17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Samambaias lançam esporos com o uso de catapultas

Através de câmeras de altas velocidades, pesquisadores conseguiram analisar o movimento que faz samambaias se reproduzirem

Ao contrário da maioria das plantas, assamambaias se reproduzem sem o uso de sementes ou flores. Em vez disso, elas usam esporos, que são lançados ao ambiente por uma estrutura denominada ânulo, que fica na parte de baixo das folhas.

Um novo estudo, publicado no periódico Science, explica como funciona esse mecanismo semelhante a uma catapulta.  “O mecanismo é conhecido há pelo menos um século”, afirmou Xavier Noblin, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Nice e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

“A novidade está no uso de uma câmera de alta velocidade para observá-lo.” Nas catapultas produzidas pelo homem, uma barra transversal trava a haste da catapulta na metade do caminho, o que garante que a munição seja lançada ao ar e não ao solo.

Usando a câmera de alta velocidade, Noblin e seus colegas puderam ver que o ânulo, que é semelhante a uma esponja, se abre e depois se fecha em dois tempos diferentes à medida que lança os esporos.
O primeiro movimento acontece da mesma forma que ocorreria com qualquer material elástico puxado para trás e depois solto. Ele ocorre em algumas dezenas de microssegundos.

O segundo movimento também é rápido, porém mais lento que o primeiro, ocorrendo em dezenas de milésimos de segundos (um milésimo de segundo é igual a mil microssegundos). Ele ocorre conforme a água corre através das paredes do ânulo.

Esse tempo menor garante que o movimento de catapulta seja interrompido bruscamente, da mesma forma que a barra transversal interrompe o movimento da catapulta artificial. Por esta razão, os esporos são ejetados para o exterior e para longe.

“Eu acredito que podemos sem dúvida extrair ensinamentos dessa descoberta”, afirmou Noblin. “Tenho certeza que ela será usada em tecnologia. Nossa primeira motivação foi apenas compreender os motivos.”

Fonte: Portal IG


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


12 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Petrobras Biocombustível quer produzir biodiesel para a aviação até 2015

A Petrobras Biocombustível (PBio) investirá US$ 600 milhões, do total de US$ 4,1 bilhões previstos para ser investido pela subsidiária até 2015, no segmento de biodiesel e de suprimento agrícola. Com isto, a empresa espera manter nos próximos anos a participação de cerca de 25% do mercado nacional, disse nesta quinta-feira (11) o presidente da PBio, Miguel Rossetto, ao detalhar o Plano de Negócios 2011/2015 no segmento de biodiesel.

Nos planos da estatal, está a previsão de investir parte dos US$ 300 milhões, destinados à área de pesquisa, a fim de desenvolver tecnologia para a produção de biocombustíveis para a aviação, o bioqueresone, que a subsidiária espera colocar no mercado até o final de 2015.

Rossetto disse ainda que a PBio trabalha com a escolha entre duas rotas tecnológicas: uma via óleo vegetal e a outra a partir da sacarose (açúcar).

Fonte: Nielmar de Oliveira/ Agência Brasil


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Governo vai investir em pesquisas voltadas à economia verde

O Ministério da Ciência e Tecnologia vai divulgar nas próximas semanas um plano de investimentos em pesquisas voltado à economia verde, disse nesta quarta-feira (27) o coordenador-geral de Mudanças Climáticas da pasta, Marcos Heil Costa.

Ele participou de seminário promovido pelo Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.

Costa disse que o assunto está sendo tratado no planejamento do ministério. “O Ministério da Ciência e Tecnologia pretende investir em áreas como energias renováveis, economia do conhecimento e até mesmo na economia do extrativismo de forma sustentável, sempre promovendo o desenvolvimento sustentável.”

Os investimentos serão feitos por meio de editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e também por mecanismos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do próprio MC&T.

De acordo com ele, tentar diminuir o impacto das mudanças climáticas e prever com mais rapidez esses eventos são dois desafios que o mundo terá de enfrentar nos próximos anos.

Para ele, o Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) é a primeira grande resposta do governo brasileiro às mudanças climáticas. “Desastres naturais têm ocorrido no Brasil, aparentemente cada vez mais intensos, com maior perda de vidas e de bens materiais, e o governo então criou esse centro para responder a essa ameaça.”

O centro entrará em funcionamento em 25 municípios brasileiros, em novembro próximo, e deverá estar operando 100% em quatro anos, atendendo mil cidades que apresentem maior risco de desastres naturais.

Costa disse que, a princípio, o centro pretende monitorar três tipos de desastres naturais: deslizamentos de terra, enchentes e perdas de safra agrícola devido à seca, principalmente no Nordeste.

