cidade.

“O principal motivo das mortes são a pesca acidental e a ingestão sacolas plásticas, que são confundidas com águas-vivas, principal alimento desses animais”, afirma Delfo Almeida Monsalvo, inspetor chefe da Guarda Costeira. 

Fonte: Felipe Caruso/ Folha.com


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama e o abandono de quelônios

Leiliane Marinho - http://www.oecoamazonia.com
“Dá pra sentir pelo cheiro”. A insistente fumaça do casco sapecado na brasa, forma como é preparada a tartaruga-da-amazônia, ainda apreciada no norte do Brasil, denuncia que o número de fêmeas capturadas no momento da desova em Praia Alta, Rondônia, não é pequeno. “Estão comendo tartaruga como nunca”, conta Eduardo Bissagio, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em Porto Velho. A captura tem ocorrido por falta de fiscalização e fechamento do escritório do Ibama justamente na área de um projeto de proteção de quelônios que tinha mais de 30 anos de atividades de sucesso.

 

Área de abrangência do PQA

Além de Goiás, o Projeto se estende a todos os estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Maranhão). Em 2007 havia cerca de quinze localidades na Bacia Amazônica e do Araguaia onde o PQA mantinha bases. A maior parte, fora de Unidades de Conservação (UCs) Federais. Outros 112 sítios de reprodução fora de UCs enfrentam os mesmos problemas que Praia Alta.

Uma das bases do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) fica na Praia Alta, rio Guaporé, fronteira entre Brasil e Bolívia. Nesta região há grande concentração de Podocnemis expansa, maior tartaruga de água doce da América do Sul – chega a ter 80 centímetros de comprimento e pesar 60 quilos. Existem pelo menos 60 mil fêmeas em idade reprodutiva em todo o Brasil. Em 2010, o projeto teve seis mil covas da espécie e, em Praia Alta, 600 mil filhotes foram liberados.

Apesar dos números de outrora, a má administração de recursos já insuficientes resultou na falta de fiscalização e o que se vê atualmente é um festival de caça ilegal a um animal que deveria ser protegido pelo Ibama. “Neste último mês consumimos todo o dinheiro e tivemos que fazer novo orçamento. Quatro fiscais e um coordenador já retomaram a fiscalização e estão em Praia Alta”, afirma César Luis Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia.

 

Clique para ampliar

 

Tartaruga a prêmio: Cortes de verba limitam o manejo e abrem campo para a caça e a criação clandestina

Morrendo na praia: Sem dinheiro e atenção do governo, projeto não consegue evitar o sumiço dos animais

“A Deus dará”

Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar

A desova de tartarugas também enfrenta outro problema: a desativação do Escritório Regional de Costa Marques, do Ibama, parte do projeto onde ocorriam atividades de cunho educativo, como palestras e eventos públicos. Devido à decisão, o local já não conta com museu de educação ambiental e tanques para exposição de quelônios vivos.

Citado em praticamente todos os guias turísticos do estado, o escritório fortaleceu-se como centro de visitantes que recebia pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Questionado sobre o fechamento do escritório, César Luis responde que é preciso resolver “pendências com servidores”. “Para quem vive de derrotar o meio ambiente será uma boa fechar o escritório. Por termos ficado sem fiscalização só se fala no consumo de tartaruga em todo lugar que se anda”, conta João José da Silva que, aos 50 anos, completou 21 de serviço no Ibama de Costa Marques.

Segundo Celso Santos, chefe da Reserva Biológica (REBIO) de Guaporé, vizinha da área de desova, o fim do escritório representa queda na fiscalização daquela região. “Neste ano o Projeto Quelônios da Amazônia ficou literalmente ‘ao Deus dará’, abandonado. Ficou um clima de ‘projeto de ninguém’, sem coordenação ou planejamento de atividades. Chegamos a acreditar que nada seria feito”, desabafa Santos. “Pelo menos este ano, graças a alguns servidores idealistas e voluntários, as tartarugas estão a salvo de uma destruição anunciada”, diz.

Para Celso Santos, a presença dos órgãos governamentais com competência de fiscalização ambiental é fraca e minguada. “A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental não possui condições mínimas de realizar um trabalho regular de fiscalização no rio Guaporé, e se tivesse não sei se o faria, pois se trata de um segmento muito político e o governo do estado de Rondônia nunca teve como uma das suas diretrizes o cuidado com o meio ambiente”, diz.

“Vamos tomar sol”, diz a tartaruga

O mergulho dos filhotes de tartarugas Arrau

O começo do problema. É ou não prioridade?

 

Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar

2007 tinha tudo para ser tornar um marco positivo para o Projeto, ano que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) considerou Praia Alta como umas das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, região de importância extremamente alta. Ironicamente, foi justamente aí que os problemas se agravaram.