Os tempos de resposta, assinalou ele, variam de acordo com o tipo de desastre natural. “No caso dos deslizamentos, o tempo de resposta estimado é entre duas e seis horas; no caso de enchentes, entre 12 e 24 horas; e no caso de secas, são 30 dias. Em todos os casos, acredita-se que seja tempo suficiente para que a Defesa Civil possa se organizar e atenuar os efeitos do desastre natural, seja removendo as pessoas de áreas afetadas ou distribuindo alimentos, no caso de quebra de safra.”

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ciência para o Brasil

Artigo de Alaor Chaves publicado na Folha de São Paulo de ontem (25).

Os cientistas brasileiros têm demonstrado um singular atavismo pelas colaborações científicas internacionais. Isso tem sido um dos obstáculos para que nossa ciência atinja a maioridade e também se torne agente propulsor do desenvolvimento do País. O volume da nossa produção científica tem crescido rapidamente, mas a elevação da sua qualidade não tem tido o mesmo vigor.

Reconhecemos a necessidade de dar um salto de qualidade, mas temos sido lerdos na adoção das políticas indispensáveis para esse salto. Os países com sucesso em desenvolver uma ciência tardia (ex-URSS, Japão, Coreia, China) praticaram por longo tempo um alto grau de introversão científica.

Empenharam-se na construção de uma ciência autônoma, com olhos atentos aos interesses nacionais, e só depois de se tornarem competitivos se abriram para uma colaboração mais intensa com o exterior. Nós temos trilhado o caminho inverso. No Brasil, temos exemplos emblemáticos do sucesso de programas em ciência e tecnologia perseguidos de forma autônoma.

Após longo insucesso com práticas agrícolas importadas, o Brasil decidiu seguir seu próprio caminho, e para isso criou a Embrapa. Hoje, nossa técnica agropecuária é a que avança mais rapidamente em todo o mundo. No caso da produção de etanol de cana, nem tínhamos com quem colaborar; com isso, desenvolvemos para o setor uma tecnologia sem rival.

O Brasil tem colaborado em projetos internacionais para a “big science”, o que requer equipamento muito dispendioso. Até o momento, temos feito parcerias que dão aos nossos pesquisadores acesso a boa infraestrutura sem dispêndios muito elevados. Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia assinou acordos de colaboração com o consórcio europeu responsável pelo ESO (European Southern Observatory) e com o Cern, consórcio dono do maior acelerador de partículas no mundo, que mudam a escala de nossos gastos nesse tipo de colaborações.

Só como taxa de ingresso no ESO pagaremos 130 milhões de euros; ainda nesta década, seremos provavelmente o seu maior financiador. Pelo acordo com o Cern, nossa contribuição inicial será de US$ 15 milhões/ano. Mas, até 2020, talvez o Brasil também se torne o seu maior financiador Generosamente, subsidiaremos a ciência europeia.

Há anos temos discutido um ótimo projeto 100% brasileiro em “big science”, a expansão do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Seu custo será de R$ 360 milhões. O empreendimento alavancará várias tecnologias importantes. Como os gastos serão realizados no Brasil, quase 40% deles retornarão ao Tesouro na forma de impostos.

A comunidade de usuários do Laboratório já é mais de dez vezes a dos potenciais usuários do ESO ou do Cern, e abrange biologia, química, física, ciência de materiais, nanociência e pesquisa industrial.

O impacto do Laboratório em nossa ciência e tecnologia será muito maior que o dos projetos aprovados. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia o considera muito caro. Nenhum país teve destaque na área com esse caminho.

Alaor Chaves, físico, é professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Fonte: Jornal da Ciência


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


29 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Consequências de Fukushima

Acidente deve causar uma parada nos programas nucleares de vários países, mas não decreta o fim dessa forma de produção de energia, nem no Brasil.

O acidente nuclear na usina de Fukushima, causado por um terremoto seguido de tsunami, que atingiram o Japão no dia 11 de março passado, deve causar uma parada acentuada nos programas nucleares de vários países, mas não decretará o fim dessa forma de produção de energia, nem no Brasil.
A opinião é do engenheiro civil e Ph. D. em Engenharia Nuclear, Odilon Antonio Marcuzzo do Canto, presidente da Secao Latino-Americana da Sociedade Americana de Energia Nuclear (LAS/ANS).
Ele fala sobre o assunto em sua conferência Olhando para o futuro após o acidente de Fukushima, que profere na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza de 10 a 15 de julho, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO).

 

Marcuzzo do Canto vai discorrer sobre as iniciativas tomadas pelas autoridades japonesas e pelos organismos internacionais competentes e as possíveis consequências para as pessoas e o meio ambiente.

 

“A partir dessa visão, tentarei esclarecer as consequências que são esperadas para o setor nuclear no Brasil e no mundo”, diz. A intenção é repassar de forma ordenada uma grande quantidade de informações disponíveis em diversas fontes, como jornais especializados, revistas e internet”, diz ele, acrescentando que também deverá fazer comentários sobre as conclusões da Conferencia Ministerial sobre Fukushima, realizada de 20 a 24 de junho, em Viena, da qual participou.

 

Marcuzzo do Canto baseia sua convicção de que o mundo não abandonará de todo a energia nuclear no fato de que muitos países precisam dela. “A demanda de energia mundial vai obrigar algumas nações a continuar com a produção nucleoelétrica, pois é a única fonte com densidade de energia suficiente para atender suas necessidades”, explica. “As fontes ditas alternativas como eólica e solar certamente podem desempenhar um papel importante, mas não têm densidade energética capaz de atender grandes demandas.”

 

No caso do Brasil, Marcuzzo do Canto diz que o País tem grandes possibilidades com a biomassa e, portanto, faz sentido imaginar que na matriz energética nacional a energia nuclear nunca terá papel preponderante. Apesar disso, ressalta que ela é importante para o Brasil. “Só existem três países no mundo que têm, ao mesmo tempo, a capacidade tecnológica de desenvolver o ciclo completo do combustível nuclear e reservas consideráveis de urânio”, diz. “Esses países são Estados Unidos, Rússia e o nosso. Dessa forma, não faz sentido abrirmos mão de tamanha riqueza.”

 

Há outra razão para que o País não despreze essa forma de energia. “Tecnologia nuclear não se compra, ou se desenvolve internamente ou se abre mão dela”, explica. “Portanto, é importante que o Brasil dê continuidade ao seu programa nuclear. O desenvolvimento do projeto do reator multipropósito brasileiro é um passo importante nessa direção. O aumento da capacidade cientifica, tecnológica e industrial no setor nuclear é também fundamental para garantir o Brasil quanto a outras aplicações da energia nuclear, principalmente na indústria e na saúde.”

Fonte: Jornal da Ciência


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Nota de esclarecimento da SBPC e ABC sobre participação em eventos ligados ao Código Florestal

Entidades esclarecem posicionamento quanto à participação em grupo de trabalho sobre o tema.

Quando a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC) foram convocadas pela comunidade científica e não por deputados ou senadores para analisar as propostas sobre o código florestal em tramitação na Câmara dos Deputados, as entidades criaram um grupo de trabalho (GT) em que os participantes não deveriam ter vínculos com entidades ligadas ao setor ambientalista ou do agronegócio.

 

ONGs e entidades representativas desses dois setores não foram convidadas para participar do GT, exatamente, para que o GT pudesse trabalhar sem influência de opiniões de entidades. O princípio básico da atuação do GT foi a formulação de uma análise à luz da ciência e tecnologia disponíveis, sem entrar no âmago de questões referentes a pagamento de passivos ambientais, procedimentos cartoriais e outros assuntos que são de natureza legal, que podem ser decididos sem a participação da ciência e da tecnologia.

 

Entretanto, durante os trabalhos, membros dos dois setores (ambientalismos e agronegócio) foram convidados para expor suas ideias e posições de suas instituições concernentes ao código florestal, pois a finalidade era reunir o maior volume de informações sobre o estado da arte do código florestal.

 

Após dez meses de exaustivo trabalho, o resultado foi a edição do livro intitulado “O código florestal e a ciência: contribuições para o diálogo”, que foi lançado em Brasília no último dia 25 de abril. Cópias foram entregues a todos os deputados e senadores. O documento se encontra disponível para download nos sites http://www.sbpcnet.org.br e http://www.abc.org.br.

 

Recentemente, a SBPC e ABC têm recebido convites de instituições e grupos de trabalho para participarem dos mesmos, pois o argumento de que a ciência e a tecnologia não podem ficar fora das discussões sempre é considerado nos convites.

 

Como o princípio adotado desde o início dos trabalhos foi a independência na formulação de opiniões do GT, a SBPC e ABC deixam claro que “não podem participar de quaisquer grupos de trabalho que sejam formados exclusivamente por participantes de um dos setores”, pois a SBPC e a ABC, além continuarem adotando a independência de posicionamento com princípio básico, acreditam que o acordo entre os dois setores é possível, desde que a ciência e a tecnologia sejam consideradas na formulação de um instrumento legal que assegure a produção agrícola com sustentabilidade econômica, social e ambiental.

 

 

Helena B. Nader/Presidente da SBPC     Jabob Palis Júnior/ Presidente da ABC     José A. Aleixo da Silva/

Coordenador do GT

Fonte: Jornal da Ciência


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17 de dezembro de 2012 | nenhum comentário »

Cientistas usam imagens 3D para avaliar habitat de morsas no Ártico

Sistema de câmeras foi instalado em barco durante expedição.
Blocos de gelo precisam ter tamanho correto para servir de habitat.

Cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, desenvolveram um sistema de câmeras para mapear a superfície congelada do Oceano Ártico, em um esforço para avaliar o tamanho do habitat natural das morsas na região.

As imagens foram capturadas durante uma expedição de dois meses, iniciada em outubro. Elas foram feitas pelo pesquisador Scott Sorensen, que viajou em um navio de pesquisa alemão, o Polarstern. Foram instaladas três câmeras na embarcação para fazer os vídeos, que agora estão sendo reconstruídos em 3D para medir a topografia dos blocos de gelo no oceano, de acordo com o site da universidade.

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (14). Imagens do gelo são difíceis de serem reconstruídas em três dimensões, porque são brancas e não possuem textura visual. Fotos de satélite poderiam ser úteis mas dão uma resolução de três metros por pixel, o que é ruim, na avaliação do pesquisador.

Já o sistema instalado pela universidade oferece uma precisão de 10 a 20 centímetros e permite uma melhor reconstrução da superfície de gelo, segundo o professor Chandra Kambhamettu, um dos idealizadores da pesquisa.

“O sistema utilizado no navio de expedição foi uma boa forma de obter imagens em 3D”, disse o docente, que leciona na Universidade de Delaware.

Para os pesquisadores, o trabalho pode criar uma base de dados para calcular o tamanho do habitat das morsas e dar outras informações que poderão no futuro ser usadas por cientistas e engenheiros.

Blocos de gelo
Sorensen explica que os blocos de gelo precisam ter uma medida equilibrada para que sirvam como habitat para as morsas. Se forem muito grandes, há risco de aparecerem predadores, como os ursos polares. Se forem pequenos, não aguentam o peso dos animais.

“Sem uma medida certa sobre os blocos de gelo e a espessura do gelo do mar, entre outras coisas, não podemos chamar uma certa região de habitat”, disse o cientista. As morsas usam estes blocos no oceano para se reproduzir, para descansar e até com propósitos migratórios, afirma o estudo.

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Morsa descansa com filhote sobre bloco de gelo (Foto: Divulgação/University of Alaska Anchorage)

Fonte: Globo Natureza


26 de março de 2012 | nenhum comentário »

Samambaias lançam esporos com o uso de catapultas

Através de câmeras de altas velocidades, pesquisadores conseguiram analisar o movimento que faz samambaias se reproduzirem

Ao contrário da maioria das plantas, assamambaias se reproduzem sem o uso de sementes ou flores. Em vez disso, elas usam esporos, que são lançados ao ambiente por uma estrutura denominada ânulo, que fica na parte de baixo das folhas.

Um novo estudo, publicado no periódico Science, explica como funciona esse mecanismo semelhante a uma catapulta.  “O mecanismo é conhecido há pelo menos um século”, afirmou Xavier Noblin, principal autor do estudo e pesquisador da Universidade de Nice e do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

“A novidade está no uso de uma câmera de alta velocidade para observá-lo.” Nas catapultas produzidas pelo homem, uma barra transversal trava a haste da catapulta na metade do caminho, o que garante que a munição seja lançada ao ar e não ao solo.

Usando a câmera de alta velocidade, Noblin e seus colegas puderam ver que o ânulo, que é semelhante a uma esponja, se abre e depois se fecha em dois tempos diferentes à medida que lança os esporos.
O primeiro movimento acontece da mesma forma que ocorreria com qualquer material elástico puxado para trás e depois solto. Ele ocorre em algumas dezenas de microssegundos.

O segundo movimento também é rápido, porém mais lento que o primeiro, ocorrendo em dezenas de milésimos de segundos (um milésimo de segundo é igual a mil microssegundos). Ele ocorre conforme a água corre através das paredes do ânulo.

Esse tempo menor garante que o movimento de catapulta seja interrompido bruscamente, da mesma forma que a barra transversal interrompe o movimento da catapulta artificial. Por esta razão, os esporos são ejetados para o exterior e para longe.

“Eu acredito que podemos sem dúvida extrair ensinamentos dessa descoberta”, afirmou Noblin. “Tenho certeza que ela será usada em tecnologia. Nossa primeira motivação foi apenas compreender os motivos.”

Fonte: Portal IG


30 de novembro de 2011 | nenhum comentário »

ONU diz que Brasil subaproveita seu potencial em energias renováveis

Segundo relatório, país ampliou investimento, mas poderia explorar melhor energias como a eólica e solar.

O Brasil ocupa uma posição de destaque na produção de energias renováveis, mas “poderia fazer mais esforços” em relação às energias solar e eólica, segundo a Conferência da Organização das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), que publicou nesta terça-feira (29) um relatório sobre o tema.