“Com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as ações do Projeto pioraram. Verificaram que não se enquadrava nele. Essa discussão de ‘onde o Projeto deve ficar’ durou três anos. Em março de 2011 decidiram que deveria retornar para o Ibama. Enquanto isso, as tartarugas passaram a enfrentar muita pressão de seus predadores humanos”, explica Antonio Pacaya Ihuaraqui, coordenador substituto do projeto e analista ambiental do Ibama. “Assim como ocorre em Praia Alta, há três anos todos os pontos de desova de quelônios nos estados do Norte se encontram na mesma situação”, explica Pacaya, citando alguns exemplos: Monte Cristo em Santarém (PA), Carauari no Amazonas, Afuá no Amapá, Tarauacá no Acre e Lagoa da Confusão no Tocantins.

Roberto Gallucci, responsável pela biodiversidade aquática no MMA, não quis se pronunciar sobre o assunto. “Essa questão não chegou até nós”, disse.“Como não é uma prioridade do governo federal, nunca haverá dinheiro para o desenvolvimento de projetos como este. Apesar dos planejamentos, quem sofre corte nos orçamentos é a fauna. Se nós técnicos não fossemos perseverantes há mais de três décadas, com certeza os quelônios teriam adentrado na lista de espécies ameaçadas de extinção”, afirma Pacaya.

Ele explica que o Projeto Quelônios da Amazônia  deve sofrer algumas mudanças. “Queremos que seja modelo de sustentabilidadecom atividades de educação ambiental permanente, tecnologias sustentáveis, articulação interinstitucional, fiscalização integrada, pesquisa”. Isso se os repasses financeiros e a boa vontade pública permitirem a fiscalização. Senão, a caça ilegal às tartarugas poderá continuar.

 

Função ecológica 

Quelônios comem material vegetal para transformá-los em fonte de energia para outras espécies, conforme explica Richard Vogt, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e diretor geral do Projeto Tartarugas da Amazônia, com sede em Manaus. “Uma tartaruga-da-amazônia põe em média de 100 a 150 ovos por ano. Esses ovos repõem o meio ambiente com mais tartarugas e servem como fonte de alimento para carnívoros como aves, botos, jacarés, peixes, onças”, conta.

A caça ilegal destrói o equilíbrio biológico. “Se o homem consome as fêmeas em desova, será preciso esperar pelo menos 12 anos para que os animais sub-adultos atinjam a maturidade. A perda no estoque da população de tartarugas em idade desova só é recuperada após 30 anos”, afirma.

Ainda não há uma estimativa no número de fêmeas perdidas este ano em Praia Alta, mas espera-se atraso na desova por conta do movimento de embarcações, mas devido principalmente ao movimento de caçadores. O atraso no nascimento resulta em mortandade de filhotes, que morrem afogados com o aumento do nível das águas.


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Descoberta coloca tartarugas próximas aos lagartos em árvore genealógica

Técnica molecular encontrou material genético em tartarugas e lagartos ausente em outros animais

Por décadas os cientistas tentam relacionar as tartarugas aos demais répteis. Suas características únicas, como o casco e a cabeça retrátil, dificultam sua classificação. Sabe-se que elas evoluíram de um ancestral comum aos pássaros, lagartos e cobras cerca de 300 milhões de anos atrás. Mas quais são os parentes próximos da tartaruga atual?

Alguns cientistas analisaram os genes das tartarugas e descobriram que elas são parentes próximos do grupo de animais que inclui crocodilos e pássaros. Outros, comparando as características físicas das tartarugas e outros répteis, as colocaram em uma subclasse de animais que inclui lagartos, crocodilos e pássaros.

Agora, pesquisadores da Universidade de Yale usaram uma nova abordagem envolvendo genética e os resultados indicam que as tartarugas são parentes próximos dos lagartos. Os cientistas utilizaram microRNA — pequenas moléculas que controlam a atividade genética e podem ativar ou desativar genes — para estudar a evolução dos bichos.

Depois de descobrirem centenas de microRNA em lagartos, os especialistas compararam as descobertas com o material genético de crocodilos e tartarugas. A equipe descobriu que quatro microRNA presentes no lagarto também existiam na tartaruga, mas faltavam nos pássaros, crocodilos e todos os outros animais.

De acordo com os autores da pesquisa, apesar de os microRNA se desenvolverem rapidamente nos animais, eles permanecem virtualmente inalterados. É um tipo de mapa molecular que permite rastrear a evolução das espécies. Os pesquisadores afirmaram que precisam de mais dados para confirmar, sem sombra de dúvidas, que as tartarugas e os lagartos são primos evolutivos.

A equipe pretende usar a análise de microRNA em outros animais para ajudar a determinar origens e relações em outras espécies. Além disso, os cientistas estão desenvolvendo uma plataforma na internet para compartilhar a técnica com outros pesquisadores ao redor do mundo.

Depois de décadas em discussão, cientistas encontram pistas sobre o parentesco evolutivo das tartarugas: são primas dos lagartos

Depois de décadas em discussão, cientistas encontram pistas sobre o parentesco evolutivo das tartarugas: são primas dos lagartos (Comstock)

Fonte: Veja Ciência


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo


« Página anterior





Categorias

Tópicos recentes

Meta

 

julho 2018
S T Q Q S S D
« mar    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

13 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Casal de tartarugas separa-se após relacionamento de mais de 100 anos

Funcionários de um zoológico na Suíça foram obrigados a separar os dois animais desde que a fêmea começou a atacar seu par sem razão aparente

Uma separação repentina entre um casal de tartarugas gigantes de 115 anos está intrigando funcionários do zoológico de répteis Reptilien Happ, localizado na cidade de Klagenfurt, na Áustria. Bibi e Poldi vivem juntos neste zoólogico há 36 anos, mas o relacionamento deles é mais antigo: de acordo com a diretora do zoológico, Helga Happ, eles estão juntos desde que eram muito novos.

Antes de chegar à Áustria, Bibi (fêmea) e Poldi (macho) viviam juntos em um outro zoológico, localizado na cidade de Basileia, na Suíça.

De acordo com Happ, desde outubro do ano passado, Bibi decidiu que não quer mais Poldi. Desde então, começou a atacar o ex-companheiro, cortando pedaços do casco.

Happ não sabe dizer o que pode ter levado a esse comportamento do casal e conta que não houve nenhuma mudança no ambiente ou na alimentação.

As tartarugas pesam 100 quilos cada, uma luta entre as duas poderia resultar em morte. Com essa preocupação, os funcionários do zoológico decidiram separar o casal, mas ainda não desistiram da reconciliação: a cada semana eles abrem as jaulas e tentam colocar os dois juntos.

Em entrevista por telefone ao site de VEJA, Happ disse que quando os funcionários abrem as jaulas, Bibi se mostra ameaçadora.

A equipe tentou unir novamente o casal com dicas de especialistas em relacionamento animal, usando, por exemplo, comidas afrodisíacas. Até aghora, nada funcionou.

Saiba mais

TARTARUGA GIGANTE
É a designação comum a diversas tartarugas terrestres, de grande porte, da família dos testudinídeos. São características de habitats insulares de regiões tropicais. O tempo de vida das tartarugas é bastante variado, dependendo de sua espécie e de onde elas vivem. Muitas delas vivem mais do que cem anos. De acordo com Helga Happ, diretora do zoológico de répteis onde vivem as tartarugas, Bibi e Poldi são originadas das Ilhas de Galápagos. As tartarugas típicas desse arquipélago, localizado a cerca de mil quilômetros da costa do Equador, são as que apresentam maiores dimensões, chegando a medir mais de 1,8 metro de comprimento e a pesar 200 quilos.

tartarugas gigantes

Depois de um período de mais de cem anos de convivência, Bibi começou a rejeitar seu companheiro Poldi mordendo seu casco (Divulgação Zoológico Reptilien Happ)

Fonte: Veja Ciência


4 de junho de 2012 | nenhum comentário »

Embate entre conservacionistas define futuro de cavalos selvagens

Com a chegada do verão, as praias da ilha Corolla, na Carolina do Sul, Estados Unidos, ficarão repletas de carros e banhistas, mas na baixa estação o terreno é deixado para os cavalos selvagens. Pequenos, com uma coloração que varia entre o castanho e o preto, eles passeiam por entre as casas de veraneio em manadas de cinco ou seis.

Milhares desses cavalos já perambularam por todos os Outer Banks da Carolina do Norte, e eles são os prováveis descendentes das montarias que pertenceram aos exploradores espanhóis, cinco séculos atrás. Mas, agora, seu número diminuiu para umas poucas centenas de animais, das quais os mais conhecidos vivem na reserva federal de Shackleford Banks.

Contudo, a maior manada, que recentemente chegou a quase 140 garanhões, ocupa mais de 3.000 hectares de um terreno estreito que se estende do fim da Rodovia 12, em Corolla, até a divisa com a Virgínia, 11 quilômetros ao norte. Sem predadores naturais e presos pelas cercas que se lançam sobre o Atlântico agitado, o endocruzamento da manada é tão intenso que seus defensores temem que um colapso genético ocorra em questão de algumas gerações.

Seus apoiadores estão realizando uma campanha para salvar a manada de Corolla, e eles têm aliados poderosos no Congresso. Em fevereiro, a Câmara aprovou uma lei que mantêm a manada em cerca de 120 indivíduos e que permite a importação de novas éguas de Shackleford para introduzir genes frescos.

Conservacionistas da vida selvagem afirmam que a questão não é tão simples. As praias, pântanos, pradarias e florestas próximas de Corolla são uma parada para bandos de aves migratórias ameaçadas de extinção, e são o lugar onde as tartarugas marinhas põem seus ovos. Grande parte da área ocupada pelos cavalos pertence ao Refúgio Nacional de Vida Selvagem Currituck, e os defensores do habitat nativo temem que o atual tamanho das manadas sobrecarregue o ecossistema.

O futuro dos cavalos levanta questões mais amplas, como a de se um animal pode ser preservado em detrimento de outro – e quem deve decidir isso.

“Estamos falando sobre valores”, afirmou Michael Hutchins, diretor executivo da Wildlife Society, que representa biólogos e gestores da vida selvagem que se opõem à medida aprovada pela Câmara. “Eu gosto de cavalos; acredito que eles sejam animais fascinantes. Mas eu também valorizo profundamente o pouco que restou de nossas espécies nativas e de seus habitats.”

Ambos os lados invocam a ciência para defender sua causa. Mas os dados são esparsos e um estudo amplo sobre o impacto dos cavalos não deve ficar pronto antes do ano que vem.