“O Brasil, devido ao seu clima e à sua superfície, possui um enorme potencial em termos de energia eólica e solar, mas não explora de forma suficiente sua capacidade nessas áreas”, disse Anne Miroux, diretora do relatório Tecnologia e Inovação – Potencialização do Desenvolvimento com Energias Renováveis, da Unctad.

Ela diz que o Brasil se concentra em setores “maduros”, como os biocombustíveis e a geração de energia hidrelétrica, criados há décadas. “O Brasil está entre os principais países que produzem energias renováveis, mas não em termos de energias modernas, como a eólica e a solar, nas quais nos focalizamos hoje”, diz Miroux.

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Usinas eólicas instaladas no Rio Grande do Sul (Foto: Divulgação/ABEEólica)

Investimento
O relatório da Unctad revela que o Brasil foi o quinto país que mais investiu em energias limpas no ano passado, totalizando a soma de US$ 7 bilhões. A China, com o valor recorde de US$ 49 bilhões, liderou os investimentos em energias renováveis em 2010, seguida pela Alemanha (US$ 41,1 bilhões), Estados Unidos (US$ 30 bilhões) e Itália (US$ 14 bilhões).

O Brasil, segundo dados do instituto voltado para estudos na área de energias renováveis REN 21, citados no relatório, é o quarto principal país em termos de capacidade de produção dessas energias, incluindo a hidrelétrica.

Mas o país não está entre os cinco principais em relação à capacidade de produção de energia eólica (liderada pela China) ou solar. O relatório da Unctad afirma que os países do grupo Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) “estão fazendo avanços tecnológicos significativos nos setores eólico e solar”.

“A China está fazendo grandes esforços em relação ao uso de energias renováveis. Um dos grandes problemas do país são suas centrais térmicas que utilizam carvão. A transição não é simples e não pode ser feita de um dia para o outro”, diz Miroux.

  (Foto:  )

Metas ambiciosas
A diretora do estudo ressalta que o Brasil “está no bom caminho” com o objetivo “notório” de desenvolver as energias renováveis, apesar de ainda ‘não fazer o suficiente’ em relação às energias solar e eólica. Ela elogiou a meta fixada pelo governo de que 75% da eletricidade produzida no país seja proveniente de energias renováveis em 2030.

“O Brasil é um dos raros, talvez o único, a ter uma meta tão ambiciosa”, afirma Miroux, que questiona também se as enormes reservas do pré-sal poderiam colocar em risco a estratégia atual de desenvolvimento das energias limpas no país.

Tecnologia
Segundo o relatório, os investimentos globais em energias renováveis saltaram de US$ 33 bilhões em 2004 para US$ 211 bilhões no ano passado – um aumento de 539,4%. O crescimento médio anual no período foi de 38%.

Apesar dos números, a diretora do estudo alerta que ainda faltam “centenas de bilhões de dólares” para aperfeiçoar as tecnologias nos países em desenvolvimento e expandir o uso das energias renováveis no mundo. De acordo com o relatório, as energias renováveis oferecem uma oportunidade real para reduzir a pobreza energética nos países em desenvolvimento.

Fonte: G1


5 de setembro de 2011 | nenhum comentário »

Pecuária é a maior causa do desmatamento da Amazônia, diz Inpe

A pecuária é a maior responsável pelo desmatamento da região amazônica. De acordo com levantamento realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e divulgado nesta sexta-feira, 62,2% dos quase 720 mil km2 desmatados foram ocupados por pastagens.

O estudo do governo federal considerou as áreas desmatadas nos nove estados da Amazônia Legal até o ano de 2008. Essa área representa 18% de todo o bioma amazônico.

Segundo o instituto, a maior parte dessa área é ocupada atualmente por pasto limpo. “É aquela área em que houve efetivamente um investimento. Ela representa uma intervenção deliberada humana, com bastante cabeça de gado, com a intenção de intensificação de produção”, disse Gilberto Câmara, diretor do Inpe.

Câmara ressaltou ainda que a atividade da agricultura ocupa apenas 5% da área total desmatada –o Mato Grosso é o único estado da região que tem um peso significativo na produção de alimentos.

“Não tem como dizer que a agricultura é a responsável pelo desmatamento, ela não é um vetor importante. O uso que nós fizemos da floresta não foi nobre, não foi para a agricultura produtiva, foi para a agropecuária que ainda hoje é extensiva e precisa de políticas públicas para usar melhor a terra que a gente roubou da natureza”, afirmou o diretor.

A intenção do governo agora é, a partir desses dados, fazer um melhor aproveitamento do potencial produtivo da região e ao mesmo tempo, garantir a preservação dos recursos naturais do bioma.

“Nós podemos aumentar com tecnologia a eficiência da agropecuária e da agricultura, que representa um universo pequeno, aumentando dessa forma a produção sem agredir um patrimônio natural”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante.

“Nós não precisamos desmatar para desenvolver a Amazônia. Nós não precisamos desmatar bioma nenhum para desenvolver a agricultura”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Fonte: Flávia Foreque, Brasília, Folha.com


12 de agosto de 2011 | nenhum comentário »

Petrobras Biocombustível quer produzir biodiesel para a aviação até 2015

A Petrobras Biocombustível (PBio) investirá US$ 600 milhões, do total de US$ 4,1 bilhões previstos para ser investido pela subsidiária até 2015, no segmento de biodiesel e de suprimento agrícola. Com isto, a empresa espera manter nos próximos anos a participação de cerca de 25% do mercado nacional, disse nesta quinta-feira (11) o presidente da PBio, Miguel Rossetto, ao detalhar o Plano de Negócios 2011/2015 no segmento de biodiesel.

Nos planos da estatal, está a previsão de investir parte dos US$ 300 milhões, destinados à área de pesquisa, a fim de desenvolver tecnologia para a produção de biocombustíveis para a aviação, o bioqueresone, que a subsidiária espera colocar no mercado até o final de 2015.

Rossetto disse ainda que a PBio trabalha com a escolha entre duas rotas tecnológicas: uma via óleo vegetal e a outra a partir da sacarose (açúcar).

Fonte: Nielmar de Oliveira/ Agência Brasil


28 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Governo vai investir em pesquisas voltadas à economia verde

O Ministério da Ciência e Tecnologia vai divulgar nas próximas semanas um plano de investimentos em pesquisas voltado à economia verde, disse nesta quarta-feira (27) o coordenador-geral de Mudanças Climáticas da pasta, Marcos Heil Costa.

Ele participou de seminário promovido pelo Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.

Costa disse que o assunto está sendo tratado no planejamento do ministério. “O Ministério da Ciência e Tecnologia pretende investir em áreas como energias renováveis, economia do conhecimento e até mesmo na economia do extrativismo de forma sustentável, sempre promovendo o desenvolvimento sustentável.”

Os investimentos serão feitos por meio de editais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e também por mecanismos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do próprio MC&T.

De acordo com ele, tentar diminuir o impacto das mudanças climáticas e prever com mais rapidez esses eventos são dois desafios que o mundo terá de enfrentar nos próximos anos.

Para ele, o Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) é a primeira grande resposta do governo brasileiro às mudanças climáticas. “Desastres naturais têm ocorrido no Brasil, aparentemente cada vez mais intensos, com maior perda de vidas e de bens materiais, e o governo então criou esse centro para responder a essa ameaça.”

O centro entrará em funcionamento em 25 municípios brasileiros, em novembro próximo, e deverá estar operando 100% em quatro anos, atendendo mil cidades que apresentem maior risco de desastres naturais.

Costa disse que, a princípio, o centro pretende monitorar três tipos de desastres naturais: deslizamentos de terra, enchentes e perdas de safra agrícola devido à seca, principalmente no Nordeste.

Os tempos de resposta, assinalou ele, variam de acordo com o tipo de desastre natural. “No caso dos deslizamentos, o tempo de resposta estimado é entre duas e seis horas; no caso de enchentes, entre 12 e 24 horas; e no caso de secas, são 30 dias. Em todos os casos, acredita-se que seja tempo suficiente para que a Defesa Civil possa se organizar e atenuar os efeitos do desastre natural, seja removendo as pessoas de áreas afetadas ou distribuindo alimentos, no caso de quebra de safra.”

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil


26 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Ciência para o Brasil

Artigo de Alaor Chaves publicado na Folha de São Paulo de ontem (25).

Os cientistas brasileiros têm demonstrado um singular atavismo pelas colaborações científicas internacionais. Isso tem sido um dos obstáculos para que nossa ciência atinja a maioridade e também se torne agente propulsor do desenvolvimento do País. O volume da nossa produção científica tem crescido rapidamente, mas a elevação da sua qualidade não tem tido o mesmo vigor.

Reconhecemos a necessidade de dar um salto de qualidade, mas temos sido lerdos na adoção das políticas indispensáveis para esse salto. Os países com sucesso em desenvolver uma ciência tardia (ex-URSS, Japão, Coreia, China) praticaram por longo tempo um alto grau de introversão científica.

Empenharam-se na construção de uma ciência autônoma, com olhos atentos aos interesses nacionais, e só depois de se tornarem competitivos se abriram para uma colaboração mais intensa com o exterior. Nós temos trilhado o caminho inverso. No Brasil, temos exemplos emblemáticos do sucesso de programas em ciência e tecnologia perseguidos de forma autônoma.