Na arena dos sentimentos públicos e políticos, os cavalos ganham com facilidade. A ligação entre cavalos e seres humanos existe há séculos; esse é o animal que puxou os arados, que carregou os exércitos e os colonos em nome da civilização.

“Deus colocou essa coisa tão linda aqui – como podemos não querer protegê-la?”, afirmou Betty Lane, de 70 anos, que vive na região há mais de 40 anos, enquanto dirigia seu furgão como parte da patrulha civil que protege os cavalos. (Ela parou depois de confundir o repórter com um turista que tentava se aproximar demais dos cavalos, contrariando a lei da cidade.) Ela usava um colar com o nome Spec, em homenagem a um garanhão que foi atropelado por um motorista na praia.

A dedicação aos cavalos selvagens é algo tão arraigado nesta e em outras regiões, que muitos de seus apoiadores chegam a se irritar quando dizem que os animais “não são nativos”, citando fósseis que comprovam que cavalos viveram na América do Norte há mais de 11.000 anos, antes de serem extintos juntamente com outras criaturas do Pleistoceno, como os mastodontes.

Os cavalos selvagens de Corolla não surgiram aqui. Eles são animais domesticados que perderam sua domesticidade. Ainda que alguns céticos questionem se os cavalos são realmente espanhóis, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Conservação das Raças Pecuárias dos Estados Unidos, além de outros grupos, observou as costas curtas dos cavalos, suas caudas baixas e outras características que os diferenciam dos demais animais norte-americanos. Uma análise de DNA, publicada em fevereiro na revista Animal Genetics, também aponta para uma origem comum entre esses cavalos, sugerindo que eles possam ser uma relíquia viva de uma variedade ibérica que não existe em nenhuma outra parte.

O estudo também confirma os medos de que o endocruzamento entre os cavalos esteja se tornando perigosamente grande. “Há manadas selvagens com pouca diversidade, mas não muitas”, afirmou Gus Cothran, especialista em genética equina na Universidade Texas A&M e principal autor do relatório. Ele afirma que uma manada de 60 animais seria capaz de sobreviver, desde que novas éguas fossem introduzidas no grupo a cada geração (cerca de oito anos). A lei federal estipula manadas de 110 a 130 animais, segundo Cothran, o número mínimo poderia diminuir a velocidade da erosão genética, caso os animais fossem mantidos isolados.

“Não estamos pedindo centenas de cavalos”, afirmou Karen McCalpin, diretora da Fundação Corolla de Cavalos Selvagens, que protege e cuida dos cavalos, realizando projetos de conscientização pública a seu respeito. O cerne do desentendimento com os conservacionistas da vida selvagem está no número de cavalos que o habitat é capaz de suportar. “Caso eles fossem prejudiciais ao meio ambiente”, afirmou, “isso já não seria evidente a essa altura?”.

Se não fosse pelas pessoas, essa questão seria mais fácil de responder. Outras manadas de cavalos dos Outer Banks vivem em áreas praticamente livres da presença humana. Mas os cavalos de Corolla vivem quase exclusivamente das terras e das paisagens humanas. Promotores de turismo gostam de mostrar cavalos brincando na areia e na arrebentação, com suas crinas balançando majestosamente ao vento. Contudo, é igualmente provável que esses animais sejam avistados pastando próximos às calçadas.

Além da genética, os turistas representam um perigo para as manadas: seja por colisões com motoristas distraídos, ou porque visitantes em busca de boas fotos burlam as regras do local, que criminalizam o ato de alimentar ou de se aproximar a menos de 15 metros de um cavalo, No último verão, um potro de duas semanas morreu por consequência de uma obstrução intestinal após comer cascas de melancia dadas a ele por visitantes.

Conforme Corolla se torna mais desenvolvida, os cavalos podem se afastar cada vez mais para terrenos dos santuários da vida selvagem. Preocupado com uma espécie de pássaro chamada açanã-preta, Mike Hoff, o diretor do refúgio, cercou uma faixa de 55 hectares de terreno pantanoso, no verão passado, depois de notar que o capim estava esgotado há diversas estações. “Isso não significa que queríamos excluir os cavalos porque não gostamos deles”, afirmou.

Um dos poucos estudos que examinam o impacto direto dos cavalos foi publicado em 2004 na revista The Journal of Range Management. Pesquisadores da Universidade da Carolina do Leste escreveram que, em geral, as plantas de Corolla se recuperaram no início do verão seguinte, após servirem de pasto por uma estação. Mas os dados foram colhidos em 1997, quando a população de cavalos estava estimada em 43 animais espalhados por 4.600 hectares. Atualmente, a área é quase 1.600 hectares menor, e a manada mais que triplicou de tamanho.

Os atuais estudos a respeito dos animais selvagens, financiados pelo Serviço de Peixes e Vida Selvagem e pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, têm o objetivo de medir os efeitos causados por suínos e veados, além dos cavalos. Destacar o impacto dos cavalos “é uma questão difícil”, segundo o líder da pesquisa, Chris DePerno, mas ele acrescentou que “acreditamos que compusemos um estudo excepcional”.