Após longo insucesso com práticas agrícolas importadas, o Brasil decidiu seguir seu próprio caminho, e para isso criou a Embrapa. Hoje, nossa técnica agropecuária é a que avança mais rapidamente em todo o mundo. No caso da produção de etanol de cana, nem tínhamos com quem colaborar; com isso, desenvolvemos para o setor uma tecnologia sem rival.

O Brasil tem colaborado em projetos internacionais para a “big science”, o que requer equipamento muito dispendioso. Até o momento, temos feito parcerias que dão aos nossos pesquisadores acesso a boa infraestrutura sem dispêndios muito elevados. Neste ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia assinou acordos de colaboração com o consórcio europeu responsável pelo ESO (European Southern Observatory) e com o Cern, consórcio dono do maior acelerador de partículas no mundo, que mudam a escala de nossos gastos nesse tipo de colaborações.

Só como taxa de ingresso no ESO pagaremos 130 milhões de euros; ainda nesta década, seremos provavelmente o seu maior financiador. Pelo acordo com o Cern, nossa contribuição inicial será de US$ 15 milhões/ano. Mas, até 2020, talvez o Brasil também se torne o seu maior financiador Generosamente, subsidiaremos a ciência europeia.

Há anos temos discutido um ótimo projeto 100% brasileiro em “big science”, a expansão do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Seu custo será de R$ 360 milhões. O empreendimento alavancará várias tecnologias importantes. Como os gastos serão realizados no Brasil, quase 40% deles retornarão ao Tesouro na forma de impostos.

A comunidade de usuários do Laboratório já é mais de dez vezes a dos potenciais usuários do ESO ou do Cern, e abrange biologia, química, física, ciência de materiais, nanociência e pesquisa industrial.

O impacto do Laboratório em nossa ciência e tecnologia será muito maior que o dos projetos aprovados. Mas o Ministério da Ciência e Tecnologia o considera muito caro. Nenhum país teve destaque na área com esse caminho.

Alaor Chaves, físico, é professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Fonte: Jornal da Ciência


7 de julho de 2011 | nenhum comentário »

Para secretário do MCT, o futuro do País é explorar a biodiversidade

Em audiência no Senado, Carlos Nobre falou também sobre a importância da ciência e da tecnologia para a agricultura sustentável.

A contribuição da ciência nas discussões sobre os Desastres Naturais e nas alterações propostas ao Código Florestal foi tema de debate ontem (6) em audiência na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal, em Brasília.

 

Em sua exposição, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (SEPED), Carlos Nobre, mostrou a importância da ciência e da tecnologia para a expansão da agricultura sustentável no País. Ele destacou o programa de recuperação de áreas degradadas, a agricultura de baixo carbono e a exploração econômica da biodiversidade brasileira.

 

“O futuro do País é explorar o potencial de nossa biodiversidade. Para isso, precisamos de muita ciência, tecnologia, inovação e políticas públicas que sinalizem que esse e o caminho”, disse.

 

Sobre o Código Florestal, o especialista disse que é preciso parâmetros específicos para áreas urbanas e incorporar o princípio de salvaguarda da vida humana, além da proteção da biodiversidade, da água e do solo. “É muito importante que haja no Código uma visão diferenciada das áreas urbanas para prevenir desastres naturais.

 

Para o presidente da Comissão, senador Eduardo Braga (PMDB/AM), a discussão não deve envolver apenas ruralistas e ambientalistas, mas todo o povo brasileiro. “A ciência e a tecnologia são a chave para encontrar respostas”, disse Braga. De acordo com ele, o momento é de oportunidade para debater o tema de tanta importância econômica, social e ambiental.

 

Participaram também da audiência representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciência (ABC), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Meio Ambiente (MMA), senadores e deputados.

Fonte: Agência MCT


29 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Consequências de Fukushima

Acidente deve causar uma parada nos programas nucleares de vários países, mas não decreta o fim dessa forma de produção de energia, nem no Brasil.

O acidente nuclear na usina de Fukushima, causado por um terremoto seguido de tsunami, que atingiram o Japão no dia 11 de março passado, deve causar uma parada acentuada nos programas nucleares de vários países, mas não decretará o fim dessa forma de produção de energia, nem no Brasil.
A opinião é do engenheiro civil e Ph. D. em Engenharia Nuclear, Odilon Antonio Marcuzzo do Canto, presidente da Secao Latino-Americana da Sociedade Americana de Energia Nuclear (LAS/ANS).
Ele fala sobre o assunto em sua conferência Olhando para o futuro após o acidente de Fukushima, que profere na 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que se realiza de 10 a 15 de julho, na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia (GO).

 

Marcuzzo do Canto vai discorrer sobre as iniciativas tomadas pelas autoridades japonesas e pelos organismos internacionais competentes e as possíveis consequências para as pessoas e o meio ambiente.