Nesse caso, a política e a ciência podem estar funcionando em ritmos diferentes. O senado pode aprovar a lei antes que o estudo de DePerno esteja completo. McCalpin lamentou o fato de que os cavalos já estejam apresentando sinais de falência genética, com potros que nascem esporadicamente com um tamanho incrivelmente pequeno, ou com joelhos traseiros que travam, ao invés de dobrar.

“O tempo está se esgotando”, afirmou, acrescentando: “Eles estiveram aqui nos últimos cinco séculos. Eu fico triste em pensar que não estarão aqui nos próximos”.

Fonte: Portal iG


19 de abril de 2012 | nenhum comentário »

Mais de 400 tartarugas são apreendidas em malas em Bangladesh

Autoridades aduaneiras de Bangladesh apreenderam mais de 400 tartarugas, encontradas em malas que tinham a Tailândia como destino.

Após uma denúncia, funcionários do aeroporto de Daca abriram a bagagem de dois passageiros que estavam voando para Bancoc.

As tartarugas encontradas, algumas de espécies ameaçadas de extinção, tem valor estimado de US$ 35 mil (R$ 65 mil) no mercado negro, já que são populares como bichos de estimação e sua carne pode ser utilizada na medicina oriental.

Duas pessoas de nacionalidade indiana foram presas após o incidente.

Acredita-se que os animais tenham saído da Índia. Segundo ativistas, Daca tem sido cada vez mais usada como rota para o transporte ilegal de animais selvagens.

No ano passado, autoridades na Tailândia encontraram centenas de tartarugas e crocodilos em uma mala que chegou em um voo vindo de Bangladesh.

Fonte: BBC Brasil


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

SC: sobe para 108 o nº de animais marinhos encontrados mortos

Subiu para 108 o número de animais marinhos encontrados mortos na costa catarinense. Desde o início do monitoramento realizado por biólogos do Museu Oceanográfico da Universidade do Vale do Itajaí (Univali)foram registrados o aparecimento de 90 tartarugas verdes (Chelonia mydas), três golfinhos cinza (Sotalia guianensis), 12 botos (Tursiops truncatus), conhecidos como “boto flíper” ou “boto da tainha”, uma baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), uma baleia-minke-antártica (Balaenoptera bonaerensis), e uma toninha (Pontoporia blainvillei).

Especialistas acompanham o caso e apontam como causa preliminar o uso de redes de emalhe, proibidas na pesca. Essa suspeita, no entanto, ainda não foi confirmada e outras possibilidades estão sendo estudadas.

Todo o material foi recolhido para análise. Os pesquisadores estão percorrendo 350 km da costa de Santa Catarina à procura de novos registros. O laudo com a causa das mortes deverá ser divulgado em breve.

Fonte: Portal Terra


28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Polícia Ambiental apreende pescado e quelônios em feira no Amazonas

Suspeitos que comercializam as espécies fugiram do local.
Fiscalização faz parte da operação chamada Saturação Manacapuru.

Operação combate a fiscalização irregular de peixes e quelônios (Foto: arquivo/Polícial Ambiental do Amazonas)

Operação combate a fiscalização irregular de peixes e quelônios (Foto: arquivo/Polícial Ambiental do AM)

Policiais do Batalhão Ambiental de Manacapuru, a 79 km de Manaus, apreenderam durante patrulhamento na feira popular do município, Feira da Liberdade, 100 Kg de pescado e seis quelônios ainda vivos. Os suspeitos que comercializam as espécies fugiram do local.

De acordo com os policias do batalhão, a fiscalização faz parte da operação chamada Saturação Manacapuru. Durante ação, agentes perceberam os animais escondidos em uma sacola de estopa de plástico.

Os policias ainda informaram que os quelônios foram devolvidos aos rios e o pescado apreendido foi doado para o Hospital da Mulher Cecília Cabral de Manacapuru.

Fonte: Ana Graziela Maia, G1, AM

28 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

Tartarugas marinhas são ameaçadas por vírus raro

Um vírus que produz tumores está dizimando a população de tartarugas-verdes da Grande Barreira de Corais, situada ao norte da Austrália, onde a sobrevivência da espécie corre perigo pela falta de alimentos e pela deterioração ambiental do habitat.

Algumas tartarugas afetadas pela doença sobrevivem durante certo tempo quando os tumores são externos, mas os tumores causam também perda de visão, o que dificulta cada vez mais o animal a buscar alimentos e fugir dos predadores. Quando os tumores são interiores, eles obstruem os órgãos até provocando a morte do animal.

Uma vez contraído, o vírus pode ficar incubado durante anos, assim como a herpes labial nos seres humanos, mas qualquer circunstância estressante vivida pela tartaruga pode motivar sua manifestação, dizem especialistas.

As tartarugas-verdes (Chelonia mydas), animais que povoaram a Terra há mais de 100 milhões de anos, foram consideradas como espécies em perigo de extinção em seu habitat natural, os mares tropicais e subtropicais.

Capazes de viajar 2,6 mil quilômetros na época de migração, essas tartarugas habitam várias áreas do norte da Austrália, entre elas a Grande Barreira de Corais, uma das grandes reservas mundiais de fauna marinha.

Fatores como o desaparecimento de alimentos, a progressiva poluição da água, doenças, o desenvolvimento urbano no litoral australiano e o uso das redes por parte dos pescadores aumentam a ameaça da espécie.

Estresse ambiental – Há sete anos, os especialistas descobriram que o novo inimigo da tartaruga-verde é uma doença denominada “fibropapilomatose”, um herpes-vírus que produz tumores na superfície e muitas vezes no interior do animal, explica a pesquisadora Ellen Ariel, da Universidade James Cook (Austrália).

Por isso, segundo ela, os cientistas acreditam que a doença seja causada por “estresse ambiental”, e aparentemente muitas tartarugas doentes ficam em zonas específicas. A pesquisadora acrescenta que o desafio agora é determinar a origem da doença.

Neste ano, no nordeste australiano, houve grandes inundações e a passagem do ciclone “Yasi”, desastres que custaram muitas vidas de tartarugas-verdes, diz o diretor-executivo da representação australiana da ONG internacional WWF, Dermot O’Gorman.

Muitos leitos vegetais litorâneos, considerados uma importante fonte de alimentos das tartarugas-verdes, foram cobertos com sedimentos e poluição depois das inundações e da passagem do “Yasi”.

Nessas condições, as tartarugas doentes não têm a energia para buscar alimentos e morrem. “Muitas tartarugas sobreviveram, mas agora estão morrendo devido aos prolongados períodos de crise de fome”, conta Ellen.

Estudos recentes revelam que mais da metade das tartarugas-verdes que habitam a baía Brisk, no litoral da Grande Barreira de Corais, tinham fibropapilomatose, em um nível altíssimo se comparado com as que vivem em outras zonas, nas quais a incidência do vírus é de 5%.

O fato de o vírus ser quase endêmico na baía de Brisk levantou a hipótese de que o detonante da doença poderia ser o uso de pesticidas e outros poluentes industriais.

Segundo o WWF, tanto na baía Brisk como em outras partes do mundo, entre elas a Flórida (EUA), o vírus está mais presente em áreas próximas aos assentamentos humanos.

Comunidades aborígenes, autoridades, a Universidade James Cook e o WWF uniram forças na região da Grande Barreira de Corais para tentar salvar as tartarugas-verdes e realizar estudos, incluindo a etiquetagem que permite identificar os animais, para poder assim analisar a fundo suas doenças.

Veterinário Leo Foyle, da Universidade James Cook, trata de tartaruga infectada pelo vírus que produz tumores. Foto: EFE

 

Fonte: Portal iG


5 de outubro de 2011 | nenhum comentário »

Onze tartarugas são encontradas mortas em Praia Grande/SP

Dez tartarugas-verde e uma tartaruga-de-pente foram encontradas mortas de domingo até esta terça-feira (3) nas praias do Canto do Forte, Guilhermina e Tupi, em Praia Grande, litoral de São Paulo.

Segundo o laudo da ONG Gremar (Resgate e Reabilitação de Animais Marinhos), para onde os animais foram encaminhados, no Guarujá, todas haviam ingerido lixo plástico, sendo essa a causa da morte de oito delas.

Das outras três tartarugas, duas morreram por ferimentos causados por redes de pesca e uma devido ao rompimento do casco após um choque com uma embarcação.

De acordo com o Grupamento de Guarda Costeira Municipal, neste ano já foram encontradas 60 tartarugas mortas nas praias da cidade.

“O principal motivo das mortes são a pesca acidental e a ingestão sacolas plásticas, que são confundidas com águas-vivas, principal alimento desses animais”, afirma Delfo Almeida Monsalvo, inspetor chefe da Guarda Costeira. 

Fonte: Felipe Caruso/ Folha.com


26 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Ibama e o abandono de quelônios

Leiliane Marinho - http://www.oecoamazonia.com
“Dá pra sentir pelo cheiro”. A insistente fumaça do casco sapecado na brasa, forma como é preparada a tartaruga-da-amazônia, ainda apreciada no norte do Brasil, denuncia que o número de fêmeas capturadas no momento da desova em Praia Alta, Rondônia, não é pequeno. “Estão comendo tartaruga como nunca”, conta Eduardo Bissagio, analista ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), em Porto Velho. A captura tem ocorrido por falta de fiscalização e fechamento do escritório do Ibama justamente na área de um projeto de proteção de quelônios que tinha mais de 30 anos de atividades de sucesso.

 

Área de abrangência do PQA

Além de Goiás, o Projeto se estende a todos os estados que compõem a Amazônia Legal (Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia, Tocantins, Pará, Mato Grosso e Maranhão). Em 2007 havia cerca de quinze localidades na Bacia Amazônica e do Araguaia onde o PQA mantinha bases. A maior parte, fora de Unidades de Conservação (UCs) Federais. Outros 112 sítios de reprodução fora de UCs enfrentam os mesmos problemas que Praia Alta.