 

“A partir dessa visão, tentarei esclarecer as consequências que são esperadas para o setor nuclear no Brasil e no mundo”, diz. A intenção é repassar de forma ordenada uma grande quantidade de informações disponíveis em diversas fontes, como jornais especializados, revistas e internet”, diz ele, acrescentando que também deverá fazer comentários sobre as conclusões da Conferencia Ministerial sobre Fukushima, realizada de 20 a 24 de junho, em Viena, da qual participou.

 

Marcuzzo do Canto baseia sua convicção de que o mundo não abandonará de todo a energia nuclear no fato de que muitos países precisam dela. “A demanda de energia mundial vai obrigar algumas nações a continuar com a produção nucleoelétrica, pois é a única fonte com densidade de energia suficiente para atender suas necessidades”, explica. “As fontes ditas alternativas como eólica e solar certamente podem desempenhar um papel importante, mas não têm densidade energética capaz de atender grandes demandas.”

 

No caso do Brasil, Marcuzzo do Canto diz que o País tem grandes possibilidades com a biomassa e, portanto, faz sentido imaginar que na matriz energética nacional a energia nuclear nunca terá papel preponderante. Apesar disso, ressalta que ela é importante para o Brasil. “Só existem três países no mundo que têm, ao mesmo tempo, a capacidade tecnológica de desenvolver o ciclo completo do combustível nuclear e reservas consideráveis de urânio”, diz. “Esses países são Estados Unidos, Rússia e o nosso. Dessa forma, não faz sentido abrirmos mão de tamanha riqueza.”

 

Há outra razão para que o País não despreze essa forma de energia. “Tecnologia nuclear não se compra, ou se desenvolve internamente ou se abre mão dela”, explica. “Portanto, é importante que o Brasil dê continuidade ao seu programa nuclear. O desenvolvimento do projeto do reator multipropósito brasileiro é um passo importante nessa direção. O aumento da capacidade cientifica, tecnológica e industrial no setor nuclear é também fundamental para garantir o Brasil quanto a outras aplicações da energia nuclear, principalmente na indústria e na saúde.”

Fonte: Jornal da Ciência


24 de junho de 2011 | nenhum comentário »

Nota de esclarecimento da SBPC e ABC sobre participação em eventos ligados ao Código Florestal

Entidades esclarecem posicionamento quanto à participação em grupo de trabalho sobre o tema.

Quando a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciência (ABC) foram convocadas pela comunidade científica e não por deputados ou senadores para analisar as propostas sobre o código florestal em tramitação na Câmara dos Deputados, as entidades criaram um grupo de trabalho (GT) em que os participantes não deveriam ter vínculos com entidades ligadas ao setor ambientalista ou do agronegócio.

 

ONGs e entidades representativas desses dois setores não foram convidadas para participar do GT, exatamente, para que o GT pudesse trabalhar sem influência de opiniões de entidades. O princípio básico da atuação do GT foi a formulação de uma análise à luz da ciência e tecnologia disponíveis, sem entrar no âmago de questões referentes a pagamento de passivos ambientais, procedimentos cartoriais e outros assuntos que são de natureza legal, que podem ser decididos sem a participação da ciência e da tecnologia.

 

Entretanto, durante os trabalhos, membros dos dois setores (ambientalismos e agronegócio) foram convidados para expor suas ideias e posições de suas instituições concernentes ao código florestal, pois a finalidade era reunir o maior volume de informações sobre o estado da arte do código florestal.

 

Após dez meses de exaustivo trabalho, o resultado foi a edição do livro intitulado “O código florestal e a ciência: contribuições para o diálogo”, que foi lançado em Brasília no último dia 25 de abril. Cópias foram entregues a todos os deputados e senadores. O documento se encontra disponível para download nos sites http://www.sbpcnet.org.br e http://www.abc.org.br.

 

Recentemente, a SBPC e ABC têm recebido convites de instituições e grupos de trabalho para participarem dos mesmos, pois o argumento de que a ciência e a tecnologia não podem ficar fora das discussões sempre é considerado nos convites.

 

Como o princípio adotado desde o início dos trabalhos foi a independência na formulação de opiniões do GT, a SBPC e ABC deixam claro que “não podem participar de quaisquer grupos de trabalho que sejam formados exclusivamente por participantes de um dos setores”, pois a SBPC e a ABC, além continuarem adotando a independência de posicionamento com princípio básico, acreditam que o acordo entre os dois setores é possível, desde que a ciência e a tecnologia sejam consideradas na formulação de um instrumento legal que assegure a produção agrícola com sustentabilidade econômica, social e ambiental.

 

 

Helena B. Nader/Presidente da SBPC     Jabob Palis Júnior/ Presidente da ABC     José A. Aleixo da Silva/

Coordenador do GT

Fonte: Jornal da Ciência


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