Uma das bases do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA) fica na Praia Alta, rio Guaporé, fronteira entre Brasil e Bolívia. Nesta região há grande concentração de Podocnemis expansa, maior tartaruga de água doce da América do Sul – chega a ter 80 centímetros de comprimento e pesar 60 quilos. Existem pelo menos 60 mil fêmeas em idade reprodutiva em todo o Brasil. Em 2010, o projeto teve seis mil covas da espécie e, em Praia Alta, 600 mil filhotes foram liberados.

Apesar dos números de outrora, a má administração de recursos já insuficientes resultou na falta de fiscalização e o que se vê atualmente é um festival de caça ilegal a um animal que deveria ser protegido pelo Ibama. “Neste último mês consumimos todo o dinheiro e tivemos que fazer novo orçamento. Quatro fiscais e um coordenador já retomaram a fiscalização e estão em Praia Alta”, afirma César Luis Guimarães, superintendente do Ibama em Rondônia.

 

Clique para ampliar

 

Tartaruga a prêmio: Cortes de verba limitam o manejo e abrem campo para a caça e a criação clandestina

Morrendo na praia: Sem dinheiro e atenção do governo, projeto não consegue evitar o sumiço dos animais

“A Deus dará”

Mapa de Praia Alta. Imagem: Eduardo L. Bissagio | Clique para ampliar

A desova de tartarugas também enfrenta outro problema: a desativação do Escritório Regional de Costa Marques, do Ibama, parte do projeto onde ocorriam atividades de cunho educativo, como palestras e eventos públicos. Devido à decisão, o local já não conta com museu de educação ambiental e tanques para exposição de quelônios vivos.

Citado em praticamente todos os guias turísticos do estado, o escritório fortaleceu-se como centro de visitantes que recebia pesquisadores e turistas do Brasil e do mundo. Questionado sobre o fechamento do escritório, César Luis responde que é preciso resolver “pendências com servidores”. “Para quem vive de derrotar o meio ambiente será uma boa fechar o escritório. Por termos ficado sem fiscalização só se fala no consumo de tartaruga em todo lugar que se anda”, conta João José da Silva que, aos 50 anos, completou 21 de serviço no Ibama de Costa Marques.

Segundo Celso Santos, chefe da Reserva Biológica (REBIO) de Guaporé, vizinha da área de desova, o fim do escritório representa queda na fiscalização daquela região. “Neste ano o Projeto Quelônios da Amazônia ficou literalmente ‘ao Deus dará’, abandonado. Ficou um clima de ‘projeto de ninguém’, sem coordenação ou planejamento de atividades. Chegamos a acreditar que nada seria feito”, desabafa Santos. “Pelo menos este ano, graças a alguns servidores idealistas e voluntários, as tartarugas estão a salvo de uma destruição anunciada”, diz.

Para Celso Santos, a presença dos órgãos governamentais com competência de fiscalização ambiental é fraca e minguada. “A Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental não possui condições mínimas de realizar um trabalho regular de fiscalização no rio Guaporé, e se tivesse não sei se o faria, pois se trata de um segmento muito político e o governo do estado de Rondônia nunca teve como uma das suas diretrizes o cuidado com o meio ambiente”, diz.

“Vamos tomar sol”, diz a tartaruga

O mergulho dos filhotes de tartarugas Arrau

O começo do problema. É ou não prioridade?

 

Praia Alta, RO. Fonte: Google Maps. Clique para ampliar

2007 tinha tudo para ser tornar um marco positivo para o Projeto, ano que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) considerou Praia Alta como umas das Áreas Prioritárias para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade, região de importância extremamente alta. Ironicamente, foi justamente aí que os problemas se agravaram.

“Com a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), as ações do Projeto pioraram. Verificaram que não se enquadrava nele. Essa discussão de ‘onde o Projeto deve ficar’ durou três anos. Em março de 2011 decidiram que deveria retornar para o Ibama. Enquanto isso, as tartarugas passaram a enfrentar muita pressão de seus predadores humanos”, explica Antonio Pacaya Ihuaraqui, coordenador substituto do projeto e analista ambiental do Ibama. “Assim como ocorre em Praia Alta, há três anos todos os pontos de desova de quelônios nos estados do Norte se encontram na mesma situação”, explica Pacaya, citando alguns exemplos: Monte Cristo em Santarém (PA), Carauari no Amazonas, Afuá no Amapá, Tarauacá no Acre e Lagoa da Confusão no Tocantins.

Roberto Gallucci, responsável pela biodiversidade aquática no MMA, não quis se pronunciar sobre o assunto. “Essa questão não chegou até nós”, disse.“Como não é uma prioridade do governo federal, nunca haverá dinheiro para o desenvolvimento de projetos como este. Apesar dos planejamentos, quem sofre corte nos orçamentos é a fauna. Se nós técnicos não fossemos perseverantes há mais de três décadas, com certeza os quelônios teriam adentrado na lista de espécies ameaçadas de extinção”, afirma Pacaya.

Ele explica que o Projeto Quelônios da Amazônia  deve sofrer algumas mudanças. “Queremos que seja modelo de sustentabilidadecom atividades de educação ambiental permanente, tecnologias sustentáveis, articulação interinstitucional, fiscalização integrada, pesquisa”. Isso se os repasses financeiros e a boa vontade pública permitirem a fiscalização. Senão, a caça ilegal às tartarugas poderá continuar.

 

Função ecológica 

Quelônios comem material vegetal para transformá-los em fonte de energia para outras espécies, conforme explica Richard Vogt, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e diretor geral do Projeto Tartarugas da Amazônia, com sede em Manaus. “Uma tartaruga-da-amazônia põe em média de 100 a 150 ovos por ano. Esses ovos repõem o meio ambiente com mais tartarugas e servem como fonte de alimento para carnívoros como aves, botos, jacarés, peixes, onças”, conta.

A caça ilegal destrói o equilíbrio biológico. “Se o homem consome as fêmeas em desova, será preciso esperar pelo menos 12 anos para que os animais sub-adultos atinjam a maturidade. A perda no estoque da população de tartarugas em idade desova só é recuperada após 30 anos”, afirma.

Ainda não há uma estimativa no número de fêmeas perdidas este ano em Praia Alta, mas espera-se atraso na desova por conta do movimento de embarcações, mas devido principalmente ao movimento de caçadores. O atraso no nascimento resulta em mortandade de filhotes, que morrem afogados com o aumento do nível das águas.


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Descoberta coloca tartarugas próximas aos lagartos em árvore genealógica

Técnica molecular encontrou material genético em tartarugas e lagartos ausente em outros animais

Por décadas os cientistas tentam relacionar as tartarugas aos demais répteis. Suas características únicas, como o casco e a cabeça retrátil, dificultam sua classificação. Sabe-se que elas evoluíram de um ancestral comum aos pássaros, lagartos e cobras cerca de 300 milhões de anos atrás. Mas quais são os parentes próximos da tartaruga atual?

Alguns cientistas analisaram os genes das tartarugas e descobriram que elas são parentes próximos do grupo de animais que inclui crocodilos e pássaros. Outros, comparando as características físicas das tartarugas e outros répteis, as colocaram em uma subclasse de animais que inclui lagartos, crocodilos e pássaros.

Agora, pesquisadores da Universidade de Yale usaram uma nova abordagem envolvendo genética e os resultados indicam que as tartarugas são parentes próximos dos lagartos. Os cientistas utilizaram microRNA — pequenas moléculas que controlam a atividade genética e podem ativar ou desativar genes — para estudar a evolução dos bichos.

Depois de descobrirem centenas de microRNA em lagartos, os especialistas compararam as descobertas com o material genético de crocodilos e tartarugas. A equipe descobriu que quatro microRNA presentes no lagarto também existiam na tartaruga, mas faltavam nos pássaros, crocodilos e todos os outros animais.

De acordo com os autores da pesquisa, apesar de os microRNA se desenvolverem rapidamente nos animais, eles permanecem virtualmente inalterados. É um tipo de mapa molecular que permite rastrear a evolução das espécies. Os pesquisadores afirmaram que precisam de mais dados para confirmar, sem sombra de dúvidas, que as tartarugas e os lagartos são primos evolutivos.

A equipe pretende usar a análise de microRNA em outros animais para ajudar a determinar origens e relações em outras espécies. Além disso, os cientistas estão desenvolvendo uma plataforma na internet para compartilhar a técnica com outros pesquisadores ao redor do mundo.

Depois de décadas em discussão, cientistas encontram pistas sobre o parentesco evolutivo das tartarugas: são primas dos lagartos

Depois de décadas em discussão, cientistas encontram pistas sobre o parentesco evolutivo das tartarugas: são primas dos lagartos (Comstock)

Fonte: Veja Ciência


29 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Suspeitos são presos em aeroporto de Madagascar com 196 quelônios

Eles levavam 26 exemplares de uma das espécies mais raras do mundo.
Estima-se que restem 200 exemplares ‘Astrochelys yniphora’ na natureza.

Um par de contrabandistas foi detido no aeroporto de Antananarivo, em Madagascar, tentando embarcar com 196 quelônios num voo para a Indonésia. Dentre os animais apreendidos, havia 26 exemplares da rara espécie Astrochelys yniphora, segundo informou a rede de monitoramento de tráfico internacional de animais Traffic nesta quinta-feira (28).

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza dos Recursos Naturais (IUCN, na tradução do inglês), calcula-se que existam apenas 200 quelônios dessa espécie vivendo na natureza – o que significa que os suspeitos transportavam mais de 10% do que resta desses animais. Segundo a IUCN, a Astrochelys yniphora encontra-se “criticamente em perigo”.

Além das 26 Astrochelys yniphora, os suspeitos ainda levavam 169 Astrochelys radiata e 1Pyxis arachnoide, outras espécies de quelônios ameaçados, em uma caixa e três bolsas. As variedades apreendidas só ocorrem em Madagascar.

O comércio dessas espécies raras é vetada por um acordo internacional de tráfico de animais. Ainda assim, não raro elas são encontradas à venda em países do sudeste asiático.

 (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Foto de arquivo mostra exemplares da rara 'Astrochelys yniphora'. (Foto: AFP PHOTO / TRAFFIC SOUTHAEAST ASIA /CHRIS SHEPHERD)

Fonte: Do Globo Natureza, em São Paulo


« Página anterior